Notas iniciais
Continuação do outro, finalmente!!! HAHAHAHA Gente, próximo capítulo vai ser pela visão do Pedro.

Acordei com o barulho dos trovões e com a claridade no quarto causada pelos relâmpagos. Ainda deveria ser de madrugada. Esfreguei os olhos e então senti falta do calor no meu peito. Olhei para o lado e ela estava ali, sentada na beirada da cama e de costas para mim.

Chorando.

Me sentei devagar tentando entender a situação. Eu ouvia o choro sentido de Karina e definitivamente, eu não sabia o que fazer. Não sabia o que eu poderia falar. Ela percebeu que eu estava acordado, pois deu uma breve olhada para trás com os olhos brilhando pelas lágrimas. Me levantei da cama e dei a volta para agachar na frente dela. Levantei seu rosto e meu coração apertou ao vê-la assim.

– É por causa do que aconteceu?

Ela balançou a cabeça em negação. Me olhou no fundo dos olhos e desabafou comigo.

– Eu gosto dele, Cobra. Gosto muito. E agora eu descubro que foi tudo mentira... ele não gosta de mim.

E voltou a chorar desesperada, sem imaginar em como ela tinha me machucado ao dizer aquilo. Depois de tudo que passamos hoje, fui o único a dormir pensando nela. Mesmo depois de ter quase se entregado pra mim, era nele que Karina pensava antes de dormir. Maldito guitarrista.

– Ele não te merece, Karina. Você merece alguém que goste de você de verdade, do jeito que é.

Karina resmungou algo que eu não pude entender. Ela se levantou, ficando de costas para mim de novo. Tentei continuar argumentando para animá-la, mas sabia que ela não ouviria. Então, no meio do meu discurso, ela se virou. Me encarou por alguns instantes tão séria de um jeito que nunca vi. Ela não chorava mais. E então, foi ela que avançou em mim. Puxou meu rosto, me beijando com ferocidade. A empurrei no mesmo instante.

– De novo não, mocinha. Você não vai me prov...

Karina me empurrou com força em direção a cama.

– Cobra, eu decidi... que eu quero sim.

– Quer o que? — provoquei.

– Ir pra cama com você.

Em segundos meu corpo e meu coração se acenderam de novo. Tirei a cueca e esperei pelo próximo passo dela. Karina respirou fundo e devagar, começou ela mesma a tirar a própria roupa, primeiro o sutiã e depois a calcinha. Caminhou com passos cambaleantes até minha cama e finalmente pude puxá-la pro meu colo.

Lá fora, a chuva caia. Em algum lugar do bairro, o guitarrista devia estar preocupada onde ela poderia estar. Mal sabendo que ela estava ali, se entregando pra mim. Dessa vez, ela deixou eu tocá-la e assim eu fiz, da forma mais carinhosa que eu consegui, arrancando suspiros daquela boca deliciosa. Ela merecia sentir-se desejada, querida. Quando me estiquei para pegar o preservativo a olhei receoso. Se fosse pra desistir, que fosse agora. Mas ela me sorriu de volta e abriu as pernas, me dando o sinal que estava segura do que ia fazer.

Como eu imaginei, ela era extremamente apertada. Comecei devagar para não machucá-la. Soube exatamente quando tirei a virgindade dela, pois Karina cravou as unhas nas minhas costas e apertou os olhos com força, como se sentisse muita dor. Distribui beijos pelo rosto dela enquanto voltava aos movimentos.

– O pior já passou, linda. Agora aproveita.

Eu investia nela enquanto Karina se segurava a mim. Quando sabia que estava prestes a chegar ao ápice, eu diminuía o ritmo porque eu sabia, de uma forma de outra, que aquela era nossa primeira e última vez. Jamais teria ela nos meus braços novamente. Então eu precisava aproveitar cada instante, guardar cada gemido contido que ela dava e sentir cada batida acelerada do coração dela. Mas aos poucos ela foi ficando cansada e sua respiração começou a falhar. A deitei, pois queria olhar aquele rosto de boneca até o final. Quando eu finalmente gozei, fui ao paraíso e voltei e encontrei o céu novamente ao encontrar aqueles olhos azuis me encarando de forma confusa. Eu sabia o que estava acontecendo com ela. Forcei meu corpo a continuar os movimentos para finalizar o prazer pra ela. E então veio. De uma forma deliciosa de se ver, Karina contorceu o corpo e deu um gemido baixo, fechando os olhos. E sorriu. Foi inevitável não sorrir junto com ela. Fiquei a admirando enquanto ela continuava a sorrir e no meu ápice de satisfação e alegria pelo que tinha acontecido, vi seus lábios rosados formarem um som baixo, mas claro.

Pedro.

Minha cabeça rodou e senti vontade de vomitar. A respiração falhou e eu tinha certeza que meu corpo ia explodir de tensão a qualquer momento.

Transou comigo... pensando nele.

Antes mesmo que eu pudesse pensar em alguma para fazer, senti as mãos dela me empurrando. Karina se levantou depressa, pois claramente ela tinha voltado a si. E obviamente, estava desesperada. Começou a se trocar com rapidez e não parava de negar com a cabeça. Parou por um instante encarando os lençóis e começou a chorar, pois viu o sangue de sua virgindade esparramado ali.

– Eu não te forcei, K. — foi a única coisa que consegui dizer.

– Claro que não, Cobra — mas ela não me encarava — eu fiz porque quis.

– Mas se arrependeu.

Ela não respondeu, apenas pegou o celular e foi para a porta.

– Por favor, não fala isso pra ninguém. Me matariam se soubessem... te matariam.

– E como fica agora? Você e eu.

– Não vou conseguir te encarar por um tempo, Cobra.

– Então não vai acontecer de novo?

Karina estava quase saindo quando se virou para mim assustada. Abriu a boca algumas vezes como se tentasse achar as palavras certas.

– Cobra... você sabe que não. Pensei que pra você fosse assim, sabe...

– Sexo sem compromisso?

– Pensei que isso não fosse fazer diferença pra você.

– Não conseguiu ver o quanto eu gostei?

– Gostou do jeito que deve ter gostado das outras vezes, Cobra.

Sim, era pra ter sido assim. Era pra eu ter saciado todos os meus desejos e pronto. Mas alguma coisa tinha sido diferentes. E naquele momento, meu ego gritava em desespero, afinal, eu nunca tinha sido rejeitado desse jeito depois de transar. Normalmente, eu falava o que ela estava falando.

– Obrigada.

– Pelo que?

– Por ter me deixado ficar aqui.

– De nada. Foi um prazer arrancar sua virgindade.

Ela percebeu que ela aquilo não foi dito de maneira gentil. Foda-se. Não tinha sido minha intenção ser educado ou carinhoso. Se ela fosse me tratar como capacho pra raiva dela, ótimo.

– Pode ir agora, Karina. Volta pra sua vida.

Ela acenou com a cabeça e saiu. Mas eu ainda não estava satisfeito. Antes dela fechar a porta, eu disse minhas últimas palavras.

– Volta pro seu namoradinho. Quem sabe agora que não é mais virgem, vocês conseguem fazer o namoro de vocês ter sentido. Ele merece que você abra as pernas pra ele também, Karina.

Fechei os olhos quando escutei o choro dela. Ela bateu a porta com a maior força que conseguiu. Eu merecia aquilo. Fiquei atento até escutar a porta da frente bater. Finalmente, eu estava sozinho.

Podia chorar como nunca chorei na minha vida. Eu não sentia vontade de bater em nada, apenas de chorar que nem uma criança. Eu fui do céu ao inferno em apenas uma noite.

Quando finalmente me acalmei, meus olhos se irritaram com os primeiros raios solares do dia.

O amanhã tinha chegado. Ela não era mais minha.

Notas finais
Cobrinas, não me matem, tudo nessa vida tem motivo!! Não odeiem o Cobra, por favor HAHAHHAHAA Continuem comentandooooo