Notas iniciais
VOLTEEEEEIIII Gente, MIL PERDÕES! Faço faculdade, último ano... então tá foda demais! Tô pirando. MUITO OBRIGADA por todas os comentários, to muito feliz por tudo e prometo responder todo mundo em breve. O capítulo ficou curto porque eu realmente to sem tempo... mas nao queria deixar passar mais uma semana. Até quarta feira sai mais um. Continuem comentando, adoro quando vocês tentam imaginar o que vai acontecer!

Karina escorregou pela parede até sentar no chão. Suspirou cansada e voltou a chorar. Estava molhada, ela deveria ter tomado o chuvisco que agora caia mais fraco. Não sabia se ela tremia por estar chorando ou por estar com frio.

– Você tá molhada.

– Não importa.

A voz dela estava rouca, fraca. Ela olhava para as próprias mãos enquanto as apertava ansiosa.

– Vai ficar doente. Você tem que ir pra casa.

Karina deu uma risada alta que me assustou um pouco. Limpou as lágrimas com as costas da mão e me encarou com um sorriso falso.

– E aguentar a canalha da minha irmã suplicando perdão? Vou ficar aqui.

Foi minha vez de dar risada. Fechei as cortinas novamente e me sentei no chão de frente para ela.

– Pediu permissão pro dono, moça?

Karina ficou séria novamente e sentou apoiando-se nos joelhos. Num gesto rápido, segurou minhas mãos com força, o que fez meu corpo arrepiar pelo contato com sua pele fria.

– Cobra, por favor! Aqui é o último lugar que vão me procurar. Quebra essa pra mim, vai.

– Karina, por mim ok. Mas se desconfiarem que você tá aqui, vão me acusar de ter te prendido aqui. Então não.

– Ninguém vai saber. Todo mundo sabe que você costuma sair no fim de semana e nem fica aqui. Afinal, o que tá fazendo aqui?

– Não tô afim hoje. Mas não muda de assunto. A resposta ainda é não.

Karina mordeu a boca controlando a vontade de chorar mais. Isso era uma das coisas mais intrigantes nela: o orgulho. Ela não iria suplicar que nem uma garota mimada. Não Karina.

– Então pra onde eu vou? Não vou pra casa. não posso ir na casa de ninguém conhecido porque vão me achar.

– Você pretende ficar fugindo, Karina? Para com isso. Sei que é foda, mas vai pra sua casa e encara aquela mimada de frente.

Karina me encarou desconfiada.

– Por que você tá sabendo dessa história já? Quem te contou?

– O João veio aqui depois da confusão e acabou me dizendo. – pensei em mentir, mas a verdade me pareceu a melhor explicação sobre como eu poderia saber daquilo – ele tá arrasado.

– Ele também sabia. Me enganou também.

Ficamos alguns minutos em silencio e as lágrimas de Karina voltaram a cair copiosamente. Depois de um tempo, alguns trovões vieram quebrar nosso silencio e eu passei a observar as luzes piscarem. Aos poucos o som dos dentes de Karina rangendo de frio começaram a aparecer.

– Você não vai embora mesmo, né? – a resposta dela foi o silencio – só não te jogo pra fora porque tá tarde e chovendo e sei que você é cabeça dura suficiente pra ficar por ai vagando.

Me levantei, espreguicei o corpo e estendi a mão direita para ela. Karina levantou o olhar, me encarando confusa.

– Vem, vou te dar uma roupa seca.

Karina aceitou minha mão e se levantou. Segui até meu quarto dos fundos com ela atrás. Abri a porta e agradeci internamente por ter dado uma boa geral no lugar no dia anterior. Karina sentou-se na beirada da cama enquanto eu escolhia algumas peças.

– Quer tomar banho?

–Não.

Joguei uma camisa azul xadrez de botões para ela.

– E a parte de baixo?

– Isso aí te cobre inteira, nanica. – respondi dando risada. – pode se trocar no banheiro.

Ela foi até o cômodo e eu fiquei ali, pensando no próximo passo.

O que aconteceria agora?

O que ela queria ali, afinal? “Esquecer por uma noite”...

Senti meu corpo ficar tenso. Não sabia o que ela faria depois de sair daquele banheiro. Pediria pra dormir? Para conversar? Iria pedir que eu me vingasse por ela? Iria apenas chorar mais?

Ouvi os passos dela vindo em minha direção. Karina colocou as roupas molhadas em uma cômoda e parou na minha frente, esfregando os olhos.

Era estranho vê-la com minha roupa. A camisa não ficou tão grande quanto eu imaginava, batendo no meio das coxas dela. Karina havia subido um pouco as mangas e deixado dois botões abertos.

Era pecado eu ter gostado tanto dela dentro da minha roupa?

Karina voltou a sentar na cama e um arrepio passou meu corpo quando a camisa subiu mais um pouquinho.

– Quer dormir?

– Não.

– Quer conversar?

– Não.

– Quer tramar uma vingança?

– Não.

– Vai ficar chorando a noite inteira?

– Não.

– Então o que você quer, Karina?

Ela se levantou da cama e veio andando rápido na minha direção. Por segurança, dei alguns passos para trás que ela logo cobriu andando mais um pouco. quando dei por mim, bati as costas na parede do quarto.

– Quero que você me responda umas coisas.

– Não sei nada sobre essa história, você sabe.

– Exatamente por isso que eu quero que você responda algumas perguntas.

– Que perguntas?

– Vou te fazer umas perguntas e você vai me prometer que vai responder... como homem.

Abri a boca algumas vezes procurando uma resposta: não sabia se dava risada, se pedia pra ela repetir.

– Como assim?

– Você é a pessoa mais sincera que eu conheço. Você não tem medo de machucar, magoar... sei que vai me responder a verdade.

– Não sei aonde você quer chegar.

Karina deu as costas para mim e sentou no meio da cama, cruzou as pernas na posição de índio e colocou um travesseiro no meio para que eu não pudesse ver sua calcinha. Suspirei fundo e me sentei na cama também, mas mantendo uma boa distancia.

– Sei tudo que tem de ruim na minha personalidade. Sou marrenta, brava, esquentada... tudo isso eu já sei. Mas hoje eu quero saber quais são meus... outros problemas.

– Continuo sem entender.

Karina parecia procurar palavras. Dava pra sentir a vergonha que ela estava sentindo com aquela situação. Estava me esforçando o máximo para ajuda-la, mas eu não conseguia ver aonde ela queria chegar. Então, de uma forma bem sutil, Karina olhou para o espelho da minha cômoda e encarou-se por alguns segundos. Em seguida, abaixou a cabeça, visivelmente decepcionada.

Então eu entendi.

– Karina... – ela virou a cabeça na minha direção mas não me encarou nos olhos – olha pra mim.

Ela levantou os olhos azuis.

– Você veio até aqui descobrir o que há de errado com você fisicamente?

Ela não me respondeu e entendi aquilo como um sim.

– E minha opinião importa?

Ela suspirou e ajeitou-se melhor na posição.

– Importa sim, importa porque você tem a opinião parecida com a maioria dos homens.

– Sou igual a todos os outros.

– Exatamente. Já vi várias vezes você falando sobre mulher na academia... e sempre concordam com você.

– E se você não for meu tipo de beleza?

– Daí eu vou saber que a maioria também não acha. Que sou diferente demais.

– O que também não é ruim.

– Para, Cobra. O maior motivo de eu te procurar para falar sobre isso é que independente do que você achar, você vai falar. Não vai tentar ser gentil.

– Se eu falar que você é feia, você vai chorar?

Karina me encarou confusa e eu me esforcei para continuar sério e não dar risada. Tinha falado aquilo sabendo qual seria sua reação: achar que aquilo já era minha opinião. Vi ela desviar o olhar por meio segundo e depois voltar a me encarar, dando de ombros.

– Talvez depois. Mas não iria me surpreender. Pode falar toda a verdade que eu aguento. E vou querer saber o que falam de mim também.

Mais um trovão ecoou, mas dessa vez acompanhado por mais chuva. Karina passou a me encarar esperando uma reação e eu não conseguia falar mais nada. Mas no meu cérebro, apenas uma questão estava ocupando meus pensamentos. Antes que eu pudesse evitar, acabei soltando.

– E o contrário, Karina? O contrário você aguenta?

– Como assim? – foi a vez dela de parecer perdida.

– E se você descobrisse hoje que tudo o que falam de você por ai é o contrário do que você sempre achou? Você aguenta ouvir isso também?

Minha respiração descompassou quando ela corou. As bochechas ficaram vermelhas e obriguei meu corpo a não avançar nela. Ela não sabia onde tinha se metido. Karina pareceu recobrar a consciência e se levantou depressa. As mãos procuraram a barra da camisa, tentando puxá-la para baixo o que só serviu para chamar minha atenção para as pernas dela. Como se tivesse finalmente entendido o perigo, ela ameaçou fugir, mas segurei com firmeza seu braço a puxando de volta.

– Cobra, vou embora.

Dei uma risada alta e me levantei também.

– Até parece. Aguentando ou não, não sai daqui sem ouvir o que você queria. Agora senta.

Ela me encarou de volta e sentou-se novamente.

– Pode mandar a primeira pergunta, madame.