O Menino De Vermelho





















Depois de muita luta para me colocarem no dormitório da Lufa-Lufa, eu acordo no dia seguinte com Lúcia gritando.

— Levanta, levanta, você viu a minha gravata?! — ela revirava o baú.

Me sento na cama.

— Gravata? Mas que gravata?

— A minha gravata! Você ainda está dormindo?!

Ela me puxa da cama e olho o dormitório vazio.

— O-onde está todo mundo?!

— Já estão na sala de magia! — ela procura sua gravata debaixo da cama– Ora! Não fique aí me olhando, vá se arrumar também ou vamos ter problemas!

Eu bato no meu rosto levemente e começo a procurar meu uniforme.

— Achei! — Ela grita levantando a gravata como se fosse uma vitória.

Me arrumo rápido, pego meus livros e saímos apressadas do dormitório.

— Ela vai nos matar!–viramos o corredor e damos de cara com ela, a zeladora.

— E você estaria certa senhorita Lúcia, seu eu pudesse realmente matar os alunos — ela curva seu pescoço gigante na nossa direção e mostra seu relógio — Hogwarts não tolera atrasos... E no primeiro dia de vocês... Menos doze pontos para a Lufa-Lufa.

— O quê?!

— Menos um ponto por ainda estarem paradas aqui.

Eu puxo Lúcia que parecia uma estátua e voltamos a correr.

Ela diz atrás de nós, enquanto olha o relógio:

— Menos mais um...

— Estamos ferradas! Os alunos da Lufa-Lufa raramente perdem pontos! — ela começa a correr mais rápido do que eu.

Entramos na sala, desesperadas, caindo no chão. Suadas, cansadas.

Os alunos sentados nos olham surpresos.

— Sentem-se por favor... – uma professora magra de cabelos negros diz enquanto segura sua varinha.

— Desculpe o atraso... – Lúcia diz primeiro enquanto me ajuda a levantar.

— Tudo bem, meninas, acontece.

Ela aponta para os lugares vazios.

— Estamos revisando as magia ensinadas nos anos passados, e hoje estamos revisando o feitiço de levitação, Wingardium leviosa. — ela entrega duas penas de coruja.

— Ah eu conheço essa. Mamãe usa direto em casa para levantar os móveis — ela cochicha para mim enquanto pega sua varinha.

— Minha empregada usa bastante também.

— É uma magia muito útil, pode fazer qualquer item flutuar, não importa seu peso. Mas para fazer coisas pesadas flutuarem exige muita dedicação e habilidade — ela sorri e escreve no quadro — Há muitos significados para "Wingardium leviosa" o mais simples é "Fazer levitar".

Uma aluna da Corvinal levanta a mão.

— Sim querida?

— Quem criou esse feitiço, professora?

— Oh... Bem, querida, você fez uma boa pergunta! Mais cinco pontos para a Corvinal.

Os alunos batem palma comemorando.

Lúcia se inclina para mim e começa a cochichar.

— Todos os alunos da Corvinal são metidos, não há um aluno sequer que já não tenha feito os pontos da casa renderem. E pelo visto vão ganhar a taça das casas mais uma vez, assim como no ano passado.

— Esse feitiço foi criado por Jarleth Hobart, foi um bruxo britânico, que se tornou famoso pela criação do feitiço de levitação. E foi em um momento muito embaraçoso onde ele apresentou esse feitiço para uma multidão de bruxos. Inclusive, o Bruxo Chefe da suprema corte dos bruxos. Podem ver o desfecho da história na página 15 do livro "As histórias atualizadas dos maiores bruxos de todos os tempos!"

— E os bruxos que criam feitiços professora? É necessário registrar esse feitiço no livro mágico de registros? — outra aluna da Corvinal pergunta.

— A arte de criar feitiços hoje em dia é proibida, pessoas não muito cuidadosas podem fazer coisas horríveis como machucar ou até matar outra pessoa.

Olho os olhos da professora, ouvindo suas palavras, ela desvia sorrindo e volta a escrever no quadro.

— Enquanto escrevo sobre a magia, vocês podem ir praticando — ela escreve na lousa novamente.

Pego a minha varinha e coloco a pena no meio da mesa.

— Lembrem-se de pronunciar corretamente, e sejam cuidadosos — a professora adverte.

Olho Lúcia pegar a sua varinha e cutucar a pena.

— Vimgardium leviosa!

Alguns alunos sentados na nossa frente riem dela.

— Não é assim, você precisa falar como se realmente estivesse com vontade de pronunciar um feitiço.

Ela me olha um pouco irritada.

— Ah, se é tão fácil, mostra aí sua sabe-tudo.

Eu reviro os olhos e balanço a varinha suavemente em cima da pena.

— Wingardium Leviosa! — eu toco a pena.

Mas nada acontece. Lúcia bufa rindo muito..

— Que estranho... Eu fiz igual a Bridjet.

— Quem é Bridjet?

— Minha empregada...

Olho a varinha e repito o processo balançando a varinha mais forte.

— Wingardium Leviosa!

Mas nada acontece outra vez.

Irritada, eu balanço a varinha outra vez.

— Wingardium Leviosaa! Wingardium leviooosa!

Um Grifinório sentado mais ao canto da sala grita, seu livro voou direto em seu rosto.

— Ih... — eu solto a varinha enquanto a professora se aproxima.

— Você está conseguindo querida?

— Ah, não tá indo... Mas estou falando certinho.

— Por que não tenta de novo para eu ver?

— Tudo bem — pego a varinha — Wingardim leviosa!

A pena permanece imóvel.

A professora esfrega a bochecha meio sem jeito.

— Talvez, sua magia ainda não tenha se manifestado totalmente?

— Impossível, quando tinha sete anos derrubei todos os livros da prateleira do meu quarto de uma vez porque estava irritada. Foi aí que papai contratou um professor.

— Entendo... Então acho que você precisa de mais prática — ela coloca a mão no meu ombro.

— Vou tentar outra vez.

Ela se vira para Lúcia que assoprava sua pena discretamente.

— Moveu!

A professora balança a cabeça e vai até outro aluno.

— Que coisa mais estranha...- olho a ponta da varinha um pouco chateada.

— Não faça isso Susie! Coisas horríveis aconteceram com bruxos que apontaram a varinha para si mesmos.

Relembro da história do vendedor de varinhas e engulo seco.

— Vou tentar de novo... – aponto para a pena e digo um pouco mais séria– Wingardium leviosa!

A pena se move um pouco e sorrio contente, bem, até sentir um ventinho no meu braço. Lúcia estava assoprando!

— Ei, você não está ajudando!

— Desculpe, achei que isso fosse te animar um pouco — ela ri.

A varinha escapa da minha mão e começa a flutuar.

Olho para os lados procurando o engraçadinho, mas todos estavam distraídos com sua própria pena.

— Susie como você está fazendo isso?- ela se levanta comigo da mesa.

— Eu não sei! Não sou eu! — vou atrás da varinha.

Minha varinha flutua na direção a professora como se tivesse vida própria.

A professora se vira assustada e olha a varinha apontada para seu rosto.

— S-senhorita Susie o que está fazendo?! — ela diz assustada.

Os alunos olham imediatamente, Lúcia atrás de mim tenta acalmá-los.

— E-Eu não estou fazendo nada professora! Ela está se movendo sozinha! — seguro a varinha tentando afastar do rosto da professora, mas ela não se move.

— Senhorita Landerwood!

A ponta da varinha começa a brilhar esmeralda como se estivesse se preparando para fazer um feitiço sozinha.

— Senhorita Landerwood pare! – ela grita muito assustada.

— Ela não quer mover! — eu me seguro na mesa enquanto puxo a varinha.

Lúcia que volta com a zeladora aponta para a nossa situação. Os alunos estão escondidos debaixo e atrás das mesas.

— Ah!– a zeladora pega sua varinha e aponta para nós — Finite incantatem!

A minha varinha para e cai no chão. E me afasto com as mãos para cima.

— Não fui eu! Eu não fiz nada!

— Já para a condenação Senhorita Landerwood!

— Mas eu não fiz nada!

— É verdade senhora estávamos tentando fazer o feitiço da levitação quando isso aconteceu. — Lúcia tenta me defender.

A zeladora pega a minha varinha.

— Sua varinha está confiscada senhorita Landerwood. Vá para a condenação, e só vou entregar com uma carta escrita pelo coordenador.

— Mas você não pode fazer isso! Eu preciso dela.

— Sem mais discussões!

Olho a professora, mas ela não pode me ajudar já que não entende direito o que aconteceu.

— É melhor você ir Susie...

Eu suspiro e sigo a zeladora. Lúcia começa a conversar com os alunos.

Na sala do Coordenador e tento explicar a minha situação.

— Você está me dizendo que a sua varinha se moveu sozinha? Como se tivesse vida própria?

— Sim! É isso que estou tentando dizer.

— Uma varinha não faz um feitiço sozinha sem alguém para canalizar a magia senhorita. Sei que está irritada por ter entrado em outra casa, mas isso não justifica atacar uma professora.

— Mas eu não fiz isso!

— Teremos que enviar uma carta para seu pai.

Eu suspiro fundo e afundo na cadeira.

— Isso não é justo.

— Por favor, retorne para a sua sala, vamos ficar com a sua varinha, quando o diretor voltar de Londres, vamos ouvir o que ele tem a dizer sobre isso.

Me levanto da cadeira e olho a varinha na mesa.

— Senhor, acha que uma varinha pode ser enfeitiçada?

— Enfeitiçada? Isso nunca aconteceu em Hogwarts antes.

— Mas...

— Por favor se retire, eu preciso escrever uma carta.

Emburrada eu saio da sala. Lúcia me esperava do lado de fora.

— O que ele disse?

— Vou ficar sem a minha varinha até o diretor voltar.

— Mas e as aulas de magia? Você precisa delas! Não pode perder as matérias do terceiro ano. São as mais importantes.

— Eu sei, e acho que não vou participar por enquanto... Mas vou poder assistir.

— E se eu falar com ele sobre isso? Talvez ele me ouça já que sou uma testemunha.

— Não, ele vai pensar que você é minha cúmplice, não vai funcionar.

Ela suspira.

— Vocês Lufanos são muito burros.

— Você também é uma Lufana.

— Eu não sou! Isso foi um erro do chapéu seletor, você vai ver que estou na casa errada logo, logo.

— Você! Landerwood!

Um garoto grita meu nome mais ao fundo do corredor, olho para ele.

— O que você quer?

— Você fez meu livro quebrar meu nariz! Achou aquilo engraçado?

— Eu não fiz nada.

— Fez sim!

Ele chega bem perto e me empurra no chão. Lúcia fica na frente.

— Deixa ela em paz, Max!

— Acho bom você tomar cuidado com quem anda Lúcia, ela é uma bruxa de uma família inteira de Sonserinos. Você sabe o quanto eles são cruéis.

Me levanto do chão e limpo as minhas vestes.

— Pelo menos alguém tem o bom senso de saber que estou na casa errada.

— Fique longe da Lúcia!

— Isso não cabe a você decidir.

Olho Lúcia. Ela olha para nós dois e decide ficar ao meu lado.

— Estou bem Max. Mesmo que Susie ache que está na casa errada, eu confio no chapéu seletor. Sei que ele não errou e não vai errar dessa vez.

Eu suspiro. Max parece mais irritado. Ele sai andando esbarrando em nós duas.

— Quem é aquele? Seu namorado? — Eu esfrego meu ombro.

— Não, ele é meu primo.

— Ele é um idiota.

— Ele só está me protegendo.

— Hunf, vindo de alguém da casa da Grifinória... São todos valentões.

— Você não sabe do que está falando.

— Vocês parecem bem confortáveis e desocupadas, falando tão despreocupadamente no corredor, meninas — A zeladora aparece atrás de nós.

— Que susto!

— Vocês tem aula de poções agora, não vou tolerar atrasos, ainda mais depois da confusão de agora a pouco senhorita Landerwood.

— Já estamos indo — eu puxo Lúcia.

— Senhorita Landerwood.

Eu a olho por cima do ombro.

— Terei o prazer de te expulsar da escola.

Eu estreito os olhos. Enquanto vejo ela indo embora.

— Você está maluca, ela não deve ter feito nada com a sua varinha. — Lúcia mexe dentro do caldeirão e me olha.

— Como você tem tanta certeza? Você viu o que ela falou, que "terá o prazer de me expulsar da escola." Isso foi claramente uma ameaça.

— Ela é só a zeladora, não tem como te expulsar.

— Não diretamente.

— Silêncio! — o professor de poções bate o livro em sua mesa nos olhando ferozmente.

Eu engulo seco.

— Desculpe.

— Não permitirei conversa fiada dentro da minha sala de aula, se não for sobre poções — ele fala entredentes.

Todo professor de Poções é nervoso assim mesmo?

Momentos depois, alguns alunos fazem filas para apresentar sua poção de curar furúnculos.

— Isso está horrível — ele olha o frasco de poções de uma Lufana.

— A cor está péssima – ele reclama outra vez com um garoto da Corvinal.

— O Cheiro está agradável... Odiei. — ele resmunga para uma garota da Corvinal.

Já na nossa vez.

— O que é isso? A poção está grossa.

— Isso importa? Ninguém vai tomar isso, afinal — eu me esforço para resmungar.

Ele arqueia a sobrancelha.

— O que disse?

— Nada, senhor...

— Se a senhorita acha que não precisa se esforçar na minha sala de aula e que ninguém nunca iria tomar isso aqui, então vou fazer questão de mudar isso.

Ele retira sua varinha e me puxa para o centro da sala.

— Professor?! — me assusto quando ele aponta a varinha para mim.

— Fique parada, você vai servir como cobaia para que eu teste essa poção que ambas fizeram sem nenhum esforço.

Alguns alunos da Sonserina riem.

— Furnunculus!

Algumas partes do meu rosto começa a queimar. Lúcia se esconde atrás da mesa.

— Ah... Ah! – sinto uma bolha vermelha aparecer na minha mão e no meu rosto.

— Susie! Você está horrível.

— Não se mexa senhorita Landerwood, não queremos que o pus saia daí. — ele mexe no caldeirão e pega um pouco da poção que fizemos — Vamos ver se a poção de vocês duas poderia te salvar.

— Ah... – eu fico imóvel tentando não me mexer.

É nojento! É nojento!

— Beba... — ele coloca uma concha da poção na minha boca e me faz beber.

O gosto é amargo, e arde no céu da boca. Eu perco as forças das pernas e caio no chão.

Os alunos se aproximam curiosos.

— Isso dói! Ahhh! — olho minhas mãos no chão enquanto elas incham.

O professor afasta alguns alunos enquanto observa os efeitos que a poção tem.

— O que você sente?

— Dor! Ahhhh!... Minha barriga...

— O que vocês colocaram nessa poção? — ele olha Lúcia assustada.

— Ah! T-tudo o que estava no livro professor.

— Sei...

— Ela parece uma bolota – um corvino cochicha por causa do meu rosto inchado.

— Muito bem, senhorita Landerwood, acho que já aprendeu a sua lição – Ele começa a mexer o caldeirão e colocar alguns ingredientes novos, enquanto os alunos anotam.

— S... Sim... Gah! D-Desculpa....

Meu corpo parece pesado, o professor se aproxima, e eu bebo a nova poção do professor. Meu corpo começa a voltar ao normal pouco a pouco.

— Na próxima vez, não reclame da poção ou faça mal feito. Você nunca sabe quando vai precisar tomar. Essa lição serve para todos, eu exijo a perfeição na minha sala. Não quero poções mal feitas e nem cheirosas, isso aqui não é uma perfumaria. Entenderam? Ou eu preciso fazer uma aula prática com alguns de vocês todos os dias?

— Não senhor...

Saímos da sala, ainda sinto as dores de barriga então me apoio em Lúcia.

— Desculpe Susie, eu teria caprichado mais na poção se soubesse que alguém iria tomar naquela aula.

— Não tem problema. Foi uma boa lição... E bem nojenta.

— A Próxima Aula é de Transfiguração, vamos logo para não nós atrasarmos de novo.

— Está bem– eu sigo Lúcia no corredor.

Quem diria que o novo mestre de poções, John Arthir Wittar seria tão severo com seus alunos...