Não posso ser ela
5 Capítulo 4
Notas iniciais
— Srta Bella, eu consegui! – A doce voz de Meg me faz sorrir
— Sim, minha linda, você conseguiu. Agora que tal fazer mais uma vez? – Eu digo apontando a partitura a sua frente e ela assente com entusiasmo e ajeita o violino em seu ombro Ela acerta a sequencia mais duas vezes, até que o sinal do fim da aula toca.
Eu respiro fundo. É a ultima aula de sexta feira.
— Até segunda feira, crianças! – Eu digo com um sorriso enquanto meus alunos estão se arrumando para irem embora. E não esqueçam...
— A prática leva a perfeição! – Todos cantam em uníssono e eu sorrio ainda mais.
Arrumo o meu material devagar, analisando o que vou levar ou não para casa.
Quinze minutos mais tarde estou dando partida no meu carro rumo a Santa Mônica. Durante todo o trajeto eu projeto diversas formas de como iniciar uma conversa com meu pai sobre Dora. Um animal qualquer passa pelo canteiro da estrada e o susto me faz desliza e frear bruscamente. Eu agradeço aos céus por a estrada estar praticamente vazia. Eu paro no acostamento e respiro fundo tentando me acalmar um pouco. Fecho os olhos.
— Não chame mais por ela, Bells. – Meu pai fala com uma voz grave e um soluço me escapa. Eu me viro para ele ainda segurando a porta por onde minha gêmea acabou de nos deixar.
— Ela vai voltar. Ela tem que voltar! – Eu digo sentindo uma lagrima escorrer no meu rosto. A primeira de muitas. Meu pai me olha com ternura e se aproxima abrindo os braços para mim.
— Você sabe que ela não vai voltar, Bells. Nunca mais. – Meu pai sussurra enquanto em me aconchego em seus braços. Os últimos dois Swans. Outra lágrima desce de meu olhar.
– Mas você sempre terá a mim, pai. Eu nunca irei embora. Estarei para sempre com você. – Eu digo para ele. Sinto seu soluço mudo e sei que ele também está chorando. Perder a mulher e logo em seguida uma filha é um golpe muito duro para um coração cansado.
— Ficaremos bem, Bells. Eu prometo. Temos um ao outro. – Ele diz e me abraça mais forte.
Uma lágrima cai de meu olho com a lembrança do pior dia da minha vida. Desde aquele dia, eu me pai não falamos mais sobre Dora e muito menos nos mantivemos muito longe um do outro. Eu fiz faculdade em San Francisco mesmo e passava os finais de semana com meu pai sempre. Eu sempre fui de poucos amigos e continuei assim, mantendo os amigos de infância e agregando mais uns dois ou três. Minha vida passou a ser a música, as aulas e meu pai, apenas.
Eu respiro fundo mais uma vez, enxugo meu rosto e dou partida. Em pouco tempo eu estou diante da casa 18 da rua Thurton. O pequeno sobrado verde e cinza me faz sorrir. Dou uma olhada na rua e vejo algumas pessoas caminhando enquanto estaciono na entrada de carros da casa, logo atrás da Chevy vermelha de papai.
— Menina Bella! – Sra Jonhson me cumprimenta quando eu saiu do carro. Eu aceno para ela com um sorriso. Ela está levando seus 5 cachorros para passear.
— Como vai, Sra Jonhson? – Eu pergunto educadamente enquanto pego minha bolsa e meu material o banco de trás.
— Como sempre, com Deus quer. Anna perguntou de você essa semana. – Ela diz e eu sorrio.
— Como ela está? E o bebê? – Eu pergunto traçando o carro e andando em direção à minha casa.
— Está bem, disse que deve nascer em um mês mais ou menos. – Sra Jonhson diz empolgada.
— Que maravilha! – Eu digo e nesta hora meu pai aparece na porta.
— Filha! – Ele exclama e sua felicidade me contagia. Por um instante eu esqueço tudo o que aconteceu esta semana e me concentro no aconchego que só meu pai consegue me dar.
— Papai! – Eu digo recebendo seu abraço caloroso. – Que saudade! – Não escondo minha voz embargada. O abraço de Charlie tem este poder de tocar tudo dentro de mim.
— Calma Bells, foram só 14 dias. – Ele diz e ri de sua própria piada.
— É muito tempo longe do melhor pai do mundo! – Eu rebato. Quando nos afastamos, percebo que a nossa vizinha á está longe com seus cães.
— Então venha, temos muito para colocar em dia. – ele diz pegando a minha pasta e indo para dentro de casa ao meu lado.
Ah pai, você nem imagina o quanto!
Nós preparamos o jantar juntos, depois de eu ter tomado um banho e trocado de roupa. Sentamos à mesa e abrimos um vinho para acompanhar o peixe ao molho de ervas que é especialidade do papai.
— Ah que perfeito! – eu exclamo ao terminar meu prato.
— Eu sei que você adora este peixe. – Meu pai diz e eu lhe sorrio.
Charlie é um homem de traços firmes, porém comuns. Alto, já foi forte quando mais jovem, moreno de cabelos e olhos castanhos claros. Tanto eu quanto a minha irmã herdamos com exatidão essas tonalidades, eu sempre amei, mas minha irmã odiava isso. Queria ter nascido com os olhos claros de nossa mãe ou seus cabelos finos e loiros. Eu adoro ser parecida com o meu pai. Não que eu não gostasse de mamãe, eu a amava muito, mas era nítido que ela se dava melhor com Dora pelo seu jeito espontâneo e mais alegre do que o meu. Eu era mais introvertida e ela não tinha muito jeito de lidar comigo.
— Isabella?! – meu pai chama meu nome num tom mais alto e eu saio dos meus devaneios. – Você está bem filha?- Seu olhar é preocupado e alerta. O olhar de quem só tem um ao outro. Eu suspiro. Agora não estamos mais sozinhos, há uma outra Swan no mundo.
— Pai, preciso te contar uma coisa. – Eu digo seria pegando sua mão sobre a mesa. Seu cenho franze para o meu tom. – Isso vai mudar a nossa vida. – Respiro fundo antes de continuar. – É sobre Dora, pai.
O olhar de meu pai muda diante de mim, ele se tenciona. Faz oito anos que não falamos dela. Sinto a dor no olhar de meu pai e aquilo me corta o coração
— Dora?! – Meu pai repete com dor. Ele tenta tirar sua mão, mas eu a seguro e o encaro. – não quero saber nada sobre ela.
— Ela está morta pai. Ela se foi para sempre. – Eu digo num fôlego só e sinto algo se partindo em mim. Admitir a morte de Dora é doloroso ao extremo para mim. Meu pai congela no lugar.
— Morta?! – Sua voz é um fio. Doloroso e pesado.
Silêncio. Sinto lagrimas surgirem em meu olhar.
— Sim, pai. – Engulo em seco, decidida a não esconder nada – Ela se matou.
Minutos se passam num silêncio sofrido. Meu pai tem a cabeça baixa, apoiada em uma das mãos a outra se mantém na minha, onde eu faço um carinho leve.
— Como você soube de tudo isto? – Ele pergunta aflito e eu me preparo para contar tudo.
— Conheci Edward Cullen esta semana. Ele é o viúvo de Dora. – Eu digo e meu pai me encara espantado.
— Como assim? Ela se casou?
— Sim. Edward se mudou para San Francisco recentemente para cumprir uma promessa que fez a Dora. – Meu pai me olha intrigado. – Entregar uma carta para mim.
— Ela te escreveu antes de...
— Pai, Dora estava doente. Ela teve câncer, pai. – Meu pai volta a me encarar — Como a vovó. Mama e ovários. – Ele respira fundo fechando os olhos.
— Foi por isso que ela se matou?
— Edward me disse que ela fez todo o tratamento e entrou em remissão. – Ele me olha novamente com um olhar confuso – Ela fez isso na noite antes da alta.
— Meu Deus! – Meu pai exclama.
— Edward ficou revoltado, por isso levou tanto tempo para me procurar. – Eu engulo em seco. – Ela mentiu para ele, pai. Ela disse que era órfã. Só quando estava muito doente, no meio do tratamento, foi que ela contou a verdade para ele.
— Orfã? – Meu pai passa a mão pelos cabelos de forma nervosa. Seu gesto me lembra Edward automaticamente. – Muito tempo? Quanto tempo faz que ela está...
— Quase 3 anos papai. – Eu digo pesarosa — E isto não é tudo. – eu digo e meu pai me olha sofrido – Dora teve uma filha com Edward. Seu nome é Elizabeth.
— O quê?! — A voz de meu pai sai alta de surpresa.
— Foi assim que eu soube de tudo, pai. Edward a matriculou na St Joseph e eu sou professora dela. Ela desmaiou quando me viu a primeira vez, pensando que eu era sua mãe morta.
— Santo Deus!
— Foi uma confusão enorme! — Eu digo e solto um suspiro. — Dora contou que tinha uma irmã, mas não disse que éramos gêmeas! – Eu digo deixando minha indignação falar. – quando soube meu nome, Edward ligou os pontos. Desde então temos conversado um pouco. Isso tudo aconteceu quarta-feira.
— Céus, eu tenho uma neta? – Meu pai pergunta admirado e confuso.
— Sim, papai. Ela é incrível e tem os nossos olhos. – Eu digo e os olhos de papai lacrimejam.
— Uma neta! – Meu pai exclama, agora feliz. Eu assinto emocionada.
— Sim, Elizabeth Marie. – Eu digo emocionada e então ambos nos levantamos e nos abraçamos.
— Quero vê-la, Bells, agora mesmo. – Ele diz e eu dou uma risada.
— Eu sabia que ia querer isto, por isso pedi para Edward trazê-la amanhã a tarde. Ela está louca para conhecer o vovô Charlie. – Meu pai abre um sorriso gigante e pede para que eu conte como ela é. E assim eu passo o resto da noite contando o pouco que já sei sobre Liz.
— E este marido de Dora, como ele é? – Meu pai me pergunta enquanto estamos lavando a louça.
— Ah pai... – Eu sinto meu rosto corar ao lembrar de Edward.
— Ok, entendi que ele é bonito. – Ele diz rindo da reação de meu corpo – Mas quero saber se ele é como ela. – Ele fala com uma voz mais tensa.
— Eu não o conheço tanto, pai. Mas pelo que posso ver, ele me parece ser um homem sofrido, talvez até amargurado. – Eu digo e meu pai me olha — Ele a amou e ela o machucou profundamente. – Meu pai suspira – Mas saiba que ele parece ser um bom pai para Liz, ela simplesmente o venera!
— Que bom! – Meu pai diz com o sorriso novamente em seus lábios.
— Por falar nisso, eu disse que avisaria quando conversasse contigo se estaria tudo certo mesmo para a visita amanhã. – Eu digo enxugando minhas mãos e pegando meu celular. – Eu ofereci para eles ficarem aqui e passarem o domingo, tem problema?
Meu pai me dar o maior sorriso que já vi no rosto dele.
— Você é a filha mais perfeita do mundo, Bells. Essa ideia é perfeita! – Ele exclama e eu sorrio junto. Eu mando uma mensagem de áudio para Edward explicando brevemente a reação de meu pai e que ele concordou com a visita no dia seguinte.
Ao me deitar naquela noite, mas uma vez eu penso em minha irmã e em sua carta. Eu ainda não tive coragem de abri-la e nem sei se conseguirei fazer isso um dia.
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