Notas iniciais
Oie pessoas! Ainda vivas? Eu sei que estou em falta, mas vocês sabem que eu sempre volto né? Bom, algumas aqui sabem que teve maratona de postagem lá em Duplicidade. essa semana será por aqui. durante 4 dias, 4 capítulos, e depois vou alimentando a fic com mais sequencia. Espero que gostem! Só dizer que amo os reviews de vocês e este capítulo tem tudo para ser meio polêmico, então, quero OPINIÃO de todas! Boa leitura!

Sinto o cheiro forte das flores assim que piso o primeiro pé para fora no jardim. Sorrio ao ver vovó retirando algumas folhas secas aqui e ali. Após 7 dias seguidos de chuva tivemos o primeiro dia ensolarado da primavera. Sei que mamãe fará panquecas de morango e de uvas pra gente e vovó e papai farão um belo dueto acapella ainda no café da manhã. Respiro fundo e me inclino para o lado. Ela está sentada no chão do terraço com as pernas cruzadas mesmo estando de vestido. Vários lápis e giz de cera estão espalhados ao seu lado e um lindo desenho colorido está sendo desenvolvido à sua frente.

Dora, minha irmã, minha outra metade.

Seguro a flauta doce que trago nas mãos e dou um assobio leve. Depois inicio uma melodia doce e suave. As notas simplesmente brotam e meus dedos trabalham quase que automaticamente. Vejo um sorrisinho brotar nos lábios da vovó. Enquanto ainda toco, Dora finaliza seu desenho e corre para entrega-lo à vovó. O sorriso que brota nos lábios da idosa é radiante. Finalizo a canção e recebo um olhar de aprovação de vovó. Ela abre seus braços para acolher nós duas num abraço carinhoso.

Apesar de elogiar minha melodia nova, vovó não desgruda um só momento do desenho de Dora. Mamãe diz que o desenho merece uma linda moldura e já combina de providenciar uma naquela mesma tarde. Era o tipo de coisa que minha mãe não fazia por mim, afinal, não dá para emoldurar uma música, né? Talvez se eu aprendesse a desenhar... Eu balanço a cabeça e coloco mais um pedaço de panqueca na boca. A quem eu quero enganar? Nem boneco de palitinho eu sei fazer direito e até os bonecos de palitinhos de Dora são incríveis. Não, eu não posso ser ela.

— Bella?! – Uma voz grave me chama ao longe.

— Hmmm – Eu tento usar minha voz, mas não encontro.

— Acho que ela está acordando – Uma voz mais aguda fala um pouca afastado. Um voz feminina...

— Pai, a tia vai ficar bem? – A voz de Liz soa preocupada e é o que faz todos os meus sentidos voltarem de uma vez.

— Liz... – Eu digo e abro meus olhos devagar, me acostumando com a luz.

— Ah, graças a Deus! – Edward exclama e ele é a primeira pessoa que eu vejo. Estou deitada no sofá da sala, Edward está sentado ao lado de meu corpo e acho que Liz está logo atrás dele. Vejo Tânia ao fundo com uma cara azeda. – Bella, como você está?

— Hum... acho que bem. – Eu digo devagar, testando minha voz rouca. Me apoio em um cotovelo e tento me erguer.

— Não acho uma boa ideia sentar agora – A voz de Emmett soa em algum lugar atrás de mim, fora da minha visão periférica.

— Ela não chegou a cair no chão, graças a você, inclusive. – Rosalie fala seca. Eu consigo me sentar e agora os vejo. Ambos em pé, quase no hall de entrada. A cara dela me diz que ela queria mesmo era que eu tivesse me esborrachado no chão.

— Rose, por favor! – Edward exclama e eu percebo que ele está chamando a atenção dela por causa de Liz.

— Tia, você está bem mesmo? – A voz chorosa de Liz me assusta e eu a encaro

— Sim, pequena. Estou bem. – Eu digo ignorando as duas loiras me fuzilando na sala e focando apenas na minha sobrinha. – Eu me senti um pouco mal, mas agora já passou. – Eu olho em seus olhos para lhe passar segurança.

— Igual eu quando te conheci? – Ela pergunta

— Igual a mim, Liz... – 4 vozes a corrigem e suas bochechas coram levemente. Eu assinto.

— Exato pequena, e assim como você ficou bem depois, agora a tia Bella está bem também. Vem cá! – Eu digo estendendo os braços para ela que vem para frente do pai. Essa é a deixa para ele se levantar e se afastar.

— Que bom! – Minha pequena diz com certa emoção, algo não muito normal para uma criança de 6 anos expressar. Eu a faço me encarar e ali eu vejo o medo que lhe causei.

— Pequena? – Eu pergunto e seu olhar lacrimeja.

— Você ficou... – Seu lábio treme de leve – Igual a mamãe, deitada... – Um soluço escapa e meu coração erra as batidas.

— Oh Liz... – Eu a abraço — Me deixem a sós com ela, por favor! – Eu sussurro para Edward, que dividido, acaba saindo e levando todos consigo para a sala de jantar. Eu desfaço o abraço devagar e olho nos olhos de minha sobrinha. – Princesa, me escute, por favor.

Liz , com os olhinhos embaçados, me encara atenta.

— Eu sei que é muito triste não ter a sua mamãe aqui. – Eu digo – Eu sei que foi muito ruim quando ela foi para o céu. Mas seu papai te contou que ela estava muito doente, num foi? – Ela assente – Pois bem, a titia não está doente, está tudo bem comigo. Não precisa ficar preocupada, ta bom?

— Ta bom, tia. Mas e se você ficar doente igual a mamãe... você me avisa antes de ir pro céu?

Eu a olho com carinho e afago seu rosto. Como você pode abandoná-la, Dora?! Você podia ter escolhido ficar! Eu respiro fundo.

— Eu prometo que vou me cuidar muito para não ir para o céu tão cedo, ta bom? Assim ainda vou ficar muito tempo com você – Eu digo e forço um sorriso e minha sobrinha me olha curiosa

— Promete de mindinho? – Ela pergunta erguendo o mindinho esquerdo

— Prometo! – Eu digo colando o meu mindinho no seu e ela sorri para mim. Eu lhe dou mais um abraço – Agora, vamos jantar?

Minha sobrinha assente e eu me levanto devagar para acompanha-la. Na mesa, todos já estão em seus lugares. Evito olhar para alguém por mais de 2 segundos e me sento no lugar a mim destinado: ao lado de minha sobrinha, de frente para Emmett. Todos estão a nossa espera, nada foi sido servido e Tania não está a vista.

— Está melhor, Bella? – Edward pergunta. Coloco o meu olhar no dele e me arrependo. Sua preocupação é sincera e isso me desarma. Dou um meio sorriso.

— Sim, bem melhor. Obrigada! E desculpe-me o transtorno. – Eu digo e acrescento olhando rapidamente para o casal a minha frente.

— Sem problemas. – O moreno responde. A loira se limita a me olhar e assentir.

— Bom, então acho que podemos jantar. – Edward conclui e chama Tania, que traz uma travessa e se senta do meu lado vazio.

O jantar se segue tranquilo. Todos nos servimos e começamos a dança de talheres. Volta e meia algum assunto tomava a mesa, a maioria sobre Liz, outras vezes sobre Nova York ou algo sobre a família Cullen.

— Então, nossos pais estão se organizando para virem no feriado para cá? – Emmett pergunta na altura da sobremesa.

— Sim, é o que pretendem. Não vou conseguir ir para Nova York neste fim de ano. – Edward pontua – O musical ficará em cartaz até janeiro.

— Esme virá nos dois feriados então, tenho certeza! – Rosalie comenta – Ela tá surtando de saudade de Liz.

— Será bom receber vocês por aqui. – Edward diz – Um natal num lugar novo...

— Sim, acredito que no natal conseguiremos vir. – Emmett diz – Mas em novembro acho que não, né amor?

— Não. Vamos estar entregando uma parte importante da obra. – Rosalie fala e sinto seu olhar sobre mim, apesar de não estar encarando-a. — Você está tão calada, Bella...

— Apenas escutando. Não sou muito de falar, prefiro ouvir. – Eu digo limpando o canto da boca de Liz com um guardanapo.

— Entendo. – Ela fala e faz uma pequena pausa – Edward e Liz me contaram sobre o Centro de Artes e sobre a cidade onde você e Dora cresceram.

— Eu contei sobre a história do meu nome, sobre a bisa, sobre o vovô Charlie e a estrada do McQueen – Minha sobrinha enumera nos dedos nos fazendo sorrir.

— Sim, levamos Edward e Liz a um passeio pela cidade na primeira vez que foram lá. – Eu digo – Edward até foi em um luau. – Eu digo simpática – É uma cidade pequena, comum, mas tem seu charme.

— Pois eu e a Rose queremos conhecer um pouco. – Emmett fala – Quando viemos em San Francisco cerrta vez, não passeamos muito pela cidade, não conhecemos os arredores, mal saímos do quarto, pra ser sincero...

— Emmett! – Rose o repreende e eu coro levemente

— Bom, quanto tempo vocês vão ficar por aqui? Podemos marcar algo... – Eu digo olhando do casal para Edward. Eu vejo ele trocar um olhar com Tania.

— Vamos ficar duas semanas apenas. – Emmett diz

— Vocês poderiam passar o próximo final de semana conosco, um almoço de domingo, meu pai vai adorar. – Eu digo e resolvo emendar – Tania, se quiser vir também, fique a vontade, da outra vez você não veio...

— Ebaaa! Todos juntos na praia! – Liz canta e eu dou um sorriso

— Sim. Vou acertar os detalhes com papai amanhã, mas vocês poderiam ir no sábado, conheceriam o Eliza, a noite poderíamos curtir o luau. No domingo, almoçamos no jardim do Eliza. – Eu digo já pensando se é ou não uma boa ideia isso tudo.

Afinal, Rose foi amiga de Dora. Não sei o que Rose sabe sobre o passado de Dora. Fora que Tem Edward também e tudo o que venho sentindo em relação a ele. Ah Deus!

— Acho uma ideia incrível! – Emmett diz, mas meu olhar fica em Rosalie. Ela me olha de forma enigmática.

— Sim, será muiiiiiito legal! — Minha sobrinha diz – Podemos ir amanhã?

Todos nós rimos.

— Não, filha, será no próximo final de semana. – Edward diz – Amanhã vamos passear por aqui mesmo com os seus padrinhos.

— Ah, mas eu fiquei de passar o dueto com o Theo e a Claire.... – Ela faz manha e eu reviro os olhos.

— Você faz no próximo sábado, pequena. – Eu digo – Você tem que curtir os seus padrinhos um pouco. No próximo sábado, você vai comigo na sexta, pode ser? – Eu digo e na mesma hora eu olho para Edward, num pedido mudo de que ele não me desminta ou me contradiga por decidir algo sem pedir primeiro.

— Isso mesmo. – Ele emenda e eu sorrio. Pela minha visão periférica, Rose não tira os olhos da nossa interação e sua cara não está muito boa.

Nesta hora, um raio ilumina a casa e um trovão rasga o céu, dando início a uma intensa tempestade em poucos segundos.

— Ah não! – Eu lamento sussurrando – Justo agora que eu já ia me despedir?

— Assim você fica mais um pouco comigo, tia. – Liz diz enquanto todos vamos no levantando da mesa e nos dirigindo para a sala.

— Oh minha linda, eu também gosto de ficar com você, mas eu realmente precisava ir logo para casa. – Eu digo afagando o seu rosto.

— Algum outro compromisso? – Rose pergunta, mostrando que mesmo que a conversa entre mim e minha sobrinha estivesse baixa, ela estava atenta.

— Não, apenas precisarei ir bem cedo para Santa Mônica amanhã, já que não fui agora a noite. – Digo simplesmente.

— Então é isso? Escola e Santa Mônica? – Rose fala e dá um risinho

— Sim, Rosalie. – Eu digo tranquila. Arrisco um olhar para Edward que está encarando a cunhada com cara de chateado. – Não tenho uma vida agitada e eu gosto disso.

— Ah, eu pensei que por ser irmã de Dora, curtisse a vida um pouco mais, sabe. – Ela comenta e troca um olhar com Tânia, que dá um risinho também. — E namorado, tem?

— Rose, por que o interrogatório? – Edwrad questiona incomodado.

— Interrogatório? Só estou tentando conhecer um pouco a Bella. Afinal, fui amiga de Dora e ela é tia da minha afilhada. – A loira responde com cara de ofendida digna de um Oscar – Ela está tão calada...

— Tudo bem Edward, não me incomoda responder. – Eu digo – Não, Rosalie, não tenho namorado atualmente. Isso é meio complicado para mim e eu estou bem como estou.

— Complicado? – Ela retruca.

— Na minha dinâmica de estar em Santa Mônica sempre e colocar o que faço na frente de tudo. Os homens não suportam muito ficar em segundo plano, não acha? – Eu digo e ela assente entendendo.

— Mas pretendentes...?

— Rose, chega! – Edward diz e ela dá apenas um risinho de lado e olha para o esposo. – Acho que está tarde, Liz precisa ir para cama.

— Sim, eu devo ir também. – Eu digo me colocando de pé.

— Não acho seguro nesta chuva, Bella, é arriscado. – Ele responde apontando a janela. A chuva de fato está torrencial. Deixo os meus ombros caírem um pouco. – Melhor dormir aqui em casa.

— Não quero incomodar, você está com sua família. – Eu digo

— Não é incomodo algum, podemos ajeitar isso, né Tânia?

— Sim, claro. – A loira responde. – O outro quarto de hospedes está equipado também.

— Pronto, resolvido.

— Certo, agradeço. Então vou no meu carro buscar minha mochila e volto. Por sorte já tinha deixado ela arrumada para amanhã de manhã. – Eu digo

— Posso ir também? – Liz pede e eu sorrio

— Está chovendo muito princesa.

— Liz, vamos que eu vou te ajeitar para dormir como fazíamos em Nova York. – Rose fala e a menina sorri para a madrinha

— Você vai me dar boa noite né tia? – Ela pergunta

— Eu sempre dou minha pequena, daqui a pouco vou lá te ver. – Eu digo e ela pega a mão de Rose e vai.

Edward me cede um guarda-chuva e eu vou até o meu carro buscar minha mochila. Enquanto isso, vou pensando na forma como a melhor amiga da minha irmã agiu durante a noite, como depois do meu mal estar ela se tornou quase a minha sombra, acompanhando tudo que eu falava ou fazia. Não sei se seu problema é por causa de Liz e nossa dinâmica ou se é algo com Dora. Se Dora foi capaz de deixar uma mensagem para ela e não para o marido, ela pode ter contado para Rose o que aconteceu antes de ir embora.

Tania me acompanha até o quarto de hospedes ao lado do de Liz, já que o quarto ao lado de Edward estava destinado ao casal visitante. Eu apenas deixo minha mochila sobre a cama e vou até o quarto ao lado, onde encontro uma menina um pouco sapeca demais, fazendo birra com a madrinha. Criança sendo criança.

— Liz, por favor, venha. – Rose fala e ela continua pulando na cama e cantarolando alguma música.

— Elizabeth! – Eu digo assim que entro no quarto – Comporte-se! – Minha sobrinha para na hora e me olha com um olhar triste. Meu coração aperta, mas sigo firme. Este comportamento é corriqueiro em crianças de sua idade e sei que seu amolecer ela o fará sempre.

— Desculpa, tia. – Ela fala para mim e eu nego

— Não é a mim que você deve desculpas. Sua madrinha está cuidando de você agora, obedeça a ela e lhe peça desculpas.

— Desculpas dinda! – Ela vai até a madrinha e fala e nessa hora eu olho para Rosalie pela primeira vez desde que entrei no quarto, ela me olha perplexa.

— Tudo bem, dindinha. Venha, vamos deitar. – Ela fala me olhando de cara fechada e deitando minha sobrinha na cama

— Boa noite, tia Bella. – Ela fala e me olha. Eu vou até sua cama e lhe dou um beijo cheio de carinho.

— Boa noite, pequena. Te amo! – Eu digo e me afasto.

— Conta uma história pra mim? – Ela pede e eu sorrio, mas ao olhar para Rosalie do outro lado da cama me fuzilando eu mudo de ideia.

— Que tal a sua madrinha lê uma para você, eu sei que vai ser muito legal.

— Sim, verdade, lê uma história dinda? – A loira assente e pega um dos livros ali perto. Eu afago a cabeça de minha sobrinha e saio do quarto lentamente.

Encontro Emmett e Edward na sala tomando alguma bebida e conversando. Quando eu me faço presente sinto o olhar de Edward sobre mim me esquentando inteiramente. Sei que estou corada e baixo o olhar do dele, me sentando no sofá vazio.

— Liz está quase dormindo. – Eu digo só para ter o que falar. Do lado de fora um trovão ressoa e me faz olhar pela janela. Um vento frio nos atravessa e me faz estremecer levemente.

— Me conte Bella, como é ser professora? – Emmett puxa o assunto, mas Edward está ativo na conversa também. Nessa hora, Tania aparece e se senta no braço da poltrona de Edward. Eu me remexo desconfortável.

— Para mim, a melhor coisa do mundo. – eu digo sincera e sorrindo para o moreno que está sentado no sofá a minha frente. – Desde sempre eu sabia que acabaria como professora, eu acho. – Eu sorrio com uma lembrança e fecho os olhos por um instante – Dora vivia dizendo que abriríamos uma escola de artes juntas, mas que eu teria que dar as minhas aulas e as dela também, porque ensinar nunca seria a praia dela.

— De fato. – Emmett ri, seguido de todos nós e eu abro os meus olhos bem a tempo de ver uma Rosalie furiosa vindo em minha direção. Ela para ao lado de Emmett, bem na minha frente.

— Quem você pensa que é para falar com a minha sobrinha daquele jeito? – Rosalie grita – Você acha que 6 semana é suficiente para você achar que tem alguma autoridade sobre ela? Eu não vou permitir que você tente se passar pela mãe dela aqui!

— Rose! – Edward exclama, todos levantam, exceto eu. Continuo sentada, paralisada, encarando a fúria daquela mulher que conheço a menos de 12h, que foi a última pessoa em quem a minha irmã confiou.

— Não Edward! Você não vê, mas eu vejo! Ela está dominando a Liz, enfeitiçando ela. Se achando mãe dela! – Ela toma folego e eu permaneço paralisada no meu lugar, olhando em seus olhos. – Olha aqui, Isabella, você pode ter a mesma cara de Dora, mas foi a mim que ela escolheu para guiar Liz, eu sou a madrinha dela, sua guardiã, e não vou permitir que você tome o lugar que é de Dora. – Ela grita – Nunca! Você nunca será ela!

Um silencio pesado paira na sala, todos estão tensos, mas uma calmaria estranha se apossa de mim. Eu me levanto lentamente, sem deixar de encará-la.

— Verdade. Eu não posso ser ela. – Eu digo calma e precisa – e nem quero. Como já te disse essa noite, você conheceu uma Dora que já estava madura, eu conheci a Dora que ninguém nunca viu. – Eu respiro fundo – Eu vi a minha irmã escolher cada decisão que teve. – Meus olhos lacrimejam – Você sabe quando foi a última vez que eu vi minha irmã? Ela teve coragem de contar isso a você? – Eu pergunto séria. – No velório de nossa mãe. Dora abandonou a mim e ao meu pai sem nem olhar para trás no dia mais infeliz de nossa família.

O que eu digo a choca, consigo perceber, mas aquilo não me deteve. Eu simplesmente precisava falar.

— No dia que ela foi embora, fazia 10 dias que eu não olhava para ela. Foi a única vez na vida em que brigamos. Sabe por que, Rosalie? – Eu pergunto e a vejo negar. Percebo todos tensos na sala – Porque ela se passou por mim e dormiu com o meu namorado no dia em que ela sabia que eu ia me entregar para ele pela primeira vez. – Uma lágrima cai solitária. — Por fim, ela mandou o meu boletim para a Julliard e ganhou a bolsa que era para ser minha. – Mas naquele dia, Rosalie, mesmo com tudo isso, eu ainda corri atrás dela e implorei para que ela ficasse conosco. – Eu paro para conter as lágrimas. – E ela nunca olhou para trás, nem ao menos disse adeus.

Todos estão chocados, eu percebo, mas ninguém diz absolutamente nada.

— Bella...

— Então, Rosalie. Ela realmente te escolheu para ser a madrinhas de Liz. E eu jamais desejaria tomar o seu lugar ou o dela. – Eu dou um meio sorriso – Liz é a grande virada do destino. Eu estava perdida a muito tempo e Liz refrescou a minha vida. O que você está presenciando aqui é só uma tia sendo presente na vida de uma sobrinha sem mão, com quem tem diversas afinidades e um amor sobrenatural. Eu a educo porque a amo mais que a mim mesmo. Então você e qualquer pode continuar achando o que quiser de mim. – Eu aponto o dedo para ela e falo diretamente — Mas aquela menina é a minha vida, é o meu sangue, e sou eu que não vou permitir que alguém me impeça de ser o que eu sou para ela.

Notas finais
E aí, peoples? Não esqueça o seu review, ta bom? Até amanhã! Salvador, 27 de Junho de 2022, por DC Anjos. Beijinhos!