Notas iniciais
Olha eu de novo! Pois bem, mais um capítulo da maratona. Toda a tensão do capitulo anterior vai culminar no acontecimento deste capítulo, que vai ser o ponta pé para as coisa mudarem um pouco. Sobre a Rose, vocês precisam ter em mente que se ela era amiga de Dora, era porque para ela Dora nunca fez alguma maldade. Ela via Dora como uma mulher dificil e tudo mais, mas ainda assim sua amiga. Ela só está aprendendo quem a Dora era de fato depois de sua morte. Obrigada pelos reviews, vou responder todos, prometo! Boa leitura!

Eu revirava todo o meu material na escrivaninha. Eu sabia que aquele envelope não poderia ter simplesmente sumido. Frustrada, resolvi organizar tudo ao invés de apenas procurar, afinal meu quarto estava realmente precisando de uma arrumação. Em toda a minha vida ele nunca esteve tão mal. Não que alguém vá dizer algo, os últimos 15 dias foram excepcionalmente ruins para mim. Perdi meu namorado, minha mãe e minha irmã numa sequência avassaladora. Talvez uma faxina seja o que eu realmente preciso.

Levei cerca de 3 horas, mas arrumei toda a bagunça do meu quarto. Ah como eu queria que fosse possível fazer isso com a minha vida também. Reorganizar tudo e voltar para 15 dias atrás, onde tudo estava bem.

Eu estava apaixona e num namoro feliz. Estava cheia de planos, iríamos para Nova York juntos, eu em Julliard ele em Columbia. Minha mãe demonstrava sinais de que o tratamento funcionaria dessa vez e enfim ficaríamos livres do câncer. Dora e eu dividiríamos um apartamento em TriBeCa, próximo ao Centro de Artes Lincoln, pra onde ela se matricularia. Tudo estaria em seu lugar.

Mas o meu castelo era de areia. E desmoronou.

— Bella? O que houve? – Leah surge na porta do meu quarto.

— Não consegui achar o envelope como todo os dados para a matrícula da faculdade. Já tinha deixado tudo pronto para enviar para a Julliard.

— E agora?

— Vou ter que ir na escola e pedir segunda via de tudo. – Eu digo, me jogando na cama.

— Que chato, amiga – Ela fala, se sentando ao meu lado – Mas achei que você tinha desistido de nova York

— E desisti. Eu ia mandar para a UCLA de San Francisco. – Eu digo – Não vou me afastar do Charlie, jamais. – Eu a encaro. Minha amiga sabe o quanto nós estamos sofrendo, por isso se deita ao meu lado.

— Eu sei Bella. Você é muito melhor que ela, nunca esqueça. Você não é covarde.

Deixo a água do chuveiro cair sobre mim com força. Do lado de fora da casa, uma tempestade rasga o céu, aqui o chuveiro está na maior potência, jorrando sua agua morna sobre mim e por dentro uma avalanche de lembranças e sentimentos me toma.

Todas as vezes que eu lembro que tudo o que Dora viveu depois que nos abandonou era na verdade, tudo o que eu deveria ter vivido, meu peito sangra. Ela roubou a minha vida, meus sonhos e a minha projeção de felicidade.

Era pra eu ter ido para Julliard. Quem sabe eu teria conhecido o Edward em algum projeto paralelo, um musical. Nós poderíamos nos apaixonar. Talvez hoje eu seria a mão de Liz, esposa do Edward!

Edward... por que eu não consigo tirar você da minha cabeça?

Desligo o chuveiro e me enxugo rapidamente. Visto um short de flanela e um moletom surrado da UCLA que havia colocado na minha mochila mais cedo. Seco o cabelo com a toalha tirando o máximo da água. Passo a escova para deixá-lo mais alinhado e saio do banheiro para o quarto.

— Edward?! – O susto me faz exclamar. Edward está de pijama de moletom cinza sentado na borda da cama.

— Desculpe, não queria te assustar. Só entrei porque não aguentaria esperar até amanhã para conversar com você. – Ele fala se levantando. Eu assinto e vou para o seu lado sentando-me na cama e ele se senta novamente.

— Sobre o que quer conversar? – Eu pergunto. Estou exausta, a noite foi intensa e meu corpo só quer dormir.

— Me desculpe pelo comportamento de Rosalie. – Ele começa – Logo depois que você disse tudo aquilo e saio da sala, eu discuti com ela. – Ele me encara – Ela não tinha o direito de fazer nada do que fez hoje. Desconfiar, te comparar a Dora, te acusar daquela maneira...

— Edward, está tudo bem. – Eu digo exasperada – Eu cresci sendo comparada ou julgada por Dora. Sério, isso acontece desde sempre. – Eu digo – Assim como ela também foi comparada a mim muitas vezes. O que Rosalie fez hoje foi reflexo de uma mágoa que ela tem. Ela não entende o porque Dora fez o que fez. Nem você. Ela só está procurando alguém para colocar a culpa.

— Mas você não tem culpa.

— Eu sei, por isso não me atinge o que Rosalie pensa. – Eu digo – Eu só fiquei chateada por ela não ter respeitado a presença de Liz, uma criança inocente. Liz é o meu ponto fraco, Edward, você já deve ter percebido. Eu a amo mais que tudo.

— Eu não duvido do seu amor por Liz, e sei que você a tem tratado e educado da melhor forma. – Ele fala – Inclusive agradeço por isso. Liz está radiante com a sua presença em sua vida. – Ele faz uma pausa breve – Sei que no começo não agi muito bem com você, sendo talvez até mais escroto do que o que Rosalie foi hoje. E peço desculpas novamente por isso.

— Águas passadas – Eu digo e ele sorri torto. Me pego sorrindo automaticamente. Ele pega em minha mão e meu corpo inteiro sente um leve vibração.

— Que bom, porque eu quero conviver bem com você. Você tem sido fundamental na vida de Liz e a felicidade da minha filha é tudo o que importa para mim. – Ele fala e sinto seu rosto numa aproximação muito perigosa.

— Ela também é tudo para mim, Edward. – Eu digo lentamente, meio que hipnotizada em seu olhar penetrante.

— Bella...

— Sim?

— Você tem sido incrível. – ele fala ainda mais próximo de mim, tão próximo que consigo captar seu cheiro com precisão. Menta e madeira. – Sério, você é uma mulher encantadora, fascinante...

Ele coloca uma mecha de meu cabelo para trás da minha orelha. As pontas de seus dedos fazem minha pele formigar por onde passa. Sua mão desce suavemente, encontrando repouso em minha nuca e me arrepiando inteira.

— Além de ser linda... tão linda – Ele se inclina pronto para encaixar sua boca na minha e eu entreabro meu lábios em expectativa. Sinto meu âmago ansiar pelo beijo que ainda não veio como se minha vida dependesse disso. – Sua pele... seu rosto...

Eu estremeço

Meu rosto é o rosto de Dora. Sua esposa morta, minha irmã gêmea. É isso que ele está vendo. Eu enrijeço inteira e sinto a primeira lágrima se formar. Recuo um centímetro.

— Por favor, não faz isso – Eu sussurro. – Não me beije pensando nela. – Ele em olha confuso

— Bella, eu...

Eu não aguento olhar para ele, então desvio o meu olhar e meu rosto para o lado, quebrando toda a conexão criada a poucos instantes.

— Boa noite Edward! – Eu digo ainda olhando para a chuva através da janela.

Ouço ele respirar fundo e se levantar. Quando ouço o clique da porta se fechando deixo o meu soluço escapar e a lagrima cair. Ele nunca irá me ver como eu mesma. Mas por que eu me importo? Por que isso me machuca?

Porque eu o desejo!

Depois desta compreensão ficou muito difícil dormir. Após rolar na cama por um par de horas, resolvo ir a cozinha para pegar um copo de água. Vagueio silenciosamente pela casa, pego a água e retorno para o meu caminho. Algo porém me paralisa e faz eu observar por um momento.

Edward está sentado na varanda com algo na mãos e parece estar falando com o objeto. Me aproximo mais e vejo que ele tem um porta retrato numa mão e um copo de uísque na outra. Seu semblante e abatido enquanto ele olha para a foto.

— Por isso você queria que eu viesse, não é? – Ele fala com a voz tensa. – Para me enlouquecer? – Ele dá um gole na bebida. – Você sabia que eu me encantaria com a sua irmã como aconteceu com você, porque você fingia ser ela, agia como ela.

Ele silencia um pouco e eu sou impelida a me aproximar mais.

— Você a destruiu, assim como me destruiu, Isadora! – Ele braveja – você só destruiu as pessoas a sua volta, até mesmo sua própria irmã e ainda abusou da personalidade dela para me seduzir. Eu te odeio tanto, Dora.

Estou tão próxima agora que consigo ver a imagem na foto. Dora está sentada com liz em seu colo e Edward está em pé ao seu lado. Pela decoração a foto foi tirada no natal, Liz parece ter cerca de 2 anos. Dora está linda, radiante, mas seu olhar é enigmático.

— É uma linda foto – Eu sussurro para não assustá-lo, mesmo assim não evita a surpresa. Ele ergue seu olhar para o meu. Eu dou um passo em sua direção.

— Sim, foi um dos últimos momentos felizes que tivemos juntos. – Edward fala e se levanta sem tirar os olhos dos meus.

— Imagino que sim. — Eu digo e olho para a noite – Sabe, Dora era boa. Sério – eu digo após ver ele arquear a sobrancelha – Entendo que toda a farsa que ela montou no relacionamento de vocês seja extremamente dolorosa. Afinal, você descobriu que na verdade, nada do que você viveu com ela era muito real.

— Exatamente.

— Mas Dora não foi sempre assim, sabe. – Eu digo sorrindo para noite fria lá fora, a chuva cessou mais os ventos ainda circulavam fortes. – A morte de nossa vó rompeu algo dentro dela. Elas tinham uma ligação muito forte, que eu confesso que invejei várias vezes. – Eu digo e me viro para ele que se aproxima de mim. — Dora passou a querer o mundo externo, nada a satisfazia. Ela queria conhecer lugares, ser conhecida, sair da nossa pequena cidade natal. Eu, pelo contrário, me isolei ainda mais. Fiz da música a razão dos meus dias. Desejei apenas isso e nada mais.

Dou uma pausa breve e Edward pega em minha mão.

— Vivi minha vida toda vendo Dora alcançar tudo o que queria. Fosse conquistado pelo caminho certo ou não. – Eu digo – Quando estávamos adolescentes, nossas diferenças se acentuaram e nos afastamos muito. Foi aí que ela mudou. – eu digo pesarosa e ele afaga meu rosto. – Eu nunca consegui compreender o que ela fez comigo. Agora compreendo menos ainda o que ela fez com você.

— Acho que nunca saberemos afinal. – Ele diz e se aproxima ainda mais. – Bella...

— O que foi Edward?

— Você mexe comigo.

— Não Edward, é só a minha aparência... o fato de eu ser a cópia de Dora. – Eu digo desviando o olhar do dele mas ele segura meu rosto.

— Não Bella, não! – Ela fala com o olhar carregado de verdade. – Confesso que a princípio pensei nisso, mas não. Você é muito diferente de Dora. Você é tudo o que eu sempre quis que Dora fosse... só que ainda melhor e surpreendente! Você é muito melhor, Bella, muito melhor.

Suas palavras tocam um lugar profundo dentro de mim. Não que eu em algum momento desejei ser melhor que minha irmã, mas eu sempre me senti inferior a ela. Edward está me olhando com sinceridade, aquela sinceridade impossível de fingir.

— Edward... – Minha frase morre antes mesmo que eu perceba e Edward aproveita dessa minha fraqueza.

Ele primeiro suga minimamente o meu lábio inferior e depois o beija. Meus olhos se fecham para desfrutar da sensação de limbo entre sonho e realidade. Ele aprofunda sua lingua em minha boca, eu arfo e isso dá acesso total de minha boca para ele.

Ele passa sua língua de forma lenta sobre a minha e sinto as minhas entranhas formigarem em expectativa. Uma mão dele segura minha cintura com posse e a outra desliza do meu rosto para a minha nuca. Já as minhas espalham em seu peitoral sobre o moletom. O cheiro dele me inebria e um pequeno gemido me escapa. Sua língua conduz a minha numa dança perfeita. O beijo é magnânimo e eu fico tentando me lembrar a última vez em que fui beijada assim.

Nunca, é claro.

Edward me beija com poder e gentileza, escavando o meu sabor, me explorando. Não me faço de rogada e também lhe penetro a boca. Uma leve eletricidade nos une e conduz o beijo. Como se estarmos encaixados daquela forma fosse a coisa mais certe do universo inteiro. Mais cedo do que eu gostaria, o beijo é selado e ambos nos encaramos. Dizer algo neste momento parece uma heresia. Ele apenas me dá um sorriso torto antes de capturar a minha boca mais uma vez.

O segundo beijo vem mais intenso. Uma vez reconhecido o território, é hora de explorá-lo com avidez. Edward aperta minha cintura de forma precisa e nossos corpos se encostam. Meu corpo reage ao contato com o dele e eu me sinto realmente excitada pela primeira vez em muito tempo. Suas mão passeiam em meu corpo buscando mais contato. Ele se abaixa me puxando para si até sentar novamente e me coloca em seu colo.

Um frenesi toma conta de nós. Suas mão se infiltram em meu moletom e depois na regata que visto por baixo. Meus seios reagem ao toque másculo totalmente novo e minha intimidade também corresponde, escorrendo prazer levemente. Edward desce beijos da boca para o meu pescoço, aspirando minha pele e me enlouquecendo.

— Edward...

— Bella...

Um raio corta o céu e nos sobressalta. Uma nova chuva cai intensa e desperta os nossos sentidos. Aquilo parecia tão certo, tão perfeito. Mas não podia acontecer. Eu me ergo de seu colo ainda formigando por todo o corpo.

— Eu... – Eu digo colocando a mão sobre os meus lábios ainda sensíveis.

— Bella, me desculpe. Eu não sei o que me deu, eu apenas... não resisti.

— Eu... tudo bem. Eu também retribuir e realmente foi difícil não ceder.

Silêncio. Cerca de um minuto inteiro passa enquanto nos encaramos.

— Eu acho melhor eu ir para cama. – Eu digo por fim. – Boa noite!

Eu saio antes de me arrepender e voltar correndo para os braços dele.

Notas finais
SIm, complicado né? Quero as suas impressões, por favor! Até amanhã! Salvador, 28 de Junho de 2022. por DC Anjos. Beijinhos!