Notas iniciais
Eu peço perdão, mas vieram as provas e eu meio que fui arrombada em Matemática. Então a minha pessoa que tinha planos de começar uma long de ASOIAF acabou tendo de ficar presa em fórmulas, cálculos sem sentido e tudo mais. COMENTEM NESSA PORRA, PELO AMOR SAGRADO DO DEUS EXÚ!

Jayme não era alguém de perder o controle para vícios. Nunca fora. Mas Luke – sempre Luke – mostrara que estava terrivelmente errado, que era um estúpido dependente químico que caía com facilidade de qualquer droga nova. Deus— idiota, agora desprezava a religião que seguia –, ele pensava encarando o teto com certo desespero, o que ele está fazendo comigo?

Não era necessária resposta para tal questão. Jayme sabia o que acontecia. Jayme sabia que havia perdido o controle de sua própria vida, contudo, como já era de praxe, a culpa era toda de Luke. Eram para satisfazer Luke que os sorrisos largos vinham mesmo com o vento gelado. Era por ele que permitia-o ficar em seu apartamento mesmo almejando o silêncio e a calma. Fora por aquele desgraçado — desgraçado, desgraçado, desgraçado – que um milhão de vícios surgiram em sua vida miserável. E, acima de tudo, fora Luke que começara a “rotina”.

Porque Jayme era um bom garoto – ou quase –, mas Luke amava os bons meninos e aquele em especial era tentador demais para ser esquecido ou trocado.

Inferno, como ele conseguira a proeza de chegar tão baixo? Para onde os sonhos foram os sonhos que tinha? Não enquanto essa cidade — pequena, esquecida e escondida na neve – tiver você era a resposta. Jayme sabia que jamais poderiam arrastar aquilo para sempre, entretanto, não possuía a coragem – nem vontade – de deixar para trás Luke e seus sorrisos gélidos, muito menos as madrugadas no apartamento frio – deveria consertar logo o aquecedor – ou as risadas infindáveis. Amava tanto tudo aquilo, estava tão viciado em cada ato que tomavam juntos.

Juntos. Juntos. Juntos. Juntos. Soava bem, porque assim ainda sentia que detinha de algum poder mesmo que fosse um completo cachorro para com Luke.

Nunca deveria ter começado tudo aquilo. Nunca mesmo. Porque agora mal tinha forças para negar qualquer tipo de coisa; não conseguiria negar para qualquer um que o perguntasse se os dois tinham algo, no fim, Jayme o queria demais para seu próprio bem, estava viciado no gosto que o cigarro possuía depois de alguns céleres minutos entre os lábios dele e em como Luke se tornava um completo idiota – um tanto romântico, mas inteiramente babaca – depois de algumas doses de vodca ou goles de vinho. De qualquer forma, não bastava estar apaixonado — apaixonado, apaixonado, apaixonado –, era necessário ser algo vindo dos filmes de romance com baixo orçamento e atores desconhecidos.

— Deveríamos ter evitado as promessas. – Disse Luke, e não era uma pergunta.

— Nunca fomos bons em fazer as coisas direito. – Retrucara Jayme aéreo.

— Ainda assim, deveríamos ter corrido delas. – Luke insistia.

— Cala a boca. – Era o que Jayme sempre respondia quando desagradado.

Era algo deles no fim das contas. Algo feito por eles e mantido por eles. Afinal, ninguém sabia – embora a cidadezinha murmurasse que o tão perfeito filho do meio da tão perfeita família estivesse envolvido com aquele marginal –, ninguém ergueria um dedo por eles e era por causa disso que prosseguiam. Orbitavam um ao outro como Vênus orbitava o Sol – se queimando, esquentando infernalmente e ainda assim continuando pela imensa gravidade. Ridículos e completamente saídos das poesias trágicas.

Jayme – sempre confuso e ligado às respostas que, talvez, não existissem – se perguntava se valia a pena continuar com tamanha loucura. E, talvez, jamais devessem ter começado com ela, mas agora não existia escapatória, estavam afundados, quebrados e destroçados, além de, obviamente, viciados. De início era um jogo, jogado no modo difícil e que exigia paciência e dedicação, porém, ainda assim, um jogo muito divertido, poderiam passar horas jogando e jogando sem perceber o tempo passar implacavelmente, dizendo que a hora deles estava chegando.

Então, em um flash, já era 29 de janeiro de 1974, fazia um ano desde que tudo começara e os sussurros eram altos. Os pais de Jayme repetiam dia após dia que ele precisava tomar um rumo na vida – Luke sabia disso, todavia, fingia que não – e, quem sabe, deixar aquele pequeno fim de mundo. Eles conheciam as estórias que percorriam o lugar e estavam assustados com a possibilidade de seu precioso menino estar caindo nas garras daquele demônio – era assim que Luke era visto.

Mas ele só queria gritar para todos que Jayme era o verdadeiro inferno, um inferno quente para caralho e que transava como nenhuma garota. Oh, como queria.

De qualquer forma, os dois – os dois? Eles estavam, praticamente, se tornando um – não se importavam. Compartilhavam seus cigarros – Malboro, apenas porque Jayme gostava – na frente de todos só por causa dos olhares escandalizados, contudo, gostavam do hálito um do outro mesmo que este cheirasse à esgoto ou algo do tipo depois de algumas doses de qualquer coisa.

— Parece que você acabou de comer um pedaço de merda. – Reclamou Jayme um dia.

— E desde quando você se importa com isso? – Luke estava sorrindo mesmo com sono.

— Vá escovar a porra dos dentes. – Jayme ordenou se cobrindo com o edredom.

— Fresco como uma garota, Jayme. – Luke o beijou à força antes de levantar.

Oh, tudo estava tão errado; ele próprio não tinha o controle, estava amarrado por causa daquele idiota, mas o queria desesperadamente. Mal podia suportar a longa espera para que as ruas se tornassem desertas e mortiças, desejava tanto ver Luke. Precisava tanto dele quanto da droga – a grande pergunta era qual delas – e achava que poderia morrer se fosse largado, esquecido por ele. Por fim, de novo se perguntava quando se tornara tão dependente, nunca fora viciado como quanto era agora e algo estava terrivelmente errado – única explicação plausível.

No entanto, enquanto batia com força na porta – impaciente, impaciente de necessidade – e aguardava que Luke viesse, pensou que tudo poderia, finalmente, estar bem. Estava viciado, excitado e necessitado como uma puta qualquer, porém, era uma “rotina” tão, tão boa que era complicado até pensar em larga-la.

Uma. Duas. Três batidas. Ele estava esperando que Luke se lembrasse de que estava sozinho e que a porta não iria se destrancar sozinha, o que era de praxe.

Notas finais
Espero que tenham gostado disso, mas espero mesmo, afinal, deu um mega trabalho para arrumar inspiração e tempo para escrever. Sim, eu estava com um bloqueio criativo imenso, mas prometo que o próximo - e último - não vai demorar mais que duas semanas para ser postado.