Não me deixe ir.
3 Infindável.
Notas iniciais
The end, I move back in.
Before you know it, I cheated on you.
Oh yeah, that's what happens when you don't try.
You know I always thought about you.
Even when you had that boy sneak in.
But infidelity would never even cross my mind.
Luke sabia que estava fazendo tudo errado. Oh, ele sabia! Mas aquele garoto – ele só queria saber qual era seu nome – estava tornando tudo mais difícil. Ele queria pensar em Jayme e em seus largos sorrisos, nas noites que passavam dentro do pequeno e imundo apartamento. Não fora possível, porque aquele desgraçado fizera com que quaisquer esforços para uma negativa se tornassem infrutíferos, ridiculamente infantis e tudo mais mesmo que Luke ainda quisesse manter-se com seu garoto – que tinha nome, um rosto e um endereço. O que era bom.
Wonderful, so wonderful.
But, boy, don't get too comfortable.
Because what we had is untouchable.
I, I, I, I said after 'till I still back.
Tired tonight in my wedding dress.
He got down on one knee and he said.
Deus, ele pensou enquanto acendia um cigarro e o desconhecido – parecido com Jayme, inferno – dormia como se nada houvesse feito, o que eu fiz? A mente de Luke estava dando voltas, em certos momentos pensava nas incontáveis noites com Jayme – incontáveis, fazia de mais um ano – e em outros apenas conseguia ver os lábios daquele garoto se separando de puro deleite. Droga, era uma imagem quase pueril, totalmente diferente dos sorrisos demoníacos que o seu “amigo” o mostrava quando resolviam transar. Mas estava tudo tão errado.
You love I.
You love I.
You love I.
Do I? Do I? Do I? Do I?
Era impossível apagar os gemidos pornográficos de sua mente perturbada. Portanto, se enroscou no pesado casaco – ganhara de Jayme em seu aniversário – e sumira noite à fora porque respirar o mesmo ar que aquele garoto estava o deixando ainda mais insano do que o normal. Não era um relacionamento, era? Sim, Luke sabia que era: ninguém manteria uma rotina como a que mantinham por um longo e turbulento ano sem acabar se apegando, jurando fidelidade de modo silencioso e prometendo coisas que não poderiam cumprir.
— Eu me quebrei por você, idiota! – Jayme gritava em descontrole.
— Foi apenas uma noite, querido. – Luke disse, adorava o ver perder o controle.
— Eu fodi com a minha vida inteira por você! – Jayme estava tão, tão furioso.
— Oh, venha cá. O dia está mais frio do que o normal. – Luke quase ria.
Primeiramente, não era para terminar assim. Não era um relacionamento, inferno! Mas Luke sentia que, em algum momento, terminaram tornando o mantra – não prometa nada – uma mentira ridícula. Uma vã tentativa de tornar aquilo mais normal, mais rotineiro. Porque dois garotos que sabiam de tantas inutilidades e estavam tão viciados um no outro não poderiam ser inteiramente normais. Era necessário um desvio complexo da normalidade para explicar que Jayme e Luke eram como um escravo acorrentado pela incrível sensação de liberdade e trivialidade que era gritada. Oh, pobres garotos que não sabiam o que estavam tentando fazer.
Oh, oh, I move back out.
He writing me.
It's been so long we might as we'll try.
Não deveria ser daquela forma. Era informal, uns dias bebendo vodca, fumando distraidamente e comentando sobre qualquer assunto enquanto compartilhavam alguns beijos com gosto de nicotina e hálito de quem não escovou os dentes nos últimos dias. Era assim que tocavam a vida e Luke achou que não fosse viver para levar um soco de Jayme, mas viveu. Ele pensou que nunca o veria tão irritado, magoado e com tanta vontade de enforcar alguém, porém, terminou vendo. Uma pena, eles pareciam tão bonitos juntos. Era quase um romance barato, todavia, romances baratos não costumam ter finais felizes, afinal, eles não vendem tanto,
— Eu não fui suficiente, não é? – Luke só queria que Jayme parasse de drama.
— Cale a boca, querido. Está me dando dor de cabeça. – Ele sabia que estava errado.
— Me explique, então, caralho! Explique porque destruiu tudo. – Lágrimas de ódio.
— E se eu disser que quis?! – Estavam os dois furiosos agora.
Não era conveniente, contudo, era simples porque, afinal, os dois eram bastante simplórios. Queriam a sensação de adrenalina das veias e o desespero correndo no corpo quando a ameaça de serem pegos fazendo algo errado – as vidas deles estavam erradas no momento –. Eram jovens que queriam corpos quentes contra o clima gélido, mas que acabaram apreciando isso ainda mais do que seria recomendado. Já não era mais saudável, no fim, nunca fora.
Wonderful, so wonderful.
You turned my heart into a puppet show.
If you like me, please, let me know, ah, ah, ah.
One day, the very first date.
He walked on over and he asked my name.
He could be the one to say.
Deus, Luke clamou enquanto massageava a bochecha machucada, ele prometeu que não iria embora! Mas já era hora de ir, não? Já haviam cruzado todo e qualquer limite existente. Era hora de parar ou iriam morrer, mas, depois de parar, morrer parecia uma escolha melhor. Luke sabia que iria terminar – Jayme havia perdido o controle, e ele nunca ficava com alguém que não pudesse controlar. O conhecia bem o suficiente para saber que o momento deles estava chegando. Porém, não aceitou. Fez birra para o vento e protestou. Argumentou e gritou. Estavam afundados em um transe de total e completa histeria, era incontrolável.
You love I.
You love I.
You love I.
Do I? Do I? Do I? Do I?
Jayme iria para qualquer lugar agora. Iria cursar qualquer faculdade e se enrolar com uma garota qualquer. Era o tipo de coisa que ele faria. Bem, faria porque tinha um conhecimento especial: aquilo machucaria Luke, ele não suportaria ser trocado pela normalidade. No entanto, nem mesmo Jayme sabia se suportaria; estava terrivelmente viciado em Luke, viciado nas noites – nos dias inteiros – perdidos para o álcool e para os cigarros. Não queria acreditar que as gargalhadas seriam varridas pelo vento e que o tempo curaria o efeito de êxtase que durara tanto.
— Você vai para onde? – Luke não deveria estar ali.
— Um campus qualquer. – Jayme estava prestes a fechar a porta.
— Vai cursar o que? – Luke não o deixou se trancar de novo.
— Astrofísica. – Jayme o empurrou e bateu a porta com força.
Você me ama. Você me ama. Você me ama.
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