Não me deixe ir

32 Capítulo 32 - O demônio que você conhece


Notas iniciais
Oi amorecos do meu core! como vão vocês? eu estou à mil! escrevendo me divertindo com os comentários de v6 e mais ainda adorando ver tanta gt que me ama e me odeia ao mesmo tempo com minhas fics! uahauhauha Obrigada mesmo por me acompanharem =3 To pensando em postar fic nova em breve, fiquem de olho nas atualizações do site! xD Enfim, parando a auto propaganda por aqui, venho dizer q estamos no capítulo 32.... E que o 33 tá na em processo... E o cap. 34 será o epílogo dessa saga. Eu sei, eu sei! Nem parece que isso está acontecendo, mas eh a mais pura verdade T^T Não se desesperem amores, please! Eu sei q vai dar uma dó em nossos cores, mas saibam que, como eu ja falei, tenho novas fics p postar tb! Enfim, chega de papo! Vamos a leitura de mais esse cep. que traz de volta o nosso casal favorito numa cena de conforto linda ♥ kissus!

Não me deixe ir

32 – O demônio que você conhece

Cada fragmento de realidade formando-se na frente dos olhos de Dean parecia mais com um pesadelo do qual ele não conseguia acordar por mais que tentasse. O Bunker estava completamente desarrumado. A mistura sutil do ambiente das caçadas com o que viria a ser a casa deles se desfez como poeira sendo soprada por um furacão; um furacão de mentiras das quais Dean é o maior responsável em causar.

O pior de tudo era ver as coisas de Kevin espalhadas pelas mesas, no sofá, ou mesmo no quarto do garoto. Parecia que ele ainda estava ali, rondando o Bunker em algum lugar, escondido ou apenas dormindo após ficar horas a fio traduzindo a Tábua dos anjos....

Maldita Tábua que obrigou um garoto a se tornar uma ferramenta para aqueles babacas emplumados; iguais ao filho da mãe que matou Kevin...

Kevin estava morto.

Ele matou Kevin.

Seu idiota! Ele matou Kevin! O maldito anjo! E agora tudo está uma bela duma porcaria! Porque Dean Winchester tentou carregar o peso do mundo em suas costas outra vez! Porque ele não quis confiar no seu irmão! Ou em Cas! Porque ele se deixou levar pelo medo, acreditando nas palavras de um falso anjo!

Que merda!

Agora Sam estava desaparecido, e o desgraçado daquele anjo ainda teve a audácia de roubar o seu Impala para sabe-se lá onde, e ele e Castiel tinham muito que fazer; muito mesmo!

Dean arremessou os papéis e livros de cima da mesa no chão, chutando e quebrando todo o móvel que via pela sua frente. Era como ele lidava com a perda: sentindo raiva de si mesmo.

Engolindo seco a raiva toda acumulada no peito, Dean respirou fundo uma, duas, três vezes, e mentalmente tudo o que conseguia desejar era que Castiel chegasse logo. Ele precisava da ajuda dele... Ele precisava de Cas.



(...)



A segunda garrafa de whisky foi embora quase pela metade. Dean agradecia, em parte, os anos que passou bebendo após as caçadas, pois o seu corpo ganhou uma resistência quase sobre-humana para o álcool. Veja bem, após quase um litro de bebida e tudo o que ele sentia era um formigamento nos dedos.

A sensação o ajudava a relaxar e a esquecer de todo o resto que acontecia ao seu redor. Kevin estava morto, Sam fora embora possuído por um maldito anjo, e Castiel... Castiel parecia não querer atender as suas preces.... Ele disse que voltara a ser um anjo, então porque ele demorava tanto?

Que se dane. O whisky é seu melhor amigo agora. Só precisava do álcool descendo ardido pela garganta e tudo ficaria bem. Na verdade, ele nem ao menos sentia mais a bebida escorrendo feito brasa goela à dentro, apenas sorvendo mais e mais do líquido até não restar quase anda para tragar. A visão começou a ficar um tanto quanto turva, e Dean podia se lembrar de muito pouco ou quase nada do mundo real, entregando-se ao estado letárgico e inebriado de um bom porre. Era a melhor coisa que ele podia sentir...

A voz distante em ecos de alguém o chamava inúmeras vezes, porém Dean não era capaz de focar os olhos numa única imagem – visto que parecia ter mais de três pessoas na sua frente. Forçando um pouco a vista ao franzir o cenho ele enxergou o rosto de Castiel próximo do dele com as feições preocupadas.

Dean riu.

Gargalhou, de fato, porque Castiel estava ali, usando uma réplica muito porcaria do seu antigo trenchcoat, e Dean nem ao menos se lembra quando o agora anjo entrou no Bunker, muito menos percebeu a presença dele tão próxima. Devia ser alguma das ilusões inebriadas da sua mente.

Porque Castiel o deixou; ele voltou a ser um anjo e com certeza não precisa mais da ajuda de Dean, uma vez que não é mais humano; que ele não está mais quebrado e precisando se ligar a alguém que o faça sentir-se inteiro de novo.

Oh, bem, na verdade essa frase pertencia mais a Dean do que Castiel. O quebrado era ele, repleto de pedaços faltando, de rachaduras das quais nunca irá se curar. De cicatrizes e marcas espalhadas na alma por uma vida inteira de problemas. Dean riu outra vez porque, francamente, a sua desgraça tinha saldo para cinco vidas inteiras de desastres.

– Dean, por favor fale comigo.

A voz de Castiel de novo. O caçador piscou os olhos preguiçosamente conseguindo focar a visão turva no anjo.

– Cas.

O loiro murmurou ao ficar frente a frente com o anjo, aproximando devagar seu rosto e instigando Castiel a virar metade da face para deixar sua orelha próxima da boca de Dean. O caçador respirou fundo, deixando o bafo quente bater na bochecha de Castiel:

– Preciso de outra garrafa, anjinho.

Ao virar-se assustado para Dean, Castiel o enxergou com as feições tortas e ambíguas, junto de um sorriso enviesado que transformava seu rosto numa carranca. Engolindo seco, o ajo quase unia as sobrancelhas no meio da testa, pondo uma mão cuidadosa sobre o ombro de Dean:

– Dean, por favor, me conte o que aconteceu. – pede consternado.

O brilho esmeralda desfoca da direção de Castiel recobrando parte da sobriedade, assim como ganhando um tom de amargura. Dean molha os lábios com a língua, empurrando de um jeito torto o peito de Castiel, querendo o afastar de si – porém sua força nem se comparava com a do anjo, ainda mais nas suas condições.

– Você não tem um caso com os emplumados ‘pra resolver não, Cas?

– Dean do que está falando?

Soltando um riso de escárnio, Dean apoia-se na mesa ignorando Castiel e ficando de pé da melhor maneira possível. O anjo o segue com o olhar, tentando não se acercar demais dele, no entanto, ficando pronto para qualquer eventualidade.

– Dean? – insiste ele.

– Sabia que eu disse ‘pro Kevin que podia confiar em mim?

Entortando a cabeça para o lado, Castiel permanece calado, apenas ouvindo as incoerências de Dean – que para o caçador tinham uma ordem lógica concisa.

– Eu disse que ele podia confiar em mim! Há! Que ia ficar tudo bem.... Eu sempre falo que vai ficar tudo bem mesmo quando não está nada bem. Eu sou um puto de um mentiroso, ‘né Cas?

Andando numa caminhada desalinhada pela sala de estudos, Dean quase tropeça em alguns dos livros e materiais que havia derrubado mais cedo, buscando em cima da mesa pela garrafa de whisky e derramando boa parte do conteúdo na mesa antes de acertar o copo. Ele leva o vidro à boca, mas não sente o gosto do álcool, franzindo o cenho e vendo que Castiel havia se prostrado na sua frente, segurando seu pulso e o impedindo com facilidade de beber.

– Para com isso!

Ele berra, forçando o braço para fora do aperto, porém Castiel continua, até que Dean silva e abre a mão, ouvindo o som do vidro se quebrando.

– Qual é seu problema cara?!

Esbravejando em raiva, Dean encara o moreno, porém antes que possa continuar o ataque de fúria, as mãos quentes e macias de Castiel repousam sobre cada lado de seu rosto o prendendo numa linha reta que é alvejada pela intensidade dos olhos azuis safira. Ele permanece imóvel, encarando Dean sem piscar. De início, ele tentou soltar-se, porém os dedos de Castiel contra sua pele pareciam afundar numa massagem calorosa, juntamente desses olhos que despiam Dean de todas as camadas cobrindo suas reais intenções. O caçador foi alvejado e sucumbiu aos poucos aos pedidos do moreno:

– Dean. Conte-me o que aconteceu. – Castiel pede outra vez.

Os lábios de Dean tremem; os dígitos de Castiel firmes contra seu rosto.... Soltando todo o ar do pulmão Dean baixa a visão para longe do anjo, sentindo bile subindo do fígado e segurando-se para não vomitar. Dean pressiona dois dedos contra seus olhos, apertando bem as pálpebras como se tentasse empurrar os globos para dentro do crânio. Bufando, ele deu um meio riso sarcástico ao imergir de volta nas lembranças amargas dos últimos dias.

– Cas... Eu fiz merda. – diz de uma só vez — Ferrei com tudo dessa vez! Com Kevin; você e com Sam!

Desde o hospital quando Sam fracamente se recuperava dos testes, até os últimos dias – da caçada na fazenda, até o telefonema de Cas, o sumiço do irmão e seu Impala, Dean contou tudo em detalhes ao moreno, aguardando receber os olhares de exaltação, e raiva. Tinha certeza absoluta que seus erros lhe custariam o anjo; após tudo o que haviam enfrentado, as incertezas, mentiras e a sua tão esperada resolução. Dean sentiu o peito ser comprimido pela culpa, e ele só conseguia ver Cas afastando-se dele, o negando. E seria cruel demais suportar isso, não agora, não quando mais necessitava dele – mesmo que nunca fosse admitir isso.

– Agora eu não sei onde Sam está! – esbravejou, afastando-se do moreno e colocando as duas mãos na cabeça, bagunçando o cabelo – Eu fodi com tudo! Por querer salvar Sam sem nem ao menos contar a ele! E eu ainda-Cas! – engasgou mirando as íris azuis dele – Eu te expulsei daqui por causa daquele filho da mãe! Olha que merda eu fui fazer! Eu...

Castiel apressou-se até Dean num passo ligeiro, unindo sua boca com a dele numa conexão dos lábios firme e pesada, aquietando aos poucos o nervosismo de Dean. O loiro deixou a surpresa o calar, acabando com seu fôlego, aproveitando ao máximo aquele toque macio de Cas.

– Dean, está tudo bem. – Castiel fala ao cessar o beijo — Vai ficar tudo bem. Eu estou com você.

– Cas...

– Não irei dizer que o que fez não foi estúpido, porque foi. Mas suas intenções eram boas, Dean, e isso é o que importa. Você só queria salvar Sam, e este anjo aproveitou-se disso para te enganar. A culpa dessa situação não é algo tão simples assim para recair em cima de você. Então se recomponha e vamos juntos resolver isso.

Dean chegou a entreabrir os lábios, porém nenhum som saiu da garganta; nenhuma frase poderia exprimir a gratidão emanando dele. Tudo o que pode fazer foi fungar o nariz engolindo o seu pequeno acesso de pânico. Foi como se o whisky saísse dos poros de sua pele a cada confissão que ele fazia, abrandando a sensação de embriaguez; ainda que ele estivesse em parte alterado por ela.

Depois, com Cas ainda na sua frente, tão perto e palpável, cingiu os dedos nos ombros do menor o mantendo ali, bem próximo dele, não querendo o deixar ir. As feições de Dean se atenuaram, e Cas, apesar da sua sensibilidade ter diminuído, sentia muito bem o aperto sofrido do caçador em seus braços. Levando suas mãos à altura do peito de Dean, as espalmando ali, Castiel percebia o retumbar acelerado de Dean, bem como o hálito quente de whisky batendo contra seu rosto. O loiro não o encarava diretamente, mas suas palavras atingiram o moreno por completo:

– Quando você me disse que havia recuperado sua graça eu.... Acho que pensei, por um instante que isso... – ergueu a cabeça gesticulando para os corpos dos dois – Que iria acabar; por alguma razão eu.... Porque tudo acaba ‘pra mim....

Castiel selou seus lábios novamente nos de Dean afastando as dúvidas dele – questões formadas num instante de incerteza por parte do caçador, abalado demais com os últimos acontecimentos, tanto que suas tão bem enterradas emoções emergiam na superfície da pele, o deixando mais maleável. Estalando o beijo, Cas permitiu a testa de Dean colar-se a sua conforme chegava seu corpo para frente, grudando o peito no do loiro, e seus braços enlaçavam o pescoço do maior.

– Nada mudou Dean. – afirma o moreno — Ainda sou eu; meus sentimentos são a parte humana que irei manter em mim; sendo um anjo ou não. Estes anseios, meus desejos e vontades... Nós. Eu quero isso tudo; sempre vou querer.

Esticando os lábios num sorriso fraco, Dean apertou ainda mais sua testa contra a de Castiel, levando as mãos ao seu pescoço, acariciando de leve com os dedos abaixo de sua orelha. Deixou os olhos fechados, comprimidos, apenas aproveitando a sensação de Cas perto dele outra vez.

– Dean, você tem dormido?

Indagou o anjo, passando o indicador nas olheiras do loiro.

– De que isso importa? – ele fala com desdém.

– Dean.

– Eu.... Não muito Cas. – respondeu após respirar fundo.

– Venha.

Cas uniu sua mão na de Dean o levando ao quarto sem receber muitos protestos quanto a isso – o caçador ainda tentava se recuperar do último choque; da fuga de Sam e.... Da morte de Kevin.

– Cas, nós precisamos achar o Sam. – Dean fala retesando os passos, porém Castiel insiste.

– E nós vamos, mas você precisa descansar antes. Mínimo de quatro horas; lembra?

Numa rápida risada, Dean esfregou os olhos começando a bocejar. Cas estava certo. Se ele quisesse fazer as coisas direito tinha de dormir um pouco. Sentou-se na sua cama, já esperando por Castiel para se juntar a ele, como faziam agora, e então um clique fez-se, e sua breve alegria se desfez:

– Cas, você não precisa mais dormir, certo? Digo, agora que voltou a ser um anjo e....

– Vou olhar por você Dean.

Erguendo o queixo, o loiro deparou-se com o belo sorriso de Castiel. Ele ficou de pé no meio de suas pernas, ainda segurando a mão de Dean. Depois, forçou os ombros do caçador contra o colchão o fazendo deitar-se, tomando seu lugar ao lado dele.

Dean não gostava de ficar abraçado quando dormia. Na verdade, preferia virar de lado e pôr o braço debaixo da cabeça, mexendo o corpo sempre que queria. Não era acostumado a ter outro alguém na cama. E dividir seu sono com outra pessoa sempre lhe foi algo complicado. Por sorte, Cas entendia muito bem as manias do loiro, deixando-o ter seu próprio espaço.

Mas não hoje. Naquele momento, Dean queria ser acalentado e, bastou o moreno se ajeitar, ele o envolveu num abraço, escondendo o rosto no vão do ombro de Castiel.

O menor nada disse, apenas repousou os dedos sobre as melenas douradas de Dean, afagando a nuca num cafuné gentil. Em poucos minutos, sentindo o cheiro de Cas, o loiro adormeceu. O anjo continuou acordado, fitando o semblante sério do caçador desaparecer dando lugar a uma tranquilidade sonolenta.

No entanto, bastou fechar os olhos para que a imagem de Kevin caído no chão lhe viesse à mente. Ele mal soube ao certo como foi capaz de envolver o corpo do garoto em um grosso pano e atear fogo numa pira atrás do Bunker; coisas de caçador das quais ele não conseguia se livrar independente da tristeza que se acercava dele.

Pareceu natural e mecânica a forma que o corpo de Kevin queimou no fogo, trazendo o cheiro podre de carne queimada até seu nariz. Era como se ele ainda pudesse sentir esse odor fétido.

– Dean.

A voz grave, porém branda do moreno o chamou, e Dean abriu os olhos em meio a um rápido espanto. Ele engoliu seco, entreabrindo os lábios e encarando os orbes azuis que o observavam entristecidos. Quando deu por si ele notou que abraçava Castiel com toda a força que conseguia empregar nas suas mãos, cingindo a cintura e o ombro do moreno, amarrotando as roupas dele.

Dean tentou desvencilhar-se do menor, não entendendo como pode se deixar levar dessa maneira tão fraca que o arrastava a um estado absurdo de contradição; que removia dele toda a firmeza de caçador construída por anos. Contudo ele mal conseguia afastar-se de Castiel, uma vez que o anjo tinha recobrado boa parte de seus poderes, conseguindo manter Dean perto de si.

– Está tudo bem, Dean.

Falou o moreno pondo uma mão sobre o rosto do loiro, vendo como a expressão assustada dele agravou-se. Nisso, ele o beija, envolvendo as pernas de Dean entre as suas, forçando duma maneira calma e serena a entrada de sua língua na boca do maior, usando esse mero contato para acalmá-lo, trazendo o caçador de volta do mundo de decepções que ele construíra ao seu redor.

De início, Dean reluta e se debate em meio aos braços de Castiel.

Era sua culpa, tudo o que acontecera em sua vida até agora era sua culpa: a morte de sua mãe, porque ele não foi capaz de chegar até ela há tempo, os sermões que seu pai lhe dava por horas e horas por ser irresponsável, por ter de cuidar de Sam e ser um homem aos seis anos de idade. Era culpa sua quando as pessoas morriam nas caçadas, foi sua culpa Sam ter o abandonado para a faculdade; porque Dean não conseguiu cumprir sua missão de mantê-lo perto e seguro.

Cada pessoa que se envolvia com ele ou o abandonava, ou acabava morrendo, e era tudo sua culpa, bem como a morte de Kevin.... Bem como os problemas envolvendo seu irmãozinho e o maldito anjo que o enganou e possuiu Sam para fazer sabe-se lá o que – matar pessoas, com certeza, e destruir ainda mais esse mundo podre.

Culpa dele.... Somente dele e de mais ninguém. Dean ia acabar apodrecendo num poço fundo e sem ninguém, sem nada, e talvez ele nunca fosse admitir isso, mas não ter ninguém ao seu lado era o que mais o assustava; o tempo todo, a cada minuto, a cada segundo—

– Dean, está tudo bem, eu estou aqui.

A voz de Castiel chegava até ele, no entanto Dean só conseguia amargurar em torno do que acontecera, sem notar que dizia em voz alta diversas vezes que a culpa era sua. Era agoniante para Castiel ver o caçador dessa maneira, ainda mais sabendo que ele pode ser tão forte e centrado.

Mas a verdade é que por dentro Dean está tão quebrado e cansado.... A fortaleza ao redor das suas sensações desmoronou por completo dessa vez, o abandonando à beira de um colapso.

Contudo, Castiel estava lá para juntar os pedaços.

– Me escute, Dean, por favor.

– Se eu não tivesse mentido a Sam…

Balbuciava o caçador, empurrando o moreno com os braços e querendo se livrar daquele abraço, pois era como se afundasse dentro de um abismo sem volta. Porque não tardaria muito e Castiel o abandonaria também.

– Você não precisa mais disso, Cas!

– O que—

– Não precisa.... Dessa vida humana! Vá embora, seu idiota! Isso não é mais dá sua conta—

Frustrado, Castiel prende entre suas pernas as coxas de Dean, batendo com as duas mãos na lateral de seu rosto mantendo-o preso na mesma posição.

– Pare, Dean!

O anjo ordena, e o loiro não tem outra reação a não arregalar os olhos e fita-lo em meio a surpresa. Ele tem a respiração apressada, a sensação quente do álcool borbulhando no estômago enquanto as palavras saem pela garganta como se fossem vomitadas por ele:

– Você é um anjo de novo, Cas....

– Sei disso.

– Então você vai embora.....

– Estou com você Dean. Nós vamos resolver isso, eu lhe prometo.

O loiro arrasta o queixo pelo peito do menor e encara os orbes do moreno fixos nos seus, e não aguenta mais enganar a si mesmo: ele precisava daquilo, daquele toque, da certeza de ter ao menos uma coisa em sua vida despedaçada.

– Não me deixe ir, Cas....


"Não deixe que eu afunde ainda mais." Ele pensa, incapaz de formas as palavras.

Porque Dean estava se abrindo à Castiel, mostrando esse lado.... Vulnerável? Ele não devia, não podia aparentar essa fragilidade. Não era seguro e nem o ajudaria em nada chorar pelos cantos.... Mas Dean não mais conseguia; não aguentava segurar esse fardo sozinho por muito mais tempo, desfalecendo nos braços do anjo e deixando-se ser aninhado pelo moreno — pelas mãos de alguém que ele confiava.

– Nunca.

É a última coisa que Castiel fala antes que Dean embarcasse no mundo dos sonhos. Não tardou muito para Castiel o acompanhar numa espécie de cochilo que o moreno não sabia que precisava. Talvez um efeito colateral da graça roubada de Theo; ainda fraca em Castiel, o anjo precisava recuperar parte de suas forças ao fim do dia.

Oh, bem, não que ele fosse reclamar. Até porque isso significava que poderia continuar dormindo em paz com Dean.



(...)



Pouco mais de quatro horas se passaram desde que Dean dormira junto de Castiel. Ele realmente precisava daquilo, relaxar o corpo e pôr em ordem parte dos seus pensamentos, usando a lógica de seu cérebro para arquitetar o primeiro passo para encontrar Sam. Dean voltava ao seu estado estoico natural, e Castiel só podia agradecer por isso.

Contudo, é provável que a solução do caçador não fosse a das melhores, contudo eles estavam sem saída naquele momento. Com Sam andando por aí desgovernado sendo um terno de carne para o maldito anjo ainda desconhecido, Dean tem de impedi-lo o quanto antes, pois se seus cálculos estavam certos ele estava matando outras pessoas, por qualquer razão que ele tenha.

Ainda assim, Castiel mostrou-se extremamente contra seu plano; mas não deixou de seguir o caçador.

– Dean isso é uma má ideia.

Castiel repete pela décima vez enquanto eles peregrinam pelos corredores do Bunker algum par de horas depois.

– Nós não temos exatamente muitas opções, Cas. – refuta o caçador.

– Ainda assim algo pode dar errado.

– Cas, é tudo o que temos. Precisamos encontrar o Sam!

Apertando os lábios um no outro, Castiel concorda fracamente com Dean o vendo abrir a porta de metal. Os dois entram devagar na sala escura, caminhando pelas estantes, fazendo o caminho até a parte de trás dos inúmeros arquivos que existem no Bunker. Dean segura às duas estantes do final do corredor e as puxa de uma só vez revelando a passagem escondida atrás delas.

O caçador encara o espaço à frente tencionando a mandíbula, sendo seguido por Castiel que mantém seus olhos — agora com a graça restaurada — atentos o tempo todo, pronto para agir caso seja preciso.

Mas por enquanto, anjo e caçador apenas observam a figura à frente deles, que abre um pequeno sorriso convidativo balançando a cabeça devagar ao se dirigir à Dean:

– Olá esquilo.

Crowley fala, balançando gentilmente as correntes ao redor de seus pulsos sobre a mesa.

Continua

Notas finais
O Castiel confortando o Dean sempre vai ser uma das minhas cosias favoritas de spn, e vice versa! adoro quando um começa a pegar as dores do outro e tenta o consertar de alguma forma! enfim people, vou agora escrever as minhas outras fics e torcer p conseguir postar Sem compromissos ainda essa semana (pq né? essa fic está amravilhsoa tb! os comentários me deixam super feliz mesmo =D) Nosso mês de Setembro vai ter atualização em breve tb (espero eu) to num surto criativo, então tudo pode acontecer! Kissus e bye bye! AH! E n esqueçam os comentários que me deixam mto feliz ;)