Não me deixe ir
33 Capítulo 33- Família
Notas iniciais
Não me deixe ir
33 – Família
Crowley encara a Dean com o mesmo sorriso mesquinho de sempre, pensando congiso mesmo o que poderá ganhar dessa vez, caso dance conforme à música. Ele pode não ter seus poderes, uma vez que está usando aquela maldita gargantilha que o aprisiona, porém ele ainda possuiu a astúcia parar perceber que Dean estava perdido. Havia algo que o caçador queria.
Após debater internamente por mais algum tempo Dean percebe que está mesmo sem alternativa alguma: Crowley é o único que pode ajuda-los a encontrar e deter o anjo possuindo a Sam. Bufando, ele começa o seu discurso:
– Okay, aqui vai o trato: você nos diz como achar o anjo, e eu te dou um pouco disso – Dean balança no ar uma ampola cheia de líquido vermelho – Sangue humano fresco. Dizem que você adora.
– Por favor. – o rei demônio balança a cabeça em descrença — Eu passo.
– O que você quer então? – interroga Castiel.
– Bem, para começar, uma massagem.
– É, eu não vou esfregar você. – ironiza Dean, perdendo a pouca paciência que tinha
– Deus, não. Tragam Kevin. Ele tem dedos pequenos que podem—
– Kevin está morto. – Castiel o corta, vendo como Crowley surpreende-se um pouco, parecendo pensativo.
– Oh, sinto em ouvir isso.
– Não finja que se importa. Você tantou mata-lo. – lembra Castiel, quase rosnando.
– Eu disse para ele que isso aconteceria. Fui a única pessoa que tentou alertá-lo. Eu o disse para correr.
– Do que? – Dean interrompe.
Crowley volta-se a ele com um olhar descrente, quase revirando os olhos ao proferir de uma só vez:
– Você. Quantas vezes eu terei de dizer isso? Pessoas no seu ramo de serviço não tem muito tempo de vida.
Dean sente cada palavra o atingindo como um soco, não por serem ditas por Crowley, mas sim porque todas elas são verdade. Castiel nota a sua amargura sem precisar nem o olhar, engolindo seco e querendo por um fim naquilo, entretanto Crowley persiste com a sua barganha:
– Agora, eu não posso te ensinar a descacar um anjo. – ele gesticula as mãos, fazendo o metal das correntes balançarem — É como uma.... Arte, mais do que ciência. Mas eu posso fazer isso por você. Tudo que peço é uma viagem de carro. Estou morrendo de vontade de andar. Acorrentado, claro.
– Não. – contesta Dean no ato.
– Não? Claro que não. Porque se eu sou seu plano “A”, tenho certeza de que você tem um totalmente viável plano “B”.
Castiel e Dean não perdem tempo ao se encararem, dando alguns passos para trás se afastando de Crowley.
– Você não pode estar considerando isso. – comenta Castiel.
– Com as correntes ele não pode fazer nada.
– É do Crowley que estamos falando. Ele sempre pode fazer alguma coisa.
– Parece que é um empate. – diz Crowley, vendo a discussão dos dois – Tragam o alce, esquilo. Ele será o voto de Minerva.
A mandíbula de Dean tensiona no mesmo instante, e não é preciso mais nada para que toda a engenharia da situação se desenrole na mente do demônio, que chega a esboçar um meio sorriso quando volta a discusar:
– A não ser que.... Você não possa. É por isso que está aqui, não é? O grande bebe gigante está com problemas de novo, não é?
– Já acabou? – pergunta Dean, exasperado.
– Depende. Nós temos um acordo?
Apesar da ainda relutância de Castiel – afinal, ele sabia muito bem dos perigos de se trabalhar com o rei demônio – ele e Dean sabem que estão de mãos atadas. Há um limite até onde eles podem agir sem a ajuda da rede de informações de Crowley, e, bem, eles precisam tomar uma decisão.
–.... Temos. – Dean atesta à contragosto.
– Excelente. – Crowley fala com um ar vitorioso — Quando saímos?
– Assim que arrumar um carro.
– Bem, eu tenho um veículo. – Castiel fala entre a conversa dos dois – Parou há alguns quilômetros daqui inexplicavelmente.
Dito isto, os três saem do Bunker e se dirigem ao local onde Castiel tem seu carro estacionado: um Lincln Continental de 1978 de cor bege clara. Crowley imediatamente entorta suas feições, não acreditando que terá de andar naquela coisa. Que decadência....
– O que você é? Um cafetão? – Crowley fala, franzindo o cenho.
– Eu gosto dele. – responde Castiel simplesmente, sem compreender a analogia do outro.
Crowley fica quieto, observando o anjo de perto. Os meses que passou acorrentado no Bunker deram a Crowley uma pequena desvantagem no ramo das informações, e ele bem sabe que conhecer seu inimigo é a melhor tática. O fato de Castiel parecer abatido, o que acontecera com Sam, tudo era uma incógnita a ele. E Crowley queria encontrar logo seus informantes e ficar à par de tudo que perdera.
Enquanto eles debatiam Dean estava com o capô do carro aberto, analisando o motor apenas para ter certeza de que não havia nada de errado com ele, constatando, por fim, o óbvio:
– É, ‘tá sem gasolina.
– Me diga de novo garoto maravilha, porque você precisa de um carro?
Crowley se volta a Castiel dessa vez, achando a situação divertida, se não, inusitada. Castiel nada responde ao rei demônio, respirando fundo e o encarando com toda a sua raiva contida num único olhar:
– Quando você nos trair, estarei lá para arrancar seu coração.
– Oh, Cas, tão galanteador.
Do outro lado do carro Dean revira os olhos já enjoado de tota a conversa com Crowley – na verdade, cansado do aglomerado de situações desconfortáveis. Sem perder a deixa, porém, o demônio gira sua atenção para o caçador:
– Não fique intimidado, Dean, Cassy é todo seu.
Se Dean pareceu incomodado com as insunuações óbvias de Crowley? Era inevitável, mas o caçador resolveu ignorá-lo por hora, apenas bufando e apontando duramente ao demônio ao falar com a voz pesada:
– Entra no carro.
– Eu vou na frente.
Corwley diz no ato, intercalando-se entre o automóvel e Castiel, porém Dean é mais ligeiro ao talhar toda a alegria dele:
– Errado, você vai atrás.
Sorrindo vitorioso, Castiel toma seu lugar segurando a porta da frente do veículo, e novamente Dean tem de ser o estraga prazeres:
– Ei, você também. Fique de olho nele.
Agora é Crowley quem dá um risinho irônico a Castiel, que tem de se conformar e dividir o banco traseiro com o rei denmônio. Dean nunca odiou tanto uma viagem de carro antes.
(...)
Por ao menos três horas eles dirigiram rumo ao centro da cidade mais próxima, onde Crowley mantinha um sistema de informações funcionando vinte e quatro horas. Dean e Castiel, nesse ponto, não ficaram nem um pouco suspresos. O rei do inferno era perigoso de qualquer forma, acorrentado ou não. No prédio onde eles fizeram a pesquisa em busca de Sam, Castiel fora impossibilitado de ouvir o que tanto Crowley e sua informante conversavam, bufando em frustração, bem como Dean.
Enfim, eles conseguiram o que tanto queriam, achando Sam, ou melhor, o anjo o possuindo não muito longe com o Impala, na casa de alguma pessoa desconhecida a eles, porém Castiel sentia que havia algo de estranho ao redor da residência, quase como um aspecto familiar.
Ao avistar seu precioso carro na entrada da casa, Dean apressou-se até ele, passando a mão de leve sobre a lataria e respirando aliviado ao ver Baby inteira.
Quem entra primeiro na casa é Dean, e tão logo ele pisa na sala de estar depara-se com um homem de meia idade jogado no chão. Sua garganta: cortada, e o anjo trajado de Sam está de costas a ele, olhando para o cadáver:
– Você não devia ter vindo Dean. – ameaça o anjo, ainda sem encará-lo.
– Você matou meu amigo, e depois pegou meu irmão. Achou mesmo que eu ia deixar isso passar?! – o caçador fala sem pausas, já elevando o tom de sua voz e segurando firme na lãmina em sua mãos.
– Eu permiti que você vivesse. – rebate o anjo.
– Um erro.
Numa única passada Dean fica frente à frente com o anjo, porém ele utiliza apenas um movimento de sua mão para usar sua força telecinética e lança-lo contra uma parede. Dean cai na prateleira de livros próxima a lareira, a destruindo e desmaiando no processo.
Gadreel não tem intenção alguma de matar Dean Winchester, afinal, o nome do humano nunca fora mencionado por Metatron e, portanto, tornaria-se uma morte desnecessária. E ele não queria ter de assassinar pessoas; não mesmo. Ele o fazia por necessidade, pelo bem maior, como Metatron dissera.
Ele se vira pronto para partir, porém não nota a presença de Castiel bem atrás dele. Tão logo Gadreel gira seus calcanhares ele recebe um potente soco no meio do rosto perdendo a consciência em questão de segundos. Castiel apenas inclina o pescoço para o lado, observando o corpo inerte de Sam.
A parte fácil havia terminado. Agora, eles deviam uma vez mais confiar em Crowley para lidar com a segunda metade do plano. Confiança não era bem a palavra certa. Talvez o melhor seria dizer que eles iriam utilizar os conhecimentos do demônio a seu favor.
Como agora, no primeiro galpão abandonado que conseguiram encontrar. Dean e Castiel já tinham o corpo de Sam atado a uma cadeira, juntamente com a aparelhagem ao redor de sua cabeça que em breve seria usada por Crowley para atravessar as camadas de conhecimento escondidos do anjo e desvendar de uma vez por todas quem ele era, e mais ainda: quais suas intenções.
Num pequeno salto, o anjo desperta, vendo que estava completamente amordaçado, com Dean à sua frente:
– Bem-vindo à festa amigo. – o caçador comenta – Como estamos, Cas?
– A maioria das queimaduras internas estão curadas. Eu devo ser capaz de concertar o restante. – mudando seu olhar do peito de Sam para seus olhos, Castiel o encara com frieza – Quem é você? Achei que conhecesse todos os anjos do céu, mas eu nunca te vi.
– Porque eu te diria algo?
– Bem, eu não me importo sobre quem você seja. – interrompe Dean – Você vai é sair; agora!
– E se eu não sair? – responde o anjo, entortando as feições num misto de raiva e frustração.
– Então você e eu teremos uma amável conversa.
É Crowley quem diz, dando um passo á frente e mostrando a ele um meio sorriso. O anjo, porém, não se intimida, tensionando o maxilar enquanto continua a fitar Dean:
– Mesmo preso eu posso destruir esse corpo. Conte a eles, Castiel.
– Se fizer isso, você morre. – com a lâmina prateada em mãos, Dean o ameça, já cansado daqueles pequenos jogos que empurram palavras um contra o outro sem nada ser feito.
– Você quer que isso acabe? Vá em frente. – o anjo o desafia, apertando os lábios um contra o outro – Coloque uma lâmina no coração do seu irmão. Se te faz sentir-se melhor eu coloquei Sam em um sonho. Ele acredita que vocês dois estão trabalhando em um caso agora; algo com ghouls e líderes de torcida.
– Porque você está fazendo isso? – indaga Dean, começando a se confundir mais e mais – Achei que lutássemos juntos. E eu confiei em você. Eu achei que você fosse um dos caras bons!
– Estou fazendo o que devo fazer.
– Assim como eu.
Respirando fundo, Dean desiste de qualquer outro tipo de diálogo. Não tinha mais jeito, não havia mais argumentos. Crowley toma seu lugar na frente do anjo acorrentado. O demÕnio sorri antes de repetir a frase de Dean:
– Assim como eu.
Segurando uma pequena agulha prateada, Crowley se aproxima de Sam e a insere devagar, girando a ponta até que ela atravessa a primeira camada de pele, e logo depois alcança o ponto certo, fazendo com que o anjo comece a gritar.
Em pouco tempo, os berros de dor tomam conta de todo o galpão, e por mais que Dean saiba se tratar de um anjo ali, não de Sam, ele sente o peito doído e carregado, odiando-se mais e mais a cada segundo que passa, sabendo que foi ele o responsável por seu irmãozinho estar acorrentado numa cadeira; com seu corpo sendo torturado pelo demônio.
No mais novo urro de agonia saindo da garganta de Sam – quatro agulhas enfiadas em seu crânio – Dean se dá por satisfeito daquele show grotesco, e silencioso sai de perto deles. Castiel o segue, notando o quanto Dean tenta evitar que algumas lágrimas saiam de seus olhos.
– Ei.
Castiel fala, pondo uma mão delicadamente sobre o cotovelo de Dean.
– Não posso mais assistir aquilo. – responde o caçador com a voz quebrada.
– Eu entendo. Não é o Sam, mas.... Ainda é o Sam.
A voz de Dean tremula conforme ele discorre noutro assunto junto de Castiel, esfregando seu rosto em meio ao nervosismo:
– Pois é. Então, como você está?
Confuso, Castiel entorta um pouco sua cabeça, franzindo o cenho.
– Você quer discutir sobre mim agora, Dean?
– Eu quero falar sobre outra coisa, qualquer coisa que não seja meu irmãozinho sendo torturado naquela cadeira.
Castiel arqueia as sobrancelhas compreendendo a dor se transfigurando nas feições de Dean. Ele nada diz, meneando a cabeça, pondo devagar ambas as mãos no rosto do caçador e o trazendo para perto num suave beijo. Ele escorrega as palmas lentamente até as orelhas dele, e então usa um pouco de sua graça para impedir que Dean escute qualquer outra coisa que não seja a respiração deles.
O caçador entende de imediato o que o anjo acaba de fazer, apertando ainda mais seus olhos para conter as lágrimas, abraçando Castiel com força e o trazendo para si num ósculo que fosse capaz de aplacar esse buraco surgindo em seu peito. E o calor de Cas, a sua preocupação e o sabor de sua boca conseguiam, de fato, acalentar a dor em Dean, ao menos por um tempo.
Eles separam-se após a leve tremedeira nas mãos do caçador cesssarem, voltando os dois a a se encararem numa distância curta entre seus corpos:
– Então, como você está?
Dean repete a pergunta, dessa vez parecendo realmente interessado na resposta de Castiel.
– Uh.... Estou bem.
– Bom, bom. Isso, uh.... Então, o que, você só trocou de bateria e se recuperou? É assim tão fácil?
– Não foi fácil, mas eu não tive escolha.
– É. Bem, normalmente é como acontece.
O silêncio preenche o momento, não fosse pelos abafados gritos de Sam ao fundo. Castiel repousa uma mão sobre o ombro de Dean e assim como antes os transporta para um espaço onde há somente a voz deles. O caçador respira fundo, encarando os globos azuis de Castiel e pensando num passado não muito distante, quando os problemas envolvendo o desconhecido anjo começaram; problemas causados por ele.
Havia tantos erros em suas costas, mortes que poderiam ter sido evitadas, e mais ainda: a traição que ele cometeu para com Castiel; justo ele que nada fez a não ser apoiar e suportar toda a desgraça que existe na vida do caçador....
– Cas.... Me desculpe. – ele pede numtom baixo.
– Sobre o que? – o anjo pergunta, dúbio.
– Te chutar ‘pra fora do Bunker.... Tudo, uh. Sabe, não te falar sobre o Sam.
– Você achou que a vida dele estava em risco.
– É, eu fui enganado.
– Pensei que estava salvando o céu. – Castiel responde, dando de ombros — Também fui enganado.
Com um fraco sorriso, Dean tem os olhos mais amenos dessa vez:
– Então você está dizendo que somos um casal de malditos idiotas?
– Eu prefiro a palavra “ingênuos”. Menos maldito. Menos idiota.
– Pombinhos! Venham aqui!
Crowley grita do utro quarto, fazendo Dean revirar os olhos enquanto eles retornam ao cômodo e ficam frente a frente com Sam outra vez.
– O cabeça de espinhos está apagado, mas olhem isso.
Mexendo gentilmente numa das agulhas, Crowley faz com que Sam – desmaiado – comece a recitar a mesma frase, uma vez atrás da outra:
– Zir noco iad Gadreel. Zir noco iad Gadreel.
– O que ele está falando? – indaga Dean, voltando-se para Castiel que tem o cenho franzido.
– Seu nome. Gadreel.
– Isso quer dizer algo à você?
– Bem, é a razão de nunca tê-lo visto. –o moreno entreabre os lábios em meio à sua surpresa — Ele era um prisioneiro desde o início dos tempos. Gadreel foi o guardião que permitiu Lúcifer dentro do jardim.
– Uau, uma celebridade. – comenta Crowley, sendo prontamente ignorado.
– Espera, o jardim? – interrompe Dean – Como em Edem? Adão e Eva?
– É culpa dele—Toda a corrupção do homem, demônios, o inferno....
A mandíbula de Castiel tensiona e ele mal consegue corrdenar sua fala, pois eras de sua existência atravessam seu olhar em segundos, recordando-se de tudo o que ouvira da boca de seus irmãos, dos pecados do homem provocados por sua fraqueza, e tantas outras coisas que poderiam ter sido evitadas!
– Deus nos abandonou por causa dele, os arcanjos—O apocalipse. Se ele não tivesse sido tão fraco, nada disso teria acontecido!
Castiel explode, segurando firme com ambas as mãos na blusa de Gadreel e o sacudindo enquanto inconsciente:
– Você arruinou o universo, seu maldito filho da mãe!
Pondo uma mão na frente do peito de Castiel e o afastando de seu irmão, Dean o gira, fazendo o anjo encará-lo:
– Cas! Cas! Hey!
– Dean, ele—
– Eu entendo. Mas você precisa se acalmar.
Os dois, de fato, passam a respirar ao mesmo tempo, regulando seus temperamentos. Ao fundo enquanto tudo discorre, Crowley continua a balançar e mexer nas agulhas espetadas na cabeça de Sam:
– Porque essa demora toda?! – Dean indaga, raivoso.
– Tirando o fato que eu estou tentando desemcapar um ser multidimensional de pura energia, nada de mais.
Antes de qualquer novo argumento, Gadreel inala uma tremenda quantidade de ar, despertando. Dean se anima, esperançoso de ser Sam ali para falar com eles, porém é com a voz do anjo que ele os cumprimenta:
– Não irá funcionar. – ele diz soando cansado – Nunca achará seu irmão. Vá em frente. Cutuque e enfie mais. Eu posso sentar nessa cadeira por anos e ver vocês falharem e falharem. Eu aguentei o pior no Céu, Dean. Tão, tão pior.... E eu tenho todo o tempo do mundo.
– Cala a boca! – grita Dean – Certo, plano “B”. Cas, você vai o possuir.
– O que?
– Faça! Entra lá, diga ao Sam o que está havendo, e o ajude a chutar a bunda desse filho da mãe para fora!
– Pode funcionar. Mas eu não posso possuir um receptáculo sem permissão.
Numa leve tossida que chama a atenção dos dois, Corwley ergue sua mão no ar, visivelmente oferecendo-se para o serviço.
– Não – Dean fala no ato – Não vai rolar.
– Não seja estúpido. Demônios pegam o que querem. Eu posso entrar nesse ninho de ratos. Eu posso fazer Sam acordar. Me chamem de plano “C”.
– Você não pode—
–.... Você tem uma ideia melhor?
Dean interrompe Castiel, encarando os olhos azuis incertos deles, juntamente com o seu brilho esverdeado, que não enxerga uma melhor opção – nenhuma opção parecia ser boa o bastante, mas era tudo o que tinham.
– E o anjo? – pergunta Dean à Crowley, vendo Castiel de soslaio bufar em frustração.
– Trabalharei rápido.
– E se ele te achar?
– Eu caio fora. Não vou morrer por sua causa. Claro, se eu fizer isso, você terá de....
– Tirar a coleira. É, eu sei.
– E ela fica fora. Eu salvo Sam, e saio daqui um homem livre. Nós temos um acordo?
– Cas, tire a tatuagem do Sam.
– Dean....
– Faça. Só faça.
Relutante, Castiel aproxima-se de Gadreeel afastando sua blusa, revelando a tatuagem. Ele passa sua mão sobre seu peito, apagando o símbolo anti-possessão. Dean engole seco, retornando sua atenção á Crowley e apontando o dedo na direção dele:
– Se você sacanear o Sam, se tentar algo—
– Eu mantenho minhas barganhas. – afirma o demônio — Além do mais, eu não quero ficar dentro do seu irmão mais do que o necessário.
Respirando fundo, porque era a única coisa que conseguia acalmar a Dean, ele encara de frente o que devia ser feito, já sem mais alternativas:
– Quando o encontrar, diga "Poughkeepsie." É nossa palavra de segurança. Quer dizer “deixe tudo e caisa fora”.
– Certo. E por favor, enquanto eu estiver fora, não toquem no meu terno.
O demônio senta-se numa cadeira oposta a de Gadreel, ajeitando seu paletó. O anjo quase rosna a ele:
– Irei destruir você.
Crowley sorri.
– Me engula.
São as últimas palavras de Crowley antes que a fumaça vermelha e densa saia de sua boca e adentre a de Sam, transferindo sua essência para dentro do caçador desavisado. Castiel e Dean permanecem no mesmo lugar, acorrentados por amarrar invisíveis que os deixam nas mãos de Crowley – mais uma vez.
– Um demônio e um anjo entram no meu imrão. Parece uma piada ruim. –fala Dean, já sem ideia do que fazer.
– Dean, se isso não funcionar....
O caçador sabe que Castiel não tem intenção de ferí-lo quando o diz, mas sim alertá-lo ao que pode acontecer. Porém Dean não quer ouvir ou cogitar essa possibilidade:
– Vai funcionar.
Ele tão-somente profere, apostando com todas as suas fichas nesse maldito plano.
O tempo passou nos ponteiros do relógio de Dean, no entanto ele irá jurar que jamais viu os ponteiros se movendo. Ele só conseguia pensar em toda a bagunça que havia causado; aonde eles tinham chegado por causa de outra má escolha sua. Ele suspira, já não mais certo do que iria acontecer dali para frente.
Um som metálico irrompe as suas divagações. Dean olha surpreso para a onda de energia brilhante e azulada que deixa a boca de Sam e viaja para cima deles, arrebventando as janelas do galpão e se afastando á toda velocidade. Confuso, ele e Castiel olham para o corpo inerte de Sam, e logo a fumaça vermelha surge, retornando ao seu corpo de origem – em Crowley – enquanto Dean e Castiel se afastam, incertos do que acontecia.
Tocando no ombro de seu irmão, Dean o chama, pedindo ajuda de Castiel.
– Sam?! Ei! Cas!
– Sam, você está bem?
Castiel pergunta conforme retira a aparelhagem de tortura de sua cabeça. O caçula dos Winchester respira apressado, piscando os olhos inúmeras vezes ao vislumbrar o moreno:
– Cas?
Do lado de fora do galpão eles ouvem o som de pneus queimando o asfalto. Castiel sobe uma pequena escadaria velha, e consegue olhar pelas janelas partidas um grupo de demônio de aproximando, e à frente deles....
– É Abaddon.
Claro que era. Nada podia acontecer fácil para eles, não é mesmo? Com Sam quase desmaiando nos braços de Dean, Cowley liberto, e incertos do paradeiro de Gadreel eles ainda tinham de lidar com a cavaleiro imortal. Este dia realmente não podia ser mais perfeito na vida dos caçadores.
– Vá. Pela porta dos fundos. Eu cuidarei disso.
Mais do que incrédulo, Dean olha para o demônio franzindo o cenho, destilando todo o seu sarcasmo quando o responde:
– Oh, porque você é um cara tão bom?
– Nesse momento, sou o mais correto que irá conseguir.
E o caçador tem de engolir seco, ajeitando o corpo pesado de Sam em seus braços, que não consegue ficar de pé sozinho:
– Isso não nos torna quites. Se eu te vir de novo—
– Estou morto. – completa Crowley – Sim, eu sei. Também te amo.
Auxiliando Dean a carregar o peso de Sam, Castiel e os irmãos saem em disparada, guiando-se até o impala o mais depressa que conseguem. Secretamente, Dean pedia que esse encontro entre Corwley e Abaddon acabasse em um banho de sangue entre eles. Mas talvez seu dia já contasse com vitórias demais para ser completo e perfeito dessa maneira.
Sua prioridade nesse momento estava em retirar seu irmão do fogo cruzado e cuidar das suas feridas restantes. Depois.... Depois ele poderia processar tudo que ocorrera e bolar um plano de ação eficiente.
– Um prazer fazer negocio com vocês garotos, como sempre.
As palavras de Corwley ecoam pelo galpão até que esteja apenas o demônio lá. Ele, claro, ajeita seu paletó e espera mostrar uma apar~encia decente, ao menos, após meses algemado no porão dos Winchesters. Oh, bem, ele saberia como lidar com o alce e o esquilo em seu próximo encontro.
Por hora, Crowley pôs a gravata no lugar e sentou-se na cadeira em que antes Sam estava assistindo de camarote enquanto Abaddon adentrava o galpão seguida de um pequeno grupo de demônios. Crowley não via a hora de acabar com o séquito de miseráveis que o traiu.
Mas tudo a seu tempo.
– Olá querida.
Ele a cumprimenta com o mais largo e mesquinho sorriso que possuía.
(...)
O impala, o refúgio sagrado de Dean e Sam, mais uma vez, os levava para oonge do perigo, os confortava com algo familiar no meio do turbilhão de problemas desenrolando-se à sua frente. Eles dirigem por algum tempo, até estarem longe o bastante para poder esticar as pernas.
Eles param numa ponte no meio do nada, com uma leve garoa batendo nos seus rostos, despertando aos poucos os músculos doloridos. Castiel, de imediato, faz uma breve análise nas feridas de Sam, curando todas as pontadas de agulhas que Crowley havia feito em seu crânio. Dean, distante alguns passos, os deixa em paz durante o processo.
Porque ele sabia que depois a conversa seria com ele.
– Sente-se melhor? – Castiel pergunta.
– Um, pouco, sim.
Sam ainda precisa respirar fundo e fincar os calcanhares no chão a fim de permanecer de pé e acordado, mas apesar do cansaço ele sente-se bem.
– Vai levar algum tempo para curá-lo completamente. Teremos de fazer em estágios.
Sam asquiesce, porém seu olhar permanece fixo no seu irmão. Dean se aproxima num passo tímido, enquanto Castiel sabe quando é hora de ser respitoso e se afastar, os deixando resolver seus próprios problemas:
– Okay. Pode dizer. – Dean pede, aguardando o sermão.
O caçula suspira, batendo as mãos na lateral de seu corpo e parecendo perdido de certa forma:
– O que quer que eu diga? Que estou puto? Okay. Eu estou.
– Eu não tive escolha....
Erguendo sua voz, Sam espalma uma mão no peito e quase grita com seu irmão:
– Eu estava pronto para morrer Dean!
– Eu sei.
Engolindo seco, Dean pisca seus olhos e evita que eles fiquem ainda mais turvos, balançando a cabeça:
– Sei disso. Mas eu não ia te deixar, porque eu não sou assim.
– Então, o que? Você decidiu me enganar e me fazer ser possuído por um.... Anjo psicopata?!
– Ele salvou sua vida.
– E daí? Eu queria morrer. E agora.... Kevin....
Tanto a voz quanto os olhos de Sam ficam carregados com as suas lembrqanças trancafiadas na mente de Gadreel. Ele consegue, ainda sentir na ponta dos dedos, aquela energia emanando e queimando os olhos de Kevin.
– Não – Dean se irtempõem nas ideias de culpa de seu irmão, apontando um dedo a ele – Isso não é com você. O sangue de Kevin está nas minhas mãos, e isso nunca ficará limpo. Vou queimar por isso. Eu vou. Mas eu irei encontrar Gadreel. E eu vou acabar com aquele filho da mãe. Mas eu farei isso sozinho.
– O que isso quer dizer? — Sam indaga, já não mais compreendendo as intenções de seu irmão.
Dean lambeu seus lábios os umedecendo, mas talvez seja apenas para ganhar tempo; para ratificar à ferro em sua alma aquilo que Dean há muito já sabia – mas temia admitir até para si mesmo:
– Qual é cara.... – ele começa, tremeluzindo os lábios – Você não vê? Eu.... Eu sou veneno, Sam. As pessoas ficam perto de mim e são mortas. Ou pior. Sabe, eu digo a mim mesmo que eu-eu—Eu ajudo mais do que machuco, e eu acredito nisso. Mas eu não posso—Eu não vou arrastar ninguém ‘pra lama comigo. Não mais.
Erguendo o olhar pela primeira vez, Castiel repousa sua visão sobre Dean. O caçador chega a dedicar alguns instantes para retribuir o olhar do anjo. Castiel enxerga a veracidade das suas palavras, sabendo que elas se estendiam a sua presença. Isso deixa uma bola de amargura pesada na garganta de Castiel, e ele quer gritar com Dean.
Castiel quer ir até o caçador e soca-lo até que ele entenda que esse não é o problema; nunca foi. Mas ele sabe que mesmo assim seria quase impossível colocar isso na cabeça dura de Dean. Contudo, ele ainda podia tentar....
– Vá. Eu não vou te impedir.
A face de Dean decai em derrota, e ele desiste, por fim, lançando um último olhar a Castiel. O moreno tem os lábios partidos, e ele pode ver o quanto o anjo quer se aproximar dele, porém Dean apenas balança rapidamente sua cabeça, o impedindo de continuar.
Ele se vira, andando na direção de seu carro e para com a mão sobre a maçaneta, ao ouvir a voz de Sam uma vez mais:
– Mas não pense que esse é o problema, porque não é.
Franzindo o cenho, Dean retem a vontade de ir até Sam e confrontá-lo. Mas ele está só tão.... Cansado e perdido que nem ao menos encontra forças para o encarar;
– O que isso quer dizer? – é tudo o que consegue perguntar.
– Só vá.
Dean engole seco, e devagar entra em seu impala, com Castiel ao lado de Sam parecendo tão perdido quanto ele. O caçador destrava o carro e entra, pondo a chave na ignição. Quando o motor do carro ronca e ele dirige para longe, deixando seu irmão e o anjo para trás na chuva, Dean não sabe mais ao certo qual é o caminho de casa – se ele tem de voltar – pois as pessoas que estavam lá com ele e faziam daquele maldito buraco uma “casa” não estariam no Bunker para recebe-lo.
Então por um longo período ele apenas dirige.
Continua
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