Não me deixe ir

27 Capítulo 27 - Trabalho profissional


Notas iniciais
Hey pessoas! Então, eu disse que uma hora ia sair, não é mesmo? hehehe Pois bem, depois de deixar vocês com um gostinho de quero mais com 'Nosso mês de Setembro', venho aqui trazer o cap. 27 de Não me Deixe ir o/ Demorou, mas saiu! Eu espero fazer uma boa luta no próximo capítulo ;) Espero que curtam a leitura! E ah! Eu ainda vou responder os comentários das outras fics, mas eh q hj eu to com sono -___- kissus e boa leitura!

Não me deixe ir

27 – Trabalho profissional

Dean encara Louis por algum tempo enquanto Sam anda em volta da mesa para ficar prontamente ao lado do garoto, apertando seu ombro. Bufando, o loiro ainda está de braços cruzados.

– É isso aí. Eu oficialmente odeio esse cara com todas as minhas forças.

Dean fala numa reunindo o sentimento de todos ali presentes.

– O que vamos fazer? – indaga Louis, apertando uma mão na outra.

– Nós vamos nos preparar e ir atrás dele, Louis. – Sam diz sem pestanejar, e nessa parte ele sabe que seu irmão concorda.

– Vocês ouviram o que disse? – Louis fala, incrédulo com a coragem dos dois caçadores – O meu pai está invocando o espírito. Isso é... Um conhecimento antigo que nem eu sei como fazer!

– Lidamos com coisas antigas todo o tempo, Louis.

Castiel afirma, pondo alguns dos livros que eles estudava mais cedo sobre a mesa. São todos sobre rituais de invocação, o que chama a atenção do garoto, que ergue seu olhar ao ex-anjo. Depois ele roda a sala e se encontra com Kevin, convicto e procurando por maiores informações rapidamente em seu computador. Nisso, há Sam ao seu lado e a segurança em sua face e nos dedos que apertam seu ombro, o mantendo firme no lugar. Mais distante tem Dean, o encarando com aquela certeza de sempre, o ar de confiança que pode muito bem ser confundido com o de superioridade, mas não... Não é isso o que Dean quer dizer com esse olhar.

Quando Louis encara Dean dessa maneira ele tem certeza de que o caçador está lhe fazendo uma promessa silenciosa.

– Nós vamos resolver isso de uma vez por todas. – fala Dean, por fim, virando-se e andando na direção de uma das estantes da sala, apanhando uma das suas armas favoritas dispostas nela.

– Que quer dizer? – Louis pergunta com a voz entrecortada, e o caçador não se vira quando o responde.

– Da maneira que nós melhor sabemos.

Concluiu Dean engatilhando a espingarda.

(...)

Estava tudo decidido após a rápida conversa na sala. Não havia muito mais o que ponderar ou decidir com os Winchesters. Se havia um trabalho a ser feito, então eles procurariam pela melhor e mais rápida maneira de resolver o caso.

Kevin fez a pesquisa depressa, dando as informações do local e traçando uma rota aos caçadores que o levaria ao local comum dia de viagem. Era muito, de fato, mas era o melhor que podiam fazer no momento. Talvez Dean conseguisse um adianto, já que ele sabia melhor do que ninguém dirigir o impala.

Os dois irmãos separaram-se momentaneamente para ajeitarem suas coisas – armas brancas e de fogo, livros úteis para a pesquisa, agua benta e tudo o mais que a vida de caçador ensinou a eles a levarem sempre consigo. Sem contar que Kevin havia conseguido encontrar detalhes fundamentais sobre essa entidade pagã antiga. Como os rapazes já haviam notado, ela podia ser controlada com um determinado tipo de cântico antigo. Sam e Dean não eram necessariamente ocultistas ou bruxos, mas seria possível confundir a criatura se usassem as mesmas palavras de uma antiga canção de invocação. Além disso, o profeta preparou alguns símbolos de proteção e os desenhou em pedaços de couro, os quais entregou aos irmãos dizendo que impediriam algumas das intervenções da entidade – como serem suas bolinhas de ping-pong, por exemplo.

No meio de seus afazeres, Sam separava uma muda simples de roupa, pois queria tomar um banho antes de partir, quando ouviu leves batidas na porta de seu quarto.

– Entre.

Disse, vendo um tímido Louis atravessar devagar a entrada. Ele encarava o chão, apoiando-se contra a porta, porém sem dizer uma única palavra. Franzindo o cenho, Sam ajeita o cabelo o tirando de seu rosto, fechando o zíper da bolsa e se voltando ao garoto.

– Está tudo bem Louis?

– Eu... Não. – balbucia incerto.

– Oh, uh...Okay. O que houve?

Dando de ombros, o garoto morde o lábio inferior, girando os olhos pelo piso cinza do cômodo, mas sem voltar-se à Sam, que, preocupado, aproxima-se devagar do garoto.

– Sam e-eu não sei... Tenho medo do que meu pai possa estar fazendo, e se ele-

– Vai dar tudo certo Louis. – interrompe Sam.

–... Eu sei. – dessa vez ele ergue a cabeça, encontrando-se com o olhar de Sam — Mas ainda me preocupo. Eu te coloquei nessa confusão. E se algo acontecer com seu irmão? Com Castiel? E se algo acontecer com você, Sam?

– Nós somos profissionais, lembra?

– Sim, mas...

Sam avança rápido pelo quarto e cala o garoto com um beijo, baixando seu rosto para se encontrar com o de Louis, pondo a mão na sua nuca e o puxando para si.

Sobre a porta do quarto Louis tem as costas pressionadas pelo corpo maior de Sam. Ele fica na ponta dos pés para enlaçar o pescoço dele, recebendo este beijo que o acalma e apazigua sua inquietação.

Quando as bocas se soltam, Sam afaga gentilmente a nuca de Louis, falando sem abrir os olhos:

– Eu prometi te deixar seguro Louis, e é isso que eu vou fazer.

– Sam...

– Sou um caçador experiente, Louis. Eu já estive em situações iguais a essa se não piores.

Meneando a cabeça, Louis entreabre os olhos vendo que agora Sam o encara. Há uma suave vermelhidão nas bochechas dele, e isso faz o garoto sorrir – ver um homem daquele tamanho envergonhado.

– Você também já se envolveu com outras pessoas durante os casos?

Abrindo bastante os orbes cor de mel esverdeado, Sam gira o rosto para o lado, pigarreando fracamente – e isso apenas diverte Louis ainda mais.

– Eu, uh... Tenho que terminar de me arrumar.

Ele fala desvencilhando-se de Louis, que apenas ri da reação encabulada dele.

– Tudo bem Sam. Te vejo mais tarde.

– Sim, certo!

Louis abre a porta e para na frete dela antes de sair, apertando a maçaneta quando os medos de antes ainda lhe assombram os pensamentos.

– Por favor, não se arrisque...

Diz ao sair sem notar que Sam havia se virado na sua direção. O caçador fica parado em frente à sua mala, pensando em como ele se embrenhou numa situação dessas de novo. Não, ele não se refere à caçada, mas sim a... A tudo o que aconteceu entre ele é Louis. Até parece que Sam tem um fraco por garotas, ou no caso garoto, com esse perfil meio... Inocente.

Céus! No que ele está pensando?!

Se bem que se ele fosse parar para contar... Foi Jessica e sua gentileza que o conquistou, a sagacidade inocente de Amy, ou mesmo aquele caso de uma noite com Rachel... Sem contar Amélia e toda a sua doçura... Agora havia se envolvido com Louis e o jeito sagaz, porém extremamente modesto e meigo dele.

Caramba, ele tinha mesmo um padrão.

(...)

Se por um lado Sam e Louis haviam chegado num acordo, Dean e Castiel andavam sobre cacos de vidro no quarto do caçador – agora novamente o quarto dos dois.

– Já disse que não, Cas!

Dean repetia, arremessando seus pertences dentro da mochila sem nem ao menos encarar o ex-anjo, indignado demais com aquela conversa para tentar ser minimamente educado.

– Dean, isto é absurdo. – rebate Castiel.

– Absurdo é você achar que ‘tá tudo bem!

– Dean, eu realmente acho que poderia ajudar nessa caçada.

O moreno repete e isso apenas enfurece Dean ainda mais. Ele fecha os punhos sobre uma blusa, que se amassa entre seus dedos, mas controla-se o máximo possível para não ser estúpido com Cas outra vez. Mas ele com certeza não irá permitir que o ex-anjo vá com eles.

– Sem chances, Cas.

– Dean, já enfrentamos essa criatura antes, e mesmo nós três quase não fomos páreo a ela.

– Bom, agora que sabemos com o que lidamos vai ser diferente.

– Mais uma razão para me levar.

– Já disse que não.

– Porque Dean?

– Porque não, droga!

Ele estoura num alto grito que faz Castiel chegar a cabeça para trás em surpresa. O caçador bufa, jogando o restante das roupas dentro de sua mala. Por alguns minutos, Castiel apenas o observa com as mãos paradas ao lado de seu corpo, já sabendo ser preciso dar um tempo a Dean. No entanto nenhum deles pode se dar ao luxo de esperar e por mais que Dean odeia esse tipo de conversa, Castiel insiste, numa voz calma, porém firme.

– A entidade estará mais fraca agora do que antes. Será preciso que ela consuma sacrifícios para se fortalecer, o que significa que pessoas inocentes estarão com Rick.

– Acha que não sei disso?!

Grita Dean, virando-se devagar para encarar Castiel, tendo em seus olhos verdes um misto de raiva e temor, algo que o moreno raramente vê tremendo nas íris dele. E aquilo o deixa ainda mais confuso.

– Dean-

– Acha que eu não sei o que aquela droga de criatura pode fazer?! O que ela fez com você?!

Abrindo os olhos devagar, Castiel fita a expressão ambígua de Dean; a maneira que seus olhos orbitam dum lado a outro, cheios de lembranças infelizes daquele dia, e então subitamente ele desvia estes olhos de Cas, não querendo ser fraco na frente dele. Não querendo admitir o que suas poucas palavras e ações brutas querem na verdade dizer.

Porém Castiel insiste.

– Se você sabe... – Castiel fala balançando a cabeça – Então não pode deixar que isso aconteça com outras pessoas. Eu posso ajudar a salvá-las, se você me deixar ir-

– ‘Pra te ver morrer de novo?!

Os ombros de Cas são agarrados pelas palmas de Dean no mesmo segundo que ele gritas estas palavras, o pressionando contra a parede do quarto como que para fazê-lo entender o que Dean está dizendo; para intimidá-lo o bastante com as memórias a ponto de o impedir de ir junto, porque Dean não quer ver esta cena se repetindo, não quer ter de lidar com a lembrança do corpo frio de Castiel em seus braços. Ele não pode.

– Você sabe que aquela coisa te matou, não é Cas?! – ele continua, cingindo os dedos sobre os ombros do ex-anjo que contorce o rosto em meio a pequena dor – Ela abriu seu peito e quase arrancou seu coração! Acha que isso é piada?! Acha que ela não pode querer tentar isso de novo?!

– E ela pode fazer o mesmo com você!

Dean dá um pequeno pulo com seu corpo quando a voz ríspida e alta de Castiel bate em seus ouvidos. Nele, há uma feição de pura raiva e descrença, e Dean engole seco ao ver que diante dele ainda existe a imponência de um ser angelical – de um agora homem, mas que há muito foi um guerreiro; e que ainda o é ao extravasar nestes momentos de euforia toda a sua fúria. Dean vê nos olhos de Cas aquele anjo que o tirou do inferno.

Soltando devagar o moreno, Dean dá um passo atrás tentando sair de perto dele, mas dessa vez é Castiel quem agarra a gola de sua blusa e o puxa, deixando seus corpos próximos, e rosto quase colados. O bafo quente de Castiel bate contra o rosto de Dean na sua voz entrecortada.

– Já se esqueceu que a entidade escolheu à você, Dean? – ele indaga num tom quase irônico – De que eu fui apenas um substituto? Se acha que ela pode querer uma espécie de vingança, tenha certeza de que isso ocorrerá não comigo, mas com você.

–... Que seja.

– Não, Dean. Não menospreze isso! Você quer me proteger se colocando na direção do fogo cruzado, e isso eu não vou permitir!

– Não é você quem escolhe isso!

– E você também não decide sobre minha vida, sobre o que eu quero fazer! Então se digo que eu irei junto, garantir que você volte comigo são e salvo para a nossa casa, então é isso que eu vou fazer!

Não é a raiva de Cas que desestabiliza Dean, não, nem um pouco, porque Dean já está acostumado com indelicadezas. No entanto são as palavras, o que elas representam ao caçador que o deixam sem chão, precisando que Castiel continue o segurando para garantir apoio.

Porque ele se importa, ele se preocupa com um homem quebrado e destruído feito ele, mesmo após todas as coisas pelas quais ele fez Cas passar – pelo o que ele tenta não sentir nem demonstrar ao ex-anjo, falhando miseravelmente... Pode parecer loucura, mas Dean ainda se surpreende quando ouve estas coisas de alguém que não é Sam, que não é do seu sangue... Mas se existe uma pessoa nesse mundo merecedora da confiança, do carinho e preocupação de Dean este alguém é Castiel.

Com as pernas bambas de Dean, Castiel se dissolve, soltando-o devagar e parando com as mãos na cintura dele, traçando um pequeno carinho com a ponta de seu dedo.

– Nossas preocupações são sempre as mesmas, Dean. – Castiel fala olhando para baixo, com seu queixo quase tocando o peito – Você quer proteger a Sam... E a mim, assim como eu também quero te manter seguro.

– Cas...

– Não é algo difícil de aceitar, não é? – diz, erguendo os olhos para encarar o caçador – Já ouve brigas demais, desgastes sem sentido sobre o que há entre nós, então, por favor, não mascare o que você está sentindo.

Engolindo seco, Dean sente-se como um livro aberto diante de Castiel. O ex-anjo consegue o ver de uma maneira tão direta e precisa que isso assusta Dean, o deixa vulnerável de uma maneira que ele detesta... Mas ao mesmo tempo o acalenta.

– Não quero que você morra, Cas. – Dean fala, por fim, num tom resignado, pondo uma das mãos no ombro do moreno e a apertando docemente.

– Também não o quero. Mas me afastar, esconder a verdade, não é a resposta.

Aquilo atinge Dean bem no meio do peito, o deixando sem ar. Não apenas pelo fato de se preocupar com Cas, porém, além disso, há toda a questão da confiança, do que ele vem escondendo tanto do ex-anjo quanto de Sam. Há tanta mentira e enganação se acumulando dentro de Dean que ele se sente pequeno frente à Castiel, tirando toda a razão dele.

Notando a sutil mudança no caçador, Castiel chega seu rosto para frente, acabando com o pequeno espaço que havia entre eles, beijando calmamente Dean num encontro breve dos lábios. O loiro fecha os olhos devagar, sentindo a textura da boca de Cas, estalando beijos pequenos e devagar, sem perceber, fecha os olhos com força, escondendo dentro de si a verdade mais uma vez. Eles não precisam disso agora.

– Vamos ser mais úteis se cuidarmos deste caso juntos, Dean. – Castiel fala ao se desgrudar do beijo – Tomaremos cuidado.

O caçador nada diz, olhando para o chão de seu quarto. Ele ergue os olhos de novo, deitando a boca sobre a de Cas e roubando um novo beijo dele; mais desesperado, mais profundo e necessitado, buscando sentir o sabor de Cas ao se debater com a língua dele. Quando se afasta de Castiel, diz rapidamente para não deixar a voz entrecortada tão aparente.

– Ajeite logo suas coisas.

Castiel meneia a cabeça e o faz, pondo seus poucos pertences e utensílios dentro de uma mochila. Dean só não consegue ficar ali vendo Cas se preparar para uma caçada, sentindo-se pesado e sem ar.

Quando foi que Dean winchester tornou-se uma pessoa tão insegura?

Talvez desde sempre, pensa ele. Sem saber quando veria seu pai de novo, sem saber se Sam continuaria do seu lado nas caçadas após a morte de John, sem saber se Bobby estaria disposto a aguentar seu jeito bruto todos os dias, sem saber se Lisa estouraria com ele... Sem saber se Castiel continuaria vivo pela manhã.

Ele sai do quarto dando uma desculpa qualquer de que está indo a cozinha beber uma cerveja, ele realmente precisa de uma para apaziguar este nervosismo constante. Abrindo a geladeira ele apanha a primeira garrafa que vê, tirando a tampinha e dando o primeiro gole antes de sair da frente do refrigerador, e assim que o faz há um par de mãos poderoso o segurando pela blusa e o chocando contra a porta da geladeira. Dean arfa, focando no seu agressor e ele se depara com Sam... Ou melhor, Ezekiel.

– Você-

– Estou cansado destes seus jogos, Dean Winchester.

– Do que está falando?! – ele diz entre os dentes, agradecendo ao fato de que a garrafa de cerveja não se espatifou no chão.

– Falo destes problemas, falo daquele garoto que veio até aqui e está agora os arrastando para fora da segurança do Bunker!

– Pelo amor de- Qual é seu problema, cara?!

Desvencilhando-se dele, Dean fica pé vendo o anjo o encarar com um ódio sem igual.

– Meu problema é esta sua insistência em por seu irmão em perigo, e consequentemente a mim também.

– Pare de falar como se você se importasse, Zeke! – esbraveja Dean, já cansado desses frequentes confrontos – Você só se importa com o seu! Eu sei que você está fraco, sei que a razão de não ter saído de dentro do meu irmão é porque você também não pode se dar ao luxo. Estou errado?!

Dean aposta alto com essas palavras, mas a verdade é que há tempos ele vem imaginado essa possibilidade. Não é a primeira nem a segunda vez que Zeke faz essas ameaças, então a razão para isso só podia ser uma das mais lógicas: assim como Sam precisa de Ezekiel, o anjo precisa de Sam para se fortalecer.

E se Dean ainda possuiu seu bom olhar analítico para jogar pôquer, então ele vê claramente nas expressões e gestos de Ezekiel um rápido brilho de receio, confirmando as palavras dele e deixando o anjo sem resposta.

Endireitando os ombros, Ezekiel encara Dean friamente outra vez:

– Sua esperteza não irá te salvar para sempre, Dean. – diz ele, convicto – basta eu notar um mínimo sinal de perigo fora deste Bunker e eu deixarei Sam, podendo ou não, eu o farei.

Dean permanece dentro daquele jogo de ameaças e chantagens, usando seu irmão como barganha. É uma forma horrível de garantir que Sam continue vivo, mas é a única moeda que ele tem.

– Dean, eu mapeei a área para onde vocês têm de ir...

Kevin andava pelo Bunker com o computador em mãos, parando de falar ao ver Sam e Dean de pé na cozinha com certo clima tenso entre os dois.

– Atrapalhei alguma coisa? – ele pergunta franzindo o cenho.

Dean olha para Ezekiel uma vez mais antes de dar um gole na sua cerveja e se aproximar de Kevin.

– Diga o que achou.

Enquanto o profeta e o caçador discutem a melhor rota para o plano deles, Ezekiel se retira do cômodo, provavelmente para levar Sam de volta ao seu quarto e trocar de lugar com ele sem que este perceba alguma coisa.

Dean escuta a voz de Kevin ao longe, contudo seus pensamentos se focam no bolo de mentiras que se embrulha cada vez mais em seu estômago o querendo fazer vomitar.

(...)

Com pouco mais de quatro horas de viagem Dean, Sam e Castiel chegavam ao ponto que Kevin indicou onde deveriam deixar o carro e começar a ir a pé, caso quisessem ter o elemento surpresa.

– Vamos pegar as coisas e ir andando.

Dean falou olhando os arredores da sinistra floresta. Tinha de ser sempre uma floresta sinistra, á noite, que dava caminho a algum tipo de construção abandonada – nesse caso, um galpão antigo (quem diria).

Castiel e Dean começaram a coletar algumas folhas e galhos grandes do chão a fim de jogar nos vidros do impala, uma vez que a cor preta do carro já ajudava a disfarça-lo bastante.

– Mas que droga!

Virando-se na direção de Sam após a sua pequena explosão, Dean e Cas franzem o cenho juntos sem entender nada, até que andam para trás do veículo e se deparam com Sam – extremamente irritado – olhando para a expressão encabulada de Louis. Na mesma hora Dean bufa, revirando os olhos.

– Ótimo. O filhote de ocultista veio.

– O que pensa que está fazendo Louis?! – Sam indaga controlando o volume de sua voz;

– E-eu queria, eu precisava vir com vocês.

– Louis, este trabalho é perigoso. – Castiel o lembra, tentando apelar para os medos do garoto.

– Sei disso, mas é do meu pai que estamos falando, okay? Eu também sou responsável por isso.

– Em que sentido moleque?

Dean comenta sarcástico, porém Louis não se intimida tão pouco se diminui, endireitando o peito ao olhar para o caçador.

– Querendo ou não ele é da minha família. Não posso simplesmente ficar de braços cruzados pedindo que vocês se arrisquem para resolver meu problema.

Sam e Dean se entreolham sem nada a acrescentar frente as afirmações convictas de Louis, afinal, quem melhor do que eles para compreender “problemas de família”?

Bufando, Dean apanha um revolver de sua cintura e entrega a Louis, que segura um pouco desajeitado a arma.

– Trava de segurança, mira, gatilho, aqui em cima você engatilha. – Dean falava apontando para cada lugar na arma – Mire primeiro, com os dois olhos abertos e cuidado com o recuo.

– Okay.

– Ei, Dean espera! – Sam diz parando na frente do irmão, que continua com uma feição tranquila – Não podemos deixar o Louis ir.

– Porque não?

– Por que... Ele- uh! — Sam bate as mãos na lateral no corpo ao ter ficado sem uma resposta. Não era a primeira vez que eles tinham algum tipo de ajuda numa caçada — Louis, você vai comigo, sem reclamações, ouviu?!

– S-sim.

Foi tudo o que ele disse, engatilhando a primeira bala no cano da arma enquanto Dean quase vomitava com a cena, terminando de fechar o porta-malas. Louis discutia alguma coisa com Sam afastado dele quando Castiel parou ao seu lado com o cenho franzido.

– Dean, acha uma boa ideia levar Louis conosco?

– É isso ou deixar ele aqui, e o moleque é idiota o bastante para vir atrás de nós por conta própria, então é melhor ficar de olho. Francamente. – ele suspira, trancando o carro – Não sei o que o Sam vê nele...

– Que quer dizer?

Encarando a face confusa de Castiel, Dean nada diz, porém deixa um meio sorriso escapar frente a falta de tato do ex-anjo.

– Nada. Vamos de uma vez.

Vagarosos e com passos precisos os quatro vão se aproximando do local. Todos os ingredientes de antes estavam prontos em mãos para destruir a entidade novamente. Pelo o que Louis entendia, ao “morrer” a entidade apenas volta a outro plano num estágio mais limitado de seu poder.

Isso lhes dava uma boa vantagem, já que enfrentar a criatura enfraquecida seria, certamente, uma grande vantagem. Tão logo a noite caiu o pequeno grupo deparou-se com o galpão abandonado.

– Galpões, porque sempre tem que ser um galpão? – Dean resmungou baixo vendo seu irmão o mandar ficar quieto.

Ele o fez seguindo em frente, com Castiel seguindo ao seu lado erguendo a lâmina prateada que ele ainda possuía, caminhando com cautela, porém ainda exibindo aquela imponência de um guerreiro.

Sam ia um pouco atrás de Dean, tomando cuidado para que Louis não saísse de perto dele, nem ficasse no fogo cruzado. Ele olhou para trás e deu um passo adiante, mas quase fora jogado de costas ao chão ao ter Louis o puxando rapidamente pelo ombro.

– Cuidado!

Sussurrou o garoto ao ser fitado por Sam. Louis apontou para frente mostrando a todos o desenho de um círculo repleto de figuras que provavelmente eram algum tipo de encantamento.

– Obrigado. – falou Sam meneando a cabeça devagar.

Com a atenção redobrada eles adentraram no ambiente escuro, úmido e fétido do galpão. Ele tinha caixas de madeira e alguns guinchos erguidos por grossas correntes. Aquilo devia ser algum tipo de estoque de materiais, ou coisa do tipo, mas agora servia de casa para pássaros, morcegos e ratos – com certeza ratos.

Havia salas espalhadas por diversos corredores, e é claro que nenhum deles teria tempo de procurar por mais de mil metros quadrados de construção decadente. Ainda assim havia algo estranho ali. Eles tinham ouvido que a região fora afetada por fenômenos estranhos, porém não viram nada de anormal, sem contar que em um local abandonado, mesmo grande desse jeito, é plausível se esperar que qualquer ruído ecoe por todos os lados.

– Talvez seja o lugar errado. – comentou Louis.

– Não pode ser. – disse Sam, olhando á sua volta – Esse tipo de coisa não se erra.

– O pai de Louis pode ter partido também. – ponderou Castiel.

– Droga...

Ajeitando o telefone em seu ouvido, Dean discou para Kevin sem pensar duas vezes. Logo no primeiro toque o profeta atendeu ouvindo os murmúrios de Dean:

– Não tem nada aqui, Kevin.

– Como não?- ele falou do outro lado da linha — Eu fiz os cálculos, encontrei o lugar certo no mapa, isso não pode estar errado, Dean.

– Estou dizendo que não tem nada-

As correntes do teto se moveram; elas são grossas demais para se moverem por causa do vento. Dean nem ao menos explicou nada, encerrando a ligação e guardando o celular no bolso começando a olhar para cima, junto dos demais, procurando por algo no teto.

O som do metal rangendo continuou. As velhas estruturas sujas e corroídas estalavam como madeira velha de um píer. Poeira e lascas caíam do teto indo até o chão. E as correntes tintilavam uma na outra. Mas não havia vento. As janelas tremiam, e ainda assim nenhum deles sentia uma mísera corrente de ar. Tudo balançava e a fumaça subia as poucos.

Junto de uma canção.

Os quatro se voltaram ao mesmo ponto do galpão, seguindo pelo segundo andar onde estavam podiam ouvir uma baixa e doce voz cantando.

Louis engoliu seco sentindo a arma em seus dedos balançar. Dean precisou pôr a mão em cima dela, acalmando Louis por alguns instantes antes de continuarem a andar devagar e lentamente.

A voz reverberava pelo galpão a cada novo passo, a cada metro progredido na escuridão do úmido local, que tinha correntes chiando, madeira rangendo e janelas batendo sem vento.

Aquilo era uma péssima ideia, Dean pensava. Como ele pode permitir que Castiel viesse com ele? As razões do ex-anjo até podiam fazer sentido, mas no final era ele o caçador experiente, quem saberia lidar melhor com a situação, me não um recém feito humano, não um pirralho de dezoito anos. Aquilo parecia piorar cada vez mais que ele ia adiante e a ideia se repetia na cabeça; “má ideia”, “má ideia”...

O metal das correntes parou. A madeira rangeu uma última vez e as janelas pararam abertas, mas ficaram caladas no silêncio do galpão. Nenhum dos quatro entendeu ao certo porque, olhando à sua volta em procura de alguma resposta.

No meio dos três caçadores, Louis começa a andar devagar.; braços largados na lateral do corpo, e a arma quase cai de suas mãos conforme ele anda e anda, preso em alguma espécie de transe.

– Louis?!

Sam o chama pondo a mão em seu ombro. O garoto para e o caçador tenta o acordar, porém basta Sam notar a direção que o garoto olha para perceber que a razão da súbita parada está bem na frente deles.

– Bem na hora, senhores.

A mandíbula de Sam tenciona junto da de seu irmão. Os dois se entreolham, voltando o pescoço a direção da voz conhecida daquele homem.

Ele está um pouco mais magro do que a última vez que se encontraram, usando um terno velho e surrado, mas ainda assim alinhado em seu corpo. Mas o pior não é rever o antigo inimigo, e sim ver que há outra pessoa com ele.

– Dean...

Castiel o chama numa espécie de aviso e o caçador entende no tom temeroso de Cas o que ele quer dizer; de que eles deveriam ter o cuidado redobrado uma vez que Rick está acompanhado de uma garota, um pouco mais baixa que ele, usando um belo vestido lilás, cabelos loiros caindo sobre seus ombros e um rosto infantil belo e tranquilo que encarava Louis sem nem ao menos piscar.

– O que acha dele Louis? Ela é linda, não é mesmo? E tem uma voz tão doce!

Segurando os ombros da menina, Rick a balança devagar dum lado a outro e ela apenas acompanha essa movimentação. A menina se portava tal como uma boneca sendo manuseada por Rick, e nenhum deles sabe ao certo se devem mesmo tratar a menina como mais um oponente.

– Ora, vamos, não seja assim Louis! Diga o que você acha dela!

– Não pode ser... – balbucia Louis, olhando para aquela figura pequena na frente de Rick sem acreditar no que via; no que seu pai havia feito – Não, o que você fez?

O sorriso de Rick vai de orelha à orelha ao mesmo tempo em que suas palavras desestabilizam os caçadores, os deixando sem ação alguma. Rick estica os lábios e fala risonho, afastando os fios dourados do cabelo da garota.

– Venha Louis, venha. Quero que você conheça sua nova mãe.

Continua

Notas finais
E aí? Curtiram a treta? xD O Rick eh mto chato, cara! Mas tenham calma que em breve ele vai ter uq merece, mas antes vai fazer merda, claro! Enfim, pelo uq estou vendo, essa fic deve ficar em torno de 34 capítulos. UQ?! TIA YUME?? MAS JÀÀÀÀÀ??!! Poxinha pessoas, essa fic tem quase 1 no de produção, 100k de palavras, e trocentos capítulos oO Tá grande p kc7 xD Além do mais, a tia Yume precisa abrir espaço na mente e na vida ocupada dela para poder se dedicar às outras fics, nééé?? Eu já tenho um drama em mente (que é p chorar mesmo) Um meio drama, meio fofo (pq ninguém é de ferro) Mais um ligado direto à série (pq vocês adoram que eu sei ;)) enfim, minha mente é um caos! xD Mas um dia eu terei tudo aqui postado bunitinho, é só v6 loucos continuarem me acompanhando nessas loucuras! o kissus amores, e aé breve! Postarei 'Sem Compromissos' amanhã;)