Não me deixe ir

28 Capítulo 28 - O monstro dentro de nós


Notas iniciais
Ding, ding, ding! Capítulo novo p v6! Sei que todos estavam se perguntando onde tava a atualização! e eu respondo: guardada em algum lugar da minha mente! Gt, é sério, tem tanta coisa na minha cabeça q eu fico ás vezes sem inspiração nenhum p uma fic e com o cérebro á mil p outras @__@ Acontece! Mas finalmente consegui escrever esse! Ufa! Até que enfim! Tem um pouco mais de ação aqui, draminha bááááásico de supernatural, mas tudo se encaixa para a história que aqui se desenrola! Kissus e boa leitura!

Não me deixe ir

28 – O monstro dentro de nós

– Você é mesmo um lunático filho da mãe. – Dean fala com uma expressão de nojo ao homem, sem nunca deixar de apontar a arma, no entanto a linha de tiro estava comprometida com a garota na frente de Rick.

– Pai... O que você fez?! Quem é ela?! – Louis grita confuso, indignado, com raiva, qualquer um desses sentimentos misturados.

– Ela é a substituta perfeita Louis! Ela é pura... E vai conseguir controlar a entidade maravilhosamente bem.

– O que você está fazendo com essa garota? – Sam indaga rangendo os dentes.

– Uh? Oh, eu apenas encontrei esta linda menina desamparada em um abrigo qualquer e cuidei dela. – ele dizia com orgulho, ajeitando as roupas da garotinha – Eu a dei roupas novas e a ensinei a cantar, e a como chamar a entidade; sabe, a Preciosa precisa de uma voz feminina para ser invocada, por isso eu precisava de uma outra “mãe”.

– Isso é nojento seu desequilibrado. – Dean fala, rangendo os dentes.

– Oh, por favor! – Rick revira os olhos, apertando os ombros da menina – Eu só preciso da voz dela. Não há mais nada que uma criança possa me oferecer.

Os três caçadores se entreolham não acreditando muito nas palavras do homem, ainda mais sabendo do histórico dele.

– Enfim, eu só queria que você viesse até mim, Louis. — Rick diz, encarando seu filho – Assim podemos continuar da onde paramos... Você vai ver, será tudo muito bom como antes. A fartura, tudo aquilo que nós quisermos—

– Não! – Louis grita, balançando a cabeça e parecendo acordar do seu transe de antes – Eu não quero-Eu nunca quis isso!

– Pare de dizer besteiras, você vai magoar sua mãe!

– Ela não é minha mãe!

– Louis, só precisa voltar para casa. Só precisamos da voz dela, você vai ver...

– Isso é loucura! Você está tão cego pelo poder que não consegue ver que acabou?!

Rick encara Louis por algum tempo, enquanto continua perto da menina que em nenhum momento se move nem pisca, o que chama a tenção dos caçadores, claro. Louis e Rick continuam sua pequena e esquentada discussão, sobre o passado e problemas de família não resolvidos, enquanto Castiel olha rapidamente para Dean e em seguida à menina.

– Dean, ela não está presente. – diz ele num quase sussurro, apontando para a garota.

– Deu ‘pra sacar. – responde – Deve ser algum tipo de vudo de merda, ou—

– Silêncio!

Rick grita, calando a boca de todos ali. Suas mãos apertam sobre o ombro da menina, e ele devagar abaixa sua boca próximo ao ouvido dela. Sam e Dean seguram mais firmes suas armas. Eles poderiam estourar a cabeça de Rick, se realmente quisessem, mas a presença de Louis ali, vendo tudo tão de perto, de alguma forma os deixava um pouco sem chão. Nenhum filho devia ver o pai morrendo desse jeito, não importa o quão desestruturado e maníaco ele seja.

– Pai, o que vai fazer?...

Louis indaga baixo frente a quietude instalada no ambiente, e antes que os caçadores percebam, Rick havia sussurrado algo próximo ao ouvido da garota. Dean praguejou entre os dentes por ter se deixado levar pela situação e permitir q eu Louis ficasse batendo um papo com o papai, enquanto na verdade ele já devia ter posto uma bala na testa dele.

E agora ele ia mesmo se arrepender.

O mesmo vento de antes que balançava as correntes e janelas semiabertas do galpão começou a erguer-se no lugar todo, querendo ganhar força tal como um pequeno tufão, e a poeira subindo ao ar fez com que eles tossissem, precisando apertar os olhos para protegê-los da areia que batia contra a pele.

A garota havia começado a entoar uma canção.

A voz baixa, ora grave ora lírica chamava baixinho por algo, como numa reza antiga. Mas dessa vez Dean não perdeu tempo, e mesmo com os olhos quase fechados atirou na direção em que Rick estava – qualquer direção, na verdade – ouvindo as balas batendo contra a madeira, contra galões de metal, e nada mais.

– Dean!

É Sam quem grita, ao ver o gancho pendurado no teto voando na direção de seu irmão, porém Dean não consegue desviar á tempo, apenas cobrindo seu rosto com os braços antes que a haste de metal batesse contra a lateral de seu corpo, ferindo-o no ombro e no flanco esquerdo. Ele grunhe ao cair no chão, e tão logo e se vira de costas no assoalho de madeira, apontando a arma à Rick outra vez. Mas o velho senhor não está mais lá.

– ‘Pra onde ele foi?! – grita a pergunta, pois o vento apenas aumentara, vendo agora que tanto Sam quanto Castiel estavam caídos iguais a ele, mas não havia nenhum sinal de Louis.

E antes que qualquer um pudesse responder o som do assoalho quebrando chamou a atenção deles, fazendo os três arregalarem os olhos.

O chão apenas se abriu com a madeira se separando em enormes fissuras, rangendo e quebrando, e os caçadores caíram do segundo andar do galpão, não conseguindo pensar em mais nada.

(...)

Com uma forte dor na cabeça, pior do que aquelas que tinha quando acordava de ressaca, Dean abriu os olhos, sentindo uma estranha umidade ao redor da pálpebra esquerda. Devia ser sangue; ótimo, ele havia acabado de se curar de um corte naquele lugar.

Malditos galpões abandonados e sua madeira podre.

Ao tentar mover seus braços, porém, Dean sentiu-os amarrados á algo, e girando o pescoço para o lado entendeu que estava, sim, amarrado a uma das vigas de sustentação do lugar.

Bufando, ele vira o tronco, encontrando diante dele Sam e Castiel desmaiados, amarrados juntos também numa viga.

Seus ouvidos, ainda que zunissem bastante, conseguiram escutar um leve e abafado som de vozes... Eram pessoas, e pelo tom desesperado e as palavras cheias de “Deus” e “perdão” e “Pai nosso”, o dizia que se tratava de alguma oração. Tão logo entendeu isso, Dean avistou uma pequena sala que estava trancada na direção oposta a qual eles haviam entrado, e pela janela empoeirada dele, Dean enxergou algumas pessoas de pé, três ou quatro, olhando para ele com os olhos cheios de medo. Que merda... Como eles não viram aquelas pessoas ali antes?!

Certo... Eles estavam preocupados demais uns com os outros e em achar Rick de uma vez que nem exploraram o local. Que belos caçadores eles são.

Bufando novamente, Dean começa a se remexer e puxa as mãos querendo afrouxar as cordas, mas parece que elas foram bem presas, apenas machucando seus pulsos ainda mais.

– Isso não vai adiantar agora.

“Rick”... Dean pensa, querendo rir frente a sua infelicidade.

– Eu pesquei durante muitos anos, sabe? Aprendi a fazer diversos tipos de nós.

O senhor comenta enquanto anda pelo galpão com uma caixa em sua mão e a deposita no chão, próximo a uma mesa. Ao lado dela, Dean vê, está Louis, sentado numa cadeira e igualmente desacordado e amarrado.

Lambendo os lábios, Dean deixa um olhar caído e entediado se fixar em sua face ao olhar para Rick.

– Essa história de poupar o mocinho para contar seu plano maligno nunca dá certo, cara.

– Ah não. Não, não, não, esse não é o caso. – responde num meio sorriso – Só quero garantir que a entidade tenha bastante comida, sabe?

– Oh, claro, que conveniente...

Rick nada responde, começando a remover pequenos aparatos de dentro da caixa. Primeiro um pano vermelho, ao qual ele usa para forrar a mesa, depois algumas bacias de cada lado, com frutas de vários tipos, velas, uma faca, taças, e Dean entende que ele está preparando o altar para a entidade.

Tentando mais uma vez mexer seus pulsos, Dean ouve o ranger das cordas, mas ainda sem sucesso algum em se ver livre das amarras. Sua melhor chance é que Sam ou Castiel acordem e ajudam um ao outro a se soltar, mas para isso ele precisa de tempo.

E para ter mais tempo, ele começa a falar.

– Como você saiu daquele hospício? – ele indaga tentando fingir uma pontada de curiosidade em sua voz, o que chama por um instante a atenção de Rick.

– Ah, as coisas que eu sei. – comenta ele – Não é preciso usar muito mais do que sangue em inúmeros feitiços tolos. Bastou escrever algumas besteiras na parede e, boom! Os guardas daquele lugar comiam na minha mão.

Dean franze o cenho, voltando seu olhar a garota loira, que estava sentada e arrumada numa cadeira, parecendo não se importar com nada à sua volta. Dean sente seu estômago revirar.

– Foi isso o que fez com essa garota?

Após apoiar uma taça na mesa, Rick se vira devagar para Dean. Ele troca os olhares entre o caçador e a menina, começando a andar até ela.

– Ela estava sozinha e desemparada. – diz ele – Perdida numa casa para mendigos. Mas não fui eu quem a encontrou, não... Foi a entidade.

Dean franze o cenho se arrependendo por ter perguntado. No entanto ele consegue ver no canto dos olhos um sutil movimento vindo de seu irmão. Ele mexe os ombros devagar, continuando a manter sua atenção em Rick.

– Eu só queria trazê-la de volta... Continuar o que minha queria Tânia fazia antes de vocês estragarem tudo! – ele quase rosna, olhando para Dean, mas suas palavras retornam a visão da garota – Eu chamei por ela, pedi que me ouvisse, mas ela não queria a mim. Ela precisava de uma voz mais doce para ser chamada a esse mundo. Então ela me levou até Lydia.

– Lydia?

Rick sorri, pondo as mãos no ombro da menina.

– Eu a tirei daquele abrigo horrível assim que a ouvi cantando. Disse a ela que daria um lugar melhor para viver, mas ela estava tão, tão assustada... Eu apenas dei um empurrãozinho com um feitiço que a deixa mais... Suscetível às ordens.

– Isso é nojento! – Dean fala entre os dentes com as sobrancelhas envergando numa expressão de fúria. E então Rick ri.

– Você é quem deveria se envergonhar por pensar isso! Eu só quero a voz dela, e a deixei bonita e apresentável para a entidade.

– É, claro, porque acreditar na palavra de um ocultista lunático é sempre uma boa opção.

– Acredite ou não, Dean Winchester, eu sou apenas um homem que quer o melhor para a minha família, já que vocês mataram minha esposa.

Na viga diante de Dean, Sam abre os olhos devagar, começando a estudar o ambiente assim como seu irmão havia feito. E antes que Rick perceba, Dean continua.

– Isso é doentio, cara. Mas existem grupos de apoio, sabia? – diz sarcástico – É o que a maioria das pessoas faz.

– Eu não sou a maioria das pessoas!

Ele urra, pisando apressado até Dean e se agachando na frente dele.

– Eu posso ter tudo o que eu quero! Só preciso do meu filho e da voz daquela menina e então eu poderei criar a imagem perfeita da nossa família! Lydia irá tomar o lugar de Tânia na invocação da entidade, e tudo, tudo será perfeito como antes!

– Só na sua mente lunática.

O tapa na cara de Dean ardeu, porém ele agradeceu que a raiva do senhor estava concentrada nele, pois do outro lado, Sam terminava de despertar, começando a entender o que acontecia à sua volta. Não foi preciso mais do que alguns segundos para que ele começasse a mover suas mãos e, consequentemente, encostar-se aos dedos de Castiel, o acordando.

– Já estou cansado disso. – Rick falou andando para longe de Dean – Está na hora de Lydia traze a entidade... A Preciosa.

Ao se envolver com o trabalho de organizar o altar novamente, Rick deu a costas ao trio de caçadores, e tão logo o fez, Dean começou a gesticular palavras mudas a Sam, indicando a ele qual era o plano. A vantagem de serem não só caçadores há muito tempo, mas também irmãos os dão uma boa dianteira nas preparações quando precisam agir rápido.

E Sam, bom, ele ainda tinha aquela pequena faca presa em seu pulso desde o dia em que enfrentaram a entidade pela primeira vez, e ele agradeceu ao seu bom senso de fazê-lo.

Primeiro, ele começou a cortar as cordas de Castiel, pois uma vez que um deles estivesse livre seria mais fácil arrebentar suas cordas. Porém, assim como antes eles precisavam de tempo agora, mas pela maneira que Rick remexia nos ingredientes diante do altar os minutos pareciam se esvaziar cada vez mais rápido.

Louis, ainda desacordado na cadeira, recebeu um jato de água fria na cara, sugando ar pela boca num arquejo e virando o rosto para os lados, desorientado. Parou com o olhar fixo na menina loira de antes, segurando um copo entre os dedos.

– Já estava na hora de acordar filho.

É Rick quem fala, e Louis vê seu pai apanhando uma pequena tigela marrom sobre a mesa, junto de uma faca, a qual leva para perto dele.

– Pai, não! – Louis pede tentando se afastar dele, mas é em vão.

– Ora, vamos Louis, você sabe que a Preciosa precisa do sangue de todos da família.

– Isso não vai dar certo... Essa menina não é minha mãe.

– Mas tem a voz tão parecida com a de Tânia! – Rick responde em meio a um sorriso – Ela vai gostar, sei que vai.

– Por favor, pai... Você tem de parar com isso. Volte... Volte para a clinica e se cuide...

– Clínica?!

A faca na mão de Rick é enfiada no braço de Louis que solta um alto grito em meio à dor, chamando a atenção de Sam. O caçador tensionado o músculo e tem de lutar contra todos os seus instintos para não revelar à Rick o que eles estavam fazendo – no entanto não era nada fácil ver Louis sangrando sobre aquela faca.

– Eu não preciso daquela clínica, Louis. Eu vou ter tudo o que eu quero!

Meneando negativamente a cabeça, Louis morde o lábio inferior para evitar um novo grito. Seu pai coloca todo o sangue extraído dele na tigela, começando a cortar o seu antebraço e misturar seu próprio entre os ingredientes.

– Lydia, querida, por favor.

Pede ele à menina, que de bom grado estica seu pulso e, sem expressar nenhum tipo de emoção, deixa a pele ser cortada e o sangue coletado para dentro da mesma tigela.

– Pronto, agora podemos começar! – diz Rick animado, dando a volta no altar e pondo a tigela no meio dela.

Os braços e ombros de Louis se mexem na cadeira, mas ele não tem força o bastante para romper as cordas. Aquilo parecia um pesadelo sem fim, onde ele acordava livre da sua família apenas para ser arrastado de volta. Ele já não aguentava mais.

Louis queria chorar, queria socar a própria cara, queria se livrar daquilo tudo e cada vez que as cordas apertavam seus pulsos à impotência de se sentir um inútil apenas o fazia querer afundar ainda mais naquela cadeira. Os olhos mareados prendiam as lágrimas ao virar o rosto para o lado em vergonha, até que eles param sobre Sam.

O caçador tem orbes mel-esverdeados o encarando com determinação, uma espécie de certeza que atravessa o galpão como um tiro e chega a Louis num milésimo de segundo. “vai ficar tudo bem”, ele ouve a voz de Sam dizendo a ele, e por mais louco que pareça Louis acredita naquilo; ele acredita e Sam. Tanto que ele nota que o caçador está movendo devagar os braços atrás dele com uma grande facilidade.

Que belo papel de tolo Louis estava fazendo, vindo juntos dos caçadores proclamando que aquele era um problema seu e, no momento em que devia fazer algo ele se acovarda, deixando que Dean, Castiel e Sam façam todo o trabalho, até mesmo quanto a esperança parece pouca. Louis se sente pequeno, ao mesmo tempo em que se enche com um novo ar de coragem, voltando-se ao seu pai no ato:

– Você está fazendo errado.

Ele fala num tom mais grave, e Rick apenas ergue um olhar duvidoso a ele:

– Louis, não é hora—

– Eu ajudava minha mãe com os preparativos, ou já se esqueceu disso?

Dessa vez Rick ergue totalmente seu tronco, franzindo o cenho e encarando seu filho do outro lado da mesa. Andando com cautela ele rodeia o altar, ficando mais próximo do garoto.

– Do que está falando? – indaga o senhor.

– Se você quer chamar a... Preciosa, precisa fazer muito mais do que ajeitar um altar bonito e pedir que a menina cante.

– Oh, e porque eu devia acreditar nisso?

– Era o que minha mãe fazia.

– Certo. Então me diga por que você está me dizendo isso, se já deixou claro que quer ficar fora do negócio da família?

–... Porque eu não quero morrer.

Aquilo era, em parte, a verdade, porém não tudo. Louis não disse que ele queria igualmente conseguir uma maior distração para que Sam conseguisse por em prática qualquer tipo de plano que eles haviam bolado naquele curto espaço de tempo, ou que ele queria ver seu pai pagando pelos crimes que havia cometido.

– Muito bem. – Rick fala, parecendo se divertir com a conversa – O que ela faria então?

Louis engole seco, pois o plano não saiu como esperado. Ele queria que seu pai o desamarrasse, mas ele mesmo não está surpreso com a desconfiança dele – afinal, Rick tem todos os motivos.

– Primeiro você tem de rearranjar ar velas...

Alegre, Rick segue o passo á passo de seu filho, com Lydia ao seu lado durante cada nova arrumação, lhe entregando acessórios, acomodando melhor cada item sobre a toalha que enfeitava o altar.

Nessa altura da noite, Castiel já havia despertado por completo, ficando com a cabeça baixa e os olhos semicerrados para se esconder de Rick.

– Dean, temos de agir antes que a menina invoque a entidade. – Castiel sussurra após uma breve análise da situação.

– Você acha que não sei disso?! – responde num cochicho.

– Na pior da hipótese nós a mandamos de volta outra vez. – Sam diz.

– Não será tão simples. A entidade e quem a invoca estão conectadas. Se “matarmos” a entidade...

– Mataremos a menina. – conclui Sam.

– Merda... – murmura Dean, vendo que Sam já estava com as mãos livre e começava a empurrar com a ponta do pé a faca na direção de seu irmão.

Sorte a de eles terem Rick focado nas explicações de Louis.

–...depois coloque o sangue ao redor da tigela. – o garoto continuava a falar enquanto Rick seguia suas instruções. Volta e meia ele direcionava o olhar para Sam que apenas movia a cabeça dum lado a outro, pedindo que ele continuasse.

– Muito bem, muito bem. Está tudo ótimo! – Rick disse batendo uma mão na outra. – Lydia minha querida! Venha. Está na hora.

A boca de Louis ficou entreaberta enquanto ele tentava pensar em algo mais o que fazer. Faltava tão pouco para os caçadores se soltarem, eles estavam tão perto de conseguir acabar com aquilo!

– E-espera!

Respirando fundo, já sem paciência, Rick voltou-se ao seu filho:

– O que foi agora?

–... Não vai me soltar?

Rick quase riu.

– E porque eu faria isso depois de tudo o que você fez? Você foi um ingrato Louis. Você foi mal comigo e com sua mãe.

–... Me desculpe.

– Desculpe?!

Rick parou na frente de Louis e sem pausa alguma desferiu dois tapas no rosto do filho, deixando as bochechas dele vermelhas e ardidas.

– Você matou sua mãe Louis... – Rick sussurrou a ele.

– E-eu não...

– Cale a boca! – gritou o senhor – Cale a boca e veja, você agora vai testemunhar o renascimento da Preciosa! Lydia, meu amorzinho, cante por favor.

O pedido de Rick mal acabara de ser feito e no mesmo segundo a menina abriu sua pequena boca, entoando uma canção ritmada, cheia de tons suaves e gentis, porém num timbre potente. Ela cantava com a mesma expressão de nada adornado a face infantil dela, e Rick apenas sorria como nunca, acendendo cada uma das velas no altar, jogando os ingredientes dentro da tigela a cada novo verso da música.

As janelas começaram a tremer outra vez.

A pouca luz das lâmpadas que ainda funcionavam estouravam em faíscas, escurecendo boa parte do galpão. Aquelas pessoas presas na sala começaram a gritar em desespero, dando murros nas paredes ou qualquer outro lugar que pudesse as tirar dali, mas era tudo em vão. Rick havia garantido que ninguém iria conseguir escapar.

As portas pesadas de madeira foram abertas violentamente por um potente vento, tal como os de um furacão.

Havia terra e poeira sendo erguida pelo meio do galpão, começando a se juntar na frente da menina e moldar uma forma humanoide, ou algo próximo disso, e cada vez que uma nota saía da garganta de Lydia a entidade tomava mais forma, começando a berrar vozes difusas e roucas, querendo se fazer presente.

– Sim, sim, está funcionando! Agora só precisamos do sacrifício! Só precisamos dar à Preciosa tudo o que ela quiser!

Rick correu até a sala onde havia deixado as pessoas que sequestrou. Aquela era a deixa perfeita.

– Vão, vão!

Dean sussurrou protegendo o rosto da sujeira que rodopiava pelo ar, procurando por suas armas junto de Castiel enquanto Sam aproximou-se de Louis com a faca em mãos. Lydia nem ao menos se mexeu quando o caçador se aproximou; concentrada em apenas fazer o que havia sito instruída.

– Sam. – Louis disse aliviado quando ele chegou perto do garoto começando a cortar as cordas em seus pulsos.

– Já vai acabar Louis, nós vamos sair daqui, eu prometo eu—

Ele sentiu a tontura de imediato quando algo pesado atingiu sua cabeça. Sam caiu no chão ouvindo o grito de Louis, e logo depois avistou Rick segurando uma tora de madeira.

– Eu sabia, sabia que vocês iam tentar algo... – ele dizia – Mas não tem problema, você será a primeira oferenda. A preciosa vai gostar muito, sei que vai!

– Não!

Louis arrebentou as amarrações puídas ao redor de seus braços e ergueu-se depressa da cadeira, jogando-se contra seu pai e impedindo que ele acertasse Sam novamente.

– Ingrato! Seu ingrato! – Rick berrava, puxando Louis pelos fios de seu cabelo e o arremessando no chão.

Sam se levantava depressa, livrando-se da tontura quando sentiu o braço de seu irmão tocar seu ombro, tendo uma arma sendo posta em suas mãos logo depois.

Os dois apenas voltaram-se à Rick com os revólveres em riste, os dedos prontos no gatilho, e eles já até mesmo sentiam o cheiro da pólvora, porém antes que a bala saísse do cano os caçadores hesitaram ao verem que Louis estava na frente do alvo deles. Os cabelos escuros do garoto sendo puxados para trás enquanto uma lâmina brilhava sobre a jugular. Rick escondia metade do rosto atrás da cabeça de seu filho, impedindo uma visão limpa para um disparo. Internamente, Sam praguejou.

– Quem diria...Você será útil no fim das contas, Louis. – Rick fala com a boca próxima a orelha do garoto.

– Solta ele! – grita Sam.

– Ele é meu filho, eu faço o que quiser com ele.

– Detesto te informar amigo, mas ameaçar seu filho é uma péssima dica de como ser pai. – zomba Dean.

Rindo, Rick tornou a tremeluzir a faca no pescoço de Louis, e Sam cerrou os punhos bufando de raiva:

– A Preciosa já está a caminho. – ele fala, lambendo os lábios depressa – Só é preciso mais alguns minutos, só um pouco mais!

Sam e Dean se entreolharam, observando enquanto a menina continuava a cantar. Tinham de impedi-la, porem se o fizessem Louis estaria morto num piscar de olhos. Era um dilema sem igual. Enfrentar a criatura uma vez que estivesse ali, ou deixar Louis morrer em prol da segurança de outros? Eles mal sabiam ao certo o que pensar.

– Agora, vocês dois vão fica bem quietinhos e fazer o que eu mando! – disse Rick, vendo os irmãos ainda duvidosos – Façam o que eu mando ou isso acaba agora. Entenderam?!

– Ei você!

Castiel o surpreendeu por trás deferindo-lhe um potente soco. A lâmina no pescoço de Louis resvalou na pele dele o fazendo sangrar, porém o corte era pequeno, apenas o arranhando na superfície. Sam avançou na direção de Rick, mas antes de ser capaz de fazer algo, o senhor saiu em disparada pela grande entrada do galpão, derrubando caixotes e prateleiras no meio do caminho. Rindo, gritando com toda a força dos pulmões.

– Preciosa! A preciosa está vindo! Ela está!

– Como a gente para essa coisa?! – berrou Dean tampando o rosto com os antebraços.

Nenhum deles conseguia se aproximar de Lydia. Enquanto Rick montava uma nova gama de problemas, a menina havia trazido a entidade quase que por inteiro ao plano deles, e os ventos, o calor subindo e se espalhando eram tão fortes que qualquer passo que davam parecia uma eternidade de dor.

–...Altar... – Louis falou com a voz rouca enquanto ainda sentado no chão – O altar, destruam ele!

No mesmo instante, Dean começou a destruir qualquer coisa à sua frente, quebrando, espatifando e até mesmo atirando nos itens em cima daquela mesa.

A entidade chiou no mesmo instante, parecendo uma mistura de sussurros de dor e raiva sendo gritados pela voz melancólica dela. Lydia continuava cantando e isso apenas pareceu irritá-la mais, uma vez que não possuía nada que a prendesse a esse mundo. Com o altar desfeito, a criatura desfez-se no ar como areia, e assim como antes explodiu em pedaços de barro, caindo pelo galpão.

Quando Dean conseguiu abrir os olhos novamente deparou-se com a menina desmaiada no chão e Castiel ao lado de Louis.

– Vocês está bem?! – ele perguntou em meio a uma tosse.

– Vou viver... – disse Louis, que tampava o ferimento em seu pescoço.

– Fica com ele, Cas!

Castiel apenas acenou que sim com a cabeça, se agachando ao lado de Louis enquanto Dean ia a atrás de Rick.

Do lado de fora, a noite estava fria e densa, com a escuridão do céu tampando boa parte da visão de Dean, porém sorte sua, Sam já havia tomado a dianteira, e não tardou muito os sons de tiros estourando chegaram aos ouvidos de Dean, que começou a seguir pela mesma direção.

Em poucos metros matagal á dentro, Dean avistou duas figuras correndo. O mais à frente ele deduziu ser Rick, enquanto Sam tentava se embrenhar pelas árvores para se aproximar dele.

Com duas pessoas perseguindo Rick, o senhor ficou completamente exposto e sem uma maneira eficaz de se defender ou tentar esconder sua presença dos rapazes. O fato de ele estar na metade dos seus quarenta anos também não ajudava muito.

Bastou que os três corressem por alguns metros no terreno baldio onde o galpão ficava, e pronto, Sam e Dean engatilharam as armas as apontando contra o senhor num espaço de cinco metros.

– Acabou Rick! – Dean gritou enquanto o senhor parava, virando-se devagar para encarar os caçadores.

– Acabou... Vocês não sabem o que acabou! – ele urra.

– Sabemos que você é um filho da mãe pior do que aquele monstro que você gosta de invocar.

Nisso, Rick começa a rir descontroladamente, deixando ambos Sam e Dean confusos, olhando um para o outro em busca de alguma resposta quando Rick começa a falar.

– Eu?! Um mostro?! Vocês dois são uma grande piada! Dois caçadores que falam primeiro antes de se olhar no espelho.

– Vamos acabar com essa palhaçada de uma vez! – Dean fala dando um passo à frente, pensando realmente em acabar com a regra de não atirar em pessoas só dessa vez. Ele já estava cansado de Rick.

– Monstro você diz! Um monstro! Eu sei que esse seu irmão não é humano! E vocês ainda querem falar de mim!

No ato Dean para, arregalando os olhos e internamente agradecendo o fato de que seu irmão não prestava atenção nele

– Do que está falando? — esbravejou Sam, ao passo em que Dean sentiu o corpo tremendo.

– Eu vi, vi tudo! Eu estava desmaiado, mas acordei só por um minuto. Você e seus olhos brilhantes, curando a oferenda que minha Tânia havia preparado com tanto cuidado!

Os olhos de Sam arregalaram-se. Não estendia nada do que Rick estava falando, nem tinha ideia nenhuma do que poderia ter acontecido com ele. Uma possessão temporária? Cura? Se o que ele dizia sobre Castiel... Se foi mesmo ele quem o curara, então provavelmente havia sido um anjo. Mas para isso acontecer um anjo precisa de permissão. Do que ele estava falando?!

– Eu só quero ter um pouco de riqueza nesse mundo! Criar meu filho bem e saudável. E o preço a se pagar é bem baixo.

– Você mata pessoas cara! – Dean gritou, tentando mudar o assunto, apesar de que o estrago já havia sido feito, e ele podia sentir os olhos de Sam pairados nas suas costas.

– Isso, é verdade. Mas você pode me chamar de qualquer coisa, e eu ainda serei humano. Agora você! – ele aponta para Sam – Você é o desajustado, um monstro!

– Cale a boca! – Dean gritou, mas Sam nada fazia, apenas engolindo seco.

Estava estampado no olhar sério de Sam as suas inúmeras duvidas sobre o que Rick havia dito; aquela expressão que ele reservava a momentos de extrema raiva e confusão. Dean sabia que teria de contar a ele, mais cedo ou mais tarde. Só não esperava que fosse agora.

Mas isso podia ficar para mais tarde. Agora eles tinham trabalho para fazer.

– Que se dane.

Dean falou disparando contra o peito de Rick e o senhor caiu no chão. Sam deixou os ombros tensionados. Seus olhos se arregalaram de imediato, pois, apesar de ter uma grande parte sua dizendo que aquela cena havia lhe agradado imensamente, ele ainda não podia acreditar no que seu irmão havia feito. Rick era uma pessoa... Ainda era uma pessoa.

– Dean, porque fez isso?!

Ele pergunta andando até seu irmão e ficando frente a frente com ele. Dean não o encarava.

– Nós íamos o colocar de volta na clínica Dean!

– ‘Pra ele fugir de novo?! – retruca – Chamar essa porcaria de entidade de novo?!

– É complicado, Dean, eu sei! Mas não é assim que trabalhamos!

– Me poupa, Sam. Ele já fez coisas demais para sequer ser considerado humano!

Dean se arrepende das suas palavras no momento em que elas deixam sua boca, com Sam começando o seu show de perguntas sem respostas, bombardeando Dean com as dúvidas que tinha em sua mente, já borbulhando há muito desde que inúmeras situações estranhas começaram a acontecer com ele.

– Não era mais humano Dean?! – repete Sam – Não é diferente do que ele disse sobre mim!

– Para Sam, o cara é louco.

– Não, Dean! Isso faz todo o sentido! – replica, começando a levantar sua voz conforme a linha de raciocínio de forma – Você disse que um anjo curou o Cas; e Rick disse que eu sou um monstro, que meus olhos brilhavam! Essa é a única explicação é—

– Zeke!

É a última palavra que Sam escuta seu irmão dizendo, pois no mesmo instante seu corpo é tomado por outra força e a consciência do caçador é posta para dormir em algum lugar perdido de sua mente, em algum mundo de sonhos.

A postura do corpo robusto de Sam muda por inteiro, o deixando mais tenso e se assemelhando a um soldado. Ezekiel encara Dean e a expressão desamparada dele, olhando ao seu redor e bufando.

– Eu disse que isso ia acontecer, Dean. – é tudo o que ele diz.

– Apague a memória do Sam.

O anjo franziu o cenho com a exigência direta feita a ele.

– O que disse?

– Apague o que ele ouviu do Rick e o deixe desmaiado. Eu cuido do resto, digo que ele foi pego, digo que foi descuidado, sei lá.

– Esse jogo está ficando perigoso demais.

– Olha só cara; as caçadas, tudo isso, é o que eu e Sam fazemos. E você é a droga de um anjo! Devia estar feliz que nos livramos de pedaços de merda feito esse cara, só—Faça!

Ezekiel encarou o homem deitado no chão e suspirou. Estes assuntos humanos fossem de alguma importância a ele.

– Isto se tornou muito exaustivo.

As palavras de Ezekiel soam como um tédio disfarçado em ameaça – e Dean não sabe lidar muito bem com ameaças.

Pisando fundo no chão ele chega na frente do anjo em menos de dois passo, segurando a gola do casaco de Sam – no momento Ezekiel – e ergue o tecido no ar, enroscando as fibras sobre seus dedos e deixando a face o mais próximo possível da dele, falando por entre os dentes.

– Escute aqui seu babaca. Se você sair do Sam agora; se você der ‘pra trás e tudo isso for por água a baixo, saiba que eu vou caçar você. Eu vou te procurar e eu vou te encontrar, porque é isso o que eu faço; esse é o meu trabalho, e então quando eu te vir irei fazer você pagar por cada minuto da vida do meu irmão. Você entendeu de uma vez?!

Ezekiel engole seco vendo a fúria estampada nos olhos de Dean – além da determinação de ferro pulsando nas íris verdes do caçador.

– Muito bem.

Ele responde simplesmente, soltando-se do aperto de Dean e andando na direção do galpão sem dizer mais nenhuma outra palavra.

Ao chegar próximo à entrada do, Ezekiel virou-se a Dean acenando levemente com a cabeça. Ele havia fingido esse tipo de cenário antes quando os irmãos enfrentaram o demônio Abaddon numa cidade, ele podia muito bem fazer de novo se isso significasse continuar incógnito.

Ezekiel fechou os olhos emprestados de Sam e então caiu no chão num baque surdo, ficando imóvel e dando lugar à consciência do caçador, que acordaria logo no controle de suas funções.

Dean esfregou a mão em seu rosto respirando fundo, vendo o corpo de Rick inerte no solo molhado da floresta. Os problemas que esse filho da mãe trouxe... Sam estava perto, tão perto de descobrir, de saber o que acontecia pelas suas costas, e Dean só—Ele só queria ir para casa e se esquecer disso tudo. Esquecer-se desse dia que o deixaria fodido com dores por uma semana inteira, esquecer-se das preocupações, esquecer que ele era um caçador e apenas dormir por horas à fio; mas principalmente, Dean queria esquecer as mentiras que estocava numa represa dentro de si – que estava prestes à rachar.


Continua

Notas finais
Todo mundo quer saber, então a tia Yume vai falar: próximo capítulo rola séquiço de Souis! uauahauhauahuahauha Espero que estejam curtindo a fic! Sei que todos queriam eles se pegando loucamente por todos os capítulos, maaas eh preciso de enredo! E agora o Rick jogou merda no ventilador, o Dean tá fazendo cagada (como sempre) e o Sam, tadinho, continua sem saber de nada! Tá igual a corno q eh o último a saber! xD Anyway people, vou deixar v6 por aqui! Em breve vou postar as outras fics tb, fiquem de olho ;) kissus e n esqueçam de comentar, pq os comentários deixam a tia Yume feliz o/ Ah! A tia Yume tem um pedido p fazer à vocês =3 Pode ser meio bobo, mas eu queria pedir mesmo assim! A tia Yume sabe q tem artistas talentosos aqui no site, e ela queria pedir se, caso algum deles leia essa fic, q mande desenhos dela! Pq? Pq eu to pedindo e eu queria mto ver como v6 interpretam as cenas q leem! o/ Tb pq estou participando d um desafio num site americano, e a minha fic de lá vai ganhar uma arte exclusiva (sim eu vou postar aqui, mas só quando o concurso acabar =p). Acho q fiquei c vontade de ver uma arte p "Não me dei ir" tb! É isso pessoas, fica o pedido dessa autora louca q v6 acompanham! sintam-se à vontade para fazer ou não! o/ mas perguntar n machuca né? kissus again meus amores lindos!