Não me deixe ir

26 Capítulo 26 - minha coisa favorita de toda existência


Notas iniciais
Hj tem combo gt! Para comemorar minhas férias, irei postar 1 capítulo novo de cada fanfic minha! Depois devo levar um tempo p aparecer pq pretendo viajar bastante e me esbaldar nessas férias xD hahahaha! Mas eu espero de coração q v6 consigam aguentar minha falta, mesmo q eu deixe vocês com saudades!

Não me deixe ir

26 – Minha coisa favorita de toda existência

Dean andou pelo Bunker à passos apressados, não parando para falar com Sam nem ninguém, apenas pegando o impala sem olhar para trás, indo ao bar mais próximo como sempre o fazia quando repleto de dúvidas e problemas mal resolvidos. Queria ficar sozinho com um belo copo de bebida e assim o fez. Já é o seu terceiro whisky naquela meia hora apenas e ele não parece nem um pouco perto de parar.

– Quem é ela e porque você a deixou? — a bartender loira pergunta num tom amigável enquanto limpa os copos atrás do balcão.

Dean ergue o olhar do copo para encará-la soltando um pequeno riso.

– Como sabe que eu a larguei? — ele indaga não corrigindo o gênero.

– Conheço todos os olhares dos que vem aqui se lamentar. Ócio da profissão.

O caçador não consegue conter o meio riso, terminando a terceira dose e pedindo mais uma enquanto fala.

– Ela... Fica melhor sem mim.

– Oh, então é um caso de cavalheirismo da sua parte, uh? – a loira fala derramando a bebida no copo dele.

– Pode-se dizer que sim.

– Certo. E pela sua cara ela não parece ter ficado muito feliz com a decisão.

Dean nada diz apenas dando de ombros, entornando o whisky e dando um tapa no copo para pedir mais um.

– Não importa, já acabou. – ele fala com a mulher enchendo seu copo com a nova dose.

– Acabou mesmo?

Novamente silêncio. Dean não quer mais tocar no assunto, ao mesmo tempo em que não sabe ao certo o que está fazendo, nem o por que. Ele só quer sair do caminho de Castiel uma vez na sua vida e deixar o moreno em paz para seguir seu caminho – afinal, qualquer pessoa fica melhor sem ele.

– Posso te contar um segredo? – a loira fala, apoiando os cotovelos no balcão — Em toda minha experiência de anos nesse bar eu sempre vejo os caras com corações partidos dizendo esse seu mesmo discurso fajuto, e sabe o que eu aprendi?

– O que? — Dean ri.

– Que esses marmanjos que enchem a cara para esquecer que estão deprimidos, querendo convencer a si mesmo que fizeram o melhor ao se afastar, são um bando de idiotas.

– Wow, você ganha gorjetas assim? – implica Dean.

– Fique quieto e escute. O fato de você se preocupar mais com ela do que com você mesmo é um sinal claro. Preferir ficar longe para deixá-la ser feliz é uma atitude linda, mostra que você realmente se importa, mas é idiotice sofrer por causa disso. Vocês são adultos, resolvam as coisas como adultos!

– Sua filosofia é interessante.

– Minha filosofia é ótima. – a loira retorna ao seu trabalho de limpar os copos — Sabe qual é o meu conselho?

– Hm, qual?

– Tome um pouco de vergonha na cara e peça desculpas a ela. Se essa garota for idiota o bastante, vai te aceitar de volta.

– Ótimo; isso parece fácil. – Dean revira os olhos terminando o whisky e pedindo mais.

– Eu ainda não acabei. – a loira fala pondo outra dose — E então, quando ela te aceitar de volta, você faz de tudo para não magoá-la, para fazê-la feliz usando toda essa pose que você tem de cavalheiro altruísta. Acredite em mim, se você está aqui sofrendo porque a deixou ela também está deprimida.

– E se eu ficar com... Ela, mas tiver que enfrentar muitos problemas?

– Ela vale a pena?

Se o cara que salvou a vida de Dean do inferno, de anjos, de demônios, de outras criaturas e que literalmente se sacrificou por ele vale a pena? Sim, é claro que sim! Dean grita em sua mente. Cas vale mais do que a pena... Ele vale tudo.

Num meio sorriso a bartander dá um leve tapa no ombro de Dean antes de se virar e ir à cozinha.

– Se ela vale a pena, esses problemas vão ser insignificantes.

Dean encara a loira enquanto ela anda para longe dele, deixando a última dose em seu copo. O caçador nada responde, nem se move; com o olhar perdido num canto qualquer.

Por fim ele desce a bebida ardente pela garganta, jogando algumas notas sobre o balcão e andando com força para a saída, torcendo para que a estrada não tenha muita neve e ele possa dirigir sem obstruções.

(...)

Assim que chega ao Bunker a primeira coisa que Dean faz é correr ao seu quarto. Abrindo a porta ele espera encontrar Cas lá, com algum livro na mão ou ajeitando algo na sua gaveta.

Num só segundo ele gira a maçaneta e entra, encontrando o cômodo vazio. Franzindo o cenho ele anda pelo quarto parando ao lado da cama. Rondando os olhos ao seu redor ele nota uma simples coisa, que em qualquer outro momento teria passado despercebido, mas que agora o faz engolir seco.

Na escrivaninha perto da poltrona, Cas havia deixado alguns dos livros que ele traduzia. Às vezes antes de dormir ele gostava de pegar um deles e reler os últimos parágrafos. Dean sempre reclamava da claridade do abajur, bufando e se debatendo na cama até o moreno desistir da leitura e se deitar com ele.

Foi acontecendo uma maneira tão natural, o jeito que Cas foi se integrando ao mundo de Dean. Aconteceu primeiro naquele dia em que o caçador disse a Castiel que ele não precisava sair de seu quarto. Depois, aos poucos, o ex-anjo foi trazendo pequenas coisas suas do seu quarto. Uma blusa ou uma calça para poder dormir, o caderno em que ele fazia suas anotações... Eram objetos bobos, mas que começaram a fazer parte do espaço de Dean.

Contudo agora ele via que a escrivaninha estava vazia.

Dean engole seco andando até a mesa passando a mão por cima dela enquanto nota que não há nada mais de Castiel ali.

Praguejando, ele sai depressa do quarto indo até o antigo cômodo do moreno. Ele bate na porta uma vez apenas por precaução e sem esperar uma resposta entra. Ele não está ali, mas o restante de suas coisas sim, jogadas em cima da cama de qualquer forma, o que significa que Cas as pôs ali não tem muito tempo.

Como o ex-anjo era dramático! Tirando suas coisas do quarto deles por causa de uma discussão e... E não, Dean não podia jogar a culpa para cima dele. Isso aconteceu por conta do que ele disse, do que ele assumiu ser o certo. Cas apenas agiu como de costume, preferindo sair do caminho de Dean e o deixando livre para fazer o que quisesse. Era irritante e terna a maneira com a qual o moreno importava-se tanto com Dean — mais até do que com ele mesmo.

(...)

Em sua perseguição às cegas pelo Bunker Dean nem olhava à sua frente, andando de cômodo em como e se frustrando cada vez que não encontrava Castiel.

– Onde está Cas? – Dean pergunta vendo Sam e Louis sentados no sofá com livros em mãos, bem próximos um do outro, diga-se de passagem.

– Uh, não sei Dean. Da última vez que o vimos ele estava com você...

– Ótimo.

– Ah, uh... – Louis murmura.

– Você viu o Cas? – indaga Dean, inquieto.

– Acho que ele foi até a parte de trás do Bunker.

– Certo.

– Ei, Dean!

O caçador bufa ao se virar para o garoto, que encolhe os ombros, segurando ainda mais o livro em suas mãos.

– E-eu só queria dizer que sinto muito pela confusão, eu-

– Esquece moleque. Não estou me importando com isso agora.

Engolindo seco, Louis meneia a cabeça.

–... Okay? – ele diz tentando apaziguar de vez a situação com Dean.

– Okay. — ao terminar o rápido diálogo Dean dispara na direção apontada pelo garoto.

(...)

Atrás do Bunker existe um campo com sacos de areia onde se pode treinar com um revolver, além de outras tranqueiras que são grandes demais para ficar na parte de dentro, como peças de carro que Dean começou a trazer para consertar no seu tempo livre.

Além disso, há uma bela visão da cidade, pois o Bunker se situa numa região acima dela.

Dean abre a porta dos fundos que range levemente ao ser empurrada, e bem ali no meio de algumas das peças de carro, Cas está sentado, os braços relaxados na frente do corpo enquanto ele recosta no capo de um deles.

Sem saber ao certo a razão sua mente o faz se lembrar daquele dia no ferro velho, a primeira vez que Cas admitiu... Bom, que ele disse o que disse a Dean!

Bufando, o caçador tenta achar toda a sua paciência, até porque ele não está na melhor das posições com o moreno, aproximando-se devagar dele.

De inicio, ele pensa que Castiel não o notou, mas quando Dean fala ele não se assusta nem se move, deixando o olhar fixo na cidade.

– Ei Cas. O que está fazendo? – começa Dean com uma frase simples e sem muitos detalhes, o que ele pensa ser a aproximação mais cautelosa no momento.

Entreabrindo os lábios, Cas deixa um pouco de ar escapar deles, não virando o rosto para encarar Dean.

– Estou, como os humanos diriam, “contemplando meus pensamentos”.

Dean nada diz, balançando a cabeça apenas e enfiando as mãos dentro dos bolsos da calça. Afinal, ele sabe muito bem o que Cas deve estar “contemplando”: algo relacionado a Dean, ao que ele fizera e tudo o mais. E na experiência do caçador, isso nunca é coisa boa. Ainda assim ele precisa tentar um pouco mais. Tossindo uma vez para limpar a garganta, Dean dá um passo á frente parando ao lado do ex-anjo.

– Aqui fora está bem frio, Cas.

– Estou ciente disso.

Seco, direto e sem rodopios. Dean consegue até mesmo sentir a frieza nas palavras cruas dele, e elas parecem tão diferentes daquelas que Cas usou antes, preocupado com sua partida à cidade... Ele sente falta disso, o que apenas piora a culpa que ele está carregando desde que saiu do bar.

– Cas, eu... – ele começa, apertando os lábios um no outro antes de prosseguir – Só entra, se não depois você pode pegar um resfriado.

– Eu estou bem, Dean.

Coçando a nuca num misto de impaciência e preocupação, o loiro tenta uma última vez andando até a porta do Bunker e a abrindo, ficando parado na frente dela.

– Vem Cas. É inverno, e você não tem mais o seu ‘toque’ angelical para ficar do lado de fora quando tem neve e a temperatura é de quase menos dois graus.

Castiel balança um pouco a cabeça, parecendo pensar sobre o assunto, quando finalmente se desencosta do capo do carro e começa a andar na direção do Bunker.

– Certo.

Ele diz passando direto pelo caçador, ainda sem o encarar, apenas... Indo. Dean precisa respirar fundo outra vez.

Fechando depressa a porta, Dean segue Cas em silêncio andando pela garagem e os inúmeros carros do Bunker – inclusive o seu — repensando quais palavras ele devia usar, o que dizer ou fazer. Ele está tão enferrujado com esse tipo de situação... Mais uma vez ele só consegue pensar em Lisa, no quão difícil foi a briga que tiveram, e o quanto ele queria simplesmente ter explicado as coisas ao invés de guarda-las dentro de si. Quem sabe assim ele ainda estaria junto dela? Ou quem sabe assim as coisas teriam terminado de uma maneira diferente, ao invés dela acabar quase morrendo por sua causa...

De qualquer forma, Lisa é passado. Só há Castiel diante de Dean, e se ele quiser que as coisas continuem funcionando – da maneira estranha que funcionam para ele, ao menos – Dean tem de engolir o orgulho e tomar uma atitude.

E pensando assim ele segura o cotovelo de Cas e o gira para encará-lo. O que Dean enxerga nos olhos azuis, além de um pequeno brilho de raiva, é uma profunda amargura, o que apenas torna o sermão que ouviu no bar uma verdade ainda mais dura de encarar.

Engolindo seco, ele solta Castiel, que fica no mesmo lugar apenas o fitando, até que Dean entreabre os lábios e a sua cabeça parece girar trezentos e sessenta graus. Em meio a sua indecisão tudo o que ele consegue dizer é uma nova frase cheia de incoerências.

– Cara, isso é estúpido demais!

Franzindo o cenho, Castiel o encara incrédulo. Após toda essa cena é isso o que Dean tem a dizer a ele? Confuso, o moreno deixa a voz mais rouca e pesada, mostrando toa a sua frustação:

– Como assim?

– Eu só... Cas... – Dean coça sua nuca e esfrega a mão no rosto, irritado e sem jeito como sempre – Merda...

Ele xinga, porque a única maneira que ele pensa em explicar algo a Castiel é agindo.

– Dean? O que-

– Eu sou um idiota. – Dean fala duma vez, interrompendo o ex-anjo.

As palavras chegam a Castiel e ele nada faz a não ser soltar o longo suspiro preso na garganta, balançando devagar a cabeça e baixando os olhos ao chão. Dean fica parado, prendendo o ar no peito, tamanha é a sua angústia em não ter uma resposta, de ter de esperar silenciosamente que Cas o entenda – uma vez mais – pois o caçador não tem certeza de que pode aguentar outra rejeição.

Suspirando, Castiel gira o rosto à Dean, o fitando numa expressão cansada, mas ao mesmo tempo compreensiva.

– Eu diria que falta em você certo juízo nas suas ações.

Dean enverga os lábios para baixo, concordando, e ri fracamente.

– Traduzindo: idiota.

Castiel balança a cabeça em concordância. Dean se recosta numa parede cruzando os braços e olhando o chão tentando esquecer que há três segundos estava com tantas incertezas.

– Você tirou suas coisas do nosso quarto. – fala o caçador analisando uma “interessante” mancha de óleo no piso.

– Você foi bem especifico ao dizer que era seu quarto.

Ouch. Certo, Dean merecia essa porrada.

– Isso foi só... Eu sendo estourado.

Dando de ombros, Castiel igualmente se recosta no capo de um carro na frente de Dean também cruzando os braços.

– Achei que você ia querer um tempo sozinho.

– Cas... – Dean ergue o queixo o encarando — Isso não quer dizer que você tem de tirar suas coisas... Que precisa...

– Eu não sei o que devo achar Dean. – rebate Castiel – Eu não sou humano há muito tempo.

Certo... Sim, Cas estava certo. Havia tanto que ele não compreendia, não sabia como as mecânicas das interações humanas funcionavam, ainda mais tendo uma pessoa tão complexa como Dean ao seu lado.

Engolindo o orgulho, a falta de tato, a incerteza ou qualquer outra coisa que pudesse o refrear nesse momento, Dean ergue seu olhar a Castiel esperando que o moreno faça o mesmo. Ao ter o brilho azul repousando toda a atenção nele, Dean respira fundo falando num tom cabisbaixo, apertando as mãos ao redor de si.

– Eu não me arrependo de nada, Cas.

O moreno nada diz. Sua boca não se move, ele apenas analisa Dean e absorve suas palavras, soltando uma longa baforada de ar.

– Acredito em você, Dean... Ainda assim não compreendo a razão do ocorrido. Isso tem a ver com Louis ter me beijado?

– Que?! Claro que não você acha que eu tenho o que? Seis anos?

Castiel o encara erguendo as sobrancelhas incrédulas numa expressão irônica e, Okay, depois da explosão do caçador ele entende que não tem muito crédito para dizer algo desse tipo.

– Não é... Isso, Cas. Eu só... Cacete, porque você e Sam insistem em querer me ouvir falando?! – ele retruca bufando.

– Eu poderia ler sua mente se isso te deixasse mais tranquilo, Dean, mas infelizmente não tenho mais condições de fazê-lo. – Castiel concluiu num tom sarcástico.

Dean engole seco frente às palavras do ex-anjo e aceitando mais este fora. Sério, Castiel havia conseguido destroçar as defesas de Dean em menos de cinco minutos, duas vezes. Ou ele estava ficando enferrujado ou Cas começara a se integrar demais no mundo humano. De qualquer forma, Dean não pode evitar o desconforto crescendo nele, coçando a nuca sem parar ao virar de costas ao moreno, abrindo o capo do carro e fingindo que via algo no seu precioso impala.

– Normalmente eu não falo dessas coisas com outro cara. – com essa frase, Castiel suspira cansado demais daquela mesma desculpa.

– Dean você pode parar de ressaltar nossos gêneros a todo instante e, por favor, me dizer diretamente o que te incomoda?!

Dean o encara calado por um tempo, absorvendo cada palavra dele com um olhar calculista e sério, até que seus ombros relaxam um pouco e ele se entrega a verdade, sem refrear os pensamentos e os deixando fluir por sua boca duma vez — afinal ele devia isso a alguém tão paciente quanto Cas, que aguentava suas merdas quase sem reclamar.

– Cas é só... — ele bufa coçando a testa — Isso tudo não é só novidade pra mim. Eu já vivi assim antes... Tive uma casa e mesmo um emprego durante um ano inteiro. Mas no final acabou por minha causa, porque eu não soube lidar com aquilo e me esquecer das caçadas. Eu só... Droga Cas. Você é humano agora e pode ter uma vida normal. Mas comigo isso não será possível.

– Quem disse que uma vida normal é uma opção viável?

– Como assim? – agora é Dean quem está confuso.

– Dean eu sou um ex-anjo. – afirma Castiel, aproximando-se um passo de Dean e relaxando os braços ao lado do corpo — Há muitos lá fora me perseguindo pelo o que eu fiz e isso jamais será perdoado. Como você mesmo me ensinou é uma responsabilidade minha. Assim como é uma escolha minha a de ficar ao seu lado.

– Cas...

– Eu sei das consequências. – ele o interrompe, voltando a falar — Assim como sei que sem sua ajuda ou a de Sam eu não sobreviveria muito tempo. Você é uma pessoa que faria de tudo para proteger aqueles com quem se importa Dean. E isso é mais do que eu poderia pedir a você depois de tudo o que fiz.

– Você foi enganado Cas.

– Ainda não muda minhas ações. E nem minhas escolhas.

Dean bufa, concordando devagar, afinal, é o mesmo discurso que Dean usa para justificar suas próprias ações. Responsabilidades; parece ser a única coisa que ele tem na vida...

– Só... Sei lá, Cas. Você pode fazer melhor do que eu, só isso.

Franzindo o cenho, o moreno avança no espaço pessoal do caçador, pondo uma mão sobre o antebraço de Dean, cingindo com força, colocando toda a atenção dele sobre o moreno.

– Isso quem decide sou eu, Dean.

– Mas-

– Não, cale a boca. – Dean o faz arregalando um pouco os olhos frente à autoridade do moreno — Eu estou literalmente pondo um basta nestas conversas complicadas que vocês humanos gostam tanto de se embrenhar! É simples Dean. Você gosta de alguém, você é atraído por ela? Então é isso, é tudo o que importa.

Quando o pequeno discurso de Castiel termina, Dean tinha de dar certo respeito a ele. Cas estava certo de uma maneira – a maneira básica de ver a relação dos dois, sem restrições e racional, fez Dean querer compartilhar esse sentimento, mas ainda viu-se hesitante.

Nisso, Castiel o puxa violentamente a um abraço, prendendo-se no meio do peito do caçador e não o deixando se afastar.

– Ficar com você é a minha cosia favorita de toda a existência. – Castiel murmura com a boca grudada ao pescoço de Dean; as palavras reverberando até a orelha do caçador.

Dean respira fundo dando tempo para se assentar a todas as oscilações que ocorreram nos últimos cinco minutos. Seus braços, um pouco incertos, envolvem Castiel devagar. Ele tosse um pouco, ficando constrangido e se escondendo entre o cabelo negro do menor ao responder:

– A minha também.

Ele diz rápido e baixo, fazendo Castiel estourar num riso em seu pescoço.

– Não ria de mim. – mas Dean sorri de qualquer forma.

– Eu estou rindo com você. – retruca Castiel beijando a garganta dele.

– Vai se foder. – Dean fala num meio sorriso.

E assim os dois estão rindo com as vozes abafadas pelo abraço. Os ombros de Dean relaxam e suas mãos começam a massagear de leve as costas do moreno que ronrona em meio ao sutil carinho. Logo, a boca de Dean traça beijos abertos no pescoço de Cas, subindo ao seu maxilar até achar a boca dele.

Castiel derrete no beijo sem receio, puxando Dean pela cintura e colando seus corpos ainda mais. A base de sua coluna bate contra a porta do impala, e Dean instintivamente põe uma perna no meio das do ex-anjo o ouvindo largar um rápido gemido.

Com um novo riso, Dean puxa Castiel pela gola de sua camisa e com uma mão cega abre a porta do carro, empurrando o moreno no banco de trás e se jogando em cima dele no mesmo instante.

O ar nos pulmões de Cas é roubado pelo novo beijo sôfrego que Dean lhe dá, mexendo a língua dentro da boca do moreno e sugando a carne do ex-anjo. Os dedos do caçador já percorrem o caminho conhecido por debaixo da blusa de Cas, alisando sua barriga e arranhando a pele até chegar na barra de sua calça. No mesmo instante, Castiel segura fortemente os ombros de Dean, arfando ao se soltar do ósculo.

– Dean, da última vez que estivemos no seu carro Sam apareceu aqui.

– Ah, Cas, não se preocupa ele não vai encher nosso saco tão cedo.

– Refere-se ao fato de Sam ter sua atenção voltada à Louis?

– Uh, Cas, eu realmente não quero falar do meu irmão enquanto estamos fazendo isso.

– Oh, certo… Mesmo assim; acha prudente que nós-

– Cas, algo que você deve aprender sobre humanos, é que a melhor coisa depois de uma briga é o sexo de reconciliação.

Castiel franze o cenho ponderando sobre a nova informação.

– Ao que me parece qualquer razão é plausível aos humanos para fazer sexo.

Dean enverga os lábios para baixo balançando a cabeça em concordância.

– Basicamente sim.

Sorrindo, ele abaixa seu corpo novamente contra o de Cas, o beijando, mordendo o lábio inferior dele e trazendo a carne até sua boca, sugando e provando do gosto do ex-anjo conforme um gostoso calor escala sua espinha.

Dean mordisca seu pescoço, grunhido um pouco conforme seu lado possessivo começa a aparecer. Não importa o quanto ele queria dizer a Castiel para que fique longe dele, porque todos na sua vida eventualmente acabam mortos de algum jeito; ainda assim ele não consegue controlar seu egoísmo em simplesmente querer Cas.

As roupas estão divididas entre o chão do carro e seus corpos. Dean ainda usa a calça jeans abaixada até o inicio das coxas, enquanto Castiel fica apenas com a camisa azul clara de mangas compridas, erguida até a altura de seu peito, para que Dean possa sugar devagar cada mamilo, beijando seu abdômen em seguida, o mordiscando.

Cas segura nos ombros de Dean, puxando de leve o cabelo na nuca do loiro, gemendo baixo rente ao ouvido dele enquanto sua cintura se mexe involuntária sobre os dedos de Dean lambuzados em lubrificante – que ele deixa sempre no porta luvas do carro agora.

– Dean... Continue.

Castiel pede ao sentir-se completamente relaxado, e Dean nada fala, apenas entreabre os lábios quando encosta a ponta da glande na abertura do ex-anjo e o invade.

Não é preciso de muito mais para que eles se entreguem aos gemidos e movimentos sincronizados dos corpos que já se alinham naturalmente um ao outro, como se o fato de não estarem conectados o tempo todo fosse a coisa mais absurda do mundo; e apenas nesses momentos se sentissem inteiros outra vez.

Dean fica enterrado em Castiel até a base, estocando devagar quase sem sair de dentro dele, e dessa forma ele sussurra o nome do moreno diversas vezes, agarrando o membro molhado de Cas e o bombeando para cima e para baixo, quando o seu baixo ventre queima e Dean não consegue impedir o ápice o atingindo. Ele simplesmente tem de tomar Castiel outra vez, o marcar e ter a certeza de que o ex-anjo ainda é seu.

Num grunhido alto em meio ao som do ranger do metal do carro, Castiel se derrama na mão do caçador e seu abdômen, respirando entrecortando quando o clímax chega ao fim e os dois apenas aproveitam a presença um do outro, abraçados no banco de trás do impala e cheios com a preguiça costumeira que vêm após da eufórica ação.

O caçador nunca vai dizer que é nesses momentos que ele sente-se mais apegado a Castiel, pois é o mesmo instante em que suas barreiras se desfazem e ele libera o pequeno carinho guardado dentro dele, afagando devagar as melenas escuras de Cas conforme sua mente vagueia por inúmeros pensamentos.

– Cas… — ele o chama fracamente antes que ambos comessem a dormir — Ficar comigo… Você sabe que pode acabar te machucando.

Silêncio recai sobre o cômodo. O ex-anjo também encara o teto do carro, com uma mão repousada sobre a barriga de Dean e a outra atrás de sua cabeça.

– Você quer me machucar? – Castiel sussurra após longos segundos de dúvida.

– Isto é a última coisa que eu quero... – ele suspira; incapaz de impedir o outro braço que envolve Castiel e o traz ainda mais pra perto de si.

Castiel sorri plantando um beijo em seu peito:

– Então eu tenho fé de que você não irá me machucar, Dean.

Dean olhou para o teto do carro, deixando a quietude entre eles surgir outra vez.

– Você realmente que fazer isso comigo? – murmura ele – Tem uma boa chance que eu vá foder com alguma coisa, ou te chatear de novo, ou-

Ele foi interrompido por um beijo. Dean estava pronto para se retrair, mas ao invés disso, derreteu em meio a carícia. Se Cas vai o beijar assim o tempo todo, o amar desse jeito... Ele definitivamente tem uma razão para não estragar o que os dois têm.

Seus braços envolvem apertado o outro, o puxando para perto e conforme se beijavam o peito de Dean acelerava, ao ponto de que ele sabia que tudo o que dissera; tudo o que ele pensava era a mais simples e pura verdade.

(...)

O início do novo ano significava o fim das férias no Bunker. Ótimo, Dean pensava, bufando mais do que ele costumava fazer. A única coisa boa disso tudo foi que convenceu Kevin finalmente a regressar ao Bunker.

Charlie veio junto dele, e nesse meio tempo, Louis ainda estava por lá, e tantas outras coisas aconteceram.

No mesmo dia em que tiveram o prazer da visita da amiga ruiva, Louis, Kevin e Castiel fizeram uma pequena visita à cidade em busca de roupas ao garoto – que não tinha muitas coisas com ele, na pressa de fugir de seu pai. Cas quis ir junto para garantir a segurança tanto de Louis quanto do profeta favorito deles.

De qualquer forma, foi junto de Charlie que Sam e Dean acabaram entrando num novo problema passageiro dentro do Bunker – aquele lugar tinha tantos segredos que parecia só atrair mais e mais tumultos.

Eles acharam a maldita chave que leva a cidade de Oz.

É, isso mesmo, direto daquele livro infantil tolo, a cidade de Oz que, na verdade, existe, e já foi visitada pelos Homens das Letras. Quem diria que aquele bando de velhos tinha acesso a tantas coisas?

Os três conheceram Dorothy, a verdadeira mulher da história, não a garotinha atrás do seu cachorro. Charlie e ela formaram um elo bem rápido, e enquanto eles tentavam descobrir uma maneira de impedir a tal bruxa do oeste (isso estava ficando cada vez mais ridículo na cabeça de Dean) Ezekiel também entrou em cena, quando a bruxa feriu Charlie mortalmente.

Dean detestou ter de recorrer ao auxílio do anjo mais uma vez, até porque tudo o que ele mais queria era se livrar dele, no entanto jamais poderia permitir a morte de Charlie. Seria inadmissível perder a amiga.

A história de Dorothy teve um final feliz, por assim dizer. Ela conseguiu junto de Charlie descobrir um jeito de derrotar a bruxa, abrindo a passagem de volta para Oz onde tinha de terminar sua batalha. E a ruiva, bom, quem era ela para negar um pedido direto da famosa Dorothy e entrar no seu próprio mundo de fantasia? Na sua própria aventura? Sam e Dean iriam sentir falta da ruiva nerd, mas com certeza ficaram felizes por ela.

E quem sabe? Na vida deles em que nem mesmo a morte é um adeus definitivo, era óbvio que veriam Charlie de novo.

Problema tangente resolvido, os irmãos tinham outro maior em mãos para solucionar. Ao fim da tarde, quando Cas regressou junto de Kevin e Louis, Dean lhe explicou rapidamente o corrido – uma pena, pois o ex-anjo mal chegou a ver e conhecer Charlie.

Seguindo em frente, Rick continuava desaparecido, e o único ali que não havia tentado nada ainda era Kevin, que logo se prontificou a começar as pesquisas abrindo seu computador.

– Impressionante. – ele fala olhando para a tela — Eu saio por algumas semanas e vocês conseguem arrumar, o que? Três confusões num espaço de sete dias?

– Não fique se achando Kevin. – bufa Dean, cruzando os braços.

– Oh, não, eu não estou me achando, só constatando o fato dos Winchesters serem um imã de problemas.

– Achei que isso já tivesse sido esclarecido antes. – brinca Dean.

– Que seja. Vamos encontrar esse cara.

– Você consegue fazer isso? – indaga Sam.

– A Charlie fez um upgrade no meu computador e me ensinou um bocado de coisas. Vai ser moleza. Deem-me alguns minutos.

Exatamente alguns minutos depois, Kevin está girando a tela do computador na direção dos caçadores e Louis com um mapa piscando em sua tela.

– Pronto. Aqui está, o paradeiro de seu pai.

A espinha de Louis gela e o sangue de seu rosto some o deixando um pouco pálido.

– Ele está numa trilha longe da cidade e da clínica da onde fugiu, mas parece ser um local abandonado. – fala Kevin.

– O que ele está fazendo lá? – Dean pergunta.

– Não faço ideia, mas houve uma grande mudança nos arredores da região.

– Como o que? — indaga Castiel.

– Gado morrendo, animais mortos aparecendo na estrada, sem falar no clima que anda uma loucura, uma hora faz sol e em menos de cinco minutos está chovendo, ou então há tornados.

– Oh, meu Deus!

Louis exclama chamando a atenção dos caçadores.

– O que foi? – pergunta Sam franzindo o cenho preocupado.

– Ele está fazendo mesmo isso, eu não acredito...

– Louis, do que você está falando?

– Os sinais, a chuva e o sol, o gado, sacrifícios...

– Louis!

Sam para ao lado dele o chamando, pondo uma mão no ombro do garoto e a apertando. Ele se vira para Sam ao sentir o toque colocando sua mão sobre a dele num forte aperto.

– Sam está acontecendo. O meu pai vai fazer o que ele disse!

– O que-

– Ele quer juntar a família... Nos juntar de novo ele-

– Cacete moleque desembucha de uma vez! – Dean fala batendo uma mão na mesa para chamar a atenção dele.

Na mesma hora, Louis se volta a ele. Sua face continua pálida, os lábios estão partidos enquanto ele encara o caçador com olhos foscos.

– Meu pai está invocando o espírito da colheita de novo.

Continua

Notas finais
ahh! Tão vendo? v6 me xingam, mas meu OTP tem q ficar junto u.u Eu queria ter aproveitado mais a Charlie, mas nessa temporada da série ele aparece bem pouco, então eu tb n pude me esbaldar demais com ela T^T Mas tudo bem, eu tenho outras fics em que a diva ruiva aparece u.u Tô fazendo a história aos poucos se enquadrar com a série, tão vendo gente???? Agora nós vamos partir para os eventos medianos da temporada 09 de Supernatural! Preparem seus corações >_< aaanyway! O primeiro capítulo do dia é de "Não me dei ir". Em breve vou postar o 07 de "Nosso mês de Setembro", e De noite vou colocar o 03 de "Sem compromissos" ;) Isso p v6 verem como q a autora ama muito vocês, viu? hehehe vejo vocês mais tarde nas outras fics ;) kissus amores do meu core! tia Yume ama vocês