Não me deixe ir

6 Capítulo 06 - Pausa para a caçada


Notas iniciais
YEY! Um capítulo moderadamente grande, com cenas de ação, devaneios de Dean sobre o Castiel e.... Um pequeno mar de ciúmes por parte do loiro! (e um Sam muito esperto q percebeu isso tudo, ohohohohoh). Espero que curtam esse cap! Estou amanado fazer o Dean de gato e sapato uahauhauhauahua Kissus e boa leutira

Não me deixe ir

06 – Pausa para a caçada

No caminho de volta duas coisas chamaram a atenção de Dean. A primeira foi notar a extensão da fazenda anexa à cidade. Ela cobria um grande perímetro chegando a invadir parte dos limites das construções urbanas, parecendo se agregar a elas através de longas raízes e árvores. A segunda foi a pequena entrada encoberta por galhos no meio da rodovia. Após tanto tempo atrás do computador e da frustação na casa tinham uma chance verdadeira de entender melhor o que acontecia na região.

Estacionou seu carro no motel indo ao quarto parando com a mão no ar a centímetros de tocar a maçaneta. Castiel poderia estar lá ainda sozinho e entrar no quarto depois da conversa com Sam o deixava um tanto quanto apreensivo. Balançou a cabeça livrando-se do torpor entrando de uma vez. Aquilo já beirava a infantilidade.

Para seu alívio Sam estava lá com o computador colado no rosto enquanto Cas lia alguns livros retirados da biblioteca.

– Onde esteve Dean? – Sam perguntou encarando o irmão com o olhar inquieto.

– Procurando pistas e acho que consegui algo.

Castiel e Sam se interessaram pelos relatos de Dean, o trabalho de caçador falando mais alto do que qualquer problema pessoal. Ajeitaram os materiais necessários antes de ir à fazenda, partindo em seguida.

Chegaram à passagem vista mais cedo por Dean começando a se armar. As mesmas coisas de antes: sal, água benta, cruzes, amuletos e um livro de exorcismo, só por precaução. Sam achou melhor levarem a estátua encontrada na casa, pois ela talvez lhes fosse útil. Avançaram, por fim. Dean ia à frente seguido por seu irmão e Cas. O ex-anjo ainda tinha pouca experiência em caçadas e era melhor proteger a retaguarda do que ir de frente ao perigo.

No silêncio jazigo da noite as luzes da fazenda se acenderam. De acordo com o ritual é preciso um lugar próximo da terra e da luz noturna onde um altar deve ser erguido, sendo ofertado um órgão de cada vítima ao espírito: o estômago representando a fome antes da colheita, a pele sendo o sacrifício da carne, o pulmão e seu ar que alimenta, um útero como manjedoura da criação, o falo que planta a vida e por fim o coração responsável por alimentar o corpo de sangue.

Conforme Castiel lia as referências os três sentiam calafrios só de imaginar cada item expostos num altar – principalmente no quinto referente a uma parte masculina que, digamos, os três sentiriam muita falta.

Apesar dos postes de luz espalhados pela plantação havia uma área de terra batida que levava a um celeiro imerso na escuridão. Bingo! Só podia ser ali. Avançaram devagar com as armas em punho esgueirando-se pelas sombras até alcançarem a construção de madeira vermelha. O portão da frente estava trancado com uma grossa corrente, os obrigando a forçar a passagem. Castiel circundou as paredes do lugar encontrando um machado recostado num toco de madeira. Entregou-o a Sam que tratou de arrebentar a fechadura enquanto Dean e Cas vigiavam os arredores.

No primeiro nível havia feno, enxadas, um cheiro forte de esterco e alguns porcos reclamando do incômodo causado pelos caçadores. Fora isso, nada de anormal.

A não ser a frieza de Castiel.

Dean havia notado o quanto o moreno estava abatido, e isso desde antes de sua conversa mais cedo. Ficou o evitando, sem andar próximo dele, nem lhe dirigia o olhar – como fazia de costume – e o loiro percebeu o quão aborrecido Cas devia estar.

Isso o entristecia, principalmente ao se dar conta da falta que esse pequeno contato com Castiel fazia. Bufou conforme subia as escadas ao segundo piso. Estavam numa caçada, não tinha tempo para crises internas, muito menos ficar ponderando o porquê a distância de Castiel lhe doía tanto – mais ainda: porque ele tinha vontade de ficar perto de Cas.

Enquanto Sam e Castiel analisavam melhor as prateleiras espalhadas nos quatro cantos do celeiro, Dean se distraía procurando por pistas, e elas não tardaram a aparecer:

– Venham aqui!

Dean os chamou desligando o cérebro dos últimos pensamentos e logo os dois estavam ao lado dele, tampando os narizes devido ao fedor exalado pelo corpo em decomposição entranhado na pilha de feno.

– Diria que tem uns cinco dias. – comentou fazendo uma careta de nojo.

– A data da última vítima. – concluiu Sam.

– Se este corpo está aqui os demais também devem estar espalhados pelo celeiro.

Castiel rodeou o segundo andar procurando os cadáveres animando-se – duma maneira mórbida – ao encontra-los. Cada qual tinha o peito aberto por um corte vertical que ia do pescoço ao baixo ventre. A parte interna fora revirada podendo perceber a falta de alguns dos pedaços das vítimas, e um símbolo desconhecido fora esculpido na pele ao lado esquerdo do peito.

– Muito bem, estamos no caminho certo. – comentou Sam – Mas onde está o altar?

Os três exaltaram-se ao ouvir o ranger da porta do celeiro. Foram se escondendo como podiam, porém quem quer que estivesse lá embaixo sabia da presença deles:

– Não são bem vindos aqui, caçadores!

A voz feminina explodiu. A mulher portava uma espingarda.

– Apareçam! Ou iremos atrás de vocês.

Sam encarou o irmão fazendo sinais com as mãos. Os dois se entenderam, sabendo que uma saída estratégica era a melhor opção, ainda mais depois de perceberem outras pessoas, vindo atrás da mulher:

– Eles já devem estar longe. – comentou um senhor de cabelos grisalhos.

– Duvido. Eu acabei de trancar o seleiro, Rick, e a corrente já está quebrada.

– Quem são eles?! – um terceiro, mais jovem de cabelos negros exclamou nervoso.

– Caçadores, filho. Você ia aprender sobre eles mais cedo ou mais tarde. – a mulher respondeu.

– Vão nos atrapalhar? – perguntou com a voz trêmula.

O senhor baixou a arma levantando a cabeça. Passou os olhos no andar de cima analisando cada detalhe suspeito do seu tão conhecido celeiro, no entanto não encontrou nenhum sinal de vida.

– Se forem espertos, eles vão embora logo pela manhã. Vamos, estamos ficando sem tempo.

Comentou chamando a mulher e o garoto abandonando o celeiro. Os três caçadores tornaram a ficar imersos no silêncio.

– O que faremos? – perguntou Sam num sussurro.

– Temos de saber quem são eles. – disse Castiel.

– Primeiro vamos embora. – Dean ergueu-se saindo de trás do feno devagar – Os corpos estão nesse celeiro, mas não é aqui que o ritual acontece. Só devem desovar as carcaças.

– Acho que alimentam os porcos com eles.

Castiel franziu o cenho frente à afirmação de Sam.

– De qualquer forma, vamos embora.

– Como vamos saber se eles não estão nos esperando Dean?

– É um risco, Sammy. Mas estamos sem opções.

Tanto Castiel quanto Sam aquiesceram. Ficar na fazenda apenas esperando o dia seguinte seria burrice. Além do mais, os então donos do seleiro sabiam da presença dos caçadores, no entanto pareciam desconhecer a identidade eles – ou já teriam os atacado desde o motel.

Indo na frente – como de costume – Dean desceu rapidamente as escadas. Foi até uma fresta na porta dando uma espiada do lado de fora. Só havia o som de cigarras e as luzes ainda fortes dos postes.

Num pulo os caçadores correram para fora da fazenda o mais rápido possível. Ninguém os seguiu, e eles estranharam aquilo, parando no meio do caminho.

– Eles apenas nos ameaçaram. – falou Sam – Por quê? Podiam ter nos matado!

– Talvez... – Castiel irrompeu pensativo – Talvez eles estejam com a quinta vitima.

– Se for isso, então temos que voltar. – concluiu Dean.

Tratando-se de seres humanos, preferiram deixar de lado as armas letais. Balas de sal dariam conta de retardá-los caso fosse preciso.

Arriscaram ir até a grande casa acerca do celeiro. Se aquelas pessoas viviam lá, então o mais provável seria encontrarem o altar na casa. Com a cautela de sempre foram à porta dos fundos. Sam segurou a maçaneta, contudo antes de abri-la ouviu seu ranger. O garoto com cabelos pretos de antes o encarou assustado, guardando de qualquer jeito um pedaço de papel no bolso e buscando uma pequena adaga em sua cintura. Sam nem precisou lutar muito – era mais alto e forte que ele.

– M-me solte! – gritou trêmulo tendo a boca tampada.

– Fique quietinho.

Dean o ameaçou colando a espingarda no seu queixo. O peito dele subiu e desceu depressa num estado nervoso e uma pequena porção de lágrimas começou a surgir nos seus olhos. O adolescente só conseguia prever sua morte. Sensibilizado pelo medo dele, Castiel tocou de leve a espingarda de Dean o forçando a baixa-la. O loiro o fez receoso, observando as ações de Cas:

– Não vamos te machucar, só queremos respostas.

O garoto apertou as pálpebras querendo se livrar da imagem de Castiel, mas então a mão dele segurou seus dedos inseguros, sendo incapaz de ignorar a presença forte que o ex-anjo possuía. Obrigou o corpo a se acalmar e, por fim, abriu os olhos encarando Castiel – ele e seus globos azulados imersos na expressão serena. O adolescente parou de lutar no ato, ao passo em que Dean arqueou uma das sobrancelhas desconfortável ao ver a aproximação de Castiel do garoto.

– Eu não quero morrer... – balbuciou ele ao ter a boca livre.

– Já disse, só queremos respostas. – repetiu Cas.

– Não... Você não entende...

Falou tornando a ficar nervoso. Tiros estouraram de dentro da casa e os caçadores se dispersaram pelo quintal:

– Vocês precisam ir embora! – o garoto os alertou.

– Venha conosco! – Castiel estendeu a mão. Era visível o desespero dele, como se algo realmente muito ruim fosse acontecer.

– Eles me matariam... – murmurou engolindo o choro.

Depois deu meia volta retornando a casa. A mulher de antes apareceu segurando a espingarda puxando o adolescente pela gola da blusa:

– Onde eles estão?! – esbravejou empurrando o garoto contra a parede.

– Não sei, não sei!

Ele cobriu o rosto esperando um tapa, mas ao invés disso foi jogado no chão, sendo amparado pelo senhor de cabelo grisalho:

– Pare com isso Tania. Temos que terminar...

– Eu sei Rick! Eu sei! – berrou – Mas os caçadores...

– Eles são inofensivos. Venha.

Bufando a mulher tornou a entrar na casa. O garoto foi junto deles enxugando o rosto, ainda olhando para trás antes de seguir os mais velhos.

– Depressa Louis!

Tania o chamou dando ás costas, sem notar o pequeno papel amassado que Louis retirou do bolso, o derrubando.

Em silêncio outra vez Dean avançou parando ao lado da porta. Não via nada na cozinha, apenas as luzes acesas. Estranho, porque haviam recuado outra vez?

– Vamos entrar ou não? – Sam perguntou tocando a maçaneta.

– Espera Sammy, tem algo errado...

Nisso o braço de Sam foi compelido para trás sendo torcido por uma força invisível. Caiu de joelhos, segurando o cotovelo rente ao corpo, sendo amparado por Dean. Enquanto isso, Castiel desembrulhou o papel lançado pelo garoto analisando a fórmula descrita nele.

– Dean, Sam, é um feitiço de proteção. O garoto devia estar o preparando quando saiu da casa e nos encontrou.

– Ele deixou isso cair de propósito? – perguntou Sam numa expressão de dor.

– Acho que sim.

– Quer dizer que não dá para entrar na casa?! – Dean bufou guardando a arma na cintura – E agora?!

Analisando os símbolos e palavras descritas no papel Castiel reconheceu a maioria deles, conseguindo bolar uma maneira de transpassar a barreira.

– Me deem cobertura, vou dar um jeito nisso.

Rasgando a palma da mão Castiel começou a fazer desenhos na parede da casa. Aparentemente ela só repelia caso intrusos a invadissem. Se estivesse correto alguns símbolos enoquianos resolveriam o problema. Inscreveu cada um deles o mais rápido possível na porta da frente e depois recitou as palavras. Mesmo sem sua graça o conhecimento da língua deveria bastar para quebrar a barreira. E foi o que aconteceu.

Uma fraca luz branca saiu debaixo da porta estalando numa curta rajada. Castiel a empurrou sem ser compelido adentrando a cozinha devagar. Dean e Sam o seguiram, e os três começaram a vasculhar o local.

– Devem estar num lugar escondido...

Sam comentou, porém, para sua surpresa, a família toda estava reunida no centro da grande sala. Os três só tiveram tempo de ver uma enorme mesa diante da lareira revestida com um pano vermelho e um jovem homem ensanguentado da cintura para baixo deitado sobre ela, Tania à sua frente cantava num idioma estranho e o senhor ao seu lado segurava uma bandeja dourada repleta de pedaços disformes de... Carne humana.

Velas e outros símbolos espalhavam-se pelo lugar. O garoto, Louis, arregalou os olhos ao vê-los. Parecia estar chorando num canto afastado da cena grotesca de sacrifício.

No impulso, Dean atirou contra o senhor. A bala de sal acertou seu ombro o jogando contra a parede e derrubando a bandeja. Tania abriu os olhos surpresa parando de recitar o que parecia ser um encantamento.

– Não pare!

Ordenou Rick erguendo uma pistola na direção dos caçadores e atirando. As balas resvalaram no batente da porta da cozinha sem atingir nenhum deles conforme Tania voltava a cantar:

– Dean, eu vou dar a volta!

Avisou Sam empunhando uma espingarda indo à outra entrada para a sala. Castiel o acompanhou agachado, deixando que Dean e Sam fizessem os disparos.

– Louis! Faça algo! – ordenou o homem num tom ríspido.

Ele grunhiu desgostoso ao ter de pegar o revolver. Apontou na direção de Sam e o caçula dos Winchesters precisou ser rápido ao se esconder atrás do sofá. Pela outra passagem que dava acesso á sala, Dean tornou a atirar, dessa vez na mulher. Ela gritou em dor pela ardência do sal estalando na pele, quase caindo, contudo aguentou voltando a cantar.

– Louis!

Urrou Rick. O garoto deixou o choro ruir ao se erguer do chão. Deu dois passos indo devagar à cozinha, mas antes de conseguir avançar mais estancou vidrado na presença de Castiel o encarando.

– Não precisa fazer isso. – falou o moreno empático ao sofrimento de Louis.

– E-eu tenho... – gaguejou com a arma tremendo nas mãos.

Apontava na altura do peito de Castiel, porém ele continuava imóvel.

– Podemos te ajudar Louis.

– Cale a boca! Não diga ao meu filho...

– Tania! Volte a cantar!

O senhor a ordenou disparando na direção de Sam. As capsulas atravessaram a poltrona sem, por sorte, o atingir. Em meio à troca de tiros, Dean conseguiu acertar Tania a fazendo cambalear. Sam ao mesmo tempo avançou na direção do senhor dando um encontrão nele. Louis ficou imóvel no meio do cômodo sem saber ao certo o que fazer.

– Já acabou, abaixe isso. — Castiel pediu tocando de leve as mãos do garoto.

Chorando, ele o fez mirando os olhos do moreno:

– Vocês tem que sair... Ela está aqui.

Foram as últimas palavras do garoto antes das janelas explodirem. Tudo aconteceu tão rápido que Dean nem teve tempo de pensar direito. Só conseguiu enxergar Castiel no seu campo de visão.

Cas estava próximo do vidro e acabaria se ferindo caso ficasse ali e Dean, desde que vira o estado vulnerável de sua agora forma humana – as constantes perseguições dos anjos, ou o dia em que precisou salvá-lo de Aprill – achava insuportável a mera hipótese do amigo se ferindo, e assim seu corpo foi impulsionado por uma vontade própria na direção dele.

Só conseguia ver a distância entre os dois, a maldita distância que estava o incomodando!

Segurou o braço de Castiel o levando ao chão junto dele. Ficaram escorados num canto da cozinha conforme as janelas continuavam explodindo uma a uma. Agarrando o ombro de Dean, Castiel escondeu o rosto no peito do maior, ouvindo o estardalhar das vidraças espatifando pela sala.

Quando as coisas se acalmaram, Dean segurava o braço e uma das mãos foi parar na cintura de Castiel o cingindo num aperto contra seu tronco. O moreno arrastou o rosto pela clavícula de Dean até ficar com a face frente à dele — poucos centímetros os separando e o hálito do moreno esquentando as bochechas do caçador.

No ínfimo espaço entre eles o loiro congelou com o olhar fixo nos lábios de Cas. Tão próximos e úmidos...

– Dean?! Cas?

Sam os chamou e num movimento abrupto Dean se afastou do moreno sentindo-se um tanto quanto zonzo. O que ele estava pensado? Não era hora para esse tipo de coisa! Espera... Não devia nem ao menos pensar naquilo!

Que droga estava fazendo?!

– Estamos Bem Sam. — foi tudo o que disse, indo até o irmão constatando os arranhões nos braços dele — E você?

– Vou viver.

Castiel ajudava Louis a se levantar quando notou o repentino aumento na temperatura. O garoto pareceu sentir o mesmo ficando agitado. De trás do altar ouviram uma risada extensa e rouca, vendo Tania se erguer com o rosto ensanguentado:

– Nós conseguimos... Terminamos bem a tempo... — falou a mulher.

Entre os três caçadores e Louis a entidade apareceu. Ela foi se solidificando duma fumaça densa a sua forma física, dessa vez melhor definida, como se o ritual a tivesse dado mais força. Sam atirou e as balas estouraram na pele dela sem causar dano algum.

Erguendo uma das mãos ela o empurrou com uma energia telecinética. Depois se voltou a Castiel, porém Louis parou na sua frente e, por um segundo, a criatura chiou recuando.

– Sou da família, ela não pode me ferir!- falou o garoto — Agora saiam!

Dean segurou o braço de Castiel indo devagar para trás. Sam arrastou-se pela parede seguindo o mesmo caminho que eles. A criatura avançou algumas vezes, porém Louis intercedia, obrigando-a a se afastar. Foi andando de costas servindo de barreira para os caçadores e, ao chegar do lado de fora a entidade desapareceu frustrada voltando à sala, onde deveria consumir o órgão da oferenda. Ao se verem livre dela, Tânia e Rick, o garoto, Louis arqueou o corpo sentindo-se pesado.

– Minha mãe vai me matar... – balbuciou querendo chorar de novo.

Castiel só percebeu o aperto que Dean fazia em seu braço quando deu um passo à frente. Tocou de leve a mão do loiro o deixando desconcertado pelo excesso de proteção dedicada ao moreno. Castiel aproximou-se de Louis afagando as costas do adolescente – sem notar o quanto este pequeno ato esquentou o rosto de Dean num sentimento confuso ao caçador. O que diabos estava acontecendo com ele?!

– Temos de ir. – comentou Sam – A entidade está mais forte e temos de descobrir um jeito de matar essa coisa; hoje não dá ‘pra fazer mais nada.

Os caçadores concordaram enquanto Louis tentava recuperar o fôlego.

– Louis; seu nome é Louis certo? – perguntou Cas.

Ele meneou a cabeça ajeitando o corpo:

– Meu nome é Castiel. Só queremos ajudar por isso, por favor, venha conosco. Podemos te proteger.

– Cas ele está com eles. – Dean irrompeu achando a ideia de o garoto vir junto um tanto quando desnecessária.

– Não quero ser igual a eles. – admitiu Louis encarando Castiel.

– Nos ajude então e vamos acabar com tudo de uma vez.

Por um longo instante Louis estancou perdido em meio às palavras de Castiel e mais ainda pelos seus olhos claros, que lhe transmitiam uma sensação de segurança. E, bem, o moreno chamava mesmo a atenção por muitos outros detalhes, como o formato tão bem esboçado do rosto, as expressões de inocência e o cabelo desgrenhado, mas que se adequava tão bem nele. Louis ficou imerso nesse rápido raciocínio conforme o encarava.

Estalando o pescoço Dean sentiu-se desconfortável vendo aquela intensa troca de olhares entre Castiel e o moleque achando melhor intervir:

– Olha se quer ajudar então se decida de uma vez!

Louis desviou a atenção do moreno ponderando a proposta dos caçadores e, por fim, resolveu que já estava farto de sua família e toda essa loucura:

– Tudo bem, eu irei com vocês.

Disse, começando a caminhar ao lado de Castiel – ombro a ombro com ele. Dean bufou reprimindo uma estranha vontade de se impor entre os dois cortando essa proximidade. Coçou a ponta do nariz balançando de leve a cabeça, pois os pensamentos fluíam sem ele mesmo perceber – sem ser capaz de definir o redemoinho de raiva brotando nele por ter de aturar essa cena, em que Louis agarrava-se ao braço de Castiel ao passo em que o moreno o consolava.

Sam nada disse, apenas observando o cenho franzido do irmão – é, era bem isso mesmo que o caçula dos Winchesters estava imaginando, porém ele nem ousava tocar no assunto com Dean ou ele ia acabar entrando em choque. Contudo, Sam achava que já era hora do irmão dar um fim nessa palhaçada. Só ele mesmo para não perceber o que até mesmo inúmeros inimigos haviam notado.

Bufando, Sam achou graça da maneira com a qual Dean mascarava as preocupações e sensações, ao mesmo tempo em que suas atitudes infantis revelavam mais dele do que o loiro pensava.

Continua

Notas finais
Um quase beijo entre Dean e Castiel? O loiro se perguntando sobre ciúmes?! Sam todo sem graça vendo as burrices do irmão??? Esse fds tem mais cap. à espera de v6! uahauhauhauaa Espero q estejam curtindo a fic, apesar do andar da carruagem um pouco lento dela! Gosto de desenvolver o desespero e a dor nos personagens xD Enfim amores, aguardo as avaliações de v6! Kissus e até breve ;)