Não me ame
3 Mudança parte2
Notas iniciais
"Richard" — nome da alma que está me atormentando- não está morto. Eu devia ter desconfiado. Afinal só leio a mente dos vivos, e como eu tinha lido a mente dele, obviamente ele está vivo. Okay, sou lerda. Mas o bom humor dele já estava me irritando. Ele só fala o quanto o dia está bonito lá fora. Isso e aquilo. Cara chato.
–Cala a boca Richard! — falei me jogando na minha cama.
–Você é tão chata. Desde que eu te conheci, isso a cinco minutos atrás, você só reclama. E vendo essa sua roupa ai, percebo que você é a princesa das trevas. Coloca uma cor ai minha filha.
**Esse preto todo me deixa triste. Por isso ela é assim. Coitada!**
–Sua opinião não me importa. -não me dei o trabalho de olhar para ele.
–Devia importar. Aposto que você não tem namorado. -eu o olhei com a minha mais linda cara de "E daí?"
–E daí?
–Sabia que não tinha. Olha você só usa preto? Tipo, os seus olhos são pretos, seu cabelo é preto, suas unhas estão pintadas de preto, sua roupa é preta, sua bota é preta e sua alma é preta.
–Você não acha que rolou muito preconceito ai? — falei rindo, diga-se de passagem, isso é raro.
–Okay, reformulando... Os seus olhos são afrodescendentes, seu cabelo é afrodescendente, suas unhas estão pintadas de afrodescendentes, sua roupa é afrodescendent... -eu o interrompi.
–Já está bom. Richard, faça o favor de ficar aqui. Não me siga. -falei com o meu mal humor comum de todos os dias.
Eu estava com fome, resolvi ir até a cozinha, procurar desesperadamente por comida. Acendi a luz e levei um susto assim que uma mão fria segurou na minha cintura.
–Socorro! — gritei louca e desesperadamente.
–Olha só, se ela não é uma menina assustadinha.
Me virei e dei de cara com o Richard. Espera ai, eu não ORDENEI que ele ficasse no meu quarto?
–Richard! — o repreendi.
–Eu não sabia que podia te tocar, tá legal? -ele revirou os olhos e sorriu quando me viu encarando ele. -Sou lindo, eu sei. -fez posse de modelo. Coisa que eu achei ridícula.
–Eu não falei que era para você ficar no meu quarto? Eu odeio quando as almas ficam andando comigo. Poxa! Deixe-me em paz. Cansei. -bufei e cruzei os braços.
–Você paga de princesa das trevas mas é a maior mimada. Eu não vou fazer o que você quer. Aceita que doí menos.
–Rosie eu...- minha mãe parou de falar e encarou onde o carinha quase morto estava -O que...? — eu fiquei boquiaberta. Ela estava vendo ele?
–Mãe? — esperei pela resposta. Que após longos segundo chegou.
–Eu não acredito nisso. -ela está vendo ele!
–A senhora está...- ela me interrompe.
–Eu falei para eles terem o maior cuidado. Olha como essa porta está. -ela falou apontando para uma sujeira que tinha na porta da cozinha.
–Que susto, mãe... Não vem com chilique não. -suspirei aliviada e depois cruzei os braços.
–Gostou do seu quarto, meu amor? -ela falou encaminhando-se para o armário.
–É... Gostei... -peguei uma maça, que estava encima da mesa, e sai da cozinha.
Richard apenas me acompanhava quieto. Não sei o que me irritava mais, quando ele falava ou quando ficava calado. Cheguei no meu quarto e o "quase morto" ainda não falou nada. E eu não consegui captar os pensamentos dele. Talvez, ele tenha me "bloqueado".
–Você está quieto demais. -dei-me por vencida e puxei assunto.
–Você foi muito grossa com a sua mãe. Olha esse quarto, sonho de qualquer garota... E um "gostei" de cara fechada é tudo que ela ganha? Eu pensei que você fosse "assim" só comigo. -ele falou apontando-me dos pés a cabeça.
–Você não acha que está me julgando demais? -me sentei na cama.
–Não. Eu sou ótimo em avaliar as pessoas. Você acha que ninguém no mundo presta e você é a coitada que tem que carregar o planeta terra nas costas. O que aconteceu? Por quê você é assim? -ele se sentou em minha cama e me encarou.
–Porquê será que você pode me tocar? Nenhuma alma pôde me tocar antes... Alias, nenhuma alma que não estivesse "morta" esteve em contato comigo antes. -mudei de assunto descaradamente.
–Não sei. -foi a única coisa que ele falou.
Depois ficou horas sem falar comigo. Birrento! Imaturo! Idiota! Alma fedorenta! Chato!
...
Eu havia me esquecido que ia ajudar minha querida mãe. Assim que lembrei, dei um tapa em minha própria testa e sussurrei um "burra". Levantei-me e fui procurar pela minha genitora.
–Mãe...? — chamei
–Tô no quarto dos hóspedes. -respondeu.
Caminhei lentamente até lá, abri a porta e vi minha mãe tirando algumas coisas de uma enorme caixa.
–Quer ajuda? -ela parou o que estava fazendo e me encarou
–Quê?... Digo, seria ótimo querida. -ela falou tentando esconder o seu tom de "surpresa".
–No quê posso ajudar? -falei com dando um sorriso tímido... Sem mostrar os dentes.
Depois que arrumamos o quarto de hóspedes, fomos checar os outros cômodos. Para a minha surpresa -e alegria- estava tudo arrumado. Acho que minha mãe tem o "dom" da arrumação... Ou talvez seja aquela doença que tem que estar tudo perfeito, limpo e arrumado.
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