Não me ame
4 Donzelo
Notas iniciais
Capítulo 4
–Donzelo
P.O.V "Richard"
Eu estou enlouquecendo. Estou quase morto e minha alma está no quarto de uma pessoa totalmente desconhecida e mal humorada. Isso só pode ser castigo. Apesar de eu não lembrar de nada da minha "vida" eu sinto que moro nessa cidade. Embora minha mente esteja a um milhão de pensamentos por hora, quando eu olho pela janela e vejo toda a vida que existe lá fora, eu volto a ter esperança. Acredito que vou sair dessa. Vou acordar do coma e seguirei a minha vida.
Acho que já é tarde da noite, Rosie está dormindo e eu estou sentado observando ela. Eu não como e nem durmo... Tradução: minha noite será muito longa. Rosie está se mostrando arredia em me ajudar. Se ela não me ajudar, tenho certeza que não sairei dessa.
...
Após quase uma hora olhando para Rosie dormindo, eu decidi me levantar da cama e sair por ai. Não corro o risco de ser assaltado mesmo.
...
Andei sem pressa alguma. Olhei para tudo ao meu redor. Eu parecia querer decorar cada detalhe da cidade. As casas estavam com todas as luzes apagadas... Uma ou outra acessa mas na maioria estava uma escuridão. Eu vi um vulto rápido passar por mim. Decidi segui-lo. Era uma jovem, ela estava assustada e chorava muito. Olhei ao redor e não vi nada, mas ela olhava para um ponto específico e parecia ver algo que eu não via.
–Não... Eu prometo... Ele vai... Por favor... -ela tentava falar mas o choro a atrapalhava. -Eu sei... Tudo bem... Mas e se ele voltar? Austin, você tem que me ajudar... Não... Não lute com ele sozinho.... Austin corre... Austin, cuidado... Socorro! — eu fiquei atônito. Quem era ela? Com quem ela falava? Porque eu não via a pessoa? Parecia que eu estava assistindo um filme.
Eu fui onde ela estava. Me agachei para ficar face a face com ela. Passei a mão em seu rosto, secando a sua lágrima. Ela então abriu os olhos e por um momento acreditei que ela me via. Mas tudo o que ela fez foi soltar um longo suspiro e olhar para cima.
–Por que fez isso? Ele é uma boa pessoa... Só tentou me ajudar... Michael, você não percebe que isso está indo longe demais? Austin está machucado, senão, morto... Por favor, me deixe ir. — estou começando achar que ela é louca. Quem é Austin? Quem é Michael? -Obrigada... — ela fingiu um sorriso e estendeu a mão para a frente, como se fosse para alguém ajuda-la. Ela então se levanta e bate a poeira da roupa. Eu me sentei no chão e fiquei olhando. Ela deu alguns passos e de repente eu vi algo vermelho se entender por todo as costas dela. A blusa rosa estava agora manchada de vermelho. Ela parou e olhou para trás -É assim que termina um grande amor? Eu te amei, Michael. -ela falou, deu dois passos e caiu no chão. Eu não sabia o que estava acontecendo. Minha visão começou a escurecer e eu fui ficando muito fraco, até que o meu rosto foi ao chão.
P.O.V Rosie McCoy
Minha noite foi ótima. Dormi feito uma pedra. Me espreguicei na cama, eu estava de bom humor e um largo sorriso brotou em meus lábios. Meu sorriso se desfez assim que a minha mão tocou na barriga de alguém. Olhei para o lado e levei um susto. TINHA UM HOMEM NA MINHA CAMA. Eu gritei e me "empurrei" para o lado. Acabei caindo da cama. Quando olhei para cima, vi o tal homem abrir lentamente os olhos.
–Quem... Quem é... Você? -gaguejei
–Sou o "Quase Morto" mas pode me chamar de Richard. -ele falou revirando os olhos.
–Rich...? Ah! É... O engraçadinho. -me levantei do chão e voltei para a cama.
–Você é mais louca do que pensei. Já tinha se esquecido de mim? -ele falou olhando em meus olhos.
–Minha memória as vezes me prega algumas "peças". Desde um "incidente" que aconteceu comigo, eu as vezes esqueço das coisas. -me expliquei.
–Você é uma caixinha de surpresas...
–Vou tomar banho. Tenho que ir com minha mãe na escola.
–Por que?
–Estudarei em um internato. Acho que minha mãe quer se livrar de mim. -dei de ombros.
–Eu tive um sonho muito estranho.
–Ah! É você é uma alma... Espera, almas não sonham.
–Eu sonhei. -deu de ombros
–Depois você me conta como foi. Pode ser uma pista de como poderemos solucionar o quebra-cabeça que é essa sua "quase morte".
–Você vai me ajudar? -ele me olhou com brilho nos olhos.
–Vou. Sou mediadora, lembra? Ajudar almas é a minha "missão" aqui nessa maldita terra. -dei de ombros
–Mesmo assim, eu fico muito feliz. Obrigado.
–Que bom. -me levantei e fui para o banheiro.
Tomei banho e sai do banheiro só de toalha. Fui para o closet e procurei por algo para vestir. Foi então que uma falsa tosse me fez olhar para trás.
–Quê? -olhei para o Quase Morto com cara de tédio.
–Eu estou aqui... Você não devia estar... Mais coberta? — olhei para o meu corpo e voltei a olhar para ele.
–Me poupe. Você é uma alma, está mais morto que vivo. Nunca viu nenhuma mulher de toalha não? -ele ficou corado e negou com a cabeça.
Eu soltei uma gargalhada alta e escandalosa, coisa que fez ele ficar ainda mais corado. Sem pensar duas vezes deixei a toalha cair.
–Richard! -chamei por ele
Ele me olhou e depois ficou boquiaberto. Pôs as mãos no rosto e começou a falar:
–Sua louca... Ve... Ves.... Veste a ro...roupa...- isso me fez rir ainda mais. Que garoto é tão inocente quanto ele? Ele tem uns 17 anos e ficou todo envergonhado em me ver nua?
–Mas Richard...- falei divertida
–Por favor...
–Okay.
Veste a lingerie e um vestido preto soltinho da cintura para baixo.
–Pronto, donzelo.
–Nunca mais repita isso. Você é uma moça, se dê o respeito. -falou colocando o dedo ma minha cara. Eu fiquei sem palavras para tal atitude. Ele então sumiu. Puff! Desapareceu.
Eu não fiz nada de errado. O puritano donzelo que não sabe brincar.
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