Não há outro amor para mim.
62 Passo o fim de semana aprendendo a ser mãe.
Notas iniciais
Após algumas horas, Henry já se sentia mais à vontade em sua nova casa. Dei-lhe uma toalha nova para tomar banho no banheiro ao lado do quarto dele. Emma havia comprado roupas para ele quando foi ao shopping pela última vez, que lhe caíram perfeitamente bem. Ele veio me mostrar quando deixou o quarto, aproveitando para investigar os outros cômodos da casa.
— Regina, essas roupas ficaram muito boas em mim, não acha? — chegou ele no escritório, onde eu arrumava o computador para chamar Emma no Skype.
— Você está muito bonito mesmo. — o olhei. — Só falta pentear os cabelos. — O chamei com as mãos para ele se aproximar e Henry veio se sentando em meu colo. Ele era pesadinho, mas dava para aguentá-lo. Procurei um pente, mas a coisa mais próxima disso que havia ali era uma tesoura, então usei minhas mãos para ajeitar o corte asa delta do menino. Ele me olhou por cima do ombro e sorriu. — Por que está me olhando assim? O que andou aprontando?
— É que eu me lembrei que quando sai do banho, esqueci de deixar a toalha perto do box, então você já pode imaginar como ficou tudo lá dentro.
O que Henry me disse não me deixou surpresa, talvez porque eu já estivesse acostumada com banheiros molhados. Emma tinha o costume de esquecer sua toalha e molhar o banheiro todo com suas pegadas. Não era uma novidade o que o garoto me contava com receio.
— Sim, Henry, eu posso imaginar. — concordei com a cabeça, ainda ajeitando seus cabelos.
— Você já vai chamar a Emma?
— Sim, está quase na hora de ligar para ela. — me estiquei e fiz a ligação pela internet. — Se esconda, vamos fazer uma surpresa para ela.
Ele concordou e desceu do meu colo, indo para trás de mim, se escondendo.
Swan atendeu. Tinha acabado de chegar das gravações e parecia exausta. Quando me viu, seu rosto se iluminou, mas eu podia ver suas olheiras brotando por baixo da maquiagem.
— Olá, gatinha. — ela acenou.
— Oi, bonitona. Como vai? A quanto tempo. — brinquei. Henry atrás de mim ria, segurando a boca para Emma não escutar.
— Vou indo bem cansada. Gravamos por doze horas seguidas hoje. Estou dando graças por estar acabando. — ela coçou os cabelos, bagunçando-os um pouco. — E você? Como está hoje? O que fez?
— Estou bem. Hoje? Ahm, eu fiz uma coisa muito boa hoje. Você consegue adivinhar o quê?
Emma fez um bico e me olhou sem compreender.
— Não.
Emma ficou esperando e Henry pulou de trás de mim aparecendo para ela na câmera.
— Henry!
— Oi, Emma. — ele deu um tchau, dando risada da cara que ela havia feito. — Ah, muito obrigada pelos presentes e pelas roupas. Regina me disse que você comprou tudo com muito carinho. Elas ficaram ótimas em mim. — ele mostrava sua camisa do Hora de Aventura para ela.
Minha mulher colocou a mão no rosto e sorria para a câmera como se não estivesse acreditando no que estava vendo.
— Por nada, Henry. — finalmente disse. — Tudo para você foi comprado com carinho... Mas, espera, como? Que horas chegou? Meu Deus, eu queria tanto estar aí. — ela abanou a cabeça e vi seus olhos se encherem d’água. Tinha ficado emocionada.
— Fui busca-lo hoje de tarde, querida. Ele estava ansioso para falar com você. — falei, observando a emoção de Emma. Ela estendeu a mão até a tela, como se pudesse tocar em Henry e em mim, sorrindo.
— Eu estava tão ansiosa para ver você em casa logo.
— Agora eu é quem estou esperando você voltar, mas fique tranquila, eu tomo conta da Regina pra você. Ela vai se comportar. — disse Henry, passando a mão sobre meus cabelos.
Olhei para ele fingindo reprova-lo.
— Ora, eu sei me cuidar muito bem. — eu disse, voltando a prestar a atenção em Emma, ela ria.
— Não tenho dúvidas. Fique de olho na minha garota, rapaz. E o que achou do seu quarto? Da casa? — perguntou Swan.
— Tudo muito bonito. Eu quase me perdi procurando a Regina aqui no andar de cima, é grande. — Henry assentiu várias vezes. — Ah, e antes que pergunte, Pongo gostou de mim.
— Vocês vão ficar mais amigos ainda com o tempo. Ele é um bom cachorro, só tenha cuidado quando leva-lo para passear, ele fica um pouco bruto quando sai na coleira. — Emma foi falando de Pongo para Henry e a conversa se estendeu ainda mais quando ela lembrou de outros detalhes que queria perguntar a ele. Falaram sobre o que fariam no final de semana, as coisas que os dois gostavam de comer em comum, programas de TV, desenhos, o vídeo game de Emma que ela disse que agora era dele e mais uma centena de coisas.
Deixei os dois conversarem. Emma até tinha esquecido seu cansaço para falar com nosso filho. Quando ela bocejou, achei melhor deixar aquela conversa para o dia seguinte.
— Bem, eu sei que a conversa está ótima, mas Emma precisa dormir e vocês dois vão ter tempo de sobra para combinarem o que vão fazer quando ela voltar. — disse, suspendendo Henry do colo. Ele concordou.
— Tá bem. Olha, Emma, então a gente se fala mais depois, eu só queria dizer que não vejo a hora de você voltar para casa — falou, Henry de pé ao meu lado.
— Esteja preparado, filho, vamos fazer muitas coisas juntos. — Emma sorriu abertamente para ele e jogou um beijo. Henry ficou extasiado por ter sido chamado de filho por ela. — Gatinha, cuida bem do nosso menino e de você. Estou sentindo muito a sua falta que chega a doer.
Corei um pouco na frente do computador e joguei um beijo para ela.
— Eu também, meu amor.
Henry achou graça e me imitou com uma voz fina:
— Eu também, meu amor...
Virei tentando pegá-lo, mas ele saiu correndo gargalhando, enquanto Emma ria do outro lado da câmera.
— Está vendo como ele se parece com você?
— Uma versão bem debochada, quer dizer. Meu amor, você está cansada, vou deixa-la dormir. Também sinto muito a sua falta. Estou contando os dias para que volte. — coloquei os cotovelos na mesa para apoiar a cabeça nos braços.
— Está acabando, em breve vamos ser você, eu e Henry aí. Eu te amo. — disse Emma, suavemente.
— Eu também. — respondi.
Aproximamos as telas dos computadores e demos um selinho virtual antes de desfazer a chamada.
Desci para fazer qualquer coisa para Henry jantar. Acabamos comendo uma lasanha de micro-ondas que ele fez questão de repetir. Do jeito que comeu, comecei a ver que ele também tinha algumas coisas em comum com Emma, como o fato de devorar comida em menos de cinco minutos. Durante o jantar, conversamos sobre o orfanato e eu me lembrava que devia matriculá-lo imediatamente em um colégio. Então perguntei sobre onde estudou antes de perder seus pais e Henry me contou que havia ganhado uma bolsa de estudos, mas que fora obrigado a sair da escola depois que os pais faleceram. Combinamos de ir até esse colégio na segunda e ele topou. Estava tudo indo muito bem até que mostrei o quintal da casa para ele. Henry adorou o tamanho, porém acabou ficando enjoado depois que correu com Pongo em volta da piscina.
O levei para cima, dei-lhe um pouco de água e ele se sentiu melhor. Depois que escovou os dentes o esperei se ajeitar em sua cama. Ele havia colocado o pijama de astronauta que estava separado em cima do travesseiro e ficou muito engraçado com a roupa, mas como tudo era novidade, esse foi apenas mais um detalhe de seu longo dia em sua nova vida.
Desliguei a luz do abajur ao lado da cama dele e me despedi.
— Boa noite, Henry. Espero que durma bem. Amanhã acordo você às nove. É fim de semana e aqui em casa eu não costumo acordar tão cedo sábado e domingo.
— Ah, tudo bem, se eu levantar antes eu fico na sala vendo televisão. — disse ele, se cobrindo até o pescoço com o edredom. O olhei da porta e sorri amigável, mas faltava algo importante. — Regina — ele chamou antes que eu fechasse a porta do quarto.
— Sim? — voltei a abri-la.
— Você não está esquecendo de nada, não?
Eu não tinha a mínima ideia do que podia estar esquecendo. Franzi o cenho, pensei e nada me veio à mente, mas Henry me lembrou o que eu não estava sendo capaz de fazer.
— Meu beijo de boa noite. Minha mãe Elizabeth sempre me dava um beijo de boa noite na cabeça quando me colocava para dormir.
Senti meu rosto ferver de vergonha por ter me esquecido desse detalhe. Fui até ele e toquei em seus cabelos. Ele esperava pelo beijinho na testa e seu sorriso simplório se parecia com o de um anjo. Às vezes o olhar e sorriso de Henry me causavam um espécie de alegria incontrolável. Dessa vez senti a mesma sensação e minha vergonha se foi. Acarinhei seus cabelos que tinha penteado antes e desci um beijo de mãe em sua testa.
— Boa noite, querido. — isso saiu espontâneo e doce.
Ele fez que sim, feliz e satisfeito.
— Boa noite, mãe. — falou sem medo da minha reação, que na verdade não foi ruim.
Eu compreendia que devia me acostumar a ser chamada de mãe, além do mais isso sendo tão importante para Henry. Ele sentia falta de alguém especial, sua mãe verdadeira e, no entanto, eu era a pessoa que se aproximava mais do que ela foi para ele. Apesar de desajeitada no começo, pode ser que um dia eu sinta a mesma necessidade em ouvir aquela palavra quando ele me chamar, mãe.
Na manhã seguinte, acordei exatamente às nove como prometera a Henry. Foi uma boa noite de sono, eu me sentia cansada demais para fazer um balanço das primeiras horas do garoto lá em casa e acabou que depois de um banho longo, apaguei, dormindo um sono só até o momento em que me senti totalmente descansada. Passei pela porta do quarto de Henry, mas aparentemente o quarto estava sozinho há algum tempo. Desci e o encontrei de pé na frente da grande cômoda da sala, observando os porta-retratos sobre ela. Não ficou surpreendido ao me ver descendo as escadas.
— Bom dia. — disse, me olhando de relance. — Você tem uma família bonita. Essas pessoas da foto são da sua família, não são? — Apontou para uma fotografia onde minha mãe, Zelena, eu e papai estávamos juntos numa praia do litoral do Oregon.
— Sim. — me aproximei, parando ao seu lado. — São meu pai, minha mãe e minha irmã. Adivinhe o nome do meu pai.
— Henry Mills. — respondeu, muito certo.
— Ah, então você já sabia? — cruzei os braços.
— Emma me contou e disso eu não me esqueci. Que coisa engraçada, não acha? Seu pai se chamar Henry e eu também.
Fitei a fotografia e fiz que sim.
— É uma grande coincidência. A propósito, ele ficará muito contente quando conhecer você.
— É mesmo? E quando vai me levar para conhecer o meu avô?
— Assim que eu tiver uma folga. Eles moram em Portland, Oregon. Ele e minha irmã me ligam toda semana.
— Hum, entendo. E sua mãe? — perguntou de forma ingênua. Eu realmente não me lembrava se já havia contado a ele sobre minha mãe. Sentia uma aflição, uma dor e nó na garganta toda vez que me lembrava da senhora Cora Mills. Ela estaria tão feliz se estivesse viva, conhecendo seu primeiro neto e provavelmente orgulhosa de mim. Fiquei alguns segundos em transe, imaginando se isso fosse verdade. Cora estaria paparicando Henry, planejando leva-lo em uma viagem pelo país ou mandando nossos empregados da mansão prepararem um banquete de doces para o menino.
— Regina? Você não me respondeu. E sua mãe? Ela também mora em Portland? Se não quiser falar eu entendo. Há muitos casos de casais que se separam. Sei que quem mais sofre são os filhos, pode ter sido difícil para você e sua irmã.
— Não, Henry, meus pais não são separados. Na verdade, perdi minha mãe há seis anos. Ela morreu em um acidente. — contei, olhando para ele em seguida. Seus olhos ficaram esbugalhados de repente.
— Sua mãe morreu em um acidente? Nossa. Outra coincidência. — ele não pareceu abalado em saber daquela informação.
— Perdi uma pessoa querida assim como você, Henry. Mais uma razão para pensar que somos parecidos.
O garoto sabia que eu estava sensível por ter me lembrado de Cora. Ele tentou me dar algum tempo, mas preferiu mudar de assunto, já que se falássemos mais afundo sobre as pessoas que perdemos, acabaríamos tristes.
— Regina, se importa se a gente continuar conversando na cozinha? É que eu estou começando a ouvir minha barriga roncar. — Henry pegou em minha mão, junto da manga do roupão que eu vestia por cima do pijama, me puxando para o outro cômodo da casa.
Fiz panquecas para ele, as mesmas que eu costumava fazer para Emma e ela adorava. Descobri que quando ela estivesse de volta eu teria que fazer panquecas em dobro.
O primeiro fim de semana de Henry em sua nova casa foi melhor do que esperado. Confesso que no começo, eu me sentia perdida de imaginar o que fazer para entreter meu filho adotivo, porém, Henry, era um garoto que se contentaria com qualquer coisa que eu decidisse fazer por ele; Passeamos com Pongo pela vizinhança, o levei no shopping, conversamos com Emma pelo Facetime, fomos ao mercado, – descobri o quanto ele era fã de salgadinhos – assistimos TV e com o tempo que sobrou, ainda tive tempo de jogar vídeo game com ele, mas eu era péssima nisso e perdi umas dez vezes em qualquer jogo que jogássemos.
Foi divertido, embora eu estivesse me dando conta de que ser mãe é extremamente cansativo. Apesar disso, Henry não aprontou nada comigo, ou talvez só estivesse esperando por Emma para pensar em algum jeito de me enrolar e tirar com a minha cara. Se isso fosse verdade, explicava muitas coisas, como o fato de Henry só conseguir ser o garoto agitado que se tornou no orfanato quando estava em grupo, porque querendo ou não, para mim, ele até que se saíra bem educado. Sua curiosidade não me espantava, eu gostava de responder qualquer coisa para ele. Por isso no domingo a noite eu me sentia confortável finalmente com meu filho em casa.
Esses dois dias foram recheados de momentos que compartilhamos juntos. Eu ainda tinha muito o que aprender, claro, mas olhando para Henry como fiz antes de dar um beijo em sua testa na hora de dormir, sentia vontade de continuar aprendendo para sempre. Se era para ser desse jeito, que fosse para sempre. Esse menino estava fazendo mais milagres do que conseguia imaginar.
— Amanhã vamos até minha escola. Mas você não tem meus documentos para me matricular ainda, Regina. — ele disse, enquanto eu colocava o edredom por cima dele.
— Eu recebi uma liberação do juiz e teoricamente você está sobre minha tutela definitivamente. A escola pode considerar a declaração do juiz e matricular você de novo.
— Bom, espero que seja desse jeito então. O que você achou de hoje? A gente pode repetir aquela rodada de Mortal Combat só para você ter uma chance de revanche. — ele deu um risinho.
— Vou perder todas as revanches possíveis, Henry. Não me dou bem com vídeo games. — sorri com ele e toquei em seus cabelos, afastando-os da testa para dar um beijo ali. — Vai ser mais difícil quando Emma voltar, pode ter certeza. Agora dorme para acordarmos bem cedo amanhã. — disse, me levantando e saindo devagar, já esperando ouvir alguma perguntar dele.
Henry esperou eu me aproximar da porta e disse:
— Boa noite, mãe.
Parei e o olhei. Ele estava com uma expressão confiante no rosto. Segurei a porta e relutei, mas acabei respondendo o garoto da forma como ele merecia.
— Boa noite, filho.
Não consigo dar um nome para o jeito como Henry sorriu, mas eu sabia que tinha sido um dos momentos mais felizes daquele final de semana para ele e para mim.
Fui para meu quarto, coloquei o pijama mais confortável que eu tinha e me deitei, desligando os abajures. Antes de fechar os olhos, senti um aperto estranho no peito. Me sentei na cama e a única coisa que vinha a minha mente não era bem uma coisa, era Emma. Algo havia acontecido com ela e eu não sabia o quê. O aperto no peito começou a se transformar em pânico, estava me sentindo mal.
Liguei as luzes e peguei o celular na cômoda, ligando imediatamente para minha mulher em Vancouver.
Era tarde e quando Emma atendeu sua voz estava sonolenta.
— Regina?
— Emma... Você está bem?
— Eu? Eu estou bem, estou muito bem, o que aconteceu? Que horas são? Henry está bem?
— Nada. Tive um mal presságio. Senti uma coisa esquisita, pensei em você. Eu precisava falar com você.
— Ah, meu amor, está tudo bem, fica calma.
Suspirei meio aliviada, mas ainda não estava totalmente tranquila.
— Te acordei, não foi? Me desculpe, meu amor, só precisava saber se estava bem.
— Fica calma, eu estou bem. — Emma respondeu. Conversamos por algum tempo, ela tentava me acalmar. Após uma hora eu estava mais tranquila e deixei minha mulher dormir. Peguei no sono pouco depois e me esqueci completamente do mal estar.
. . .
Logo cedo, Henry e eu fomos a escola onde ele estudava antes de ficar órfão. A diretora teve uma longa conversa comigo sobre a adoção, compreendendo que havia um grande compromisso de minha parte. Henry foi aceito novamente no colégio, mas primeiro teria que fazer algumas provas para saberem como andava seu conhecimento com tanto tempo sem assistir aulas regulares. O deixei por lá fazendo os testes que levariam o dia todo. Acabei demorando no colégio com Henry, então fui para a MBC, chegando em cima da hora para apresentar o jornal.
Archie me viu chegar apressada, deixar minhas coisas na sala, passar uma sombra no rosto e correr para o estúdio.
— Regina, faltam dez minutos para o jornal começar, está pronta? — disse ele, chegando na porta do camarim.
— Estou, falta apenas isto. — peguei a parte de cima do blazer que estava separada em cima da minha poltrona, vestindo ela como um super-herói veste sua capa.
— Você não tem o costume de se atrasar. Teve algum problema? — ele perguntou, andando apressado ao meu lado entre um estúdio de gravação e outro.
— Não tive problemas, foi apenas um contratempo com Henry, meu filho, eu precisei leva-lo para fazer a matricula no colégio.
— Ah, o Henry? O menino que você estava para adotar? Conseguiu a liberação do juiz.
— Sim, consegui e ele pode morar lá em casa agora. — Chegamos no estúdio do noticiário, Archie se posicionou atrás da câmera número um e eu atrás da bancada. Tudo deu certo. Apresentei mais uma edição do jornal com perfeição, e eu tive a ligeira impressão de que foi uma das minhas melhores apresentações em anos.
Saí do estúdio um bocado satisfeita, cumprimentando todos que participaram da gravação, terminei voltando para o escritório. Peguei meu celular no bolso e vi uma mensagem de Emma dizendo: “Estou indo gravar, te amo. Tenham um bom dia você e nosso filho.” Meu sorriso não podia ser diferente, mas eu estava aliviada de não ter feito Emma perder a hora depois de tê-la feito dormir tarde ontem.
No decorrer do dia estive muito ocupada, ajudando o pessoal da redação com as matérias e nisso o dia voou. Henry me esperava no colégio, ansioso para contar como tinha se saído bem nos testes que fez e que havia sido aprovado. Era um garoto inteligente, eu não tinha dúvidas, apesar de achar que ele estava enferrujado para fazer provas. De qualquer forma, com ele aprovado, precisávamos comprar alguns materiais de escola que eventualmente ele fosse precisar, então fomos resolver esse problema antes de voltar para casa. Nós demoramos para chegar devido ao transito, já era tarde quando mandei Henry subir para tomar banho e corri para a cozinha a fim de preparar o jantar.
Nesse meio tempo, pensei em Emma, logo ela me ligaria para o papo diário que nós tínhamos. Mas, depois do jantar, não recebi qualquer chamada sua. Perguntei se estava tudo bem por mensagem e ela não me respondeu. Pensei que poderia ter acontecido um contratempo nas gravações, mas não costumava ser assim, ela sempre me avisava quando ia demorar, ou se não chegaria no hotel cedo. Mesmo assim liguei para ela, e nada aconteceu.
Henry percebeu que eu começava a ficar aflita.
— O que foi, Regina? A Emma não atende?
— Não, ela não atende. Já é a terceira vez que ligo hoje e não consigo falar com ela. — disse, eu apertando o botão vermelho do aparelho telefônico.
— Ela pode estar ocupada gravando. Mais tarde você tenta de novo.
— Ela nunca me deixaria sem saber o que aconteceu. Bem, acho que estou me preocupando atoa. — dei de ombros. — Você está certo, ela deve estar ocupada.
Dei-lhe um sorriso e voltei para a cozinha. Juro que não queria me preocupar, mas de repente parecia que eu tinha certeza de que Emma estava em apuros.
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