Não há outro amor para mim.
63 Henry apronta na MBC e uma perna quebrada.
Notas iniciais
Ir dormir não foi tarefa fácil essa noite. A preocupação com Emma não me deixou pensar em outra coisa. Passei a noite inteira vigiando o telefone em cima da cômoda para o caso dela ligar, mas nada aconteceu. Nem uma ligação, nem uma mensagem. Algo tinha acontecido, eu estava convicta disso. Era horrível imaginar algo de ruim acontecendo com Emma, por isso eu queria ter o mínimo de calma para não enlouquecer com o quanto minha imaginação poderia ser fértil. Relaxei um pouco. Talvez fosse uma bobeira, nada de mais. Devo ter ido dormir quando já eram quase três da manhã e, por essa razão, minha cara estava péssima logo cedo quando Henry me encontrou no quarto.
— Mãe? — chamou ele do corredor. Bateu na porta e entrou. — Posso entrar? Nossa, que cara é essa?
Eu estava arrumando a cama quando ele se aproximou.
— Fui dormir tarde, ainda estou preocupada com Emma.
— Ela não ligou?
— Não. Esperei alguma notícia e não recebi nada. — ajeitei os travesseiros por cima da colcha e o olhei, finalmente.
— E se ela esqueceu o telefone ou perdeu ele? Já pensou nisso?
— Ela teria falado comigo pela internet, ela daria um jeito. — andei pelo quarto com os braços cruzados, pensando.
— Fique calma. Notícias ruins chegam rápido, se está demorando é um bom sinal. — Henry disse, tentando me passar confiança.
— Ah, Henry, nem sempre a demora é um bom sinal. Tenho medo de ter acontecido algo grave, Emma nunca demorou tanto para dar notícias. — parei e me lembrei da vez em que brigamos e Emma foi viajar a trabalho em seguida. — Uma vez brigamos e ela aproveitou para viajar. Ela ficou chateada comigo, mas pelo menos eu sabia como estava.
— Espere mais um pouco, eu tenho certeza que ela vai arranjar um jeito de falar com a gente. Não pense demais em coisas ruins, vai ser pior. — ele tornou a dizer.
Pensei um pouco e dei de ombros, por enquanto.
— É, quanto mais eu pensar que alguma coisa aconteceu pior eu vou me sentir. — eu tinha direto de estar preocupada, mas Henry tinha razão, então achei melhor esperar por notícias de Swan.
Na mesa, enquanto Henry e eu tomávamos café e Pongo nos observava na esperança de ganhar algum farelo de pão que caísse no chão para ele, meu filho havia se lembrado de algo importante.
— Mãe, a diretora da escola me disse que eu vou começar a estudar apenas na semana que vem. O que vou ficar fazendo enquanto você vai trabalhar hoje? — ele perguntou, cortando um pedaço generoso de seu omelete.
Eu mastigava um pedaço do meu omelete e parei para vê-lo.
— Ahm, nossa, eu não pensei nisso, Henry. — disse, um pouco assustada. — Não pensei mesmo. Não sei. Eu não posso te deixar sozinho em casa, embora você esteja planejando ficar, que eu sei. — o adverti com o olhar e ele riu.
— Eu não vou quebrar a casa inteira, pode relaxar, mas tudo bem se não quiser me deixar aqui com Pongo. — ele fez uma pausa para terminar de comer. Eu estava um pouco aérea pensando em Emma, tentando me convencer de que tudo estava bem. Henry limpou sua boca com um guardanapo quando terminou, inclusive com o suco de uva que fiz para ele. — Posso sugerir uma coisa?
Levantei os olhos para ele.
— Sim, deve.
— Me leve para ir trabalhar com você. Só hoje, eu posso ir?
— Você? Na MBC? Não, Henry, não é uma boa ideia. — balancei a cabeça na mesma hora.
— Mas eu vou me comportar, enquanto você trabalha eu fico quietinho em algum lugar, eu prometo não atrapalhar.
Limpei a boca em outro guardanapo e o fitei com cautela.
— Henry, não sei se meus chefes vão gostar disso. Ninguém deve levar os filhos para o trabalho, mesmo que eles se comportem.
Ele não desistiu.
— Bom, eles não precisam saber que eu estou lá, você pode me esconder na sua sala.
— E se alguém te ver?
— Eu digo que estou perdido e que você está me ajudando.
Revirei os olhos, me levantando. Desisti de achar uma forma de não leva-lo comigo.
— Olha, Henry, não concordo, mas você só vai comigo porque não tenho onde te deixar hoje. Se eu tiver problemas por sua causa, você vai ver só uma coisa.
Ele sorriu e se levantou, vindo me abraçar.
— Oba, mamãe! Por isso eu te amo, sabia? — Henry se agarrou em minhas pernas, falando de um jeito debochado.
— Só por isso? Já desconfiava. — dei-lhe uma segunda reprovada com o olhar, mas ele não pareceu afetado por isso.
Mandei o garoto subir e se arrumar logo, estava na hora de ir para a emissora e do contrário de ontem, eu não queria me atrasar. Me aprontei em uma hora, só faltava escolher o blazer que combinava melhor com a blusa de seda marfim que eu vestia. Saí do closet e fui até o móvel para buscar meu colar de coração alado e quando me virei para voltar, Henry estava lá dentro, observando minhas roupas e as de Emma.
— Você ficaria muito bem com esse. — ele se esticou para pegar um blazer cinza. Realmente combinava com a calça escura e a blusa que eu vestia. — Vista. Mas poxa, quanta roupa, hein? Deve ter roupa aqui para os trezentos e cinquenta e seis dias do ano.
— Henry, saia já daí. — fui até ele, mas o garoto saiu correndo com meu blazer na mão e precisei ir atrás. — Volte aqui, garoto!
Começamos uma correria no andar de cima da casa. Henry entrava em todos os quartos e eu atrás dele não conseguia pegá-lo, nem por decreto. Ele dava a volta nas mesas, cadeiras, pulava nas camas, entrava e saía dos armários enquanto dava muita gargalhada. Era impressionante o quão rápido era. E eu já estava quase morrendo só de persegui-lo, torcendo para que não decidisse descer e continuar sua brincadeira no quintal.
Na hora em que ele entrou em um dos quartos, parei ao lado da porta, por fora, de um jeito que não podia me ver. Esperei ofegante até ele tentar sair de novo. Então ele saiu cuidadosamente do cômodo, olhando para o lado contrário, bem como eu havia imaginado, foi aí que o apanhei e peguei meu blazer, mas a essa altura, ele já estava todo amassado como se Henry tivesse feito uma bola dele.
— Venha aqui, garoto espertinho. — disse, tomando o casaco da mão do menio.
— Ah, poxa, você me pegou. — ele ria ao mesmo tempo que procurava ar porque correu muito.
— Achou que eu fosse desistir, não é? — rimos juntos e de repente nossas risadas foram interrompidas pelo som do telefone. — Emma! — pensei imediatamente em minha mulher e corri de volta para o quarto, pegando o telefone na cômoda. Eu nem vi qual era o número que ligava. — Alô!! Alô, Emma?!
— Senhora Mills? — disse uma voz feminina do outro lado da linha.
— Pois não.
— Bom dia, senhora. Eu estou ligando de Vancouver, do hotel onde sua esposa está hospedada.
— Sim, minha esposa está aí gravando um filme, o que aconteceu? — perguntei, pressentindo uma má notícia.
— Nada, senhora, não houve nada. Emma mandou um recado para a senhora, ela teve um problema com o celular ontem, teve que ir fazer uma externa longe daqui e não conseguiu avisá-la. Pediu que não se preocupasse, que ficaria bem e que em alguns dias estaria de volta.
— Espera. Emma teve um problema com o celular? Que lugar é esse para onde ela foi? Por que vai demorar tanto tempo gravando lá?
— Não posso informa-la, senhora, eu estou apenas dando um recado de Emma. Ela nos garantiu que voltaria e pediu encarecidamente por esse ligação para informa-la.
Suspirei, meio que de alívio, meio que de desconfiança.
— Tudo bem, está certo. Agradeço muito por ter ligado. Eu fico mais tranquila sabendo pelo menos que ela está bem. — Na verdade, Emma não estava assim tão bem e algo me dizia que aquela ligação era uma espécie de camuflagem do que de fato aconteceu.
Desliguei o telefone e fiquei observando nossa foto do dia do casamento. Emma era o tipo de pessoa que preferia mentir para não me preocupar. Se ela estivesse mesmo fazendo isso, eu não ia gostar, assim como odiava me sentir enganada. Emma já mentiu por boas causas como foi o caso da admiradora secreta, que no fim só me provou o quanto ela é louca por mim. Acho que posso perdoá-la se o que aconteceu não for tão grave, eu só não consigo tirar da cabeça que algo maior ocorreu com ela.
Na MBC, cheguei escondida com Henry, tomando cuidado nos corredores da emissora para não ser vista andando com uma criança ao meu lado. Num dos corredores, quase trombei com Archie e outros cameramen que carregavam alguns equipamentos para dentro dos estúdios e tive de agir rápido. Apanhei Henry pelo gorro do casaco e o puxei, pois ele estava curioso demais para saber o porquê de tantas portas naqueles corredores. Arrastei o menino até meu camarim como se estivesse carregando algo que roubei de algum lugar, e fechei a porta, olhando se ninguém havia nos visto pelo caminho. Henry se sentou, cruzando os braços e fechando a cara. Coloquei minhas coisas sobre a mesa e o olhei.
— Você não confia em mim. — disse ele, fechando a cara ainda mais.
— Henry, eu não podia trazer você, só fiz isso porque não consegui pensar em algo melhor para você fazer enquanto não vai para o colégio. Você me prometeu que iria se comportar, não faça essa cara.
— Tudo bem, mas não me puxe como se eu fosse o Pongo. — ele fez uma cara tão cômica que precisei segurar o riso.
— O.k. Então me promete de novo que vai se comportar.
— Claro que irei. — No que disse isso, Henry sorriu de um jeito bastante suspeito. Tenho quase certeza de que cruzou os dedos atrás de si.
— Muito bem. Agora eu vou buscar alguma coisa para você comer enquanto eu estiver fora. Ali na mesa tem papel e canetas, você pode desenhar alguma coisa. Eu já volto. — me dirigi até a porta da sala e esperei ele mudar de lugar. Henry fez isso e fiz um sinal com os dedos apontados para os olhos para ele ver que eu não brincava quando dizia que estaria de olho.
Levei pouco mais de quinze minutos na cantina e como se eu já não imaginasse que fosse acontecer, quando voltei para o camarim, Henry não estava mais ali.
Deixei as coisas na mesa de qualquer jeito e corri para caçá-lo dentro da emissora, onde quer que ele tenha ido. Andei apressada pelos corredores, indo primeiro nos banheiros, e nada dele. Voltei para a área das salas, perguntando sobre um garoto de aproximadamente oito anos que devia estar perdido por ali, mas ninguém sabia me dizer nada. A hora do jornal estava se aproximando e Henry havia desaparecido dentro da emissora. Estava ao ponto de me questionar que tipo de mãe eu era para me descuidar assim daquele menino. Que ideia era aquela de deixa-lo sem trancar a porta do camarim? Do jeito que eu tinha corrido para procurá-lo, comecei a me preocupar muito e encostei em um canto.
Maleficent tinha uma reunião nos estúdios pouco antes do almoço e acabou me encontrando onde eu havia parado. Ela tomou um susto ao me ver.
— Regina? Você não devia estar no estúdio a uma hora dessas? — ela falou.
— Desculpe, Maleficent, eu tive um problema ou, melhor, estou com um problema.
Ela me olhou, querendo saber o que era. Eu devia estar pálida, porque me encontrei justamente com que não queria e também começava a imaginar a bronca que eu levaria quando dissesse que trouxe uma criança para o trabalho. Meu emprego corria sério risco naqueles preciosos segundos, mas era dizer a verdade à minha chefe ou inventar que aquele menino era filho de outra pessoa e isso eu não devia, ela descobriria que ele era meu um dia. Por incrível que pareça, Maleficent não me julgou mal em levar Henry para a emissora.
— Você parece pálida.
— Não. É outra coisa. — engoli em seco, baixei a cabeça e resolvi ir em frente na explicação. — Bom, eu... Eu trouxe Henry para cá porque não podia deixa-lo sozinho em casa. Pedi para ele ficar no escritório enquanto eu buscava um lanche e ele desapareceu quando voltei.
Maleficent ficou algum tempo tentando se lembrar de quem eu falava até que sua ficha caiu.
— Ah, Henry, o seu filho?
— Sim, ele. — fiz cara de medo.
— Minha nossa, então temos que acha-lo. — ela disse. — Tem ideia de onde ele pode ter ido?
— Andei por todos esses corredores, entrei em todas as salas e ele não estava lá, ele sumiu.
Minha amiga pensou de novo e teve um vislumbre.
— Se eu fosse criança e entrasse em uma emissora, eu sei exatamente onde iria querer estar.
Não deu outra, Maleficent estava certa. Fomos direto para o estúdio do jornal e lá estava Henry, de pé em um banco, atrás de uma câmera que era cinco vezes seu tamanho, mexendo nela de um lado para o outro. Eu estava quase indo pegá-lo para dar uma coça, mas Maleficent me segurou pelo punho pra que eu visse a cena. Henry tinha ficado amigo de Archie e dos contrarregras que ensinavam ele a usar os equipamentos.
— Henry! — o chamei alto e todos olharam.
— Oi, mãe. — ele sorriu, acenando enquanto subia na câmera principal. Foi para trás do equipamento e focou em mim de modo que eu pudesse ver na TV que estava ao meu lado. — Você não sabe como fica bonita no zoom. — disse isso todo contente.
— Henry, desce daí. — eu disse. — Você não podia ter saído da sala, por que me desobedeceu?
Henry ficou de cabeça baixa, fazendo a clássica cara de menino arrependido. Maleficent achou engraçado e riu, mas se manteve observando. Minha cara devia estar mais vermelha que um pimentão frito. Então fui até o garoto e o peguei pela mão, dando-lhe uma bronca.
— Calma, Regina, Henry só veio dar uma volta por aqui. — Archie falou.
— Mas ele me desobedeceu e eu pedi muito que não deixasse o camarim. Você vai ficar de castigo quando eu leva-lo para casa. — olhei para o garoto que arregalou os olhos.
— Desculpe, mãe. É que seria muito chato se eu passasse o tempo todo naquela sala. — franziu as sobrancelhas.
Maleficent coçou a nuca e meneou a cabeça.
— Ele tem razão, Regina, seria muito chato se deixasse ele trancado na sala o dia todo.
Os dois trocaram olhares de cúmplices e sorriram. Acho que minha amiga gostou do jeito de Henry. É incrível como esse moleque consegue conquistar todas as pessoas que conhece. Até mesmo o pessoal do estúdio. Tinham passado só uma hora com ele e já haviam praticamente o adotado como mascote. Todos me olhavam com uma cara de pena, tudo pra me convencer de que Henry não havia aprontado.
Dei um suspiro e olhei meu filho de novo.
— Tá bem, Henry, mas não faça isso outra vez sem permissão. — ele sorriu, me abraçou na cintura – até onde alcançava – e voltou para trás das câmeras.
Me aproximei novamente de Maleficent e ela me observava admirada.
— Estou vendo que você anda se saindo bem como mãe, Regina.
— Eu tento pelo menos. — brinquei, tímida. — Ah, obrigada por não ter me demitido porque trouxe o Henry aqui.
— Acha que demitiria você por trazer seu filho? — Maleficent deu uma risada leve — Imagine. Você é minha melhor apresentadora. Eu não seria nem boba de fazer isso, além do mais, veja como ele ganhou a simpatia dos rapazes da produção.
Olhamos ao mesmo tempo para Henry que agora ajudava um contrarregra a montar os últimos detalhes da bancada do U.S.A News.
Faltava pouco para o jornal começar. Maleficent me garantiu que eu podia ficar tranquila e levar Henry para a MBC todos os dias se quisesse, ela me dava carta branca para tudo. Minha amiga se despediu de mim gentilmente e foi para a reunião, enquanto eu me posicionei na bancada e esperei o tempo do meu trabalho começar. Henry finalmente se aquietou, assistindo a gravação no fundo do estúdio, dando sempre um tchau pra mim quando era hora do intervalo.
Quando o jornal terminou voltamos Henry e eu para o camarim, falando sobre o que ele mais tinha gostado no estúdio. Desisti de dar mais bronca nele e acabamos rindo de tudo aquilo. Mas para compensar o susto, Henry permaneceu tranquilo o restante da tarde e só pediu para ir ao banheiro uma vez. Quando estávamos para ir embora, seus novos amigos da produção fizeram questão de cumprimenta-lo antes de sair e eu o esperei falar com um por um. Foi quando meu celular tocou dentro da bolsa e precisei me contorcer para pegá-lo com apenas uma mão desocupada.
Meu amigo Killian estava do outro lado da linha.
— Oi, Kill.
— Regina, você está em casa?
— Não, por quê?
— Acabaram de noticiar sobre Emma, não sei se você está sabendo. Ela contou alguma coisa pra você por telefone? — Pelo jeito como ele falava, ele devia imaginar o que Emma poderia fazer para não me preocupar.
— Não. Ontem fiquei completamente sem notícias dela, só me ligaram hoje de manhã para dizer que ela teve um imprevisto nas gravações. — pousei minha pasta e bolsa numa cadeira e mudei o celular de orelha. — O que que foi que aconteceu?
— Imprevisto nas gravações em uma locação, não foi isso?
— Sim, uma locação. O que está acontecendo, Killian? Estou ficando assustada.
— Então você não está sabendo. Emma caiu de uma escada na locação e quebrou a perna. — disse ele, como se quebrar a perna fosse algo natural para uma atriz como Swan.
— O quê?!
Eu era especialista em derrubar telefones toda vez que recebia uma má notícia, e essa vez não foi exceção. Peguei de volta meu celular do chão e voltei a falar com meu amigo, tremendo mais que vibracall.
— Killian, pelo o amor de Deus, o que foi que você acabou de me dizer?
Ele repetiu, me explicando que viu na televisão uma notícia sobre Emma ter caído de uma escada na locação onde estava para gravar o filme. Ela foi levada para um hospital em Vancouver e precisou ser operada. À essa altura meus nervos estavam em polvorosa. Que dia de sustos; Antes Emma que não dava notícias, depois Henry que me aprontou todas e agora Emma de novo. Coloquei minha mão na boca para conter a ânsia que me deu de repente. Era por isso que eu me sentia tão preocupada com ela ontem, havia mesmo ocorrido algo sério. Killian me pediu desculpas por ter avisado, mas ele fez o certo, eu não queria ficar sem saber de Emma, meu amigo não fez nada mais que o necessário.
Desliguei o telefone, agradecendo Killian, nisso Henry se aproximou e o olhei de uma forma que ele percebeu rápido.
— Era a Emma no telefone?
— Não, querido, não era a Emma, eram notícias dela.
— Sério?
Fiz que sim.
— Muito sério. Emma se machucou nas gravações e está em um hospital. — falei, prendendo os lábios para não começar a chorar na frente dele. Engoli o choro. Henry pegou na minha mão e apertou como se dissesse: Regina, faça alguma coisa. Respirei fundo, imaginando Emma deitada na cama de hospital, com sua perna cheia de pinos e parafusos. Não foi uma visão agradável de jeito maneira. Estava óbvio que mandou outra pessoa me dizer que ficou bem para que eu não me preocupasse, porém, felizmente ou infelizmente Killian me contou a verdade. Vi Henry continuar a apertar minha mão e assenti em resposta. — Vamos passar em casa e arrumar uma mala, temos que ir a Vancouver.
Minha solução foi ir para casa com Henry e preparar uma mala para nós dois. Fiz isso tão rápido que comecei a pensar na possibilidade de me inscrever em uma maratona, mas eu não estava raciocinando muito, eu só precisava ver Emma e essa história mal contada de perna quebrada. Sinceramente, às vezes acho que Emma age como criança que não quer contar o que aprontou para os pais porque não quer levar bronca. Mesmo com a boa intenção em não me preocupar, seria melhor se me contasse e eu não estaria sofrendo, pensando na dor que ela sentiu ao cair da escada, se é que isso é verdade, eu precisava confirmar ainda.
Liguei para o hotel onde Swan estava hospedada e praticamente gritei ao telefone com a atendente para saber o que realmente tinha acontecido, então a moça me contou a mesma versão de Killian e para não perder tempo me deu o endereço do hospital onde Emma estava internada. Já tinha informação o suficiente para ir até Vancouver, chegar de surpresa e ver minha mulher acidentada.
Durante o voo inteiro para Vancouver fui pensando em Emma, no que mais eu poderia pensar, não é mesmo? Como ela caiu de uma escada? Emma sempre pareceu tão esperta. Eu não aceitava que ela estivesse tão machucada. Oh, céus, eu devo estar fazendo drama demais, porque não estou me aguentando. Por isso, comecei a enjoar mais ainda na viagem, e três horas de voo viraram séculos presa nas alturas. Acho que eu estava com raiva de Emma, embora ela não merecesse. Só queria que ela tivesse me contado ao invés de eu descobrir por outra pessoa. Do meu lado Henry não tirou seus olhos de mim, mais preocupado com meu estado de medo do que poderia ver do que propriamente Emma. Não devia ser nada legal ir ver sua segunda nova mãe, sabendo que ela estará deitada em uma cama de hospital. Em dado momento dei-lhe um abraço e ele me disse “Vai ficar tudo bem, mãe, Emma está bem”, e passou a mão em meus cabelos. Isso me acalmou um pouco, pelo menos ao ponto de eu parar de roer unhas.
Quando chegamos no Canadá, peguei o garoto pela mão e corremos atrás de um taxi no aeroporto. Devia ser umas onze e meia da noite quando chegamos no hospital, procurando saber de Emma. Uma enfermeira nos disse que só conseguiríamos falar com ela de manhã, mas eu não estava disposta a esperar a noite toda para ver minha mulher.
— Mas eu sou a esposa dela, você precisa entender que é um caso de vida ou morte. Eu não estava sabendo de nada até hoje. — disse eu, mas a enfermeira sacodiu a cabeça e murmurou algo sobre eu precisar me acalmar. Ela sugeriu que eu voltasse para o hotel. Emma tinha passado pela cirurgia no dia anterior e agora estava repousando, realmente não adiantaria nada ficar ali, ela não estava acordada.
Sendo assim, voltei com Henry ao hospital na manhã seguinte depois de dormirmos no mesmo hotel onde Emma se hospedou. O movimento era grande, muita gente sendo atendida e poucas pessoas na recepção, mas eu não ia desistir dessa vez, que para minha sorte não foi um problema, até porque a moça que estava no balcão me reconheceu de cara, ela sabia exatamente o que eu queria ali. Para me ajudar no meio daquela confusão, a própria moça nos levou até o quarto onde Emma ficara internada. Me pediu para ser cuidadosa e não falar alto porque aquele era um hospital e acabei concordando. Henry entrou na frente, eu em seguida, fechando a porta e dando de cara com a loira resmungando alguma coisa em meio a um sono conturbado.
— Emma — chamou Henry, baixinho, parado ao seu lado na cama.
— Ela está acordando, deve ter tomado uma anestesia, vamos esperar. — eu disse, tocando nos ombros dele. Meu coração disparou ao vê-la. Tive vontade de chorar por odiar vê-la naquela cama de hospital. Sua perna estava imobilizada sobre um apoio alto de gesso. Haviam dois pinos fincados em seu osso da canela, envoltos em alguns curativos. Notei que ela estava corada, diferente de pessoas que sofrem acidentes. De repente eu senti um alívio.
Emma acordou como se tivesse acabado de hibernar, se espreguiçando quase igual um urso e quando sentiu uma fisgada na perna por ter se esticado muito, reclamou.
— Au! — resmungou se sentando na cama e tocando a região.
Foi aí que ela nos viu.
— Regina? Henry? — estreitou os olhos e sorriu, mais para o garoto do que para mim. — Hey. — tentou abraça-lo com alguma dificuldade e ficaram o maior tempão juntos.
— Você se sente bem, Emma? — perguntou ele, soltando-se dela com cuidado.
— Com certeza melhor do que ontem, e... Por que me chamou de Emma? Eu não sou sua mãe agora? — ela disse para ele.
— É claro, é que eu... — Henry coçou seus cabelos de trás da cabeça. — Ainda estou me acostumando.
Andei pelo quarto, observando os dois falando.
— Hum. E como vai tudo lá em casa? Gostou do seu quarto? — Emma perguntou, se ajeitando na cama para falar melhor com Henry, tudo com dificuldade, mas ela não estava abatida. Henry lhe contou tudo, como se não tivesse conversado antes sobre as mesmas coisas. Parei no canto do quarto e esperei os dois, mirando Emma com seriedade. Minha loira sorriu, colocando Henry de volta ao chão e disse: — Agora que você está aqui, por que não pede nosso café da manhã? Eu estou morrendo de fome.
— Ótimo. — Henry disse empolgado, saindo do quarto para ir procurar uma enfermeira que chamasse o café da manhã dos pacientes. — Eu não disse, mãe? Ela está bem. — ele saiu, piscando para mim e sumiu correndo pelo corredor.
— Henry, cuidado, não vá se perder e nada de zanzar pelo hospital. — eu disse, mas ele não deve ter escutado.
Me levantei e Emma sorriu para mim sem jeito, envergonhada.
— Me perdoa? — sua voz soou triste.
Desviei o olhar e segurei de novo a vontade de chorar.
— Você é louca, sabia?
— Por você? — ela mordeu o lábio inferior, receosa em replicar tudo o que eu falava. — Juro que eu contaria quando estivesse melhor.
— Você ia me contar quando sua perna estivesse boa? Sabe quanto tempo demora para uma perna quebrada voltar ao normal, Emma? — perguntei, braba.
— Alguns meses. — disse, com desanimo.
— Alguns meses que eu ficaria sem ter certeza do que aconteceu. Poxa, meu amor, eu tive uma sensação ruim, eu estava certa. Devia ter me mandando uma mensagem explicando.
— Regina, não me culpe, eu caí e só tive tempo de mandar o recado quando acordei depois da cirurgia, ontem de manhã. Como soube?
— Killian. Ele viu na TV e me ligou imediatamente.
Emma baixou os olhos.
— A imprensa é rápida, não?
— Para o nosso azar, mas nesse caso apenas para o seu.
— Não queria preocupar você, eu sabia que daria um jeito de vir para cá da noite pro dia.
Voltamos a nos olhar e me aproximei dela.
— Por que eu não viria? Como foi que aconteceu? Como é que você caiu de uma escada?
— Era uma locação numa casa na região rural da cidade, era uma cena em que eu devia correr dentro da mansão. Estava escuro, eu sabia que tinha uma escada grande no segundo andar, mas na hora não achei o degrau certo e perdi o equilíbrio. Parece bobo, mas o jeito tropecei me fez torcer bem aqui. — ela apontou para os parafusos em sua canela.
— Ah, meu Deus, Emma, você não está sentindo dor?
— Na hora muita, eu não conseguia me mexer, agora, um leve incomodo. Ontem foi muito pior, parecia que alguém estava arrancando meu osso para fora. — ela ergueu a mão e pude ver o soro pingando em sua veia. — Estão me dando um analgésico forte para suportar.
Assenti, olhando novamente para a perna imobilizada, depois para Swan de novo.
— Droga, Emma, eu fiquei apavorada quando soube, sua descuidada. — uma lágrima escapou do meu olho esquerdo
Emma fez um esforço e me puxou para abraça-la, me beijando a bochecha, os cabelos, o pescoço.
— Entende agora porque eu mandei dizerem outra coisa a você?
Toquei seu rosto, sua boca.
— Entendo. Mas eu ainda estou braba com você. — disse, tentando ficar séria, coisa que não consegui.
Ela riu e trocamos um beijo de saudade e alívio.
Afastei seus cabelos para trás e roçamos os rostos quando em seguida, Henry entrou no quarto empurrando um carrinho com o café da manhã de Emma e um médico o acompanhando. Foi quase um susto, mas nada maior do que eu passei ontem.
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