Não há outro amor para mim.
64 Recebo um valioso conselho.
Notas iniciais
O médico que operou Emma garantiu que sua recuperação era muito boa. Apesar desse detalhe, entendi que minha mulher estava em boas mãos naquele hospital e que se tivesse todos os cuidados que o doutor lhe dizia, sairia em breve da maca e em menos tempo do que pensávamos voltaria a pôr sua perna direita no chão. Depois de checar que tudo andava nos conformes com Emma, o médico a liberou para o café e se retirou depois de fazer uma brincadeira com as mãos de Henry, num jeito de cumprimentar. Para ele, era ótimo que eu tivesse vindo ver minha esposa, era um grande incentivo para Emma melhorar rápido, mas havia o empecilho de eu não poder demorar muito em Vancouver. Devia voltar para Los Angeles por duas razões: Eu não estava de férias do U.S.A News e Henry dentro de alguns dias voltaria a estudar. Então eu não demoraria ali mais que uns quatro dias, embora já tivesse ligado para Maleficent e pedido para me substituírem no noticiário até o fim da semana.
Passei o resto do dia com Emma, ignorando meu cansaço da viagem às pressas que fiz. Henry, depois de se divertir com tudo o que Swan contou e planejou com ele, adormeceu no sofá no canto do quarto e pude ter mais um tempinho conversando com minha mulher, antes de ter de voltar ao hotel para tomar banho e trocar de roupa. Emma ficava olhando para Henry, sorrindo de um jeito que mal cabia nela, dava para sentir.
— Ele está tão bonito. — ela disse, enquanto eu limpava o canto de sua boca com um guardanapo. Emma havia terminado de almoçar. — Já prestou atenção na forma como ele te olha? Como te chama de mãe tão espontâneo?
— Não, eu na verdade acho que ainda estou desajeitada com ele. — comentei, tentando não concordar com Emma.
Emma me olhou com surpresa.
— Está falando sério? Você parece à vontade com Henry, não estou achando você desajeitada.
Dei de ombros.
— Bom, eu estou tentando, Emma. Não é fácil para uma mulher que nunca foi mãe. Gostaria de ser mais cuidadosa, ter um pouco mais de paciência. Consegue acreditar que o levei para a MBC ontem e ele me desobedeceu? — Contei a Swan tudo o que Henry aprontou no dia anterior. Ela não perdeu o costume e achou a maior graça.
— É por isso que acha que tem que ter mais paciência? Meu amor, Henry faz brincadeiras para chamar sua atenção. Não percebe que ele está tentando ter o melhor de você?
Olhei para ele com estranheza por um instante.
— O que quer dizer? — perguntei a Emma.
— Ele te adora, Regina, quer sua aprovação, quer que você ache graça do que ele faz. Ele escolheu você para a mãe que ele perdeu, como se você fosse a única a ocupar o lugar dela.
Passei um tempo olhando o garoto e chegando a mesma conclusão de Emma, porque me sentia exatamente como sendo a única a poder ocupar o lugar da mãe de Henry. Ele agora tinha duas mães, mas se fossemos nos comparar a seus pais, eu seria Elizabeth Cassidy. O garoto tinha me adotado também. Me senti feliz por isso e bem no fundo emocionada.
— Ele também te adora. — tentei mudar de foco no assunto. — Não vê a hora de você voltar pra casa.
Emma deu um grande suspiro.
— Voltar pra casa é tudo o que eu quero, aproveitar vocês, me sentir mais confortável, trabalhar perto... Vai demorar um pouco para voltar com essa perna quebrada. — Emma olhou para o pé imobilizado com desgosto.
— Você ouviu o que o médico disse, Emma, será uma recuperação rápida se você se cuidar. — disse eu, alisando seu braço.
— A única parte que não gosto do ter de me recuperar é que você e Henry não vão poder ficar aqui o tempo todo comigo. — retrucou ela.
Sorri um pouco sem jeito, tentando lhe dizer algo confortável.
E então, seu celular tocou ao lado da cama. O peguei para ela, vendo o nome da minha sogra na tela, chamando.
— É a sua mãe.
— Caramba, ela deve ter visto alguma notícia. Me dê aqui, vou atender. — Emma pegou o celular e atendeu. — Oi, mãe.
As duas conversaram um bocado. Mary Margaret tinha visto uma notícia na TV sobre Emma ter se acidentado nas gravações e se assustou, decidindo ligar na mesma hora. Emma explicou o que tinha acontecido a sua mãe e Mary não pensou duas vezes em vir para Vancouver ver a filha. Eu achei a ideia boa, pois se Mary pudesse ficar com Emma depois que eu fosse embora, minha mulher não estaria sozinha enquanto se recuperava. Quando Emma comentou isso, ela também gostou da ideia, então aprontaria tudo para vir com David ao Canadá o mais rápido possível.
Nessa tarde os produtores e pessoal que trabalhava no filme de Emma veio visita-la. Finalmente conheci todo mundo de que ela me falava sempre. Eram bons profissionais e muito preocupados com sua atriz principal, em especial o diretor De Palma que até trouxe flores para Swan.
Aproveitei que minha loira tinha companhia e voltei com Henry para o hotel. Tive de carrega-lo pois ele estava cansado demais para acordar sozinho, e eu até entendia, tínhamos viajado no mesmo dia em que ele resolveu aprontar em casa e na MBC e mal tinha dormido no hotel quando chegamos em Vancouver. O único problema era que Henry é um menino de oito anos e pesa como uma criança de dez, se eu tenho uma pequena noção do quanto ele pesa de verdade. Deixei ele dormir um bocado na cama do hotel enquanto eu tomava um banho, colocava uma roupa nova e escolhia algo para ele vestir quando acordasse.
Henry ficou chateado por ter dormido demais e não estar mais no hospital, mas prometi a ele que voltaríamos no dia seguinte logo cedo para ver Emma. O hospital não era o tipo de lugar onde Henry podia aprontar da suas, mas pelo menos ele estava perto de Emma que o distraía muito e ele a ela, era um carinho reciproco.
— Então isso significa que meus novos avós vão chegar? Eu vou conhecer os dois? — perguntou o menino, com os braços para trás da cabeça, imitando uma das poses que Emma gostava de fazer quando deitada.
— Sim, os dois. Mary Margaret e David Swan. Seu avós por parte da Emma. — respondi, dobrando a roupa de cama para deitar. — Eles devem chegar amanhã à noite, mais tardar no sábado de manhã.
— Onde eles vivem?
— Nova York. Emma é de lá, você sabia?
— Ela deve ter me dito alguma vez. Mas eles são legais?
— Mary e David? Sim, são pessoas ótimas. Você vai adorar os dois. — finalmente me ajeitei e deitei na cama, logo ao lado da dele. — Agora vamos dormir e descansar bastante. — fiz um movimento com o braço para apagar a luz do abajur entre nossas camas.
— É, preciso dormir mais um pouco. Quero acordar bem disposto para cuidar da mamãe direito. — Henry disse, e notei que era uma das primeiras vezes que ele a chamava de mãe tão naturalmente.
Parei para olhar o menino se enrolando no edredom enorme da cama. Ele percebeu que eu estava observando.
— Por que está me olhando assim? O que eu fiz? Ah, sobre eu ter atropelado uma enfermeira com o carrinho do almoço... Ela aceitou minhas desculpas, é que aquele carrinho não é bem um carrinho, ele é alto e eu não consigo enxergar enquanto empurro. — Henry explicou, achando que levaria uma bronca, mas eu não o olhava por isso, mesmo descobrindo aquela informação.
— Nada, querido, você não fez nada. — Sorri para ele. — Vá, durma e acorde bem disposto para cuidar da sua mãe. — Pisquei para ele e apaguei a luz do abajur.
Ao tentar pegar no sono, meus pensamentos voltaram no tempo quando Mary esteve lá em casa no natal, e me perguntou sobre minha decisão de ter ou não um filho com Emma. Muita coisa havia mudado do natal para cá e agora ela conheceria Henry, a prova de que eu tinha mudado de opinião. Me lembro que foi difícil escutar a conversa que ela teve com Emma, ouvir minha mulher dizendo que me amava apesar do que eu escolhesse. Pensei se Mary me perguntaria alguma coisa quando chegasse. Se eu estava feliz? Ou se eu havia feito a escolha certa? Como eu me sentia? Seria até natural esperar tais perguntas dela, até porque Mary sempre estará preocupada com a felicidade de Emma e eu estou diretamente ligada a esse importante detalhe.
De manhã, Henry e eu voltamos ao hospital. Ao que parecia, Swan tinha sentido muitas dores na perna ferida durante a noite e deram a ela um forte sedativo que a fez dormir por muitas horas. Emma acordou quase uma da tarde, resmungando tanto de fome que eu podia jurar que estava sonhando com comida. Ela acordou falando em batatas fritas e Henry achou isso hilário.
Emma se sentia melhor de novo depois do almoço e passou a tarde vendo filmes no celular com Henry que dera um jeito de se acomodar do lado dela na cama do hospital. Enquanto isso, eu fazia algumas viagens entre a cantina e o quarto e numa dessas, Killian me ligou para saber como estava tudo. Demorei um pouco conversando com ele e quando voltei tive a grande surpresa de ver Mary Margaret e David Swan. Eles haviam acabado de chegar em Vancouver e vieram direto ver Emma, mas estavam mais intrigados com a presença de Henry. O menino os olhava com receio quando cheguei na porta do quarto, ele não me viu, mas eu pude assistir a cena; Henry se agarrou a Emma, perguntando se eram mesmo seus pais. Ela não precisou dizer nada, Mary se aproximou e estendeu a mão para o garoto que olhou para a loira como se pedisse permissão para cumprimentar a avó, e ela assentiu. Ele finalmente aceitou apertar a mão dela e disse o nome, se apresentando de uma forma um bocado meiga para os dois. David fez o mesmo e se agachou para ficar da altura dele.
Fiquei parada ao lado da porta do quarto, observando os quatro conversando. Emma explicou com orgulho aos pais que Henry era oficialmente nosso filho, que eles finalmente tinham um neto. Confesso que me senti um pouco mexida com a forma como ela falou. Parecia que só faltava uma criança na vida dela, como se nosso casamento estivesse dependendo disso. Eu tinha uma ideia do que estava acontecendo comigo naquele instante ali na porta. Uma leve pitada de ciúmes do garoto. E isso era uma besteira tão grande que me recusei a passar mais tempo me comparando com Henry, pois isso seria regredir e eu tenho consciência de que fui longe demais para entender Emma, eu não podia me arrepender agora.
O garoto se acostumou com os Swan rápido.
Mary lhe fez algumas perguntas sobre o orfanato e ele não pareceu desconfortável. David quis saber se ele gostava de algum esporte para leva-lo a um jogo qualquer final de semana. E mais uma vez ele conquistou todo mundo.
— Eu não disse? Eles são pessoas ótimas, Henry. — imitei uma das frases que o garoto mais gostava de me falar, entrando no quarto.
Todos se viraram para me ver.
— Regina! — Mary me cumprimentou com um beijo no rosto. — Como vai?
— Muito bem, Mary Margaret, obrigada, e você? David. — perguntei, dando um abraço em David também.
— Tudo certo conosco, nós já íamos mesmo perguntar onde você estava. —disse ele.
Emma se esticou e me tocou no braço.
— Você demorou, meu amor. Onde foi? — perguntou ela.
— Ah, querida, Killian me ligou, eu fiquei conversando com ele. Te mandou um beijo e desejou melhoras. — disse, a olhando.
— Engraçado. Eu recebi uma mensagem da Ruby antes dos meus pais chegarem. Se não estivessem separados eu diria que tinham combinado.
— Quem são esses de quem vocês falam? — questionou Henry.
— São amigos nossos. Você vai conhecê-los qualquer dia. — Emma respondeu, passando a mão nos cabelos do menino.
Passamos mais algum tempo no quarto, ouvindo as novidades que Mary e David tinham para contar de Nova York.
Foi ficando tarde e depois do jantar de Emma, David levou Henry para comer algo decente, enquanto Mary e eu ficamos com ela. Minha mulher recebeu outra dose de analgésico e sentiu sono, dessa forma minha sogra me convidou para darmos uma volta pelo hospital para não atrapalhar o sono de Emma. Eu precisava agradecê-la por ter proposto vir à Vancouver para cuidar da filha. Essa era uma coisa que me deixava preocupada, quem além de mim poderia cuidar melhor de Emma na minha ausência?
— Ainda bem que veio, Mary, eu estava começando a ficar preocupada. — disse, andando ao lado dela por um dos corredores.
— Fiquei muito assustada quando vi a notícia de Emma, ainda mais quando percebi que não era você que apresentava o jornal ontem. — ela me olhou e pensou por alguns segundos. Tinha faro de mãe e imaginou a mesma coisa que eu. — Deixa-me adivinhar. Emma mentiu sobre a perna e você teve que vir, foi isso?
Dei uma risada leve.
— Na mosca. Ela mandou ligarem para mim, dizendo que houve um problema no set. Àquela altura eu estava desesperada para saber o que tinha acontecido. Minha sorte foi meu amigo ter me ligado avisando.
— Emma não muda, não é? Impressionante. — Mary comentou. — Me lembro de quando ela era pequena e tentava consertar alguma coisa que quebrava para não levar broncas minhas ou do David.
— Conheço essas histórias.
De repente Mary quis falar sobre Henry também.
— Então, foi você quem conseguiu a adoção do Henry? Olha, gostei muito dele. É simpático, falante, observador... Eu esperava que fossem adotar, mas não tinha ideia de que isso estava para acontecer.
— Eu demorei, mas aceitei que tinha de dar essa chance a Emma. — Paramos, já do lado de fora do hospital, numa área externa para visitas. — Era tudo o que ela queria, Mary.
— No natal você me passou a impressão de que não iria fazer uma coisa dessas por ela. — ela me olhou novamente.
Olhei para a vista da cidade que se tinha dali por breves segundos, decidindo se contaria ou não a minha sogra sobre meus planos. Haviam milhares de sentimentos conflitantes que me faziam pensar que eu não era capaz de ser mãe, mas havia também, mais um monte de vontade de querer enfrentar esses mesmos sentimentos para ver Emma feliz de qualquer forma. Estava valendo pensar na felicidade de minha esposa, independente do que eu tivesse que fazer.
— Não pareço a mesma, eu sei, Mary. Desde que conheci Henry, ele tem me ajudado a entender um pouco a necessidade de ter um filho. Emma diz que ele nos escolheu, mais precisamente, ele me escolheu porque temos coisas em comum e ainda parece que gosta mais de mim do que dela. Eu só sei que tudo mudou, e uma verdade é que eu mudei por ela, pela sua filha. — respirei fundo. — Uma vez minha mãe me disse que o amor requer sacrifícios. Isso nunca soou tão perfeito na minha vida como agora.
— Se você aceitou realizar o sonho dela para garantir que ela se sentisse feliz, não foi sacrifício, Regina. Você não abriu mão de nada, você apenas ganhou porque aprendeu a amar o que ela sempre quis. — Mary Margaret me olhou firme. — Estou muito surpreendida, muito feliz também. Eu não duvidava que fossem ter um bom casamento, que fossem se amar como se amam, eu até pensei que Emma abriria mão para sempre do sonho dela por você e, no entanto, você não foi egoísta. — Ela abriu um sorriso. — Obrigada, Regina. Agora sou avó, de um filho que vocês duas quiseram.
— Sabe, eu ainda estou achando que fiz pouco por Emma ao longo do tempo. — disse eu com um riso nervoso, sentindo-me ansiosa. — Ultimamente tenho pensado se não seria bom ter mais um.
— Mais um filho?
— É... Temos Henry, o.k., mas eu me pergunto se não poderíamos tentar outra vez engravidar. Foi como se ela tivesse perdido na nossa primeira tentativa e eu sei que isso a magoou muito.
Mary Margaret cruzou os braços, meneou a cabeça e sorriu de uma forma inexplicável.
— Você fala como se tivesse engravidado também.
Ela tinha razão. Parecia que eu estava prevendo o que ela me diria a seguir.
— Ouça, Regina, quando você permitiu que Emma engravidasse, ela foi derrotada pela própria ansiedade. Se você se colocar no lugar dessa vez, vai provar que quer mesmo ser a mãe dos filhos dela. Você sabe o que deve fazer. Talvez seja você a compensar o que ela perdeu.
Minha sogra bateu em meu ombro de leve e voltou para dentro do hospital. Permaneci ali do lado de fora, olhando para a vista e tentando amadurecer a ideia de me colocar no lugar de Emma. Será que eu seria capaz de encarar nove meses? Um bebê? Se eu fui capaz de me sentir mãe de Henry, por que não tentar ser mãe de outra criança? Não existem mais algemas imaginárias me prendendo. Depende unicamente de mim.
Dois dias depois, Henry e eu precisávamos voltar para Los Angeles.
Foi difícil deixar Emma, mas só de ver como ela tinha melhorado da perna, eu me sentia mais confortável. Pensava que provavelmente a próxima vez que fosse vê-la seria quando ela tivesse alta e voltasse para casa, então me despedir dessa vez teve um gosto a mais de ansiedade.
Henry tinha se apegado muito a David e Mary nos últimos dois dias e tive pena de precisar leva-lo de volta também. Tirando isso, nos conformamos e começamos a nos despedir cedo deles.
— Bom, meu amor, fica boa dessa perna logo e nada de teimosias. — eu disse, segurando suas mãos e dando-lhe um beijo nos lábios.
— Não se preocupa, Regina, ela vai ficar boa logo, comigo aqui é como se estivesse com Deus. — disse Mary em tom convencido.
— Eu sei, confio em você. — Voltei a olhar Emma. — Eu vou indo, quando eu chegar te ligo.
— Tá bom, gatinha. — Emma deu um sorriso sem graça, mas me puxou e nos selamos de novo. Mary, David e Henry deviam estar achando aquilo bem meloso, por sinal.
— Melhora, hein? Eu não gosto de te ver numa cama de hospital como essa. Iria gostar de fosse por outra razão, mas não por uma perna quebrada, qualquer coisa quebrada sua.
Emma franziu o rosto.
— Por qual razão iria gostar de me ver numa cama de hospital?
— Ahm — olhei para Mary de relance, depois voltei a ver Emma. — Por nada, esqueça. — Dei mais um beijo em minha mulher e chamei Henry.
— Tchau, mãe. A gente se fala quando você tiver online. — veio ele correndo e pulando no colo dela.
— Tchau, filhinho. Cuida da sua mãe pra mim, tá? Não esqueça nosso trato. — Emma brincou com a mão dele, deu-lhe um beijo na testa e o liberou.
Henry me deu a mão e fomos saindo.
— Boa viagem vocês dois. Mandem notícias assim que chegarem. — pediu David, acenando ao lado de Mary.
— Mandaremos. — dissemos juntos Henry e eu, jogando beijos no ar para eles.
No avião, enquanto esperávamos para levantar voo, Henry olhava pela janelinha, pensando na próxima vez que veria seus avós.
— Poxa, eles podiam nos visitar em Los Angeles sempre.
— Eu também adoraria que eles morassem perto. — repliquei.
Henry se virou para o meu lado.
— Mãe, posso perguntar uma coisa?
— Pode sim. — prestei atenção nele.
— O que você e a vovó andaram conversando que não podiam contar para a Emma?
Eu não fazia ideia de como Henry sabia que eu e Mary tínhamos conversado. Foi uma situação um tanto embaraçosa para mim. Devo ter corado com certeza enquanto pensava como responde-lo. Ele esperou com aquela cara de anjo curioso, o que me deixava ainda mais nervosa.
— Ora, Henry, se não podíamos contar a Emma, não podemos contar para ninguém. Mas se faz tanta questão, sua a vó e eu conversávamos sobre uma decisão que preciso tomar.
— E não posso saber do que se trata? — ele tentou de novo.
— Não por enquanto, mas tenha certeza de que se acontecer, você será um dos primeiros a saber.
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