Não há outro amor para mim.
34 A revelação de Ruby.
Notas iniciais
Em anos, aquela era a primeira vez que eu escutava uma queixa de Killian, vinda de Ruby. O.k. Preciso ser mais sincera. Eu falo de uma queixa grave como a que estávamos presenciando e nada como o ciúme exagerado dele, que já era uma coisa que ele tinha em Portland com as ex-namoradas. Portanto, eu não conseguia conceber a ideia do que estava ocorrendo. Meu amigo, havia expulsado a própria esposa de casa, e essa história não estava me cheirando bem. Havia algo mal contado aí. Não que eu não acreditasse em Ruby, mas meu amigo não podia ser um cara tão ruim com uma mulher a esse ponto.
Emma e eu trocamos olhares surpresos com a fala de Ruby, então questionei nossa amiga:
— Ruby, o que você disse?
— Foi isso mesmo que você escutou, Regina, Killian me colocou para fora de casa. — ela respondeu, colocou as coisas que segurava no chão e continuou, um pouco sem jeito por conta da situação. — É que a gente brigou feio agora, na hora que cheguei do trabalho. Me desculpa ter vindo aqui sem avisá-las, eu só não sabia para onde correr, tive medo dele me seguir.
— Espera, Ruby. O que foi que houve de fato? Vocês brigaram e ele simplesmente te pôs pra fora? — Emma se interpôs, vindo na nossa direção, cruzando seus braços fortes que estavam bem visíveis devido à camisa regata que ela estava usando.
— Foi mais que isso. — Ruby engoliu em seco, como se estivesse com medo de nos contar algo. — Ele estava me esperando na sala quando cheguei e assim que me viu começou a falar que eu não prestava, que eu era uma traidora e que ele sabia que eu andava demorando para chegar porque estava traindo ele.
— É o quê!? — fiquei boquiaberta.
— Eu percebi que ele tinha bebido um pouco, haviam umas três garrafas de whisky espalhadas na sala, quando me dei conta disso eu já esperava pelo pior. Tentei me defender, mas ele veio para cima de mim com uma das garrafas e tentou me agredir. Quando ele viu que não ia conseguir me acertar eu corri para o quarto e me tranquei. Peguei algumas roupas e joguei nessa mala. Precisei escapar pela janela antes que ele esmurrasse a porta do nosso quarto. — Enquanto Ruby contava sua aventura para fugir de casa, eu a olhava estupefata. Comecei a acreditar nela pois vi as marcas da corrida que ela deu até o carro em sua calça jeans. Ao mesmo tempo eu estava me sentindo péssima por Killian. — Ele percebeu que eu tinha escapado e ainda correu atrás do meu carro na rua, aos berros e disse que eu não podia mais voltar para casa se não eu seria uma mulher morta.
Emma afastou os próprios cabelos do rosto e se aproximou mais de Ruby.
— Meu Deus, mas o Killian? Eu não estou conseguindo acreditar.
— Nem eu. — falei logo em seguida, colocando uma mão para tampar minha boca.
— Desculpa, meninas, me desculpem mesmo por ter parado aqui, eu precisava vir para longe, eu não sabia para onde correr. Se vocês quiserem eu vou para um hotel, fico lá até essa confusão passar. — disse Ruby, corada de vergonha.
— Não, não, não precisa se desculpar, você fez o certo. Agora você vai ficar. Você não pode correr o risco de sair. Vai que o Killian esteja rastreando você. — Emma alertou, o que fez Ruby pegar o celular no bolso da calça e olhar o visor.
— Ai, merda! Eu me esqueci desse detalhe. Se ele me ligar e eu atender ele saberá onde estou.
— Bom, então desligue o telefone por enquanto. Se o Kill está tão louco assim, ele vai te procurar. — comentei.
— Estacionei meu carro a duas quadras daqui, se ele vier não vai deduzir que estou na casa de vocês. — Ruby falou. — Por isso vim correndo.
— O.k. Fez bem. Vamos levar suas coisas para o quarto de hóspedes, lá em cima. — peguei a mala de Ruby e subi com ela. Emma deu uma olhada rápida pela janela e não viu nada de anormal, nem um carro passar pela rua da nossa casa.
— Nada por enquanto. Ele não deve aparecer. — No que Emma disse isso, o telefone que estava na cômoda perto da porta começou a tocar. Nos entreolhamos e Emma esperou mais dois toques para atendê-lo. Nós sabíamos que era Killian. — Alô.
— Alô, Emma? É você, não é? Ouça, minha mulher chegou aí na sua casa? — Ouvimos a voz dele, pois minha esposa apertou o botão de viva voz do aparelho.
— Olha, Killian, ela não chegou. O que aconteceu? Você parece perturbado. — Emma puxou assunto para que ele não desconfiasse.
— Ah, nada, não foi nada. A Ruby fugiu de casa, somente isso. Ela não gosta mais de mim, Emma. Ela está me traindo.
— Eu sinto muito, Kill. Se ela aparecer por aqui eu ligo na mesma hora, certo? Até, está certo, tchau.
Emma desligou. Ela olhou para nós duas e assentiu.
Ruby voltou a engolir em seco, se virou e me seguiu escada acima.
Depois de toda essa confusão, eu me deitei com Emma na cama e iniciamos uma conversa sobre a situação do nosso casal de amigos. Tanto ela quanto eu, ficamos surpreendidas com o surto de Killian que Ruby relatou. Eu não sei porquê, mas ainda existia uma pulga atrás da minha orelha e para mim, Ruby escondia mais alguma coisa que não nos contou, o que certamente provocou o ataque de nervos de Killian. Bem, eu estava totalmente por fora, já fazia uma semana que não conversava com ele e não me atualizava da situação dos dois, porém agora, eu vejo que só piorou.
— O Kill perdeu totalmente o controle. — falou Emma ao meu lado na cama.
— Estou com pena dele, meu amor. Eu não sei se é só uma implicância minha, mas ele não surtaria assim atoa. — eu disse.
— Acha que Ruby não nos contou tudo?
— Desconfio.
— Mas o que ela estaria escondendo?
— Pode ser algo bem óbvio.
— Por mais estranha que essa situação seja, eu posso me ver no lugar de um dos dois. Não tivemos uma briga que chegasse a esse ponto, só vivemos coisas semelhantes.
— Brigamos feio algumas vezes sim, meu amor, e quem saiu de casa numa das vezes foi você.
— Foi, mas eu só queria esfriar minha cabeça e nem foi uma briga.
— Tem razão. Isso é tão triste. Eu não quero que cheguemos a esse ponto nunca. — eu me virei na cama para olhar em seus olhos.
— Eu não tenho capacidade nenhuma de ameaçar você.
— Nem eu você.
Ficamos deitadas nos olhando até nossos olhos pesarem e cairmos no sono juntas.
Na manhã de hoje, conversamos com Ruby sobre como ela faria para despistar Killian enquanto ele não estivesse disposto a conversar sóbrio com ela. Nossa amiga decidiu que iria trabalhar normalmente porque nessa época do ano não se pode faltar um dia sequer de gravação, e que se ele aparecesse no estúdio, pediria que o barrassem na entrada. Ela pensaria num jeito de ligar para ele sem ser do celular ou do nosso telefone. Enquanto isso, nós oferecemos a ela mais alguns dias para ficar de hóspede na nossa casa. Para mim não era problema algum, ela já havia me ajudado tanto com seus conselhos que eu estava devendo uma ajuda também.
O restante do domingo foi normal. Emma e Ruby se juntaram para decorar textos de seus respectivos seriados enquanto eu adiantava duas matérias para o noticiário do dia seguinte. Ficamos basicamente o dia todo nisso, e na hora do jantar resolvemos pedir outra pizza como a que tínhamos comido no sábado. Ruby estava melhor e parecia ter se esquecido um pouco de Killian. Ela se animou quando falei da pizza, então foi me ajudar a arrumar os pratos e talheres na cozinha enquanto Emma tinha subido para tomar seu banho.
Ficamos conversando sobre o seriado dela (mais um programa que eu adorava em segredo), e depois a pizza chegou. O cheiro estava ótimo, mas assim que trouxe a caixa com a pizza dentro para a cozinha, Ruby quase que instantaneamente pôs uma mão na boca e fez uma careta muito feia. Ela se virou para que eu não notasse, mas eu vi o momento em que ela se sentiu mal com o cheiro do queijo derretido.
— Eu preciso ir ao banheiro. Tem um aqui em baixo, não tem? — perguntou ela e eu assenti, apontando a direção.
— Tem sim, é logo ali à direita. — Eu a observei. Ela saiu correndo e bateu a porta do toalete de baixo ao chegar nele, deu para ouvir. Juro que isso me deixou intrigada.
Emma chegou nesse intervalo, cheirosa e muito bonita numa camisa do Star Wars que dei para ela recentemente.
— Nossa! Ela já chegou. — disse Emma sobre a pizza. — Está cheirando tão bem.
Quando Emma disse isso, Ruby apareceu do corredor do toalete com uma cara péssima. Soube na hora que ela tinha vomitado.
— Meninas, eu sinto muito, mas acho que não vou conseguir comer a pizza.
— Está se sentindo mal, Ruby? — Swan perguntou e fez ela se sentar. — Você está com uma cara.
— Acho que algo não me fez bem. — Ruby se sentou à nossa frente na mesa e segurou a boca outra vez. Ela estava pálida, os lábios roxos. Tinha algo de errado. — Não vão ficar ofendidas se eu subir um pouco? Acho que preciso deitar e tomar alguma coisa, eu tenho uma aspirina na minha bolsa.
— Claro que não, suba. Guardamos uns pedaços para você comer mais tarde. — eu disse.
Ela sorriu sem mostrar os dentes e se levantou, subindo rápido pela escada. Acredito que para chegar a tempo no banheiro do andar de cima.
Emma e eu não deixamos de nos olhar e pensar mil coisas sobre o mal estar de Ruby. Porém, não era adequado ficarmos especulando sobre isso. Sendo assim, comemos a pizza e depois de um tempo com Emma lavando a louça e eu secando, disse que subiria para ver como nossa amiga estava.
Levei um copo d’água para ela e bati na porta do quarto de hóspedes onde ela estava.
— Pode entrar. — ela falou de dentro.
— Sou eu. Trouxe um pouco d’água. Você está se sentindo melhor? — perguntei, entregando o copo à ela e me sentando na beira da cama, perto de seus pés.
— Um pouco. — respondeu, bebendo devagar. Ruby olhou para mim e ficou quieta.
A minha vontade de saber o que estava acontecendo era tão grande que eu acabei perguntando:
— Ruby, você se sentiu enjoada com o cheiro da pizza, não?
Ela arregalou os olhos.
— Estava tão evidente assim?
— Uhum. — gemi a resposta. — Eu percebi.
Ela baixou os olhos, a cabeça e comprimiu os lábios. Nesse momento vi que ela ficara aborrecida com algo. Eu estava quase perguntando se tinha sido algo que eu falei, mas ela levantou o olhar novamente, e a vi prestes a chorar.
— Há uma coisa que não contei a vocês quando cheguei ontem.
Como eu suspeitava. Me aproximei dela na beira da cama.
— O que houve, Ruby?
— Eu estou grávida, Regina. Estou esperando um bebê do Killian e ele não sabe.
Não sei qual foi o tamanho da minha boca e até quando a deixei aberta.
— Vo-você, o quê? — gaguejei.
— Estou esperando um bebê do seu amigo, Regina. Já vão se completar quatro semanas.
Fiquei ainda mais boba por saber daquilo que ela estava me contando.
— E por que você não contou a ele? Vocês brigaram por conta disso?
— Não, nós brigamos porque ele desconfia que eu esteja me encontrando com outra pessoa, quando na verdade eu ando me consultando com uma psicóloga duas vezes na semana, depois das gravações, porque não sei se quero esse bebê.
Deixei de fitar Ruby por um minuto, refletindo com aquela revelação. Então não era apenas eu que tinha problemas em querer ser mãe?
— Você não quer ser mãe?
— Nesse momento não. Eu não sei se estou pronta. Está muito cedo, sabe? Não posso cogitar em deixar o seriado também. É uma série de coisas que me fazem pensar em não ter esse filho. Ai, Regina, eu estou me sentindo tão perdida.
Dessa vez quem engoliu em seco fui eu. Tive pena dela e uma completa compreensão do que se passava na cabeça dela. Era mais ou menos como eu me sentia, a diferença era que ela já estava grávida, o que agravava o problema.
— Eu sinto muito, Ruby.
Tive vontade de contar tudo o que sinto em relação a ser mãe com Emma e sobre minha busca em compreender minha mulher. Mas travei. Guardei para mim, porque dependendo do que eu dissesse, acabaria encorajando ela a fazer algo que um dia iria se arrepender.
— Estou passando pelo momento mais difícil da minha vida. E preciso pensar logo no que vou fazer, se não Killian vai perceber quando a barriga crescer.
— Ruby, eu sei que para você é difícil, que aconteceu no momento errado, mas aconteceu. Você já está esperando esse filho e não tem como voltar atrás. Não faça uma besteira. Já pensou como o Kill vai se sentir quando você disser a ele que está esperando um bebê e que ele é o pai? Se você tirar essa criança, vai privá-lo da maior felicidade que um homem pode ter na vida.
— Mas seria somente dessa vez, Regina, eu não vou deixar que aconteça de novo. Eu não posso ser mãe agora, não dá.
— Você correria muitos riscos fazendo isso, Ruby. Eu não sou a favor, não nesse caso, entende? Converse com o Killian, ele precisa saber o que está acontecendo. Veja como ele está sofrendo pensando coisas erradas. Sua opinião pode mudar quando você perceber o bebê crescendo dentro de você.
— Olha só quem fala...
— Como é? — a olhei firme.
— Killian me contou dos seus problemas com Emma e eu sei que a crise que vocês duas viveram começou porque você não queria ceder a vontade dela.
Abanei a cabeça, tentando espantar a raiva que senti de mim mesma naquele momento.
— Ele não deve ter comentado sobre o que estou fazendo pela Emma, contou? Então isso não vem ao caso. Me escuta, Ruby, sua situação é diferente, essa criança não é só sua, não foi só você quem fez, o Killian é o pai. Pensa em como ele vai se sentir se ele souber que você quer se livrar da gravidez. — falei com a mesma firmeza que eu tinha nos olhos.
Ruby virou a cabeça para o lado e limpou um resquício de lágrima que tinha em seu olho direito. Ela não tinha mais argumentos. Vi seus lábios se comprimirem outra vez e ela fez que sim depois de um suspiro longo.
— A psicóloga pensa a mesma coisa. Eu agora não penso só por mim, penso por Killian também. Seria muito egoísmo deixa-lo alheio ao que estou vivendo.
— Quando você voltar para casa, converse com ele e eu tenho certeza que ele dará pulos de alegria ao saber que vai ser pai.
Ela sorriu e me agradeceu. Mas aquilo não era garantia nenhuma de que tinha mudado de ideia.
Deixei Ruby no quarto de hóspedes e encontrei com Emma subindo as escadas.
— Ela está melhor? — chegou perguntando e me abraçando de lado.
— Sim, já se sente melhor. Foi só um mal-estar.
— Ainda bem. Vamos dormir porque amanhã é segunda e eu tenho sete cenas para gravar.
— Sete? Vai gravar um capítulo inteiro amanhã, pelo visto. — comentei.
— É a para a winter finale, meu amor, precisamos adiantar muita coisa. — Emma explicou e entramos no nosso quarto a fim de nos arrumarmos para dormir.
Não contei a Emma sobre a gravidez de Ruby, acho que foi melhor assim. Eu sei que Ruby queria esperar para conversar com Killian, então só contaria quando ela se resolvesse com ele. Curiosamente, nem precisei fazer isso.
Logo pela manhã, depois que tomamos o café, as três juntas na cozinha, ouvimos a campainha tocar. Emma achou que fosse o jornal e nosso cachorro, Pongo, farejava a porta sem latir como se alguém que ele reconhecia estivesse atrás.
Era Killian.
Ele parecia diferente. Tinha feito a barba e estava claramente sóbrio quando Emma abriu a porta.
Ruby estremeceu ao vê-lo, mas não sei explicar se foi porque estava com medo ou se estava ansiosa para conversar.
— Eu sabia que você estava aqui. — ele disse. Emma e eu vimos os olhos dele se encherem d’água. Eu achei tão bonita a forma como ele olhou para ela. Estava na cara que ele tinha se arrependido da atitude que teve com ela anteriormente.
— Eu vim para cá porque Emma e Regina são nossas melhores amigas e não consegui pensar em lugar melhor. — Ruby se levantou.
— Podemos conversar? Só eu e você?
Ruby não respondeu depressa.
Eu cutuquei Emma e ela recolheu suas coisas da mesa do café e me pegou pela mão.
— Vamos deixar vocês dois sozinhos, nós vamos nos arrumar. Qualquer coisa estamos lá em cima. Só não quebrem tudo, hein? — minha mulher pediu e me puxou dali.
Ruby e Killian foram para a sala. Permaneceram de pé enquanto minha mulher e eu paramos no corredor do andar debaixo, fazendo algo muito feio, mas que não conseguimos evitar, que foi ouvir a conversa dos dois.
— Me perdoa? Me perdoa pela forma como eu tratei você e te disse coisas que inventei. — Killian começou.
— Killian, você tem razão em me pedir para passar mais tempo ao seu lado, tem me cobrado e eu por um tempo consegui atender ao seu pedido. Acontece que eu estou passando por um momento delicado. Eu me sinto muito confusa e quero que me entenda. — disse Ruby.
— Não entendi. O que está se passando? Que momento delicado é esse que você diz?
Vimos Ruby hesitar, mas ela respirou fundo e teve coragem de falar:
— Eu estou grávida, Killian.
O rosto do meu amigo se iluminou no exato instante.
— Isso é verdade?
— É verdade e eu não sei se devo ter essa criança.
A cara de Killian mudou de encanto para interrogação.
— Não sabe? O que você quer dizer com isso? Você quer tirar o bebê?
— Eu não sei. Eu juro que eu não sei, Kill. — Ruby desabou no choro e precisou ser amparada pelo meu amigo. — Me sinto tão perdida. E você achando que eu estava enganando você. Quer saber o que ando fazendo quando chego tarde em casa? Eu estou fazendo terapia porque não sei o que vai ser da minha vida daqui pra frente.
— Você foi ao médico? Fez exames?
— Sim. Tenho certeza.
Killian a encheu de beijos e abraçou com tanta ternura que me deixou comovida.
— Então... Por que isso? Por que tirar? Meu filho, Ruby. Você sabe que eu sempre quis ser pai. Desde que você me conhece eu falo sobre isso.
— Eu também queria ser mãe, mas não agora, não nesse momento, não hoje. Eu não estou pronta.
— Não querer enquanto ele não está dentro de você dá para entender, mas agora que ele já está aí, você não pode negar.
— É muito difícil, Killian, eu não tenho certeza se serei boa mãe para esse bebê. Acabamos de nos casar e eu estou na melhor fase do seriado. Como vou largar meu trabalho assim?
— Minha loba, você não pode impedir que ele viva. Sei que não posso obrigar você a ter os mesmos sonhos que eu, só pensa um pouco agora que ele já está aí. Você não está sendo egoísta em querer privar você e a mim de tê-lo?
Ouvir a pergunta de Killian me soou pessoal demais. Imaginei Emma me perguntando a mesma coisa. Eu me imaginei na pele de Ruby umas centenas de vezes.
Ele conseguiu convencer Ruby a não fazer a escolha errada. Os dois ficaram abraçados por longos minutos. Eu e Emma subimos de fininho para o segundo andar da casa e quando chegamos no quarto pude ver como Swan ficara surpreendida com a cena toda da sala.
— A Ruby... Ela... Ela está esperando um bebê.
— Eu soube ontem quando fui ao quarto vê-la. — falei, entrando no closet para pegar meu terno cor de vinho. — Que bom que eles se acertaram.
— Por que não me contou?
— Achei melhor ela conversar com Killian antes de falar para você. Eu sabia que ficaria animada com a notícia.
Emma de repente se calou de onde estava.
Saí do closet com o terno na mão e o coloquei sobre a cama, começando a me despir para colocá-lo.
Ela me fitou, demorou, pensando em qualquer coisa que não sabia o que era e me disse:
— A situação deles cabe perfeitamente para nós duas. Você pensou nisso?
Levantei os olhos para ela, colocando a calça do terno e desviei o olhar novamente.
— Pensei. Não pude deixar de me ver na pele dela. Mesmo assim é diferente, meu amor.
— Não é tão diferente. — disse Swan, se aproximando mais. — A Ruby só foi mais rápida que você na decisão. — Emma pegou a roupa que havia separado para vestir em cima da cama e se trancou no banheiro, batendo a porta bruscamente.
Senti suas palavras como um alfinete no meu peito.
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