Não Se Apaixone Por Mim...
5 Pedido...
Notas iniciais
Em 20 de junho de 2007
Desde a primeira vez que viu Isabella, ele não se reconhecia mais. Algo havia mudado em seu âmago, levando para uma direção completamente desconhecida o rumo de seus pensamentos, sentimentos e sensações. Quem sabe até o rumo de sua vida. Parecia que agora, Edward sentia tudo ao extremo. Não existia um equilíbrio, um meio termo. As lágrimas cristalinas e imaculadas que rasgavam o rosto da morena — e anunciavam sua evidente dor — exerciam um poder quase sobrenatural sobre ele. Um poder desconhecido, até então. Algo que nunca ninguém – e nada — tinha o feito sentir e que ele não sabia nominar ou externar em palavras. Era algo que envolvia dor, impotência, curiosidade, desejo, fascinação e excitação... Sendo tudo isso vivenciado ao extremo e no sentido literal da palavra.
A vontade de beijá-la não poderia ser diferente e permanecia presente nele. Latente. Exigente. Agora, mais do que nunca, essa vontade parecia ser reconhecida por cada fibra de seu corpo. Sua imaginação rapidamente captou o rumo de seu desejo, e ele imaginou seus lábios nos dela. As bocas unidas, movendo-se em perfeita sintonia, confessando aquele desejo de ambos, nunca antes expressado. Um beijo cálido. Outro fugaz. Mais beijos inebriantes. Mãos na nuca, bocas úmidas, corpos pegando fogo e respiração ofegante. A resposta do corpo dele foi imediata. Ah desejo!
Qual seria a reação de Isabella, se fosse beijada? Isso seria considerado aceitável por ela? Será que ela nutria o mesmo desejo? Ou ela o rejeitaria? E o que ele faria, se fosse rejeitado? Ele nunca havia sido rejeitado por uma mulher antes. Não conhecia essa sensação. Mas iria descobrir agora. Precisava disso e tinha que ser pra já. Como se fosse puxado por fortes e resistentes cabos de aço, que saiam de algum lugar do corpo dela, Edward rapidamente se aproximou de sua feiticeira, que estava tão absorta em seus pensamentos e não se atentou ao movimento do rapaz. Ele já estava perto o bastante para sentir a respiração dela, quando a moça notou a proximidade e consecutivamente sua real intenção. Emoções transpassaram o rosto dela e algumas ele conseguiu identificar. A primeira agradou Edward, era aceitação... Ela também queria beijá-lo. Os doces olhos castanhos fecharam-se lentamente e os lábios vermelhos juntaram-se, projetando um ruidoso gemido. Opa! Isabella gemeu para ele? Aquele som fez seu coração saltar e acelerar, como se de repente ele estivesse correndo em uma maratona, e o objetivo fosse o lugar mais alto no pódio! Isso lhe deu o incentivo necessário para avançar os centímetros seguintes. Os olhos verdes lentamente se fecharam e... Os pequenos e suaves dedos de Isabella tocaram-lhes os lábios e o barraram no meio do caminho.
O que?!
– Edward, por favor... Não faça isso... – sussurrou. Mais lágrimas desciam pela face translúcida da moça estática à sua frente. O jornalista a encarou, e ainda sem interromper o contato visual, segurou com delicadeza a mão da moça, traçando um terno caminho de beijos, passando por todos os seus dedos... Ah! Mãos tão macias... Mãos de Isabella!
– Não quer ser beijada? – sussurrou contra a palma da mão na moça, depositando mais beijos ali. Sentiu o corpo dela se arrepiar com aquele toque. Hum! Aquele era o momento mais erótico deles, desde que se conheceram. Essa informação também foi registrada pelo corpo dele. Que sensação incrível!
Não houve resposta de Isabella e ele precisou romper o silêncio.
– Mas você fechou os olhos e eu pensei que estava me dando permissão... – disse ele confuso, franzindo o cenho, ainda mantendo o contato visual com ela. Pelo menos, mantendo até o limite que ela permitia ser observada. Em seu peito formava-se uma sensação esquisita. A sensação de ser rejeitado. Sua primeira rejeição. Ela recusará seu beijo e isso parecia muito pior do que ele imaginava.
– Quero sim, e muito... – a voz doce e terna, morreu bem no meio de frase.
– Mas? – ele a incentivou a continuar.
– Mas pra mim as coisas não funcionam assim. – ela baixou os olhos. Sua voz agora era morta e gélida como mármore. Sem traço nenhum de emoção. Deveria Edward ficar assustado? Seu corpo entendia que sim, pois ficou tão gélido quanto o tom da voz dela.
– Isabella, isso não funciona do mesmo jeito para todo mundo? Quer dizer, eu achei... – ela o interrompeu, um tanto ansiosa.
– Pode até ser assim para as pessoas normais. Não pra mim, Edward.- disse tão rápido que ele quase não conseguiu acompanhar suas palavras.
– Você não se encaixa na categoria de “pessoas normais” então? – questionou. A morena balançou a cabeça em sinal de negativa. – Que conversa é essa? – Edward perguntou, tentando não parecer grosseiro.
– Não! Não me encaixo. E não é você que vai mudar isso! – respondeu exasperada e parecendo ofendida.
Nossa! Pra onde foi a moça doce que estava ali com ele há... Segundos atrás? Ele a encarou por algum tempo, tentando entender se o que havia de errado com ela era algo parecido com... Com o que? Bipolaridade? Em um momento ela irradiava a inocência e pureza de uma criança, enquanto degustava seu algodão doce. No momento seguinte, ela conseguirá envelhecer anos e se tornar – de novo — uma mulher misteriosa e fria. Exatamente a mesma mulher que impiedosamente despetalou a peônia que ele lhe dera de presente.
– Eu não entendo você, Isabella. Juro que tento, mas não consigo. Era apenas um beijo. – confessou.
– Ah claro, Edward. Apenas um beijo, tudo muito descomplicado! – disse sarcástica, olhando diretamente em seus olhos. A expressão impassível e fria. E de repente o sol pareceu se esconder em algum lugar, dando espaço a densas nuvens negras, que pairavam sobre a cabeça dos dois. Apenas dos dois. Isabella tinha mesmo um lado sombrio.
– Então do que você tem medo? – disse tomando certa distância da moça, tentando lhe transmitir tranquilidade. Em vão, é claro. Nem ele mesmo estava tranquilo.
– Do que pode vim depois. – A frase dela era carregada de significado. Ela também pensava no “depois”? Mas, o que significava o “depois” dela?
– Você está pensando no depois por que Isabella? Esqueça isso! E o agora, como fica? – Edward tinha medo da possível resposta dela. E certamente tinha motivos para isso.
– Fica do jeito que está e ponto final. – Errr! Agora raios e trovões estalavam acima da cabeça deles, aumentando assim a tempestade particular do “não-casal”.
– Então é isso? Fica como está e ponto final? – questionou tentando soar cauteloso.
Isabella o encarou por alguns minutos... parecia que ela não iria responder nada. Que iria simplesmente levantar e ir embora. Mas de repente ela iniciou um discurso preocupante.
– Você já precisou sacrificar algo muito importante nessa sua vidinha perfeita, Edward? Já foi privado de algo que amava? Jogado “ao vento” para encarar esse mundo de merda... Sozinho? Não. Aposto que não. Você não conhece essa sensação. A dor de fazer uma única escolha errada e nunca mais se reerguer. Não tenho capacidade de te dar o que quer. Não te posso dizer muito sobre isso, mas estou falando muito sério! Você precisa se afastar de mim e tudo vai ficar bem.
UAU! Aquele sem duvida foi o maior discurso que ele já vira Isabella fazer. Apesar de ser muito negativo para ele — em todos os sentidos – o jornalista ficou feliz em perceber que a morena começou a se abrir com ele, de certa forma.
– Como você sabe o que eu quero? – agora era ele quem estava exasperado. Por Deus! Nem ele mesmo sabia direito o que queria na vida. Quer dizer, antes de conhecê-la ele sabia. Agora, tudo era tão incerto. O que ele queria mudava a todo o momento. Transformava-se. Parecia em constante mutação.
Ela se afastou ainda mais dele, respirando profundamente e passando as mãos pelos curtos cabelos negros. Um cheiro de morango inundou o ambiente e golpeou as narinas de Edward. Ah! O cheiro de Isabella!
– Escute... – ela pediu — Só o que estou tentando lhe dizer jornalista, é que somos de mundos diferentes. Eu sou preto e você é branco, não vamos dar certo... É isso. Simples assim. – a voz baixa e pausada indicava que ela estava tentando se controlar, para não explodir e gritar com ele. Ele já conhecia essa reação dela.
– Preto e branco? Vamos falar por anedotas agora? – era a vez dele de utilizar o sarcasmo. Isabella bufou nervosa.
– Isso é uma alusão, pra não dizer com todas as letras que comigo as coisas são complicadas e incertas. Não sou um bom futuro pra você Edward. Nem um bom presente. – concluiu.
- Pare com isso. – ele pediu.
- Talvez eu não seja uma boa opção e ponto final. – revirou teatralmente os grandes olhos castanhos para ele. Mas o ato não causou irritação em Edward, de forma alguma. Ele adorava isso.
– Por que você revirou os olhos pra mim Isabella? – A vendedora e sua rebeldia insuperável.
– Porque estou irritada com você. – respondeu depois de piscar algumas vezes.
– E agora você está irritada? Vai embora? – perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente. Ele não queria considerar essa possibilidade.
– Não. – suspirou resignada.
Não?!
– Não, você não está irritada comigo? Ou não, você não vai embora? – perguntou só para esclarecer.
– Não, eu não vou embora.
– E por que não? – foi impulsivo.
– Como assim por que não? Você quer que eu vá embora, Edward? – disse já pegando a mochila e ficando um pouco mais pálida. Ah droga! Ela entendeu tudo errado e estava sentindo-se rejeitada. Agora ele conhecia essa sensação e não era nada boa.
– Só responda a minha pergunta Isabella. Não estou te mandando embora. Muito pelo contrário, quero que fique! – Foi enfático e viu a cor voltar gradativamente ao rosto dela, passando pelo rosa e estacionando no vermelho carmesim. Linda!
– Não vou embora, porque prometi que passaria o dia com você, pelo seu aniversário. No decorrer da minha vida aprendi que preciso cumprir minhas promessas. E além do mais eu... Quero estar aqui com você. — mordeu o lábio inferior, em sinal de rendição. Ele percebeu, chocado, que a havia desarmado. Ela estava vulnerável. E repentinamente os raios de sol brilharam fortes e quentes em cima deles, desfazendo a tempestade nebulosa que havia se formado acima das cabeças do agora “incerto-casal”.
– Ah! – respondeu sorrindo abertamente. Aliviado. Ele analisou o que ela disse, e pelo que já conhecia dela concluiu que estava sendo sincera. Ela queria ficar com ele. Santo aniversário!
– Por favor, pare de rir de mim! – Disse encostando-se a árvore e fechando os olhos. Parabéns Edward. Agora ela está irritada, de novo! Ele sentiu o couro cabeludo formigar. Sinal que havia ficado tenso pelo fato dela interpretar errada a risada dele.
– Não estava rindo de você. Estava rindo pra você. São coisas diferentes. – disse passando os dedos no cabelo cor de bronze. Conversar com Isabella era como pisar em ovos. Uma montanha russa de sentimentos. Todo cuidado era pouco. – Olhe para mim, Isabella. – pediu.
– Não. Posso. Agora. – explicou pausadamente.
- Por favor. – ele implorou preocupado.
- Preciso de um minuto. Por favor... – ela manteve os olhos fechados.
– Isabella... Vamos, abra os olhos e olhe pra mim!
– Só um minuto Edward! Já falei... – foi taxativa e pelo tom de sua voz embargada, estava se controlando para não chorar. Mas não obteve o sucesso desejado.
Isabella se entregou a um choro sôfrego e soluçado. Aquilo o assombrou, novamente. E sempre seria assim, afinal Edward nunca se acostumaria com o choro e a dor dela. As lágrimas daquela moça eram como facas afiadas lhe cortando. Os soluços por sua vez, eram como socos na boca de seu estômago. E ele foi ficando pequeno diante daquela cena. Impotente. Em um rompante não controlado ele a abraçou. Não pediu permissão. Apenas o fez. A proximidade do corpo de Isabella no dele era boa agora, porém não de uma maneira erótica. Mas de uma maneira quase paternal. Afagou seus cabelos e sentiu a morena enterrar o rosto em seu pescoço. Ficou surpreso que ela tivesse permitido aquele contato, sem protestar.
– Por favor, por favor... pare de chorar... por favor... – sua voz agora também era um sussurro.
Ele habilidosamente a ajeitou em seu colo como um bebê, em seguida secando suas lágrimas com as pontas dos dedos. Observando Isabella relaxar e aos poucos recuperar seu controle, ele notou que a moça parecia especialmente projetada para estar ali, em seus braços. Era pequena e se moldava perfeitamente ao seu corpo. Eles eram compatíveis.
– Ah Isabella, cada lágrima que você derrama acaba comigo. Uma lágrima em seu rosto e eu me sinto diminuído. Por favor, pare de chorar. – pediu novamente.
– M-me de-desculpa... – sussurrou contra o pescoço dele.
Após alguns minutos silenciosos, a vendedora se afastou dele e recolheu as pernas, abraçando-as bem próximas ao peito. Descansou o queixo nos joelhos esfolados com cicatrizes — provavelmente adquiridas na primeira infância. Os olhos ainda fechados e a respiração acelerada. Ele conhecia esse movimento também. A linguagem corporal da vendedora falava muito mais que as palavras proferidas por sua boca. Esse era um movimento reflexo, que ela fazia para se proteger, quando estava com medo de algo. Foi a mesma reação que ela teve na primeira discussão deles, no fatídico dia do café da manhã demasiadamente mal sucedido.
Não! Aquilo estava tão errado. Ela não deveria sentir medo dele, em hipótese alguma, pois se ela sentisse medo dele provavelmente não voltaria a vê-lo. Nunca mais! Sabia que ela era capaz de se afastar de vez, afinal a moça já estava fugindo dele quando fechou a loja nos últimos dias. Subitamente ele foi tomado por um sentimento um tanto esquisito. Ele não entendia muito bem o que era. Pensou um pouco mais no assunto, tentando entender aquilo que sentia. Por fim, decidiu que também era medo. Uma espécie de medo cru e vulnerável, cuja intensidade o fazia estremecer. Era medo de perdê-la. Mas ele nem a tinha de fato ainda, e esse era o ponto mais estranho da situação.
Três encontros eram tudo o que eles tinham. Mas, algumas nuances da personalidade dela já saltavam aos olhos do habilidoso jornalista. Isabella era uma pergunta. Tinha medo de tudo que era novo e não sabia se entregar a desordem, precisando pelo menos achar que estava no controle da situação. Ela não gostava de falar de seu passado, porque certamente tinha um segredo não muito agradável e talvez até devastador. Ela escondia uma doce e encantadora moça, por baixo daquele visual avassalador e imponente. Ela tinha um lado irônico que funcionava como um filtro purificador de suas emoções e sendo assim, ela só externava aquilo que ela queria que os outros vissem. Ela se irritava facilmente. E o que mais perturbava Edward... Ela tinha — além de um lado sombrio — um estranho lado triste, que a dominava a maior parte do tempo. Isabella nunca sorria...
Ainda encarando a moça — que matinha os olhos fechados — a mente de Edward vagou para uma promessa silenciosa que ele fez a si mesmo dentro de seu carro, quando praticamente fugia do café da manhã com ela. Ele prometeu que viveria para o dia que faria Isabella sorrir. Sim! Agora tudo fazia sentido. Ou um pouco mais de sentido. Era isso que ele queria. Sua vendedora enigmática feliz ao seu lado. O lugar mais alto do pódio! Ok Edward Cullen, vamos consertar as coisas! Gritou seu inconsciente, com os braços cruzados para ele.
Edward ajoelhou-se na frente dela, tocando-lhe os sedosos cabelos negros e sentiu-a enrijecer. Isabella levantou repentinamente a cabeça e olhou assustada. Ele tocou a ponta de seu queixo, puxando seu rosto para frente, a fim de olhar em seus olhos. Aqueles olhos que o dominavam desde o primeiro dia. Respirou fundo e optou por dizer a verdade, sem medo de parecer clichê ou antiquado. Disse exatamente o que tinha em mente...
– Então podemos misturar o preto e branco e criar suaves tons de cinza, Isabella. É isso que eu quero. Uma chance de acertar com você. De viver sem nenhuma reservas esse sentimento que nasceu entre nós, sabe lá Deus como ou por que... Veja as palavras de Chaucer que você acabou de ler pra mim e entenda a verdade que existe nelas. A vida é realmente breve e dela nada levamos. Eu quero você. E eu quero que você queira isso também.
Ela o encarava com cautela.
Ele a encarava com expectativa.
– Misturar o preto e o branco para criar suaves tons de cinza... – ela apenas repetiu o discurso dele.
– Sim, um arco-íris de tons de cinza. E só você dizer que me aceita na sua vida. – ele era apenas expectativa. Estava no seu momento de “tudo ou nada” e havia entregado o resultado do jogo nas mãos de Isabella.
– Nossa jornalista, isso foi a coisa mais linda que alguém já me disse. E eu nem mereço ouvir... – respirou fundo e rompeu o contato visual com ele, olhando para as próprias mãos.
– Você quer isso também? – questionou-a, puxando novamente seu rosto com os dedos.
– Eu não posso querer isso... – disse retirando os dedos dele de seu queixo e interrompendo o contato físico.
– E eu posso saber o por quê? – questionou e percebeu que ela ponderou aquilo por um momento.
– É que aconteceram coisas eu meu passado...
– Eu sei que algo muito sério aconteceu em seu passado. – disse impaciente e viu o choque se estabelecer no belo rosto a sua frente.
– Você me investigou? Seja sincero, por favor. — O tom dela era obscenamente acusatório. Definitivamente, ele não esperava por essa pergunta.
– Sim. – optou pela verdade.
– Vo-você sa-sabe o que aconteceu comigo? – ela gaguejou ao responder e ergueu uma das sobrancelhas bem definidas.
– Não! Não, minha investigação foi um fracasso e eu desisti do caso. – respondeu com tranquilidade e percebeu que Isabella soltou todo o ar que estava preso em seus pulmões. Ela estava aliviada. – Mas eu não preciso saber Isabella. E nem quero, se isso te deixar mais confortável. Só quero que fique comigo. Não quero nada com seu passado.
– Não sei se consigo... Errr... Me relacionar com alguém. Principalmente nesse momento. – ela explicou.
– Mas você me quer, Isabella?
– Eu... Acho que sim. – disse corando.
– Se você quiser mesmo, tenho certeza que podemos encontrar um equilíbrio.
– E se não encontrarmos? – a preocupação era evidente em sua voz.
– Vamos encontrar. Eu lhe prometo. – Prometeu Edward, finalmente conseguindo enxergar uma luz no fim do túnel.
– Como pode ter tanta certeza?
Edward encarou sua feiticeira por um momento. Ela o queria. Ele a queria. Nada poderia ser mais perfeito e mais certo. O futuro era incerto – como era para todos os humanos -, mas eles o enfrentariam juntos. Eles tentariam permanecer unidos, se o passado dela viesse atrapalhar as coisas. Seja lá que passado fosse. Ele sorriu para ela. Ela corou e baixou os olhos. Os corpos deles agora estavam misteriosamente conectados e se moviam em perfeita harmonia. Ambos se aproximaram vagarosamente. Não havia pressa ali. Ele tocou-lhe a face macia suavemente com seus lábios. Fez um caminho de beijos até o ouvido dela. Recitou um verso em resposta a sua pergunta.
– “Se tu me amas, ama-me baixinho. Não o grites de cima dos telhados. Deixa em paz os passarinhos. Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda.”.
– Isso eu conheço. É Mário Quintana e é realmente lindo. Obrigada. – disse suavemente.
– Eu imaginei que você conhecia. – sorriu contra o pescoço dela e depositou alguns beijos no local. O cheiro de Isabella ali era mais forte. Mais inebriante. E a vontade de beijá-la voltou com muito mais intensidade.
Ele refez o caminho de beijos até a bochecha dela, para que ela entendesse que ele iria mesmo beijá-la. Certo pânico começou a tomar conta de seus pensamentos. E se ela o rejeitasse novamente? Mas Isabella não lhe deu muito tempo para sentir medo. Com uma lentidão exagerada, ela se inclinou para ele e envolveu seu pescoço com os braços. Seus dedos brincavam com o cabelo da nuca dele. Os olhos dela eram de um castanho chocolate derretido e irradiavam desejo. Um espelho do desejo dele. E finalmente os lábios de ambos se uniram em um terno e melancólico beijo. Algo muito, muito simples. Nada de movimentos bruscos e complicados. Afinal esse era o primeiro de muitos outros beijos que o futuro lhes prometia e eles estavam apenas começando. A sensação era muito melhor do que os dois haviam imaginado. O beijo casava de uma maneira perfeita. Tão perfeita que Isabella, em seu íntimo, desejou que todos os outros casais do mundo pudessem ter um beijo tão doce quanto aquele. Pudessem sentir um pouco da alegria que ela sentia naquele momento. Afinal, pela primeira vez em anos, ela se permitira ser feliz.
Eles pararam para recuperar o fôlego, mas mantiveram as testas coladas. Estavam tão próximos, que um respirava o ar do outro. Ao abrir os olhos Edward flagrou os dela. Havia um brilho diferente neles, mas continuavam intensos e cheios de desejo. O beijo que ela trocou com ele, terno demais para ser tão breve, a fez se sentir mais próxima de seu cruel passado. E de seu incerto futuro.
– Ah jornalista, isso é um erro...
– O que quer dizer?
– Eu quero... Não, eu preciso te fazer um pedido...
– Peça o que você quiser. – disse sorrindo, mantendo a testa ainda encostada na dela. Não existia nada que ele não daria à morena naquele momento.
– Não se apaixone por mim... – a morena pediu. Mas aquele estranho apelo não chegava aos olhos dela. Muito pelo contrário. Até mesmo o canto dos lábios de Isabella a traíram, se retorcendo em um pequeno sorriso – deixando-o totalmente deslumbrado com a beleza daquele primeiro sorriso — enquanto ela deixava escapar mais uma lágrima... mas agora de felicidade.
Lágrima essa que Edward enxugou com um beijo.
Notas finais
Oláaa meninas!!! Tudo bem?!
Então... será que alguém, assim como eu, só conseguiu soltar a respiração agora, bem aqui, no finalzinho do capítulo??? Ahaha... aposto que sim! Teve o beijo... o tão esperado beijo... intenso e delicado, tão lindo e carregado de tantos significados!!!
Realmente, nosso jornalista tem uma missão árdua pela frente: convencer Isabella de seu valor próprio, mostrar-lhe que é preciso amar a si e deixar-se ser amada também! A impressão que eu tenho é que a Bella se pune, impõe a si uma espécie de castigo por algo acontecido no passado... E a pergunta que não quer calar é: o que foi esse passado? O que a faz carrasca e juíza de si mesma? A verdade é que o pedido de Bella não poderá mais ser atendido, fato... Edward já se apaixonou... assim como ela!!! Não tem mais volta... Bella o deixou entrar e agora só lhes resta viver esse amor!!! Ansiosas por mais??? Então agora é hora de comentarmos e recomendarmos, pois nossa querida autora merece, certo?! ;)
Beijos e até o próximo post!!!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas! Espero que estejam todas bem!
Primeiro as justificativas. Demorei em atualizar a fic por diversos motivos, alguns de conhecimento de vocês. Não queria tocar no assunto aqui, mas os recentes acontecimentos com Robsten me deixaram um pouco abalada. Esse capítulo demorou semanas para ficar pronto, pois é... Mas, decidi que vou com a fic até o final. Amo o enredo de NSAPM e quero termina-la na maneira que sempre imaginei. Conto com vocês hein!
Quanto ao capítulo, bom... Foi mesmo uma montanha russa de sentimentos! Edward e Isabella se entregaram ao primeiro beijo. E ela finalmente sorriu para ele. Agora tudo melhora. Será?! Rsrs. Preciso saber o que acharam. Deixem a opinião de vocês nos reviews. Que alias, eu amo ler cada um deles. É realmente nosso combustível e inspiração para continuar escrevendo.
Sejam bem vindas as novas leitoras. ;)
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Juh Cantalice
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