Não Se Apaixone Por Mim...
6 Despedida...
Notas iniciais
Boa leitura.
;)
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Agradecimentos: Gostaria de agradecer e dedicar esse capitulo as lindas Joana e Lais Sodre que recomendaram NSAPM. Ovrigada meninas!
Em 20 de junho de 2007
Com Isabella ainda em seus braços, ele sentia como se o tempo passava de forma diferente para eles. As horas se reduziam a poucos minutos. Os minutos a escassos segundos. E por que era assim? Eram somente seus sentidos e percepções que os enganava? Bom, também diziam que o tempo passava de maneira diferente para os apaixonados.
Apaixonado?!
Apaixonado!!!
Apaixonado...
Não! Edward não poderia se apaixonar por ela. Só que não tinha a mínima ideia de como fazer isso não acontecer. Mas que droga! Isso é uma daquelas coisas que não se controla. Mas ela lhe pediu isso... Ah! E em seguida lhe ofereceu um sorriso. Um lindo sorriso torto e disforme — quase como uma careta — mas ainda assim, capaz de derreter todas suas estruturas internas, pelo simples fato de ser cheio de significado. Seja lá o que aquele sorriso significasse...
Os primeiros minutos da noite haviam chegado e por mais que ele fosse fascinado pela beleza e aconchego da mesma, nesse momento a odiava. Afinal sua chegada significava que se aproximava uma despedida. Aquela despedida que a todo custo ele queria postergar. Agora, Edward estava recostado em uma imponente árvore do Central Park — que durante toda a tarde fora testemunha do estranho casal que eles formavam — e Isabella estava sentada entre suas pernas. Os dois pares de braços cruzados à frente do corpo dela. De tempos em tempos os lábios dele encontravam o pescoço da vendedora, provocando na pele branca discretos arrepios e roubando dos lábios dela pequenos suspiros. Em meio a um silêncio confortável e tranquilo, sua encantadora feiticeira lhe permitirá mais alguns beijos, variando entre doces e vorazes. Sensações sempre novas e extasiantes para ambos. Já os sorrisos... bom, esses não vieram mais. Entretanto, ele sentia que não poderia exigir isso dela. Não agora que já tinha conseguido tanto, em apenas algumas horas...
Mas ainda assim, tantas perguntas preenchiam sua mente. Seria a curiosidade de seu espírito de jornalista falando mais alto? Talvez fosse apenas curiosidade de uma pessoa normal, e isso seria completamente aceitável, uma vez que Isabella Uley era uma garota misteriosa. Tal fato era incontestável...
Nem um dia havia se passado — naquelas semanas depois que ele a conheceu — que não tivesse pensado em como ela era realmente diferente e misteriosa. Fascinante de tão misteriosa. Excitante de tão misteriosa. Doce de tão misteriosa. O passado dela escondia algo realmente relevante. Mas o que seria? As possibilidades eram infinitas! Um estupro. Um homicídio. Tráfico de drogas. Corrupção. Roubo. Segredos de família. Dramas pessoais. Um aborto. Uma doença incurável. Estaria Isabella morrendo de uma grave moléstia? Rejeitou veementemente essa última hipótese, estranhamente aceitando todas as outras... Edward nunca acharia a resposta certa, sem uma pista correta dada por ela. E... ele queria realmente saber a verdade? Muitas vezes a ignorância é uma benção.
Isabella suspirou, chamando toda a atenção dele para si.
– Sabe no que eu estava pensando aqui...? – a voz melancólica e baixa demais dela rompeu o silêncio confortável em que os pensamentos de Edward andavam.
– Você tem esse péssimo hábito. – disse dando uma mordidinha no lóbulo da orelha esquerda da morena. Mas no mesmo momento se arrependeu de tal observação. Era notório que ela havia ficado preocupada com o breve, porém relevante, comentário.
– Péssimo hábito? – perguntou-lhe, girando o corpo para encarar a imensidão verde dos olhos do jornalista. Franziu a testa, confusa. Esperou pela resposta dele, que na concepção dela, veio tarde demais. Humf!
– O péssimo hábito de pensar demais nas coisas. – disse levando uma das mãos ao rosto dela, para fazer carinho nas bochechas e presenciá-la corar. Era especialmente linda a cor que ficavam as bochechas da morena, quando ela estava envergonhada.
– Por que diz isso? – ela ainda franzia a testa.
– Quer mesmo saber?
– Quero... – respondeu inclinando a cabeça para o lado, em direção à mão dele.
– Não vai sair correndo dos meus braços, quando eu lhe disser por que acho isso?
– Não. – Ela respondeu e esperou. Esperou. Esperou. E perdeu a paciência. – Desembucha Edward!
Ele respondeu a pergunta, mantendo um sorriso despreocupado no rosto e a mão na bochecha macia dela.
– O que aconteceu no seu passado te fez ficar assim... arredia e pensativa. Pragmática até. Pensando demais nas coisas que vai fazer e falar. Nada, absolutamente nada sai de seu controle. Ou pelo menos você pensa dessa maneira. Você não sabe se entregar à desorganização. Por mínima que seja... – parou para avaliar a reação da moça, que matinha uma expressão condescendente no rosto.
– Continue... – pediu, gesticulando com as mãos no ar.
– Você moldou a vida em volta dessa característica, criando altos muros ao seu redor, cada vez mais impenetráveis. Você criou um castelo de concreto. Uma fortaleza. Você é uma fortaleza! Com você nada é o que parece. Você tem um estilo avassalador, mas olhos completamente doces. É um contraste interessante. Mas se engana quem pensa que você é uma garotinha frágil. Muito pelo contrário! Isabella Uley é uma mulher determinada, ardilosa e é uma fortaleza. Uma fortaleza de pedra! – concluiu e recebeu um breve silêncio como resposta.
A proximidade física com outra pessoa sempre a incomodou. Ou passou a lhe incomodar a partir daquele triste dia de seu passado. Mas com Edward era diferente. Ela gostava de seu carinho e por isso aos poucos começou a romper a barreira do contato. Deixou seus dedos brincarem com a gola da camisa dele e em seguida tocou levemente a pele do pescoço que estava exposta. Sentiu os pelos de seu corpo inteiro arrepiar com aquele simples movimento. Interessante! Mas logo tratou de mudar o rumo daquela conversa... não gostava de ser o “centro das atenções”. Odiava falar dela mesma.
– Então, no quesito “nada é o que parece”, nós empatamos. – disse o deixando ligeiramente ansioso pela continuação daquela frase.
– Por que diz isso? – repetiu a pergunta de Isabella e depositou um selinho em seus lábios vermelhos.
– Você parece apenas um jornalista em busca de um furo de reportagem, mas no fundo é um investigador obstinado e talentoso. Você é essencialmente justo. Mas me investigou e, no entanto, ainda está aqui... – suspirou resignada.
– Eu já te disse que não descobri nada nessa investigação. – lembrou-a um tanto frustrado. Edward nunca fora tão mal em um caso. Concluiu que estava emocionalmente envolvido demais com a... criminosa?
– Eu sei. Mas também sei que não estaria aqui, se soubesse de tudo o que houve e tudo o que eu fiz...
– Então, você é a culpada por “sei lá o que” que aconteceu em seu passado? – perguntou interessado.
– No meu passado não existe culpados ou inocentes, Edward. Só existem diferentes graus de responsabilidades*.
- Conheço essa frase. Citando Lisbeth Salander agora?
- Pois é... gosto da maneira como essa frase se encaixa. – Isabella suspirou.
– Diferentes graus de responsabilidades então...
– É bem por ai. – disse enquanto timidamente acariciava o maxilar quadrado e perfeito do homem a sua frente.
– Sabe que não entendo aonde quer chegar ou o que quer dizer, não é?
– E é melhor assim. Acredite em mim! – recostou a cabeça no pescoço de Edward. Mesmo tendo corrido naquela manhã, ele ainda estava perfumado. Um perfume doce e fresco que até então ela não havia sentido completamente. O perfume maravilhoso de Edward Cullen...
– Ah Isabella... queria tanto que você entendesse que nada pode mudar o carinho que eu sinto por você agora. Nem mesmo o seu passado...
– Vou me lembrar disso quando você descobrir tudo. Porque você é você. É curioso e vai descobrir mais cedo ou mais tarde. Espero apenas estar preparada quando isso acontecer. – ao responder isso, Isabella foi entrando no estado depressivo e sombrio que ele já conhecia bem. Edward precisava agir rapidamente para não perdê-la para seu lado “B”, de novo...
– No que mesmo você estava pensando, antes dessa conversa ficar tão seria?! – perguntou tentando parecer realmente despreocupado. Ele puxou o rosto pálido para perto do seu, a fim de encarar os olhos amendoados, que foram revirados para ele. Sua morena rebelde e irreverente estava de volta. E o que ela disse a seguir lhe deixou... encantado. Apesar de tudo — e tudo parecia implicar coisa demais no caso de Isabella — ela ainda conseguia ser encantadoramente inocente.
– Antes de você estragar tudo e essa conversa ficar séria demais, eu estava pensando se aquele seu dom idiota de encontrar formas nas nuvens, funciona também com estrelas... – confessou parecendo envergonhada. Mordeu o canto do lábio inferior lentamente, fazendo-o se lembrar do quanto gostava daquela mania dela.
– Diga um objeto. – sorriu orgulhoso.
– Guarda-chuva. – desafiou.
Ele a virou para frente e pegou uma de suas mãos. Olhou algum tempo para o céu, posteriormente começou a juntar as estrelas, formando o guarda-chuva.
– UAU! Você é mesmo bom nisso. – ela o elogiou.
– Obrigado. Mais um objeto?
– Hum, mostre-me um Ornithorhynchus Anatinus. – o desafiou elevando uma sobrancelha.
– Viu... é por isso que eu gosto tanto de você. Seu senso de humor é sem igual. Tem noção do quanto é difícil encontrar uma mulher que peça para eu “desenhar” um ornitorrinco nas estrelas, com essa graça toda?
– Deixe de ser idiota, Edward. – disse, revirando os olhos novamente.
– Sério. Você está o tempo inteiro ocupada sendo tão autêntica, que não faz ideia de quão singular e especial é. – ele abriu um largo sorriso.
As estrelas lhes ocuparam por mais alguns minutos. Parecia uma brincadeira totalmente infantil, para quem os observava de fora. De fato era. Mas aquela se tornara a brincadeira deles. Apenas deles. E Edward não escondia a pontada de satisfação que sentia em poder entreter a misteriosa Isabella, enquanto eles procuravam figuras no céu. Ah o céu! Esse seria certamente o elemento que mais os faria se lembrar daquele precioso dia que passaram juntos... dia que precisava acabar...
– Edward, não acha que está ficando um pouco tarde para continuarmos sentados aqui no Central Park?
– Isso já é um adeus, Isabella? – ele não escondeu a pontada de frustação que sentiu.
– Bom, prometi que passaria o dia com você. Promessa cumprida. – tocou a ponta do nariz dele.
– Não podemos incluir também a noite nessa promessa? Quer dizer, até onde sei, meu aniversário vai até as 23:59 de hoje. – esperou pela resposta dela com expectativa.
– Edward, independente do que aconteceu hoje entre nós, e foi algo realmente grande pra mim, eu preciso me afastar por algum tempo. Você ouviu minha conversa com Sam sobre isso... não quero que o dia de hoje lhe confunda e... – Edward fechou os lábios dela com as pontas dos dedos.
– Ah Isabella... eu sei que precisa se afastar, não estou questionando isso. Por favor, me dê pelo menos um dia inteiro com você. – soltou os lábios dela, para que a morena conseguisse responder.
– Mas é que eu... – e ele voltou a fechar os lábios dela.
– Um dia, é pedir demais? E quem me garante que você irá aparecer novamente? Que não irá fugir de New York... e de mim? Só te peço isso, Isabella. Um dia inteiro... – insistiu para se fazer ouvir.
– Ok. Você venceu jornalista. Tem até às 23:59 de hoje. – disse ela dando pequenos tapinhas no joelho dele e levantando-se em seguida.
Uma brisa leve soprou na direção dela, levantando um pouco da camiseta que Isabella vestia e expondo parcialmente a pele de suas costas, revelando duas coisas. A primeira, uma parte do sutiã roxo escuro que deixou Edward “animado”. E a segunda, alguns traços pretos e grossos espalhados em toda a extensão das costelas. Uma tatuagem, ele concluiu.
– Você tem uma tatuagem?! – perguntou unindo as sobrancelhas e descansando os braços nos joelhos. Permaneceu sentado.
– Tenho. – ela foi sucinta e visivelmente enrijeceu ao responder.
– É algo que eu possa ver?
– É... talvez eu te deixe ver um dia... – abaixou-se para pegar a mochila.
– Isso é uma promessa? – um sorriso safado brincava no canto dos lábios dele.
– Talvez... – flertou com ele, enquanto jogava a mochila em um dos ombros.
– Só por curiosidade mesmo... por que decidiu fazer a tatuagem?
Ela ponderou a pergunta dele por um instante. Não entendia o motivo pelo qual Edward era tão curioso com tudo que dizia respeito a ela. Isabella não se achava bonita e nem tão pouco interessante. Pelo contrário, ela se achava simplesmente normal. Causava-lhe certa estranheza pensar que tinha conquistado alguém tão bonito e carismático.
– Edward Cullen, sempre tão ávido por informações! – exclamou de brincadeira.
– Eu adoro informações. – disse deixando uma perna cair de lado.
- Por isso se tornou jornalista, suponho.
- E por qual outro motivo seria? – ele riu abertamente — Mas não fuja da minha pergunta sua espertinha...
– Ok. Ok. Essa eu vou responder. Fiz a tatuagem para disfarçar a cicatriz de uma queimadura que tenho nas costas. – observou os olhos dele se estreitarem e imaginou que viriam mais perguntas. Estava certa.
– Só por curiosidade... por que tem uma cicatriz de queimadura nas costas? – disse levantando-se rapidamente para encara os olhos dela.
– Ok. Essa eu não vou te responder. – disse enquanto limpava a relva verde presa em sua bermuda.
– Como eu imaginei.
– Então por que perguntou? – ela mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso. Já sabia a resposta.
– Bom, não custava tentar, não é?! – Edward inclinou-se para dar um selinho casto em Isabella, porém se surpreendeu quando ela retribuiu o beijo com um pouco mais de fulgor. Pararam apenas quando o fôlego faltou. Mantiveram as testas carinhosamente encostadas.
– Vamos? – ela o questionou.
– Claro. E para onde vamos?
– Não sei... estou sem ideias no momento. – disse ainda ofegante.
- Esta com fome? Podemos para em algum restaurante...
- Não estou com fome. E você?
– Eu também não. Se soubesse de alguma coisa em comum que gostamos, eu poderia sugerir isso. – distribuiu mais alguns beijos na face dela. Não tinha nenhuma conotação sexual naquela frase. Até mesmo porque, ele não esperava isso da morena agora.
Sem qualquer motivo aparente, Isabella se lembrou do início da conversa deles naquela tarde. Quando Edward lhe contava empolgado a respeito dos esportes que praticava com o pai e com o amigo Jasper. Eles praticavam boxe e... Ah!
– Eu sei de alguma coisa em comum que gostamos...
– Sério? E o que é? – disse ainda concentrado em beijar a pequena moça presa em seus braços. O local escolhido agora era o lindo pescoço dela.
– Esgrima. – disse um pouco mais alto, enquanto os lábios dele roçavam em seu pescoço. Um desconhecido tom de empolgação na voz.
Edward afastou-se — a contra gosto — do pescoço dela e a encarou confuso. Depois de associar ele e Isabella lutando esgrima, e a esgrima sendo um esporte um tanto violento, começou a rir descompassadamente.
– Qual é a graça, Edward Cullen? – ficou arredia, afastando-se ligeiramente dele.
– Você não acha que vou lutar com você... acha?! Quer dizer... isso não tem a menor lógica!
– Mas que pensamento machista, Edward. Só porque eu sou mulher? Pois saiba que eu luto esgrima muito bem. Muito melhor que muitos machos por aí.
– Não é machismo. É só que... é que... – e ele continuo a rir.
– Está com medo de perder para mim? – perguntou. Um lampejo de expectativa ultrapassou o olhar dela.
– Não está pensando que eu vou aceitar isso. Está? Quer dizer... não poderíamos lutar nem com a mesma arma, Isabella!
– Sim, você está com medo de perder para mim. – concluiu enquanto passava a mãos nas curtas madeixas negras, confundindo todos os sentidos de Edward com o perfume de morangos de seu xampu. Essa era uma arma que ela ainda não sabia que tinha... ainda.
– Eu aceito com uma condição... que isso seja uma aposta. – piscou para ela. Uma interessante ideia se formava. Viu ali a possibilidade de Isabella não desaparecer para sempre no final do dia.
– Ok, se quiser fazer disso uma aposta, para mim tudo bem... – deu de ombros.
– Ok. Se eu ganhar Isabella, você não precisa ir embora. Não precisa se esconder.
– Ah meu caro Edward... sinto em lhe dizer que isso está além até da minha vontade. Não é algo que possa ser apostado. Tente outro prêmio. – gesticulou na direção dele.
– Me dê um minuto para pensar. ok? – pediu levantando o dedo indicador. A outra mão ainda estava pousada na cintura dela.
– Perfeitamente. – permaneceu o encarando.
Completamente perdido nos olhos amendoados que ele tanto gostava, Edward pensou nos possíveis prêmios que poderia conseguir — caso ganhasse aquela luta. Bom, se ela não podia apostar nem sua permanência, o segredo de seu passado obviamente não seria revelado dessa maneira. Ele também não a levaria para a cama por meio de uma aposta. Isso era ridículo demais! Na realidade, não tinham muitos prêmios atrativos, visto que ela precisava se afastar e sendo assim eles não se veriam por algum tempo. Mas... poderiam continuar conversando, não poderiam? Hmmm...
– Já sei o que quero. – disse.
– Ok, sou toda ouvidos.
– Se eu ganhar, quero o número de seu celular.
– Meu celular? – perguntou confusa, não associando de primeira a intenção dele.
– Sim. Afinal, já que não poderei te ver nesse tempo de seu “retiro”, poderíamos pelo menos nos falar! – a ideia soava perfeita.
– Não vai rastrear o número do meu celular para conseguir meu endereço, não é?! – indagou apreensiva.
– Nossa! Assim você até me ofende, Isabella! – fingiu uma falsa indignação.
– Não custava perguntar não é? – disse, utilizando a mesma resposta dele de minutos atrás.
– Então, aceita a aposta? – perguntou, ainda conectado aos olhos dela.
– Aceito. – piscou para ele.
E eles selaram aquela aposta com um gesto social relevante que expressa um sentimento positivo de amizade, afinidade ou confiança entre dois seres humanos. Um aperto de mãos.
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O rock roll utilizado como musica ambiente ecoava alto na cabeça deles, mas nem assim conseguia encobrir completamente o tinido do fino metal raspando seco e certeiro... A motivação dele era conseguir o telefone dela. A motivação dela era... apenas vencê-lo.
Edward e Isabella estavam mesmo lutando.
Estavam na academia que Edward tinha convênio. Ele e Jasper costumavam frequentar para praticar boxe e esgrima. A esgrima é um esporte que evoluiu de uma antiga forma de combate, em que o objetivo é tocar o adversário com uma lâmina, ao mesmo tempo em que se evita ser tocado por ele. Existem três tipos de armas na esgrima: o florete, a espada e o sabre, diferindo não só no formato da lâmina, mas também nas zonas do corpo onde um toque é válido e também como as armas funcionam. A espada foi a arma escolhida por ambos, por ser a única que se pode atingir o corpo todo do adversário.
Eles desferiam uma longa sucessão de golpes e defesas, as espadas se chocando enquanto ambos se esquivavam das investidas ardilosas. Isabella golpeou a espada para a esquerda, enquanto Edward rapidamente se jogava para frente. Foi quando a morena se afastou, erguendo sua espada, mas teve o golpe bloqueado pela certeira espada dele. O golpe atingiu a contorno interno da coxa de Isabella.
– Touché!!! – gritou ele, entusiasmado enquanto acabava de vencer o primeiro duelo. Eles tinham acordado três duelos.
Isabella ofegante retirou a máscara e em seguida a malha preta que protegia o rosto. Apoiou as duas mãos nos joelhos para se recompor.
– Receio que alguém aqui tenha começado com o pé esquerdo. – Edward riu abertamente. Ainda não estava tão ofegante quanto ela, mas caminhava para tal.
– Vai nessa. – Isabella revirou os olhos para ele.
– En garde! – Edward desembainhou a espada, cumprimentando-a para forçar o início do segundo duelo.
– Ei, você não pode pedir en garde, se eu ainda não estou pronta! Não sabe lutar não é?
– Era só um teste para saber se você aguenta mais um duelo. – piscou para ela provocativo.
– É claro que eu aguento. Deixe de ser ridículo! – Isabella colocou rapidamente a máscara, deixando a malha preta jogada no chão. Cumprimentou Edward com um sonoro “En garde” e jogou-se para cima dele retomando a luta e dando início ao segundo duelo.
As espadas voltaram a golpear o ar repetidas vezes, produzindo até algumas centelhas. Os esgrimistas eram habilidosos e fugiam dos golpes alheios com facilidade. Ele aprenderá lutar com Carlisle, que tinha um estilo mais barulhento de duelar. Ensinou Edward a produzir altos ruídos cheios de esforço. Chicotear rapidamente a ponta da espada de um lado a outro, girar as pernas quase como se dançasse um tango argentino, sendo essa uma técnica vistosa e atraente. Todas as artimanhas eram táticas para desorientar o adversário. Já ela, aprenderá a lutar com Charlie, que estava mais para um guerreiro constante e paciente. Isabella era mais cuidadosa em suas investidas, parecendo até ter poucas chances de fazer a coisa certa. Seus pés traçavam suaves padrões com tanta graça e leveza, que sua luta mais parecia a encenação de um passo de ballet. O segundo duelo acabou quando Isabella golpeou o abdômen de Edward.
– Touché!!! – gritou. O som de sua voz abafado pela máscara.
Ambos se afastaram para recuperar o fôlego. Edward mantinha a mão no local onde a pouco havia sido atingido por Isabella. Aquilo a preocupou.
– Te machuquei, Edward? – questionou preocupada, arqueando a sobrancelha bem feita.
– Não. – respondeu utilizando toda a reserva de ar dos pulmões.
– Olha só! Parece que tem alguém cansado aqui. – era a vez de ela provocá-lo.
– Nem conte com isso, Isabella. Ainda temos um duelo. – respondeu sob a respiração ofegante.
– Um duelo que você vai perder, evidentemente. – abriu a máscara para encará-lo.
– Ah Isabella, recupere logo seu fôlego, pois pretendo te ligar assim que vencer esse duelo e tiver acesso ao meu celular. – incitou.
Com tais palavras, Edward fez a moça se lembrar de que o prêmio daquela luta, para ele, era o número de celular dela. Era tão significativo para ele, que por algum motivo Isabella achou engraçado. Tão engraçado que não se conteve e riu abertamente — pela primeira vez em anos — bem ali na frente dele.
Aquilo o desconcentrou completamente. Apertou os olhos para conferir se estava vendo aquilo mesmo. Isabella sorrindo. Não! Isabella rindo! Os lábios dela se retraíram para cima com tanta graça, que produziram um som quase como de sinos. Ele a fez rir! Ela riu para ele e... o que ele deveria fazer mesmo? Edward ainda estava preso à recente memória do riso de sua oponente, que demorou demais para reagir quando Isabella fechou a máscara e o cumprimentou para dar início ao terceiro duelo.
– En garde! – disse ela em alta voz.
Isabella percebeu a inércia do parceiro de luta e tocou em sua espada. O barulho o fez reagir. As expressões de ambos estavam concentradas. Começaram a duelar com muita força e rapidez, tanto que os arcos das lâminas quase se desprenderam de sua base... Era o último duelo. A chance de Edward, de alguma forma, manter Isabella na vida dele. E a chance dela de vencê-lo. Após os primeiros toques, eles empataram. A luta foi ganhando velocidade à medida que a vontade interior de vencer crescia no peito de cada um. O jornalista cruzou para a esquerda da espada dela e se voltou para atacar por baixo. Ela defendeu o golpe. O cansaço começou a dominá-los, pois já estavam lutando há quase vinte demorados minutos sem um golpe certeiro sequer.
Até que a experiente Isabella decidiu acabar logo com a luta...
Utilizando a sequência de golpes que Charlie mais gostava, Isabella se lançou para frente em um movimento rápido, empurrando a ponta da espada para a direita, depois para a esquerda e logo em seguida bem rente ao tórax de Edward. Para confundi-lo, ela ligeiramente se afastou, mas mergulhou a ponta da espada no coração de Edward. Isabella o venceu.
– Touché!!! – soltou o grito de vitória.
No movimento seguinte ela o desarmou e o som da espada dele caindo no chão foi ouvido. Isabella retirou rapidamente a máscara a jogando de lado. Foi logo dizendo empolgada...
– E a vitória veio com um golpe bem no coração e...
E a frase dela foi interrompida pelos quentes lábios de Edward. Um beijo cheio de... saudade? Ela o tinha beijado poucas vezes, mas aquele parecia diferente de todos os outros beijos. Só então Isabella percebeu que não era um simples beijo e sim uma despedida. Edward sabia que ela precisava partir depois daquela luta. Não compreendia, mas aceitava. Entendendo isso, a moça retribuiu toda a intensidade daquele sentimento, jogando sua espada no chão, passando os braços por seu pescoço e dando pequenos puxões nos cabelos revoltos dele. Edward gemeu com a dor provocada pelo gesto, mas gostou da atitude dela. Manteve uma das mãos possessivamente na cintura da morena, que estava coberta pelo macacão branco acolchoado. A outra empurrava a nuca dela para frente, para mais perto de sua boca. Olhos fechados, respiração ofegante e a língua explorando cada centímetro da boca de Isabella. Paraiso! Apertava tanto a pequena contra seu corpo, que ela conseguia sentir todo o calor que emanava dele. Todo o seu desejo. Estavam tão imersos na sensação extasiante daquele beijo, que se esqueceram de que não estavam sozinhos na academia...
Alguns pigarros e risadas estridentes os trouxeram ao mundo real. Ao mundo de uma despedida eminente... O casal deixou o local da luta sorrindo timidamente e logo foi substituído por uma nova dupla. E todo resto logo ficou em segundo plano.
– Obrigado por me dar algo bom para lembrar de você. Seu sorriso é lindo. – Edward agradeceu.
– De nada. – respondeu encabulada.
– E é uma pena eu não ter ganhado. – disse, um sorriso torto e triste no canto dos lábios. Lembrou que tinha acabo de perder a oportunidade de ter o número dela.
– Não faz essa cara de derrotado! Foi uma boa luta. — respondeu dando um modesto soco no ombro dele e arrancando-lhe um sorriso mais feliz.
– Isso foi mesmo. – ele devolveu o soco. – Mas ainda não tenho seu telefone... então... – disse dando de ombros.
– Bom, vou me trocar para irmos embora. – ela mudou o assunto.
– Ok, eu também.
– Me espera na lanchonete daqui?
– Com certeza.
Ela se levantou, depositando um selinho rápido nos lábios dele e saiu rumo ao vestiário feminino.
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Quando Edward chegou à lanchonete, Isabella já estava lá, acomodada em uma das mesas e agarrada ao seu exemplar surrado de O Palermo das aves de Geoffrey Chaucer e a um lápis, que pelo que ele pôde entender, fazia a função de um marcador de páginas. O cabelo molhado do banho, cuidadosamente penteado para trás lhe caia muito bem. Estava tão compenetrada na leitura, que nem percebeu a aproximação dele.
– Você não tem um marca páginas? – perguntou.
– Ai que susto! – Isabella deu um salto na cadeira e espalmou a pequena mão no peito, assustada. Da mesma maneira que fez no primeiro dia em que se conheceram. O gesto deixou Edward nostálgico.
– Me desculpe. – deu um beijo na testa dela, sentando-se em seguida.
– Está desculpado. – respondeu abrindo uma latinha de Coca-Cola. — Está servido?
– Não obrigado. Não gosto de Coca-Cola. – franziu o nariz teatralmente.
– Não? Cara, você é realmente estranho. – brincou com ele arregalando os olhos.
– Você também é. – Edward deu de ombros e ela sorriu.
O celular de Isabella tocou e ela se afastou para atender, pedindo licença educadamente. Foi então que Edward percebeu que ela havia deixado o livro em cima da mesa. Naquele momento ele tinha o livro dela, o lápis dela e uma ideia se formando de sua cabeça... pegou o livro.
– Está interessante a leitura? – questionou divertida.
– Oh sim, muito interessante. – fechou o livro e devolveu para a dona.
– Fico feliz que esteja gostando. Te darei um exemplar de presente. – disse arrastando a cadeira para bem próximo dele.
– Isso quer dizer que vamos nos ver de novo? Quer dizer, você realmente vai embora? – não conseguiu evitar o tom de decepção em sua voz. Na verdade, ele ainda tinha esperança de que ela desistisse daquela ideia ridícula de se trancar em casa por período indeterminado.
Isabella esperou um pouco para responder.
– Eu volto assim que der, Edward. Mas isso não quer dizer que precisa ficar esperando por mim. Quer dizer, se você conhecer alguém legal e se apaixonar, por mim tudo bem. Já tivemos bons momentos. – disse tombando levemente a cabeça para o lado.
– Acho que é uma opção minha decidir te esperar ou não. Assim como é uma opção sua decidir voltar ou não. – disse desviando-se do intenso olhar dela. Por que agora parecia tão difícil encarar os olhos castanhos que ele gostava tanto?
– Eu. Volto. Edward. – disse pausadamente, depois de puxar o rosto dele para encará-lo. – Isso é uma promessa. Ok?
– Ok. – assentiu.
– Agora me diga que horas são. – disse empurrando o celular para ele.
– São 23:57...por quê? – suspirou e empurrou o celular para ela.
– E então? – questionou.
– E então? – devolveu a pergunta.
– E então ainda é seu aniversário, Edward. — Falou como se aquilo fosse obvio demais e sem seguida o envolveu em um abraço de cumplicidade. Sussurrou em seu ouvido... – Feliz aniversário, Edward Cullen. Te desejo tudo de melhor nessa vida. Você é um bom homem. Tem uma alma linda e nobre. E tão transparente que eu posso enxergá-la através de seus olhos. Obrigada pelos três encontros esquisitos, mas ainda assim perfeitos, que tivemos. E me desculpe por ser tão estranha... – a emoção tomou conta da voz dela forçando-a à parar de falar. Ah que droga Isabella! Não é hora de ser emotiva! Pensou para si mesma.
– Obrigado Isabella. – foi tudo que conseguiu dizer, pois também havia ficado emocionado com as palavras dela.
– Bom, agora preciso mesmo ir. – tocou suavemente o rosto dele com a barba por fazer.
– Posso te levar em casa?
– Não acho uma boa ideia, por dois motivos. Primeiro, porque você descobriria onde eu moro e provavelmente iria atrás de mim. – ela riu — E segundo, eu nem te conheço direito. Que absurdo!
– Ok. Então me diga como vou saber quando você voltar?
– Hum... que tal eu te ligar e avisar? O que acha? Eu acho uma boa ideia.
– Não, má ideia na verdade! Você nem tem o número do meu celular. – disse ele.
– Ah meu caro Edward... meu sexto sentido me diz que você anotou o seu número de celular bem aqui no meu livro. – disse tocando a capa do livro esquecido em cima da mesa.
– E você ainda diz que não me conhece direito.
Edward abriu um sorriso torto...
Isabella retribuiu o sorriso e em seguida se foi...
*Frase inspirada no livro "Millenium, os homens que não amavam as mulheres".
Notas finais
Olá meninas!!! Tudo bem?!
"Isabella retribuiu o sorriso e em seguida se foi..." Agora vejam minha situação depois de ler essa frase: Se foi? Isabella se foi??? SE FOI??? AHHHHH NÃO, NÃO, NÃO! Eu me questiono para onde, porque e por quanto tempo isso :(, acreditando que essas sejam as mesmas questões que rondam o imaginário do nosso jornalista apaixonado, certo?! Apesar de alguns momentos tensos em que eu pensei que a Bella fugiria do Edward, ADOREI demais esse capítulo, do início ao fim. É nítido que o nível de intimidade entre eles cresce gradativamente (e digo não apenas o físico, que por sinal está ótimo heheh). Isso acontece a medida que um está conseguindo entrar no mundo do outro, ou seja, conforme estão se apaixonando!!! Edward pode até não ter vencido a disputada de tirar o fôlego, mas ganhou o riso de Isabella... e um mínimo que seja de sua confiança! Agora torcendo loucamente aqui para que um celular toque no próximo post... viu Juh?! Ehehe ;) Enquanto isso, depois de mais um super capítulo, bora comentar e recomendar a fic, que está cada vez mais apaixonante!!!
Beijos e até o próximo post!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas... quanto tempo! Espero que todas estejam bem. Demorei pra atualizar a fic porque fiquei sem internet em casa! Um terror! hahaha
O que acharam deste capitulo? Espero que tenham gostado. Foi muito bom escreve-lo. Vocês não tem noção de quanto pesquisei esgrima, para escrever algo que fizesse sentido na luta! rs
Obrigada todos os reviews e recomendações! Amo todas elas!
E sejam bem vindas as novas leitoras!
Prometo não demorar tanto assim com o proximo capitulo!
Fiquem com Deus e boa semana!
Bjsss,
Juh Cantalice
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