Notas iniciais
Meninas, bom dia! Aqui está mais um capítulo de NSAPM. Boa leitura!
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RECOMENDAÇÃO: Gostaria de agradecer a Giovana Castrande que recomendou NSAPM essa semana. Fiquei muito feliz e emocionada com suas palavras... de verdade! Obrigada! *-*
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REVIEWS: Meninas... é com imensa alegria que lhes informo que estamos crescendo! O último capítulo de NSAPM recebeu reviews de: Carlinha Rodrigues, Simone, Lais Sodre, Leila, Giovana Castrande, MariRS, Clau_Swan, ZILHOPE, DiCullen, Lili Swan, CassiaReisMatias, FlaViancoti, Mari Novaes, Ceciliamarlene, Cleo Del Barco, FulviaStew, Eclipse She, Gaby Cullen, Thaiz Mouzinho, NaaPreste, NovaCullen, MafySilva, Elizeth Alves, Ana Cullen, Filipa Cullen, Dricamcotur, ViviPink, Vivi Costa, Mah Spolador, Paty Winter, TheRugue, Pantas, Vamp Writer, Raquel Lopes, Cris Rodrigues e Cassisilene. (Acharam o nome de vocês aí? rs) Obrigada! E quero desejar boas vindas as novas leitoras! ♥

Em algum dia de Julho do ano de 2007...


Droga! Aquela era a única voz que ele queria e até deveria evitar. Bree Tanner. Por que a delegada tinha que aparecer ali justo naquela hora? Essa era mais uma prova de que o destino era cruel e não ia muito com a cara dele. O jornalista respirou fundo, retomando o controle das emoções afloradas de seu corpo — que estava assim devido as recentes descobertas a respeito de Isabella — e virou-se para encontrar a delegada encostada na porta do escritório de seu amigo. Bree mantinha os braços cruzados em frente ao seu corpo esguio e os especulativos olhos castanhos fixos nele. Edward conhecia muito bem aquele tipo de olhar e tinha a mais plena certeza de que a delegada exigiria saber o que ele fazia ali, na sala de Jasper... entretanto sem Jasper. Ele sabia que a viagem do amigo para o Simpósio de médicos legistas em Londres era de conhecimento dela. Claro que era...

Droga! Droga! Ele não queria envolver o amigo em problemas que o prejudicassem profissionalmente. Não quando Jasper confiou plenamente nele, a ponto de lhe entregar seus dados do site da polícia federal, mesmo sabendo que isso configurava um grave crime de quebra de confidencialidade de informações. O jornalista seria eternamente grato ao amigo por esse gesto tão sublime de confiança. Rapidamente Edward pensou em uma mentira plausível para contar à Bree, com a intenção única e exclusivamente de proteger o amigo. A história do contrato do apartamento deles em um envelope confidencial parecia tão furada agora que Bree estava bem ali, na sua frente. Afinal, ela sempre foi uma boa amiga e grande parte do sucesso dele como jornalista devia-se ao suporte que ela sempre lhe proporcionou, tanto para realizar as investigações, quanto para publicar as suas matérias. Edward também seria eternamente grato à amiga por isso.

Droga! Droga! Droga! Mil vezes droga! Quanto mais ele refletia a respeito da situação embaraçosa, mais percebia que estava em uma tremenda enrascada introspectiva. A quem Edward devia lealdade agora? A Jasper? Ou a Bree?

– Boa noite, Bree. – a cumprimentou enquanto remexia em alguns papeis aleatórios na mesa do amigo na tentativa de ganhar tempo, e inventar uma mentira no mínimo coerente para sair da situação vexatória sem causar grandes danos nem a Jasper, e nem a sua amizade com a delegada. Apesar de repudiar a mentira em todos os seus níveis, ele era obrigado a conviver com ela devido sua profissão. Ser jornalista investigativo muitas vezes implicava em ter uma vida dupla e até omitir alguns fatos importantes, sendo que nesses casos com certeza o fim justificava os meios. Eram ossos do oficio, infelizmente... – Como você está? — sua voz saiu mais confiante do que imaginava estar e isso era bom.

– Boa noite rapaz! Estou muito bem, obrigada. E você? – ela o cumprimentou educadamente com uma aceno de cabeça.

– Vou bem também, obrigado. – ele respondeu guardando a papelada desconhecida em uma pasta qualquer que encontrou em cima da mesa.

– O que você faz aqui tão tarde? E sem Jasper? – o questionou arqueando uma sobrancelha por sob a haste dos óculos obsoleto.

– Bom, tive que vim até aqui buscar um documento importante, acredita? É a renovação da locação do nosso apartamento. O contrato já está assinado e precisamos devolver uma via original para a imobiliária. – Edward optou pela história do contrato mesmo, afinal já tinha dito isso para a recepcionista do prédio e a mentira seria mais plausível se fosse a mesma.

– Entendo. E ele se esqueceu de levar o contrato pra casa e lhe entregar, suponho. – Bree respondeu naturalmente, ainda encostada na porta e de braços cruzados.

– Pois é, você conhece o Jasper. Sabe como ele às vezes esquece fácil de coisas importantes. – deu de ombros para valorizar sua encenação.

– Ah! Eu sei bem como é... – Bree respondeu compassiva, indo vagarosamente em direção a ele. – Você já reparou que ele anda ainda mais atrapalhado e esquecido ultimamente?

– Hmm... reparei sim. – foi a única coisa que ele conseguiu responder, enquanto lhe entregava um falso sorriso torto.

Conforme Bree aproximava-se dele e consecutivamente do computador — que a pouco foi responsável por entregar a ele boa parte do segredo de Isabella — Edward ficava mais tenso. O peso da mentira que ele descaradamente encenava ficava mais árduo, e até mesmo o papel rabiscado com o login e senha de seu amigo e os contatos comerciais de Sam Uley, parecia denso demais em seu bolso. Aquilo era a prova real de seu delito.

– Veja bem... imagino que a distração exacerbada de nosso amigo tenha nome e sobrenome. Alice Cullen. Você conhece? — A delegada sorriu aproximando-se da mesa de Jasper. Ela passou os dedos distraidamente no porta-retrato com a foto da irmã de Edward, que estava enfeitando a mesa de Jasper. Ele aproveitou esse momento fortuito para espiar se o monitor já estava desligado. E estava. Ufa!

– Oh sim... conheço essa tal de Alice Cullen. E muito bem por sinal... – Edward piscou para ela em tom conspirativo.

– Sabe Edward, fico muito feliz que Jasper tenha finalmente tido coragem de se declarar para sua irmã. – Bree confidenciou sua satisfação a ele, enquanto pegava o porta-retrato nas mãos e limpava a fina camada de pó que estava impregnada nele. Jasper não era uma pessoa muito dada à limpeza.

– Então você já sabe do relacionamento deles? – ele afirmou com uma aceno de cabeça — Foi Jasper quem te contou? – questionou um tanto ofendido. Como assim o amigo havia aberto o relacionamento com Alice para Bree, sem nem ao menos ter mencionado nada para ele? Onde ficava a velha camaradagem?

– Oh não! Claro que não! Você sabe como Jasper é fechado. – ela logo se explicou.

– Então como...? – perguntou confuso.

– É que sua irmã passa quase todos os dias aqui na hora do almoço e arrasta Jasper para almoçar com ela. E bom... eles me pareceram bem íntimos em algumas ocasiões, se é que me entende. Foi só juntar os fatos. – Bree explicou sua teoria, dando de ombros e Edward relaxou um pouco ao constatar que o amigo não tinha dito nada para ela. Então a velha camaradagem continuava intacta.

– Ah, entendi. – respondeu enquanto passava a mão pelos cabelos desalinhados. Não queria prolongar aquele assunto, apesar dele ser uma grata distração para Bree não questionar novamente o motivo pelo qual ele estava ali. Edward pegou a pasta que serviria como seu álibi para sair da sala sem maiores interrogatórios por parte dela. – Bree, me desculpe, mas eu já preciso ir. O coitado do funcionário da imobiliária só está me esperando com esses papeis, para depois encerrar o expediente dele. — Disse apontando o dedo para a porta.

– Ah claro! Vai lá rapaz... e por favor apareça mais vezes. – ela sorriu e o envolveu num afetuoso abraço de despedida. Edward praguejou internamente por estar enganando-a daquela maneira.

– Vou aparecer sim. Prometo! – prometeu assim que desfez o abraço, sem ter mais o que dizer para a amiga.

– Vou te acompanhar até o elevador. – ela se ofereceu sendo simpática.

E juntos ele deixaram a sala de Jasper.

Edward e Bree trocaram mais meia dúzia de palavras animadas esperando o elevador chegar ao último andar. Na verdade apenas a delegada falou. Ele estava tão tenso que apenas acrescentava acenos e monossílabos aqui e ali, nas ocasiões em que ela parava de discursar e lhe permitia a palavra. O jornalista só conseguia pensar que cada passo para mais perto da porta de saída, era um passo para longe da mentira deslavada que ele estava contando para ela. O elevador chegou, Edward entrou apressado nele e ansioso apertou várias vezes o botão do térreo.

– Edward! – Bree o chamou, enquanto enfiava a mão por entre as portas do elevador, a fim de evitar o fechamento total das mesmas. Um arrepio frio desceu por sua espinha, fazendo-o apertar um pouco mais a pasta em suas mãos. Será que ela, de alguma forma, sabia o que ele fazia na sala de Jasper e estava apenas encenando esse tempo todo? Ela continuou a falar. – Estava pensando aqui que você me deve uma resposta... – disse sendo evasiva.

– Eu devo? – questionou sem lembrar-se exatamente o que devia a ela. Mas o pensamento lógico de Edward estava, de certa forma, prejudicado por causa da adrenalina do momento. – Não me lembro de dever nada. Me desculpe...

– Claro que deve. – ela rolou os olhos divertidamente – Preciso saber se você quer entrar no caso da investigação de tráfico de entorpecentes nas boates de Soho. Se lembra agora? Você ficou de me dar sua resposta ainda essa semana e hoje já é sexta-feira à noite...

– Ah! É disso que você está falando. – respondeu aliviado.

– É óbvio que é disso. Do que mais seria? – indagou impaciente.

– Sim, pode contar comigo. Vou entrar no caso com sua equipe. – manteve a face relaxada ao responder aquilo, decidindo aceitar o caso. Era o mínimo que ele poderia fazer por Bree agora que estava fraudando sua confiança.

– Ótimo Sr. Sherlok Holmes! Me acompanha rapidinho até minha sala? Prometo que não vai demorar mais de um minuto. Quero te entregar alguns arquivos desse caso, para você começar a estudá-lo nesse final de semana! – disse empolgada.

– Ok, vamos lá. – respondeu saindo do elevador e seguindo Bree pelo conhecido corredor da sala dela.

A sala de Bree estava como sempre. Desarrumada e cheia de papeis e pastas em cima da mesa. Os móveis de mogno foram adquiridos em um antiquário e, mesmo sendo velhos, ainda eram muito bem conservados e até charmosos, proporcionando assim um ar bem sério a sala da delegada. Apesar de Bree ser uma fumante compulsiva e irreparável, a sala dela não cheirava a cigarros e sim a papel velho, café e bala de hortelã. Era terminantemente proibido por ela fumar ali dentro. O jornalista não precisou nem ao menos se sentar. Em pouco mais de um minuto, Bree estava lhe entregando um amontoado de pastas que continham o inquérito preliminar da investigação.

– Então meu rapaz, por gentileza leia todo esse material nesse final de semana e esteja aqui na segunda-feira às nove da manhã, para a primeira reunião com a divisão de narcóticos de polícia federal. Vamos começar a desenhar a estratégia para investigar a infração no local. Quem sabe não descobrimos mais do que tráfico de droga? Sei lá... estou tão animada. – disse Bree enquanto entregava a ele a última pasta. De certo modo Edward ficou feliz com aquilo. Teria algo para ocupar sua cabeça o final de semana inteiro, e sem contar que trabalhar em um novo caso era sempre uma distração muito bem vinda.

– Sim senhora. – brincou com ela.

– Senhora é a sua vó! – ralhou ela. Bree odiava sentir-se velha e proibia todos seus funcionários de chamá-la de senhora.

– É... ela realmente é uma senhora. – ele riu e foi acompanhado por ela. – Acho que vou precisar que me acompanhe de novo até o elevador. – disse apontando com a cabeça para as pastas pesadas que transbordavam em seus braços.

– Sim, sim! Vamos lá. – ela respondeu agitando os braços ao redor do corpo e eles saíram da sala. A delegada despediu-se de Edward no hall do elevador, alegando que ainda tinha um relatório para concluir, por isso não desceria com ele. Assim que as portas se fecharam o jornalista encostou-se a uma das paredes frias do elevador de metal e soltou um sonoro suspiro cheio de alívio... e também de culpa. Alívio por não ter sido pego. Culpa por ter mentido para Bree. Como é possível ao ser humano vivenciar tantos sentimentos conflitantes ao mesmo tempo? Esse deveria ser um fardo exclusivamente humano, afinal as outras espécies – os cães, por exemplo – não amavam e odiavam ao mesmo tempo.

Ele saiu apressado do elevador, já tateando os bolsos – com certa dificuldade, visto que o volume das pastas o atrapalhava — em busca do crachá de visitante. Passou pela catraca barulhenta depositando o crachá de plástico nela e gritou um sonoro “Obrigado” para a recepcionista, que ainda suspirava e se derretia toda por ele lá no balcão. Vulgar! Edward apertou o alarme de seu Volvo para destrancá-lo e entrou no banco do motorista, jogando todas as pastas no banco do carona. Sem mais demora pegou o papel no bolso de trás da calça, junto com seu celular e discou o número do escritório de Sam. Foram necessários três toques para a chamada cair em uma secretária eletrônica. A gravação informava que o horário de funcionamento do escritório se dava de segunda a sexta-feira das 9:00am às 18:30pm. Ele olhou para o relógio digital do painel do carro e constatou, com certa tristeza e frustação, que já passava das oito da noite... isso queria dizer que ele teria de esperar até segunda-feira para conseguir qualquer tipo de contato com Sam. Irritado, desligou a ligação, jogou com violência o celular no banco do carona junto com as pastas e esmurrou várias vezes o volante a sua frente, descontando no objeto indefeso toda sua raiva. Merda!

***NSAPM***

O vazio do apartamento fazia com que Edward se sentisse estranho. Pois é... pelo visto seria mesmo difícil passar os próximos seis meses sem seu amigo espaçoso, barulhento e convencido. E quanto a Isabella? Ah! A vida era uma vadia injusta mesmo. Por que nada com relação à morena dava certo de primeira? O jornalista estava agora devorando um lanche do Mc Donald´s, com batatinhas e uma coca cola bem gelada, enquanto pensava em todas essas coisas e começava a ler os papeis da pré-investigação que Bree havia lhe entregado a pouco, quando seu celular tocou. Era um SMS de Jasper:

“Queria saber se deu tudo certo lá na delegacia. Ninguém te pegou? Mande noticias brow! Por sua culpa estou ansioso aqui do outro lado do Oceano Atlântico. Abraço. JW.”.

Ah Jasper! Ele era mesmo um amigão sem igual e Edward nem tinha certeza se merecia tamanha amizade e confiança. Mas a recíproca era verdadeira, afinal ele tinha o amigo na mais alta conta. O considerava um irmão. Respondeu o SMS prontamente.

“Brow, deu tudo certo sim! Obrigadão! Desculpa não te enviar o SMS antes avisando. É que eu estou meio enrolado aqui. Abraço. EC.”.

Menos de três minutos depois o celular dele tocou novamente.

“Me diga quando você não está enrolado? Rs rs rs. Não precisa agradecer. Depois que encontrar com a fujona, me diga como foi. E por favor cuide da Alice enquanto eu estiver fora. Você me deve uma! Rs rs rs Abraço. JW.”.

Edward riu abertamente para o apelido que o amigo referiu-se a Isabella. Ela era de fato uma fujona. Respondeu o SMS enquanto bebia mais um gole de coca gelada.

“Eu enrolado? Olha quem fala! Ok, te aviso assim que encontrar com ela. Cuidar da Alice? Isso é coisa que se peça? Ela é minha irmã, esqueceu? Cuido dela a muito mais tempo que você! Rs rs rs. Pode deixar que fico de olho na baixinha. Obrigado de novo. Abraço. EC.”.

Ele ainda sorria com a última mensagem do legista, quando a campainha de seu apartamento soou alta e exigente. Edward ficou paralisado. Quem seria? Ele não estava esperando visitas. Aliás, nem ele e nem o amigo tinham o costume de receber visitas no apartamento deles. Até mesmo os membros da família Cullen não apareciam por ali com muita frequência. Os parentes de Jasper então nem se fala. A campainha soou mais uma vez. Receoso, Edward caminhou até a porta e espiou pelo olho mágico. Congelou. O que ela estava fazendo ali? Com o suor frio começando a dar sinal de vida e umedecendo suas mãos, ele destrancou a porta. Ela o cumprimentou primeiro.

– Olá Sr. Sherlok Holmes! – disse animada tirando os óculos.

– Ah! Olá... Errr... o que você faz aqui? – questionou franzindo o cenho.

– Preciso conversar contigo. Posso entrar? – a delegada indagou.

– Claro que pode! – Edward respondeu dando passagem para Bree entrar em seu apartamento e trancou a porta. Entendeu então que ela sabia de tudo e que agora ele estava fodido.

– UAU! Vejo que já está envolvido no caso. É por isso que eu sempre escolho você, meu rapaz. Gosto da rapidez com que trabalha! – o elogiou enquanto se servia de uma batatinha e olhava de relance para a papelada esparramada em cima da mesa.

– Hmmm... obrigado...? – o agradecimento dele saiu muito mais como um questionamento. A visita dela com certeza não era para falar do caso. Edward respirou fundo e esperou pelo que vinha pela frente.

– Eu vim até seu apartamento como sua amiga. Não pense que é diferente, ok? – ela disse colocando os óculos e a bolsa em cima de mesa e em seguida tirando o crachá de delegada do pescoço e jogando-o também na mesa. Fez o gesto muito lentamente para que Edward captasse o teor da conversa. Completou sua frase apontando para o crachá esquecido em cima da mesa, depois para ela mesma e depois para ele – Agora é sem o crachá, sem a delega Bree Tanner ou o jornalista Edward Cullen, apenas Bree e Edward velhos amigos. Ok? Quero que me diga a verdade e não aceito menos que isso. Quero saber o que você fazia na delegacia hoje.

– Bree eu não... é que eu... eu não...– gaguejou sem saber exatamente o que dizer.

– Sabe Edward, você é um excelente mentiroso. Sua profissão pede isso e eu entendo. Por Deus como eu entendo! E é essa sua versatilidade que te faz um profissional tão brilhante nessa área. Você não tem medo de mentir, se isso te levar até a conclusão de um caso. Eu mesma teria acreditado na história ridícula que você me contou sobre a merda de um contrato que Jasper se esqueceu de te entregar, se eu não tivesse visto pessoalmente você mexendo no computador dele. – ela finalizou seu discurso quase enfiando o dedo na cara dele.

– Bree é que... – ela levantou o dedo indicador novamente, fazendo-o parar de falar.

– Então, por favor, em nome da nossa amizade de tantos anos, eu quero que me diga a verdade! Quero saber por que você entrou na minha delegacia, no meu horário, mentiu pra mim e ainda flertou com a vaca da recepcionista! – ela gritou exasperada a última parte da frase.

– Ela te contou que flertei com ela? – Então foi a recepcionista sonsa que contou a Bree que Edward estava no prédio.

– Contou e eu acredito. Afinal, você consegue muita coisa com esse seu sorrisinho malandro.

– Por quer ela te falou isso? – Aquela traíra! Edward sabia que não podia confiar em alguém que queria apenas dar para ele. Elas eram mesmo todas iguais. Interesseiras.

– Eu desci para fumar e encontrei-a suspirando. Achei a cena patética e perguntei o que ela tinha, então ela me disse com os olhos brilhando que você estava no prédio a pedido do Jasper. Agora não muda de assunto. Quero a verdade.

Eles se olharam por um momento silencioso.

Era injusto o que ele fez com Bree. Mentir para ela em qualquer circunstância era ridículo demais. Edward optou pela verdade, ou por pelo menos parte dela, para não prejudicar o amigo.

– Se lembra de Isabella? – Edward questionou.

– Com certeza. É aquela moça que te auxiliou com a matéria do Caso Volturi e blá, blá, blá... – ironizou, não porque não dava a mínima para os sentimentos dele. Mas porque estava muito puta da vida por ter sido deliberadamente enganada.

– Eu precisava descobrir o endereço de Isabella. Ouve um mal entendido essa manhã e eu preciso encontrá-la. Foi só isso, Bree... – confessou envergonhado, mas ainda assim sustentando o olhar duro que a delegada jogava em sua direção.

– E aí você esperou Jasper viajar, conseguiu sabe se lá como o login e senha dele e foi até a delegacia procurar o endereço de Isabella? – ele afirmou com a cabeça. Não era de tudo verdade, mas era bom que ela pensasse que tinha ocorrido exatamente daquela maneira. Assim Jasper não seria implicado – Porra Edward! Não passou pela sua cabeça de me pedir?

– Eu não estou ouvindo isso! Qual é, Bree, quer enganar quem? Você não me daria os contatos dela tão facilmente. Você é ética demais pra isso! – Edward retrucou irritado.

– Você me convenceria. Tenho certeza disso! – ela retrucou agora mais irritada que ele.

– Ok... mas isso demandaria muito tempo. E tempo é uma regalia que eu não tenho! Não precisamos brigar por isso Bree...

– Não quero brigar, é só que isso não faz sentido nenhum para mim! Não entendo como vocês estavam juntos e ela não lhe disse ao menos onde morava! Você nunca a levou em casa? Não conheceu a família dela? – Bree mantinha uma impressão chocada no rosto.

– É complicado... – respondeu com relutância. Bree estava entrando em um terreno proibido... até mesmo para Edward.

– Mas eu quero saber, porra! Eu tenho esse direito e você sabe disso. Quero saber o que é assim tão complicado que te fez mentir até para mim, e ainda o fez se arriscar ao ponto ser pego dentro daquela delegacia. – ela exigiu. – Você já pensou na possibilidade de outra pessoa te pegar lá dentro, sem uma autorização? Seria sua credibilidade em jogo, Edward.

– Ok! Ok, vou te contar tudo. – disse completamente rendido e jogando as mãos para o alto. – Sente-se, por favor. – pediu educadamente, apontando para uma das cadeiras que compunham o conjunto da mesa de jantar. Ela sentou cruzando as pernas e ele apoiando os cotovelos nos joelhos.

E então Edward lhe contou tudo.

Começou dizendo o quanto ela era instável, reservada e que por algum motivo até então desconhecido por ele, Isabella teve de se afastar dele e de todo o convívio social por um período indeterminado de tempo. Descreveu em minucia como ocorreu o mal entendido que ela havia presenciado no Starbucks naquela mesma manhã, quando erroneamente entendeu que Alice era sua namorada. E por fim entregou a Bree o mais importante. Confessou-lhe que a morena estava inserida no programa de proteção a vítimas e testemunhas da polícia federal, deixando a delegada chocada. Explicou que não sabia o motivo pelo qual ela estava no programa e não queria saber.

– Edward, isso é muito grave! Essa moça pode ser uma assassina! – disse mortificada e verdadeiramente preocupada com o amigo.

– Eu sei... mas ela também pode ser a vítima, Bree! Vamos admitir que isso é uma possibilidade. – ele explicou.

– Sim, é uma possibilidade. Pos-si-bi-li-da-de, Edward! – ela fria e vagarosamente – E ainda assim você vai entrar de cabeça nessa? – indagou mantendo os olhos arregalados.

– Eu... eu já estou nessa. – confessou sendo tomado pela verdade daquelas palavras. Ele já estava naquela desde o momento em que entrou na loja de Isabella.

– UAU! Não achei que fosse tão sério... – disse com espanto. Ela conhecia bem o jornalista e já havia presenciado Edward “caçar”, sabia que o sexo oposto dificilmente resistia a uma investida dele, porém compreendia acima de tudo que ele não era de se prender emocionalmente a mulheres. Apesar de muitas já terem passado por sua cama, nenhuma permaneceu ali por mais de 24horas.

O comentário inocente dela foi suficiente para Edward estourar de vez e verbalizar toda a confusão que estavam seus sentimentos.

– Eu também não sabia disso! Mas que caralho! – gritou levantando da cadeira num rompante e derrubando-a no chão — Eu não sei o que essa moça fez comigo, Bree! Que tipo de encanto ela me jogou, que em um passe de mágica despertou hormônios impúrberes adormecidos em mim! Eu não sou assim... você me conhece e sabe disso. Eu não me prendo a mulher nenhuma! Mas nela... agora eu penso nela as vinte e quatro horas do meu dia. E eu a vi quantas vezes nessa minha vida? Quatro vezes! Quatro escassas vezes, Bree! E já sinto uma saudade absurda daquela estranha! Sinto falta do perfume dela, e até de sua personalidade instável. – Edward parou de falar para recuperar o fôlego enquanto a dor da saudade corroía seu peito — Eu sonho com ela! Sonho com os olhos castanhos dela todas as noites! Olha que ridículo, sonhar com os olhos de uma pessoa! Eu só posso estar ficando louco, agindo como um adolescente e não como o homem feito que sou. – disse quase arrancando os cabelos da cabeça. A adrenalina pulsando forte em suas veias.

– Olha meu amigo... só consigo pensar em uma coisa. – disse Bree enquanto levantava a cadeira esquecida por ele no chão frio e a colocava de volta à mesa.

– Em que coisa?

– É obvio que você está apaixonado, Edward! Pela primeira vez na sua vida você está apaixonado de verdade por alguém. – Bree disse à meia voz. Estava emocionada com o fato de o amigo ter encontrado sua companheira afetiva. E preocupada em excesso com o fato do passado dessa tal companheira ser tão obscuro e não obstante até perigoso.

– Eu não diria que é paixão... – ele resmungou apertando os dedos nas têmporas.

– Não acredito nisso! Se não é paixão... o que é então?

– Pode ser um tipo de... de obsessão. Eu posso estar obcecado pelo fato dessa moça ser tão misteriosa. De ela ter uma mistura potente de perigo e ameaça que a torna tão atraente pra mim. Estou constantemente com a ideia fixa na minha cabeça de proteger Isabella! Isso é quase... diabólico! É como um vício e ela é a minha droga. – Edward terminou a frase angustiada, emitindo um som grave que Bree não conseguiu decifrar ao certo o que era. Porque Isabella tinha de entrar como um furacão na regrada vida dele e revirar tudo de cabeça para baixo?– Então, acho que obsessão é uma boa explicação... – concluiu.

– Não acredito que seja obsessão. E só alguém como você mesmo para achar o perigo assim tão atraente. – Bree sorriu com candura. – Você sabe que está brincando com fogo... não sabe? Quer dizer, se tem alguém atrás dessa moça... podem chegar até você.

– Eu sei. Mas, me diz... qual o problema de brincar com fogo? Não vejo nada de errado nisso se eu não chegar perto o bastante pra me queimar.

– Está errado, meu rapaz. A pergunta correta a se fazer é: até que ponto você pode se envolver nessa relação sem se queimar?

Um novo silêncio se instalou na sala do apartamento dos amigos.

– Na verdade, o fogo nunca me pareceu tão atraente... – Edward respondeu escorando-se a parede mais próxima buscando um apoio e enfiando as mãos dentro dos bolsos da calça. Um sinal de nervosismo.

– Posso perceber isso. – Bree fez uma pausa dramática — Você não quer nem ao menos saber o que ela fez para estar na condição de protegida do Estado? Posso te ajudar de alguma forma. – ofereceu ajuda genuinamente compadecida do sofrimento dele.

– Não quero não. Acho que não preciso saber de mais nada, Bree. Aliás, quanto menos eu souber sobre essa história toda, é melhor. Mesmo assim eu agradeço sua ajuda. – Edward mordeu o lábio inferior com muita força reprimindo uma angustia lancinante até então desconhecida por ele. Pensou em Isabella triste, sozinha e desprotegida em algum lugar de NY. Os pelos de seus braços se arrepiaram e ele cerrou com vigor os punhos, que ainda mantinha escondidos nos bolsos — Só o que eu quero é encontrá-la. Eu... eu... eu a quero. E minha capacidade de explicar isso vai além do que eu possa compreender.

– Isso me soa um tanto possessivo demais. – censurou Bree, cerrando os olhos.

– Não importa. Essa é a única certeza que tenho... Eu quero Isabella como nunca quis nada e nem ninguém na minha vida!

Notas finais
Notas da beta:
Olá meninas!!! Tudo bem?!
Edward provando mais uma vez que ninguém segura um coração apaixonado ;) Suspirando aqui e desejando com forças que em breve Isabella possa escutar a super declaração que o jornalista fez... LINDOOO haha! Quem resiste??? Vimos que ele arriscou partes importantes da vida dele para saber sobre ela, entre elas a carreira e as amizades, que ele tanto preza! Confesso que por um momento achei que a Bree, tremenda observadora, fosse ser uma pedra no sapato do Edward! Ainda é cedo para dizer, eu sei, mas pelo final da conversa, sinto que acontecerá o contrário e ela se tornará uma aliada do casal! Será???
Agora ficamos aqui na torcida para que a Juh continue com essa super história, muito bem escrita e que nos envolve mais e mais a cada capítulo! Recomendações e comentários são muito bem vindos, sempre ;)
Obrigada e até mais!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas... bom dia! Rs
Espero que tenham gostado do capítulo! O que acham da teoria da obsessão de Edward? Ele parece um tanto confuso... não? rs
Eu tive que dividir esse capítulo em duas partes, pois inicialmente tinha ficado com quase 8mil palavras. Eu particularmente acho um pouco enfadonho ler capítulos tão grandes. Então, logo logo postarei a segunda parte dele. Fiquem de olho! =)
Quero agradecer de todo meu coração pelo carinho de vocês com NSAPM. Carinho que vocês expressam com reviews, recomendações, e-mails, MP lindas... muito obrigada, de coração! Vocês fazem parte disso tudo! Em especial gostaria de agradecer a Clau Swan por todo o apoio dos últimos dias, e a Vamp Writer pelo UP que me deu com a MP belíssima que me enviou.
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice.