Notas iniciais
Olá meninas... boa noite! Mais um capítulo de NSAPM chegando aqui para vocês.
Ficou um pouco grande... então já peço desculpas para as leitoras que não gostam de capítulos longos. Mas, acho que tudo nele é importante. Aguente até o final do capítulo... tem uma surpresa! rs. Boa leitura!
Obs.: Leiam as notas finais. Tem considerações importantes a respeito do enredo lá! #ficaadica
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LOOK: O lindo look da Isabella foi feito pela minha querida amiga TheRugue. Obrigada flor! ♥
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RECOMENDAÇÕES: Bom... essa semana NSAPM recebeu duas recomendações, sendo uma da Cintia Mendes BLC e outra da ViviPink. Obrigada pelas lindas palavras meninas, de coração! Dedico este capítulo a vocês! ♥
Meninas... se gostarem da história e acharem que NSAPM merece, recomendem também! Eu ficarei muuuuuuuuuuuuuuuuuuito feliz. =D
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REVIEWS: O capítulo 10 da nossa NSAPM recebeu reviews de: Vivi Costa, Nova Cullen, TaiDi, Cassisilene, AlexandrinaC, Clau_Swan, bellyangel, Lili Swan, Lais Sodre, Carlinha Rodrigues, Cleo del Barco, Cris Rodrigues, Elizeth Alves, Pantas, Brendan Pattinson, CasiaReisMatias, ZILHOPE, Giovana Castrande, Paty Winter, Mari Novaes, Yarabastos, FulviaStew, FlaViancoti, DiCullen, EclipseShe, ViviPink, Ceciliamarlene, TheRugue, Prity Weber, Alana Swan Cullen, pbartolomeu, Gaby Cullen, Ivis, NaaPreste, Filipa Cullen e Dricamcotur. (Não me esqueci de ninguém?).
Obrigada mesmooooo pelo carinho de vocês! Leio e respondo todos. E sejam muuuuito bem vindas as novas leitoras!

Em algum dia de Julho do ano de 2007...


Ele estava em sua décima sétima xícara de café.

Aquela simplória bebida produzida a partir de grãos torrados do fruto do cafeeiro era sua melhor aliada no momento. Afinal, ele pretendia manter-se acordado e no mínimo lúcido, pois assim que Bree deixou seu apartamento, Edward voltou toda atenção para a pilha de papeis espalhados em cima da mesa, decidido a não pensar mais em Isabella naquela noite. Já estava estudando o caso do tráfico de drogas nas boates de Soho com tamanho afinco, que entretido varou a madrugada lendo a documentação da investigação preliminar e fazendo anotações que julgava pertinentes e relevantes. No final das contas, ele estava feliz pelo acaso – que dependendo do ponto de vista poderia atender pelo nome de Bree Tanner, Jasper Whitlock ou Isabella Uley... os três envolvidos na tempestiva ação investigatória protagonizada por ele naquela tarde — ter praticamente jogado aquele caso em seu colo. O fato de ele ter aceitado entrar na investigação por livre e espontânea pressão de sua consciência nada significava agora...

Ah! Finalmente o jornalista estava novamente em um caso complexo e desafiador. No último mês chegou a publicar dois artigos simples no jornal “New York em foco”, sendo um sobre o julgamento de um rapaz preso por furtar um pote de margarina, e o outro a respeito de um casal preso por práticas sexuais realizadas em praça pública... mas nenhuma das duas matérias lhe ofereceram a profundidade que tanto adorava, apesar de terem sido extremamente elogiadas por Jared Cameron, o editor chefe do jornal. A cada página daquela nova investigação que ele terminava de ler, o assunto lhe parecia cada vez mais interessante e promissor. E certamente daria uma ótima matéria, concluiu ele assim que leu a última linha e digitou o último “ponto final” no Word contendo suas anotações.

Só então ousou olhar para o relógio no canto inferior da tela do notebook. Os números indicavam que já se passava das cinco da manhã, anunciando que logo o sol iria nascer lá fora e de repente o jornalista sentiu-se completamente exausto. Seus olhos ficaram pesados e lhe apresentaram uma ardência ruim e incômoda, fazendo-o apertar os dedos nas têmporas. Decidindo que era hora de dormir, desligou o notebook e se arrastou até o quarto, jogando-se na cama e chutando os sapatos. Foram necessárias dezessete xícaras de café para lhe manter acordado durante a madrugada, e não foram necessários mais de dezessete segundos para que Edward adormecesse, entrando em um sonho pesado, sem sonhos e sem olhos castanhos para lhe perturbar.

Edward dormiu boa parte do sábado. Talvez fosse pelo fato do apartamento estar completamente vazio e milagrosamente silencioso, uma vez que Jasper estava viajando. Quando abriu os olhos pela primeira vez — já se passava das cinco e meia da tarde – a primeira imagem que veio em sua mente foi a dos tais olhos amendoados. Onde ela estaria? O que estaria fazendo? Será que ela também pensava nele? Argh! Automaticamente o jornalista se arrependeu de ter estudado o novo caso em uma única madrugada. Isso lhe daria muito tempo ocioso naquele final de semana. E mente vazia atraia lembranças. E as lembranças teimavam em levá-lo direto a Isabella... e era esse o novo irritante padrão que se repetia a dias. Querendo ignorar aquela norma recém-estabelecida, levantou da cama e rumou para um banho gelado.

Cerca de quinze minutos depois, ele já havia tomado banho e um reforçado café da manhã, com suco, pães, ovos mexidos com queijo. Ignorou a geleia de morango, pois até mesmo ela lhe fazia lembrar-se de Isabella e do café da manhã em que ela despetalou a peônia. Ligou a televisão para que o som preenchesse o ambiente e ele não sentisse que o apartamento estava tão vazio. Andou pelo apartamento arrumando uma coisa aqui e ali, até que chegou ao cesto de roupa suja. O seu grande amigo Jasper havia deixado todas as peças sujas dele ali, juntamente com um bilhete que dizia: “Quando encontrar isso não entre em colapso, por favor! Não tive tempo de lavá-las. Quebra essa para mim? Valeu brow! Te devo uma. JW.”.

– Porra Jasper, seu folgado! — Edward praguejou um palavrão.

Ele não era muito fã do ato de lavar roupa, mas achava ridículo fazer uma mala e levá-las para a casa de seus pais, só para dona Carmen lavar... então teve de aprender a função na marra. Sem ter muita alternativa, Edward recolheu tanto a roupa do amigo, quanto as próprias roupas e o lençol da cama. Jogando todas as peças em uma bacia grande, passou pela cozinha para pegar duas garrafas de Heineken e desceu para a lavanderia compartilhada do prédio. Encontrou um de seus vizinhos por lá.

– Fala aí Benjamin, boa tarde! – cumprimentou-o.

– Fala aí Edward! Quanto tempo eu não te vejo, rapaz... como vai? – Benjamin respondeu simpático enquanto separava as peças de roupa dele e colocava na máquina.

– Muito bem. O que faz por aqui? Tia se recusou a lavar roupa hoje? – Edward brincou, enquanto apoiava sua bacia em uma das mesas.

– Rá rá! Que nada... eu ganhei uma aposta e vou lavar roupa o mês inteiro. É Edward... a vida de casado não é fácil. – ele dramatizou.

– E o que vocês apostaram? – o jornalista questionou, curioso como sempre.

– Bem... foi algo meio íntimo. Mas digamos que, apesar de ter que lavar a roupa por um mês... eu esteja me dando bem todas as noites! – Benjamim riu vitorioso e Edward o acompanhou. Sexo... é claro que envolvia sexo.

O jornalista abriu as duas garrafas de Heineken e entregou uma para o vizinho. Eles ergueram em um brinde.

– As apostas que tiram o casamento da rotina! – disse Benjamin ao brindar e Edward assentiu com a cabeça.

Ter o vizinho ali foi uma bem vinda distração. Lavar roupa era aquele tipo de trabalho mecânico, que lhe ocupa apenas as mãos e não a mente. A conversa com Benjamin fluía normalmente, enquanto automaticamente Edward separava as peças por cor e verificava se tinha algum papel ou objeto nos bolsos das calças. O papelzinho amassado estava lá, no bolso da calça que ele tinha utilizado no dia anterior...

Um arrepio frio subiu pela sua espinha... quase que ele põe para lavar o papel com os contatos comerciais de Sam Uley e joga fora uma das únicas pistas que tinha para chegar até uma certa vendedora. Com medo de perder o papel, ele o encarou por uns cinco minutos decorando o endereço, já que o telefone ele tinha salvado na discagem do celular. Decorou também a senha de Jasper, vai que um dia ele precisasse dela... de novo. Depois guardou o papel no bolso da bermuda, mentalmente tomando nota para transferir tais dados para um arquivo a ser armazenado em seu celular e voltou à tarefa inicial de separar as roupas, sem que Benjamin percebesse o que se passou ali.

Depois que as roupas lavaram e secaram, o jornalista se despediu do vizinho e subiu para o apartamento. Separou as peças e colocou as roupas de Jasper em cima da cama dele. Já tinha feito o favor de lavar... agora o amigo que desse um jeito de passar e guardar, quando voltasse de viagem. Antes de sair do quarto, reparou que o amigo mantinha ali a mesma foto que tinha de Alice em seu escritório. Jasper devia estar mesmo muito apaixonado...

Entediado, ficou passando os canais da tv até encontrar algo interessante. Um documentário do Discovery Channel sobre “A Conspiração Nazista” prendeu parcialmente sua atenção, enquanto seus pensamentos se dividiam entre olhos castanhos e um homem chamado Adolf Hitler que, em sua humilde opinião, foi um sujeito extremamente inteligente, contudo utilizou esse potencial extraordinário apenas para o mal... ou para aquilo que ele acreditava ser o bem... enfim, ele era o homem errado, com um poder errado nas mãos, o que acabou por resultar no conhecido Holocausto. Assim Edward passou os próximos cinquenta minutos, até o toque irritante e exigente da campainha do apartamento soar, retirando-o de seus devaneios especulativos. Seria Bree novamente? Edward coçou a cabeça e caminhou até a porta, se preparando para enfrentar o que fosse que estivesse atrás dela. Eram suas irmãs.

– Alice? Rosalie? O que fazem aqui? – questionou encarando confuso o largo sorriso no rosto de ambas. O que elas faziam ali e ainda por cima juntas? Elas quase não saiam juntas, até onde ele tinha conhecimento. Apesar de se amarem como família, não eram o que se chamava de “irmãs unidas”.

– Eu não tenho nada haver com isso. Só estou de acompanhante. – Rosalie tratou de se desculpar, jogando um dos braços para cima. Tal justificativa não retirou o sorriso de seus lábios.

– Oi pra você também irmão. – Alice ironizou revirando os olhos para ele.

– Errr... oi...? – o cumprimento dele saiu mais como uma pergunta. Aquilo estava tão estranho... Por que e para que elas estava ali?

– Trouxemos queijos finos e comida italiana. – como se pudesse ler o pensamento dele, Alice levantou as sacolas da cantina italiana para lhe mostrar.

– E também um vinho. – Rosalie disse, mostrando a garrafa que carregava nas mãos. – É um Bollinger Grand Année 1983...

– Roubada da espetacular adega de nosso pai! – Alice completou em tom conspirativo e ambas riram abertamente.

– Uau! É um vinho muito especial. – ele arregalou os olhos retirando a garrafa das mãos da irmã, a fim de examiná-la melhor. Uau!

– Especial e caro! – completou Rosalie.

– Eu só lembro-me do papai ter aberto uma garrafa desse vinho quando eles adotaram a Rosalie! – disse ainda examinando a garrafa. Uau! Alice pigarreou chamando a atenção dele, que encontrou a outra irmã loira de olhos baixos. – Ah! Rose, me desculpe... eu não queria dizer que...

– Relaxa Edward. Não é como se eu não soubesse que sou adotada. – Rosalie revirou os olhos.

– Ok. Isso aqui é uma ocasião especial que eu não estou entendendo? – respondeu mudando de assunto, ainda bloqueando a entrada delas ao apartamento e gesticulando com a garrafa de vinho em direção as sacolas de comida.

– Mais ou menos. – disse Rosalie um tanto encabulada.

– Mais ou menos é uma ova! É especial sim irmão! – Alice corrigiu a frase inicial da irmã.

– Bom... e eu poderia saber por quê? – ele as questionou arqueando a sobrancelha. As irmãs se olharam por um segundo. Rosalie deu de ombros e foi Alice quem voltou a falar.

– Escute, nós decidimos que não vamos mais deixar você se afastar da família. – respondeu em tom firme e decidido.

– Ah! Vocês decidiram isso? – perguntou ele achando engraçada a decisão delas – Já esqueceram que me viram ontem...?

– É, mas você não deu sinal de vida hoje! E já está decido... vamos impor nossa presença na sua vida, até você se acostumar novamente com ela. Vai chamar a gente para entrar ou não? – censurou Alice.

– Se eu disser que não, vocês vão embora? – ele brincou. Já sabia a resposta... é claro que Alice não iria embora. E Rosalie parecia muito disposta a continuar ali.

– Hmmm... não. – respondeu Alice com um típico sorriso sapeca no rosto. – Vem Rose, vamos entrar!

E então Edward teve de praticamente mergulhar para o lado, permitindo a passagem do furacão Alice e sua improvável aliada, Rosalie.

O jantar dos irmãos começou um tanto estranho, pois somente Alice puxava conversa. Mas depois de quase duas taças de vinho, Edward e Rosalie se soltaram e o resto da noite fluiu normalmente. Para reviver os ótimos tempos de infância, eles jogaram Xbox durante boa parte da noite. A baixinha vencia quase todas as batalhas de dança, arrancando risadas de seus irmãos a cada comemoração esdrúxula que fazia ao ganhar. A loira ainda vencia algumas, mas o jornalista... bem, esse era uma negação dançando, logo, a maior parte do tempo ele ficou sentado no sofá tentando montar um cubo mágico e vendo as irmãs dançarem e rir. Estava ridiculamente feliz em tê-las ali. Seria a quantidade elevada de álcool em seu organismo que o estava deixando emotivo demais?

A outra parte da noite eles passaram bebendo Heineken, enquanto assistiam aos filmes da série Hannibal. Rosalie e Edward adoravam a atuação do protagonista. Já Alice parecia um tantinho assustada em algumas cenas do filme, onde aparecia o Dr. Hannibal Lecter em ação. Já se passava das quatro e meia da manhã, quando lá pela metade do terceiro filme eles pegaram no sono.

***NSAPM***

O barulho de um celular despertando às oito horas anunciou o início da manhã de domingo. Era o celular de Alice. Meio a contra gosto ela levantou para desligar o despertador e acordou a irmã para irem embora. Ambas cochicharam um tchau no ouvido do irmão, que ressonava de qualquer jeito no sofá. Ele resmungou um “Hmmmm... tchau” e elas partiram. Edward deitou de lado e voltou a dormir.

Parecia até que ele tinha tirado aquele final de semana para dormir todo o sono acumulado do último mês. Quando acordou novamente naquele domingo, já se passava das quatro da tarde. Edward abriu os olhos mantendo o braço na frente do rosto, como uma forma de impedir que a claridade que invadia seu apartamento incomodasse seus olhos. Como no dia anterior, a primeira coisa que veio a sua mente foi... Isabella. Uma pergunta feita por Bree cobrou sua atenção: “A pergunta correta a se fazer é: até que ponto você pode se envolver nessa relação sem se queimar?” questionou ela. “Na verdade, o fogo nunca me pareceu tão atraente...” fora a resposta dele. Mais um motivo para ele pensar que estava certo com relação ao que sentia por aquela estranha. Estava obcecado por ela e já não ligava mais para isso. Ele iria mesmo se queimar...

Para fugir do que parecia que seria um dia entediante, mais do que depressa se levantou do sofá, tomou um banho rápido colocando uma roupa de corrida com um casaco de frio por cima, foi até a cozinha comer uma pouco de cereal e cerca de quinze minutos depois ele estava nas ruas de Nova York, ouvindo as músicas armazenadas no seu i-fone no último volume. Ele já sabia que a corrida era uma boa opção quando queria distrair a mente e controlar seus pensamentos...

Solidão, corrida e suor eram tudo o que ele precisava naquele momento.

Os ponteiros do relógio marcavam seis e meia da noite quando ele retornou ao apartamento vazio. Tomou outro banho e retornou para a sala, deixando a tv ligada no Disney Channel, enquanto ligava o notebook para checar seus e-mails. No meio de vários e-mails irritantes de promoções e propagandas, estava um de Bree.

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De: Bree Tanner
Data e horário: 22 de Julho de 2007 – 15h37min
Para: Edward Cullen
Assunto: Confidencial
Prioridade: Alta

Edward,

Em anexo segue a pauta para a reunião de amanhã com os agentes, incluindo a Divisão de Narcóticos. Espero que não tenha esquecido...

A reunião será às 9:20am... então esteja na minha sala às nove em ponto! Por favor, por favor, POR FAVOR... esteja lá no horário. E de traje social!!!

Quanto a Isabella, só quero reforçar que minha ajuda está disponível e só utilizarei meus recursos SE e QUANDO você me pedir. E não tomarei nenhuma medida profissional punitiva para advertir sua pequena investigação... afinal, você é a porra de um jornalista free lancer e não está sob minha supervisão. Que pena! =(

Att,

Bree Tanner,

Delegada de polícia.

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Ele riu do e-mail. Tinha certeza que Bree o puniria se ele fosse seu funcionário. Abriu o documento em anexo para ler a pauta. Pelo visto a reunião seria bem interessante, visto que em um dos tópicos estava a apresentação de uma agente da Divisão de Narcóticos que seria infiltrada em uma das boates. Investigação em campo... perigo... adrenalina... ele adorava tudo isso! Digitou uma resposta rapidamente.

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De: Edward Cullen
Data e horário: 22 de Julho de 2007 – 19h18min
Para: Bree Tanner
Assunto: Confidencial
Prioridade: Alta

Bree,

Ok, estarei lá no horário! Mas vou pensar quanto ao traje social...

Agradeço sinceramente sua ajuda e utilizarei de seus recursos SE e QUANDO for estritamente necessário.

E graças aos céus você não é a porra da minha chefe direta... tenho certeza que sofreria demais com seus métodos de punição tão pouco ortodoxos, que tantas vezes ouço seus funcionários carinhosamente comentar. =D

Att,

Edward Cullen.

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E-mail respondido... e ele não tinha mais nada para fazer.

Olhou em volta e achou o maldito cubo mágico que ele tentara montar no dia anterior, enquanto suas irmãs jogavam. Aquele quebra cabeça tridimensional inventado por um húngaro filho da mãe chamado Ernő Rubik em 1974, certamente era a encarnação de um demônio. Era impossível montá-lo! Impelido pelo desafio, pesquisou na internet diversas teorias sobre como montar aquele troço de seis cores e depois pegou o cubo. Utilizando a teoria dos grupos, de Gene Cooperman e Daniel Kunkle, testou não apenas movimentos individuais, mas também grupos de movimentos, de forma a otimizar a solução. Estimados 113 milhões de movimentos depois, ele ainda não tinha chego ao resultado final positivo. Pesquisou outras teorias e nada adiantou. Irritado, jogou o cubo em um canto da sala, programou o celular para despertar às sete e meia da manhã e foi dormir.

***NSAPM***

Pontualmente às nove da manhã o jornalista estava batendo na porta da sala de Bree, dentro de um terno preto com corte reto, gravata azul, barba feita e óculos de sol, com intuito de disfarçar os olhos vermelhos por conta do sono.

– Pode entrar! – ele a ouviu gritar.

– Bom dia! – disse ele com um sorriso faceiro no rosto.

– Uau! Edward Cullen entendeu o conceito de pontualidade britânica! Estou impressionada. – disse a delegada olhando para seu relógio de pulso e Edward riu... ele não costumava ser uma pessoa assim... pontual. Não às nove da manhã.

– A pontualidade é meu novo estilo de vida! – brincou e Bree levantou para recebê-lo.

– Acabo de ler seu e-mail infame! Está ficando saliente, Sr. Cullen! Meus meios punitivos são poucos ortodoxos então? — eles trocaram mais meia dúzia de palavras, até serem interrompidos por uma batida na porta.

– Pode entrar! – Bree gritou novamente e um rapaz com rosto de bebê e cabelos loiros passou pela porta.

– Bom dia, Bree. – ele a cumprimentou com um aperto de mãos.

– Bom dia, Newton. – ela disse cordialmente e foi para as apresentações – Edward, esse é Mike Newton, meu mais novo agente e braço direito nessa investigação. Mike esse é Edward Cullen, o jornalista do qual eu lhe falei. Vocês vão trabalhar juntos.

– Bom dia, Mike. – o jornalista levantou a mão para cumprimentá-lo.

– Bom dia, Edward. – o rapaz loiro apertou a mão dele, sustentando o olhar de Edward com certa admiração.

– Edward, o Sr. Newton aqui está com essa cara de bobão porque é uma espécie de fã do seu trabalho e coisa e tal. – Bree explicou dando tapinhas nas costas de Mike.

– Sério? Que bom...! – foi tudo que Edward conseguiu dizer.

– Sério... cara, fiquei impressionado com aquela sua matéria do caso Volturi... eu realmente acho que em casos como esse, o Estado...

Outra batida na porta interrompeu o discurso de Mike. A delegada bufou... pelo visto o dia seria cheio!

– Humf! Pode entrar. – gritou novamente e dessa vez uma linda moça de pele pálida, esbelta, alta e de cabelos loiro-avermelhados passou pela porta, chamando a atenção dos rapazes.

– Com licença, Bree. – disse a moça bonita.

– Ah Tânia, venha até aqui. – a delegada gesticulou para que ela chegasse mais perto e fez novamente às vezes da anfitriã. – Tânia, estes são Mike, meu novo agente e Edward, nosso brilhante jornalista. Os dois estarão envolvidos no caso das boates. – ela apontou primeiro para o agente e depois para o jornalista. – Rapazes, esta é Tânia Denali. Ela é da Divisão de Narcóticos e vai trabalhar com vocês.

– Bom dia, rapazes. – Tânia cumprimentou cada um com um aperto de mãos, demorando um pouco mais do que a cordialidade exigia quando apertou a mão do jornalista. Edward a avaliou concluindo que a moça era linda à primeira vista. E Mike que estava praticamente babando por ela, concluiu que a agente era muito gostosa à primeira vista...

– Bom, então vamos lá? – disse Bree já conduzindo o jornalista e os dois outros agentes em direção à sala de reuniões.

Edward encarou uma monstruosa reunião de quase cinco horas, em uma sala com nada mais nada menos que dezesseis agentes da polícia federal, cada um de uma respectiva divisão e responsável por executar uma ação diferente no caso. Na boate mais luxuosa ficaria Mike, que faria às vezes de um “cliente” juntamente com Edward, que havia concordado plenamente com tal função. Como sempre... investigação de campo sempre lhe agradava. Tânia seria a agente infiltrada nessa mesma boate e se passaria por uma prostituta canadense, estando ilegal nos EUA. Ela parecia extremamente profissional quanto a isso, visto que o fato de ter que fazer programas nesse período não lhe abalava. Edward a encarou por longos minutos e se perguntou o que aquela moça já teria passado na vida, para não se importar com algo assim tão invasivo. Ok, ele poderia aceitar que Tânia amava seu trabalho... mas isso já não era um pouco exagerado? Os demais agentes seriam distribuídos nas outras duas casas noturnas... a intenção era armar os três flagrantes ao mesmo tempo. Tânia e outras duas agentes começariam a investigação indo procurar “emprego” nessas boates no próximo sábado. Após estarem infiltradas e terem adquirido o mínimo de confiança dos chefões, começaria o trabalho dos demais agentes e do jornalista.

– Bom, é um plano muito bem estruturado, mas ainda assim haverá mais duas reuniões de alinhamento como esta, sendo quarta e quinta-feira ainda dessa semana. Assim como reuniões semanais de acompanhamento, a serem marcadas quando todos vocês saírem à campo. Ok? – Disse a delegada Bree e todos os presentes acenaram positivamente com a cabeça. — Nós contamos com o profissionalismo e comprometimento de todos para o sucesso desta operação! Muito obrigada pela presença dos senhores e até a próxima reunião.

Assim ela encerrou a reunião e os agentes começaram a se despedir um dos outros – e especialmente de Edward que era tido como herói dentro da corporação — e deixaram a sala.

– Quem diria! Vou trabalhar com Edward Cullen. – disse um rapaz japonês, na qual Edward infelizmente não lembrava o nome.

– Você acha que ficaria feio demais se eu pedisse um autografo? – disse uma moça baixinho para o tal japonês.

– Tchau Edward! Vai ser bom trabalharmos juntos. – disse Mike, sem conseguir retirar o sorriso largo do rosto.

– É muito bom ter um jornalista como você em nossa equipe. Até mais. – disse Tânia, disferindo para ele uma piscadela sensual e suspeita.

– Edward, será que você pode esperar uns dez minutos antes de ir? Preciso falar com você. – disse Bree.

– Claro. – respondeu ele, ainda recolhendo alguns papeis com anotações que fez durante a reunião.

– Perfeito! Venha até a minha sala então.

Ele a acompanhou pelo corredor um tanto preocupado. Afinal, a respeito do que seria o tal assunto? Bree trancou a porta ao passar e foi direto ao ponto.

– Quero saber se está regularizada sua licença de porte de arma. – questionou, caminhando até a mesa dela.

– Está sim. por quê? – ele perguntou desconfiado, enquanto a via abrir uma caixa e retirar de lá uma pistola Glock, a arma mais utilizada pela polícia dos EUA.

– Por que essa Glock é sua! – disse apontando a arma para o peito dele.

– Minha? Está... me dando uma arma? – disse encarando o objeto letal nas mãos da delegada.

– Eu não... o Estado de New York está te dando uma arma. Eu que solicitei, é claro... mas entenda Edward, você está entrando em um caso perigoso e arriscado, por mais sedutor que ele lhe seja. Eu não quero que pense que te coloquei em uma furada.

– Não Bree... eu não pensei que você estava me... – ela o interrompeu.

– E eu quero que você tenha chance de se defender... se algo der errado! É isso. – ela confessou. Bree se preocupava genuinamente com a integridade física do amigo. Era um sentimento quase maternal.

– Eu não sei o que dizer à você. – sibilou ele enquanto a delegada lhe entregava a arma. O metal frio era tanto perigoso, quanto sedutor...

– Diga “obrigado” apenas. – Bree fez aspas com os dedos e sorriu abertamente para ele.

– Obrigado. – ele disse olhando para ela como um menino feliz ao receber um brinquedo em uma noite de natal. Que reação ridícula, Edward Cullen! Você não é mais uma criança! Repreendeu-se mentalmente.

– Bom, mas tenho uma condição.

– Claro que você tem! E qual é?

– Quero que faça dez horas de aula divididas entre tiro e defesa pessoal com o agente Mike. Só para aprimorar seus sentidos... eu sei que você luta e atira muito bem, mas quero que esteja familiarizado com a Glock, acima de tudo.

– Fechado.

– Ok. Sua primeira aula começa em uma hora. Divirta-se! – ela disse vitoriosa.

Então Bree entregou um termo de recebimento da arma para Edward assinar, juntamente com um crachá oficial do prédio, para que ele não precisasse passar todas às vezes recepção para identificar-se. E juntos eles saíram para almoçar. A tarde de Edward foi muito interessante devido a empolgante aula. Tiros e luta! Afinal um pouco de adrenalina não fazia mal a ninguém. Mas ele agradeceu internamente quanto se viu livre das obrigações de sua profissão, para finalmente procurar Sam. Primeiro pensou em ligar... mas desistiu da ideia. Se já tinha o endereço, porque não ir lá pessoalmente? E assim se dirigiu para o escritório do tutor de Isabella.

O escritório ficava no centro de Nova York. Quando chegou ao local, a secretária de Sam estava ocupada em uma ligação e fez apenas um sinal simpático para ele sentar e ficar a vontade. Edward reparou que o lugar não era muito sofisticado, na realidade tinha uma decoração bem modesta em suaves tons pastel, tanto nos móveis quanto nas paredes. Tinha também peças de madeira decorativas, alguns quadros e uma estante de livros. Era um ambiente bem acolhedor até...

– Boa tarde, senhor. Em que posso ajudá-lo? – disse a secretária assim que desligou a ligação. Edward conseguiu ler o nome no crachá dela. A moça se chamava Jéssica.

– Boa tarde, senhorita Jéssica. Me chamo Edward Cullen e estou procurando por Sam Uley... ele está? – foi direto, sem deixar de ser educado.

– Sinto muito Sr. Cullen. O Dr. Uley teve uma emergência com a filha e já foi pra casa. Posso ficar com seus dados e passar o recado para ele. – as palavras da moça foram difíceis de ouvir. Mais uma tentativa frustrada? Mas que droga! Não... isso não. De novo não!

– Errr... Jéssica, entenda que eu preciso muito falar com o Dr. Sam Uley. É um assunto de extrema urgência e de interesse dele. – disse Edward passando as mãos entre os fios rebeldes do cabelo e deixando Jéssica encantada... mesmo sem ter intenção de fazê-lo. Ao perceber a reação da moça, ele decidiu valorizar sua encenação dando uma piscadinha para ela. – Você teria como me ajudar?

– Bom... sendo... sendo urgente, acho que posso te passar o celular dele. Só um instante. – disse Jéssica enquanto abria uma gaveta à procura de algo. Ela entregou um cartão a ele com as mãos trêmulas. – Aqui está... é o cartão pessoal do Dr. Uley.

– Obrigado.

– De nada... e boa sorte. – ela gritou a última parte da frase para ele, que já estava praticamente fora do escritório.

Novamente dentro de seu Volvo, Edward retirou a gravata, desabotoou o primeiro botão da camisa e dobrou as mangas até a altura do cotovelo. Olhou para o céu pelo vidro dianteiro e pediu internamente para Deus dar uma ajudinha para ele naquele momento... não era possível que agora ele não conseguisse localizar Sam. Sacou o celular do bolso e discou rapidamente o número telefônico do mesmo. Cruzou os dedos. A chamada foi atendida no segundo toque.

– Alô? – disse a voz do outro lado da linha.

– Oi... eu poderia falar com o Sr. Sam Uley?

– É ele. Quem gostaria?

– Aqui quem fala é Edward Cullen... estou te ligando por... – mas ele não conseguiu terminar a frase... Sam foi mais rápido.

– Por Isabella. – Sam disse rindo.

– É isso mesmo. – era mesmo muito óbvio isso? Até para Sam que nunca o vira na vida?

– Eu disse para ela que você iria procurá-la! Estou mesmo surpreso, você foi mais rápido do que eu pensava que seria. – disse ele rindo ainda mais.

– Ela contou de mim para você? – disse ele incrédulo e extasiado ao mesmo tempo. Então ela também pensava nele... de certa forma.

– Ah! Comentou sim. Edward, tenho certeza que temos muito a conversar e acho melhor que seja pessoalmente.

– Claro, claro. Só me diga quando e onde posso te encontrar. – ele disse em meio a uma onda de esperança que invadia seu peito.

– Bom... amanhã meu dia está tomado de reuniões. Encontre-me na quarta-feira às oito da manhã em meu escritório... imagino que já tenha o endereço.

– Perfeitamente senhor. Já tenho o endereço sim e estarei lá às oito. – respondeu. Sam tinha sido muito mais receptivo do que ele imaginava e finalmente algo estava dando certo no caso da morena.

– Ótimo. Então até quarta-feira, Edward.

– Até quarta-feira. – o jornalista finalizou a ligação dando socos no volante. Pobre objeto... ultimamente era sempre a ele que Edward recorria quando queria extravasar uma emoção, sendo ela de raiva ou de contentamento.


*** NSAPM***

Ele acordou ridiculamente empolgado na quarta-feira e às oito em ponto estava chegando no escritório de Sam. Pelo visto Edward estava levando aquela história de pontualidade britânica bem a sério. Foi Sam que recebeu o jornalista, visto que sua secretária chegava apenas às nove. O tutor de Isabella marcou uma hora mais cedo do escritório abrir, para ter mais privacidade na conversa com Edward.

– Aceita um café? Uma água? – Sam ofereceu assim que Edward se acomodou à cadeira de visitas na sala dele.

– Não precisa senhor, estou bem assim. – respondeu tentando disfarçar a ansiedade, abrindo os botões do paletó para ficar mais confortável. Mal conseguia acreditar que estava sentado na frente de uma pessoa tão próxima a vendedora. Sentiu inveja do homem à sua frente, por Sam poder desfrutar da companhia da morena e ele não.

– Está bem ansioso eu diria. – Sam riu. – Diga o que quer de mim.

– Bom, preciso encontrar Isabella. Aconteceu um mal entendido e... – novamente o jornalista se via contando a história do Starbucks em detalhes. Já estava ficando um tanto estressado por ter de repetir a mesma história várias e várias vezes.

– Veja bem... Isabella me contou a mesma história. Ela realmente achou que a moça na lanchonete era sua namorada, pela proximidade de vocês dois e tudo mais.

– Eu sabia! Consegui ver isso nos olhos dela! Por isso ela fugiu de mim! – Edward disse soltando o ar dos pulmões e passando as mãos nervosamente nos cabelos.

– Seja sincero comigo rapaz, e só assim irei procurar Isabella e tentar desfazer esse mal entendido, explicando que a moça é Alice, sua irmã. Ok?

– Ok! – disse ele, enquanto sentia aquele fiozinho de esperança crescer um pouco mais em seu peito.

– O que você sabe sobre Isabella? – Sam perguntou se inclinando lentamente sobre a mesa. Uma onça pronta para dar o bote!

– Não sei muita coisa. – o jornalista negou com a cabeça e foi evasivo em sua resposta. Mas ainda assim não deixou de dizer a verdade... ele não sabia muita coisa mesmo.

– Imagino que deva saber pelo menos o mínimo, para entender porque ela tem um tutor. – disse Sam apontando para si mesmo.

– Bom... sei que ela está inserida no programa de proteção a testemunhas. E por ser menor de idade, o Estado tenha lhe designado um tutor. – ele respondeu apontando para Sam.

– É... mais ou menos por aí. – Sam respondeu escondendo um sorriso ameaçador.

– Como eu imaginava. – respondeu Edward mantendo a voz passiva. O tutor demorou um pouco para voltar a falar.

– Você está gostando mesmo dela? Eu presumo que sim. Se não, você não teria chego até mim. Veja bem, Edward... Isabella já sofreu demais nessa vida. Se você não tem certeza das suas intenções... é melhor desistir por aqui. — disse Sam analisando todas as expressões do rapaz ansioso à sua frente.

– Eu não preciso e nem quero entender o que aconteceu no passado dela. Só quero encontrá-la. – Edward deu de ombros, certo de que realmente não precisava.

– Você pode não querer Edward... mas um dia vai precisar saber. Disso não tenho dúvida. – ele foi categórico ao afirmar aquilo.

– Por que diz isso? – questionou franzindo o cenho.

– Acho que você já percebeu que ela é bem diferente das outras pessoas. Parece assustada, arredia e está sempre na defensiva. Entenda, todos temos planos para as nossas vidas, alguns de nós planejam cuidadosamente cada passo e cada fase, quase que dia a dia. Mas o Deus, o destino ou a sorte... dependendo das crenças de cada um, têm seu próprio jeito de organizar as coisas. Isabella recebeu um golpe muito severo da vida. Ela tem um passado cheio de marcas e feridas abertas, que demoram a cicatrizar. Ou que talvez nunca cicatrizem. Certamente todo esse mistério atrapalhe vocês em algum momento... e então o que você vai fazer? Já pensou nisso? Não posso te dizer mais muita coisa... não compete a mim isso. — ele discursou tudo aquilo sem tirar os olhos dos de Edward.

– Eu entendo perfeitamente. E se por algum motivo eu tiver que saber o que houve no passado dela, quero ouvir da boca da própria Isabella. Minhas intenções são as melhores possíveis, Sr. Uley. Pode acreditar. – disse confiante.

– Eu quero mesmo acreditar nisso. – o tutor respondeu sendo vago.

– Estou pronto para assumir essa moça e tudo que vem junto com ela! Mas preciso de sua ajuda para chegar até ela. – Edward teve de valorizar seu discurso, sentindo que Sam estava um pouco evasivo.

– Ok, rapaz... você me convenceu. Vou procurá-la e tentar esclarecer esse mal entendido. Só acho que vai ser difícil ela me escutar de primeira... Isabella é sempre tão voluntariosa. Mas vou ver o que posso fazer.

– Ótimo! Obrigado Sr. Uley. – disse Edward tateando os bolsos a procura de um cartão. Pegou uma caneta da mesa de Sam e fez uma anotação no verso do papel. – Veja, aqui está meu cartão com meu telefone, e-mail e endereço anotado aqui no verso, para que possa entregar à ela, por favor...

– Ok. – respondeu o tutor examinando minuciosamente o cartão.

– Errr... eu gostaria de saber quando conseguisse falar com ela. Poderia me avisar? – Edward pediu tentando não parecer inseguro demais.

– Claro que aviso. Agora, me deseje sorte. – Sam respondeu rindo nervosamente.

– Boa sorte. – Edward retribuiu com um sorriso contido já se levantando para ir embora. Sam o acompanhou até a porta do escritório parecendo pensativo... Apertou a mão do jornalista para se despedir, mas não a soltou.

– Edward... a Isabella precisa de algo bom, imaculado e seguro... Seja isso para ela... – Sam disse com a voz embargada por uma emoção desconhecida por Edward. Ele apenas assentiu e o tutor desfez o aperto de mãos.

A reunião de alinhamento do caso — batizado naquele dia de “Operação Soho” — foi infinitamente mais interessante que a primeira, porém muito mais cansativa. Em dado momento ouve um pequeno estresse entre Bree e outro delegado da Divisão de Narcóticos, que não concordava com o método escolhido para a abordagem. A discussão só prolongou a reunião que já entrava na sexta hora ininterrupta, até que uma das agentes teve uma queda de pressão e eles precisaram interromper a conversa calorosa para almoçar.

Edward foi almoçar em um restaurante japonês com Bree, Mike e Tânia... percebendo que a moça dos cabelos loiro-morango era infinitamente mais simpática com ele, do que com Mike. Ou ela tinha um tique nervoso, ou ficava jogando o cabelo toda hora para lá e para cá, só para provocá-lo e, apesar de Edward achá-la extremamente bonita, não gostava desse tipo de comportamento. Risadinhas, piscadinhas, jogadas de cabelo... Vulgar! Além do mais... ele estava interessado em uma tal misteriosa dos cabelos negros. O pensamento o deixou repentinamente nostálgico. Será que Sam já teria conseguido falar com Isabella? Disfarçadamente ele retirou o celular do bolso para olhar se tinha alguma chamada perdida... e claro, não tinha nada. Humf! Quanto tempo mais ele teria que esperar?

Retornando do almoço tardio, Edward e Mike foram direto para mais uma aula de tiro e defesa pessoal... essa era a terceira. Mais sete e o jornalista iria cumprir a carga horária proposta por Bree. A aula foi barulhenta, cansativa e satisfatória. Em dado momento, quando eles estavam lutando, Mike decidiu abrir o que ele chamava de coração.

– Edward... acho... que... Tânia... está... me... dando... bola. – disse Mike ofegante enquanto tentava prender Edward em uma Guilhotina, golpe esse onde um lutador envolve os dois braços no pescoço do adversário formando uma alavanca.

– Hmmm... serio? Vai... em... frente... então. – respondeu um jornalista também ofegante, mas que ria descompassadamente por dentro. Mike iria tomar um belo fora e só ele não percebia isso.

– Ah... moleque. Vou... me... dar... bem. – disse o agente baixando a guarda.

Edward aproveitou o momento de distração dele para reverter a posição do golpe, habilmente com um Ground and Pound, quando um lutador fica por cima do outro. Mike tentava, em vão, defender o rosto com os braços, mas ele finalizou a luta com socos certeiros.

– Finalizei mais uma. – comentou debochado enquanto ajudava Mike a se levantar.

– Bom... acho que chega de treino por hoje. – o agente respondeu movimentando um dos ombros, como se estivesse com dor.

– É, por hoje chega. – Edward riu abertamente e caminhou em direção ao vestiário. Precisava de uma ducha.

Já a caminho de casa, o celular de Edward tocou. Era Alice convidando-o para um cinema. Ele ponderou o convite por um tempo – enquanto a irmã resmungava qualquer coisa na linha — e se lembrou da promessa que fez a Jasper, de cuidar da irmã enquanto o amigo estivesse fora. Ok, ok! Então passando por cima de todo cansaço físico e emocional daquele dia estressante, aceitou o convite e foi além, pois quando o filme acabou eles se juntaram a Rosalie e a Emmett para um jantar regado a massas e vinho... que terminou terrivelmente tarde, deixando-o ainda mais cansado.

Quando o jornalista estacionou seu Volvo na garagem, o relógio digital do painel apontava que passava das três e meia da manhã. Bom, sem problemas... ele não precisava acordar cedo no dia seguinte mesmo. Caminhando até o elevador, Edward percebeu que seu celular não havia tocado depois que ele saiu do cinema com a irmã. Tateou os bolsos a procura do aparelho e constatou que o mesmo estava sem bateria... Mas que droga! Se Sam tivesse ligado pra ele, a chamada possivelmente tinha caído na caixa-postal. Agora ele teria de esperar até o dia seguinte para conferir se Isabella foi receptiva à conversa com seu tutor.

– Droga de celular caro e que não aguenta um dia inteiro com bateria! – resmungou para si mesmo completamente mal humorado, sonolento e frustrado.

O jornalista parou em frente à porta de seu apartamento e ao colocar a chave na fechadura, ficou em choque com o que percebeu... a porta já estava aberta. Ele lembrava nitidamente de ter trancado a porta quando saiu pela manhã. Lembrava sim! Isso indicava que a mesma tinha sido arrombada. Olhou atentamente para a fechadura e notou algumas ranhuras no metal... sim, a porta tinha sido aberta de uma maneira violenta. Tinham assaltado o apartamento dele? O suor frio se instalou em seu rosto e o conhecido arrepio gelado desceu por sua espinha. E se o assaltante ainda estivesse no interior do imóvel, esperando por ele? Edward pensou em Jasper seguro lá do outro lado do oceano e agradeceu por isso. O que teriam feito com seu amigo, se o mesmo estivesse ali na hora do assalto? Rapidamente ele tomou uma decisão... iria entrar no apartamento de qualquer maneira. Precisava conferir o que tinham levado.

Para garantir sua segurança, retirou a Glock do suspensório junto ao peito e a carregou. Empunhou a arma. Com uma das mãos suadas, Edward segurou a maçaneta e girou vagarosamente, abrindo a porta por completo. Deu um passo para dentro do apartamento, mantendo as costas coladas na parede e a arma a sua frente. O único barulho no lugar era a vinheta do seriado “The Big Bang Theory” vindo provavelmente da tv, o que explicava a mudança dos tons de claridade no ambiente, visto que as luzes estavam apagadas. Ele deu um passo para mais dentro da sala, tateando a parede fria em busca do interruptor. Assim que encontrou o apertou acendendo a luz, no mesmo momento em que jogou o corpo para frente em linha reta, mirando o cano da arma na direção de seu adversário. Atiraria no filho da puta se preciso fosse!

Contudo, todo o corpo de Edward ficou paralisado vendo a cena à sua frente.

Ressonando tranquilamente em seu sofá estava ela. Aquela que revirara seu regrado mundo de cabeça para baixo, conquistando-o tão rapidamente e saindo de sua vida mais rapidamente ainda. Aquela cujos olhos castanhos preenchiam seus sonhos nas noites em que conseguia dormir. Aquela que friamente despetalou a peônia que ele lhe dera de presente e o mandara embora de sua loja com a face banhada em lágrimas. Aquela que agora ela sabia estar inserida no programa de proteção a testemunhas e conseguia compreender o medo que a moça tinha de se envolver. Aquela que ele queria a todo custo proteger. Aquela que ele tanto procurou... tinha arrombado a porta do apartamento dele e agora estava bem ali, dormindo em sua sala... Aquele que se tornara sua obsessão. A estranha Isabella.

Sem tirar os olhos dela, apressadamente se aproximou da moça que ainda dormia em seu sofá, ao passo que retirava o cartucho da Glock, descarregando-a e deixando-a no chão. Oh meu Deus... ele quase atirou nela! Oh meu Deus! Isso seria uma tragédia! Aquele pensamento fez o coração do jornalista pulsar forte em seu peito. Sem poder resistir ao rosto angelical da moça enquanto dormia, Edward se ajoelhou em frente a ela e inspirou seu perfume. Ah! Doce e levemente amadeirado. Marcante! Aquele cheiro maravilhoso ainda exercia o mesmo poder sobre ele e continuava a confundir seus sentidos. Era muito melhor do que ele se lembrava. Ah! Ela estava ainda mais linda. Encantadora, enquanto mantinha as mãos juntas ao rosto pálido. Um acessório novo em seu rosto chamou a atenção dele. Um piercing no nariz? Edward riu. Não devia se surpreender com isso, afinal aquela era Isabella. Suspirou. Mesmo dormindo ela parecia interessante e misteriosa.

– Tão linda... – ele sussurrou no ouvido da moça. Sua intrigante feiticeira... O jornalista ficou um tanto emotivo, lembrando-se das palavras de Sam, que mais parecia fazer às vezes do pai dela do que seu tutor. “Algo bom, imaculado e seguro... seja isso para ela.” disse. E bem naquele momento Edward se deu conta de que era exatamente isso que ele queria ser para Isabella.

Sem muito pensar ou ponderar seus atos, o jornalista levou a mão ao rosto da morena para acariciar sua face. A pele macia em atrito com as pontas de seus dedos o fez sentir-se calorosamente confortável e estranhamente em casa. Percebeu que Isabella começara a despertar mediante seu suave toque, pois a moça piscou lentamente os olhos e levou uma das mãos a eles. Até que eles se abriram, revelando a mais linda orbe castanha amendoado o deixando hipnotizado. Ah! Aqueles olhos... que saudade sentia deles! Aquela era a parte do corpo de Isabella que ele mais amava, por simplesmente conseguirem transparecer a verdade de sua alma. Uma alma ferida, mas essencialmente inocente. O coração de Edward perdeu o ritmo e voltou a acelerar quando ela esboçou um pequeno sorriso encabulado.

– Olá estranha... – sussurrou carinhosamente para ela.

Notas finais
Notas da beta:
Oiii meninas!!! Tudo bem?!
OINNNNNNNNNN QUE FINAL PERFEITINHO ;) Tanto que eu esperava ver nosso jornalista batendo na porta da Isabella e me surpreendo com o contrário ahaha! ADOREI DEMAIS... e vocês? Nesse capítulo deu para confirmarmos que Isabella literalmente invadiu não só o apartamento do Edward, mas a cabeça e o coração também! Bem sabemos que as intenções do Edward são as melhores, mas sabe que fiquei muito feliz e até aliviada por saber que a Isabella tem um guardião bem paternal por sinal ahaha... o Sam!
Bem, ao que parece a vendedora decidiu por dar um voto de confiança ao Edward. Me pergunto agora: o que levaria uma pessoa a aprender a arrombar portas? Imagino que certamente foi uma necessidade diante do que sofreu no passado. Veremos... e parece que nosso jornalista estará mais envolvido que nunca com investigações, não?! Só não fui com a cara dessa Tânia... argh rs! Mas ela que se cuide, porque agora que a Isabella apareceu, sinto que será para ficar!
Comentários??? Recomendações??? A Juh muito merece, certo?!
Beijosss e até o próximo post!
Dani ;)
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Olá meninas!
O que acharam do capítulo? E nossa Isabella finalmente apareceu hein. Gostaram de como ela voltou? Rs rs rs.
Agora ela será beeeem mais presente na história e na vida de Edward. Se perguntaram porque ela sabe arrombar portas?
Gostaria de ressaltar algumas cenas que eu escrevi, pois achei necessárias:
1) As cenas com as irmãs (Alice e Rosalie) mostram que elas sentiram falta de Edward, que por sua vez esteve mesmo muito afastado. Ele perdeu completamente o contato com a família, após a pressão que foi investigar o Caso Volture. Mas agora ele está aberto novamente ao convívio social... (Porque será? Rs)
2) As cenas com a delegada e os agentes mostram um pouco da profissão dele, afinal a vida não é feita só de romance (Mas não esperem muito das investigações policiais... não tenho talento pra escrever isso! E fiquem de olho em Tânia!).
3) As cenas com Sam mostram o quanto ele é paternal com relação à Isabella. E isso tem um motivo beeem forte. Pensem: Porque alguem precisa de um tutor? (Fiquem de olho aqui também!)
Gostaria novamente de agradecer a TODAS vocês... tanto as leitoras frequentes, quanto as fantasmas... pelo carinho com a fic! Obrigada pelos reviews, recomendações, por ter favoritado e pelas MP´s, que tem crescido satisfatoriamente! Vocês são demaaaaaaaaaaais! E quem achar que a fic merece, me ajudem a divulgar NSAPM... saiba que eu ficaria beeem feliz.
Como estou de férias e com bastante tempo, andei adicionando vocês pelo Twitter e Facebook. Me aceitem por lá! Hahahaha.
Já falei demais por hoje, não é? Credo... a autora aqui está carente. Kkkkkkkkkkk
Fiquem com Deus e até o próximo post!
Bjsss,
Juh Cantalice.