Não Se Apaixone Por Mim...
3 Espinhos...
Notas iniciais
Espero que gostem. Nos falamos mais lá em baixo.
Boa leitura ;)
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Agradecimentos: Agradeço do fundo do coração a Jessica Charola e a Pati Winter por terem recomendado NSAPM. Fiquei muito feliz mesmo! Dedico esse capítulo a vocês!
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Créditos: Look da Bella montado pela Vanessa Ruguê (TheRugue)
Em algum dia de junho do ano de 2007...
Ele não tinha o costume de acordar cedo, simplesmente porque a liberdade da vida de jornalista lhe permitia fazer seu horário de trabalho. Ótimo. Ele gostava de levantar da cama apenas quando seu corpo entendia que já havia dormido o necessário, para enfrentar a rotina do dia a dia, e costumava ficar muito mal humorado quando tinha que acordar com o barulhento e insuportável som do despertador. Mas hoje não. O despertador hoje tinha uma importante função. Acordá-lo cedo o bastante para encontrar Isabella assim que ela abrisse a loja de artigos musicais. O intuito da visita era mostrar para a sua nova conhecida, o produto final do trabalho dele. A matéria sobre o caso Volturi que ela muito habilidosamente lhe ajudou a estruturar.
Ali, ainda deitado em sua cama, às lembranças de Edward vagaram para o dia em que ele foi até a delegada de polícia de Nova York, a fim de lhe apresentar a matéria e conseguir sua autorização para publicar no renomado jornal “Nova York em foco”, matéria essa que ele intitulou de “Caso Volturi: Do luxuoso Oriente Médio para trás das grades de Nova York”. O trabalho impecável rendeu muitos elogios da delegada e até um entusiasmado soco na mesa.
– Porra Edward! Sensacional! – explodiu de felicidade a delegada Sra. Bree Tanner. Ela era baixa e magra. Tinha olhos castanhos e longos cabelos negros. A pele bronzeada disfarçava a sua idade, visto que ela já passava dos quarenta anos. Edward a achava uma mulher muito bonita.
– Ah Bree, jura que você gostou tanto assim? – respondeu aliviado. A delegada fazia o estilo “casca grossa”. Durona. Talvez a profissão tenha lhe proporcionado isso. E talvez não. Os dois tinham um bom relacionamento profissional e até pessoal, pois se conheciam há anos e eram amigos fora da delegacia, mas ainda assim era muito difícil agradá-la.
– Sim Sr. Sherlok Holmes. Não preciso jurar que gostei, se estou dizendo, é porque é verdade – ralhou ela arrumando a armação grande dos óculos no rosto.
– Nossa! Isso é... no mínimo estranho! Quer dizer, você gostar de algo é estranho. – manteve o tom brincalhão e surpreso.
– Ah Edward, nem começa! Você sabe que tenho esse meu jeitão duro de ser, mas sei reconhecer um trabalho quando esse é bem feito – disse arrumando uma pilha de papéis em cima de sua mesa, que há dias estava abarrotada de documentos do caso Volturi. Ela tinha sido uma das delegadas coordenadoras do caso.
– Eu sei é?! – disse erguendo uma das grossas sobrancelhas, fingindo-se se surpreso.
– Claro que sabe! — elevou a voz. Em seguida sorriu.
– Ah fale sério, Bree. Ficou mesmo boa?! Tipo, boa como? Você acha que eu consigo mesmo publicar? – praticamente despejou em cima da delegada toda a sua insegurança. Estranha insegurança.
Bree lhe fitou por um momento em silêncio... o dedo indicador pairando nos lábios...
– Epa! Tem alguma coisa errada aqui! – disse se inclinando sobre a mesa e puxando a armação dos grandes óculos para frente – Você está inseguro demais Edward! Não faz seu gênero isso...
– Não estou não! – disse recostando-se na cadeira e cruzando os braços sobre o peito.
– Está sim! Te conheço há anos, meu rapaz. Tem mulher ai no meio. Alguém especial que você quer impressionar com essa matéria? — ela olhava para Edward, por cima da armação dos óculos.
E tinha mesmo.
Ele ainda não tinha percebido que toda aquela insegurança não era somente relacionada à Bree e em não conseguir sua autorização para publicar a matéria. Na realidade ele queria impressionar a pequena vendedora. Isabella Uley.
Edward não respondeu a pergunta da delegada. Pelo menos não em palavras... Afinal, em alguns casos o silêncio também é uma forma de resposta...
– Eu sabia que esses seus grandes olhos brilhantes queriam me dizer algo! – disse Bree entre risos e batendo palmas.
– Ah Bree, nada disso ok?! Não sei do que você está falando – negou Edward. Não se lembrava da amiga ser tão perceptiva assim... Nem mesmo Jasper, seu grande amigo e companheiro de apartamento, havia percebido algo diferente nele. Ou pelo menos não havia transparecido perceber algo. Será que ele tinha percebido também?
– Quem é a sortuda que mexeu com o seu coração, hein meu rapaz?! Ela é bonita? – Perguntou a amiga de Edward, lhe dando uma piscadinha e ignorando sua evasiva.
– Você não vai me deixar em paz, até que eu diga que está certa, não é?! – revirou os olhos.
Ela interpretou aquela pergunta como uma confirmação.
– Ah meu Deus! Então é verdade! – disse ela tapando a boca com a mão e arregalando os olhos. Estava feliz demais pelo amigo. Fazia tempo que ela não o via com uma energia tão positiva em sua volta. Com uma aparência tão saudável e com a barba feita!
– É mais ou menos isso. Na verdade eu não acho que estou apaixonado. Mas tenho pensado muito nela... Mais do que eu deveria – Confessou passando as mãos entre os cabelos, agora devidamente penteados, mas não completamente arrumados. Os cabelos de Edward pareciam ter vida e vontade própria...
– Isso já é algo muito relevante! Qual o nome dela? – perguntou Bree, olhando direto nos olhos dele.
– Isabella – contou-lhe Edward suspirando, como se invocasse o nome de uma deusa. Dizer o nome dela o fez recordar aquele lindo par de olhos chocolate. De seu perfume...
– O nome é muito bonito. Italiano! Adoro! Como Isabella é? – perguntou verdadeiramente curiosa.
– Ela é... diferente. – respondeu sorrindo.
– Diferente como? — Bree franziu o cenho.
– Completamente diferente de... tudo. — as esmeraldas que eram seus olhos brilharam ao dizer aquilo.
E ai Edward embarcou em uma animada conversa com Bree, contando-lhe todos os detalhes que conseguia se lembrar de Isabella. Falou de seu visual avassalador, de seu perfume inebriante, de seu jeito de falar usando gestos e de seus olhos. Deu um destaque especial aos lindos olhos amendoados... Ele parecia ter sido enfeitiçado por aquele profundo par de olhos castanhos. Tanto ele quanto Bree acreditavam nessa teoria. Ele lhe contou também que no dia em que a conheceu estava um tanto “perdido”, sem saber o que escrever em sua matéria e que foi ela quem lhe ajudou. Deu-lhe um norte e por isso Edward a tinha como sua fonte de inspiração.
Após ouvir tudo o que o amigo tinha a lhe contar sobre Isabella, Bree ligou para o redator chefe do jornal, e lhe informar que havia acabado de enviar por e-mail a incitante matéria de Edward. Ele por sua vez escutou toda a ligação calado. Seus pensamentos em uma certa loja...
– Sr. Jared Camerom! Como vai? Eu vou bem, obrigada! Sim, a matéria está pronta! Edward fez um ótimo trabalho aqui, como sempre! Olhe seu e-mail, acabei de enviar... Ok. Ficamos no aguardo. Tchau.
Edward esperou Bree desligar a ligação, para dar um carinhoso abraço na amiga.
– Obrigado Bree! Pela ajuda para publicar a matéria... – não terminou a frase. Achou que iria parecer careta demais agradecer a Bree por ouvi-lo contar como se sentia em relação à Isabella. Edward nunca foi de expressar muito seus sentimentos e por esse motivo tinha sido taxado de "durão" pelos amigos mais próximos.
– Não me agradeça ainda. Deixe para fazer isso quando conseguir a primeira página do jornal! Ah querido, você vai longe! – disse depositando dois tapinhas nas costas do amigo.
E assim aconteceu. Primeira página! Mais uma para a incrível coleção de Edward Cullen, porém essa era muito mais especial. Só ele sabia o quanto foi difícil escrever essa bendita matéria. Quantas noites ficou em claro por causa deste caso. Por causa de sua preocupação com a saúde de Alice. Mas também só ele sabia que essa mesma matéria havia introduzido em sua vida a incrível e misteriosa Isabella Uley. Aquela moça que com seu jeito esquisito e olhos fascinantes, habitava os seus pensamentos. Ele havia perdido as contas de quantas vezes nesses três dias, havia pegado o simples e amassado cartão de papel da loja em suas mãos, para levar até o nariz e sentir o cheiro dela, que continuava intacto naquele pequeno pedaço de papel, como se estivesse mesmo sido enfeitiçado...
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Ao levantar da cama, Edward foi direto para a cozinha tomar um pouco de café puro. A cafeína lhe ajudava a combater o terrível sono.
– Bom dia, Edward! Caiu da cama foi? – disse Jasper olhando para seu relógio de pulso, assim que avistou o amigo entrando na cozinha.
– Mais ou menos isso. Tenho algo pra fazer hoje pela manhã – finalizou a frase abrindo um grande bocejo. Era mesmo uma droga acordar tão cedo.
– Nossa! Deve ser algo realmente importante e significativo. Afinal, conseguiu te tirar da cama antes do meio dia! – continuava a tirar sarro da cara do amigo.
– Deixa de ser engraçadinho às sete da manhã Jasper!
– Engraçadinho eu? Nada! Estou sendo realista. O que é? Uma entrevista de emprego? – perguntou a Edward enquanto mordia um apetitoso pedaço de pão doce com geleia de morango.
– Não é uma entrevista. Mas tem haver com trabalho. Mais especificamente com a matéria do caso Volturi – finalizou Edward sem dar maiores detalhes.
– Ok, sem muitas informações por enquanto, não é?! – questionou.
– É isso ai – completou Edward enquanto terminava de encher seu copo com café.
Os amigos permaneceram juntos por mais alguns minutos. Na realidade, Edward tinha outros planos para o seu café da manhã, de fato. Então apenas esperou Jasper tomar o dele tranquilamente, enquanto conversavam amenidades, como por exemplo, o fato de não aparecerem na academia de esgrima há alguns meses, mas continuarem pagando a mensalidade, ou o que fariam no aniversário de Edward que estava chegando e até da maneira como eles finalmente conseguiram reduzir o valor da conta de luz...
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Após uma inspeção de sua imagem no espelho, Edward decidiu que era melhor fazer a barba novamente. Vaidoso, queria estar apresentável para a vendedora. Jasper já estava abrindo a porta do apartamento, saindo para ir trabalhar, quando seu amigo jornalista ouviu um barulho das chaves. Chamou por ele.
– Ei Jasper, tem mais dessa geleia de morango? – perguntou gritando, enquanto colocava a cabeça para fora da porta do banheiro. O rosto cheio de creme de barbear.
– Tem sim! Na terceira prateleira da geladeira. — gritou de volta.
– Ok. Valeu! – Edward exclamou animado, mesmo sem ter certeza de que o amigo tinha ouvido, enquanto voltava toda sua atenção para o espelho, onde continuou a fazer a barba.
Até que a figura do amigo de Edward apareceu na porta do banheiro, segurando uma suculenta maçã nas mãos. Falou encarando a fruta...
– Hey, depois me conta se a Isabella gostou da geleia de morango da Dona Esme – Edward foi pego de surpresa com esse comentário. Tanto que fez um minúsculo corte no pescoço com a gilete. Ai!
– Hã? – Disse confuso e estático. Deixou o barbeador de qualquer jeito em cima da pia e encarou o amigo. Tinha certeza que não havia falado absolutamente nada sobre Isabella para ele... Era para tudo relacionado a ela ser um segredo, pelo menos por enquanto. Ele não entendia essa necessidade que sentia de preservá-la das outras pessoas. Do mundo. E talvez até dele mesmo. — O que? Do que você está falando?
– Ora meu caro Edward Cullen, você chamou o nome dessa moça durante as últimas três noites. E chamou tão alto e claro, que eu consegui ouvir lá do meu quarto! – respondeu Jasper, logo em seguida mordendo um pedaço de sua maçã. Encostou-se ao batente da porta.
Edward ainda estava sem palavras. Não tinha o costume de falar a noite, mas acreditava no relato do amigo.
– Ah Jasper... Assim, não é bem isso que você está pensando. — tentou soar desinteressado.
– Como não? Edward você anda bem alienado. Distante até. Diferente do cara durão que todo mundo conhece. E está fazendo a barba pela terceira vez em três dias! – Jasper explodiu em uma gargalhada divertida. Ele conhecia o amigo como a palma de sua mão e vê-lo negar que estava interessado na moça era hilário.
– Err... Veja bem, a Isabella... – mas ele não o deixou terminar de falar.
– Eu sei... Ela roubou o seu coração de pedra. Conte-me tudo depois, ok?! Agora vou nessa. Odeio chegar atrasado ao trabalho – Jasper deu um tapa na nuca de Edward e saiu do local.
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Em seu Volvo ele carregava um exemplar do jornal contemplando sua matéria. Primeira página! Também levava algumas sacolas de mercado com pães doces e salgados, pois não sabia a preferência dela. Alguns frios, sucos de laranja e abacaxi. E o pote de geleia de morango caseira, feita por sua mãe Esme. Queria causar boa impressão em Isabella. Mas parecia que ainda faltava algo... Um detalhe que ele tinha deixado passar... Mas o que era? Edward se esforçou para lembrar tudo o que sabia dela. Todos os detalhes de sua loja. Até que se recordou da solitária peônia repousando em cima do balcão, fazendo às vezes da única decoração do lugar. Sentiu-se muito motivado a levar uma flor para ela. Mas também se sentiu inseguro. Ela não parecia o tipo de mulher que gostava de receber flores...
- Será que ela gosta de receber flores? – verbalizou seu pensamento.
Ah caramba! Edward estava inseguro demais. Parecia que estava indo para o seu primeiro encontro. Suas mãos tremiam e agora aquela não parecia a melhor forma de reencontrar com Isabella. Parecia infantil demais. Romântico demais. E por fim, idiota demais. Onde estava toda a confiança dele? Seu pensamento lógico e racional? Foi tentando seguir nessa linha de raciocínio que decidiu arriscar. Passou na loja de flores onde Victória trabalhava e comprou uma única e linda peônia branca. Ela poderia não gostar de um buquê gigante de flores... Mas uma flor apenas não faria mal a ninguém. Faria? Aquilo seria mera cordialidade e uma ótima maneira de agradecê-la por si deixar ser sua inspiração. Edward pediu para Victória embrulhar a peônia em um delicado plástico transparente, de modo que ele pudesse guardá-la em sua mochila e não danificá-la. Ainda teve que aguentar o olhar especulativo da ruiva e suas cantadas nada discretas. Tudo feito, ele seguiu para frente daquele que era o seu destino desde que levantou da cama. A loja dela...
Mas Isabella estava atrasada.
Eram 09:15AM e a loja ainda não estava aberta. Ele se sentiu desanimado por um segundo. E agora? Pensou ele. Esperar ou ir embora? Bom, já que ele tinha acordado tão cedo para estar ali, não custava nada esperar alguns minutos. Manteve-se encostado em seu carro, com as mãos nos bolsos. Ansioso. Mas não precisou esperar tanto assim...
Questão de minutos após ele decidir por ficar, Isabella apareceu da maneira mais inusitada e sexy possível. De moto. Estacionou uma bela – e grande demais para seu físico pequeno — moto em frente sua loja, retirou o capacete quase que teatralmente e passou as pequenas mãos entre os cabelos curtos e negros. Parecia ainda mais linda e misteriosa hoje, em sua jaqueta de couro vermelha... Sexy. Linda. Ameaçadora.
– Olha quem realmente voltou! – ela exclamou, assim que notou a presença de Edward. Isabella tinha realmente sentido falta do jornalista nesses três últimos dias. Odiava admitir aquilo, mas tinha pensado demais nele. Ficou feliz em vê-lo parado ali, provavelmente esperando por ela. Ele estava ainda mais bonito do que a primeira vez que eles casualmente se conheceram. Ela notou que ele tinha feito à barba, pois agora parecia bem mais novo. Gostou.
– Oi pra você também, vendedora! Bom dia! – disse irônico.
– Muito bom dia jornalista! O que te traz aqui? Terminou sua matéria? – disse ela passando por ele e indo direto abrir a loja.
– Isso mesmo espertinha! Você já tomou café da manhã? — questionou-a, torcendo para que a resposta fosse negativa. Diga que não! Diga que não!
– Não Edward. E você? – disse sem olhar para ele. Estava concentrada em destrancar todas as fechaduras da porta.
– Errr... Eu trouxe algumas coisas de comer. Você quer tomar café comigo? — convidou admirando-a. Sua memória em nada fazia jus a real beleza da tal vendedora. E novamente ele ficou absorto naquela figura diferente que confundia os seus sentidos. Audição, visão e olfato... Tudo parecia funcionar de outra maneira quando ele estava frente a ela. Ele não ouvia nada além de sua respiração. Sua visão ficava mais nítida e definida, lhe permitindo apreciar a bela pele marfim e sem marcas da moça. E seu olfato era elevado a mil. O perfume dela era realmente inebriante...
Foi a voz dela que o trouxe novamente a realidade.
– Ei?! Vai ficar parado ai igual a um dois de paus? Vamos tomar café no meio da rua? Ou você prefere entrar e agir como uma pessoa normal? — ela franzia o cenho.
– Vai entrando. Vou buscar as coisas no carro e entro logo em seguida – ele piscou algumas vezes, voltando do seu transe particular.
– Que isso cara! Eu ajudo você. – disse prestativa.
E juntos eles caminharam em silêncio até o Volvo estacionado na calçada. Isabella pegou algumas sacolas aleatoriamente. Edward ficou com as que restaram no banco de trás do carro, jogou no ombro sua mochila, onde estavam guardados o jornal e a Peônia. Ambos entraram na loja acendendo todas as luzes por onde passavam.
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A loja possuía uma espécie de anexo nos fundos, que era dividido do salão central apenas por uma parede de vidro fumê. Isabella transformou o local em uma pequena cozinha, para refeições rápidas. Lá continha uma minúscula mesa, dois bancos de madeira, um microondas, um frigobar e uma pia. Tudo muito limpo e organizado. O local era realmente pequeno, mas aconchegava perfeitamente bem duas pessoas. Ainda em silêncio, eles colocaram todo o conteúdo das sacolas em cima da mesa.
– Cara! Você trouxe um banquete! Pra que tudo isso? Está querendo me impressionar? – disse ela, enquanto servia-se de um copo de suco de abacaxi.
– E eu impressionei? – perguntou ele automaticamente sorrindo e abrindo o outro suco. O de laranja.
– Sim, estou impressionada com sua total falta de noção Edward! Tem comida aqui para uma família de cinco pessoas! – Isabella agora cortava ao meio um pão francês.
– Ah vai... não fui tão mal assim. Ou fui? – disse ele. Queria parecer divertido, mas na realidade estava preocupado... Ela teria mesmo achado a atitude dele sem noção?
– Ok, vou relevar dessa vez. Dizem por ai que o que vale é a intenção – respondeu passando geleia no pão e em seguida entregando-o a Edward.
– Fez pra mim?! – ele franziu a sobrancelha. Aquilo parecia uma atitude completamente atípica da personalidade dela.
– É o que parece. – ela sibilou.
- UAU! – fez cara de espanto. Aquilo definitivamente não era nada Isabella Uley.
- Pra que essa cara de espanto? Não tenha medo de comer. Juro que não envenenei esse pão! — ela apontou para o pão na mão dele.
– Eu sei que não... Afinal, você fez o pão na minha frente. E eu confio em você – piscou.
– Oh! Não confie – disse ela séria demais.
E os minutos seguintes se passaram assim. Com uma Isabella oscilando entre ações delicadas e respostas mal-criadas e um Edward cada vez mais encantando pela morena.
Algo ainda intrigava Edward. Apesar de ter um bom senso de humor, ela nunca sorria. Apenas aquilo o incomodava.
– Escuta, você não tem um apelido? – perguntou para ela em um determinado momento da conversa.
– Hã? O que? – o corpo dela parecia ter ficado rígido de repente.
– Um apelido? Algo do tipo Isa, Bells ou Bellinha. — explicou.
– Não! – a expressão dela era de choque.
– Não? Sempre te chamaram de Isabella? Até na escola? — ele disse surpreso.
– Pois é, nada de apelido. Só Isabella – Ela fechou a cara em sinal de mal-humor. O inocente comentário dele a fez lembrar-se daquele tempo feliz de sua vida. Do passado em Forks. De como ela amava as variações de seu nome. Um apelido em especifico. Bella. Recordou brevemente tudo o que tentava bloquear. O tempo em que era Bella Swan. Mas agora a situação havia mudado. Tudo estava diferente. Bella Swan deveria estar enterrada no passado e ponto final. Ela havia mudado de cidade, de visual e de nome... Quem estava na frente de Edward agora era Isabella Uley, definitivamente.
– Ok, nada de apelidos então – Edward achou aquilo estranho. Um pouco frio da parte dela. Mas não se importou muito. Ele estava exatamente onde — e com quem — queria estar... E aquilo bastava.
Enquanto Edward lavava a pouca louça que eles utilizaram para o rápido café da manhã, Isabella guardava os pães e frios que sobraram. Ela havia adorado a geleia de morango e deixou isso bem claro para ele, quando pediu para ficar com o pote.
– Mas vamos ao que interessa! Cadê sua matéria? – disse ela, procurando pelo jornal em cima da mesa.
– No bolso externo da mochila. Hmmm... Depois que você ler a matéria, tenho outra coisa para te entregar – disse ele por sobre o ombro. A peônia que estava na parte interna da mochila. Ele não poderia esquecer-se do presente dela...
– Ok, vou ler agora mesmo. — disse pegando o jornal e se concentrando.
Edward de repente desejou que tivesse mais louças para lavar, para que ele não precisasse encará-la enquanto ela lia a matéria. Mas como ele já estava secando o último copo, virou-se para a morena e encostou na pia. Cruzou os braços. Esperou. Se viu perdido – de novo — em cada expressão de Isabella. Cada vez que ela levava o dedo aos lábios, a curiosidade dele aumentava para perguntar o que ela estava pensando. Mas ele se conteve. Pelo pouco que conhecia de sua personalidade, ela diria sua opinião sincera sobre o texto assim que terminasse de ler.
– Mas o que é isso aqui?! – disse nervosa, jogando o jornal em cima da mesa.
– O que? – ele pegou o jornal. Não se lembrava de ter escrito algo que causasse tanta repulsa em alguém. Muito menos nela, que tanto lhe ajudou.
– O meu nome Edward. Aqui nos agradecimentos! – disse apontando para o local onde estava o nome dela. Estava escrito Isabella Uley... em um jornal de grande circulação!
– Mas que reação exagerada. Não é apenas seu nome que está ai! Sempre agradeço as pessoas que colaboraram com a matéria... — explicou-se. Qual era a dela afinal?
– Exagerada? Isso é praticamente uma violação a minha privacidade, Edward! – Não gostou daquilo. Seu nome estava em um jornal. E se alguém, por qualquer motivo fútil que fosse, decidisse pesquisar quem era Isabella Uley? Provavelmente chegariam a Bella Swan. Isso era improvável, mas poderia acontecer. Ela não podia correr esse risco. Sabia que a aproximação dele poderia prejudicá-la de alguma forma. Ela não queria ter que recomeçar a vida em um novo lugar, com um novo nome... de novo.
– Mas eu pensei que estava lhe... – ela o interrompeu.
– Não pensasse! Era só me perguntar, Edward! É meu nome. Minha... vida. – agora ela apenas sussurrou.
Um silêncio desconfortável se estabeleceu entre eles. As lágrimas começaram a se formar nos olhos dela e Edward logo percebeu isso. Aquilo cortou-lhe o coração. Ela estava prestes a chorar. Indiretamente, ele tinha lhe causado aquela dor. Seja ela qual fosse. Idiota. Idiota. Idiota. Eu sou um idiota, repetia para si mesmo. Tentou se desculpar.
– Isabella, me desculpa. Não imaginei que isso lhe deixaria desse jeito – disse simplesmente, passando a mãos nos cabelos. Estava sem entender a reação dela, mas mesmo assim estava arrependido.
– Tudo bem. O que está feito, está feito. Eu preciso abrir a loja agora. O que mais você queria me dar? – disse com a voz fria como gelo. Ela ainda lutava para segurar as lágrimas nos olhos. Ele sabia disso.
Ah! A peônia! Essa seria uma ótima maneira de se desculpar com Isabella. Ele não teve dúvidas. Abriu a bolsa, pegou a flor e entregou para ela. Os olhos castanhos se arregalaram de uma maneira estranha.
– Uma peônia? – disse colocando uma mão no peito, como se sentisse dificuldade de respirar.
– Bom, era para agradecer por você ter me ajudado com a matéria. Mas agora é para me desculpar por tudo isso. Eu juro que se soubesse que você ficaria tão transtornada, não colocaria seu nome nos agradecimentos. Sério mesmo... me desculpa? – disse Edward, desesperado. Queria concertar a coita toda...
Isabella achou o gesto de Edward muito lindo. Sempre gostou de receber flores de presente. Peônias principalmente. Ela amava aquela flor que lhe trazia tão boas recordações. Como o abraço de sua mãe Renne. A risada alta de seu pai Charlie. As tardes em Forks regadas a bolo de laranja, café com leite e brincadeiras com seu pequeno irmão Jacob, no jardim onde sua mãe cultivava peônias brancas. Mas tudo aquilo havia acabado. Bom, quase tudo. Agora só lhe restava metade daquela alegria. Aquela metade que estava tão longe. Nesse momento ela não conteve as lágrimas e deliberadamente as deixou escorrer dos olhos.
– Me desculpa de verdade Isabella? – Ele se aproximou dela e secou sua face com as pontas dos dedos. Ambos gostavam do contato físico e da sensação que isso lhes proporcionava... E por um insano momento ela levou um pouco mais o rosto em direção a mão dele. Fechou os olhos. Suspirou.
Mas Isabella precisava se proteger. Não era tempo de se apaixonar ou de se expor e ela sabia que estando tão próxima de Edward, seria impossível não acontecer ambas as coisas. Ele era uma personalidade publica. Um jornalista. Um renomado jornalista investigativo. Mas que ironia! Uma ideia ridícula começava a se formar em sua mente. Aquilo o magoaria com certeza. Mas era melhor aquela amizade acabar ali, sem prejuízo ou traumas pra nenhum dos lados. Ela pegou a peônia da mão dele, abriu bem devagar o embrulho que a cobria. Sentiu o cheiro da flor. Ah! O cheiro com sabor de saudade! Como ela gostava daquele cheiro! Mas, fria e muito delicadamente apertou o botão da flor nas mãos. Sentiu as pétalas macias protestarem contra seus dedos, se desprendendo lentamente e quando percebeu que a flor estava completamente despetalada, abriu a mão e as deixou caírem no chão. Só então encarou Edward e encontrou seus olhos verdes marejados. Uma expressão indecifrável se mantinha em seu rosto. Ele estava mortificado.
– Você está perdoado jornalista. Agora vá embora daqui.
Nada mais foi dito.
Isabella sentou no banquinho de madeira e encolheu as pernas na altura do peito. Chorou.
Edward pegou sua mochila e foi embora da loja. Não olhou para trás. Estava chocado com a atitude fria de dela. Entrou em seu acolhedor carro e dirigiu rumo ao seu apartamento. Precisava se afastar da estranha influencia que ela exercia sobre ele, para poder pensar no tórrido episódio que eles acabaram de protagonizar.
Algumas certezas começavam a se formar dentro dele. Primeiro, tudo aquilo que Isabella fazia era uma espécie de máscara. Um artificio que ela utilizava para afastar as pessoas. Se proteger de algo ou de alguém. Seu instinto de jornalista lhe deixava isso muito evidente. E segundo, ele viveria para o dia que finalmente conseguisse ver um sorriso no rosto — e nos olhos — da misteriosa vendedora. Não desistiria dela.
Ainda não...
“Um vendedor de flores... Ensinar seus filhos a escolher seus amores...”.
É isso aí – Ana Carolina e Seu Jorge
Notas finais
Ownnn... Isabella dura na queda, hã rs?! Aiiii pois doeu em mim quando ela apertou a peônia nas mãos e deixou um Edward desolado... justo ele que chegou todo conquistador, cheio de boas intenções!
É fato que algo de muito grave aconteceu no passado da Bella para que ela se afastasse de pessoas importantes como seus pais e o irmão! Minha cabeça, como a do Edward, não para de dar mil e uma voltas atrás de respostas! Também não poderia deixar de comentar o comportamento do jornalista por todo o capítulo, certo rs?! Muuuito apaixonante! :) E alguém ai duvida de que o Edward está total e irrevogavelmente apaixonado? Ele carrega todos os sintomas ahaha: dorme e acorda pensando na Isabella, se arruma pensando nela, prepara/compra comida pensando em quem? Nela... a moça dos lindos olhos castanhos arrebatadores ahah! Bem... e se assim como eu querem mais pistas de todo esse grande mistério, bora incentivar a Juh, nossa querida autora, comentando e recomendando a estória, okay?!
Beijos e até o próximo post!!!
Dani ;)
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Olá meninas, boa noite! Espero que estejam todas bem!
Estou muuuuito ansiosa para saber o que vocês acharam desse capítulo. Estão gostando de NSAPM? Não fiquem bravas com a atitude de Isabella. Garanto que ela tem motivos para querer manter sua privacidade.
Obrigadaaaa a todas que enviaram reviews... eu li cada um deles! Vocês são demais! ;)
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice.
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