Notas iniciais
Meninas, bom dia! Aqui está mais um capítulo de NSAPM, especialmente para vocês. Espero que gostem! Não deixem de passar lá nas notas finais. Boa leitura! ;)
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Agradecimentos: Agradeço do fundo do coração a Yara Bastos e a Missyine por terem recomendado NSAPM. Fiquei muito feliz mesmo! Suas lindas! Dedico esse capítulo a vocês! s2
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Créditos: Look da Bella montado pela Vanessa Ruguê (TheRugue).

Em 20 de junho de 2007

Correr. Correr. Correr.

O vento gelado passando bruscamente por ele, o suor escorrendo em sua testa, nuca e costas, a sensação de prazer e bem-estar produzidas por seu cérebro — que liberava uma porcentagem maior de endorfina — enquanto seu corpo movia-se rapidamente e ganhava as ruas de Nova York. Ah! Sensações que ele agora apreciava ainda mais que as proporcionadas pela esgrima e pelo boxe, porque a corrida era um esporte que se podia praticar sozinho e não lhe exigir um pensamento estratégico cansativo. E a isso se resumia os últimos dias dele. Solidão, corrida e suor. Aprendeu que a corrida era uma de suas melhores aliadas quando precisava pensar objetivamente, distrair a mente e controlar seus pensamentos... e ultimamente ele estava fazendo muito isso. O motivo era a misteriosa Isabella, é claro. A morena era uma completa incógnita para ele. Uma equação que Edward simplesmente não conseguia entender, desvendar ou responder. Isso era tão frustrante. E sedutoramente desafiador!

No segundo — e último dia — que encontrou Isabella, eles tinham se desentendido. O nome dela expresso nos agradecimentos da matéria dele, foi o motivo da fatídica discussão. Algo tão irrelevante para ele. Mas assustadoramente relevante para ela. Foi exatamente isso que fez Edward retornar a loja de CDs no dia seguinte. Queria entender o motivo pelo qual eles brigaram. Ou melhor, o motivo pelo qual ela brigou com ele. Mas a loja estava fechada. E no dia seguinte a mesma coisa. E no outro a mesma coisa...

Motivado pela preocupação da loja estar fechada e pelo súbito desaparecimento de Isabella, Edward resolveu apelar. Lutar com as armas que tinha, por mais que elas não fossem politicamente corretas. Não costumava investigar a vida de pessoas comuns. Sabia que ela não era um caso policial, no qual ele faria uma matéria depois da investigação e lucraria com ela. A morena não era um trabalho. E nesse caso ele nem sequer tinha o direito de investigá-la. Mas, sua curiosidade falou mais alto. Seu senso de proteção também. Sentia um estranho aperto no peito todas as vezes que se lembrava das lágrimas escorrendo pela face imaculada dela. Sentia-se pequenino. Impotente. Queria protegê-la de tudo que pudesse lhe causar dor. Decidiu investigá-la sozinho. Não queria envolver Jasper e indiretamente aguçar a curiosidade dele também. Mas isso já não era proteção. Na verdade era certo egoísmo da parte dele. Não queria dividir absolutamente nada de Isabella... com ninguém. Nem mesmo informações. E isso tudo era tão estranho. Fascinação? Sim, ele sabia que estava fascinado por aquele caloroso par de olhos castanhos...

Sua investigação foi inútil. Ou útil até demais? Ele ainda não sabia dizer. Isabella não havia feito nada que lhe desabonasse perante a sociedade e descobrir isso para ele era um terno alívio. Sua ficha estava limpa. Até demais. Esse era o ponto esquisito da situação. Ela não tinha nenhuma passagem pela polícia. Mas também não tinha nenhuma multa de trânsito. E apesar de ter terminado os estudos, nunca havia prestado um vestibular sequer. Também não tinha perfil criado em nenhuma rede social. E para finalizar, no cadastro de pessoas físicas dos EUA, o endereço registrado como sendo dela era o da loja de Artigos Musicais que, aliás, estava em nome de um tal Sam Uley. Pelo sobrenome, a princípio Edward imaginou que ele fosse marido dela. Motivado por uma idiota onda de ciúmes, investigou também a vida de Sam. Ficou ridiculamente tranquilo quando descobriu que ele era casado com a Sra. Emily Uley. E um pouco mais frustrado quando fez as contas e percebeu que Sam era novo demais para ser pai da morena. Seria um tio, talvez? Uma nova pesquisa revelou que ele era filho único...

Isabella era de Forks, tinha 20 anos e era vendedora. Sam era do Mississipi, tinha 30 anos e era uma espécie de assistente social do estado. Nos arquivos e documentos que Edward conseguiu acessar, não havia nenhuma relação entre os dois. Nenhum ponto se fechava naquela história. Faltava uma peça no quebra-cabeça que era a vida dela. Confusão. Frustração. Imaginou que seu lado emocional — totalmente comprometido — estava atrapalhando a investigação, pregando-lhe uma peça... Algo ele estava deixando passar. Só o que não entendia era se não estava mesmo enxergando todos os fatos, ou se não queria os enxergar. E sendo assim, cansado de ficar dando voltas e nunca chegar a uma conclusão coerente, conectou seu ipod em uma música com a batida pesada e decidiu sair para correr. De novo. Agora ele fazia isso todos os dias. Mas hoje ele não correria apenas para esquecer Isabella. Queria esquecer outro pequeno detalhe. Seu celular. Aquele que não parava de tocar, fazendo-o lembrar de seu 26º aniversário...

As atitudes de Edward estavam tão incoerentes nos últimos dias. Tola distração era correr, visto que ele fazia isso para esquecer a existência de Isabella, mas o caminho mecanicamente escolhido por seu cérebro sempre o levava à rua da loja dela. Era como se a mente dele estivesse condicionada. Como se existisse uma espécie de imã naquele lugar e ele fosse um pedaço de metal, que era sempre atraído pra lá. E logo, ele precisava passar na frente do Starbucks onde todos o conheciam e sabiam de seu aniversário.

Mas seria hoje o seu dia de sorte...

Assim que chegou à esquina da loja de CDs, ele a viu. Parou de correr instantaneamente e observou a morena fechar a loja. Isabella estava linda como sempre. Mas parecia um pouco abatida. Edward não sabia qual seria a reação dela se o visse por ali, então decidiu apenas observá-la de longe. A morena fechou a loja, jogou a mochila preta em um dos ombros e atravessou a rua, deixando sua moto estacionada por ali. Ela andava rapidamente e isso chamou a atenção do jornalista investigativo que morava dentro dele. Ela parecia determinada. Certamente tinha um destino pré-definido. Movido novamente por uma curiosidade incontrolável, ele discretamente a seguiu.

Isabella entrou em uma conhecida rede de loja de livros do bairro. Cumprimentou uma das vendedoras e seguiu para um dos corredores. Edward estava em seu encalço. A observada por entre as prateleiras, sempre mantendo uma distância segura. Não queria ser percebido. Aquele lugar parecia errado para ela, já que ali ela aparentava estar muito deslocada. Encantadoramente descolada na opinião dele. Ela passava os pequenos dedos pálidos nos livros, enquanto lia seus títulos. Escolheu um livro e abriu já bem no final, no que parecia ser o último capítulo. Foi então que percebeu que ela não estava deslocada coisa nenhuma. A intimidade dela com os livros era quase palpável. A figura da morena absorta em uma das páginas era magnífica. Edward notou que um rapaz – mais velho e de pele bronzeada — se aproximava dela. Aproximou-se também, em um ato de pura possessão injustificada. Mas parou assim que ouviu Isabella cumprimentá-lo. Ela o conhecia. Edward também, de certa forma...

– Olá Sam, bom dia! — Aquele então era o tal Sam Uley.

– Olá Isabella, bom dia! – a cumprimentou com um aperto de mãos invejado por Edward.

Impelido pela curiosidade novamente, afastou-se rapidamente da dupla e foi para outro corredor de livros. Parou na mesma direção deles e tirou alguns livros da estante vazada. Assim ele conseguiria ouvir a conversa e ver parte da cena, sem ser notado. Sentiu-se ridículo por fazer isso.

– Não tenho boas notícias. – disse Sam.

– Oh não, Sam! Pelo amor de Deus, não me diga que não conseguiu de novo... – a voz dela estava triste, mas cheia de emoção. Uma emoção que Edward nunca presenciara em Isabella. Parecia muita emoção para era.

– Não consegui. O juiz revogou de novo sua autorização para ir a Forks. Eu sinto muito. – a voz de Sam era carregada de pesar. Ele parecia mesmo sentir muito.

– Juiz cachorro! Filho da puta! – Edward arregalou os olhos verdes. Isabella tinha um visual bem diferente, mas em nenhum momento falou um palavrão perto dele. Deveria estar mesmo desapontada. Irritada. Mas porque?

Nesse momento passou por ele uma das vendedoras daquela loja, loira, peituda, inexplicavelmente simpática e interessada em Edward, que disfarçou pegando um livro qualquer da estante e abrindo em uma página aleatória. Xingou a vendedora loira internamente, pois nesse processo perdeu uma parte da conversa.

– Já faz um ano que não o vejo, Sam. Tenho medo de ele pensar que o abandonei. – suspirou. Isabella parecia sofrer.

– Ele não vai pensar isso, Isabella. Ele a ama! – Ele quem? Pensou Edward. De quem eles tanto falavam? Quem amava Isabella?

– Mas nem em janeiro consegui autorização para visitá-lo. Lembra-se? Era aniversário dele, Sam. 14 de Janeiro! – Aquele tom de voz embargado de Isabella, era bem familiar para Edward e ele odiava que fosse porque, porque sabia que ela estava quase chorando.

– Eu realmente sinto muito... – disse Sam.

– Eu sei que sente...- sibilou.

Um silêncio cumplice se fez entre os protagonistas da conversa que Edward espionava. Alguns minutos depois, foi Sam quem voltou a falar.

– E o rapaz? O tal jornalista? Desapareceu? – Aquela pergunta fez o coração de Edward bater mais rápido e ritmado. Eles falavam de um “tal jornalista”. Só poderia ser dele mesmo.

– Acho que sim. Bom, se ele apareceu na loja deu de cara na porta. Não abro a loja já tem alguns dias. – explicou a meia voz.

– Não entendo o porquê fugir assim do rapaz.

– Sam eu... – ele a interrompeu.

– Olha Isabella, além de ser seu tutor, sou também seu amigo. Quero seu bem, acima de qualquer coisa. Sabe disso, não é?! – Então Sam era tutor de Isabella. Claro! Esse era o detalhe que Edward estava deixando passar. Ele era uma espécie de assistente social e trabalhava para o estado. Só poderia ser tutor de Isabella! Aquela conversa estava ficando interessante demais...

– Claro que sei! Mas Sam eu... – foi novamente interrompida.

– Viva Isabella! Só te peço isso. Viva! Se desprenda de seu passado. Deixe esse rapaz participar da sua vida! Talvez ele seja o que você precisa. – aconselhou-a carinhosamente.

– Não Sam! Não posso deixar isso acontecer. Edward é um jornalista brilhante. Tem uma carreira de sucesso pela frente. Não posso fazer isso com ele. Não quero ele e nem ninguém se intrometendo na minha vida. Participando de nada. Além do mais, ele é tudo o que eu preciso evitar e você sabe disso. Ele é uma pessoa publica! – o tom de voz dela ficou um pouco mais alto e frio. Desesperado.

– Bom, é só minha opinião. Você pode acatá-la ou não menina. Mas não se engane. Você está balançada por ele sim. – concluiu Sam.

– Sua opinião é sempre muito bem vinda. Posso não saber o que estou sentindo, mas eu sei o que quero. Ou melhor. Sei o que eu não quero... E não o quero no meio de tudo isso. Não quero me apaixonar de novo. Não quero que ele se apaixone por mim... – ela parecia firme. Decidida. Ela não o queria em sua vida. Mas e ele? Ele a queria a todo o momento. Nem se quer dormia direito, pensando nela. E aquilo era insano.

– Ok. Bom, aqui está o cheque com o valor que você pediu para comprar comida. Só estranhei esse valor alto. Vai estocar alimentos ou o que? – brincou Sam.

– Mais ou menos. Até que tudo se resolva, pretendo me trancar um pouco mais em casa. E bom, vou fechar a loja durante esse período. – Isabella pretendia se isolar do mundo? E falava da loja como se dela fosse. Provavelmente isso fosse verdade. E a loja só estava no nome de Sam porque ele era seu tutor, concluiu Edward.

– Medida desesperada, como sempre. Mas enfim, faça o que achar melhor. Agora preciso ir. – apesar do tom ameno, estava claro que Sam discordava da atitude dela.

– Obrigada por tudo, Sam. Apareça pra me visitar. E traga Emily com você. Tenho sentido certa falta dela. – Aquilo era a coisa mais carinhosa que Edward ouvira Isabella falar, desde que a conheceu. Emily deveria realmente ser especial para a morena.

– Pode deixar. Vai embora agora? Precisa de uma carona?- indagou.

– Não, vou ficar mais um pouco. Quero ver se compro alguns livros. Se vou passar mais tempo em casa, preciso de leitura de qualidade para me acompanhar, uma vez que não sou dada a era da tecnologia e internet. – ela explicou.

– Isabella e seus livros. O casamento perfeito. – Sam parecia sorrir.

– Quer casamento melhor?– disse com sarcasmo.

– Ok. Se cuide menina. – disse. Sam parecia muito paternal com relação a ela.

– Você também.

E assim os dois se despediram.

Minha nossa! Em poucos minutos Edward tinha descoberto tanta coisa a respeito de Isabella. Mas ao mesmo tempo, parecia não ter descoberto nada. Como essa moça conseguia ser assim? Tão enigmática. E essa conversa com Sam? Pareciam pressentir que tinha alguém escutando e só revelavam metade dos fatos. Por que ela queria se afastar do mundo? E quem ela não conseguia ver a mais de um ano e que fazia aniversário em 14 de janeiro? Quem a amava? Porque ela precisava da autorização de um juiz para poder viajar a Forks? Mas que droga! No final das contas ele estava ainda mais confuso.

– Você cozinha? – uma voz baixa questionou. Edward ficou estático quando percebeu a figura morena parada bem a sua frente. Estava tão absorto em pensamentos e suposições sobre ela, que não prestava atenção em mais nada ao seu redor.

– Desculpa. O que?!

– Você cozinha? – Isabella repetiu a pergunta, apontando para o livro que Edward segurava. Era o livro de culinária que ele aleatoriamente pegou na prateleira.

– Errr, mais ou menos. Bom, na verdade esse é mais um dos meus muitos talentos secretos... que eu preciso desenvolver. – disse arrumando rapidamente uma desculpa ridícula e apresentando o livro para ela.

– Interessante. – disse ela encarando-o.

– E você, cozinha? – perguntou inseguro. Queria apenas que aquela conversa não parasse por ali.

– Cozinho alguma coisa sim. – disse séria, passando a mão cheia de anéis pelos cabelos curtos. Essa era mais uma mania que Edward adorava nela.

Silêncio novamente.

Jornalista e vendedora apenas se encaravam, enquanto passavam os segundos. Uma discreta maneira de aliviar a saudade que ambos sentiram um do outro.

– Edward, eu acho que te devo um pedido de desculpas... – ela corou, parecendo envergonhada. E aquilo foi registrado por ele, é claro. Ficava ainda mais linda coradinha. Edward reprimiu um impulso de tocar a bochecha dela.

– Que isso, Isabella. Não precisamos falar daquilo de novo. – Na verdade o que ele queria era perguntar o porquê daquela reação dela. Mas desistiu de fazer a pergunta no meio do caminho.

– Precisamos sim. Desculpa de verdade. Você foi tão gentil e atencioso. Me levou a peônia. E eu fiz o que fiz. Agi como uma criança inconsequente. – desculpou-se parecendo mesmo envergonhada.

– Você tem seus motivos. Eu sei que tem. – e ele sabia mesmo. Reprimiu o impulso protetor de envolvê-la nos braços e mantê-la segura ali.

– Tenho mesmo. Mas isso não justifica meus atos. Você não sabe de nada. E nem tem obrigação de saber. Foi bem ridículo da minha parte.

Ok, ele estava confuso com o pedido de desculpas. Se ela queria tanto se preservar, se planejava sumir do mundo por algum tempo, porque toda aquela educação e empenho em conseguir que ele a desculpasse? Não fazia sentido. Mas o que Edward não sabia, era que da maneira dela, Isabella estava despedindo-se dele.

– E ai? Diga que me desculpa! – pediu ela mais uma vez, enquanto apertava impacientemente um dos dedos com anéis.

– Eu te desculpo sim. – uma ideia se formava em sua mente e ele iria usá-la. Nunca gostou de comemorar seu aniversário, mas esse ano aquilo parecia interessante. Poderia soar baixo demais, mas ele tiraria alguma vantagem daquela data.

– Que bom! Fico bem mais tranquila. – lá iam as mãos dela para os cabelos novamente.

– Eu desculpo, mas tenho uma condição. – disse abrindo seu sorriso torto.

– Ah jornalista esperto! Que condição? – um vinco se formou entre as sobrancelhas dela. Sinal de tensão.

– Bom, hoje é meu aniversário... – ele disse bem devagar. Queria reconhecer todos os lampejos de emoção no rosto dela.

– E? – Isabella parecia nem ligar para o fato de ser aniversário dele. Ela ligava sim. Só não queria que ele soubesse disso...

– E eu queria passar o resto do dia com você. Você topa? – pediu sem vergonha de se expor demais ou de parecer ridículo. Queria realmente ficar o resto do dia com ela e ponto final. Observou os olhos castanhos que tanto lhe fascinava se abrirem ainda mais.

– Eu topo. Mas também tenho uma condição, se não se importa. – ela levantou um dedo, como se pedisse um minuto.

– Qual? – cruzou os braços apertando o livro de culinária no peito. Mas era claro que Isabella não iria topar tão fácil assim. Típico.

– Eu passo o resto do dia com você, desde que você não me pergunte nada a respeito do que ouviu de minha conversa com o Sam. – Bom, essa o pegou desprevenido.

– Como sabia disso? – agora era ele quem unia as sobrancelhas. Mas não um sinal de nervoso. Era vergonha mesmo.

– Não sabia. Só deduzi, pois quando cheguei aqui você estava com uma baita cara de culpado! E no mais, esse espaço entre os livros aqui denuncia que alguém os retirou para olhar do outro lado. – disse tocando o espaço vago na prateleira. Muito perceptiva a moça.

Edward considerou a proposta dela por um momento. Isabella era mais esperta do que ele imaginava e isso muito lhe agradou. Ele sorriu aos constatar isso. Agora ele poderia escolher entre passar o resto do dia com ela e não descobrir nada a respeito de seu segredo. Ou passar o resto do dia sem ela e correr para casa, a fim de descobrir algo sobre o segredo dela. A primeira opção parecia tão mais apelativa. Optou por ela.

– Não vou te perguntar nada. Fechado. – estendeu a mão para cumprimentá-la.

– Fechado. – respondeu, alcançando a mão de Edward.

Após um demorado aperto de mãos — sem ao menos pedir permissão — ele levou a mão dela aos lábios e depositou um beijo ali, sem perder contato com os olhos castanhos. Isabella revirou os olhos, mas surpreendeu Edward imitando seu gesto e beijando a face da mão dele. Quando os vermelhos e carnudos lábios dela tocaram a pele, o local esquentou e começou a formigar. Era como se uma corrente elétrica passasse entre eles. A sensação era inenarrável... para ambos.

– Então, para onde vamos? – ela perguntou parecendo bem interessada.

– Não faço a mínima ideia. – respondeu sorrindo. O lugar não importava, desde que estivessem juntos.

– Ótimo. Então vamos andar por ai. – disse retirando o livro de culinária que Edward ainda mantinha em mãos, colocando-o na prateleira e puxando ele para fora da loja.

Tudo que ambos queriam naquele momento era desfrutar a companhia do outro e nada mais.

O amanhã eles cuidariam depois, cada um à sua maneira...

Caminhando por ai, eles foram parar no Central Park. Fazia um lindo dia de sol em Nova York e por esse motivo o parque estava cheio de gente passando para lá e para cá, andando de bicicleta, correndo, levando animais para passear... Namorando. Sentaram-se debaixo de uma bela árvore, tão próximos um do outro que a parte lateral de seus corpos se unia em praticamente todos os pontos. Não estavam desconfortáveis com aquilo. Ambos gostavam do contato. Ficaram por longos minutos observando as nuvens e Isabella revelou para ele que adorava olhar o céu.

– Ver o céu me acalma demais, seja dia ou noite, não importa. É como ver o mar, as ondas quebrando. Tudo isso é encantador para mim. – confessou ela em meio a um suspiro.

– Também gosto do céu. Desde pequeno é assim. – disse tentando esconder a felicidade de terem algo em comum. Ouviu Isabella suspirar novamente, enquanto lembra-se de uma brincadeira de infância. – Me diga um animal. – pediu ele.

– Pra que eu faria isso? – ela o encarou.

– Apenas diga.

– Hum, deixa-me ver. Coelho. – respondeu entrando na brincadeira dele.

Edward observou em silêncio as nuvens por algum momento. Estava concentrado. Depois de poucos minutos pegou a mão de Isabella, fazendo-a ficar com o dedo indicador levantado para o alto. Levantou a mão dela para o céu e apontou uma nuvem. Só então ela percebeu que ele estava procurando a imagem do coelho nas nuvens.

– Nossa! Parece mesmo um coelho! – disse admirada. – Faz de novo!

E assim ele conseguiu entreter a moça e até ensiná-la a procurar as figuras nas nuvens. Os olhos dela brilhavam. Um brilho diferente. Puro. Inocente, Parecia uma criança que ganha um novo brinquedo em noite de Natal. Mais ainda assim, Isabella não sorriu...

Agora eles mantinham uma conversa tranquila sobre esportes, enquanto Isabella devorava um algodão doce e Edward um pacote de pipoca.

– Esgrima? Jura? – Isabella estava surpresa por ele gostar de esgrima. Era o esporte favorito dela. Charlie a ensinou lutar... — Quem te ensinou a lutar, Edward?

– Meu pai. Ele é ótimo em quase todos os esportes. – respondeu distraído, enquanto jogava uma pipoca na boca.

– Hum. – Edward falou do pai de uma maneira tão linda. Como se ele fosse um herói. E isso mexeu com Isabella. A morena sentiu vontade de fazer algumas perguntas a ele, a respeito de sua família e amigos, mas mordeu a língua, obrigando-se a ficar calada. Afinal, tinha os segredos dela e durante os últimos anos aprendeu que fazer perguntas só servia para se expor ao risco de ser interrogada de volta.

– Juro. Adoro esgrima. Mas também gosto de boxe. Eu e Jasper, aquele cara que divide o apartamento comigo, nós costumávamos lutar quase todos os dias... – E Edward continuava seu falatório animado, contando para ela como eram as lutas de boxe com o amigo e de como ele ganhava quase todas. Mas que na esgrima ele tinha vantagem e nunca perdera para Jasper...

E a voz de Edward foi ficando baixinha, em segundo plano... Agora foi a vez de Isabella se ver fascinada por ele. O jornalista lhe contava aquela história trivial com tanto empenho. Queria realmente estar ali, com ela. Queria mesmo que ela soubesse dos detalhes de sua vida, por mais banais que fossem. Por um breve instante Isabella se imaginou contando seu passado para Edward. A cena se formou claramente diante de seus olhos. Eles estão no apartamento dela, enrolados em um de seus lençois branco. Acabaram de fazer amor. Estão felizes com o sentimento correspondido e com a possibilidade de passarem o resto da vida juntos. Ela esta deitada de frente para ele, as pernas enlaçadas, reivindicando cada centímetro do corpo dele para si. Passa a mão na linha de seu rosto, passando por seu maxilar perfeito e olhos verdes intensos. Põe o dedo em seus lábios, pedindo para ele ficar calado. Ele morde a pontinha de seu dedo, ela sorri... e então lhe conta tudo. Fala apressadamente, sem ao menos ter certeza de que ele tenha entendido algo. Não olha mais nos olhos dele. E também não controla as lágrimas. Quando termina, Edward está com ela no colo, enxugando suas lágrimas, mostrando-se compreensivo e amoroso. Eles se abraçam e fica tudo bem. Ela está livre. Eles fazem amor mais uma vez...

Mas toda aquela cena é apenas uma utopia, nada mais que um sonho distante. Uma ilusão. E ela não lhe conta nada.

Isabella percebeu que em seu devaneio, perdeu metade da história que ele contava. Mas se sente grata por ele não ter notado isso. A imensidão verde dos olhos dele está brilhante demais. Ele a olha como se ela fosse um raio de sol passando por entre as arestas de uma janela, ao final de uma tarde de verão. Como se ela fosse realmente importante e interessante. Como se a desejasse...

– Cara, você é muito perigoso! – soltou ela e analisou a expressão dele mudar.

– Eu perigoso? Por quê? – ficou confuso com a acusação repentina dela.

– Por que você é. Já li muito sobre pessoas assim. – disse, o dedo acusador apontando para ele.

– Errr... Ainda não entendi o que quer dizer. – ele riu abertamente. Não estava ofendido com o rumo que o assunto estava tomando. Só continuava confuso.

– Então, já li sobre pessoas encantadoras e poderosas assim. Que tem o dom de nos fazer sentir como se fossemos importantes demais, apenas com o olhar. E agora sei como é. Não entendo direito como você faz isso, mas quando você, jornalista, me dá atenção dessa maneira, eu me sinto brilhante, entende?! Radiante. Plenamente compreendida. – explicou, deixando Edward de boca aberta e sem fala por alguns instantes.

– Eu te faço sentir isso? – ele não acreditava no que ouvia dos lábios dela. Aquilo estava mesmo acontecendo?! Era tudo o que ele queria ouvir?! Provavelmente.

– Constantemente. – admitiu.

– E por isso me acha “perigoso”? – Edward fez aspas com os dedos.

– E muito.

– Mas te fazer se sentir assim não é bom?

– Não, não é. – Na verdade era, mas ela não queria confessar isso em voz alta.

Ele não prolongou a conversa e Isabella se perdeu em seu algodão doce. Para ele, a vendedora estava ainda mais linda puxando pequenos pedacinhos de gomos doces, colocando na boca e esperando derreter. Onde estava aquela mulher avassaladora? Procurou no rosto dela um sinal da morena que no último encontro despetalou a peônia que recebeu de presente, mas não encontrou. Ele tinha razão. Aquela não era Isabella e sim uma máscara de pura proteção. Inocência irradiava da pele dela agora. Ficou feliz com aquilo. Ela parecia mais aberta às conversas. Edward percebeu e atribuiu isso ao fato dela estar, de certa forma, se despedindo dele. Não deu a mínima para o novo comportamento dela.

– Olha ai, você fazendo de novo! – exclamou.

– Me desculpe. – disse ele sorrindo e em seguida abrindo um enorme bocejo.

– Com sono jornalista?

– Com certeza. Um certa vendedora tem roubado minhas noites de sono. – disse em meio a outro bocejo.

– Ah é? Que vendedora malvada. Quem é ela? – Isabella estava flertando com ele? Surreal!

– Uma tal Isabella dos olhos chocolates e perfume amadeirado. Encantadoramente misteriosa... – aproveitou o flerte para elogiar a morena e perceber sua reação.

Ela balançou a cabeça negativamente, abriu sua mochila retirando de dentro um livro surrado. Ajeitou a mochila em seu colo e deu dois tapinhas nela.

– Deita ai. Se eu roubo as suas noites de sono, nada mais justo que devolvê-las para você agora.

- Dormir? No seu colo? – perguntou confuso e ridiculamente animado. Ele estava mesmo ouvindo aquilo?

- É... foi o que eu disse. – respondeu corando.

– Olha que eu vou aceitar, hein?!

– Espero que aceite antes que eu desista da oferta. – Isabella fechou a cara, fingindo estar brava.

Mas ele não queria dormir, apesar de seus olhos e corpo dizerem o contrário. Queria aproveitar cada milésimo de segundo ao lado dela, porém, a próxima coisa que Edward percebeu era que estava acordando, depois de realmente pego no sono deitado no colo de sua misteriosa vendedora.

– Acordado já? – disse ela sem olhar para ele. Estava lendo o surrado livro que havia retirado da mochila. Sua voz baixa. Com um tom triste.

– Acho que sim. Quanto tempo eu dormi? – disse apertando os dedos nas têmporas.

– Hum, umas duas horas. Deu pra descansar um pouco?

– Dormindo no seu colo macio? Com certeza! – sorriu. Edward ainda não tinha se levantado do colo dela.

– Que bom. – Ela parecia estranha. Aquilo o deixou preocupado.

– O que você está lendo? – disse torcendo a cabeça para ler o título da obra e o nome do autor.

O Palermo das aves de Geoffrey Chaucer. Conhece? – ela o questionou por mera cordialidade, pois seu tom estava mais frio. Contido.

– Sim, tive que ler para uma prova do colégio. É um belo romance. Em que parte você está? – perguntou Edward, apenas para mantê-la falando.

– Estou terminando um capítulo aqui... – a voz dela parecia um pouco embaraçada. Ele sabia que ela estava tentando encerrar a conversa. Mas Edward não deixaria outro encontro deles acabar mal. Não de novo.

– Leia pra mim. – sentiu o tórax de Isabella subir e descer rápido e profundamente. Sentou-se ficando de frente para ela. Seus joelhos se tocando. Ela começou a ler...

“A vida é tão breve, a arte tão demorada de aprender, o esforço tão árduo, a conquista tão fugaz, a alegria temerosa se esvai tão rapidamente... Com isso refiro-me ao Amor, que com sua impressionante faina assola tão gravemente minha alma que, quando penso nisso, sequer sei se estou desperto ou a dormir.”.

E novamente ele viu uma lágrima descer pelo rosto de Isabella, nascendo em seus olhos e morrendo em seus lábios. Edward, assim como ela, foi tomando pela verdade das palavras de Chaucer, sentindo que em seus olhos também se formavam uma espessa camada de lágrimas salgadas...

Sentiu vontade de beijá-la.

Continua...


Notas finais
Notas da beta:
Ahhhhh... suspirando.. ahhhhh... que LINDOS!!! E não é que as peônias despetaladas renderam um lindo encontro? Ahaha Pois sim, eu adorei a espécie de retratação da Bella, quando ela aceitou passar o dia ao lado do Edward... muito justo! O que quer que seja que ela esconde, tem um peso enorme e está custando muito mais que o silêncio... está custando a vida dela, a impede de ser feliz e de se entregar plenamente!
Hum... e eu já sinto que essa despedida é na verdade um começo... e eu explico porque: Edward está se aproximando de cabeça e coração aberto, sem pressão, respeitando limites e completamente disposto a receber o que quer que seja que Isabella esteja disposta a lhe dar... Ele está se apaixonando por ela! E depois que a Bella imaginou toda aquela cena, eu quero toda ela igualzinha ahah... e agora, comofaz, Juh rs? Ansiosas como eu pelo futuro do casal? Então bora lá comentar e recomendar muuuuito, porque a Juh mais que merece pela estória eletrizante, certo?!
Beijos e até mais!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas! Espero que estejam todas muito bem!
O que acharam deste capítulo? Espero mesmo que tenham gostado. Foi muito bom escrevê-lo! Isabella está bem diferente, hein? Estão gostando mais dela? rs.
Então, não me matem pelo "Continua..." ai no final do texto. É que esse capítulo acabou ficando muito grande e eu decidi dividir em dois, para a leitura de vocês não ficar pesada.
Obrigada por todos os reviews, recomendações e pelo carinho de vocês com NSAPM. Obrigada, obrigada, obrigada mesmo!
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice