Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
58 Semifinais
Notas iniciais
P.S.: Tem mais informações nas notas finais.
Mais um dia de campeonato começou, mais uma vez a escola estava cheia. As semifinais do campeonato já estavam decididas. As arquibancadas já estavam lotadas. A Arena já esperava por seus lutadores. O Show estava para recomeçar.
–Vejo que ontem o espetáculo foi tão bom que todos voltaram para assistir as semifinais. – Disse Lothos, começando o anúncio – Sou suspeita para falar, mas eu garanto que hoje vocês irão se surpreender. Os sorteios já foram feitos, as duplas já estão decididas. E, para começar com a segunda etapa do Campeonato, chamo, para a Arena, dois alunos que fizeram uma grande luta ontem. Ryan e Lass, a primeira dupla.
As duas meninas não tiraram seus olhares da quadra quando foram anunciados os finalistas daquele grupo. Arme e Lire não acreditavam no que estavam ouvindo.
–Não! Ryan e Lass... Isso não pode ser verdade! – Lire olhou para Arme um tanto desesperada.
–Eu também não estou acreditando... – A baixinha pôs a mão no rosto.
Os dois meninos se olharam dos lados opostos que se encontravam da arena.
–Por favor, os finalistas se posicionem ao centro. – Disse o Juiz fazendo um gesto para que eles parassem um de frente para o outro – Como já sabem, a roupa irá pesar a cada golpe recebido, sendo que, como estamos na semifinal desse grupo, a roupa irá demorar mais para pesar, ou seja, a luta será com um tempo maior. Desejo sorte aos dois, que façam uma luta justa e centralizada.
–Nunca pensei que enfrentaria meu melhor amigo. – Comentou Ryan olhando fixamente para Lass, incrédulo.
–Eu não estou tão surpreso, e nem me preocupo com esse mero detalhe. – Lass respondeu de forma ríspida, o que fez Ryan ficar espantado com tais palavras.
–Bom... Não farei uma luta simples e fácil, terá que suar para tentar me vencer.
–Ok... É bom ouvir isso de você, Ryan, pois assim percebo que a luta será bem interessante...
O Juiz chamou a atenção dos dois meninos, cessando a conversa paralela entre eles. O Juiz saiu da arena e deixou os dois se posicionarem para começarem a disputa.
–Lire... – Chamou Arme, olhando para a amiga – O que será que vai acontecer?
–Eu espero que nada de grave... É muita ironia do destino dois melhores amigos se enfrentarem bem numa semifinal. – A loira olhou para Arme, não conseguia esconder sua aflição.
Ryan e Lass em lados opostos com o mesmo objetivo de vencer. A tensão entre dois amigos era grande. A luta deu seu início.
Ryan deu um giro e deixou a Pique a frente de seu corpo, Lass de um passo para trás, assim não fora atingido pela arma.
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O Juiz anunciou a próxima luta, Samuel contra Thiago. Ambos já estavam posicionados na Arena. A luta deu seu início assim que o Juiz saiu da mesma.
Thiago fez um gesto simples com a mão e partículas de areia começaram a envolver a arena. Samuel colocou seu antebraço a frente de seu rosto para se proteger.
–Como chegarei perto desse garoto? – Indagou Samuel, preocupado no começo da luta.
Thiago percebeu a aflição do oponente e provocou.
–Não pense muito no que irá fazer para me derrotar, pois já está derrotado.
–Vai sonhando. – Retrucou Samuel, saindo da defensiva e atacando com sua espada.
Samuel deu dois cortes, um para a direita e outra para a esquerda, mas Thiago conseguiu se esquivar com perfeição.
Thiago levantou a mão direita até a altura de sua orelha e uma barreira de terra foi criada a sua frente.
–Se escondendo, é? – Perguntou Samuel, num tom de deboche.
–Se é isso que acha que estou fazendo... – Thiago empurrou a barreira e ela envolveu a espada de Samuel, o impossibilitando de usa-la.
–Mas o que?! – Samuel olhou sua espada, não acreditando no que vira.
–Hora de acabar com você. – Thiago encarou o chão da arena e seus olhos tomaram uma cor diferente, de um negro como a noite, ficou branco. Um buraco foi aberto bem ao centro da Arena.
Samuel deu um pulo para trás, para não cair, começou a se afastar, já que estavam surgindo rachaduras no piso da Arena.
–Você é louco! – Disse Samuel, sentindo sua espada pesar por causa da areia que a envolvia.
–Só porque mexo com areia... Poxa, fiquei ofendido agora. – Thiago sorriu sarcasticamente.
Só tinha as bordas da Arena para usar como passagem. Samuel parecia pensativo.
–Preciso arriscar tudo. – Disse o Espadachim, jogando, de rasteira, a sua espada na borda esquerda da Arena.
–“O que ele está fazendo?” – Pensou Thiago, analisando a situação, sua roupa ainda estava leve, diferente de Samuel que pesava um pouco.
Samuel começou a caminhar pelo canto contrário de sua espada, o que fez Thiago ficar confuso.
–Tempestade de Areia! – Gritou o rapaz e a areia começou a sair do buraco, um vento forte surgiu e dificultou à caminhada de Samuel, que continuou a seguir seu destino, com o braço a frente do rosto para se proteger – Por que ainda insiste permanecer de pé, a luta acabou!
–Ainda não! – Samuel correu até Thiago e começou a desferir socos. Thiago se defendia como podia, e usava a areia para contra-atacar.
Nisso, eles começaram a andar, ainda trocando socos e se defendendo, em volta da grande cratera que havia se formado com a força de Thiago.
A roupa de Thiago começou a pesar.
–Está apostando tudo com a força de seus punhos, não é? – Thiago deu um chute na barriga de Samuel, que deu dois passos para trás, mas parou antes de chegar perto do buraco.
–Você me deixou sem opção. – Samuel correu novamente em direção a seu oponente e, ao invés de soca-lo, passou direto e pegou sua espada – Mas eu ainda assim preciso dela.
Samuel deu um corte na cintura de Thiago e depois deu uma rasteira, fazendo-o cair.
–Surpresa. – Samuel sorriu.
Thiago o encarou e, caído no chão, empurrou o adversário com os pés, fazendo-o ir em direção ao buraco. Samuel usou o peso de sua espada e a cravou no chão, parando na beirada do buraco.
–Você não vai vencer. – Disse Samuel, com certa dificuldade.
–Não? – Perguntou o outro menino ironicamente e se levantando, caminhando calmamente até Samuel.
Como a roupa pesava, Samuel não conseguia se equilibrar muito e ir para frente, para se distanciar do buraco.
–“Eu preciso usar minha espada, mas se eu a tirar do chão, irei cair.”. – Pensou o espadachim.
Thiago se aproximou e gesticulou sutilmente com a mão e dois projeteis dele foram criados, a diferença dele para as duas cópias, era que elas eram de areia.
–É... Você não venceu. – Disse, em tom uníssimo, os três.
–Mesmo? – Samuel tirou a espada do chão da Arena e mandou uma habilidade semelhante ao “Crítico X” de Elesis.
Thiago não esperava pelo ataque e foi atingido, os dois clones foram destruídos. Samuel voltou ao solo e sua espada voou e caiu, cravada, na borda do buraco, ele acabou se desequilibrando e foi para trás. Thiago se levantou do chão e sorriu, mas Samuel também tinha um sorriso nos lábios. Puxou o braço de Thiago e os dois foram juntos em direção à cratera.
–Droga! – Reclamou Thiago, tentando se soltar, mas ele estava sendo levado pelo peso proporcionado pela roupa de Samuel e o seu próprio equipamento que já pesava.
–Se eu cair, você vem junto! – Exclamou Samuel, o encarando.
Os dois tentaram se equilibrar na ponta, mas começou a rachar o solo e isso resultou a queda, mas apenas de um, pois Samuel se segurou em sua espada.
Com a derrota de Thiago já declarada, a Arena voltou ao normal e Thiago estava desacordado, talvez pelo choque que teve com o chão, ao cair em seu próprio buraco. Samuel foi direção ao seu adversário e ficou preocupado.
O Juiz chamou os enfermeiros e Thiago foi levado para se recuperar.
–Ele ficará bem? – Indagou Samuel sendo singelo, observando o adversário se afastar em uma maca.
–Sim. – Disse o Juiz, descendo da Arena, acompanhado pelo espadachim.
Mais uma luta havia terminado e outra partida já estava tendo seu início. Até porque o “show não pode parar”.
–--
Aldren (Elesis) e Willian se encaravam. Não estavam ofegantes, mas era possível observar o suor escorrendo. Ambos correram na direção um do outro, com as armas a frente. Ao se aproximarem o suficiente, Elesis deu um giro segurando a espada meio baixo, justamente para dar um corte na perna do paladino fazendo-o cair.
Willian usou a marreta para tentar se levantar, mas fora em vão. O juiz subiu à arena e anunciou a vitória de Aldren.
–Bela luta, ruivo. – Disse o paladino após Elesis se aproximar para ajuda-lo a levantar.
–Valeu, mas não me chame de ruivo. – Respondeu Elesis deixando visível uma pequena irritação, mas sem deixar de engrossar a voz.
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–Sente esse cheiro repugnante? – Perguntou Lass na pequena pausa que deram na luta entre ele e Ryan.
–Que cheiro? – Indagou Ryan tão ofegante quanto o amigo, não entendendo a pergunta e tentando não se desconcentrar da luta.
–De medo... – Lass sorriu e começou a atacar com mais velocidade.
Ryan se defendia com a Pique, até que viu que o único jeito de atacar e, quem sabe, vencer a luta: transformando-se.
Ryan pôs os braços colados ao peito, formando um “X”, deixando as Piques apontadas para cima. Uma luz verde reluzente tomou conta da Arena. O Executor se transformou no Magnus, o herói dos Druidas. Lass deu um passo para trás, colocou a antebraço na frente do rosto, pois a luz havia sido forte.
–Agora tudo ficou mais interessante... – Sussurrou Lass, que correu em direção ao Magnus – Retalhar!
Para a surpresa de Lass, Ryan desviou sem dificuldade, deu um pulo alto, ultrapassando Lass e parando atrás dele.
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Com a quadra dividida em várias Arenas, outra luta estava acontecendo, entre Lupus e Lian.
–Vamos logo, Magneto, aceite que perdeu. Sua roupa está pesada e você está com dificuldades. – Provocou Lupus demostrando desdém em seu tom de voz
–Magneto? Eu não sou do X-Men. Pera aí, não acha que está comprando a vitória cedo demais? – Respondeu o garoto se recuperando aos poucos e tentando organizar as perguntas.
–Não. – Disse Lupus que, por algum motivo, após a frase dita pelo garoto, pensou em Rey.
O caçador de recompensas correu até o Metálico e começou a atirar como suas Scarlets. Lian conseguiu atrair uma barra de metal, que na verdade era usada em um portão que impedia a passagem do publico para a arena, para tentar se proteger das balas que tentavam perfurar a roupa que pesava a cada tiro que recebia.
Lupus deu um pulo e ficou atirando de cima do adversário que fez com que a barra de metal acertasse o caçador fazendo o mesmo parar de atirar. O final da luta se deu no mesmo instante, pois Lian estava preso ao chão devido ao peso excessivo da roupa que Lupus acabou causando com o ultimo ataque.
–--
–Corte Cruzado! — Magnus desferiu um Corte Aéreo de alcance médio com os efeitos como se tivesse fogo em sua espada.
Arme se inclinou para frente, não dava para saber o que havia acontecido. Se Lass fora atingido ou não. Lire olhava atentamente para a Arena e só conseguia ver Ryan de costas, um tanto ofegante. Ele tampava a imagem de Lass.
–O que aconteceu? – Perguntou Arme, olhando para Lire.
–E-eu não sei. – A loira entrelaçou suas mãos e levou até a boca.
Magnus deu um passo para frente e pegou um tronco de árvore.
–Gostou dessa ilusão? – Indagou Lass, que havia invertido as posições ao usar uma de suas habilidades de se teleportar para de trás do adversário e, em seu lugar, deixar um tronco – Acabou, lobinho.
Magnus não parecia que temia pelo golpe de Lass, pelo contrário, ele se virou rapidamente, ficando frente a frente com o Retalhador. Não era possível enxergar os olhos de Ryan, que estavam tampados por um elmo. Lass também usava outro elmo, mas tinha como ver seus orbes azuis determinados a acabar com a luta. Magnus sorriu de canto.
–Espírito da Lâmina!
–Senhor do Abismo!
–NÃO! – Gritaram Lire e Arme juntas ao olharem para o que acabara de acontecer com seus namorados.
Os olhos das duas meninas inundaram de lágrimas. Já era difícil ver uma luta em que dois amigos estavam se enfrentando, e, depois daquilo, seus corações aceleraram imaginando o que poderia ter acontecido com Lass e Ryan, qual teria sido o resultado da luta? O que aconteceu entre os dois?
Um clarão azul e vermelho, como céu e inferno, invadiu a visão de todos que assistiam a luta. Arme segurou a mão de Lire, apertando-a. Quando a Arena estava novamente visível, o Juiz foi ver como estavam os jogadores. Ambos estavam desacordados. Ryan já havia voltado a sua forma normal.
–A luta está empatada. – Avisou o Juiz – Como os dois estavam em constante ataque, não houve como pausar a luta. Além do mais, quando houve a transformação, não havia como intervir. Por isso o intervalo não ocorreu, mas não tirou, em nenhum momento, o brilho dessa grande disputa. Não houve vencedores, o que é uma grande surpresa.
O Juiz terminou e pediu para que os treinadores, Mari e Sieghart, subissem na Arena, assim como enfermeiros.
–Acho que não podemos tirar conclusões sobre a aposta dessa luta, já que deu empate. – Murmurou o moreno.
–Eu ainda tenho alunos que lutarão. A aposta ainda está sendo lançada. – Mari encerrou o assunto que começara e foi em direção a Lass, que já se recuperava.
Lire e Arme queriam descer, mas viram que não havia como. Os seguranças não permitiriam. As duas meninas estavam aliviadas, tanto pelo fato da luta ter sido empate como o fato dos dois estarem se recuperando.
–Foi uma luta espetacular, Ryan. Parabéns. – Disse Sieghart, surpreendendo o menino – Você foi um dos meus melhores pupilos.
–Obrigado. – Agradeceu, sentando-se no solo.
O professor conversou algumas coisas com o enfermeiro, perguntando se Ryan havia sofrido algum ferimento grave, mas nada de mais aconteceu, assim como Lass.
Os professores e os alunos saíram da Arena. Mari olhou para Sieghart, como se pedisse para deixar os dois amigos a sós, o moreno entendeu e saiu.
–Foi incrível. – Começou Ryan, não sabendo exatamente o que falar para Lass.
–Foi apenas um luta. Nada mais. – Lass ia saindo, não gostava de momentos assim, melancólicos.
–Espera. – Chamou Ryan, ocasionando a pausa do amigo – Você lutou muito bem.
–Eu sei. – Lass voltou a andar novamente – Você também foi bem perspicaz. – Disse num tom alto, para que Ryan ouvisse.
–Valeu... – Ryan sorriu. Depois de um tempinho olhou para a arquibancada e viu Lire. A mesma estava mais calma, ao lado de Arme. Ryan mandou um beijo para ela, como em sua primeira luta. A menina sorriu com os olhos brilhando novamente.
Lass fora falar com Arme que deu um abraço bem apertado em seu namorado. Chegou a dar um sorriso discreto que logo desapareceu após ver que Lupus ainda o observava desde o termino da luta.
–--
O Juiz subiu na Arena, iria anunciar o Grupo das Meninas.
-Subam aqui: Rey e Holy. — Pediu o Juiz e as duas meninas subiram — A luta das semifinais serão mais duradouras. Então peço que tenham mais concentração e--
-Juiz! — Chamou um dos Organizadores, o interrompendo.
O Juiz entendeu que precisa se ausentar por um tempo, só para resolver algo pendente. Avisou as meninas e se retirou da Arena.
–Então, Holyzinha... Pronta para perder? – Provocou Rey enquanto seguia para o centro da arena para dar início a luta.
–Por que toda recalcada me chama de Holyzinha? – Rebateu a Paladina que já estava no centro da arena. – É Holy! Preciso soletrar?
–Não, não precisa. Também não quero que fique constrangida, de imediato, com o meu nível superior... – A encantrix não ficava por baixo.
O Juiz interrompeu a discussão das duas, voltando para a Arena e para reforçar as regras, terminando seu anúncio.
–Sei que as duas já sabem, mas--
–De novo não... – Reclamou Rey, interrompendo o Juiz, que a olhou, não gostando da atitude da menina.
–Continuando, a luta deve ser justa e concentrada. Haverá pausa se demorar, mas se houver ataques constantes iremos com a luta direto. Vocês já estão nas semifinais, já devem saber bem o que se pode ou não fazer. Boa luta.
–Dê-me forças, ó guardião da justiça! – Balbuciou Holy, como se as palavras de fé a fortalecesse.
Rey apenas riu, olhou para frente, mas não foi para Holy, e sim para seu pai, que sorriu de volta.
A luta deu seu ponto inicial, com Holy jogando o Martelo para frente e arrastando-o no chão com propósito de atingir Rey, mas não teve sucesso, pois a Encantrix se teleportou para trás. Assim que parou, começou a lançar esferas em direção a Holy, que conseguiu desviar sem dificuldade.
Rey não estava como invocadora, então utilizava habilidades para atacar mesmo na intenção de atingir e acabar logo com a Paladina. Mas Holy não estava ali para brincadeira, ganhou grande experiência de velocidade e precisão na luta contra Celina.
A Encantrix não perdoava na quantidade de esferas que lançava. Rey achou um belo momento para atacar, já que Holy só se defendia.
–Lágrima da Noite! – Disse Rey, se teleportando para perto da Paladina e atacando. Mas Holy foi esperta e atacou ao mesmo tempo.
–Golpe Poderoso!
Ambas não foram atingidas, por mandarem suas forças no mesmo instante. A luta estava se baseando nisso: Rey atacava, Holy se defendia, as duas atacavam. A luta estava equilibrada até de mais. Não se via um ataque preciso, para terminar o confronto, acontecia tudo e não acontecia nada.
Rey já dava sinais de irritações. Holy se mostrava rápida para desviar dos ataques.
–Devemos pausar a luta, essa não está sendo como a dos meninos, onde havia um ataque constante entre eles. – Disse Lothos.
–Concordo. – O Diretor chamou o Juiz, o mesmo já entendia o recado.
–--
Outra luta já estava se aproximando do final: Lin x Hiuna. A Sacerdotisa estava com a aura azul envolvendo-a e, novamente, Zero estava perto da Arena para acompanhar a sua aluna. Lupus, de longe, em sua concentração, também observava Lin.
–Por que ela está assim? – Indagou Lupus, num tom baixo. Ele permaneceu olhando para a menina.
–Está vidrado na luta... Ou melhor: na garota. – Disse Rey, parando na frente de Lupus e o impedindo de ver a disputa.
–Não é nada disso... Estou assistindo como qualquer outra pessoa. E, quer saber? Eu não preciso explicar nada para você, Rey. Dá licença. – Lupus desencostou da parede e saiu dali, mas Rey segurou seu braço.
–Não comece a me tratar desse jeito, ou-- — Rey foi interrompida.
–Ou irá acabar comigo? – Lupus a encarou – Eu tenho mais o que fazer agora, afinal, estou nesse circo também, então preciso me apresentar daqui a pouco. – O rapaz se retirou sem dizer mais nada.
–Circo, é? Continua a falar comigo dessa maneira e os pesadelos do seu irmão voltarão. – Murmurou Rey, também se retirando e voltando para sua concentração.
Nisso, a luta deu-se por encerrada e Lin foi a vencedora. Ao sair da Arena, Zero novamente questionou o fato de a aura ter sido ativada e pediu para a menina se concentrar mais. Lin foi tomar água e acabou esbarrando em Lupus.
–Mais cuidado da próxima vez. – Disse o rapaz, nem dando chances de Lin se desculpar e já se afastando da mesma.
A menina apenas suspirou.
Na Arena, as lutas prosseguiam.
–--
Durante a pausa da luta de Rey e Holy, a paladina fora se encontrar com Azin e percebeu que o mesmo falava com um homem alto e bem arrumado para assistir a um campeonato escolar. Após ela chegar o homem começou a dirigir a palavra a ela. Era com Holy que ele queria conversar.
–Então? O que acham da proposta?
Azin olhou para Holy, que reprovava a ideia do Senhor Von Crimson, o mesmo percebeu.
–Vamos, não é tão ruim. E você será bem paga. – Ele deu ênfase no “bem” e pegou a carteira, para mostrar que não estava brincando com o que dizia.
Azin não desgrudava os olhos da Paladina. A segurou pelo braço e a puxou para um pouco distante do pai de Rey.
–O que está fazendo? – Indagou Holy, soltando-se de Azin.
–Eu sei que você é toda certinha, não faria nada para prejudicar alguém, mas--
–Não irei aceitar! É o cúmulo do absurdo! – Holy já sabia o que Azin pretendia com a conversa que estavam tendo e antecipou-se.
–Qual foi, Holy?! Você nem se importa com a vitória.
–O que?! – A Paladina o olhou incrédula – É claro que me importo! Quero ganhar justamente e, se eu perder, não será porque me submeteram à isso.
–Holy... – Azin se aproximou – E se eu... E se eu te pedir para você fazer isso? Não será por causa do dinheiro, faça por mim.
–Por que quer que eu perca? – A menina olhava nos seus olhos, um tanto apreensiva.
–Não quero que sofra com a derrota, caso isso venha acontecer.
–Não irei sofrer. – Sussurrou.
–Holy... Eu ficaria feliz se você aceitasse a proposta do pai da Rey. Não os conhecemos, pois não estudamos aqui, mas deu para perceber que ele é bem rico e poderoso. – Azin tentava todos os argumentos para convencer a menina.
–Não! Isso é de mais para mim. Não é o certo.
–Se não quer o dinheiro, eu fico com ele! – Azin se estressou.
O Senhor Von Crimson estava percebendo que tinha um aliado. Sorriu vitoriosamente.
–Você é um mercenário mesmo! Eu... – Holy estava com os olhos inundados – Como eu pude pensar que você mudaria algum dia? Não pensa em mais nada a não ser em você!
–Errado! Mais uma vez você tira conclusões precipitadas. – Azin já parecia calmo novamente.
–E onde eu errei em minha conclusão?
Azin segurou a mão de Holy, a olhando profundamente, fazendo a menina enrubescer de vergonha.
–Eu não penso apenas em mim. Penso também em você. – Azin selou um beijo calmo, Holy ficou surpresa, mas retribuiu.
Os dois se separam e a menina ficou o olhando.
–Faça por mim... – Murmurou ele, sorrindo.
–Não farei isso. Não posso. – Holy deu as costas e seu coração diminuiu depois do ocorrido. Ela prendeu o choro e voltou para a arena – E agora? Ele mexeu comigo...
Azin cerrou o punho, mas não deixou que a raiva o tomasse. Caminhou lentamente até o Senhor Von Crimson.
–E então? O que a menina decidiu?
–Ela aceitou.
–Hum... E por que ela saiu quase chorando? – Perguntou o pai de Rey, desconfiado.
–Confie em minha palavra, e não no que vê. Holy é muito sentimental e justa. Achou errado fazer isso, mas eu a convenci e isso que importa.
–Ok... Não questionarei. Agradeço por me ajudar nessa. Quero apenas a felicidade de minha filha, também acho errado, mas eu não suportaria ver a Rey triste. – Disse o Senhor Von Crimson num tom melancólico.
–Corretíssimo. – Azin concordou, mas em seus pensamentos, julgava outra ideia – “Tudo pela felicidade da filha dele é uma ova, pessoas poderosas como ele não aceitam perder, essa que é a verdade”.
O pai de Rey retirou uma grande quantia da carteira e entregou ao Azin, que sorriu.
–Se a menina perder, lhe darei o resto.
–Ainda não confia em mim... Tudo bem. Estamos apenas nos conhecendo, então... – Azin guardou o dinheiro e se despediu – Foi bom fazer negócios com o senhor.
–Digo o mesmo. E espero fazer mais... – O Von Crimson voltou para a arena.
Elesis, que estava escondida, ficou boquiaberta.
–Eu não acredito! – Sussurrou para si mesma – Essa Rey é uma safada mesmo! Mas ela não irá ganhar, não irá mesmo!
A ruiva saiu dali, tentou falar com a Lothos, mas não havia como, pois a mesma estava discutindo algo sobre o Campeonato e, mesmo assim, se tentasse falar com ela, seria barrada pelos guardas.
–Não falarei agora... Que droga! – Resmungou Elesis – Mas até que esperar até o final, não será uma má ideia. Tirar a vitória suja de suas mãos da Rey será bem mais divertido.
Elesis concluiu seu pensamento e voltou para a concentração. Decidiu que ainda não era a melhor hora para contar a alguém do que havia visto e nem das fotos que tirou.
–--
As duas voltaram para a Arena. Holy parecia incomodada com algo e Rey tinha um sorriso vitorioso no rosto.
O Juiz reiniciou a partida. A Paladina foi com tudo em cima de Rey, deu um giro no ar com o Martelo e depois cravou no chão, com o impacto, a Encantrix foi empurrada para trás. Holy aproveitou a deixa e atacou.
–Martelo Demolidor!
Rey não teve escapatória, conseguiu se levantar e teletransportar-se para trás, mas ainda sim chegou a ser atingida pelos concretos que saíram do solo da Arena. A Encantrix foi levantada, mas não chegou a colidir com o chão, pois a mesma flutuou, mas sentiu dificuldade de permanecer no ar, pois a roupa pesou consideravelmente.
Rey olhou para seu pai, o mesmo não entendeu a reação de Holy. Azin olhava a luta atentamente, em nenhum momento se dispôs a olhar para o Senhor Von Crimson.
–Você não pode ganhar, Holy... Não pode! – Murmurou Azin, cerrando os punhos e não desgrudando os olhos da luta.
Rey voltou ao chão, já em mente o próximo ataque que usaria. Desceu perto de onde Holy estava, dando um giro e sendo envolvida por mana das cores roxa e preta, que causou um pouco de dano na Paladina, fazendo-a se afastar um pouco.
–Já que não quer brincar, vamos lutar a vera! – Rey nem esperou Holy se recuperar e lançou mais um ataque – Esfera Gravitacional!
Holy desviou de duas esferas, das cinco lançadas, sendo atingida pelas outras três. Levando-a para o chão. A Paladina conjurou uma mana que a envolveu, protegendo-a de algum ataque sequente da Encantrix.
–Glória. – Reforçou Holy a sua defesa, levantando-se.
–Não adiante se curar. Acabou. – Rey se teleportou para frente de Holy e fez um jogo de mãos.
A Paladina deduziu que Rey faria uma esfera dimensional que a sugaria, então deu um pulo rápido para trás, surpreendendo Rey.
Holy já estava se preparando para um contra-ataque e Rey a encarou, tendo a mesma ideia de contra-atacar. As duas teriam mais um choque de habilidades. A Paladina acabou, de relance, olhando para Azin.
O menino parecia diferente, com um semblante decepcionada e triste. Seus olhos estavam marejados. Holy nunca havia presenciado Azin daquela forma. Ela pensou no pedido que ele havia feito. Não se submeteria a um suborno, mas ela não estaria perdendo pelo dinheiro e sim pelo...
–Azin. – Murmurou a Paladina para si mesma.
Rey não entendeu a breve pausa da menina, mas mesmo assim atacou.
–Centro Gravitacional!
Holy correu e usou o peso do seu Martelo para continuar no solo, mas a força que o portal exercia era sobrenatural e a puxou. A luta estava encerrada. Holy sentiu sua roupa pesar quando voltou ao chão e continuou ali.
Azin sorriu ao perceber que a menina havia perdido, mas seu sorriso não foi duradouro. Ele sentiu um aperto no coração, algo que jamais imaginou sentir, ainda mais pela Holy.
–--
No grupo D outras duas lutas estavam acontecendo: Jin vs Igor e Vitor vs Azin.
Ronan reconhecia, agora, o motivo dos treinamentos serem tão duros, mas, em comparação com a ultima luta, percebera que melhorou muito. Ele estava mais atencioso com os movimentos do adversário, Igor. Mesmo sendo um arqueiro, Ronan conseguia aproximar-se, ora esquivando-se aparecendo atrás do adversário, ora tentando desviar de flechas. O azulado finalizou a luta com uma sequencia de socos e chutes perfeita seguido de um gancho de esquerda.
Jin, de longe, comemorou mais uma vitória do azulado e ainda conseguiu ver a vitória de Azin contra o alquimista, e percebeu que Azin não estava nem um pouco cansado, ou pelo menos era o que o guerreiro queria que Jin pensasse.
–--
Após as lutas, os competidores estavam muito cansados e foram para suas respectivas casas. Na parte da tarde Ronan se encontrava pensativo.O azulado já não aguentava mais. Seus pensamentos estavam a mil, não sabia mais o que sentia por Amy. Sua mente se voltou para algo que aconteceu antes dos treinos finais.
“–Vamos sair daqui, deve ter acontecido alguma coisa, Amy parece triste, deixa isso pra lá, depois você pergunta o que houve. – Lass falava sério, sem demonstrar reação de surpresa.
–Eu nem deveria me importar, mas é que... Eu... Eu estou sendo um idiota. – Ronan colocou as mãos no rosto.
–Você ainda gosta da Amy, mesmo amando a Elesis, sei lá, mas... Vocês precisam conversar. – Lass falou frio, mas mesmo assim ajudou o amigo.
–É... Mas só farei isso depois da luta, é melhor uma coisa de cada vez.
–Você quem sabe... Só acho que não deveria sair tirando conclusões.
–É... Para um cara bem sério e que não se importa muito, você está me ajudando muito.
–Não se acostume com isso.”.
Depois das revelações que teve, estava na hora de arranjar respostas para as outras perguntas pendentes. Ronan estava decidido.
–Vou visitar a Amy. – Ronan levantou-se da cama, largou os fones e decidiu não perder mais tempo em casa, o dia seguinte seria cheio para conversar com a menina.
Colocou seu casaco, pois estava meio frio, havia chovido mais cedo, sendo que ninguém havia percebido, pelos ânimos aflorados pelo Campeonato. Deixou um bilhete para seus pais apenas dizendo que iria sair. Decidiu não ir de carro, assim poderia pensar durante o caminho.
Ao chegar à casa da namorada, tocou a campainha, não demorou muito e a mesma atendeu.
–Ronan? – Amy estava surpresa, pois não esperava a visita dele.
–Oi Amy. – Ronan abriu um sorriso meio acanhado.
–O-oi, o que você faz aqui? — Amy retribuiu com um sorriso ainda surpreso.
–Por quê? Não gostou da surpresa?
–Não! Eu gostei sim! Na verdade... Foi a melhor surpresa que você já fez. Pelo menos espontaneamente.
Ambos sorriram ao se lembrarem do dia do Shopping.
–Bem... Amy, eu gostaria de conversar com você.
–Ah! Tudo bem. – Amy ficou séria. Ela também queria falar com Ronan, só não sabia o que dizer. Eles permaneceram em silêncio por um tempo. Por fim, Ronan quebrou a quietude que se formou.
–Então...?
–O que?
–Não vai me convidar para entrar?
–Ah! Desculpa, eu... Bem... – Disse a rosada enquanto abria o portão, ficou um tanto enrolada com as palavras.
–Tudo bem... Não se preocupe, você parece bem nervosa. – Ronan sorriu para descontrair e entrou no jardim para ir em direção a casa.
Amy foi lhe dar um beijo como sempre faziam nesses “encontros”, quando Ronan a atrapalhou e a abraçou.
A rosada ficou confusa. Queria perguntar o que estava acontecendo. Por que Ronan estava estranho? Mas permaneceu quieta. Já o menino ficou estranhando o comportamento de Amy, ela estava calma de mais, para uma menina que vivia cantarolando e feliz. A todo o momento pensava em como começar a conversa com a rosada.
Ao entrarem na sala, uma empregada apareceu, cumprimentou Ronan e ofereceu algo para beber. O jovem, por sua vez, recusou e Amy pediu para que os deixasse a sós. Ambos estavam sérios.
–Amy... – Ronan deu uma pausa, respirou fundo e continuou – O que você sente por mim?
A menina espantou-se com a pergunta. Desde que eles começaram a namorar, ela tinha certeza que Ronan sabia que ela o amava. Amy pensava rápido, ela poderia dizer que já não sabia mais, porém, decidiu responder o mais óbvio naquele momento.
–Eu te amo, é claro. – Respondeu Amy, fazendo uma carinha fofa com a voz mais meiga que ela conseguia.
Ela deu um passo à frente, para que pudesse beija-lo, mas Ronan deu um passo para trás e colocou as mãos na cintura enquanto abaixava a cabeça e balançava de forma negativa. Amy ficou mais confusa e sentiu um aperto no peito.
–Amy... O que você sente por mim? – Insistiu Ronan, levantando a cabeça e olhando-a.
–E-eu... Eu já disse que te amo! E você sabe disso!
–Vou reformular a pergunta, ok? – Ronan parecia decidido a saber a verdade, mesmo Amy omitindo.
–Por que está fazendo isso, Ronan?
O menino ignorou a pergunta de Amy e prosseguiu com a sua.
–O que você sente pelo Jin?
Amy, praticamente, entrou em choque ao ouvir o questionamento de Ronan. Ela ficou mais nervosa e tentava disfarçar. Ronan estava parecendo o Lass, não mudara de expressão desde que começou a conversar. Amy saiu do seu estado de choque e se surpreendeu consigo mesma por não conseguir dizer algo naquele instante.
–Duvida dos meus sentimentos por você, Ronan?!
–Não. – Por algum motivo, Ronan sorriu — Eu sei que você me ama. – E logo depois voltou a ficar com o semblante sério – Mas quero que você seja sincera--
–Eu sou sincera! – Amy o interrompeu, mas Ronan continuou o que dizia, como se não se importasse com as palavras ditas pela rosada.
–Você precisa ser sincera consigo mesma.
–Qual o significado dessa conversa?
–Eu gostaria, simplesmente, que você respondesse a minha pergunta.
–Não.
–O que?
–Você não responde nenhuma das minhas, Ronan! Agora sou eu quem não vou responder enquanto eu não obtiver respostas! – Amy estava quase explodindo de raiva, mas conseguia se conter.
–Ok... Pirraça não vale, tá bem? – Ronan deu uma breve risada.
–Não tente fazer graça para amenizar o clima. Apenas responda a minha pergunta primeiro: Por que está fazendo isso?
–Porque, há algum tempo, percebi que você age diferente quando vê o Jin ou quando ouve a voz dele. Até quando ouve seu nome.
–Não ajo de nenhuma maneira especial com o Jin! – Amy disfarçava bem quando estava com raiva, mas Ronan sabia quando ela mudava seu humor só pelo tom da voz.
–Eu posso provar o contrário... – Ronan deu um sorriso de canto.
–Vá em frente!
–Vamos lá. – Ronan deu uma pausa, respirou fundo e continuou – Sempre que eu fazia algo romântico, você dava um longo suspiro de menina apaixonada, concorda?
–Sim. De fato, isso é verdade. Mas como vai me provar que eu gosto do Jin?
–Desse jeito.
Ronan ficou parado por alguns segundos, o que fez Amy estranhar novamente. De repente, Ronan segurou a cintura da rosada, dando um giro rápido e encostando-a na parede do grande salão. Ela deu um suspiro, porém não tão longo como Ronan descreveu acima. Foi mais um suspiro de surpresa, do que de alguém apaixonado ao ser envolvido pela pessoa que ama.
Ronan apenas a observou. Amy abaixou a cabeça e sentia-se um pouco culpada por perceber que seu sentimento por Ronan mudou e não queria admitir para si mesma. Acabou deixando uma lágrima cair em seu rosto alvo.
–E-eu... Eu iria te contar... – Disse Amy, num sussurro, começando, definitivamente, a chorar – Eu... Eu sinto... Muito... Ronan – A rosada tentava pronunciar as palavras, mas o choro parecia ser maior que sua voz – Eu não queria... Permitir que esse sentimento pelo... Jin, crescesse dentro de mim... Desculpa...
Ronan não disse nada. Ele levantou o rosto da menina e limpou suas lágrimas.
–Você gosta do Jin, certo? – Perguntou Ronan e Amy apenas assentiu – Quando brigamos e você foi falar com ele, eu... Eu senti que estava perdendo algo, foi tão natural e... Estranho, mas eu não fiquei triste por isso, porque você estava ficando mais feliz quando conversava com o Jin e isso me fazia sentir bem. Ainda mais sabendo que ele conseguia tirar de você a angústia de nossas brigas.
Amy abaixou a cabeça novamente, as lembranças estavam voltando em sua mente.
“–Elesis! Já chega! – Jin interviu na conversa.
–Sai daqui! – a ruiva lançou seu olhar para o irmão, o mesmo revidou.
–Pare de fazer a Amy chorar!
–Foi ela quem começou!
–Seja madura o suficiente para terminar isso! – O ruivo já estava com raiva de Elesis e iria defender Amy.
Amy já tinha deixado que as lágrimas escorressem em seu rosto. A ruiva olhou para o braço e depois para a menina.
–Vê se não me estressa de novo. – Elesis falava com certa autoridade.
–Então não cruza mais no meu caminho! – Amy falava em meio ao choro.
Jin sentiu seu coração apertar, queria abraçar Amy e dizer que estava tudo bem, que ele a protegeria e nunca a magoaria, secaria suas lágrimas e faria de tudo para não vê-la chorando novamente. Mas se manteve a frente de Elesis. A rosada estava ao seu lado, ele, de vez em quando, olhava de lado para Amy.”.
Amy deixava que as lembranças retornassem, assim ela teria certeza de quem realmente amava. E a lembrança que surgiu foi de Jin... O quanto ele sempre foi atencioso com ela, sempre esteve ao seu lado quando Amy mais precisou.
Ronan queria dar um tempo para Amy, mas não iria sair de perto dela, mesmo que seus pensamentos estivessem longe. A rosada martelava em sua cabeça, perguntas, tentando entender o que Ronan queria com aquilo tudo, por que ele não estava magoado? Por que ele estava tendo essa conversa? Por que ele estava abraçando-a? Talvez... Ele só a quisesse bem, confortável em seus braços, não como namorado, mas sim como amigo.
–Obrigado... – Murmurou Ronan e, em seguida, desfez o abraço, mas mantinha o largo sorrido no rosto.
Aquele foi o dia que Amy ficou mais confusa. Ronan nem reparou na expressão da rosada, pois estava ocupado ajeitando o casaco que desamarrotou com o abraço forte que dera na menina.
–Como estou? – Perguntou Ronan, que parecia mudar o rumo da história, questionando sobre seu visual.
–Lindo... Como sempre. – Amy respondeu, sem saber ao menos por que estava dizendo aquilo – Só me responde uma coi--
Amy foi interrompida, não porque Ronan iria falar algo, mas sim porque o menino saiu correndo da casa, sem ao menos se despedir. Amy, ainda frustrada, sem entender nadinha, saiu correndo atrás de Ronan. Ela chegou bem a tempo de vê-lo abrir o portão da sua casa. Ronan olhou para trás e via a menina totalmente perdida com o que estava acontecendo.
–Desculpa, Amy! – Ele parou antes de abrir o grande portão, a olhou mais uma vez e andou até a sua direção – Eu me esqueci de fazer mais uma coisinha.
Ronan abraçou mais uma vez a rosada, deixando-a vermelha por falta de ar. Aproveitando a deixa de estar bem perto de Amy, Ronan sussurrou um “Tchau”, em seu ouvido.
Eles nem perceberam que estavam sendo observados do lado de fora da casa. A pessoa achou aquela cena um tanto... Interessante. A pessoa não sabia como, mas tinha certeza de que se tivesse aquele momento entre Ronan e Amy, gravado em suas mãos, poderia usar a seu favor.
E tirou uma foto pelo celular, mas a pessoa não fui cuidadosa o bastante para tirar o som da câmera, contudo, Ronan e Amy nem perceberam. A rosada estava ficando sem ar e empurrou Ronan, que estava com um sorrido no rosto. Amy queria matar o menino, ele estava a deixando muito confusa com tudo.
A pessoa misteriosa era Rey, que estava voltando do Shopping, mas o seu carro acabou enguiçando e ela não ficaria dentro do carro mesmo, ao sair, deparou-se com a cena dos dois no jardim da casa de Amy, o outro carro já estava se aproximando para busca-la, mas Rey ainda queria ouvir mais sobre a conversa dos dois. E ficou perto do muro, escondida. O motorista a chamou, avisando que o outro carro já estava ao seu dispor.
Rey lançou um olhar nada contente, como se mandasse o motorista entrar no carro e a esperar, dito e feito. A menina voltou a se concentrar na conversa. Ela não entendia o motivo de estar agindo daquele jeito, mas sua mente pedia para ela escutar o que estava por vir. Uma revelação... Talvez...
–Ronan, não acha que está esquecendo de algo, não?
–Estou?
–Sim... – Amy falou num tom calmo, mas depois – O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM VOCÊ, GAROTO!?
–Ah! – Ronan acabou levando um susto, mas se recompôs e entendeu que precisa dar explicações – Bem...
–Ronan, — Amy o interrompeu – Sei que nós terminamos, pelo menos foi o que eu deduzi, e que isso é triste, ou pelo menos deveria ser, mas... Eu não entendi o por que da sua visita até agora.
–Ér... Terminamos. Mesmo sem dizer, em nenhum momento, as palavras ditas pelos casais normais quando terminam. – Ronan soltou um breve sorriso.
–Pois é... Agora me diz, esclarece essa minha dúvida, porque minha cabeça está dando voltas.
–Amy... Quando eu percebi que estava te perdendo, também percebi que você também me perdia. Eu só fiquei pensando em como dizer isso a você, não queria, jamais, te magoar. Por isso fez essa confusão toda só para te dizer isso e... Bem... Ter certeza dos meus sentimentos.
–Hum... Agora estava tudo mais claro para mim. Bom, somos amigos agora, não é? – Amy o olhou atenciosa.
–Claro, minha princesa. Sempre seremos.
Os olhinhos de Amy estavam brilhando pelo o que Ronan disse, ela sempre foi uma menina que gostava de ser mimada e elogiada. Ronan sabia disso e sorriu.
–Então me conta por quem seu coraçãozinho bate mais forte, agora que não está mais comigo. – Amy quis saber.
–Ok... Hã... Bem... – Ronan não sabia quais palavras usar, uma coisa era terminar com a Amy de um jeito diferente, outra coisa era contar por quem ele amava – Eu estou gostando a um tempo dessa pessoa e...
–AH! SÉRIO?! QUEM É??? – A euforia de Amy fez Rey e Ronan se espantarem, cada um teve uma reação: Ronan deu uns passos para trás e Rey tampou os ouvidos.
–Isso eu já não vou te contar... – Disse Ronan, recuperando-se – Se eu falar, você me baterá.
–Eu não vou te bater. – Amy já parecia mais calma e usava um tom meigo.
–Vai sim... – Ronan parecia temer antes mesmo de contar quem era.
–Conta! Por favor! Eu prometo não te bater, mô. – Amy parecia bem curiosa e fazia a carinha mais fofa.
–Mô não, tá? – Lembrou Ronan, já que eles não eram namorados.
–Ah é... Esqueci-me. Mas não mude de assunto, conta logo, Ronan Erudon! – Amy cruzou os braços e fitou o rapaz.
Rey estava vendo que nada seria dito de importante e já estava para sair, mas algo a impedia.
–Tá bom... – Ao dizer isso, Amy se aproximou mais de Ronan e Rey desistiu de ir embora – Lá vai. – Ronan deu uma pausa e respirou fundo e, por fim, disse – Eu amo a Elesis.
Notas finais
Bem... o que acharam? Qual será a reação da Amy após essa revelação a ela?
Beijos!!!!
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