Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
50 Ou você aprende, ou esqueça o Campeonato!
Notas iniciais
P.S.: Temos que agradecer a algumas pessoas que nos ajudaram muito nesse capítulo, dando aquele "empurrãozinho" para que pudéssemos concluir. É isso ^^.
–Ninguém vai abrir a boca?! – gritou Elesis.
–Você acabou de fazer isso... – brincou Ronan, mas acabou levando um soco – Ai!
–É bom vocês me contarem o que aconteceu!
–Por que Elesis? Hein? Acho que você não gostaria que o Ronan soubesse o que você fez, não acha? – Jin falou friamente, ainda estava com raiva da irmã.
–Cala a boca!
–Agora eu quero saber o que aconteceu. – disse o azulado olhando para os dois ruivos.
–Conta Elesis. – o ruivo cruzou os braços e deu um sorriso vitorioso.
–Você não precisa saber, idiota azul!
–Ah! Preciso sim! O Jin falou meu nome, logo estou envolvido!
–Não importa se está ou não, eu não irei contar!
–Ok... Eu vi uma cena que também não me agradou, sabe Jin. – Ronan jogou uma indireta.
–Hã? – o ruivo não entendeu.
–Vamos ficar de segredinho, é isso?! – gritou Elesis já bem irritada com tudo.
–Eu não tenho nada a esconder, vocês dois que estavam se encarando quando eu cheguei.
–Tem sim, Jin! O Ronan, por algum motivo, te chamou de traidor!
–O que?! Por quê?! – o ruivo olhou assustado para o menino, que apenas o encarava.
–Você ainda me pergunta?! Ah Jin, fala sério! Você e a Amy estavam abraçados!
–Vo-você viu? Pera... Você não pode ter raiva de mim, muito menos me chamar de traidor!
–Ah não? Por quê?! – Ronan só fitou o ruivo.
–Porque você não sabe o motivo de eu ter abraçado a Amy, coisa que você deveria fazer, se tivesse perto dela, talvez tudo fosse diferente!
–De novo esse assunto... – murmurou o azulado – Você ainda não me disse o porquê de ter abraçado a Amy!
–Pergunta a ruivinha estressada, foi ela quem fez a Amy chorar.
–Como?! – Ronan olhou para a ruiva não querendo acreditar no que Jin falou – Então Elesis, não vai dizer nada?!
–Ronan, eu... Eu... Ela me estressou! Aquele troço rosa é irritante, me falou coisas que eu não gostei e só revidei!
–Então foi isso que você não me contou? Foi então depois do encontro entre vocês duas que você começou a chama-la assim?
–Para de fazer tantas perguntas!
–O que você fez com ela?!
–Eu... Por que se importa tanto?
–Porque somos namorados!
–Não parece!
–O que você está falando?! Eu a amo!
–Porque você ainda insiste nisso!?
Depois da pergunta da ruiva, os três ficaram em silêncio novamente, Jin queria falar alguma coisa, fazer a mesma pergunta ao Ronan, mas se conteve, mesmo sendo uma angustia prender aquele sentimento e não poder falar nada.
–Se a pessoa que eu amo me amasse, talvez eu não estivesse perdido nos meus sentimentos.
–Refere-se a Amy?
–Eu já não sei dizer.
A esperança do ruivo só foi aumentando ao ouvir o que o azulado dizia a Elesis. Ronan parecia mandar indiretas para a ruiva, mas na verdade era apenas dúvida do que ele mesmo sentia.
–Por que você a fez chorar? – perguntou o azulado tentando compreender o que de fato aconteceu.
–Porque ela também me magoou. – Elesis falou num tom baixo, mas que deu para ouvir.
–Eu pensei que você fria o bastante para não se importar com o que falam de você.
–Por que acha que a Amy falou alguma coisa de mim?
–Porque se estressa mais quando falam de você, ainda mais se falam a verdade, mas você é orgulhosa demais para admitir, parece que só você pode falar o que quiser de todo mundo, mas ouvir sobre a sua pessoa...
–Nem começa!
–Tem como você me contar tudo o que aconteceu?
–Não. Isso foi algo que aconteceu entre mim e a Amy, então não se intrometa!
–E que o Jin se intrometeu e acabou abraçando-a.
–Eu só fiz isso, porque ela parecia indefesa, estava muito triste, aliás, vocês brigaram, então ela não tem mais para quem pedir ajuda. – as palavras do ruivo destruíram Ronan por dentro – Você deveria ficar mais ligado com o que acontece.
–Engraçado, né? Eu sempre tento ajuda-los e olha como vocês me retribuem, não contando a verdade, não me dizendo o que aconteceu em que eu estou envolvido de alguma forma e jogando coisas na minha cara que nem é verdade. Para a sua informação, Jin, eu conheço a Amy, sei que ela sempre quer ter alguém do lado, mas estamos brigados... Acha que você deveria saber que eu conheço a Amy há muito tempo. E, infelizmente, a magoei, enquanto a vocês eu tenho o máximo agradá-los e eu nem os conheço há tanto tempo. Eu posso acabar mudando algumas coisas que eu falei...
–Você está pensando em não lutar mais no Campeonato? – perguntou Jin, preocupado, pois sabia que não tinha condições de lutar várias vezes até chegar à final, ele sabia que não chegaria.
–Não. Eu ire lutar, não sou de quebrar uma promessa e eu prometi a Elesis. – Ronan saiu dali e foi em direção ao ginásio, deixando os ruivos.
–Ronan tem razão em tudo que disse... Droga! – Jin pôs a mão na cabeça.
–Ele tá assim, porque não sabe mais o que sente pelo troço rosa.
–Ainda acho que ele está certo...
–Ele é idiota mesmo!
–Por que Elesis?
–Como ele tenta defender aquele troço rosa, eles nem estão mais juntos.
–Mas ainda estão namorando... – lamentou o ruivo.
Elesis cruzou os braços e balançou a cabeça, como se tivesse desaprovando o que o irmão disse.
–Jin, posso te fazer uma pergunta?
–Depende.
–Vou fazer mesmo assim. Você gosta do troço rosa?
–Não! O que? Mas que pergunta louca foi essa?! De onde você tirou isso?! Eu?!
–Calma! Só foi uma pergunta... Iiih! Acho que já sei até a resposta.
–Nem vem!
–Tá bom, não falarei mais do troço rosa, mas é que você brigou comigo para defendê-la, Você e o Ronan são dois idiotas e babacas mesmo.
–É que a menina estava chorando. E para com isso! Não a chama assim! O nome dela é Amy!
–Aí maninho, eu não vou para, tá bom? – Elesis deu dois tapas de leve no rosto do irmão e saiu.
Jin bufou e ficou encarando a ruiva se afastar.
–Tá tão na cara que eu estou gostando da Amy?? Se pelo menos eu soubesse o que fazer para falar isso a ela...
Enquanto isso, na quadra, o treinamento final começava. Mari preferiu treinar em outro lugar, assim como Zero. Dio continuou no campo, então o ginásio era exclusivamente para o professor Sieghart. Mari foi treinar em uma sala especial e Zero passou seu treino para outra hora e em um lugar específico, onde se precisaria de muita concentração, mas o treinamento com os três meninos seria na quadra mesmo.
–Crianças... Hoje é o nosso último treino e eu ainda posso mudar de opinião. Não, não irei mudar alguém, mas se um de vocês falharem, me irritarem ou não corresponderem as minhas expectativas estará fora do Campeonato. Estamos entendidos? Não quero brincadeira da parte de vocês, mas eu posso, é claro. – o moreno deu um leve sorriso.
Lucas, Igor, Celina e Ryan ficaram parados e quietos ao centro da quadra esperando o professor, então ele continuou.
–Um de cada vez tentará chegar até mim, podem usar toda a força que tem, mas mesmo assim não irão conseguir. O objetivo é tentar resgatar as armas de vocês.
–Então não usaremos nenhuma arma? – perguntou Celina.
–Sim, usarão a de 1ª classe. Aquela – Sieghart apontou para trás – é a mais poderosa, a da 4ª classe. Não é que essas que vocês usarão não sejam fortes o bastante, mas aquela tem um complemento a mais e será a que vocês usarão na luta, se conseguirem concluir o que eu espero que concluam.
–Então cada um que for lutar, tentará pegar a sua arma e será nossa, no caso? – Lucas tentou entender melhor.
–Sim. Mais alguma pergunta? – Sieghart olhou para os quatros, Ryan levantou a mão – Diga.
–Quando começamos?
–Apressadinho... Só por causa disso, você será um dos últimos. – o professor apontou para Igor – Você primeiro.
–Me chame pelo nome, só assim irei.
–Não sei o nome de cada um, só disse na hora da minha escolha, porque eu tinha num papel, agora para de marra e venha logo!
–Como não sabe o meu nome?
–Se não sei, é porque não é tão importante para a minha vida. Agora vem logo antes que eu mude de ideia e te tire do Campeonato. E nem me faria falta, o que te salva é a sua habilidade com o arco.
Igor não questionou mais nada e deu um passo a frente, os outros três foram para a arquibancada.
–Tá vendo aquele Gakkung? Se você passar por mim, ele é seu. Você poderá usa-lo na luta.
–É uma das armas mais poderosa dos elfos. Reuni a potência da Balista, a velocidade de disparo da Besta e a precisão do Arco leve. É uma arma simplesmente incrível e eu a terei.
–Boa sorte então... – Sieghart deu um de seus sorrisos provocativos, não iria facilitar para nenhum dos alunos, queria vê-los usar a estratégia e ultrapassarem o limite de força.
Igor estava com um Arco leve na mão, tinha uma quantidade razoável, mas o suficiente, de flechas que estava numa espécie de mochila nas costas. Ele tinha facilidade e rapidez de pegar cada flecha, o fato de estar nas costas não o prejudicava. A arma estava no final da quadra, dentro do gol.
Sieghart estava posicionado ao centro e o menino um pouco a sua frente.
–Pode começar...
Igor encarou o professor mais uma vez, pegou a primeira flecha e correu até o professor, o mesmo foi impedi-lo de passar pegando sua Lâmina, mas foi surpreendido por uma flecha, que, ao colidir-se com a espada, fez com que a arma saísse da sua mão e caísse no chão, quebrando o ataque de Sieghart.
–Droga...
–Que foi professor? Já cansou? – provocou Igor com um sorriso no rosto, pois Sieghart havia se abaixado para pegar a Lâmina – Não esperava por um ataque surpresa, né?
–Não esperava que atingisse minha espada. – disse o professor já com a arma na mão e de pé.
–Eu esperei o momento em que iria me atacar e aproveitei para acertar a espada, fazendo com que sua guarda ficasse baixa e assim, sem arma, eu te atacaria com mais facilidade.
–Boa estratégia... Mas você ainda não pegou o Gakkung e nem me atacou, por quê?
–Estratégia, professor, estratégia...
Igor estava impressionando tanto os alunos quanto o professor, mas Sieghart não deixou transparecer que estava gostando do que o menino estava fazendo.
–Vamos ficar parado ou continuar?
–Estou esperando o senhor se recompor, não quero que se canse rápido de novo.
–Não me provoque criança.
Igor retirou duas flechas e ficou a frente do professor, este deu um passo para trás, os dois estavam próximos, mas não poderiam atingir um ao outro, só Igor, porque conseguia atacar a qualquer distância considerável.
O menino atirou uma vez e Sieghart se protegeu com a espada, Igor ainda segurava uma flecha na mão e o moreno apenas ficava observando o que o garoto iria fazer com aquela flecha. Igor começou a pegar várias e atirar, mas sempre sobrava uma em sua mão. O professor já estava cansado de se defender e resolveu atacar, mas assim que abaixasse sua espada para atacar, poderia ser atingido. O menino ainda não havia conseguido passar pelo professor e pegar a arma, mas estava bem próximo disso, se continuasse atirando as flechas, iria passar bem rápido, mas Sieghart o surpreendeu, ativou sua fúria, Igor começou a atirar com mais rapidez, mas não atingia tal feito, pois Sieghart começou a correr de um lado para o outro e o menino não tinha mais um alvo imóvel.
–Pensei que ficaria parado para sempre, a luta estava fácil demais. – Igor riu.
–Essas suas provocações estão me tirando do sério.
–Percebo... Ficou até roxinho.
–É... Sendo que quando eu fico assim, não tenho piedade.
–E quem disse que eu preciso disso?
Sieghart correu, quase não dava para ver seu rastro, Igor também começou a correr e atirar flechas para ver se uma acertava, mas parecia impossível com a velocidade de Sieghart, o que foi ruim, pois as flechas estavam acabando, o menino viu uma passagem para pegar o Gakkung e foi até seu encontro, mas foi surpreendido. O professor parou a sua frente e desferiu um golpe com a Lâmina.
–Lâmina Esmagadora!
Sieghart desceu a espada, dando um corte reto e depois jogando o menino para trás. Os dois já estavam próximo ao Gakkung, o moreno não iria permitir que o aluno pegasse, mas estava sendo difícil pará-lo. Igor se levantou com um pouco de dificuldade, Siegahrt foi até ele pronto para mandar mais um golpe.
–Punição Ascen... – o professor não concluiu o golpe, pois o aluno se levantou e, como modo de contra-ataque, ficou de lado com o Arco a frente e soltou, mas não com o intuito de acertar e sim de assustar o professor, pois a flecha passou rasteira perto do rosto de Sieghart e o fez parar, Igor pegou a única flecha que segurava em sua mão e posicionou dentro do Arco.
O menino estava a poucos metros do gol, estava de costas para o Gakkung.
–Está bem perto de pegar o Arco...
–Você não facilitaria tanto assim.
–Você só tem essa flecha.
–Eu sempre guardo uma.
–Então por isso que sempre que usa as flechas, segura uma?
–Sim. Eu nunca sei quando estão acabando, então me previno.
–Igor... Você me surpreendeu...
–Não... O senhor que irá me surpreender.
–Exato! – Sieghart sorriu.
Igor foi andando para trás e Sieghart o acompanhando a passos lentos.
–Tão próximo... E tão lamentável você não conseguir.
–O que está falando?
–Esperei que se aproximasse o máximo possível do Gakkung, para que sentisse a amarga derrota de estar tão perto e perder.
–Eu terei essa arma, pode ter certeza. – o aluno falava confiante.
–Com apenas uma flecha para me atacar? Há! Vamos ver então... Espada Bumerangue!
A Lâmina girou no ar e foi em direção ao Igor, um ataque frontal direto, este mirou o Arco em um alvo e soltou a única flecha que foi em direção à espada. Mas após o choque da espada com a flecha, houve um momento de tensão quando todos viram a flecha sendo cortada ao meio pela lâmina afiada da espada. A Lâmina conseguiu atingir Igor, o jogando para trás. Sieghart pensou que a luta tinha acabado e sorriu, mas foi surpreendido pelas flechas que o atingiram, uma ele teve o reflexo rápido e se esquivou a outra metade o atingiu na barriga, começou a escorrer sangue e ele retirou para que não o ferisse mais, mas sentiu um pouco de dor.
–Meu alvo... foi você... Eu mirei em você... e a flecha seguiu seu caminho... mesmo sendo partida ao meio. – Igor falava com dificuldade, ficou com alguns cortes profundos, mas não chegaram ao ponto de serem graves.
Sieghart pressionou a ferida para cessar o sangramento.
–Muito esperto. Sinceramente me impressionou bastante, mesmo sendo marrento demais para o meu gosto. Está pronto para outra? – o professor brincou, se aproximou do aluno e estendeu a mão.
–Obrigado. – Igor se levantou com a ajuda do moreno e, como havia sido derrotado, foi para a arquibancada.
–Bem, vamos continuar. – Sieghart voltou para o centro da quadra, o Gakkung já não estava mais ali, agora tinha uma Blacklash (Chicote Negro) – Agora será a vez da menina.
Celina se levantou e foi até o centro.
–Você usará o Chicote das Sombras.
–Ok.
–Se passar por mim, poderá usar o Chicote Negro, mas só se... O que não irá acontecer.
A menina ficou em silêncio, não se gabou como Igor, mas ela era tão boa e estratégica como o outro aluno e Sieghart sabia disso.
–Pode começar.
Celina fez com que o Chicote ficasse com uma mana sombria, preta e roxa, era uma das magias que ela usava. Já na Blacklash o chicote era maior, mas ela poderia ajustar o tamanho, e energizado, saia raios. Esse era de tamanho médio. Ela usava dois chicotes, um em cada mão. Celina tinha uma grande vantagem com a distância que sua arma atingia. O Chicote das Sombras acertava a cerda de 15 metros e o Chicote Negro até 25 metros. Mas Sieghart estava preparado, como sempre.
Celina se preparou, deu umas chicoteadas no chão fazendo com que o lugar ficasse mais escuro. Uma fumaça negra tomou o ginásio.
–Espero que não tenha medo de escuro, professor.
–Acho que está andando muito com o Igor, está começando a se gabar demais.
–Só fiz uma pequena observação.
–Sem mais enrolação, por favor. – Sieghart falava, mas não olhava para a menina, pois estava tudo escuro e ele não conseguia enxergar muito bem, quando finalmente se acostumou com a escuridão, Celina o surpreendeu.
–E quem disse que estou enrolando? – ela enrolou seu chicote no pescoço do professor e uma mana o tomou, sugando suas forças.
Sieghart se viu encurralado ali, se o chicote continuasse enrolado em seu pescoço, ele perderia todo seu poder e, talvez, não conseguisse mais treinar. Ficou puxando o chicote, mas nada adiantava, ele já estava enfraquecendo.
–Não pensei que fosse tão... maligna. – o professor falava com um pouco de dificuldade, parecia que estava sussurrando.
–Só um pouquinho. – Celina falou tranquilamente.
O moreno só viu uma saída. Ficou envolto pela sua fúria.
–Provocação... Fatal!
O corpo do professor foi consumido por uma mana, essa não era a mesma do chicote. A dele fez com que Celina se afastasse e afrouxasse o chicote, Sieghart se soltou dele. A menina foi afetada pela aura que o cobria.
–Soltando raios? Acho que essa habilidade... é da Blacklash. – Celina estava meio ofegante, sentia algumas dores por causa do choque.
–Pequenos raios, não chegam a ser tão potentes quanto a Blacklash. Mas foi o suficiente para tirar o seu chicote sombrio de mim, estava começando a achar que não iria conseguir, você me assustou um pouco.
–Estava começando a ficar fraquinho, não é?
–Já pedi para parar com o deboche.
–Usou uma boa quantidade de mana em sua aura... Precisa de um descanso? – a menina riu.
Sieghart a encarou, sentiu sua fúria o dominar mais ainda. A escuridão estava cessando.
–Poxa... – lamentou Celina.
–Que foi? Não está gostando de parar de brincar de pique esconde, criança? – o moreno estava voltando ao normal.
–E quem disse que vamos parar? – ela usou um tom de sarcasmo — Mist of Darkness!
–Névoa da escuridão?
–Isso mesmo...
A quadra ficou novamente escura, Celina girou os chicotes rapidamente, uma névoa que impedia a visão do professor de ver onde ele estava, aonde ia e, principalmente, onde a menina se encontrava. Poucos raios de luz passavam por ali, mas essa pouquíssima iluminação ajudou o professor de alguma forma. Para ficar protegido por alguns segundos e não ser atacado de surpresa e para recompor as suas forças.
–Um pouco de Vida Fácil...
Raízes começaram a nascer graças a pequena infiltração de luz, o protegendo e tornando-o imune, mas por pouco tempo.
–Você quer que eu seja paciente e te espere levantar daí?
–Menina, você está me deixando um tanto irritado.
–Não estou falando nada... Deve ser a idade, né? Aí tem de parar toda hora para dar um descanso.
–É... Você está me ajudando, sabia?
–Hã?
–Isso mesmo. Enquanto você fala eu descubro onde está.
–Então onde... onde eu estou? – Celina falou com um pouco de receio.
–Você está perto da arquibancada, eu não parei tão próximo onde você está, mas a distância que o seu chicote pode percorrer poderá me atingir. Está esperando que as raízes parem de me proteger e me dará o bote.
–Não me chame de cobra.
–Não estou falando de você.
–Também não chame meus meninos assim.
–Os chicotes são seus meninos?
–Isso mesmo... E eles não foram com a sua cara.
Nesse momento as raízes somem e Sieghart se vê desprotegido.
–Eu falei literalmente... – Celina chicoteou o ar e depois foi em direção ao professor, deu um girou com o chicote da mão esquerda e jogou para frente, quase atingindo o rosto de Sieghart , esse se esquivou, percebeu que sempre que ela chicoteava algo, saia uma luz roxa que iluminava pouco, mas o suficiente para anunciar onde a menina estava. Ele usaria isso ao seu favor. A menina começou a girar rapidamente os dois chicotes, o moreno só dava passos para trás, se esquivando. A pouca luz que saía dos chicotes dava para ver a expressão de concentração que Celina mantinha em seu roso.
–Por que ainda não pegou a Blacklash? – Sieghart tentou distrair um pouco o momento.
–Bem, é que o senhor andou tanto que acabou parando a frente dela.
–Hum... Você consegue ver bem no escuro. – Sieghart olhava para os lados e ficou apalpando o gol para achar a arma, conseguiu encontrar o Chicote Negro – Agora o que fará para passar por mim?
–Ainda está escuro, posso ser sorrateira...
–Sabia que eu já estou cansado disso?
–Também estou, eu quero ter a Blacklash.
–Passe por mim! – o moreno já estava acostumado com a escuridão, então atacou — Lâmina Esmagadora!
Sieghart deu duas sequências rápidas de cortes em cima da menina que foi arremessada para longe depois dos golpes. Celina caiu de costas e tentou se levantar, mesmo sentindo algumas dores. Os chicotes se envolveram em seu braço, fazendo com que ficassem mais firmes e não fraquejassem quando ela se apoiasse neles. Com isso ela se levantou rapidamente. Já estava ofegante, mas não desistiria, começou a se aproximar do professor.
–Não pense que irá me parar facilmente.
–Diga isso ao seu braço, que está com um corte profundo, já está até saindo muito sangue.
–Isso sara rapidinho... A adrenalina é muita para eu me importar com esse ferimento. Eu quero o Chicote Negro!
–Terei que te desapontar...
–Ok... – Celina chicoteou o chão e a névoa foi cessando.
–O que...?
–É a minha cartada... digo, chicoteada final.
A menina jogou os dois chicotes para frente, ambos enrolaram nas traves e ficaram com a mesma mana que estava antes no pescoço do professor, as cores preto e roxo faziam com que o chicote fosse mesmo sombrio.
Sieghart sentiu-se enfraquecendo novamente, mas nesse momento ele tinha uma saída e usou mais uma de suas habilidades.
–Tão próximo... Uma pena não ter conseguido.
–Você quem pensa, professor.
–Sem mais conversa paralela... Tempestade Final!
Sieghart arrastou a Lâmina no chão, deu um giro rasteiro rápido, uma onda de choque começou a surgir na espada, mas não teve o golpe concluído. Celina puxou os chicotes, o professor teve que se arrastar no chão para não ser pego de surpresa.
Os três alunos levantaram. Sieghart estava com a guarda baixa por estar no chão. A menina lançou os Chicotes Sombrios que pegaram no braço do professor, levantou e depois lançou Sieghart para dentro do gol.
–Meu prêmio... – Celina se aproximou mais dele – É mais do que pegar a Blacklash.
–Então o que é? — Sieghart sentou-se no chão.
–Foi ter sido escolhida e estar lutando com um dos melhores professores. Independente da vitória ou da derrota, eu cheguei até aqui e prometo que não irei decepcionar.
–Sabe que eu posso te empurrar para bem longe daqui, ou te impedir de qualquer forma que pegue o Chicote Negro, não é?
–Sei que pode, mas sei que não fará.
–Você é boa na arma que usa, está de parabéns. A Blacklash é sua.
Celina acabou deixando a emoção falar mais alto e chorou.
–Está triste? – o professor perguntou preocupado com a reação da aluna.
–Não! – ela o abraçou – Obrigada! Esses treinamentos me ajudaram muito. Eu não era confiante e o senhor fez com que isso mudasse.
–Tá... – Sieghart ficou assustado – Seque as lágrimas e pegue a arma.
Celina caminhou até dentro do gol e pegou a Blacklash.
–Lute muito no Campeonato.
–Pode deixar.
–Depois dessa luta, nada melhor do que continuarmos com a tensão... Ryan, é a sua vez!
O garoto desceu a passos pesados, a cada degrau ele encarava o professor, o mesmo também olhava para Ryan, parecia analisa-lo a cada passo. Celina passou pelo alaranjado e sentiu a tensão e sussurrou um “Boa sorte”, o menino apenas assentiu e continuou. Celina juntou-se aos outros meninos e se sentou.
–Parabéns, fez uma ótima luta com o professor. – falou Lucas sorrindo meio tímido.
–Valeu... – a menina corou.
–A sua luta foi demais, mas agora com Ryan... Eita. – disse Igor.
–É... – responderam Lucas e Celina juntos.
Ryan se aproximou do centro da quadra.
–Preparado?
–É professor... Agora é o tudo ou nada.
–Quero ver se me surpreende...
Ryan ficou em silêncio, Sieghart deu um passo para trás.
–Quando quiser professor.
–Só para avisar... Use toda a sua força para pegar a Pique, não se contente apenas com um simples Machado, usando o poder do Druida, quero ver se consegue o poder do Executor.
–Gosto do poder do Druida.
–Sabe que a Pique é mais poderosa.
–Não importa o poder da arma, se souber usar...
–Por que demora tanto para começar?
–Só estou esperando o senhor dar início.
–É bom não fazer gracinha.
–Sieghart, você ainda não viu nada...
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