Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
51 Em Busca do Meu Objetivo
Notas iniciais
Sieghart deu um passo para trás e preparou sua Lâmina, Ryan girou o Machado e apontou para frente.
–É bom não baixar a guarda em nenhum momento.
–Hoje vocês tiraram o dia para me irritar? Vocês são umas crianças muito debochadas, façam isso na luta mesmo, não comigo.
–Eu pensei que com você também fosse uma luta, mas parece que apenas uma briguinha.
–Ryan, Ryan... Nem vem com as suas brincadeirinhas.
–Só estou apenas começando.
Ryan caminhou um pouco e deu uma observada a sua volta, para conhecer cada canto do ginásio. Sieghart, no começo, não entendeu muito que o garoto estava querendo com aquilo, mas logo percebeu que era uma forma de se adaptar ao local e usar isso ao seu favor. Os dois pararam ao centro, Sieghart deu mais uma encarada e sorriu de canto. Ryan permaneceu sério, ainda observava, mas disfarçando para que o professor não descobrisse o que estava planejando.
–Então... – começou o alaranjado – Vai ficar me encarando criando raízes, ou vamos lutar logo?
–Até que criar raízes não é uma má ideia, posso descansar um pouco e ainda ficar imune.
–Não precisa usar sua “vida fácil” para impedir que eu o ataque. Aliás, meu objetivo não é ataca-lo.
–Mas você precisará me atacar para conseguir alcançar seu objetivo, criança.
–Te atacar é um mero detalhe.
–Você está muito confiante.
Agora Ryan sorriu e se preparou com o Machado, dando dois giros e o parando de cabeça para baixo no chão. Colocando o mesmo ao seu lado. O professor pensou que o menino fosse começar, então continuou a conversa.
–Quero saber quando irá me atacar, porque só assim para pegar a sua arma, caso tenha esquecido.
–Passar por você não será o mais complicado.
–Acha mesmo isso?
–Acho, aliás, tenho certeza.
–Por que tem certeza disso? Sabe muito bem que sou mais forte que você.
–Sei disso, passar não será difícil, a menos que use uma de suas habilidades mais fortes, o que sei que usará. Guardou uma especial para mim, né?
–Claro... – o moreno sorriu de canto.
–Chega de conversinha... Quero pegar o que me pertence.
–Venha e me ataque, se você não teme à morte. – Sieghart terminou e ativou sua fúria – Chega de brincar. Onda de Chamas!
O professor arrastou sua Lâmina no chão e uma grande onda de energia roxa surgiu, essa onda de energia ainda ficou envolta na espada quando Sieghart a levantou, já que estava na fúria sua força aumentava, houve ainda uma pequena explosão quando a Lâmina chocou-se com o chão, derrubando um pouco o aluno para trás.
–Coluna de Pedra. – Ryan não foi atingido, pois o mesmo deu um salto, afastando-se daquela energia roxa e ainda teve a proteção de uma rocha que impediu que o golpe o acertasse. Porém, a pedra logo em seguida foi quebrada pela Lâmina de Sieghart.
–Minha vez. – disse o aluno, um pouco ofegante.
Ryan girou junto com o Machado, se aproximando de Sieghart, que dava passos lentos para trás. O menino parou de girar e jogou sua arma para cima, distraindo o moreno, assim que a pegou de volta, a cravou no chão.
–Ataque Aéreo!
Assim que o Machado chocou-se com o chão fez rachaduras no piso do ginásio e levantou pequenos pedaços de concreto.
Sieghart colocou sua espada próxima ao rosto, para proteger-se. Seus olhos pratas já estavam dominados pela mana roxa da fúria. O moreno deu um pequeno sorriso e se virou.
–Aonde vai? – perguntou Ryan, parado, do outro lado da quadra.
–Vou impedir que pegue a Pique.
–E isso será possível? Impedir que eu pegue a arma?
O professor não respondeu, apenas sorriu. Ryan ficou impaciente e foi até o professor. Sieghart se virou e quando foi começar o seu golpe, foi surpreendido. O menino, ainda segurando o Machado, o jogou para frente, dando um corte superficial na barriga do moreno, depois correu para trás do mesmo, dando uma pequena distância. Sieghart se virou, e, com a mão livre, pressionou o corte para que não sagrasse. Fez uma careta de dor ao pressionar, enquanto isso, Ryan abaixou seu Machado no chão e o lançou rasteiro até a direção do professor, para derrubá-lo. A velocidade da arma era muito grande, mal dava para pensar e agir ao mesmo tempo, ela se aproximava do moreno, o mesmo se jogou para o lado, para não ser atingido, porém, ficou com a guarda mais baixa ainda e Ryan correu até ele, desferindo um soco e logo em seguida o empurrando contra a arquibancada. Vendo que o caminho estava livre para pegar a Pique, Ryan correu até seu Machado, pois precisava da sua arma inicial para poder fazer a troca pela arma de 4ª classe. A fúria do professor estava cessando, mas ele ainda tinha fúria suficiente para correr o mais rápido e impedir que Ryan chegasse até a Pique.
O alaranjado acelerou os passos e pegou seu Machado. Correu até a Pique, estava bem próximo de conseguir atingir seu objetivo, porém, Sieghart usou o que restava de sua fúria e correu numa velocidade estrondosa e parou a frente de Ryan, o assustando. Mas ele estava preparado, sabia que mesmo deixando o professor um pouco fora de alcance, ele iria conseguir alcança-lo.
–Acha mesmo que eu facilitaria para você?
–E quem disse que eu queria que facilitasse? – Ryan dobrou os joelhos e cruzou os braços em forma de X colado ao peito, ainda segurando o machado, e se preparou para a sua Transformação.
Sieghart também se preparou, mesmo com a fúria cessada, ele estava bem forte, pois não havia usado nenhum golpe que custasse uma quantidade excessiva do seu poder. Ryan estava transformado em um Lobo laranja, um dos feitos da magia da natureza. Os dois estavam próximo ao gol, onde se encontrava a Pique. O professor estava parado de costas para a arma e Ryan a sua frente, em forma de Lobo.
O Lobo uivou, os outros alunos ficaram um tanto assustado, o professor também, mas se manteve sério. Os dois conjuraram o golpe ao mesmo tempo.
–Presa do Lobo!
–Impacto Mortal!
Enquanto isso, na sala de aula, Lire estava se sentindo mal, Arme percebeu e foi até ela. Sentou numa carteira atrás da amiga.
–Tá tudo bem?
A loira não respondeu, ficou olhando para frente, seus olhos estavam marejados.
–Lire! – a baixinha sacudiu a amiga, mas não a chamou alto, já que estava tendo aula.
–Senhorita Arme, para a sua carteira, agora! – exclamou Elena parando o que estava escrevendo no quadro.
–Desculpa professora. – a roxinha esperou que a professora se virasse e continuou sentada onde estava.
–Lire! Estou falando com você, sua coisa! – Arme a chamou de novo e Elena se virou mais uma vez.
–Não irei pedir que volte para o seu lugar novamente. – a professora a encarou – Anda Arme!
–Tá... – Arme ameaçou sair e esperou que a professora se virasse de novo para o quadro e se agachou ao lado da loira.
–Lire, o que está acontecendo? Me diz, por favor. – a baixinha estava ficando preocupada com a amiga.
–Eu... Eu estou com um mau pressentimento. O Ryan... ele está... – Lire começou a chorar e a turma, aos poucos, olhava para ela – Ele vai se machucar, eu... eu preciso saber como ele está.
A loira se levantou e saiu da sala. Elena parou mais uma vez a explicação
–Lire! O que pensa que está fazendo?!
–Não posso explicar. Eu só preciso sair da sala.
–Mas você não sairá sem a minha permissão!
–Mas professora, eu...
–Lire! Volte já para o seu lugar, estou dando aula, se não percebeu.
–Eu percebi, mas no momento não ligo para o que está fazendo, preciso sair e a senhora não irá me impedir. – a loira aumentou seu tom de voz, o que espantou a todos da turma, já que ela é uma menina calma e, na maioria das vezes, quieta, apenas fica prestando atenção e é um pouco participativa.
–Ah não? – Elena falou num tom irônico.
Arme se levantou, como Elesis não estava ali para ajuda-la, resolveu entender tudo e resolver o que estava acontecendo sozinha.
–Professora, eu acho que a Lire está passando mal, porque ela estava muito quieta.
–E ela é assim nas minhas aulas.
–Eu sei... É que ela estava mais quieta que o normal e estava chorando também.
–Se você estava passando mal, — Elena se dirigiu à loira – Por que não me disse antes?
–Eu estou bem! – Lire foi até a porta e parou – Eu só preciso sair da sala e vê uma coisa.
–Se não está se sentindo mal, então entre na sala ou irá para a diretoria! – a professora já estava impaciente.
–Lire, obedeça a Elena, sério, você está me assustando e... – Arme foi interrompida pela amiga.
–Eu não irei voltar para a sala e nem para a diretoria, eu preciso ver o Ryan!
–O que?! Não fale alto comigo, mocinha!
–Desculpa professora, ela... A Lire está muito estranha, a deixa sair da sala, tomar um ar... Sei lá. – a baixinha olhava a amiga com certa preocupação.
–Não deixarei. Voltem para suas mesas que eu preciso terminar de por matéria no quadro.
A loira permaneceu parada na porta, ela parecia estar aos prantos, seus olhos começaram a encher de lágrimas.
–Vem. – Arme a puxou, mas Lire ainda permaneceu intacta. – Vem! – a baixinha se estressou e encarou a amiga, a mesma não hesitou e foi.
Elena voltou ao quadro e prosseguiu com a matéria no quadro, alguns cochichos ainda foram ouvidos, mas logo cessaram.
–Eu vou sair da sala. – sussurrou Lire.
No ginásio a luta continuava tensa para os dois lados, já que os dois mandaram suas habilidades ao mesmo tempo. O Lobo saltou contra Sieghart, rodopiando e acabou entrando no tornado de chamas roxa, criado pelo professor, na qual o envolvia. O Lobo usava a sua garra para formar um tufão que mais parecia uma lâmina afiada, pois cortava, mas não atingiu o moreno, então finalizou com cortes profundos, cortes de uma fera. Acabou ferindo Sieghart no braço, um corte bem profundo. Sieghart o puxou para dentro daquele vento violento com mana roxa que o envolvia.
O tornado continuava por onde o moreno ia, ele se afastou um pouco do gol, queria manter o tornado por mais um tempo, Ao acabar com o golpe, o Lobo começou a se sentir agoniado dentro daquele lugar. Não foi arremessado logo, pois era pesado e acabou cravando suas garras no chão. Uivava como se pedisse que aquela angústia de estar preso acabasse.
No mesmo momento Lire já estava mais preocupada, parecia que a cada golpe que Ryan recebia era um aperto a mais em seu coração. Ela se levantou num impulso e saiu correndo da sala. Arme também não pensou duas vezes e foi atrás da amiga.
–As duas... – Elena iria dar uma bronca, mas não deu tempo, as duas já haviam saído da sala.
–Lire! Por que fez isso?! – a baixinha corria atrás da loira para tentar alcança-la.
–O Ryan... Eu... – a loira corria e estava ofegante.
Arme a alcançou e segurou seu braço.
–Pode tratando de me contar tudo!
–Eu sou da raça dos Elfos, tenho pressentimentos, sei o que acontece com quem tem uma ligação forte comigo.
–E o Ryan tem? – a baixinha perguntou mesmo sabendo a resposta.
–Eu o amo.
Arme abraçou a loira para confortar a amiga, Lire retribuiu o abraço.
–Eu preciso encontrar o Ryan, ele... Eu preciso ir até ele.
–Ele está treinando agora, esqueceu?
–É! – Lire começou a correr de novo.
Arme não estava entendendo muito, mas sabia que a amiga poderia sentir esses pressentimentos e não questionou mais nada, apenas a seguiu.
A luta no ginásio continuava. O Lobo cerrou os olhos, a transformação estava chegando ao seu limite, iria cessar a qualquer momento. Antes de isso acontecer, o Lobo olhou para Sieghart e rosnou, levantou uma das garras e deu um corte na perna do professor, que quase terminou seu golpe pela dor que sentira, mas continuou firme. Ryan voltou ao normal e acabou sendo jogado para fora.
Lire chegou à quadra e ao ver aquela cena gritou.
–Ryan!!!
Arme chegou logo em seguida. O menino chocou-se com a arquibancada e depois disso não falou mais nada. Ele estava inconsciente. Os outros três alunos se levantaram, mas permaneceram na arquibancada.
Sieghart caiu de joelhos e ficou olhando para o menino desacordado, estava ofegante, mal conseguia falar ou levantar. Usou a espada para isso. Apoiou-se nela e ficou de pé. Caminhou lentamente até Ryan.
Lire saiu correndo até ele e o abraçou, chorando.
–O que faz aqui, criança? – indagou o professor se aproximando.
–Sieghart, a Lire sentiu que algo aconteceria com o Ryan e saiu correndo atrás dele.
–Hum... Elfa, não é?
–Sim. – respondeu a baixinha.
–Eles têm mesmo esse sentimento de que algo pode acontecer e tudo mais. Mas... É melhor vocês duas voltarem para a sala. – aconselhou o moreno, que estava recuperando um pouco do fôlego.
–Acho que ela vai querer ir com ele para a enfermaria. – Arme olhou para a amiga.
–Ok... É bom, assim eu continuo meu treinamento.
–Não precisa ser frio. – Arme o olhou desaprovando o jeito que ele falou.
–Pode ter certeza que essa luta ficará marcada para sempre em minha mente, ele me surpreendeu, mas eu não posso deixar o treinamento, então, por favor, não questione o modo que eu falo. – Seighart se virou e foi para o final da quadra, ainda em passos lentos.
A baixinha bufou e cruzou os braços. Ryan lentamente abria os olhos e a loira ainda estava abraçada com ele.
–Li... Lire? – a voz do menino saiu fraca e bem baixa, quase inaudível, mas como Lire estava bem perto dele, conseguiu ouvir e sorriu.
–Você está bem? Eu senti que algo... algo de ruim iria acontecer com você. – a loira soluçou um pouco, pois estava chorando.
Ryan, delicadamente, enxugou suas lágrimas e a beijou, um beijo confortável e doce, mas como ainda estava fraco e com um pouco de dor, se afastou e deitou no degrau da arquibancada.
–Bom saber que está melhor. – Lire não conseguia tirar o sorriso do rosto.
–Bom saber que se preocupou... comigo...
–Eu sempre te amei e você sabe disso, sempre me preocuparei com você. Sempre...
Arme iria intervir, mas preferiu ficar na dela. O professor iria prosseguir com o treino, mas esperou mais um pouco, até que o Ryan se recuperasse e voltasse a andar. O que não demorou muito, ainda mais com a ajuda da Lire.
Ryan, Lire e Arme foram para a enfermaria e Sieghart, finalmente, deu início a última luta do treino. O professor estava sentado ao centro da quadra.
–Lucas, vamos acabar logo com isso. Você é o último do treinamento final, me surpreenda.
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