Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
52 Análise completa: O treinamento foi um sucesso.
Notas iniciais
Lucas se levantou da arquibancada e Celina o segurou pela mão.
–Faça desse final muito divertido.
–Pode deixar, tenho minhas cartas na manga. — Lucas deu um breve sorriso.
Celina deu um beijo na bochecha do menino e voltou a se sentar, Lucas seguiu para a quadra.
–Eu peço que me espere, irei rapidamente até a enfermaria.
–Está tão cansado assim que precisa de um remedinho? — Lucas brincou.
Sieghart apenas revirou os olhos.
–Irei ver como o Ryan está.
–Sei...
O moreno saiu e não demorou muito. Ryan estava bem melhor, Lire estava cuidando dele e Arme havia voltado para a sala, Elena não disse uma só palavra e permitiu que a baixinha entrasse.
Lucas estava sentado no piso, parecia ler algum tipo de livrinho cuja capa tinha algo escrito sobre mágico ou magia, Sieghart não tentou identificar o que de fato estava escrito e foi até o menino.
–Acho que foi você quem aproveitou esse momento para descansar.
Lucas ficou de pé e fechou o livro, não escondia o sorriso travesso. O jogou para cima e o livro desapareceu, só restou um fio de fumaça azul e lilás.
–Preparado?
–Sempre estou. Pera... Sieghart parou um pouco para pensar Eu quem deveria perguntar isso, você quem deve estar preparado.
–Podemos? Lucas falou um tanto impaciente.
–Você está muito abusadinho pro meu gosto, sabia? Mas deixando isso de lado, eu quero saber uma coisa.
–Pergunte.
–Você é mágico, certo?
–Na verdade uso magia, de certa forma sou um Mágico, mas sei utilizar muito bem as habilidades de um Bruxo.
–Sim... E mais uma coisa que eu queria saber. Só se sabe magia com apenas uma coisa, você sabe qual?
–Sei, com o treinamento, pois os mágicos, bruxos, entre outros, não nascem sabendo as habilidades que têm, eles possuem a magia, mas precisam aprender e aperfeiçoar durante os treinamentos. O meu professor, Otto Bulevard, me ensinou tudo que vou transpor nesse treino e com a sua ajuda, Sieghart, eu melhorei muitos ataques e muitas defesas também, sem contar que ainda tem uma pequena surpresa para você, um truque. Não vejo a hora de começar. o menino deu um sorriso.
–Muito bom...
O professor o encarou e não disse mais nada, posicionou sua Lâmina para o combate.
–Chega de papo, hora da magia...
–Antes de você começar a conjurar e tal, eu sei que já sabe, mas mesmo assim irei lembrar. Você deve passar por mim para completar a sua arma, você tem o Estro, precisa da Lâmina para ter o Espatro.
–Eu já entendi. disse Lucas se preparando.
–Não sabia que, além da magia, você também usava a espada.
–Não sei tudo, mas a Lâmina ajuda a fortalecer e aumentar a minha defesa. O Espatro é uma das armas dos Feiticeiros, a junção da Espada com o Cetro. Eu, particularmente, me dou bem com as duas armas, nem me importo de ter apenas uma, ou a metade dela.
–Convencido... sussurrou Sieghart.
Lucas fez um movimento sutil com a mão direita, fechando de forma decrescente, do dedo mínimo ao indicador, deixando o polegar livre e logo depois o Estro apareceu em sua mão. Com o cabo negro, com alguns detalhes místicos. Não era fechado na ponta, por ser um encaixe para a Lâmina.
–Que comece o meu show. Lucas de um passo pra trás, apontou o Estro para frente na direção do professor Rictusempra!
Um pequeno raio azul, com dois efeitos: o primeiro de atingir o oponente como um soco forte na barriga, e segundo congelar temporariamente, por ser uma magia do gelo; foi lançado até Sieghart, que se defendeu com sua Lâmina, como refletiu no aço da espada, a magia voltou, mas Lucas esquivou sem problema. O moreno não esperou por outro ataque e lançou uma de suas habilidades.
–Investida Fantasma! Sieghart pôs a espada para trás e usou a força dos punhos, uma mana roxa os envolvia, parecia que todo o poder da Lâmina tivesse sido transferido para a mão do moreno, que não teve piedade e atacou, dando um belo e forte soco no menino que logo foi lançado para trás e caiu de costas no chão.
Lucas se levantou, encarou o professor e falou uma língua estranha, Ofidioglocia, a língua das cobras. Não demorou muito e sua transformação começou. Ele se transformou numa cobra. Sua visão era bem aguçada. Partiu em direção ao professor numa velocidade assustadora, rastejando pelo chão e ainda conjurando algumas palavras na mesma linguagem. Ameaçou atacar o moreno. Sieghart deu um passo para trás.
Na arquibancada, Celina e Igor se levantaram, estavam encantados e assustados com aquilo. A cobra, na qual Lucas se transformara, era majestosamente linda. O cabo negro do Estro era a pele, um negro reluzente, parecia ser uma espécie única de tão bela que era.
Lucas sibilou mais uma vez e atacou o professor, o mesmo se esquivou facilmente. O menino foi sorrateiro e passou direto pelo moreno, que tentou atacar a cobra, mas também foi atacado.
–Corte triplo!
–Reptilia Venenum (Veneno Rastejante).
A cobra jorrou uma espécie de veneno que rastejou pelo chão até alcançar Sieghart, que não foi atingido graças ao seu golpe.
Lucas foi rastejando de forma precisa até a Lâmina para completar seu Cetro. O professor ativou sua fúria para chegar mais rápido que o menino, na arma que estava dentro do gol.
Sieghart correu como um raio, mesmo se usasse sua velocidade normal alcançaria, já que a maioria das cobras não são tão velozes quanto os humanos.
Lucas chegou bem próximo à Lâmina, mas não teve sucesso para pegá-la, já que o professor parou a sua frente.
–Sino da Morte! gritou Sieghart e girou com a espada, desferindo vários cortes em todas as direções, fazendo com que Lucas voasse longe e se chocasse contra a arquibancada. A cobra começou a se contorcer, parecia estar agoniada, Sieghart queria finalizar aquilo.
O moreno correu até a arquibancada e apertou a região perto à cabeça da cobra, fazendo-a contrair-se de forma desesperadora. Lucas, ainda na linguagem dos Ofidioglotas, mandou mais uma de suas magias.
Sieghart não entendeu, ninguém conseguiu entender o que a cobra pronunciou, a cada momento o professor apertava mais e mais. Outra transformação aconteceu tão rapidamente que espantou Sieghart de tal forma, que o fez largar Lucas.
–Humagia. o menino, agora em forma de mulher, conjurou sua magia, mas sua voz saiu fraca por ter sido sufocado pelo professor.
–Mari? Sieghart não conseguia acreditar no que estava vendo, se afastou um pouco dando dois passos para trás.
Mari (Lucas transformado) começou a andar em direção ao professor, caminhava lentamente.
–Não precisa fugir de mim, eu estou aqui. a professora parou de andar e fixou seu olhar no moreno.
–V-você... Você não é real. Você é apenas uma ilusão, uma magia! o professor fechou os olhos e quando abriu Mari estava muito próxima de seu rosto.
O moreno deu um grito abafado, ficou boquiaberto.
–Eu peço que se afaste uns... Sieghart deu um passo para trás Fique uns dez metros longe de mim, por favor.
–Não posso ficar longe de você, se me atrai.
–Mari! Para de falar assim! Cadê seu jeito frio e calculista? Pera... a professora se aproximou mais e Sieghart pôs o braço para frente, para separar a distância entre os dois corpos. — Luca! Pare já com isso!
–O Lucas não está aqui, Seig. Sou eu, a Mari.
–Não! Eu não posso acreditar nisso! E fale meu nome direito! É Sieghart, por favor.
–Tá bom... Sieg.
–Lucas, não me provoque!
–Ok, então... Mari se virou e iria começar a andar, se o professor não a segurasse pelo braço.
–O que eu estou fazendo?! Sieghart perguntava a si mesmo depois de tal atitude.
Quando os olhos pratas se encontraram com os olhos bicolores de Mari, o moreno ficou paralisado. Mas o seu transe acabou quando recebeu um soco.
–Ai! o professor levou a mão até o rosto e se afastou de Mari.
A transformação cessou e Lucas voltou ao normal.
–Isso é para você aprender a não me puxar pelo braço quando eu tiver em forma da professora que o senhor goste!
–Mas o que?! Você é muito abusado! Como ousou em se transformar na Mari?!
–Achei que seria engraçado. Lucas começou a rir.
–Mas não foi.
–Bem, sendo ou não eu preciso pegar o que é meu.
–Acha que me dará um soco e sairá andando como se nada houvesse acontecido, criança?
Lucas parou de andar e olhou sério para Sieghart, sendo o mais sincero possível.
–Sim.
O professor foi mandar mais um golpe, mas Lucas foi mais rápido e congelou os pés do professor por cinco segundos, impedindo Sieghart de correr atrás dele.
–Isso foi golpe baixo. o moreno olhou para seus pés congelados Literalmente um golpe baixo.
–Transformar-me em Mari também. Então não reclame e aceite o fato de ter perdido.
–Não estou reclamando, só te enrolando para que converse comigo e esqueça a arma, até eu descongelar e te bater um pouquinho.
–Engraçadinho. Lucas continuou andando até o gol para pegar a Lâmina.
–É... Parece que você terá seu Espatro.
–Mais que merecido, não acha?
–É... Mesmo sendo golpe baixo se transformar na pessoa que eu a...
–Que você??? Fala professor. o aluno sorriu de canto.
–Nada! Pega logo o que lhe pertence antes que eu mude de ideia e corra até você.
–É verdade, você já está descongelado, poxa... Eu ainda iria brincar mais um pouquinho.
–Chega de mágicas por hoje, parabéns, você conquistou sua arma de Feiticeiro.
–Obrigado pelo treinamento. Lucas estendeu a mão para o professor, que retribuiu o gesto Eu devo essa conquista a você, Sieghart.
–Você usou bem a estratégia.
–Sim, eu sempre desconfiei que você gosta de certa professora e acabei usando isso ao meu favor. Lucas falou num tom que só o professor ouviu.
–Você usou essa magia por outro motivo, mas enfim, não espalhe isso, tá bom? Não que seja verdade, o que pode não ser e se for você também não tem nada a ver com isso, ok?!
–Sei... Pode deixar, esse segredo, que todo mundo sabe, não será espalhado.
–Eu te odeio. Sieghart deu as costas e saiu da quadra.
Lucas riu, ia falar mais alguma coisa, mas preferiu ficar calado e voltou para a arquibancada.
–Ei! Professor! Aonde o senhor vai?! Celina desceu os degraus da arquibancada e foi até Sieghart.
–Preciso buscar umas coisas, já volto. Ah! o moreno parou na porta do ginásio O treinamento acabou, só pra lembrar.
Sieghart saiu da quadra, Celina ainda permaneceu parada, tentava entender o motivo de o professor ter saído do nada.
–Gostou da minha luta? Lucas foi até a menina.
–Poderia ter surpreendido mais. Celina se virou na direção dele Por que não avisou ao professor que você só se transformou na Mari para não perder a batalha, já que, se ele continuasse te sufocando e você ainda tivesse transformado em cobra, desmaiaria?
–O que eu descobri nesse treinamento é que quanto menos o seu oponente souber sobre você melhor. Eu poderia ter avisado, mas deixa isso pra lá. E eu acho que ele já sabia disso. O importante é que, mesmo quase não aguentando e agora estou morrendo de dor nas costas pelo impacto que eu tive contra o concreto, eu consegui o Espatro.
–Então com a arma de Feiticeiro você pretende me surpreender.
–Acha que farei tudo por você? Lucas perguntou num tom debochado.
–Não. Celina começou a andar de volta para a arquibancada Eu tenho certeza que fará, comece me surpreendendo melhor no Campeonato.
Lucas não disse nada, apenas sorriu e voltou para a arquibancada também.
–Como você se sente sendo uma mulher? Sendo a professora Mari? indagou Igor enquanto o amigo se aproximava.
–Não sinto nada, apenas me transformo em uma.
–Você é meio gay, sabia?
–É melhor me transformar em mulher, do que ficar sendo uma cobra mostrando a língua.
Os três riram, mas logo pararam com a volta do professor e Ryan.
–Junte-se aos outros. mandou o professor, Ryan apenas assentiu.
–Você está melhor? perguntou Celina.
–Agora sim. Ryan sentou no terceiro degrau junto com os outros três.
–Lire cuidou bem de você, né? Igor cutucou o amigo, que o olhou sério, fazendo-o parar com a brincadeira.
Celina e Lucas riram. Sieghart chegou mais perto dos quatro alunos e forçou a tosse.
–Bom, de todos vocês, somente dois alunos conseguiram completar o treino, que foi pegar a arma e passar por mim. começou Sieghart Não pensem que eu facilitei para alguns ou dificultei para outros. Nada disso. Fui firme e rígido com cada um, enfrentei ótimos alunos e pude perceber que fiz um bom trabalho durante a trajetória do nosso treinamento. Passar por mim e pegar a arma não eram os objetivos finais. Eu queria algo a mais de vocês. Tanto que Ryan, ao lutar comigo, me surpreendeu ao dizer que o objetivo dele não era lutar. Gostei muito da luta de todos. Igor mostrou uma habilidade e agilidade incrível com os Arcos, o que não é tão fácil quanto parece. Celina foi sombria e precisa em cada ataque com as duas armas que utilizou. Ryan foi decisivo e não se mostrou com guarda baixa, fez um excelente jogo de talentos. E, para finalizar, Lucas usou suas cartas da manga. Sabendo que não iria aguentar muito tempo transformado em cobra usou sua magia para se transformar em alguém mais forte, e ele foi sábio em escolher alguém que não me derrotaria fisicamente e sim psicologicamente. Todos estão parabenizados. Espero que tudo que eu ensinei seja passado em cada luta desse Campeonato. Vocês estão prontos para saber vencer e para saber perder. E antes que eu me esqueça... Ryan e Igor, vocês terão que passar na secretaria, as armas de vocês estão lá. Vocês dois merecem tanto quanto Celina e Lucas.
Os alunos assentiram e sorriram com o que o professor disse.
–Encerramos por hoje, estão dispensados.
Sieghart saiu da quadra e os quatro fizeram o mesmo.
Enquanto isso, Mari treinava os seus alunos. Um treinamento diferente. Numa sala gigantesca, preparada especialmente para ela.
–Serei breve e direta. Esse final será diferente. Farei uma espécie de labirinto, onde vocês entrarão nos portais e sairão em algum lugar da sala, podem sair justamente na hora em que uma das minhas armas serão ativadas, ou passar pelo lugar sem sofrer danos. Vocês terão que chegar até mim. Estarei em algum canto da sala, paredes aparecerão e isso dificultará a visão ampla de vocês. Vale ressaltar que um dos portais podem levar vocês para a entrada da sala, onde estamos agora. E não, eu não estarei aqui. Como já disse, estarei em algum canto da sala e não, necessariamente, na entrada. Mari encarou cada um e entrou no portal ao lado direito da porta Este será um teste interessante...
–Com certeza terá um idiota que a seguirá e entrará no mesmo portal, pensando que irá de encontro com a professora. Rey cruzou os braços.
–É isso que ela quer que pensemos, por isso entrou no primeiro portal bem a nossa frente. Mas pode deixar, não precisa se intrometer na escolha que eu ou Yuri fizermos. Lass falou de forma bem fria e nem sequer olhou para a menina.
–É bom falar direito comigo, queridinho. Não quero fazer queixa ao seu irmão.
Lass simplesmente ignorou e entrou num portal um pouco mais a frente. Havia três, um do lado esquerdo, um no lado direito da porta e mais um a frente da mesma.
Rey pensou em seguir no mesmo portal que do albino, mas acabou optando pelo do lado esquerdo. Yuri não abriu a boca para falar uma só palavra. Adentrou o mesmo portal que Lass. Imaginou que encontraria o menino, mas foi surpreendido, pois o portal o levou para um canto da sala escuro e não tinha ninguém, Yuri deduziu que entrando no mesmo portal não iria para o mesmo lugar. Logo ele avistou uma pequena luz, que foi se aproximando de forma rápida, ele tentou entrar novamente no portal, mas parecia que aquele não o levava de volta, provavelmente o que o levaria para outro lugar da sala estava mais a frente.
Yuri invocou um Leopardo, já que ele tinha a força dos Felinos Selvagens da Natureza.
–Instinto Veloz!
Quando o animal começou a correr, o menino também começou a correr numa velocidade absurda. Acabou passando despercebido pelo ataque Arrasador da Mari. Que foi programado para atingir logo que alguém entrasse naquela parte da sala. Yuri chegou ao outro lado da sala e entrou no postal.
Rey chegou numa parte onde havia dois Campos Eletrônicos encostados nas paredes.
–Eu posso passar tranquilamente pelo meio, que professora tolinha, esse treinamento está sendo mais fácil que todos os outros. Isso sim é uma perda de tempo. reclamou a menina começando a andar, mas parou ou perceber que, em momentos aleatórios, o campo de energia aumentava, juntando os dois e impedindo a passagem no meio É... Até que essa professora não facilitou muito as coisas... Preciso usar meu vortex, teletransporte, com exatidão.
Rey estava indo bem até quase a metade da sala. Ela parou e analisou o caminho restante após quase ter sido acertada por um dos campos. Não havia apenas dois campos eletrônicos, havia muito mais tanto nas paredes quanto no teto, o que a surpreendeu.
–Agora sim isto está ficando interessante...
Rey tentou mais uma vez, porém, não teve tanto sucesso, pois um dos Campos aumentou sua potência. A menina novamente recuou.
–Droga! Esse joguinho de labirinto é mais irritante que o James. Hum... Rey pôs a mão no queixo pensativa James pode quebrar um desses Campos Eletrônicos. Para isso aquele imprestável serve, ele é bem fortinho, me ajudaria bastante.
Mari apareceu no final daquele canto da sala, fazendo a menina parar com seu pensamento.
–Eu peço que se apresse um pouco mais. Gostaria de terminar este jogo logo.
–Mas que abuso! Rey aumentou seu tom de voz E, caso não percebeu, você está na mesma sala que eu, logo, ganhei esse treinamento idiota, pois te achei.
–E quem disse que nesse treinamento terá vencedores? E, para a sua informação, você não me encontrou, eu simplesmente apareci.
–Que seja! Agora me diz como eu passo por esses Campos?
–A superior não consegue? Que lástima.
Mari nem deixou que Rey falasse mais alguma coisa, entrou no portal e foi para em outro lugar.
Yuri conseguiu entrar em outro portal e parecia que naquele canto não havia nada. De repente Mari apareceu. Estava de Polaris. Ela começou a criar Caixas Maquinarias.
–Criando mais um portal? indagou Yuri, tentando entender o que a professora estava fazendo.
–Se fosse um portal eu não pararia no lvl 2, não acha? Mari se levantou e um canhão vermelho surgiu atrás da Caixa. Esse canhão atira três vezes, duas em curta distância, a terceira vez é certeiro.
–Oh-oh.
–Boa sorte.
–Tá bom. Velocidade Animal! o menino fez surgir uma Pantera Negra.
No primeiro tiro o felino passou sem dificuldade, ou seja, Yuri também, já que o que o animal faz, o menino faz também.
No segundo tiro a Pantera parou bem na hora e o tiro explodiu a sua frente, mas não a atingiu, muito menos Yuri, que parou ao lado do felino.
–Pelos meus cálculos... Isto é... Impossível!
–Não para mim. Yuri falou num tom diferente e a Pantera mostrou suas presas como modo de ataque, mas ainda restava a última bola do canhão.
Mari não esperou para ver o resultado, entrou novamente no portal e sumiu. A bola do canhão foi em direção a Pantera que abriu sua boca e mostrando suas presas mais uma vez, pois se sentiu ameaçada. O tiro realmente foi certeiro parando bem a frente de Yuri e da Pantera. A mesma não perdeu tempo e nem esperou que a bola explodisse, deu um salto incrível, fazendo Yuri pular também para o outro lado da sala, houve a explosão, mas nenhum dos dois fora atingido.
No outro lado da sala, em outro canto, Lass encontrou um pequeno botão no meio do chão.
–O que será? o menino coçou a nuca Se eu não apertar, nunca saberei o que é. E também não vejo nenhum portal aqui. o albino andou em direção ao botão, respirou fundo e quase apertou, não concluiu tal feito, pois ouviu algo e olhou para ver o que era.
–Raio do Caos! Mari apareceu no final da sala e um canhão destrutivo disparou um raio, o canhão era segurado por um Power Ranger vermelho e um Power Ranger amarelo.
–Mas o que?! Lass só teve tempo de pronunciar tal frase e se abaixar.
Ele ficou deitado no chão, tentou esticar seu braço para apertar o tal botão, mas estava um pouco longe, tentou se arrastar, mas aparecia que algo o segurava pelo pé.
–Ei!
–Você não irá apertar esse botão. disse um pequeno robô criado por Mari.
–Então o botão abre outro portal. É isso! concluiu Lass, que esperou que o raio cessasse e ele pudesse se levantar, mas parecia que aquele raio nunca acabava, o tal robô ainda o segurava, Lass então deu um chute e a máquina foi de encontro com a parede Eu posso sair daqui e me guiar pelas paredes, pulando de uma para a outra, essa é a vantagem de ser um ninja. pensou o albino ameaçando se levantar.
–Você tem vinte segundos para levantar daí, ou, com a potência do raio que sai do canhão, irá explodir tudo. avisou Mari.
–Então eu terei que distrair um pouco seus Power Rangers.
–Como?
–Se eles ficarem muito tempo parados em uma posição só, o local explodirá mais rápido que vinte segundos. Veja se consegue acompanhar meu ritmo. Lass rolou para o lado, encostando-se a parede, levantou-se e deu um impulso pra pular para o outro lado.
O raio do canhão começou a segui-lo, mas o albino teve sucesso, pois não fora atingido, os raios cessaram. Como Lass havia pulado em zig-zag entre uma parede e outra, acabou chegando perto da professora.
–Você ainda não apertou o botão. Sete segundos.
Um robô foi na direção de Lass, o mesmo mandou um golpe que o quebrou no meio.
–Corte Impactante!
Quando ele se virou Mari havia sumido, com certeza criou um portal. Uma luz vermelha, como de alarme, ficou piscando sem parar.
–O que? Lass não havia entendido, até ouvir uma voz.
–Três.
–Ah tá. — ele correu até o botão.
–Dois.
Lass socou o chão apertando o botão e o alarme parou, a luz vermelha cessou e o lugar ficou completamente escuro.
–Essa foi por pouco, bem pouco. o albino parecia ofegante, olhou ao seu redor, mas não enxergava nada.
Enquanto isso, Rey analisava o momento em que os Campos aumentavam sua potência e quando ficavam normais.
–O Campo do lado direito é o último a ficar com a eletricidade alta, logo, devo quebrar o do lado esquerdo que fica com a voltagem mais rápida. pensou a menina James! Rey deu um assovio e o senhor logo apareceu.
–Sim, madame.
–Cala a boca, James. Quero apenas que faça um pequeno serviço para mim.
–O que deseja?
–Poder do Mordomo!
James deu um formidável soco no Campo Eletrônico do lado esquerdo, mostrando todo seu poder, quebrando o Campo em pequenos pedaços, logo depois houve uma explosão abismal que jogou o mordomo contra a parede.
–Imprestável. reclamou Rey.
James simplesmente desapareceu dali. Com o caminho livre, a menina conseguiu, finalmente, passar por ali, mas ela quase foi pega de surpresa, pois o chão havia sido aberto, a sorte foi que ela parou antes.
–Isso é o melhor que pode fazer? Rey deu um sorriso debochado e começou a flutuar, passou pelo buraco sem nenhuma dificuldade.
Um robô surgiu, mas a menina já estava prepara. Invocou uma Gárgula, a mesma congelou o robô. Assim, Rey entrou no portal e apareceu numa sala completamente escura.
–Esse joguinho está me cansando. murmurou para si mesma.
Yuri, que havia entrado num portal, parou num canto da sala gelada, as paredes pareciam gelo.
–Que frio... sussurrou o menino, cruzando os braços para se esquentar.
Mari apareceu do outro lado.
–Zero Absoluto! logo depois a professora sumiu em meio os grandes pedaços de gelo que caiam.
–Força do Rei! gritou Yuri, invocando um Leão.
O animal rugiu e parecia que a queda do gelo ficou devagar, Yuri aproveitou essa oportunidade e correu na mesmo velocidade do Leão e chegou até o outro portal, acabou indo para uma sala totalmente escura.
O Leão já havia sumido, Yuri começou a olhar ao seu redor.
–Agora seria muito bom ter a visão de uma águia...
Lass ouviu alguma coisa.
–Quem falou isso? perguntou o albino.
–Eu! Yuri!
–Nossa, nunca fiquei tão feliz em saber que tinha alguém conhecido numa sala.
–Lass? É você? indagou Rey.
–Sim.
–Uau, acabamos entrando na mesma sala. concluiu Yuri.
–É... Até que vocês dois tiveram sorte em passar pelos testes da Mari. Pensei que só eu conseguiria.
–Não foi nada fácil. Yuri começou a andar pela sala para tentar encontrar os outros dois.
Acabou esbarrando em Rey.
–Ei! Olha por onde anda, queridinho.
–Desculpa.
–Não encoste mais em mim.
–Tá bom... o menino se afastou um pouco.
Como já havia passado algum tempo que os três estavam ali, eles acabaram se acostumando com aquele breu. Lass se aproximou dos dois.
–Será que essa luz não será mais acesa? Rey parecia bem impaciente.
–É melhor que não. Se alguma luz for acesa, não enxergaremos nada e ficaremos com uma baita dor de cabeça, por um determinado tempo. avisou Lass.
–É... Você está certo, pelo menos também é inteligente como o irmão.
–Rey, não começa. o albino quis logo mudar de assunto Yuri, qual é o seu poder?
–Eu tenho a força dos Felinos Selvagens da Natureza. Leopardo, Pantera, Leão, Onça e por aí vai.
–Interessante... Tudo o que eles fazem, você também faz? Tipo, correr tão rápido como um Leopardo?
–Sim, mas se eles se ferirem, eu também sentirei a dor.
–Ah... Legal.
–Valeu.
–Esse papinho está sendo um saco. reclamou Rey.
Yuri revirou os olhos e ignorou o que a menina disse, Lass também não se importou. Uma luz bem fraca surgiu no final do lugar onde eles estavam.
–Fechem os olhos. avisou Lass.
Os três ficaram de olhos fechados e a luz só foi aumentando. Não demorou muito e a sala estava completamente acesa, voltara a seu estado normal.
–Muito bom. começou Mari, parada em cima de um portal Os três passaram pelo teste, muito bom mesmo.
–Então o treinamento acabou?
–Não, Yuri, vocês ainda farão o último teste. Está acontecendo tudo conforme o planejado.
–Só espero que seja algo que me chame atenção, nada de robozinho.
–Pode deixar, Rey, agora testarei o psicológico de cada um.
A professora construiu três portais com as Caixas Maquinarias de level 3.
–Vocês terão trinta segundos para saírem dessa sala antes que todas as luzes se apaguem e o treinamento seja encerrado. Cada um escolherá um portal. Na próxima salinha que entrarem terá mais três portais, e aí vocês escolherão um apenas, que pode fazer com que você saia da sala, ou que te leve para um lugar vazio, onde você ficará preso até acabar o treino, ou que te leve para outra sala com mais três portais. Entenderam? Tudo isso em tempo limite de trinta segundos.
–Até minha Mary Bastião entenderia. Rey se gabou.
–Professora. chamou Lass Estamos na entrada da sala?
–Bem observado, estamos sim. Bom, agora é só vocês entrarem nesses portais e contarem com a sorte.
Os três foram para os portais, cada um entrou e parou numa sala qualquer. Assim como Mari disse, nas salas havia mais três portais. Lass optou pelo segundo portal, Rey escolheu o primeiro portal e Yuri acabou, na sua sala, indo pelo primeiro portal também. Mas ninguém parou na mesma sala.
–Droga! Yuri lamentou ter ido para uma sala vazia.
Rey acabou parando numa sala bem gelada com mais dois portais, entrou no segundo e acabou indo para a sala anterior que estava, onde tinha os três portais.
–Ai, que confusão! Isso já está me dando nos nervos! James! a menina assoviou e chamou o mordomo Entre no terceiro portal que eu entrarei no segundo, isso parece um labirinto sem saída.
–Sim, madame. James fez o que Rey pediu.
–Vai logo!
Ele acabou indo para uma sala completamente branca e sem portal para voltar. Rey parou numa sala em que o chão se desfazia em determinados pontos.
–Acho melhor nem seguir em frente, voltarei para a minha sala e entrarei no mesmo portal que o imprestável do James! Rey voltou e entrou no terceiro portal, acabou indo para a mesma sala vazia.
–Madame, acho que essa não era a sala correta.
–Ah! Maldita Mari! a menina gritou irritada.
Lass entrou no primeiro portal da sua sala, acabou indo para um lugar onde todas as paredes começaram a fica vermelhas e a piscar freneticamente.
–Onde está o outro portal? o albino olhou ao seu redor e encontrou no outro lado da sala.
Quando ele começou a corre, alguns disparos de balas, tiros para ser mais exato, saíram das paredes. A luz vermelha só aumentava e uma voz foi ouvida pelos três.
–Contagem regressiva!
Lass começou a correr, mas parava toda hora por causa dos tiros.
–Dez.
–Droga!
–Nove.
O albino continuava correndo e se aproximava mais.
–Oito.
Ele acabou sendo acertado por uma bala e caiu no chão.
–Sete.
–Ai! Lass ficou sentado e pôs a mão na ferida, o tiro passou de raspão na sua perna.
–Seis.
Nas outras salas, Rey ficou reclamando toda hora, James apenas a ouvia e nem ousava em intervir nas reclamações.
–Cinco.
Yuri invocou mais uma vez o Leopardo que ficou caçando alguma saída.
–Quatro.
Lass se levantou, mas estava mancando.
–Três.
–Eu consigo, eu consigo! o albino falava para si mesmo.
–Dois.
Lass tentou correr e quando estava perto do portal, teve que se jogar no chão para não ser atingido novamente.
–Um.
Ele se levantou e correu, mas quando chegou no portal as luzes vermelhas, que estavam na parede, cessaram.
–Zero.
As salas ficaram escuras novamente. As paredes que dividiam o local abaixaram. Mari apareceu no centro da sala e as luzes foram acesas novamente.
–Agora sim dá pra ver que essa sala é gigante. Yuri deu uma boa olhada a sua volta.
Sem as paredes, a sala se tornou um lugar só, todos poderiam se ver.
–Não houve vencedores.
–Rey, eu já havia dito que esse teste não tinha vencedores.
–Mesmo assim, ninguém conseguiu sair dessa sala.
–Não conseguiram, porque não souberam usar a mentalidade.
–Eu quase consegui entrar no portal que me levaria para fora da sala. disse Lass.
–Na verdade não, aquele portal te levaria para uma sala vazia.
O menino ficou um pouco surpreso e não disse mais nada.
–Eu entrei em todos os portais e nenhum me levou para a saída. Rey falou um tanto intrigada.
–Na verdade você teve ajuda. Mari encarou a menina. Por isso entrou em todos os portais em trinta segundo.
–Como sempre, você acaba tendo a atenção de todos pelo que faz e sendo patética. Lass começou a rir da asmodiana.
–Como ousa rir de mim?! Rey fitou o garoto Mas quer saber, você não é nada, então não perderei meu tempo discutindo com um Isolet que não tem um passado decente.
–E você tem, Rey? rebateu Lass.
–Nem sei como Lupus se diz seu irmão.
–Eu que não sei como ele te suporta.
Yuri apenas observava tudo e o Leopardo também, o menino não parecia se importar com aquela briga, mas o animal não estava gostando muito e mostrou suas presas e suas garras para Rey e Lass. Os dois acabaram olhando espantados para o felino.
–Parem os dois! a professora finalizou a conversa E... Obrigado Leopardo por ter feito os dois calarem a boca.
O animal fez um gesto de reverência, abaixando as duas patas da frente e a cabeça, logo depois desapareceu. Mari sorriu com a cena.
–Professora, pode nos dizer quais eram os portais certos? indagou Lass, mudando o rumo do assunto.
–Claro.
Os três esperaram pela resposta.
–Nenhum portal.
–Como assim? Yuri tentou entender.
–Vocês estavam na entrada da sala, como havia sido bem observado por Lass, logo, não precisavam entrar nos portais para saírem, era só abrir a porta.
–De fato. disse Lass pondo a mão na cabeça Não acredito que fiquei tão obcecado que nem pensei um pouco na possibilidade mais óbvia.
–Fora esse pequeno mal entendido, eu gostei muito do nosso último treinamento. Pude observar melhor as habilidades de cada um. Este experimento foi concluído.
Mari saiu da sala, sendo acompanhada pelos três alunos que saíram em silêncio, parecia que eles estavam esperando mais alguma coisa da professora, a mesma entendeu o recado.
–Fiquei muito feliz, pois treinei excelentes alunos.
Yuri e Rey sorriram, Lass permaneceu sério, mas estava muito feliz por dentro, só não demonstrou e Mari ficou satisfeita com o resultado do seu treino.
Antes das aulas acabarem, ainda tinha mais dois treinamentos. Um no campo de Futebol e outro no ginásio. Como o treino do Sieghart já tinha terminado, Elesis e Ronan chegaram à quadra e não viram o professor.
–Cadê o Zero? indagou a ruiva, já impaciente.
–É... Ele não é de se atrasar. Ronan estranhou.
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