Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
56 Eliminatórias
Notas iniciais
Zero ia começar a atacar Sieghart, quando o mesmo o interrompeu.
–Espera! Você vai mesmo lutar como um Insurgente? Não pensei que estava levando a luta a sério.
–Eu levo toda luta a sério. – Rebateu Zero.
–Bem, bem... Acho que como um General eu darei conta de animar a plateia.
–Eles já estão acostumados com isso, sempre tem algo que faz com que a “plateia” se anime e se disperse do que acontece longe de seus olhos... Enfim, não atrapalhe mais a luta, eu quero sair logo daqui, odeio olhares em minha direção. – Disse Zero friamente.
–E quem disse que esses olhares são para você, Zero? Há! São para mim, é claro!
Sieghart estava irritando Zero profundamente e o professor nem deixou o moreno falar mais alguma coisa, pois logo o atacou, dando início a apresentação.
–Perdição Brilhante! – Gritou Zero, lançando uma espécie de globo que prendeu Sieghart dentro do mesmo. O moreno ficou surpreso com o ataque e mais surpreso ainda quando espinhos surgiram e começaram a atingi-lo.
Sieghart caiu no chão ajoelhado, bem arranhado e com o rosto sangrando.
–Eu disse que queria terminar essa luta logo. – Zero nem havia usado a Espada, só com magia mesmo.
Mari fixou seu olhar em Sieghart, não estava acreditando que em apenas um golpe ele iria dar a luta por encerrada. E, num movimento sobressaltado, Sieghart mostrou que a luta não havia acabado, pois lançou um golpe, ainda ajoelhado. O que deixou a professora com um sorriso discreto no rosto.
–Arma em Ascensão! – Sieghart se levantou junto de suas Espadas, dando um grande show de luzes roxas. Zero estava preparado para qualquer golpe e, por isso, conseguiu desviar com sucesso – Esperto... Mas não tanto quanto eu.
O moreno ativou sua fúria, seus olhos mudaram drasticamente, uma magia sobrenatural envolveu seu corpo.
–A luta está cada vez mais interessante... – Murmurou Zero, empunhando a Grandark – Víbora!
Zero usou a Espada para empurrar o professor a sua frente, mas Sieghart foi bem veloz e deu um salto para trás, assim Zero não finalizou o golpe com a Grandark.
Sieghart correu em direção ao Insurgente e começou a cortar o ar, Zero desviava com muita agilidade, o moreno começou a usar mais força, até que acertou o braço do professor com quem lutava. Os dois estavam com os equipamentos que os alunos usariam na luta, por isso também sentiam a roupa pesar. Mas a luta estava tão séria, que o peso era um simples detalhe despercebido por ambos.
–Que tal lâmina contra lâminas? – Perguntou Zero, usando “lâminas” no plural, já que Sieghart usava duas Espadas.
–Boa sorte... – Sieghart sorriu de forma sarcástica.
Um show de lâminas começou em meio a Arena. Zero com sua Grandark e Sieghart com as Espadas, os dois eram bons no que faziam, a luta estava bem equilibrada. Faíscas saíam da colisão entre as lâminas.
–Isso está cansando... – Murmurou Zero – Impacto Grandioso! – Ele deu um “pisão” no chão, fazendo surgir espinhos do solo e atingindo, em cheio, Sieghart, que tombou para trás.
–Seus ataques são gentis como a brisa do mar. – Disse Sieghart, se levantando, num tom irônico.
–Obrigado pelo elogio... – Zero deixou escapar um sorriso de canto.
–Eles estão passando do limite permitido, Diretora Lothos. – Avisou o Diretor da outra escola.
–Não, eles estão apenas representando a bela luta que os alunos farão, ou você acha que as disputas serão simples e sem emoção? – Lothos não havia gostado do que o outro Diretor falou e rebateu.
–A senhora está certa, mas...
–Quando a luta realmente passar do limite, eu mesma intervirei. –Lothos antecipou-se.
O Diretor não disse mais nenhuma palavra. Enquanto isso, Sieghart havia levantado rapidamente, sua fúria ainda estava ativada, o que proporcionou seus golpes com uma rapidez sem igual, Zero não ficava atrás, defendia-se com a Grandark.
O Insurgente criou uma barreira com magia verde em volta de seu corpo, então, assim que Sieghart se aproximou, a barreira o impediu de atacar Zero, jogando-o para trás.
–Usando muita magia, não acha?
–Eu só quero acabar com a luta, mas você é persistente. – Zero falou de forma impaciente, sem tirar sua expressão séria do rosto.
–Como isso é chato... – Provocou o moreno, querendo pausar a luta para poder respirar um pouco, já que a roupa estava se tornando um incômodo, pois pesava assim como a de Zero, mesmo ele não deixando transparecer cansaço.
–O que é chato? – Zero não entendeu.
–Você achar que pode me vencer, hahaha. – Sieghart começou a rir.
–E você tem certeza de que quer continuar a lutar comigo? Porque eu acho que eu vencerei essa disputa, não você. – Zero também provocou.
–Então tá... Vamos ver quem ganha!
Os dois colocaram suas espadas para frente de seus corpos. Lothos se levantou da cadeira que estava sentada. A arquibancada ficou em um silêncio assustador. Era possível ouvir o encontro das lâminas antes dos professores finalizarem seus golpes.
–Eles não vão...? – O Diretor também se levantou.
–Vão. – Afirmou Lothos já sabendo o que Zero e Sieghart iriam fazer, até mesmo os golpes que usariam.
–Você quem pediu... – Disse Zero ofegante – Agora verá a minha força oculta! Oblívio!
–Punição Mortal! – Sieghart nem esperou o golpe de Zero se concretizar e lançou o seu também.
A Arena em que os dois se encontravam ficou numa coloração extraordinária, um verde junto do roxo, algo incrível aos olhos de todos que assistiam, até os alunos ficaram encantados com a proporção que os golpes tomaram. Uma luta realmente fantástica. Um ataque mortal com um círculo cheio de cortes rápidos que terminou com uma poderosa explosão se juntou com os espinhos que surgiram no chão com o intuito de afastar o inimigo com o poder da Grandark. Nem parecia que o Zero estava ali naquele momento da luta, parecia que estava dominado pela força de sua espada. E, como Lothos percebeu isso, a luta foi dada por encerrada pelo juiz.
Zero e Sieghart estavam ajoelhados no solo, ofegantes e exaustos, já que o golpe atingiu ambos. Lothos foi até eles.
–Eu pedi que fosse apenas uma demonstração. – Disse ela num tom frio – Obrigado pela bela luta que tiveram, mostrando o potencial do Campeonato e dos treinadores que foram.
Os dois a olharam um tanto pasmos com o que a diretora dissera.
–Creio que a roupa está pesando mais do que deveria com os golpes que usaram, querem ajuda? – Ela estendeu a mão para Zero e depois para Sieghart.
–Obrigado. – Disseram os dois professores já de pé.
Todos da arquibancada aplaudiram a incrível luta de apresentação que viram. Aquela luta mostrou que o Campeonato não seria brincadeira. Lothos recebeu o microfone e começou a falar.
–Acho que não deixou dúvidas de que os alunos que lutarão hoje estão bem treinados. Com essa apresentação, eu afirmo agora que o Campeonato oficialmente deu seu ponto inicial. O primeiro grupo, o Grupo A, começará imediatamente as eliminatórias. A primeira disputa será entre: Ryan e Dason. A segunda luta será entre: Lass e Nicols e, para finalizar, a terceira luta será entre Yuri e Samuel. Já temos um finalista que irá lutar nas semifinais, o Thiago, que conseguiu, por mérito próprio, mostrar na sua escola que era capaz de vencer o Campeonato e, por isso, já está classificado. Sem mais delongas, a primeira dupla já pode subir na Arena.
Lothos saiu da Arena e deixou o Juiz dar prosseguimento ao Campeonato. Ryan e Dason não demonstravam nervosismo, mesmo estando bem ansiosos.
–Bem... — Começou o Juiz – Antes de tudo, a roupa que estão usando, como já foi dito, irá pesar conforme os golpes recebidos, então... Quando um de vocês caírem no chão, a luta se dará por encerrada. A luta será justa e sem golpes baixos. Boa luta aos dois.
O Juiz saiu da Arena e os alunos se encararam. Dason começou a luta dando um tiro certeiro com seu arco, Ryan foi ágil e se esquivou. O menino continuou com tiros de flechas freneticamente, impossibilitando que Ryan saísse ileso, ele tentava e conseguia se defender com seu Machado (arma que decidiu usar na primeira luta). Dason parou de atirar, mirou seu arco para cima e depois olhou para Ryan sorrindo, como se tivesse feito com que Ryan se dispersasse da luta, preocupando-se em não ser atingido pelas flechadas que atirara anteriormente.
–“Ele me pegou direitinho, mas não vai conseguir concluir o que planejou...” – Ryan pensava ao analisar o que Dason estava fazendo.
Como uma chuva, flechas desciam do teto numa velocidade estrondosa, sendo mais um golpe surpresa de Dason.
–Putz! – Exclamou Ryan assustado, mas não se deixou abater e logo teve uma ideia.
Transformou-se no Lobo Laranja e uivou alto e forte, correu em zig-zag para não ser atingido, se esquivou de muitas flechas, mas não teve tanto sucesso, pois se feriu com algumas, mas o Lobo era resistente, além de possuir uma defesa incrível. As flechas foram meros incômodos para ele. Retirou as que estavam cravadas em seu braço e costas, grunhiu um pouco de dor, mas logo olhou para Dason, que se preparava para atacar novamente, entretanto o Lobo foi mais rápido e deu uns cortes para atacar o menino, que foi se defendendo com o arco.
–Pensou que me pegaria fácil? – Perguntou Ryan, voltando à forma humana.
–E não peguei? – Indagou Dason com tom irônico. Ele se afastou um pouco, dando sua última flechada, pois pensava que Ryan não conseguiria desviar dessa, já que foi um ataque surpresa e imaginou que a luta estava ganha.
Com o instinto animal que habitava em si, Ryan acabou surpreendendo Dason, segurando a flecha. O que machucou um pouco sua mão devido à força e a velocidade que a flecha causou já que vinha em sua direção.
–Não, você não me pegou. – Ryan olhou para Dason e correu em sua direção. – Fúria do Titã!
Dason foi arremessado para cima e nem teve chances de reagir e se defender, depois caiu de mau jeito, impossibilitando-o de voltar para a luta. Ryan venceu a primeira disputa classificatória. Ao terminar, ele olhou para Lire e mandou um beijo para ela. A menina estava feliz ao ver que seu namorado havia passado pela eliminatória. Sentiu-se aliviada com isso, Ryan também estava assim.
Dason saiu da Arena, um tanto machucado e o Juiz anunciou os próximos alunos que lutariam.
Lass entrou na Arena e começou a luta já provocando Nicols.
–É bom não tentar fazer muito alarde, quero terminar logo essa luta.
–Pois bem... Já que o apressadinho quer que a lute termine rápido, farei sua vontade, mas não reclame. – Rebateu Nicols com tom de indiferença e um olhar sério.
–Hahaha! Como você é patético... Não irá me vencer, se é o que está pensando.
–Não sou de pensar... Sou de agir. – Nicols encarou o albino e sorriu, Lass apenas o observava – Nevasca!
O local da luta começou a ficar gélido, pequenos blocos de neve caia de forma gradativa, um vento fortíssimo começou a empurrar Lass para fora da Arena.
–O que? – Lass não estava acreditando naquilo.
–Esqueci-me de lhe informar que não estou aqui para brincadeiras... – Nicols mantinha seu olhar sério.
–E quem disse que eu gosto de brincar? – Lass tentou andar em direção ao seu oponente, mas a nevasca, que estava se formando e aumentando sua força, o impedia de caminhar. – Isso não estava nos meus planos... Mas terei que usar a minha habilidade se eu quiser permanecer no Campeonato... – Murmurou Lass.
Lass pôs o antebraço na frente de seu rosto, para proteger-se do vento gelado. O frio já estava sendo um incômodo e Lass teria que fazer alguma coisa, já que mal conseguia chegar perto de Nicols e este ria da situação do adversário.
–Haha! Depois eu sou o patético! – Disse Nicols, demonstrando superioridade.
–Não me afronte, seu verme!
Nicols não gostou da ofensa e atacou Lass, além da nevasca atrapalhando o garoto, Nicols iria tentar acabar logo com a luta. Mas parecia que Lass já havia pensado em tudo e que a provocação foi só um meio de atrair o seu oponente. Lass escolheu a Alfanje para a sua primeira luta, o que o ajudou muito.
–Cuidado para não cair numa armadilha... – Alertou Lass.
–Você mal consegue se aproximar de mim, devido a força da nevasca e acha que tem condições de me vencer?
–Eu não disse nada disso... – Lass o olhava e sorria sarcasticamente.
–Já chega! Esfera de Gelo! – Nicols lançou, com a mão direita, uma bola na direção dos pés do Mercenário.
Lass foi rápido e preciso e, antes que a esfera o atingisse, ele mandou seu golpe, o primeiro e último daquela luta.
–Lâmina Afiada!
Lass se transformou em uma fumaça contornada e correu para frente numa curta distância, mas que alcançou Nicols, já que ele foi em direção ao albino. Lass golpeou o menino e o deixou sem saída para se defender, pois prendeu Nicols por um raio enquanto Lass se teleportava de volta para a sua posição original.
–Eu disse que o patético era você... Mas até que a luta foi bem mais emocionante e gelado do que imaginei. – Disse Lass, saindo da arena sem ao menos olhar para Nicols.
Sieghart estava feliz ao ver que Ryan tinha passado pela primeira fase, e foi falar com Mari.
–Acho que ganharei a aposta... – O moreno riu.
–Eu não teria tanta certeza, seu tolinho... Ainda não estamos na final. E só irá ganhar caso o seu pupilo vença o Grupo A.
–Mas o combinado não foi esse. – Sieghart cruzou os braços.
–Mudanças de plano, já que o prêmio foi você quem decidiu, a forma da aposta eu que decido. Aliás, Lass também passou para a final, torça para que no sorteio das duplas finalistas não caia Ryan e Lass... – Mari saiu dali e foi se concentrar com seus alunos.
–Ah Mari... – Sieghart suspirou pesado – Você ainda irá dizer que me ama...
O Juiz esperou algumas coisas pendentes serem resolvidas e logo anunciou a última dupla do Grupo A: Yuri x Samuel.
Yuri se preparava para o confronto, ele encarava Samuel como se o analisasse.
–É bom ter uma visão do vencedor da luta. – Samuel riu do seu próprio comentário.
–Eu não teria tanta certeza de que você ganhará. – Yuri não sorria e muito menos parava de encarar o adversário.
O Juiz sinalizou o início da luta. Samuel deu um golpe com a sua espada pela lateral esquerda, deixando um fio de luz prata bem reluzente. Yuri conseguiu se desviar.
–Deixa eu te mostrar como um verdadeiro ninja age em uma luta. – Yuri ficou invisível e correu em círculos pela Arena dando cortes com as duas adagas, e isso pesava a roupa de Samuel.
–Isso está sendo estressante... – Murmurou Samuel, tentando se focar onde Yuri estava, já que não dava para vê-lo. Mas podia senti-lo e usou esse sentido ao seu favor. Pensou que o menino estava a sua frente e colocou o pé. Mas foi em vão.
–Haha! – Riu Yuri, parando ao lado do seu oponente e o empurrando, fazendo-o cair no chão.
–Droga! – Samuel não mediu esforços e, mesmo caído no chão, deu um chute em uma das pernas de Yuri, que caiu de joelhos.
Os dois se levantaram e se encararam. Samuel limpou o suor que estava em seu rosto e começou a dar cortes no ar para distrair Yuri, que acabou caindo na armadilha.
–Visualize o golpe do vencedor! – Samuel deu um giro rápido de 360° e finalizou com um corte no braço do menino, sua roupa pesou e ele fazia de tudo para permanecer de pé, usou suas adagas para impedir que Samuel o golpeasse mais.
Mas não teve muita sorte, Samuel mandou uma de suas habilidades, imobilizando Yuri e terminando a luta com um corte gradativo e um chute no abdome de Yuri, o fazendo cair no chão, derrotado.
Os finalistas já estavam decididos no Grupo A, sendo eles: Ryan, Lass, Thiago e Samuel. Lothos e o Diretor da outra escola fariam o sorteio para definirem as duplas depois.
–Depois dessas lutas impressionantes, iremos para o Grupo B, em que se enfrentarão: Aldren e Vini, sendo a primeira dupla. Logo depois Lupus contra Marlon e Diogo e Willian para finalizarmos. Há também, nesse grupo, um finalista da outra escola, o Lian, que, assim como o Thiago, já está classificado para as semifinais. Por favor, a primeira dupla para a Arena. – Disse Lothos, saindo da mesma.
Elesis, como Aldren, subiu encarando o seu adversário, como o equipamento era longo, não dava para ser reconhecida, além de o elmo usado tampar o rosto, deixando a mostra apenas os olhos vermelhos da menina.
A luta havia começado e Vini estava dando cortes brutais em Aldren (Elesis), que se defendia com sua espada.
–Estou cansada de ficar na defensiva! – Gritou a ruiva.
–Cansada? – Indagou Vini, confuso.
Elesis parou seu golpe, havia esquecido esse detalhe, de que era um menino e que tinha de se comportar como tal.
–Você entendeu o que eu quis dizer, muleque!
Elesis não esperou alguma resposta e apenas atacou, dando um corte vertical no braço de Vini, que sentiu seu equipamento pesar. Mas ele não ficou por baixo, começou uma luta mais próxima, fazendo as duas espadas dançarem no ar, soltando faíscas e encantando todos que viam a luta. As duas espadas reluziam com a luz da Arena, era coisa de outro mundo.
Elesis estava impaciente, queria terminar logo a luta, por mais bonito e impressionante que estava sendo a colisão das duas armas, ela precisava terminar logo aquilo.
–Foi um prazer lutar com você, Aldren. – Vini surpreendeu a ruiva, dando um giro e levando a espada para frente, com a intenção de dar seu último golpe da luta.
Mas a ruiva teve um reflexo preciso e conseguiu dar um passo para trás, a lâmina da espada de Vini passou raspando na roupa de Elesis, mas como não a atingiu em cheio, sua guarda ficou baixa e, assim, Elesis finalizou a luta.
–Fúria Selvagem! – A espada da ruiva foi com toda a força perfurando seu adversário, sem chances de defender-se.
O menino sentiu sua roupa pesar muito e caiu de joelhos no chão.
–O prazer foi todo meu em lutar com você... – Elesis saiu da arena com um sorriso vitorioso – Estou mais próxima de você, Lupus...
–Parabéns, Elesis. – Cumprimentou Jin, ao ver a irmã saindo.
–Não me chame de Elesis, alguém pode ouvir.
–Tá bom... Mas parabéns mesmo assim. – O ruivo a abraçou.
–Valeu. Agora desgruda.
Elesis desfez o abraço e olhou ao redor, parecia procurar alguém.
–O Ronan foi falar com a Amy... – Disse Jin num tom decepcionado, ele percebeu quem a ruiva procurava.
–E-eu... Eu nem estava querendo saber aonde o idiota azul foi, ora! – Ela resmungou, mas o fato era que Elesis queria mesmo saber onde Ronan estava, e não ficou muito feliz em saber que ele foi falar com a Amy – Eu vou sair um pouco para espairecer, quando te chamarem eu volto, tá bom?
–Só não some. – Disse Jin.
–Pode deixar, chato. – Elesis riu e saiu dali.
O Juiz anunciou a segunda dupla. Lupus subiu na Arena e encarava seu oponente de forma fria e mortal. O Juiz deixou os dois e saiu.
– Devo fechar meus olhos e contar até dez antes de começar? – Provocou Lupus.
–Haha, acha que sou qualquer um que irá facilitar a luta para você? – Marlon usou do mesmo tom para provocar.
Marlon logo sacou suas adagas, ele era um Ninja, o que lembrou Lupus de seu irmão, uma lembrança que ele não queria rever em seus pensamentos. Marlon começou seu ataque, sem sequer deixar Lupus se preparar. Ele não estava mesmo querendo facilitar a disputa.
Lupus não acreditava que estava sendo golpeado por adagas, o que o lembrou de seu irmão. Marlon pensou que a vitória estava garantida, já que Lupus parecia atordoado com os golpes.
–“Não posso deixar que meus pensamentos me atrapalhem!” – Pensou Lupus, se defendendo ao máximo.
Marlon deu um pulo e lançou kunais, Lupus foi ágil e se desviou. Marlon voltou a dar cortes precisos na altura do abdome de Lupus, o mesmo recuava para não ser atingido, aquilo estava deixando Lupus irritado. Como ele não estava conseguindo desferir um tiro, ou um soco pelo menos?
–Chega! Seu verme insolente! Não deixarei que me ataque!
–Está irritadinho, é? – Marlon provocou mais uma vez, parecia não ter medo de quem enfrentava.
–Estou... Estou bem irritado!
Marlon não esperou Lupus falar mais, o empurrou e lhe deu um corte, fazendo a roupa do rapaz pesar e ele cair no chão. Lupus não perdeu a oportunidade e deu tiros deitado mesmo, alguns acertaram em Marlon, fazendo o equipamento dele pesar também.
–Vamos, Lupus, vença essa luta! – Elesis observava a disputa e falava para si mesmo.
–Está torcendo pelo Lupus? – Indagou Jin, que acabou ouvindo o que a irmã dissera.
A ruiva levou um susto, pois estava concentrada.
–Pensei que fosse sair...
–É... Eu ia fazer isso, mas... Mas a luta me chamou a atenção. – Mentiu.
–A luta ou o lutador?
–Está desconfiando de mim!? – Ela perguntou irritada.
–Sim!
–Ah! Seu idiota, não faça mais isso, não duvide de mim! – Elesis deu um tapa no irmão.
–Você ainda não me respondeu, Elesis, por que estava torcendo pelo Lupus?
–Ué? Porque... Porque… Ah! Ele é do meu grupo, então seria bom enfrenta-lo.
–Ele que te fez sentir medo, não foi? Ele é o responsável por você estar aqui, no grupo dos meninos, correndo risco de se machucar! Não precisa mais esconder, eu sei disso, eu te conheço, você não estaria torcendo por alguém sem motivo.
–Jin! – Elesis se assustou com o tom de indignação do rapaz – Olha, isso se diz respeito a mim, eu quis lutar, eu precisava fazer isso e nada, nada do que você falar ou fizer irá me impedir.
–Eu sei... Mas espero que você esteja ciente do que está fazendo.
–Eu estou, Jin, eu estou... Assim como você, eu também quero justiça, não posso deixar que me façam passar por uma humilhação e ficar calada. Não irei criar uma briga apenas para mostrar que sou melhor, por isso estou lutando neste Campeonato, porque terei uma luta justa. E, caso eu perca, terei que me conformar. É a vida... E eu estou nela para atingir meu objetivo e, no momento, é vencer o Lupus a todo custo!
–Tá certo... – Jin respirou fundo, ele não poderia julgar Elesis, os dois ruivos estavam com o mesmo objetivo em mente.
Lupus não estava mais defensiva, começou a atacar.
–Essa luta está sendo cansativa, estou odiando isso!
–É mesmo? Eu estou achando bem divertida. – Marlon usou suas duas Adagas e deu um corte com um formato de “X” em direção a Lupus e o atingiu.
–O que?! – Lupus não gostou nem um pouco, começou a atacar com mais precisão, sabia que poderia receber um contra-ataque, mas estava agindo por instinto. – Grilhões da Alma!
Marlon desviou, mas Lupus foi esperto e, em fração de segundos, lançou outro golpe.
–Disparo final! – Gritou Lupus, Marlon não pôde se defender e caiu no chão. – É... Até que esse patético lutou bem, mas ainda é muito abaixo de mim.
Lupus olhou para frente e viu que Lass o observava, ele cerrou o punho e saiu da arena.
–Vocês poderiam tentar se acertar. – Comentou Arme.
–Não, você nunca entenderia, Arme, eu e Lupus não somos como outros irmãos, somos diferentes... Muito diferentes...
A baixinha resolveu não questionar mais, até porque aquilo poderia atrapalhar Lass na luta.
–A última luta do Grupo B é entre Diogo e Willian. – Avisou o Juiz, pedindo para que os dois subissem na Arena.
Os alunos se cumprimentaram e se prepararam para o início da luta. Diogo começou dando uma sequência de chutes e socos, Willian desviou com perfeição, ele usou uma Marreta para atacar seu oponente.
Willian deu um giro com a Marreta e, ao lançar para frente, saiu uma espécie de raio elétrico, que atingiu Diogo, fazendo sua roupa pesar. Diogo se recompôs rapidamente, começando a chutar o ar e dando um giro ao mesmo tempo. Willian ficou no modo defesa, enquanto Diogo atacava mais e mais. O Lutador deu um salto e voltou dando um chute na altura do peito de Willian, o derrubando no chão e fazendo-o começar a se cansar da luta.
–Não posso... me cansar... – Disse Willian ofegante.
–Mas é isso que vai acontecer se insistir em lutar contra mim. – Debochou Diogo.
–É mesmo...? – Willian sorriu.
Diogo não entendeu o que Willian quis dizer com aquela pergunta. Aproveitou que o menino estava parado e foi ataca-lo. A força do Lutador parecia ter aumentado assim como sua velocidade.
–Você irá cair bem na minha armadilha. – Willian apontou sua Marreta para o chão e sorriu de forma maléfica.
–Droga! – Reclamou Diogo, sentindo sua roupa pesar cada vez mais, pois Willian havia criado um círculo no chão com ondas que sugavam a força do Lutador. Diogo acabou caindo no chão de joelhos.
–Não seja tão afobado... Assim você perde a luta rapidinho. – Willian nem esperou Diogo responder e saiu da Arena.
–É... Foi legal lutar com um cara tão frio e sem graça logo nas eliminatórias... – Lamentou Diogo, tentando se levantar, mas a roupa ainda pesava, ele olhou ao seu redor procurando uma pessoa em especial e acabou encontrando os olhos rubros e cheios de ódio – Não era o chato do Lupus que eu queria encontrar...
Diogo riu consigo mesmo e continuou a sua procura visual, tentou mais uma vez se levantar e conseguiu, assim como também conseguiu encontrar quem procurava.
–Lin... – Ele sorriu.
A semifinal do Grupo B já estava com seus finalistas, sendo eles: Lupus, Willian, Aldren (Elesis) e Lian. Seria feito o sorteio depois que todos os finalistas estivessem definidos.
–Agora é a vez do Grupo C, o grupo feminino do Campeonato. – Disse o Juiz – Esse Grupo tem suas seguintes duplas: Rey e Melissa, sendo a primeira; Celina e Holy, segunda dulpa; Lin contra Han, finalizando esse Grupo. Já temos uma finalista que é a Hyuna, ela já está na semifinal e encontrará uma das meninas que passar pelas eliminatórias.
Rey nem esperou o Juiz chama-la e entrou na Arena, esperando apenas sua adversária. O Juiz não achou correta a atitude de Rey e questionou, pediu para que a mesma não fizesse isso novamente. E Rey rebateu com o seu tom debochado de sempre.
–Quem você pensa que é para falar assim? Caso não saiba, eu sou uma Von Crimson, então não deve reclamar do que eu faço ou deixo de fazer.
–Eu só pedi para que você não suba na arena antes de eu pedir.
–Entenda uma coisa... – Rey se aproximou do Juiz – Você não manda em mim.
O Juiz a olhou com certo ódio por ter ouvido aquilo, que era um desrespeito. Mas, como reclamar não levaria a nada, ele apenas se calou e saiu da Arena, dando início aquela disputa.
Melissa lançou duas vezes uma magia de petrificar, e uma acabou atingindo Rey, que não se conformou por ter sido acertada. Melissa aproveitou e foi atacar Rey. Ela invocou a Mari para desviar a atenção de Melissa, para ela poder sair daquela posição imóvel.
Mary começou a latir e distrair Melissa, “Cachorrinha infernal!”, pensou ela tentando não se dispersar, mas a cachorrinha foi persistente e começou a morder a menina, Melissa teve que deixar Rey de lado para cuidar de Mary e, quando lançou uma magia na cachorrinha, a mesma sumiu.
Rey se soltou, sua roupa estava pesando e isso era péssimo para ela. A asmodiana começou a mandar as esferas roxas e, como Melissa estava ainda se preparando, acabou sendo atingida por uma das esferas.
–Bobinha… Se é pega pelas minhas esferas, imagina quando eu começar com minha habilidade... Tadinha. – Disse Rey no seu tom de voz debochado.
–Não me provoque!
–Não eleve sua voz, queridinha!
Melissa não rebateu, pegou seu Cetro e apontou para Rey.
–Vamos ver como você ficará depois de um choque. – Melissa mandou um raio, idêntico ao de Arme.
Rey se teleportou e não foi atingida, flutuou pela arena até parar atrás de Melissa.
–Que peninha… Você nem me atingiu. – Rey a empurrou e lançou um golpe – Esfera Flamejante!
Melissa chegou para trás, numa distância impossível de ser atingida.
–Haha, bobinha... Pensou que me pegaria fácil?
–Garota insuportável, você hein? – Rey a encarou.
–Sou mesmo! – Melissa mandou uma magia de vendo que empurrou Rey para trás.
Assim, Melissa correu em direção a mesma, os cabelos da asmodiana atrapalhavam sua visão, o que ajudou muito para Melissa, que criou barreiras de fogo impedindo que Rey a atacasse.
–Chega! – Gritou a asmodiana, tirando seu cabelo do rosto e criando um portal onde saía várias espécies de “olhinhos“ que começaram a agredir Melissa, a mesma foi atingida por vários, já que não esperava por tal golpe. A visão dela estava embaçada, parecia que a arena estava totalmente escura. Para completar, Rey lançou esferas de suas mãos.
Melissa estava sem saída, sua roupa pesou muito depois do golpe, aquela magia era bem mais superior do que a menina imaginou.
–Acabou. – Rey mandou um beijo para Melissa, que estava caída no chão, já que a roupa estava pesando muito.
A asmodiana saiu da Arena e parecia não ter gostado da luta, já que não havia sido fácil.
–Acho que terei mais uma conversinha com o meu pai... Essas lutas estão sendo mais complicadas do que imaginei... – Rey parecia determinada com o que pensava em fazer.
Fale com o autor