Notas iniciais
Tenho algumas coisinhas a dizer:
1º Desculpe a demora u.u Eu juro que não queria demorar pra postar.
2º Esse capítulo acaba com o mistério de quem manda os sms misteriosos, mas não se engane. Tem muita coisa ainda pro trás disso :D
3º UMA NOTICIA PARA VOCÊS: Dentro de aproximadamente 3 capítulos, teremos a TÃO ESPERADA 1ª VEZ DO CASAL.
Sim, eu estou ansiosíssima para postar :D Enfim, boa leitura.

Na manhã seguinte, ouvi o despertador soar. Acordei atordoada de mais um pesadelo. Não me lembrei muito bem sobre o que era, mas provavelmente se tratava do resultado de uma noite de preocupações. A cama parecia úmida de suor. Sentei na ponta do colchão e encolhi os joelhos. Minha respiração se atenuava.

Três fatos rondavam minha mente. Primeiro, Daniel e eu nos beijamos, por tanto a culpa me consumia por dentro. Segundo, André tinha me pedido em namoro e eu aceitei, o que ainda não conseguia acreditar. Terceiro, a mensagem marcando um encontro (que parecia mais com uma ameaça) me deixando assombrada. Questionei-me diversas vezes se iria mesmo ao encontro da tal pessoa ou não, devido ao medo que se tratasse de alguém que quisesse me sequestrar.

Ouvi meu celular tocando novamente debaixo do travesseiro e dessa vez não era o despertador. Levei minha mão a procura dele.

– Alô? – Atendi com a voz rouca de sono. Pigarreei uma vez. – Alô?

– Princesa? – Suspirei ao ouvir a voz maravilhosa de André em meu ouvido.

– Ela mesma... – Sorri para a parede. – O que faz me ligando a essa hora da manhã?

– Bom, digamos que eu trabalho na sua escola e tenho que estar lá no mesmo horário que você. – Revirei os olhos.

– É mesmo, que burra que sou.

– Concordo contigo! – Rosnei algumas palavras. – É brincadeirinha, princesa! Não fica brava não tá?

– O que raios você quer comigo a essa hora? – Fingi estar emburrada.

– Oxi, vai me bater hoje né? – Ele soltou uma risadinha e não pude deixar de rir também. – É que eu estava pensando se podia ir buscar você na sua casa, para irmos para a escola juntos. O que acha? – Meus olhos brilharam.

– Claro que pode! Quando eu ficar pronta, eu te ligo ok?

– Ok! – Desliguei o telefone e corri para o banheiro.

Tomei um banho quente e rápido. Coloquei uma roupa básica, um short preto com uma calça legging por baixo, o uniforme com uma camiseta de banda por cima e minha querida bota e amarrei meu cabelo na lateral da cabeça.

– Um penteado novo para um cabelo novo! – Disse sorrindo para o espelho. Eu tinha adorado virar morena embora tivesse certeza que logo o ruivo me faria falta.

Fui até a cozinha onde minha mãe estava me esperando.

– Bom dia mãe! Pode voltar a dormir, o André vai vir aqui me buscar. – Eu disse indiferente. Meus pais não haviam conhecido André totalmente ainda. Grande parte da história que eu contava a eles era o fato que éramos bastante amigos e ele me ajudava sempre que precisava.

– André? O seu amigo? – Ele fez uma careta.

– Ele sim, por que essa cara?

– Minha filha, você e ele não estão... – Ela gesticulou algo com os dedos.

– Não! – Menti apressadamente antes que ela pudesse terminar a frase. – Mas por quê? E se tivéssemos? Ele é uma ótima pessoa! – Eu não queria parecer indignada, mas era exatamente o que eu estava sentindo na hora. Indignação.

– Ele é muito velho para você! E você sabe o que esses caras mais velhos querem né? Ter relações com garotinhas jovens e inocentes como você! Só isso...

– Mãe, o André não é assim! – Abri a boca querendo gritar de raiva. Eu simplesmente odiava quando minha mãe julgava as pessoas sem ao menos conhecê-las. Havia sido o mesmo com a minhas amigas (ou ex-amigas). Ela até achava que Alice era lésbica e estava apaixonada por mim.

– Não quero você se envolvendo com esse garoto, viu?! Se quiserem ser amigos tudo bem, mas eu já percebi que ele quer algo com você. E se isso for pra frente, eu não vou aceitar... Você está me ouvindo, Manuela? – Ela parecia irritada. Toda a minha alegria tinha ido para o brejo com aquela discussão. Eu queria gritar meramente tentando ganhar aquela briga explicando o quão André era diferente do que ela estava imaginando.

– Tudo bem, mãe, você sempre está certa! – Disse ironicamente e cinicamente. Ela deu de ombros.

– Agora liga pra ele e diz que eu vou te levar. É perigoso vocês dois andarem sozinhos na madrugada.

Virei às costas para ela e fui até meu quarto, onde bati a porta violentamente. Imaginei o que ela faria se descobrisse que estávamos namorando. E que todas as vezes que eu saía era para encontrar ele e não uma amiga como eu sempre dizia. Que as noites em que meus pais viajavam e eu ia dormir na casa dele por medo de ficar sozinha. Sobre as outras noites que eu saía de casa escondido. Pensei que talvez ela me matasse se descobrisse tudo isso. Peguei meu celular do bolso e disquei nervosamente o número de André imaginando como diria tudo aquilo para ele.

– Até que fim! Vamos acabar chegando atrasados. – Ouvi sua voz. Ele estava se divertindo com a situação, o que me deixava ainda mais chateada por ter que dizer aquelas coisas. Fiquei calada por alguns segundos. – Tá ai?

– Acho melhor não irmos juntos... – Um nó se formou em minha garganta.

– Porquê?

– A escola pode nos ver, não é perigoso? – Tentei arranjar uma desculpa para não o magoar tanto. Mas foi sem sucesso.

– Princesa? O que foi? – Mordi o lábio furiosamente.

– É que... – Comecei a andar nervosamente ao redor da cama. – Não sei. Eu acho que meus pais não vão gostar disso... – Resolvi contar parte da verdade.

– Como assim? – Senti a alteração de voz dele e fiquei com medo de dizer algo e machuca-lo de certa forma.

– André, meus pais acham que somos apenas amigos, sabe? E não acho que vão gostar de nos ver juntos. – Eu não queria e nem iria dizer o que minha mãe havia falado a seu respeito. Aquilo era grosseria e ele podia achar que eu pensasse o mesmo.

– Antigamente você não ligava muito para a opinião deles...

– Hoje é diferente, somos bem próximos por incrível que pareça.

– Princesa, responde com sinceridade. Você tem vergonha de mim? – Pressionei os olhos com força ciente que o tinha magoado ao falar sobre aquilo.

– Claro que não tenho... Olha, eu juro que vou contar logo sobre a gente, ok? Só me dê mais tempo. E eu sinto que eles não vão aprovar.

Meu coração bateu dolorosamente em meu peito. Parecia que eu só estava querendo ferir o que sentia por ele. Eu não estava me entendendo muito bem, no dia anterior, tudo o que eu queria era namorá-lo e dizer que o amava. Hoje, eu estava sentindo que aquilo iria causar a maior confusão.

– Tudo bem... Se você quer tempo, eu dou o tempo que precisar. Talvez eu consiga conquistar seus pais algum dia.

– E-eu... – Gaguejei, mas logo fui interrompida por ele.

– Eu preciso ir, se não vou chegar atrasado.

– Me desculpe... – Tentei dizer, mas ele já havia desligado a ligação. Senti-me culpada por ouvir a voz dele claramente chateada. Eu não queria que as coisas fossem daquela forma.

Caminhei para a cozinha olhando diretamente para o chão, não tendo a obrigação de encarar minha mãe. Ela só balançou as chaves do carro e fomos em direção à porta.

*

Durante as aulas, aquela situação ainda me intrigava. Era doloroso saber que meu relacionamento com André, que mal havia começado, provavelmente teria de ser escondido. Aliás, era fora de questão terminar com ele. Estar junto do meu namorado me fazia bem demais, era parte de mim e eu o amava. E não me importava que fosse escondido desde que eu ainda estivesse com ele.

No recreio, resolvi ir escondido até a biblioteca. Eu me sentia péssima sabendo que havia magoado André. Subi as escadas lentamente pensando em algumas palavras doces para pedir desculpas, mas nenhuma parecia ser o suficiente. Ao atravessar a porta, dei de cara com ele. Ele estava sentado em uma cadeira lendo algum livro.

– Eu vim te pedir desculpas... – Fitei seus olhos. Ele sorriu vagarosamente para mim, deixando-me mais confortável com o momento.

– Tudo bem, sua boba! Eu entendo você,ok? Seus pais provavelmente vão surtar mesmo quando souberem, então não vamos estragar o que está tão bom, não é? – Ele pôs o livro em cima de uma mesa próxima a ele.

– Você não está bravo então? – Remexi as sobrancelhas.

– Claro que não! Vem aqui, vem. – Ele afastou um pouco a cadeira, dando espaço suficiente para eu me sentar no seu colo. Sentei-me em suas pernas, de frente para ele e ele observou meu rosto. – Como ficar bravo com você? – Corei um pouco. Movimentei desconfortavelmente no seu colo e aquilo fez seu olhar se transformar de gentil para selvagem. Ele pegou uma de suas mãos e pôs na minha nuca e me puxou para si abruptamente.

Começamos um beijo totalmente diferente. Um mais urgente e mais sexy. Sua língua explorou cada milímetro de minha boca enquanto eu fazia o mesmo com a dele. Minhas mãos alcançaram seus cabelos onde dei leves puxões. Já as mãos dele, desceram por toda a minhas costas, chegando bem próximo ao meu quadril, me puxando ainda mais para seu corpo. Estávamos totalmente colados e a situação estava claramente me deixando mais animada do que deveria. Consegui sentir meus impulsos tentando domar meu corpo.

Permanecíamos nos beijando ferozmente, quando ele, ainda com as mãos no meu quadril, iniciou alguns movimentos lentos e maldosos com meu corpo que resvalavam no dele. Meus hormônios só sabiam pedir mais e mais daquilo. Aquela agitação do meu corpo sobre o dele me traziam sensações incrivelmente estimulantes me fazendo arfar algumas vezes. Ele mordeu meu lábio inferior e logo passou a procurar meu pescoço. Ao sentir esse mesmo beijo quente em minha pele, um conjunto de arrepios apareceu. Fechei os olhos, abri a boca e soltei um baixo gemido sôfrego. Ele já tinha praticamente me dominado.

Subitamente ele parou com tudo aquilo que estava fazendo. Os beijos, as mordidas e os movimentos. Olhei para ele desapontada.

– O que foi? Não esperava que continuássemos isso aqui, não é? – Ele se divertiu com a minha expressão. Corei ao perceber o quão estimulada estava.

– Isso foi... Muito bom! E muito inesperado, eu acho. – Arregalei os olhos e ele sorriu ainda mais.

– Desculpe, não queria te assustar. Mas deu vontade de te beijar desse jeito, sei lá. – Ele tentou se explicar. Levantei de suas pernas tentando me recompor. Minha respiração estava ainda acelerada com tudo o que havia acabado de acontecer. Fiquei embaraçada ao pensar em como ele havia me visto e com o gemido que eu tinha soltado. Ele também levantou da cadeira e se aproximou rapidamente de mim. Deu um selinho rápido e gentil em minha boca.

– Eu adoro quando você fica envergonhada! Consegue ficar ainda mais linda, se é que isso é possível. – Olhei para ele e sorri abertamente.

– Ah, antes que eu me esqueça – tentei mudar de assunto buscando diminuir a vergonha – , quer ir ao baile da escola comigo?

– Baile da escola? Aquele que fazem todos os anos, cujo é uma chatice? – Ele enrugou a testa.

– Esse mesmo! Vamos?

– Não sei, princesa... Não é bom o povo da escola nos ver juntos. E outra, é horrível esse baile.

– Você já foi a algum? – Coloquei as mãos na cintura e estreitei os olhos, o olhando com deboche.

– Claro que não!

– Então pronto, não sabe se é ruim. – Ele me olhou cinicamente quase que rindo do meu argumento infantil.

– E a escola? Eles não podem nos ver juntos.

– O tema é baile de mascaras, ninguém vai ser reconhecido lá. – Ele fez outra careta e eu decidi implorar. – Ah não, André, por favor, vamos? Eu também sempre odiei esses bailes, acho ridículo na verdade. Mas quero ir contigo em um. Quero dançar com você lá! Vai ser divertido! – Ele bufou e dei outro daqueles sorrisos perfeitos.

– Ok! Nós vamos então! Eu não consigo dizer ‘não’ pra você, sabia?

– Sabia! – Aproximei dele e o dei mais um beijo rápido em agradecimento. Ouvi o sinal tocar, anunciando o fim do recreio. Caminhei até a porta da biblioteca e antes que eu pudesse sair por completo, virei para ele.

– Pra quem não pode deixar a escola nos ver juntos, estamos arriscando demais, não acha?

– Fazer o quê se eu sou irresistível pra você? – Mostrei a língua pra ele e sai de lá. Desci as escadas suspirando e pensando no quanto eu era sortuda por ter um cara como aquele.

*

O sinal já havia soado fazia uns cinco minutos. Todas as aulas já haviam acabado e eu estava completamente sozinha na sala de aula, batendo os dedos em cima da mesa impaciente. Eu tentava decidir se iria ou não ao encontro com a tal pessoa. Parte de mim estava com medo, enquanto a outra se contorcia de curiosidade.

Pensei milhões de vezes se chamava André para me acompanhar, mas por alguma razão eu queria fazer isso sozinha. Eu tinha que ir sozinha. Levantei subitamente da cadeira e andei até a porta da sala onde esbarrei com alguém.

– Ai! – Levei as mãos ao coração com o susto que havia recebido.

– Desculpe! – Daniel desviou os olhos de mim. Quando o reconheci, meu rosto ruborizou e certo sentimento de culpa me invadiu. Antes que eu pudesse me afastar dele, ele segurou meu braço um pouco mais forte do que deveria. – Precisamos conversar...

– Hoje não, talvez depois... – Desprendi-me dele e continuei seguindo até a porta do colégio sem olhar para trás. Eu não podia o deixar ser uma das minhas preocupações na hora em que eu estava prestes a desvendar o mistério.

Ao sair do colégio, uma ansiedade me fez começar a transpirar. Olhei aos meus arredores esperando encontrar a pessoa logo de cara e ir falar com ela. Ou até alguém encapuzado abafar minha respiração até eu desmaiar e me sequestrar. Mas nada disso aconteceu durante minutos. Achei que pudesse ter sido alguma pegadinha idiota de alguém, para apenas me ver esperando idiotamente uma pessoa que jamais viria.

Esperei não muito mais que cinco minutos e virei as costas, mencionando que iria novamente entrar na escola. Mas então uma voz familiar zuniu em meu ouvido me fazendo parar.

– Manu? – Ainda de costas pude reconhecer a pessoa. Deixei a boca entreaberta para conseguir respirar melhor. Fiquei um pouco apavorada em girar o corpo e perceber que tudo só fazia parte da minha mente, mas mesmo assim o fiz. Quando encarei os olhos da pessoa, me ocorreram diversas emoções. De amor à raiva.

– Alice? É você?


Notas finais
Para quem não lembra, Alice é a ex-melhor amiga da Manu. Ela estava presente no dia do assassinato, e então o próximo capítulo promete algumas revelações sobre aquele dia.
Quero agradecer a minha mais nova leitora: Luiza Speziali, que me deixou uma recomendação linda :D
Yaaaay. 600+ Reviews! I love you guys :D
Até o próximo!