Notas iniciais
Minhas queridas leitoras ^^ Devo já dizer que esse é um 'capítulozinho' sem sal. É mais uma introdução à um personagem na história, dessa vez a prima da Manu. Uma garota extremamente divertida e fora das convenções morais. Ela vai estar presente durantes alguns poucos capítulos, só para ajudar no desenvolvimento André/Manu e Daniel/Manu. Mas não se desanimem garotas *-* Tem muita coisa boa por vir.

E lá fui eu descendo as escadas, levemente boba pelo momento. Tropecei alguns degraus, mas consegui chegar pelo menos inteira dentro da sala.

Algumas pessoas se espantaram ao ver meu enorme sorriso no rosto. E foi daquela forma que suportei todas as aulas que passaram. Apesar de tentar me concentrar nas matérias parecia meio impossível. Fechei meus olhos algumas vezes e relembrava o gosto da boca dele sobre a minha. Foi um beijo muito doce e gentil. Quando ele havia me apertando contra ele, meu corpo pediu mais. Pediu para se aproximar mais. Porém me contive. Era meu primeiro beijo e eu ainda estava um pouco surpresa ou com medo daquela situação.

Senti leves arrepios percorrendo novamente meu corpo e tentei tirar meus pensamentos daquele momento. Sem sucesso.

*

O dia havia passado incrivelmente rápido e lá estava eu de novo subindo as escadas. Meus passos se tronaram lentos ao perceber que estava com vergonha de vê-lo novamente. Eu não havia me arrependido de nada, mas certa timidez queria me impedir de olhá-lo diretamente. Observar seus olhos atentamente como sempre tinha feito, parecia ter se tornado um pouco mais complicado.

- Oi moça! – Contemplei mais um daqueles sorrisos que faziam minhas pernas falharem. Percebi que já estava dentro da biblioteca com ele me recepcionando.

- Ah, oi André! Pronto pra estudar história? –

- Ixi, vamos então. –

Sentamos no fundo do corredor de sempre e tentamos estudar. Era visível que nenhum de nós dois sentíamos confortáveis com a presença um do outro, não sentíamos muita vontade de prestar atenção à matéria e mais visível ainda que estávamos muito tímidos com o ocorrido.

De vez em quando ele se levantava e ia trabalhar. Passava lá no corredor e me fazia algumas perguntas sobre o que eu estava entendendo. Foi uma tarde rápida e nenhum de nós tocou no assunto do beijo que demos.

*

Só percebi que o dia havia terminado quando fechei os olhos e adormeci.

*

Era um sábado de feriado. Acordei umas 08:00 da manhã e ouvi ruídos vindos da cozinha. Levantei-me da cama e encostei o ouvido na porta. Uma voz bastante familiar me fez arrepiar. Abri a porta e sorri.

- Júlia! – Gritei.

- Manu, nossa como você está linda! – Ela me abraçou. Assim que o abraço cessou, peguei-a pelas mãos e puxei para meu quarto. Tranquei a porta e a analisei.

Júlia era a única de minhas primas que gostava de mim. Totalmente o oposto também. Era apenas um ano mais velha que eu, ou seja, tinha dezoito anos, embora parecesse mais velha (apenas de aparência, porquê de idade mental...). Ela tinha 1,70 de altura, sendo um completo mulherão. Loira com fios alternando entre o loiro mais claro e o mais escuro. Seus olhos cor de topázio eram profundos. Eu achava ela linda. Ela tinha ido morar no exterior, numa cidade pequena chamada Pocatello, no estado de Idaho nos Estados Unidos. Fazia três anos que eu não a via.

- Poxa senti uma saudade enorme sua! E você também está linda. – Não consegui deixar de sorrir. Sentei-me ao seu lado na cama e nos encaramos por alguns segundo. – O que veio fazer aqui? -

- Eu também estava morrendo de saudades de você, consegui juntar dinheiro pra passar uma semana aqui com você. -

- Mentira! – Minhas risadas ecoaram no quarto. – Por que não me avisou? Não consigo te ligar faz três meses. –

- Então, falando nisso, desculpa não ter ligado pro seu aniversário. Eu tentei, mas a companhia telefone estragou lá na minha cidade. E até hoje não arrumaram. Estava impossível falar com alguém. Mas tipo, eu liguei pra sua mãe quando eu estava no aeroporto e avisei que estava vindo. Ela não te contou? –

- Não – Bufei. – A gente ainda não está se falando.

- Ainda? Por aqueles mesmos motivos? –

- É... Mas não quero falar da minha mãe. Vai, me conta as novidades. Devem ser muitas! – Tentei mudar de assunto. Não queria estragar o primeiro dia dela com as minhas lamentações.

- Manu, não é querendo me gabar não sabe? Mas eu virei a segunda garota mais desejada da cidade. –

- O quê? Você ganhou o concurso em segundo lugar? Parabéns! – Havia um concurso na cidade dela que se chamava ‘A Pocatella – Desejada da cidade’. Era parecido com um concurso de garota mais linda do local.

- Terceiro pra falar a verdade. Mas a que ficou em segundo ficou grávida por acaso e perdeu o posto. Isso era contra as regras. E eu ganhei a vice-liderança. –

- Poxa que incrível! Parabéns mesmo! – Eu não ligava para aqueles concursos. Aliás, achavam eles ridículos. Oprimiam as pessoas ‘menos favorecidas fisicamente’ de certa forma, e aquilo me deixava chateada. Mas ela era minha prima, não a via mais de três anos, eu queria ser gentil.

- Obrigada! Ah e com esse título choveu gatinho na minha horta. Aliás, queria ficar com alguém aqui na cidade, pra chegar às minhas amigas e dizer que peguei um brasileiro. Elas vão morrer de inveja. – Arqueei as sobrancelhas. Ainda continuava tentando ser gentil com ela, mas não concordava com nada do que ela falava. Ela parecia mais fútil do que de costume. Talvez a fama tivesse subido a cabeça. – Conhece algum gatinho pra me apresentar? -

- Bem... –

- Ah não... Não me diga que ainda é antissocial? –

- Não é só por escolha minha, as pessoas que não gostam de mim. E eu também não gosto muito de ficar perto delas não. São completos idiotas! –

- Entendi... Mas então nenhum garoto até hoje? Ou você está ainda esperando ‘a pessoa certa’? – Ela ridicularizou o final da frase. Minha paciência diminuiu. Por mais que eu gostava dela, lembro que nunca conseguíamos ficar conversando por dez minutos sem que ocorresse uma pequena discussão.

- Na verdade tem um garoto... – Eu não iria contar. Ia manter segredo, mas o sarcasmo dela fez com que as palavras simplesmente fluíssem dos meus lábios.

- Sério? E então? Quem é ele? Vocês se beijaram? –

- Nós nos beijamos, uma vez. – Senti meu rosto corar ao lembrar o beijo no dia anterior. – E não vou contar quem ele é... E você nem o conhece. –

- E como foi? Foi seu primeiro beijo não é? –

- Foi perfeito! – Joguei meu corpo na cama. Umas sensações percorreram meu corpo de maneira gostosa, fazendo sentir arrepios. – Ele é gentil, doce, romântico. E a boca dele é extremamente perfeita. – Me senti como uma adolescente de doze anos ao falar daquela forma. Mas eu estava tão entorpecida pelo beijo dele que senti vontade de contar.

- Sério? Que lindo! E ele pode ser um futuro namorado? –

- Não sei Jú... Se bem que eu acho que queria. Ele é o tipo de cara que eu sempre quis. –

- Poxa, e porque não pode me contar quem ele é? –

- Porque não... Eu não quero revelar a identidade dele agora. Talvez depois ok? –

- Ok então. Uau estou feliz por você! Achei que ia morrer sem beijar nenhum garoto. Do jeito que você é fresca pra garoto... –

- Eu não sou fresca! – Interrompi. – Acontece que estou rodeadas de idiotas, eu não queria beijar nenhum mané. – Meu celular vibrou e eu me perdi nos meus pensamentos. Júlia pegou meu celular e levantou à altura dos olhos.

- Ah e o nome dele é Daniel é? –

- O QUÊ? Não, Deus que me livre! – Grunhi. Tomei o celular das mãos dela e desliguei a ligação dele. Aquele garoto estava enchendo a minha paciência.

- Hum e quem é ele? –

- Ninguém importante... –

- Como é que ninguém importante tem o número do seu celular? –

- Acredite, eu também gostaria de saber. –

- Então ele conseguiu seu número por acaso? Manuela tá podendo hein? Ele tá afim de você? –

- Tenho certeza que não Jú... Aposto que ele está aprontando alguma, mas ainda não descobri o que é. Ele é o garoto mais cobiçado da escola, as vadias o acham lindo e perfeito... Pra mim ele é um completo galinha e imbecil. –

- Nossa, ele parece ser ideal pra mim então! Ah me apresenta ele e eu o faço esquecer você rapidinho. – Ela sorriu maliciosamente.

- Confia em mim, você não ia querer um canalha daqueles. –

- Confia em mim, eu adoraria ficar ao menos com um canalha bonito aqui. – Ela realmente estava mudada. Parecia um pouco mais oferecida que antes.

- Tudo bem... – Levantei as mãos em sinal de rendição. – Eu te apresento pra ele. – Joguei o celular na cama e ele vibrou novamente. Julia pegou o celular e franziu o cenho.

- Tem certeza que não tem nada com ele? Porque ele está perguntando se você o esqueceu, depois do beijo que deram... – Ela sorriu sarcasticamente.

- Beijo? Me dá isso aqui! – Apanhei o celular das mãos dela novamente e li a mensagem recebida. – O QUÊ? Não teve beijo nenhum! Ele babou no meu rosto e foi o único contato que ele teve comigo. Eu até limpei a gosma dele da minha bochecha! – Eu estava intrigada.

- Não sei... Isso tá esquisito! Mas tudo bem, eu o aceito mesmo assim... – Fez uma dancinha.

- Vamos não falar dele agora ok? – Implorei.

- Tudo bem, vamos falar do seu amor! – Continuou com a dancinha.

- Oh meu Deus! – Revirei os olhos. Passei o resto do dia convencendo ela de que não iria contar quem ele era.

Conversamos sobre várias coisas e ela me contou grande parte do que aconteceu com ela nos últimos anos.

No dia seguinte fomos ao shopping. Eu não sou muito acostumada a sair, mas senti que deveria levar ela para passear. Lá, ‘segurei vela’ para uns três garotos que ela acabou conhecendo. Ela escolheu um deles para ficar (o mais bonito e fútil por sinal). Fingi que ia ao banheiro para deixa-los a vontade ou para eu não querer vomitar.

Ouvi meu celular tocar e sem pensar duas vezes atendi sem olhar quem estava me ligando.

Notas finais
É eu sei. Os capítulos em que aparecem o romance provocante da Manu com o André são mil vezes melhor de ler e de escrever ^^ Mas não deixa de ser importante.
Beijos e até o próximo =*
Ps: Garotas que gostam de dançar aí (sim, eu estou dançando à esta hora da manhã ¬¬) : Glad you came - The wanted.