Não Feche Os Olhos
13 Encontro
Notas iniciais
- Alô? –
- Até que fim você resolveu me atender linda! –
- DANIEL? – Travei um xingamento na garganta. – Com que liberdade você me liga todos os dias, diz que me beijou e aindame chama de linda? –
- Por que estava me evitando? Eu te procuro no colégio e nem te acho... Vejo você na sala de aula e penso em falar contigo no recreio, mas você some toda vez. – Ele ignorou minha pergunta.
- Já pensou na possibilidade de eu não querer falar contigo? E, aliás, eu sei que está aprontando alguma, quer me dizer o que é? –
- Você é ainda é mais linda quando fala brava! –
- Argh! Me esquece e para de me procurar! – Gritei. Desliguei o telefone na cara dele ciente de que ele ainda não iria desistir.
Voltei para o local onde a minha prima estava e infelizmente ainda deu tempo de ver ela se agarrando com outro garoto. Quis correr para o banheiro ou vomitar ali mesmo, mas meu sangue estava quente demais pra isso. Eu estava com raiva.
Puxei-a da boca do garoto que ela mal conhecia e decidi que íamos embora. Ela até me perguntou o que tinha acontecido, mas poupei-a daquele assunto.
Chegamos em casa e nos trancamos no quarto.
- Você interrompeu meu beijo com aquele garoto lindo e não quer me dizer o que aconteceu... Eu não acredito que fez isso! –
- Desculpa, mas não estava a fim de ficar naquele lugar por mais nenhum minuto. –
- Quer POR FAVOR, me dizer o que aconteceu? Aquele garoto era da Alemanha, loiro dos olhos verdes e ainda por cima malhado, tem que ser algo grave para eu não me arrepender de ter voltado pra casa com você! –
- O Daniel me ligou e ficou falando merda... Eu não suporto aquele menino! –
- Daniel? Aquele garoto que te liga todos os dias? O canalha lindo? Ah não acredito que você me tirou do colo daquele alemão por causa disso! – Eu abri a boca pra protestar, mas ela impediu. – Sabe o que eu acho? Você está afim desse Daniel e não o suporta por saber que ele é um cafajeste e está se sentindo mal por estar apaixonada pelo tipo de garoto que não gosta! – Era incrível como ela estava completamente errada.
- O QUÊ? Você pirou? Aquele garoto vivia me xingando. E num dia pro outro, ele tenta me beijar? Isso é ridículo! Eu ODEIO aquele tipo de garoto e o odeio especificamente. –
- Tá bom, digamos que eu acredito então! –
Passamos o resto da noite discutindo e decidi empurrar mesmo Daniel pra cima dela. Achei que ele pudesse me deixar em paz depois daquilo.
*
A semana estava passando rápido. Eu e a minha prima saímos à noite para alguns lugares mais ou menos isolados, ela ficava com uns três ou quatro caras por noite. Nos dias que se seguiram, encontrei André. Não falamos sobre o beijo e ainda continuávamos tímidos por ele ter acontecido. Ainda brincávamos e nos divertíamos, mas ambos fazíamos de conta que nada havia ocorrido.
*
Era quinta feira, aproximadamente 15:00. André estava cheio de serviço e quase não tinha conversado comigo. De vez em quando ele caminhava até onde eu estava sentada e trocava algumas palavras.
- Moça me desculpa por não poder ficar tanto tempo contigo? Parece que inventaram um novo programa pra colocar nos computadores da escola e o programa não foi bem instalado. Tá dando o maior problema. E... –
- Não tudo bem – O cortei. – Eu entendo.
- Eu estou me sentindo mal por fazer isso contigo... Vai, eu vou me sentar aqui um pouco e te ajudar em algo. – Ele sentou do meu lado e olhou nos meus olhos. Meu coração falhou uma batida. – Tá com dúvida em alguma questão? –
- Tem certeza que não vai ter problema em sentar aqui e me ajudar? –
- Você é mais importante. – Suspirei. – Não ligo pros outros. –
- Então nesse caso, tem um probleminha aqui que eu não estou entendendo. Me ajuda? – Fiz biquinho. Ele se aproximou tanto que achei que fosse me beijar, mas algo o hesitou.
- Claro, me deixa ver a questão? – Ele apanhou o livro do meu colo. Enquanto ele tentava ler o exercício eu o observava. Como ele conseguia ser lindo daquele jeito? Dos lábios dele sussurravam algumas palavras, como se estivesse resolvendo a questão. Meu corpo se aqueceu e decidi desviar o olhar para evitar que fizesse qualquer atitude inesperada.
Percorri os olhos para a porta da biblioteca, a porta era de vidro então dava para ver o que se passava do lado de fora. Lá estava uma mulher, com uns vinte e poucos anos. Eu já a tinha visto na escola algumas vezes e se não me falhava a memória, ela era a professora de dança. Talvez essa fosse a única explicação pelo corpo devidamente esculpido. Ela fazia o gênero ‘gostosa’, isso eu não poderia negar. Seu cabelo era cor castanho caramelado, com corte chanel. Usava uma roupa de malha e sapatilha, o que confirmava que era mesmo a professora de dança. Ela acenou pra mim e eu acenei de volta. Perguntei-me se ela estava mesmo me cumprimentando. Até que percebi que ela gesticulou para chamar André.
- Hey, aquela moça parece que está te chamando. – O cutuquei.
- Ah, espera um segundo já volto para te ajudar. – Ele se levantou e saiu em direção a porta. Coloquei o livro de volta no meu colo e fingi que lia. Olhei discretamente para a porta e os dois conversavam. Ela colocou a mão no ombro dele e demonstrava intimidade demais. Algo me fez repugnar aquilo. Eu parecia estar com ciúmes, o que era estranho porque nunca havia sentido aquilo. Meu rosto se moldou numa expressão meio esquisita. Quando percebi que eles se despediram, voltei os olhos para questão. André se sentou novamente ao meu lado.
- Então, sobre a questão é o seguinte. No desenho está mostrando que... –
- O que ela queria? – Não aguentei e perguntei. Sabia que era errado perguntar, mas as palavras saíram da minha boca de forma não muito sutil.
- Ah ela me chamou pra sair hoje à noite... Acompanhá-la num jantar. – Minhas pernas tremeram e meu coração doeu.
- Reunião de funcionários do colégio é? – Fingi desinteresse. Queria que ele me dissesse se realmente ia sair com ela.
- Na verdade não... Parecia mais um... Sei lá, um encontro. –
- Ah sim. –Algumas sensações estranhas me envolveram e eu tive vontade de sair dali. Eu estava parecendo possessiva. Afinal, a gente tinha se beijado uma vez e nada depois disso aconteceu. Talvez ele não tivesse gostado do beijo. Fiquei me perguntando por que ele tinha dito que eu era a pessoa certa, eu até cheguei a acreditar que fosse. – Olha, eu preciso ir. Eu vou sair com a minha prima hoje à tarde, aquela que te falei a Júlia. – Disse levantando. Eu menti, precisava sair daquele lugar porque me sentia mal.
- Mas e o exercício? –
- Deixa pra outro dia ok? – Ele me observou, parecia ter percebido que eu tinha ficado estranha.
- Ok. Tchau moça! – Ele se levantou também.
- Tchau! – Eu disse friamente. Sai de lá com os olhos ardendo. Eu estava segurando um choro. Um choro de ciúmes, quem diria.
Acabou que a mentira se tornou verdade. Saí com a minha prima para um barzinho ali perto de casa no inicio da noite. Estávamos jantando e ela percebeu que eu estava distraída.
- O que houve Manu? Você me parece meio pálida... –
- Você já sentiu ciúmes? – Minha voz estava rouca e carregada. Minha mente focalizava cenas em que André beijava a professora e a raiva me consumia. Analisei o olhar que Júlia fez e percebi que ela me escondia algo. Algo que a machucava também.
- Bom, já. Existe um garoto lá na minha cidade, pra ser sincera ele é meu amigo. Meu melhor amigo. O nome dele é Gustavo. A gente começou uma amizade colorida há uns cinco meses e juramos que nunca ultrapassaríamos disso. Mas sempre que eu fico com outros ele sente ciúmes e quando ocorre o contrário eu também sinto. Só que ele não faz o meu tipo sabe? Ele é o tipo de cara em que eu me tornaria amiga, não o tipo em que eu me apaixonaria. Ele sempre pisa na bola comigo e eu sempre o perdoo. Às vezes me pergunto se faço isso porque gosto dele mais do que deveria... Mas não sei. Ele até já jogou algumas indiretas pra mim, mas acho que às vezes ele está tentando me usar. Fiquei com raiva da nossa última briga, por isso estou descontando tudo em todos os garotos que vejo aqui. Eu me sinto mal sabe? Eu não era vadia antes e acabei me tornando por vingança. Por ciúmes. – Os olhos dela encheram de lágrima. Parecia uma mistura de angustia, dor e raiva.
- Isso parece complicado... – Senti pena. Ela parecia estar sendo iludida por aquele garoto.
- Tudo bem... Isso é só mais uma fase idiota na minha vida. Não vamos falar sobre ele agora. Mas me diz por que está perguntando isso? – Ela revirou os olhos para conter o choro. Desviei o olhar para o chão. – Ah, você está com ciúmes do cara misterioso, é isso? –
- Talvez... –
- Ahhh – Ela me analisou. – Você está mesmo com ciúmes! Por quê? O que houve? –
- Bem... Ele tinha um encontro essa noite. E ela era mil vezes mais bonita que eu. E eu fiquei meio assim... –
- Poxa Manu, sinto muito. – Ela pegou minhas mãos e acariciou de leve. – Se ele saiu com outra depois de ter ficado com você, ele não quer nada. -
Ela passou o resto da noite tentando me convencer o quanto André era um cafajeste, o que eu me recusava a acreditar.
Notas finais
Espero que tenham gostado ^^ Em breve postarei o próximo capítulo. O próximo capítulo é bem divertido, então não perca!
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