Não Feche Os Olhos
14 Quase
Notas iniciais
Já era sexta feira e eu estava claramente chateada. Passei a manhã toda olhando para baixo e desejando a morte de certa professora de dança. O ódio e o ciúme me consumiam e me assustava. Afinal eu nunca havia sentido isso antes.
As aulas pareciam se arrastar junto comigo. Minha cabeça não desligou um minuto se quer da possibilidade de André ter gostado daquela mulher.
Irônico. Aquilo tudo era irônico. Ela tinha um corpo perfeito e o meu era sem graça. Ela deveria ter assuntos maduros que interessassem a ele, enquanto eu tinha dúvidas em física e brincava de ‘uni-duni-tê’. Resumindo: ela era uma mulher e eu era apenas uma adolescente.
Ao final da aula fui até a biblioteca decidida a não ser tão boazinha com André. Ele sempre foi gentil comigo, mas a probabilidade de ele ter me iludido me deixou incomodada.
- Oi moça! – Ele sorriu. Parecia todo animado. E eu queria matar a animação dele.
- Oi! – Eu respondi friamente sem olhar diretamente para seus olhos.
- Tá tudo bem? –
- Tá tudo ótimo. Perfeito. Maravilhoso. Melhor não poderia estar. Hoje eu vou estudar sozinha viu? Não me atrapalhe! – Usei o deboche para disfarçar os meus ciúmes. Caminhei até o corredor e me sentei. Tentei não admirar a beleza de André, como era acostumada fazer.
Não consegui estudar. Olhei para o relógio que marcava 17:42. Pensei em ir embora para casa, mas a idéia de ter que sair com a minha prima de novo, tornava tudo mais complicado. Eu estava cansada, fisicamente e principalmente psicologicamente. Queria minha cama, meu travesseiro e meu sono, de preferência sem pesadelos.
Ouvi passos em minha direção e focalizei André. Girei a cabeça para o lado na esperança de que ele não tivesse olhado para mim. Vi de relance ele sentando do meu lado.
- O que houve, moça? Porque está me tratando assim? –
- Não houve nada. Eu estou te tratando normal. – Cínica.
- Normal? Você não me olha diretamente nos olhos, não quis minha ajuda para estudar, evita falar comigo... Com certeza não está me tratando normal. –
- Está achando ruim? Vai lá pedir consolo pra sua amiguinha vai! – Joguei uma indireta.
- A professora? –
- Sim a professora! Não se faça de idiota! –
- Moça... –
- Como você acha que eu estou me sentindo André? Você vira pra mim, diz que acha que eu sou a pessoa certa, eu te beijo e você me corresponde, me diz coisas bonitas... Você me ilude. E depois, resolve sair com a professora da dança. Na primeira oportunidade. Talvez tenha sido só um beijo comum pra você, com uma garota qualquer. Mas pra mim não foi! Foi meu primeiro beijo, com a pessoa que eu queria. Com uma pessoa que era importante pra mim! –
- Eu não saí com ela. – Ele disse em tom baixo.
- O quê? – Vibrei.
- Eu não saí com ela não, moça. –
- Mas... Mas ela te chamou. Eu a vi te chamando. E você me confirmou isso! – Disparei a falar
- Eu disse que ela tinha me chamado, mas não disse que eu aceitei. – Ele pegou no meu queixo com uma das mãos e puxou para mais perto dele. – Eu disse que você era a pessoa certa e ainda é. É você que eu quero. É de você que eu gosto. – Ele se aproximou da minha boca e me deu um selinho rápido. Um arrepiou subiu pelo meu corpo e minhas pernas estremeceram. –Eu não te iludi sua boba. – Abri a boca.
- Agora eu me sinto uma idiota! –
- Estava com ciúmes de mim? – Se afastou um pouco do meu corpo. Eu estava quente pelo momento.
- Só um pouquinho... –
- Sabia! Você é uma bocó! Não precisava de toda essa confusão. – Ele balançou
- Eu sempre faço confusões, acostume-se com isso. –
- Eu posso me acostumar... –
- Bom eu já tenho que ir. Ultima noite da minha prima lá em casa e eu quero aproveitar a companhia dela. – Eu e a minha irritante mania de pular fora quando as coisas começam a melhorar. Provavelmente eu estava com o rosto vermelho pela vergonha que senti e por ter agido como uma imbecil pra cima dele. Mas confesso que estava completamente aliviada por saber ele foi sincero comigo. E mais ainda quando soube que era EU que ele queria. – Quer saber? Desculpe por tudo isso... Eu tirei conclusões precipitadas e ainda te julguei mal. –
- Tudo bem, eu deveria ter explicado também... Acho que mereci isso. –
- Não. Com certeza não mereceu! Eu fui idiota e aceite logo esse fato, nem sempre você ganha uma discussão comigo... – Ele revirou os olhos. Levantei as mãos e me despedi.
- Tchau André! –
- Tchau moça! – E ele fez algo que me surpreendeu. Ele me abraçou. Meu corpo se envolveu com um sentimento de proteção novamente e eu quis continuar nos braços dele por um longo tempo. Em seguida beijou minha testa. Quando a boca dele encostou-se à minha pele, estremeci.
Ele me soltou e cambaleei pela porta. Fora de mim. Meu estômago dava voltas e minhas pernas vibravam.
Em casa, contei tudo o que podia contar para Júlia, omitindo o fato de quer era realmente o cara misterioso.
- Sério? – Ela estava surpresa.
- Uhum. Ahhh, eu me sinto completamente besta! – Grunhi jogando meu corpo na cama.
- Meu Deus, homens românticos ainda existem... Você precisa me apresenta-lo! – Olhei pra ela. – Não-Não é para mim não, ele é seu. Eu quis dizer que eu adoraria conhece-lo. Eu vou embora amanhã, não é possível que você não vá me apresentar o garoto que roubou seu coração... –
- Bom, ele não roubou meu coração. – E ele também não era um garoto, mas não disse isso em voz alta.
- Ah, sei e acredito! –
Rimos durante toda a noite. Ela resolveu me contar mais sobre o tal garoto, Gustavo, que havia deixado ela confusa. Tentei dar conselhos, mas como sempre ela não me escutou.
Por mais que ela fosse doida e completamente o oposto de mim, sentiria falta dela. Ela tinha sido uma ótima companhia para mim em casa, fazendo com que eu não me sentisse mais tão sozinha. Meus pais nem falavam mais comigo, como sempre. E ela fazia o papel de quem pergunta: ‘Como foi seu dia?’ ‘O que você fez hoje?’. Iria mesmo sentir saudades.
Contamos histórias até dormirmos na mesma cama.
Sábado de manhã, me arrumei para ir ao colégio. Coloquei uma regata preta sobre o uniforme, uma calça de tecido azul marinho e coloquei meu all star. Passei pouca maquiagem e fiz uma trança lateral no meu cabelo. Levei um short xadrez, para não perder o costume. Estava me sentindo confortável.
Minha mãe me levou para a escola e o silencio se abrigou ali.
Na escola nada parecia muito interessante. Alguns fizeram gracinha com meu short xadrez, outros implicara com a minha trança... E o meu dia parecia normal como sempre.
Exceto que pensei em André a manhã toda. Passei a odiar os sábados por não poder ficar com ele durante a tarde. Eu comecei a sentir muita a falta dele. Muita falta dele. Durante o recreio, tomei a decisão de ir vê-lo no final da aula, somente para despedir ou cumprimentar, ou até mesmo só para ver aquele sorriso de novo.
O sino soou e quando dei por mim, um frio apossou do meu estomago. Eu estava tímida novamente para me encontrar com ele. Percorri os olhos por cada degrau enquanto eu subia. Senti meu celular vibrar no bolso e olhei. Era uma mensagem de Júlia.
- Vim te buscar no colégio Manu! Onde você está? Todo mundo já saiu... – Li.
- Já vou sair, só vou passar na biblioteca antes ok? – Respondi. E guardei o celular no bolso.
Dei de cara com André na porta da biblioteca.
- Achei que não ficasse sábado à tarde aqui... – Ele já disse dando o sorriso que eu esperava.
- E não fico! Só vim te dar um ‘oi’ por uns cinco minutinhos. – Eu disse que queria dar um ‘oi’ quando queria era beijá-lo. Estava quase que convicta que tomaria coragem para conseguir um beijo. Entrei dentro da biblioteca e ele fechou a porta. Parecia que tinha lido meus pensamentos. Ele se aproximou de mim e colocou as mãos na minha cintura. Levei as minhas mãos até seu pescoço e me preparei para puxá-lo para mais próximo de mim.
Assim que estávamos nos sentindo prontos para seguir em frente, ouvimos passos advindos da escada. Alguém estava subindo até a biblioteca. Empurrei André para longe de mim e me coloquei de costa para ele e de frente a uma prateleira. Fingi estar procurando um livro e percebi que André disfarçava também.
- Ah até que fim... Encontrei você! – Era a voz de Júlia. Direcionei meu olhar para a porta e lá estava ela. Ela parecia não ter notado André ali ainda.
- Oi-oi! Eu estava só pegando um livro aqui pra estudar. – Menti. – Deixa eu te apresentar meu amigo – Apontei para André tentando mostrar indiferença. – André essa é minha prima Júlia, Júlia esse é meu amigo André. –
- Olá André! – Ela afinou a voz. Coisa que costumava fazer quando engasgava com a beleza de algum cara ou estava tentando jogar charme. E novamente o ciúme me inundou. Ela se aproximou dele e deu um beijinho no rosto. Ele inclinou a perna para trás, meio constrangido. – Tudo bom? -
- Tudo sim. – Ele sorriu timidamente. Eu não estava gostando da atitude da minha prima que já estava com uma mão no ombro dele. – E com você? –
- Melhor agora! Então vocês se conhecem há muito tempo? Trabalha aqui na biblioteca é? -
- Melhor irmos embora! Eu já peguei o livro. – Escolhi um livro qualquer sobre ‘Teoria molecular’ e a puxei para longe de André. Ela se soltou de mim com certa violência.
- Hey, me solta. O que foi? Deixa-me conversar com ele... – Ela olhou pra mim. Franziu as sobrancelhas como se dissesse ‘Sai daqui que eu vou ficar com ele’. Aquilo foi demais pra mim.
- Não! A gente precisa sair daqui agora, eu preparei uma surpresa pra você. E tem que ser agora! – Tentei não transparecer desespero ou raiva, mas parecia impossível. Minha voz tremulou. Ela me afrontou.
- Ok... Surpresa né? Espero que seja boa! – Ela se virou para André e dei um selinho na bochecha dele. – Tchau! Foi um prazer te conhecer. –
- Ah-h, o prazer foi meu! Tchau! – Ele disse sem graça.
- Desculpa! – Sussurrei para que ele pudesse ler meus lábios enquanto empurrava minha prima para fora do lugar. Ele sorriu pra mim, o sorriso mais sincero de todos.
Notas finais
(Quero meu 'André' de volta =/ ).
...
Enfim, esse capítulo eu quero dedicar a algumas pessoas:
Minhas leitoras 'auto-estima' que me deixam reviews maravilhosos: Jess_Banks e Smely Winshik (São elas que me fazem escrever cada capítulo, uma dedicatória especial a vocês duas).
Minhas leitoras fiéis matutinas, que não me abandonam: Lua Doce, SunshineBlue, Frutas Vermelhas, Alícia Cath, Bonnie Life, Giih.
Minhas queridas e amadas leitoras, que não perdem um capítulo: kamilaschafer, mariisantos2, GabsLefebvre, Brooke Maia, Maddu Gaya, Jéé, Caixetinha, Carol belive.
Minhas leitoras 'tímidas', que me mandam mensagem ao invés de escrever reviews.
E as minhas novas leitoras, que crescem o número a cada dia.
(Sorry se eu esqueci de alguém, mas é muita gente!)
Cada uma dessas meninas tem um espacinho reservado aqui em mim *-* Obrigada por me acompanharem. Graças a vocês: 7 recomendações, 181 reviews, 40 leitores, 20 favoritos *-* Estou feliz! Quem sabe eu não chegue aos 200 reviews hoje ;D
Até o próximo capítulo leitoras!
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