Notas iniciais
Hey leitores fiéis e fantasmas *-* Enfim, deixei muitas pessoas curiosas quanto as mensagens e ao que ela viu na biblioteca, e ao menos uma dessas eu vou revelar hoje (: Esse é mais um capítulo para vocês conhecerem um pouco da vida do André e para a Manu também saber com quem ela está lidando.

André estava estranhamente dançando ou tentando dançar aquela música. Girava o corpo sem jeito e mexia as mãos de maneira engraçada. Jogava a cabeça de um lado para o outro e seus cabelos balançavam com o vento que se formava pelos movimentos que ele fazia. Seus olhos estavam fechados apreciando o bom som. Por mais que sua dança fosse gozada e desajeitada, ele continuava lindo como sempre. Levemente sensual.

Girou a cabeça novamente e se postou em minha frente. Ao abrir os olhos se assustou ao perceber que eu estava o observando. Ele desligou o som e a única coisa que pudemos ouvir na biblioteca eram minhas gargalhadas.

– Há quanto tempo você estava aí? – Perguntou timidamente temendo minha resposta.

– Tempo suficiente para descobrir que você não sabe dançar. – Eu disse entre as risadas.

– Porque não me avisou que estava aqui? Não era para você ver essa cena... –

– Uai, eu tentei avisar, mas o som estava alto demais para você ouvir. E relaxa não vou contar isso pra ninguém ok? – Eu não conseguia parar de rir.

– Moça... – Ele só conseguia olhar para o chão.

– Hey, calma... Mas e então? Dança comigo? – Estendi a mão atrevidamente esperando que ele aceitasse.

– Não moça, eu não sei dançar. Principalmente dança de ‘parzinho’. – Ele relaxou o corpo. Estava tentando se sentir a vontade depois daquela cena que presenciei.

– Ah, por favor? Eu te ensino! Por favor, por favor, por favor? – Insisti.

– Quem sabe outro dia tá? Depois de todo esse vexame, a última coisa que quero é dançar. E quando eu digo dançar, eu quero dizer ‘pisar nos teus pés’. –

– Tudo bem, mas eu vou cobrar essa dança viu? Aliás, vou colocar na minha ‘lista de coisas para fazer antes de morrer’ – Alterei o tom de voz. – ‘Ver André dançar novamente’! –

– Engraçadinha! E então – ele tentou mudar de assunto. Pigarrreou algumas vezes. – Como foi seu final de semana? –

– Foi normalmente tedioso. Dormi quase que o dia todo, evitei pessoas, arrumei casa. Nada diferente do que estou acostumada a fazer. E o seu? –

– Bem parecido com o seu... Hum, troca só o fato de que ao invés de arrumar a casa, eu fiquei jogando vídeo game. –

– Você não limpa a casa nunca? –

– A minha madrasta limpa. Eu até ajudo às vezes, não sou tão bagunceiro assim como você está pensando. –

– Você mora com sua madrasta? – Não consegui parar de perguntar.

– Isso é uma entrevista? – Ele riu.

– Oh, me-me desculpe. Às vezes eu disparo a falar sem parar. –

– Tudo bem moça, não tem problema perguntar. Bom, eu moro com minha madrasta e com meu pai. Minha madrasta está grávida, então logo vou morar com um bebê chorão também. –

– Se não tem problema perguntar, eu posso continuar com as perguntas né? – Franzi as sobrancelhas.

– Claro que pode. – Ele deslizou as costas pela parede até sentar no chão. – Já vi que são várias! – Ele sorriu novamente. Sentei de frente para ele. André sempre me despertou o interesse. Ele já sabia muita coisa da minha vida e eu quase não sabia da vida dele. Achei que fosse a hora certa para descobrir.

– Então, você só tem esse bebê de irmão? –

– É irmã na verdade... E não, contando com o bebê, eu tenho quatro irmãos. Dois eu não conheço e a outra a gente é bem unido. Crescemos juntos. O nome dela é Alessa. –

– E a sua mãe? – Assim que fiz a pergunta me arrependi. Ele mordeu o lábio e evitou olhar nos meus olhos.

– Não me leve a mal moça, mas não queria falar da minha mãe agora. –

– Não, tudo bem. Eu que comecei um interrogatório, me desculpe. Eu vou parar... Ah, antes que eu me esqueça, trouxe esse pão-de-mel pra você! – Mudei de assunto rapidamente e estendi o bolinho para ele pegar.

– Poxa obrigado! Eu estava mesmo com fome. Então quer dizer você tem alguma parte boa no seu coração? É? – Começou com sarcasmo.

– Bem, eu quis ser gentil. Tecnicamente estou agradecendo o colar que você me deu, então não acostume com esses favores. –

– Ah, você acha que me pagar esse bolinho vai nos deixar quites? Sinto te informar que o colar custou mais que um real. Ou seja, você ainda está me devendo! –

– Depois daquela dança ali, eu te devo a minha alma! – Três pontos pra mim. Eu estava liderando minha competição silenciosa com dois pontos de vantagem.

– Sua boba! – Ele corou – Eu quis te dar o presente, você não me deve nada. -

– Mesmo assim, algum dia eu vou retribuir. –

– Não precisa! – Ele cruzou os braços.

– Mas eu vou!... E se continuar dizendo que não precisa, vamos continuar com essa discussão o dia todo. E no final quem vai ganhar sou eu, porque nunca perco uma discussão e sempre tenho razão. –

– Ixi, desculpe, mas eu discordo! – Ele se surpreendeu.

– Veremos então! – Sorri maliciosamente. – Hey, você sentiu tanta falta minha assim a ponto de me mandar uma mensagem no sábado à noite pra mim? – Disse para ele justamente quando me lembrei do ocorrido.

– Eu? Mandei mensagem? Não moça, eu nem tenho seu numero. – Ele franziu o cenho.

– Sério? Uai, essa mensagem é de quem então? – Aproximei dele e procurei a mensagem no celular.

‘Feliz aniversário! Senti sua falta!’ – Ele leu. – Pode ser algum tipo de admirador secreto.

– Eu com admirador secreto? Conta uma piada melhor que essa não fez nem cosquinha! – Disse friamente.

– O número é bloqueado, esse não queria mesmo ser identificado. Ah, e não vejo razões para você não ter admiradores secretos. Como eu disse antes, você é muito divertida e interessante. E na verdade, a piada foi você ter achado que eu te mandei a mensagem. Você pode até ser ‘divertida e interessante’, mas não o suficiente para eu dar um jeito de te mandar uma mensagem no meio da noite! – Eu o olhei descrente. Ele dava mais um de seus sorrisos perfeitos que combinavam com o brilho dos seus olhos. Eu sabia que continha deboche naquelas palavras, mas não pude deixar de me indignar.

– O quê? –

– É brincadeira viu? Não fica brava, por favor? – Ele parecia assustado com meu tom de voz. – É que eu não tenho seu número moça. E, posso até fazer umas gambiarras de vez em quando, mas não faria isso para conseguir seu número de telefone. Eu só vou tê-lo quando quiser me dar. – Indireta? Não sei, mas não ia dar meu número tão rápido assim para alguém. Confesso que até queria dar meu número para ele, só que novamente o medo de parecer atirada demais me inundou.

– Talvez eu esteja me sentindo idiota por ter mesmo achado que era você... Mas enfim... –

*



Passamos o resto da tarde conversando sobre coisas aleatórias. Engasguei com as palavras algumas vezes ao me lembrar da dança que presenciei dele. O dia passou extremamente rápido e pela primeira vez não gostei.

Quando minha cabeça parou de girar pelos momentos mágicos daquela tarde, percebi que já estava no meu quarto contemplando as horas do meu celular. Eu havia olhado o horário mais de cinco vezes, mas não consegui prestar atenção àquilo. Se alguém me perguntasse ‘Que horas são?’ eu não saberia responder.

Antes de pegar no sono, senti meu celular vibrando novamente. Outra mensagem.

Sonhei com você essa noite. – Li. O número estava bloqueado. Julguei que poderia ser a mesma pessoa que havia me mandado a mensagem anterior.

Tentei limpar minha mente e resolvi dormir. Quando estava quase completamente entregue ao sono, meu celular vibrou novamente.

– Alô? – Eu estava sonolenta.

– Sua voz fica ainda mais linda quando está dormindo! – Respondeu a outra pessoa na linha. Era a voz de um garoto, mas não sabia quem. Definitivamente não era André, o que me decepcionou um pouco.

– Quem está falando? –

– Sabe, eu não consegui esquecer seu cheiro de quando te beijei... –

– Daniel? – Berrei. Não acredito que era ele atrapalhando meu justo sono. – O que você quer? Como conseguiu meu número? -

– O que eu quero? Eu quero você! Como consegui seu número? Eu disse que não desistiria fácil. Você não sai do meu pensa... – Desliguei na cara dele. Resolvi salvar seu número para saber quando ligaria de novo e não atender. Eu sabia que ele não iria desistir fácil. E também sabia que a sua intenção de ficar comigo não era a das melhores. Tinha um plano por trás disso e eu ia descobrir. Mais cedo ou mais tarde.

Fechei os olhos e deixei meu corpo relaxar vagarosamente.



Notas finais
Como podem ver o André também guarda algo no passado e isso vai ser revelado ao longo da história ^^ Bom, espero que gostem desse capítulo. Mas garanto que o próximo esquenta mais um pouco *-*