Notas iniciais
Leitores do meu coração :D Mais um capítulo para vocês, hoje um ótimo capítulo do casal 'Maré' ( Manu/André - apelido sugerido pela Maddu Gaya). Vamos ver nosso amado André cuidando da nossa fofa Manu. Espero que gostem *-*

- Você mesma que tirou. E tirou as minhas também. – Olhei pra ele e arregalei os olhos. Ele gargalhou com a minha expressão e remexeu o corpo. – Sua boba, você tirou suas roupas e colocou a camiseta. Não tirou as minhas tá? E pode ficar tranquila que talvez eu nem estivesse no quarto quando se despiu. – Arqueou as sobrancelhas.

— Talvez? — Observei seus olhares custosos pra mim. Ri internamente sabendo que jamais poderia saber a resposta com tanta certeza. – O que exatamente aconteceu ontem depois que cheguei aqui? –

- Você correu para o banheiro e vomitou. Reclamou algo sobre a sua família que não pude entender direito... Você não estava dizendo coisas com muito sentido. Trocou de roupa enquanto fui buscar um café pra você, mas quando voltei você já tinha dormido na minha cama. –

- Desculpe por toda a bagunça... E por vomitar no seu banheiro. – Levantei de novo e me senti tonta. Pressionei os olhos. – Que vergonha, meu Deus! –

- Sua boba! – O escutei rindo. – Vou buscar um remédio pra você, deve estar com uma ressaca do inferno. – Assenti. Ele se levantou da cama e se retirou do quarto. Pus-me em pé no chão e fiz uma cara duvidosa. André apareceu no quarto.

- O que foi? – Perguntou confuso.

- Onde é o banheiro mesmo? – Respondi. Eu estava sofrendo internamente por culpa da noite passada.

*

Na hora do almoço, estávamos na sala comendo uma macarronada que ele mesmo havia feito. Foi assim que eu tive certeza o quão bom cozinheiro ele era.

- Você não foi trabalhar hoje? – Perguntei de boca cheia. Minha voz saiu um pouco mais grossa do que eu pretendia.

- Não... Eu liguei para o colégio e disse que estava muito doente. – Ele continuou remexendo no prato. – Mas eu devia ter dito que tive que cuidar de uma criança mimada. – Olhou de lado pra mim e prendeu os lábios esperando que eu tivesse uma explosão de humor.

- É acho que mereci essa. – O surpreendi. Empurrei o prato numa mesinha ao lado do sofá. – Você não morava com seu pai e a sua madrasta? – Recordei.

- Morava... Mudei para cá tem uns cinco dias. Essa era uma casa que minha tia alugava. O antigo inquilino reclamou da infiltração na parede, ali ó – Ele apontou para o canto da sala – Está vendo? E então ele se mudou daqui. Eu aproveitei para alugar a casa, morar sozinho é bom. Evita muita confusão lá em casa. – Balancei a cabeça aprovando a idéia de morar sozinho. Era praticamente meu sonho desde quando nasci, mas não disse nada em relação a esse fato.

- Sabe, sua decoração é estranha... – Brinquei com os lábios esperando uma expressão nada amigável da parte dele. Ele parou de comer e olhou para mim.

- Como assim, moça? – André mordeu o canto inferior da boca me fazendo querer beijá-lo novamente.

- Essa estante, essa mesa e esse sofá... Não tem nada a ver um com o outro. – Arqueei as sobrancelhas. Apontei para cada móvel alternadamente com as minhas palavras.

- E o que você entende de decoração? –

- Mais do que você aparentemente! – Ponto pra mim de novo. Apenas rimos. Ele sacudiu a cabeça negativamente e voltou a comer. – Então, o que vamos fazer essa tarde? – Pigarreei.

- Eu acho que deveria te levar pra casa, não é moça? –

- Não quero ir agora... Deixa pra mais tarde! Minha mãe tem que esfriar a cabeça um pouco e eu também, se não vou acabar sendo expulsa de casa para sempre. –

- Tudo bem, desde que não vá te arranjar mais problemas, eu te levo a hora que quiser. – Sorriu novamente. Ele se levantou e recolheu ambos os pratos. – Já venho. – E se encaminhou para a cozinha. Deitei meu corpo no sofá e meus olhos fitaram o vermelho da parede da sala. Aquele cômodo era mesmo engraçado, nada dali combinava. Ele era bom cozinheiro, mas péssimo decorador. Respirei fundo e fechei os olhos. Alguns minutos depois, senti um peso extra no sofá. André levantou minha cabeça e colocou no colo dele. Passou a mão em meus cabelos carinhosamente e olhou em meus olhos.

- Quer me contar o que houve com a sua irmã? – Ele me analisou apreensivo.

- Achei que já soubesse... –

- Sei apenas que ela está no hospital, mas nada, além disso. Aliás, não fazia idéia que você tinha uma irmã. Não até ir ao hospital e procurar você na lista de pacientes, foi aí que uma recepcionista me contou que você era apenas a irmã da doente. -

- Minha irmã está com leucemia. – Soltei sem mais delongas. Suspirei. – E parece que eu sou sua última chance de viver. Fui para o hospital fazer diversos exames ontem... Teste de compatibilidade e o resultado deve sair amanhã, eu acho, ou depois de amanhã. – Levantei do seu colo subitamente. – Se tudo der certo, eu vou doar a medula pra ela. – Fiz uma cara preocupada.

- Está com medo? – Ele me encarou. Meu olhar vazio afrontou o chão.

- Estou com medo de isso tudo dar errado e mais uma vez ser culpa minha. Perder a minha irmã por culpa minha... –

- Shh... – Ele me abraçou. – Vai dar tudo certo e vai tudo ficar bem ok? – Encostei minha face em seu pescoço e deixei uma lágrima umedecer minha pele. Ele tocou meu queixo com um dos dedos e levantou minha cabeça. Deu um beijo por onde minha lágrima havia escorrido e deu um olhar complacente a mim. Minha visão cursou por todo seu rosto e pairou sobre seus lábios. Aproximei-me dele e o beijei. Um beijo tão cálido e doce me fez sentir segura. Seus braços me envolvendo em seu corpo trouxe certa proteção pra mim e foi naquele momento que esqueci todos meus pensamentos negativos. Naquele momento eu realmente acreditei que tudo poderia dar certo.

Continuamos nos beijando por mais alguns minutos, sem pressa e nem urgência em cada beijo. Era mais como se ele estivesse cuidando de mim e tentando aliviar toda dor que eu sentia em meu peito. Algumas vezes seus lábios passeavam com gentileza em meu pescoço me deixando ainda mais morna. Por fim, ele mordeu de leve meu nariz me fazendo soltar um riso bobo. Permaneci deitada sobre seu peito enquanto ele se aconchegava mais no sofá. Aquela situação teria tido um final diferente se meus pensamentos não tivessem tão ocupados com meus problemas. Prosseguimos naquela posição durante um bom tempo e um silêncio se instalou. O que poderia ser ouvido era apenas o choque das nossas respirações um sob o outro.

- Moça? Podemos ir ver sua irmã essa tarde. – Ele quebrou o sossego. – Se quiser é claro. – Pensei durante uns instantes.

- Eu acho que seria ótimo fazer isso. – E voltamos a fazer silêncio por alguns minutos.

- Sabe, ontem à noite, enquanto você estava dormindo, seu celular tocou umas trinta vezes e eu resolvi atender para avisar que você estava dormindo e para não te incomodar àquela hora... – Comecei a ouvir seu coração bater mais rápido. – Quem é Daniel? – Respirei fundo.

- Ninguém importante. Um garoto que sempre me odiou e que agora pediu uma chance para provar que é uma pessoa melhor... O que é bem estranho. –

- Toma cuidado com esses caras viu? Geralmente eles fazem isso querendo... Outra coisa... – Ele suavizou o tom de voz. – Ou pode simplesmente estar apaixonado por você e eu estar enganado. – Ri assim que terminou a frase.

- Ele não está apaixonado por mim... E mesmo se estivesse, não é ele quem eu quero! – Ouvi o sorrir. Ele me apertou em seus braços por um tempo. – Ele talvez esteja tentando realmente mudar... Na nossa última ligação, eu meio que dei uma chance a ele de provar isso. – Por não estar vendo o rosto de André, não podia confirmar, mas tive quase certeza que ele fez uma careta.

- Boba! Ah e tem mais uma coisa que eu acho que deveria contar –

- O que é? –

- Ontem de madrugada chegou mais uma mensagem daquele número bloqueado. – Bufei em seguida.

- Esse alguém não quer me deixar em paz... E o que dizia na mensagem? –

- Dizia apenas duas palavras: Sinto muito! – Enruguei minha testa. – Faz idéia de quem pode ser? –

- Não... Faço à mínima idéia! -

Levantamo-nos do sofá e ele resmungou algo sobre procurar a chave da moto. Caminhei até o quarto e fui trocar de roupa rapidamente. Tirei a camiseta dele do meu corpo e comecei a colocar meu short e minha regata. Quando encarei a porta, André estava lá levemente corado e desviou seu olhar do meu. Perguntei-me o que ele havia visto.

- Vamos? – Ele estendeu a chave ainda não me encarando. Vi seu rosto se moldar em uma face boba e safada e somente ri.

- Tem um pequeno problema – Cerrei os dentes.

- Qual? –

- Essas roupas estão cheirando a álcool. E além do mais, eu estou precisando de um banho. – Fiz cara de nojo.

- Se quiser, passamos na sua casa pra você pegar algo e ves... –

- Não! Nós não podemos passar em casa. Fora de cogitação enfrentar minha mãe. Tem algo para eu vestir aqui? – Interrompi-o.

Notas finais
Bom, provavelmente a partir de hoje eu demore um pouco mais pra postar :3 Sorry por isso. Vou começar a dividir o tempo entre a escrita, os estudos e o trabalho u.u Sorte pra mim.
Então? *-* O que acharam do capítulo?