Notas iniciais
Hey people :D Mil desculpas, quase uma semana sem postar né? Então, agora eu pretendo que seja assim. Eu estou super atarefada. CursinhoTrabalho estão me consumindo muito. Mas enfim... Espero que gostem desse capítulo, para quebrar a tensão do anterior. Eu recebi muitas ameaças e talz, então fiz um capítulo bem bonitinho '-'

Quando voltei a mim e percebi que estava mesmo beijando o Daniel – o garoto que eu odiava cerca de três meses atrás, o mais “galinha” e cafajeste da escola –, eu o empurrei com as mãos fazendo com que ele se desequilibrasse de cima do capô do carro.

– NÃO! – Gritei incrédula. Meu coração disparou e pediu espaço para sair pela boca. – Não, não e não! Isso não aconteceu, não era pra ter acontecido... Diga que não aconteceu! – Olhei para Daniel que me encarava confuso.

– O que não aconteceu? O beijo?

– Daniel, você sabe que não gosto de você dessa forma. Você me obrigou a te beijar! – Apertei meu rosto nervosamente na esperança de que aquele momento simplesmente sumisse da minha memória. Desci de cima do carro e comecei a andar em círculos.

– Epa! Eu não te obriguei, você me correspondeu... – Ele pôs os pés no chão e cruzou os braços, indignado.

– Eu estou completamente apaixonada por um cara, como você pôde fazer isso? – Enruguei a testa.

– Eu não fiz nada de mais. Só te beijei e você não protestou. E retribuiu ao beijo, nem pense em negar!

– Olha... Isso nunca aconteceu, ok? Me promete que jamais vai contar isso pra alguém? – Ele balançou a cabeça de um lado para o outro e fez menção de entrar no carro. – Promete? – Implorei mais uma vez.

– Tchau, Manuela! – Ele disse rispidamente. Ligou o carro e em seguida foi embora me fazendo o perder de vista na curva da primeira esquina. Adentrei em casa e corri para o quarto. Fiquei de costas para a porta e deixei meu corpo deslizar até cair no chão. Levei minhas mãos até minha boca abafando minha respiração ofegante, que saia juntamente com algumas palavras.

– Não acredito no que acabei de fazer! – Eu disse, cada palavra pausadamente.

Eu me sentia como aquelas garotas que ficam com tantos homens que acabam perdendo a conta, uma vadia. Eu sabia que meu coração pertencia ao André, só não conseguia entender porque havia cedido aos impulsos e beijado o Daniel. Tudo bem que haviam sido apenas três segundos, mas foram eles que levaram minha consciência do céu ao inferno.

Como já estava na hora de me arrumar para ir ao colégio, decidi tomar um banho e tentei esfriar a cabeça. Sem sucesso, voltei ao quarto procurando algo para vestir que não me barrasse na portaria da escola, ou seja, meu uniforme, calça legging e uma sapatilha. Evitei pensar sobre o beijo que havia acontecido, pois aquilo acabaria com certeza estragando meu dia.

*

A manhã havia começado de forma espetacular. O meu cabelo tinha chamado muita atenção, não faltaram cochichos ao meu lado sobre isso. No final da aula daquela entediante segunda-feira, a palavra “puta” circulou meus pensamentos a manhã inteira. Sem contar que também questionei o motivo de ter cedido à investida do Daniel outras trinta vezes. Ele não falou comigo, talvez porque ele tinha percebido que o evitava. Também só o tinha visto na escola uma vez naquele dia. Ele não tinha assistido à aula e eu não quis saber o motivo.

Eu estava subindo as escadas de encontro à biblioteca, quando parei uns três degraus antes e respirei fundo. Abri a porta e esgueirei a cabeça por dentro do local e observei cada canto. Não vi André de primeira, por tanto pensei que ele talvez tivesse saído de lá por alguns minutos. Entrei e fechei a porta. Caminhei até o nosso cantinho, o nosso corredor. Encostei o corpo na parede e joguei a cabeça para trás com mais força do que esperava, soltando um barulho.

– Ai! – Gemi de dor. Levantei uma das mãos e levei de encontro ao alto da minha cabeça. Provavelmente eu iria ficar com uma espécie de calombo no local.

Olhei para frente e fixei meu olhar em algum ponto vago. Minha cabeça estava atordoada devido às emoções dos últimos acontecimentos. Eu ainda não acreditava que tinha beijado Daniel sob aquelas circunstâncias. Eu definitivamente amava André, embora nunca tivesse dito isso a ele, e tinha acabado de ficar com o cara – justo aquele – que ele jurou quebrar a cara se caso aproximasse mais de mim.

– Você é uma idiota, Manu! Bem feito pra você! – Resmunguei alto. Eu sabia que a culpa era minha. Eu vinha dando muita liberdade para Daniel, o que eu esperava? Virar apenas amigos de uma hora para outra?

– Uau! – A voz de André bloqueou meus pensamentos. Levantei meus olhos até o início do corredor, onde o vi. – Você está linda! – Não... Lindo era ele. Charmoso com aquela camiseta preta, calça jeans e coturnos. Eu nem imaginava que ele usava coturnos. E lá estava o meu sorriso encantador. – Minha princesa agora é morena? – Ele se aproximou de mim boquiaberto e de braços abertos prontos para envolver meu corpo. Aproximei-me dele e dei um abraço apertado. Ele afagou meus cabelos e eu olhei em seus olhos, desprendendo-me um pouco de seu corpo.

– Gostou mesmo? – Mordi o lábio. Eu sabia como ele adorava que eu fizesse isso.

– Eu achei lindo! – Ele selou seus lábios nos meus por uns segundos. Sua boca não podia ser comparada à de Daniel. André me beijava com tanto carinho e de forma tão sensual que me instigava a beijá-lo mais. Daniel tinha apenas uma boca comum. Sem sentimentos e sem emoção alguma. – Você sabe que eu te acho linda de qualquer forma não é? – Sorri para ele. Os pensamentos que envolviam Daniel voltaram a minha cabeça me deixando desconcertada. Podia parecer normal para todo mundo a minha volta, afinal, eu e André não somos oficialmente namorados, por tanto não tinha sido uma traição. Mas no fundo do meu coração, eu sentia como se tivesse mesmo o traído. – Você está bem? Parece meio chateada... – André disse notando talvez minha frustração. Afastei-me do seu corpo, voltando a estar mais próxima da parede.

– Estou bem, não é nada... Apenas pensando em coisas. – Desviei o olhar do seu na esperança que mudássemos de assunto.

– Tem certeza disso?

– Absoluta! – Sorri novamente. – Então, você tem muito serviço hoje? – Tentei parecer indiferente, mas tinha quase que certeza que ele havia notado que tinha acontecido algo.

– Bom, mais ou menos. Estarei ocupado um pedaço da tarde. E você, muitos estudos? – Ele arqueou as sobrancelhas e dei graças aos céus por ele não ter insistido no assunto anterior.

– Não, estou com preguiça de estudar hoje... Vim apenas fazer companhia! – Fiz uma careta sapeca e ele não deixou de gargalhar.

*

No meio da tarde, André estava trabalhando em algum computador enquanto eu arrumava os livros da estante. Decidi organizar por ordem alfabética, um afazer nada fácil, mas que me deixava bastante ocupada. Com sucesso, ao chegar novamente ao nosso cantinho, eu já estava na letra P quando me deparei a um envelope ao meio de dois livros. Peguei-o da estante e deixei a boca entreaberta surpresa.

– André! – Gritei – Lembra quando estávamos procurando a carta perdida do garoto com as cinco namoradas? – Recordei daquela história que ele havia me contado há meses atrás.

– Sim, o que tem? – Ele disse sem tirar os olhos do computador.

– Eu acho que achei a última carta! – Exaltei.

– Sério? – Por alguma razão ele não parecia tão animado quanto eu, o que era estranho, pois ele havia passado muito tempo procurando aquilo. Talvez estivesse bastante ocupado com o trabalho, então eu dei de ombros. – Lê aí e depois me empresta pra eu ler também?

– Tudo bem... – Fiz um biquinho. Eu continuava com uma curiosidade imensa para ler o que havia contido na carta. Engraçado que o envelope parecia bem conservado, para que tinha sido escrito há muitos anos atrás. Rasguei o envelope e peguei um papel que estava lá dentro. Respirei fundo e comecei a ler.

“Essa é uma carta de amor. Sim, A-M-O-R! Conheci você de uma maneira muito estranha. Digamos que esbarrar em uma pessoa tão pequena quanto você não seja bem... Normal. Mas sabe? Desde aquele dia, o sorriso que você me deu ficou em minha mente, não me deixando dormir à noite. Seus olhinhos pequenos e brilhantes começaram a fazer meu coração acelerar cada vez que olhava pra mim. Sua oscilação de humor era incrível. Você sempre se irritava tão fácil que eu passei meramente a adorar ver você irritada. E olha que eu quase sempre faço de tudo pra te ver assim. Por quê? Simplesmente por que você fica linda nervosa. Aliás, você é linda, de todo jeito! Ah, eu adoro quando você cora ao ser chamada de ‘princesa’ por mim. E é isso o que você é, uma verdadeira princesa, que quero chamar de minha pra sempre.

Como você percebeu, não sou muito bom em escrever essas coisas. Mas eu quero que saiba com todas as letras, que você me transformou. Você se tornou a razão pela qual eu levanto toda manhã e isso não é exagero. Você se tornou os motivos dos meus sorrisos, a causa das minhas emoções e o pretexto para amar. Assim que percebi o quão forte era o que sentia por você, senti que precisava te proteger com todas as minhas forças, cuidar de você e só te fazer feliz. Senti que queria te fazer rir todos os dias e trazer até você uma vida de verdade.

Sempre achei que era você que precisava de mim para poder ficar bem, mas na verdade fui eu que sempre precisei de você. Precisei para poder me sentir novamente vivo. Ter alguém em quem tanto confio ao meu lado. Sabe o que eu sinto quando você está em meus braços? Sinto-me completo. Porque você é a parte que faltava em mim.

Agora, toda noite antes de dormir, eu faço planos para o futuro. E em todos os planos eu incluo você. Provavelmente porque já não consigo me ver sem você nem mais um segundo da minha vida. E o motivo de não querer você longe de mim, é porque...“

Meus olhos, carregados em lágrimas, fitaram André que já estava em pé a uns cinco passos de mim, antes de ler as últimas três palavras da carta.

– “... Eu te amo!” — Dissemos em juntos e em voz alta.

Corri para seus braços derramando algumas lágrimas e selei nossos lábios. Um beijo cálido e doce me fazendo arrepiar. Ainda de olhos fechados, afastei minha boca milímetros da dele apenas para puxar o ar.

– Quer namorar comigo e ser a minha princesa? – Ele disse em um sussurro roçando ainda nossos lábios. Uma lágrima salgada misturou a um sorriso em minha boca.

– Sim! Sim! Sim! – Eu disse repetidas vezes e voltei a beijá-lo.

*

Naquela noite, suspirei muitas vezes no travesseiro antes de dormir. Dentro de mim, o beijo com Daniel ainda me incomodava e, principalmente agora que eu era namorada do André, eu sentia que precisava contar a ele. De qualquer forma o dia estava tão bom que não quis o estragar com esses pensamentos.

Antes de fechar os olhos e adormecer completamente, senti meu celular vibrando debaixo do travesseiro. Com as mãos vasculhei à procura dele e por sorte eu achei. Os pêlos de meu braço se eriçaram ao ler aquela mensagem do número bloqueado.

– Me encontre amanhã na saída do colégio! Vou estar lá e é melhor que esteja também!


Notas finais
Gente u.u eu queria ter escrito a carta melhor... Mas não estava tão inspirada, espero que tenham suspirado um pouquinho mesmo assim ^^. Próximo capítulo, a grande revelação *-* - Que já está meio óbvio né?