Notas iniciais
Esse é mais um capítulo para vocês amarem/odiarem o Daniel ^^ Ele está sendo introduzido na história e terá um papel importante ao longo dela. Me desculpem a demora u.u Bom, espero que gostem =*

Quando todas as aulas acabaram pensei em passar na biblioteca para agradecer André mais uma vez, mas desisti. Ele poderia pensar que eu era alguma atirada ou desesperada e eu realmente não queria ter mais um novo apelido como esses.

Sai da escola e pela primeira vez em semanas senti muita fome. Aproveitei que havia vários restaurantes por perto e escolhi o mais escondido. Entrei, peguei um prato e o enchi de macarrão, optei por uma mesa ao fundo e sentei. Comecei a comer cabisbaixa, evitando encarar alguns alunos que também estava no mesmo restaurante. Senti uma cadeira ao lado da minha (na mesma mesa) se movimentar e meu coração vibrou. Seria ele?

– O que você esta fazendo aqui? – Perguntei desapontada.

– Calma, só quero conversar com você. – Daniel se sentou na cadeira e bagunçou os cabelos negros. Seus olhos se encontraram com o meu e senti meu corpo tremular de ódio.

– Depois do fora que você me deu, ainda quer conversar comigo? – Minha voz sucumbiu ao sarcasmo. Eu queria esfolá-lo pela mentira que ele havia espalhado, por tanto, tentei controlar meus braços.

– Ah Manu – Eu não tinha dado essa liberdade pra ele o que me irritou mais ainda – Você sabe que a Débora – Julguei que era a loira — gosta de inventar histórias que não são verdade. Eu não falei pra ela que você tinha tentado ficar comigo e eu te dei o fora. Eu jamais faria isso. E eu jamais negaria isso. – Ele sensualizou a última frase e tocou meu queixo com os dedos. Virei o rosto bruscamente impedindo de continuar com aquele ato. Ele se agitou na cadeira desconfortavelmente. Não sabia se mentia de novo ou se estava sendo sincero. Seus olhos eram indecifráveis e por isso decidi não fraquejar diante dele.

– Torno a perguntar... O que VOCÊ está fazendo aqui? –

– Bem, é que eu me senti mal depois de descobrir a mentira que a Débora espalhou e eu vim me desculpar com você. Vi você chorando ontem e também não ajudei. Eu te tratei muito mal. – Ele passou a deslizar as mãos em meus braços e eu me afastei impedindo seu toque. Por mais que ele estivesse ali pedindo desculpas ou disfarçando um pedido de desculpas, eu sentia nojo dele. – Todos nós te tratamos mal. Não queria que fosse assim. Não acho legal o que fazem com você e eu não quero mais te tratar assim. Afinal eu não te conheço, embora fosse adorar te conhecer. – Ele sorriu. Seu sorriso estava longe de ser tão perfeito quanto do André.

Eu já tinha escutado as vadias do colégio suspirando por ele tantas vezes e não conseguia ver o porquê de todo alvoroço. Todas as garotas diziam o quanto ele era bonito e o quanto queriam ficar com ele, mas nunca o achei ‘lá essas coisas’. Era óbvio que ia a academia todos os dias, mas isso não assegurava como o ‘mais gostoso do colégio’. Além de repulsa, ele me transmitia desconfiança e certo medo. Parecia ser do tipo que faria qualquer coisa para conseguir o que quisesse.

– Se eu me recordo bem, você me xingou ontem! – Balbuciei.

– E estou pedindo desculpas hoje! – Continuou sorrindo.

– Não acredito em você... Você é um completo idiota. Não seria o tipo de cara que pede desculpas e é de longe quem preocuparia comigo. Diz o que você realmente quer e vai embora, por favor? –

– Quero conhecer você! – Ele segurou minhas mãos com força. Parecia mesmo querer me tocar, mas não aceitei. Minhas mãos ainda tremiam de raiva e eu me soltei dele com a força que me restava.

– Vai embora... AGORA! – Bufei. Ele se levantou da cadeira e subitamente senti seu hálito quente em minha orelha.

– Eu vou embora agora, mas não vou desistir de você tão fácil. – Sussurrou em meu ouvido. E antes que se afastasse por completo de mim, tocou minha bochecha com seus lábios quentes. Ele se virou e eu fiz questão de levar minha mão e limpar o local onde a boca dele atingiu.

– Tudo o que eu precisava para estragar meu dia, baba de canalha! – Berrei. Não sei por que ele tinha me beijado, mas dei graças aos céus que havia sido somente no rosto. – Perdi a fome. – Levantei-me, paguei e fui embora pra casa.

Em casa, recebi alguns telefonemas de poucos familiares que arriscavam algumas palavras solidárias me parabenizando.



*



Deitei na cama cedo. Antes de jogar o celular debaixo do travesseiro, observei que eram 19:34. Afundei a cabeça no colchão e revisei alguns momentos que aqueceram meu rosto. A palavra ‘princesa’ ainda me causavam sérios arrepios no braço. Toquei meu pingente e abri um largo sorriso.

Fechei os olhos e tentei dormir. Antes que eu me afundasse na escuridão dos meus pesadelos, senti meu celular vibrar. Eu tinha recebido uma mensagem de um número bloqueado.

– Feliz aniversário! Senti sua falta! – Li em voz levemente mais alta que um sussurro. Meus batimentos cardíacos aceleraram. Seria quem eu estava pensando? Seria André? Como ele teria conseguido o número do meu celular?

Pressionei os olhos e não contive um sorriso. Deixei meus lábios se moldaram num perfeito estado de alegria. A possibilidade de ele ter me mandado aquela mensagem me animara bastante e eu sabia que não conseguiria dormir tão cedo. Rolei diversas vezes sobre o colchão antes de tudo girar à minha volta.


Eu corria desesperadamente. Estava em um labirinto de arbustos secos e não sabia onde era a saída. Eu estava completamente perdida. Minha testa escorria suor, minha boca estava seca, minhas mãos tremiam e minha visão estava desfocada. Sem parar de correr, olhei para trás e vi que o vulto que me perseguia se aproximava cada vez mais. Em menos de um minuto, tal vulto havia me empurrado contra os galhos secos que continham no muro do labirinto perfurando minhas costas. Senti o sangue quente escorrer pelo meu corpo. Não me ocorreu a idéia de gritar, apenas gemi de dor. O vulto segurou meus braços e tentei me debater. Observei seu rosto e percebi que era na verdade um monstro. A face distorcida dele me espantou e não pude segurar meu coração. Com o susto, me debati ainda mais e consegui soltar um braço levando-o de encontro com o rosto daquela horrível criatura. Forcei os olhos e olhei novamente a face do monstro. Vi o rosto da minha mãe.

*

Meu final de semana havia passado rápido. Passei a maior parte do domingo dormindo. Depois do horrível pesadelo de sábado à noite, não tive coragem de encarar minha mãe por mais que duas vezes no dia anterior. Já era segunda-feira e eu estava tomando banho.

Vesti uma roupa qualquer, não estava muito a fim de atiçar as provocações dos outros. Resolvi aceitar só uma calça legging, meu uniforme e minha sapatilha. No rosto passei somente um rímel e um blush. Nada muito forte. Estava escrito na minha testa que eu estava morrendo de preguiça para encarar aquele dia. O que me animava era a possibilidade de passar à tarde com André, que conseguia me tirar do sério e me levar a dar pulos de alegria (mas obvio que não contaria isso a ele).

Meu pai me levou no colégio novamente e dessa vez nada foi dito. Saí do carro e caminhei até a porta do colégio. Por sorte não ouvi ninguém reclamando das minhas roupas ou até mesmo de mim. Talvez eu finalmente tivesse conseguido a fórmula da invisibilidade.


*


As aulas passaram rapidamente e agradeci aos céus por isso. Ao final da última aula, antes que eu subisse as escadas até a biblioteca, passei na cantina do colégio e comprei dois pães-de-mel com cobertura de chocolate.

Chegando a biblioteca, abri a porta vagarosamente. O som alto atrapalhava meus pensamentos.

– ANDRÉ? – Gritei. A música dentro da biblioteca estava tão alta que cheguei a duvidar se alguém pudesse ter me escutado (mesmo se estivesse do meu lado). Percorri os olhos por toda sala à procura do cara que tinha o sorriso mais lindo do mundo e não o encontrei. Caminhei por cada corredor e nada. Aquela musica estava tão alta que fez minha cabeça girar. Por mais que eu gostasse de ouvir rock, achei aquele pesado demais para àquela hora do dia.

Travei minha garganta para evitar que gargalhadas surgissem. Meus olhos estavam incrédulos no que vi.


Notas finais
Misteriosas mensagens vão incrementar a história (: Quem será no final das contas?
Ps: Os próximos capítulos tendem a ser melhores... O momento do beijo tão esperado está chegando (E é claro, vai ser uma situação bem inusitada para que ocorra esse beijo). Enfim, estou só adiantando a situação para animar vocês *-*