Não Escolhi Amar Ele
17 Capítulo 17 - Uma Enorme Confusão
Notas iniciais
(Lucas)
— Hm.. Como ele conseguiu seu número? Nem vi vocês conversando direito.
— Eu não sei. Realmente eu nem falei com ele.
— Ah cara, não acredito que estou com ciúmes de você. — Diz e vira-se de costas. – Tenho que acordar pra vida, somos amigos e isso nunca vai mudar.
Eu fiquei olhando para ele, e pensando. “Somos amigos e isso nunca vai mudar”. Ele não quer namorar, talvez fosse apenas curiosidade, e o pior é que agora eu já gosto dele. Uma lagrima começou a escorrer dos meus olhos. Me levantei e apensa fui embora, sem dizer nada, sem me despedir.
Enquanto estava no ônibus não pensei duas vezes e retornei a mensagem que havia recebido logo de manhã.
— Bom Dia. Desculpa te perguntar assim, mas onde você conseguiu meu número?
Fiquei aguardando a resposta e enquanto isso coloquei uma música bem rock, para não ficar pensando besteira sobre o Dani. Essa é uma das vantagens de ser eclético, tenho todos os tipos de músicas no celular, menos Funk, por que funk é uma bosta.
Graças a Deus hoje é domingo e o transporte público está vazio, sem aquela super lotação que acontece em dias de semana quando eu estava indo ou voltando da escola, por falar em escola, faz tempo que não vejo a Melissa e o resto do pessoal. Oque decidiram fazer agora que concluíram o ensino médio.
A próxima parada é a que devo descer, vou chegar em casa e ficar um pouco isolado, depois almoço e tento me distrair. Mal cheguei e minha mãe já vem gritando comigo, fingi não estar ouvindo e fui direto para o quarto.
— Lucas, como assim você sai cedo e nem avisa para onde foi? Acha que não ficamos preocupados?
Ah, eu não estava com cabeça para conversar no momento, só queria ficar em paz, quietinho e deitado.
— Seus tios estão vindo para almoçar aqui, pelo menos arrume seu quarto e tenha mais educação. Responda quando sua mãe fala com você! – agora lá vem meu pai. Tá bom, eu sei que não fui correto em deixa-la falando sozinha.
— Desculpa, eu não estava ouvindo, a música estava alta. – Tentei disfarçar minha falta de educação com uma mentirazinha básica.
— Está bem, Arruma seu quarto que seus tios estão vindo almoçar aqui hoje!
Ai ai, papai e suas ordens, vou apenas me deitar um pouco e depois arrumo, nem se quer perguntei quais dos tios estavam vindo. Voltei a ligar música, porem dessa vez um pouco mais calma e em pouco tempo cai no sono.
Lá no fundo ouço várias vozes e algumas risadas escandalosas, percebi que uma delas é a da Fernanda. Pelo menos foram o Tio Eder e a Tia Vera que vieram, são os mais legais da família, gostam de dar risada e curtir a vida sem frescuras.
— Toc Toc.
– Vou entrar, espero que esteja de roupa ou vai levar um soco na cara. – Diz minha prima abrindo a porta e entrando sem nem esperar eu responder.
— Poxa, que falta de educação hein... E se eu estivesse batendo punheta? – brinquei e ela caiu na gargalhada.
— Ai primo, que saudade. O que andou fazendo esses dias, hein?
— Nada demais, apenas vivendo essa bosta de vida. – respondo indignado
— Menino para com isso hein. Levanta dessa cama e vamos fazer alguma coisa. Acabei de chegar e não estou afim de ficar aqui mofando no seu quarto, que por sinal está uma bagunça.
Levantei da cama e comecei a arrumar a zona, tinha roupa jogado em cima do criado-mudo, tênis em cima da cadeira do computador e embaixo da cama, prefiro não comentar.
— Pelo amor de Deus Lucas, você tem mais roupa em baixo da sua cama do que no armário. Olha quanta camiseta. Menino sua mãe vai te matar.
— Vou tirar depois que voltarmos, arruma só o básico e amanhã eu termino. Vamos lá na pracinha dar uma volta já que você não quer ficar em casa.
Estava lotada de gente, e não era nem meio dia. Tinha uns meninos jogando bola, alguns andando de skate e outros jogando vôlei. Eu nunca fui bom em esportes, mas um que está me chamando a atenção é o voleibol, até mesmo por que tem uns garotos muito bonitos jogando.
— Você tá safadinho hein nego. – Disse minha prima dando risada
— Ahn? Eu? Por que?
— Estou vendo que você não tira os olhos dos garotos jogando na areia.
— Nada haver, estou olhado apenas o esporte.
♫ Plinpon ♫ Plinpon
— Ah, meu celular deixa eu ver o que é.
Enquanto eu tirava o aparelho do bolso, Nanda já veio pulando em meu pescoço para ver o que era, ainda bem que eu podia confiar nela e ela em mim.
~3 Novas Mensagens~
— Oi gatinho, encontrei sua página na rede social e lá tinha o celular.
— Espero que não tenha problema em ter te enviado mensagem.
— Alias, fiquei com muita vontade de sair com você, por acaso já está comprometido?
Eduardo. Ele quer sair comigo? Por que? Enquanto estava na minha mente pensando distraído, Fernanda dá um grito em meu ouvido.
— Olha só, parece que o Luquinha está arrasando corações. Quem é esse ai?
— É um colega, conheci ontem à noite. Mas nada que importe.
— Hm... Tá guardando segredo de mim agora, é?
— Não é isso, desculpa. Esse menino é vizinho de um amigo do Daniel, fomos assistir filme na casa desse amigo do Dani, ele se chama Fabio. O Vizinho do Fabio, Eduardo é quem está me enviando as mensagens.
— Entendi, ele viu você lá e gostou. Safadinho ele, pelo menos tem bom gosto.
— A questão não é essa, eu não quero sair com ele, e hoje eu estava na casa do Dani enquanto Eduardo me envio uma mensagem. Daniel viu a mensagem e ficou irritado.
— Hm. Entendi, ele ficou com ciúmes. Que fofo! Meu priminho e seu namorado. Estou amando isso.
— Para de graça Fer, vamos pra casa. Não quero ficar falando desse assunto aqui.
Tem bastante gente que eu conheço aqui praticando exercícios, e algumas outras pessoas apenas bisbilhotando a vida alheia. Prefiro ficar conversando no meu quarto, onde ninguém pode ouvir e descobrir que sou gay.
— Tá bom, me conta!
— Daniel disse que seremos para sempre amigos e isso nunca vai mudar. – conclui e fiquei cabisbaixo
— Você sabe que ele estava nervoso e com ciúmes, né bebezinho?
— Sei, mas... Foi muito triste ouvir aquilo da boca dele.
— Acho que você ama ele de verdade. – Afirmou Fernanda vindo me abraçar em seguida.
— Pode parecer idiota, mas eu amo ele sim Fer. Quero namorar ele, quero poder sentir aquela boca tocando na minha toda manhã quando eu acordar, não quero ser somente seu amigo. Quero viver com o Daniel.
— Oque? Não entendi direito Lucas. – Diz minha mãe abrindo completamente a porta do quarto e entrando.
Olhei para minha prima, engoli seco a saliva que nem tinha na boca, meu coração ficou extremamente acelerado, minha pulsação estava explodindo seu limite. Fernanda me soltou assim que percebeu a presença nada boa da minha mãe. Ninguém disse uma palavra que ficamos mais ou menos dois minutos paralisados.
— Tudo bem, vou fingir que não ouvi nada. – Disse e voltou para a cozinha gritando. – Alias, venham almoçar, a comida já está pronta.
Me joguei na cama por alguns instantes e comecei a olhar para cima, me perguntando por que estava acontecendo esse monte de coisas, por que comigo? Por que agora? Tudo está tão confuso.
— Vem, vamos logo comer, não se preocupa tudo vai ficar bem. – disse Fer me puxando da cama pelo braço e me levando até a mesa.
Eu sei que as coisas não vão “ficar bem” eu conheço meus pais, minha mãe só não quer entrar em discussão por causa dos meus tios que estão em casa. O clima na mesa do almoço não poderia ser diferente do que eu havia imaginado. Minha mãe com aquele olhar tenso, eu explodindo de medo e Fernanda, coitada da Fer, ficava com aquele aspecto de preocupação. Meu pai e meus tios que ainda não tinham notado nada continuavam a bater papo enquanto comiam.
— E ai Lucas, largou mesmo daquela garota, Melissa o nome dela?
— Lucas, seu tio está falando com você! — Eu não havia percebido que estavam falando comigo. Estava totalmente assustado com tudo o que acabou de acontecer.
— Larguei sim tio, não dava mais certo.
— Esse garoto vive no mundo da lua esses dias. – Disse meu pai
— Deve estar preocupado com alguma outra gatinha, não é mesmo garanhão? – Lá vem meu tio com esses papos de pegador dele.
— Ah, não? Não é isso não tio. – Antigamente e nem ligava caso a conversa chegasse a esse ponto, mas agora que eu estou me descobrindo gay, isso é meio preconceituoso. Pelo menos em meu ponto de vista.
Minha mãe não tirava os olhos de mim, parecia que a qualquer momento iria voar no meu pescoço e me estrangular, torcer igual torce o de uma galinha, ou até algo pior. Por esse e outros motivos comi muito rápido e voltei para meu quarto, fiquei deitado lá, segurando o choro e a preocupação.
— Calma Lucas, conversa com ela certinho, tenho certeza que ela irá entender.
— Pra você é fácil falar isso né Fer. Até parece que não conhece minha mãe.
— Quer que eu fale com ela?
— Não! Claro que não. Será mil vezes pior se você falar algo. Se quiser mexer no computador sinta-se à vontade, vou tirar um cochilo.
Virei para o lado e fiquei pensando em como vou explicar tudo pra ela, não vai ser fácil. Minha mãe vai estar muito nervosa, meu pai então... ai como é difícil, eu sei que uma hora esse dia chegaria, mas não sabia que seria tão rápido. Ainda nem respondi o Eduardo, Não sei como o Daniel está, e não sei como eu vou ficar daqui algumas horas.
Não se passou muito tempo e todo mundo já tinha comido, a cozinha já estava limpa, meu pai e meu tio estavam assistindo futebol. Mas minha tia como sempre, gostava apenas de comer e ir embora para sua casa, claro que antes ela ajudava a limpar a bagunça feita para não ficar acumulada. Ouvi lá do quarto quando ela chamou meu tio para ir. Bateu na porta do quarto e também chamou a Fernanda. Meu coração começou a ficar acelerado de novo, no fundo eu sabia que a hora de explicar o que minha mãe tinha ouvido estava chegando. Até minha respiração ficou ofegante.
— Tchau Lucas, aparece mais vezes lá em casa. E você está bem? Tá meio pálido.
— Estou bem sim tia, pode deixar que apareço lá.
Nem me despedi do meu tio, ele estava na sala e eu com medo de sair do quarto.
— Tchau lindinho, qualquer coisa me avisa pelo celular.
— Obrigado Fer. Te adoro!
Fechei a porta do quarto, mas não tranquei, já estava esperando ela vir até mim. Sentei na cama e fiquei imaginando várias cenas horríveis. Não é à toa que dizem “mente vazia é oficina do diabo”. Nem precisei esvaziar minha mente, para que o diabo viesse me atormentar. Esperei mais de 20 minutos depois que meus tios foram embora e nada da minha mãe vir conversar. O que será que ela estava esperando? Será que não estava acreditando?
Decidi tomar um banho frio para esfriar a cabeça, tentar relaxar a mente um pouco. Liguei o chuveiro e ouvi o barulho da agua caindo no chão, entrei de uma vez embaixo daquela gélida goteira. Não aguentei, me arrepiei inteiro, parecia que estava levando várias agulhadas no corpo. Sai correndo e mudei para a temperatura quente. Ah... que delicia, mesmo estando calor, não me sentia confortável na agua fria.
Me troquei dentro do banheiro mesmo, e levei minha roupa suja até o cesto que fica lá no quintal, ao lado da máquina de lavar. Minha mente já está mais tranquila, respiração e batimentos cardíacos OK. Fui para meu quarto, pensei em assistir alguma serie ou ler algum livro, apesar de já ter lido todos que tenho em casa.
— Lucas, precisamos conversar. Aproveita que seu pai está distraído com a TV e ele não precisa saber de nada agora. – Encontro minha mãe dentro do quarto, sentada na minha cama e muito, muito tensa.
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