Não Desista. Nunca Desista.

10 Capítulo 9 - Depois da tempestade


Notas iniciais
- Olá pessoas, como estão ? Eu sei que vocês desejaram muito a minha morte, mas eu coloquei a mão na consciência e resolvi voltar pra terminar a tradução da fic, não é justo deixar vocês ai na curiosidade com metade da história. Os capítulos estão um pouco maiores então eu vou levar um pouco mais de tempo para fazer isso, não vou estipular prazos de postagem porque eu não sei quando vou traduzir, não é sempre que tenho tempo ou vontade de fazer isso, mas como disse, a história será terminada não se preocupem. Eu não dei uma boa revisada na ortografia, então qualquer erro de digitação me avisem nos comentários por favor. Muito obrigada pela paciência, tenham uma boa leitura. Beijos.

Capítulo IX

Ao norte de Frink Park, , Coordenadas N 47.600089, W -122.291630, 19:25hs

Callie acordou desorientada, sabia que tinha desmaiado ou algo parecido, sua consciência havia de esvaído por alguns minutos. Escutou um grito desesperado chamando seu nome, era a voz de Arizona, será que ela estava morta ? Tentou se levantar, mas não conseguia se mexer, ao tentar levantar a cabeça sentiu uma dor aguda na testa e na nuca, prontamente pensou que não podia estar morta, supondo-se que os mortos não sentem dor.

Poucos segundos depois escutou alguns passos entre as árvores, no início se assustou, mas logo se acalmou quando conseguiu ver os homens uniformizados que vinham com lanternas em suas mãos, eram policiais, um deles o mais novo dos dois, se agachou para tirar a mordaça de sua boca e perguntar como ela estava. Callie agradecida pela presença dos oficiais, respondeu divertida:

Estou com dor de cabeça e minha bunda está doendo, como se ao invés de médica eu fosse uma toreira que teve um mal dia.

O policial sorriu e imediatamente começou a desatar as mãos de Callir. Até esse momento pelo olhar um tanto tímido do oficial Callie se lembrou que seu jeans estava abaixado até os joelhos e sua calcinha descida, ainda que não o suficiente para que se pudesse ver nada na frente, sua bunda estava quase totalmente descoberta, assim que enquanto o oficial desatava as algemas dos tornozelos, Callie subiu sua calcinha com as mãos que já estavam livres. O oficial evidentemente preocupado perguntou:

Desculpe senhora, mas eu tenho que perguntar. A sra. foi violentada ?

Callie com um sorriso ligeiro em seu rosto respondeu:

Não oficial, não fui violentada, o assassino que me sequestrou descobriu o chip e enfiou uma navalha para retirá-lo, eu havia colocado ele aqui – Apontou para o lado machucado.

O oficial respirou aliviado e se alegrou que a mulher estava a salvo. Não sabia exatamente porque, mas simpatizou com ela, seu tom de voz, gestos e até mesmo a animação nas brincadeiras nessa hora tão difícil e complicada passaram ao oficial a impressão de que estava na frente de uma mulher muito corajosa.

Uma vez que Callie foi solta de todas as amarras, os oficiais a suspenderam, um por cada braço e a lavantaram do chão. Antes de iniciar a caminhada ela levantou seu jeans, pouco a pouco, foram caminhando devagar com Callie, o trajeto até a patulha não era longo, mas se fez difícil já que era inclinado, ladeira acima e com cada passo que dava, Callie sentia uma pontada de dor.

No caminho Callie pediu água a um dos oficiais, o outro oficial levava consigo uma garrafa de água mineral no bolso e a entegou a Callie, quem tomou alguns goles e logo molhando um pano que o oficial a ofereceu, passou no rosto para limpar o sangue que escorria, produto do golpe que havia recebido ao topeçar na pedra.

Finalmente se aproximavam de seu destino, apenas faltavam alguns passos...

Ao norte de Frink Park

19:40hs

Arizona estava sentada no chão, chorando, com o rosto enterrado entre seus joelhos, prontamente sentiu uma mão que suavemente pousou sobre seu ombro por um segundo, ela imediatamente levantou a cabeça e viu o oficial Cooper parado ao seu lado, ele a estendeu a mão para ajuda-la a levantar, depois apontou mais a frente e disse sorrindo:

Dra. Robbins, olhe ali.

Arizona olhou para onde Cooper indicava e teve a melhor visão da sua vida, era Callie que vinha chegando, sustentada por ambos braços de dois policiais uniformizados. Arizona não podia acreditar no que estava vendo, esfregou os olhos para tentar enxergar melhor e sim, era mesmo Callie. – Ela está viva – falou. Arizona abriu a boca assustada e quis chamá-la, mas o máximo que conseguiu foi um sussurro, estava tão emocionada que custava muito falar. Finalmente com um sorriso enorme, um dos seus melhores sorrisos que ela já não dava a tempos soltou a mão do oficial e correu de encontro a ela. – Callie ! Callie ! – Gritava Arizona. Sua esposa levantou a cabeça e seus olhos encontraram os olhos de Arizona pela primeira vez após todos esses dias de pesadelos que ambas tiveram que viver.

Callie estava com dor, mas ao ver Arizona correndo em sua direção, um sorriso se formou em seus lábios e ela se esqueceu de tudo por alguns instantes. Arizona se aproximou de Callie a abraçou pelo pescoço com toda a sua força, chorando desesperada, repousou a cabeça no peito de Callie, enquanto ela a abraçava pela cintura fortemente e beijava sua testa.

Estou aqui meu amor, estou bem. – Dizia Callie tentando acalmar Arizona.

Arizona cruzou seus braços em seu próprio peito e se encolheu para que Callie a abraçasse, ansiando o sentimento de segurança que os abraços de Callie proporcionavam a ela.

Ambas estavam tremendo, seus corações batiam em um ritmo frenético, tinham os olhos cheios de lágrimas, choravam e riam ao mesmo tempo. Callie por um momento se sentiu muito emocionada, nunca havia percebido em Arizona essa fragilidade, era como se houvessem tirado parte de sua energia vital, então Callie a abraçou mais forte ainda, sentindo a necessidade de transmitir através de seu abraço uma parte de sua própria energia, parte de sua própria força.

Arizona agradeceu essa nova força com que Callie a aconchegou em seus braços, apesar de todo o pesadelo que haviam vivido nesses últimos dias, esses minutos de agonia em que havia imaginado sua esposa morta, violentada e jogada em uma vala haviam arrebatado as poucas energias que ela ainda tinha e esse abraço tão querido era justamente o que ela precisava para se recompor um pouco.

Lentamente as batidas de seus corações agitados começaram a estabilizar e nesse momento uma sensação de segurança, alívio e felicidade plena tomou conta delas.

No entanto, Arizona lembrou do que havia escutado pelo rádio sobre o estupro e sentiu medo outra vez, sem se soltar dos braços de Callie levantou a cabeça para olhá-la nos olhos e perguntou com a voz seca:

Callie, esses homens te machucaram ? Te est...

Callie vendo a preocupação refletida no rosto de sua esposa não a deixou terminar de falar, colocou um dedo suavemente sobre seus lábios e com um tom doce em sua voz e com um sorriso em seu rosto a respondeu:

Não meu amor, o homem que queria me matar encontrou os chips e as seringas não usadas no meu bolso e descobriu que eu tinha injetado um chip na minha nadega, assim que decidiu por tirá-lo com uma navalha. Por isso agora tenho mais um “buraco” na minha bunda, além daquele que você já conhece. – Falou em tom de brincadeira para descontrair Arizona.

Arizona respirou aliviada e se impressionou que ainda que nessas circunstancias Callie tinha forças para fazer brincadeiras.

Justo nesse momento chegou uma ambulância e enquanto o policial mais jovem a sustentava de um lado, Arizona relevou o outro policial e os três caminharam até o veículo. No momento em que Callie ia subir na ambulância, quando as portas traseiras se abriram, ela sentiu um ligeiro estremecimento, se lembrou do dia em que a sequestraram e pensou um pouco antes de subir, mas logo falou para si mesma: “Por Deus Calliope, você é médica, não pode temer estar atrás em uma ambulância pelo resto de sua vida, além do que seu acompanhante dessa vez não será um delinquente desgraçado e sim a pessoa que você mais ama nesse mundo. Então vamos, suba agora !”.

Assim que Callie subiu na ambulância, deitou-se na cama, enquanto Arizona se sentou ao seu lado tomando sua mão e a colocando entre as dela. Arizona injetou-lhe um calmante suave para aliviar as dores de sua esposa, mais adiante, no trajeto até o hospital, Callie e Arizona se olharam nos olhos e transmitiram com seu olhar o imenso amor mútuo que levavam em seus corações, Callie ainda recostada na cama, afagou com sua mão a bochecha e o pescoço de Arizona. Ela sentiu de imediato um estremecimento em todo o seu corpo, fechou os olhos e abriu sua boca em ato reflexo pelo carinhoso contato em sua pele. Justo nesse momento, Callie, com sua mão trouxe o rosto de Arizona até o seu, pousou seus lábios docemente sobre os de sua esposa e se beijaram.

Arizona no meio do beijo, suspirou e pensou emocionada: “Esses lábios, estou beijando novamente esses lábios, os que por momentos pensei que jamais teria nos meus de novo”. Esse pensamento provocou em Arizona um novo impulso e aprofundou ainda mais a intensidade do beijo. Callie emocionada também, soltou um ligeiro gemido enquanto o beijo continuava.

Hospital SGMW 20:00hs

Chegando ao hospital as portas da ambulância se abriram e fora estavam esperando Dr. Webber e April Kepner que conduziram Callie para uma sala de exame enquanto Arizona os escoltava, ambos doutores estavam visivelmente alegres pela chegada dessa paciente em especial. Dr. Webber examinou a ferida na cabeça de Callie, limpando-a previamente e ordenou uma tomografia. Webber cobriu a ferida na testa de Callie e colocou uma faixa ao redor de sua cabeça que cobriu parcialmente sua sobrancelha direita.

Callie disse a Webber e a Kepner:

Enquanto chamam para fazer a tomografia, eu quero tomar um banho. É possível?

Webber respondeu afirmativamente e Callie entrou no banheiro anexo ao quarto de exame, levando consigo uma bata de paciente para colocar depois do banho.

Quando Callie entrou mancando no banheiro, Webber e Kepner, visivelmente preocupados pelas manchas de sangue vistas na calças de Callie e a forma manca de caminhar, digiram seus olhares para Arizona. Ela em seguida entendendo os olhares de preocupação dos colegas, respondeu com um tom que mostrava alívio em sua voz:

Não, ela não foi estuprada. – Ambos os médicos suspiraram aliviados e sorriram, Arizona também sorriu.

Poucos minutos depois Callie seiu do banheiro e se encostou novamente na cama do quarto de exame. Durante vários minutos uma legião de médicos desfilou pelo quarto para cumprimentar Callie, todos estavam visivelmente felizes quando a viram sã e salva, mas finalmente a visita mais esperada apareceu na porta, era Sofia, Carlos a tinha em seus braços e ao seu lado estava Lucia, que foi a primeira a abraçar sua filha, logo, Carlos colocou Sofia nos braços de Callie que estava visivelmente emocionada e com lágrimas nos olhos encheu o rosto de Sofia de beijos. Para o espanto de Callie, foi sua mãe quem pegou Sofia de seus braços para que seu pai pudesse abraçá-la.

Uma vez que a sessão de beijos e abraços acabou, Carlos pediu permissão para levar Sofia para o hotel essa noite, eles já haviam ficado todas as noites anteriores no apartamento de Callie, mas decidiram que essa noite deveria ir para um hotel.

Callie respondeu ao pai que sim e antes de deitar-se, quando Calor saía com Sofia em seus braços Lúcia deu um beijo em Callie e enquanto saía do quarto disse dirigindo seu olhar a Arizona e Callie:

– Amanhã Carlos e eu voltaremos para Miami, mas antes de irmos quando nós trouxermos Sofia, gostaria de conversar com vocês duas, preciso dizer algo a vocês, mas agora descanse filha e você também Arizona, foram dias muito duros para todos nós.

Arizona e Callie balaçaram a cabeça positivamente com um sorriso e quando Lucia fechou a porta atrás de si, Callie olhou para Arizona levantando a sombracelha com um olhar de interrogação e Arizona respondeu:

– Não faço a mínima ideia do que ela quer falar conosco, mas o que posso dizer é que sua mãe e eu depois de tudo o que se passou, creio que fizemos as pazes, na realidade ela se comportou muito bem comigo.

Callie sorriu, respirou aliviada e pegou entre suas mãos uma mão de Arizona.

Arizona então disse rindo:

– Bom minha esposa, agora que já acabaram as visitas, vou trancar aquela porta porque preciso examinar e cuidar da ferida que você tem na bunda, não quero que nenhum outro médico desse hospital o faça, eu sou a única que tem todos os direitos reservados sobre esse traseiro em particular.

Callie obedeceu sorrindo enquanto girava sobre si mesma pra que sua esposa pudesse ver seu traseiro ferido.

Uns minutos depois bateram a porta, Arizona abriu e era Kepner que entrava com uma cadeira de rodas para levar Callie para fazer uma tomografia, então Callie respondeu:

– Prefiro ir andando, meu traseiro dói e não creio que sentar me ajude muito nesse momento. – Callie desceu da cama e Arizona a ajudou servindo de apoio com um de seus braços para acompanha-la até a sala de tomografia. Com a mão livre, Callie pegou a corrente que ainda tinha presa em seu tornozelo, a corrente se arrastava ao mesmo passo que Callie ia caminhando. Quando estavam saindo do quarto, Arizona percebeu que havia esquecido a corrente e falou para Kepner:

– Oh Deus, a corrente. Por favor, bipe Owen, preciso que ele me ajude a tirar isso do tornozelo de Callie. – Kepner assentiu e foi em busca do Dr. Hunt.

Callie e Arizona caminhavam juntas pelo corredor rumo a sala de tomografia, Callie se apoiava em sua esposa enquando a corrente se arrastava pelo piso, quando ouviram uma voz familiar e divertida aproximando-se por trás delas, era Cristina Yang:

– Demonios Callie, mas que susto você nos deu... – Callie e Arizona pararam e Yang olhando-as de frente, olhou Callie de cima a baixo e continuou, sorrindo – Com essa faixa ao redor da sua cabeça, mancando e arrastando essa corrente por todos os corredores do hospital você está parecendo um fantasma, Nick quasesem cabeça , o fantasma de Hogwarts, mas você não é fasntama certo ? porque “Eu não vejo gente morta...”

Elas deram uma gargalhada e Callie ainda sorrindo respondeu:

– Para começar Cristina, o fantasma de Hogwarts que arrasta suas correntes pelos corredores não é Nick quase sem cabeça e sim o Barão Sangrento da Casa Sonserina e não, você não vê gente morta, estou viva, um pouco mal tratada, mas viva.

– Waaao, parece que o golpe na sua cabeça não afetou sua memória, mas me contem como fez pra escapar dessa ?

– Fácil, peguei minha varinha mágica e disse, Expecto Patronum!

Cristina continuou o jogo que ela mesma havia começado com a menção de uns dos personagens de Harry Potter:

– Ah sim e como é o seu Patronus?

Ela então olhou fugazmente para Arizona, sorri e logo olhando para Cristina respondeu:

– Meu Patronus é uma brilhante loira de charmosos olhos azuis e um super sorriso mágico, tão mágico que parecem covinhas em seu rosto quando o faz, esse é o meu Patronus, esse é definitivamente meu pensamento mais feliz.

Ao dizer isso Callie observou como as covinhas apareciam no charmoso rosto de Arizona enquanto umas luzinhas de felicidade brilhavam em seus olhos azul céu.

Cristina completou sorrindo:

– Eu deveria imaginar isso, não sei nem porque perguntei. O meu é um bisturi ou um coração em uma caixa... bom o que seja, definitivamente o que eu queria dizer é que me alegro que esteja bem, estava preocupada com você. – Imediatamente mudou seu tom e sua expressão para fingir mais distancia Cristina não era amiga das expressões afetuosas.

Callie com um olhar doce e sorrindo agradeceu a Cristina que sorriu de volta e caminhou em outra direção, voltando-se para Arizona falou:

­– Acho que agora você ficou com medo não é? Bom, já sabe, não a solte nem pra caminhar. – E fazendo um gesto com sua mão como se tivesse uma varinha mágica com ela disse – Expelliarmus!

Arizona riu e continuou seguindo seu caminho com Callie até a sala de tomografia quando ela a olhou com olhos de pergunta e Arizona a contou sobre a ameaça de Cristina

– Ela me disse, “Já sabe, se você a deixar eu pulo a cerca, deixo Owen e fico com Callie.”

Callie deu uma gargalhada e continuou:

– Ou seja, na minha ausência apareceram concorrentes ?

– Parece que sim, sendo assim, não te deixo nunca mais.

Ao dizer essas palavras, uma pequena sombra pousou no olhar de Arizona que disse a Callie abraçando-a com mais força:

– Oh meu amor, senti tanto medo de não te ver nunca mais, era como morrer pouco a pouco o melhor e ao mesmo tempo temendo o pior...

Ela a abraçou com força e soube nesse momento que apesar de todo o mal que havia passado, Arizona ainda tinha dentro do seu coração um peso por todo o sofrimento que havia suportado durante os dias que durou seu cativeiro. Com esses pensamentos em sua mente, finalmente chegaram a sala de tomografia e fizeram o exame em Callie.

De volta ao quarto e enquanto esperavam que Derek revisasse a tomografia Owen chegou com uma serra na mmão para remover a corrente do tornozelo de Callie.

Os três médicos se cumprimentaram e Owen rapidamente retirou a corrente, logo saiu do quarto.

Callie estava deitada enquanto Arizona aproveitou para tomar um banho rápido, quando ela saiu já vestida Callie fez um gesto convidando-a para deitar-se junto com ela. Então imediatamente ela obedeceu, feliz diante do convite de Callie e colocou sua cabeça sobre o peito de sua esposa que começou a acariciar suavemente seu cabelo dourado com as pontas dos dedos.

A poucos minutos e apesar do alívio que ambas sentiam ao estarem abraçadas novamente, Arizona percebeu em seu interior a urgência de chorar, de alguma formar precisava descarregar toda a pressão, toda a angustia, todo o desespero e o medo que havia experimentado nesses dias de agonia, então começou a chorar, Callie não disse uma só palavra, não precisava falar nada, ela sabia e entendia que Arizona precisava drenar toda essa angustia que havia se acumulado em sua alma. Simplesmente a abraçou com mais força, beijou-a testa e continou acariciando os cabelos dourados enquanto seus olhos se encheram de lágrimas.

Arizona agradeceu o apoio silencioso de Callie era mais que evidente a conexão entre elas, pouco a pouco Arizona foi se sentindo melhor, o choro foi cedendo até se converter em soluço e logo passaram os espasmos irregulares que constituem os últimos vestígios de um choro profundo. Pouco a pouco ela sentiu paz e o sono começou a se apoderar de seus olhos. Antes de dormir, seus olhos buscaram os lábios de sua esposa, se beijaram, um beijo terno, calmo e pouco tempo depois as duas adormeceram, pela primeira vez em muitos dias podiam dormir uma nos braços da outra.

Aproximadamente às 22hs, Arizona estava agitada, tinha um sono perturbado enquanto Callie tinha a respiração agitada, em seu sonho via o assassino a apontando a pistola diretamente para sua cabeça e quando apertou o gatilho e escutou o disparo, acordou assustada dando um grito de medo. Arizona sobressaltada acordou, ela também teve seus próprios pesadelos. Com a respiração entrecortada, quando se deram conta que estavam juntas, se abraçaram com lágrimas nos olhos, passado alguns minutos quando ambas se acalmaram, Callie falou:

– Amor, isso foi muito difícil para nós duas, o pior já passou e creio que ficaram sequelas em nossas mentes que não quero que permaneçam por mais tempo, não quero continuar sonhando com esse infeliz, perdendo meu tempo ao invés de sonhar coisas boas com você. Acha que seria uma boa ideia visitar-mos um psicólogo? Provavelmente com algumas sessões de terapia não nos faria mal, que acha ?

– Acho uma boa ideia, quanto mais rápido apagarmos esse pesadelo de nossas mentes, ainda melhor.

– OK !

Quando Callie comentou sobre sonhos bonitos com ela, imediatamente Arizona lembrou-se do sonho na banheira e querendo tratar de temas mais agradáveis decidiu contar o sonho que teve com Callie na banheira. Ela a escutava com atenção, interessada não só pelos detalhes eróticos que a excitaram como também detalhes do banheiro que Arizona descreveu em seu sonho e logo uma brilhante ideia surgiu na mente de Callie.

Quando Arizona terminou de contar seu sonho ambas estavam realmente excitadas e também impressionadas, especialmente Callie pelas palavras que ela havia dito a Arizona em seu sonho e pensou que seu desejo de transmitir força para Arizona havia chegado por uma via sumamente erótica.

Callie olhou sua esposa com desejo, disposta a fazer amor com ela ali mesmo naquele quarto de hospital, mas suas intenções foram interrompidas quando Derek bateu a porta e entrou percebendo que havia atrapalhado algo, pigarreou e disse:

– Dra. Torres, me alegro que tudo tenha acabado bem, venho comunicá-la que a tomografia não teve nenhum resultado incomum. Parece-me então que você já está pronta para ir pra casa.

Arizona e Callie sorriram, Callie agradeceu Derek e ele se retirou do quarto. Então Arizona com um sorriso disse:

– O que você acha de eu buscar uns moletons, você se veste e nós vamos para casa ?

Callie ficou encantada com a ideia e respondeu que sim prontamente, então Arizona se levantou da cama e foi em busca dos moletons que tinha guardado em seu armário. Quando o abriu, viu que ainda estava lá a aliança e a pulseira que Callie havia pedido que guardasse. Ela então pegou os moletons, a alinça e a pulseira e se foi saltitando até o quarto onde sua esposa a aguardava.

Callie tirou a roupa, enquanto Arizona a observava nua, com luxuria, então entregou os moletons e Callie os colocou, sorria discretamente enquanto se vestia pois havia visto claramente o olhar de desejo nos olhos de Arizona, um desejo que pensava em sastisfazer essa mesma noite, estava claro para ambas que nenhuma delas queria esperar até amanhã.

Apartamento de Callie e Arizona — 23:30hs

Ambas saíram do hospital a passos lentos, num ritmo confortável para Callie que se apoiava em Arizona ao seu lado. Uns 15 minutos mais tarde chegaram ao apartamente, Callie respirou aliviada quando finalmente se viu em sua casa, seu lar e ao seu lado a mulher que tanto amava.

Ao entrar no quarto, Arizona buscou dentro de seu bolso as coisas que Callie, logo pegou sua mão direita e prendeu a pulseira, finalmente com um olhar cheio de ternura e com a aliança de casamento em suas mãos disse sorrindo enquanto se ajoelhava em frente a Callie:

– A primeira vez que fiz isso, as coisas não saíram exatamente como queríamos, sendo assim, vou aproveitar esse outro momento em que a vida nos deu essa nova oportunidade, depois de outro grande susto, para renovar nossos votos. Se pedisse novamente sua mão, ainda se casaria comigo Calliope Torres?

Callie emocionada, como se fosse a primeira vez e com lágrimas nos olhos

­– Sim, sim, sim, minha resposta sempre será sim, você é a minha B&B, porque eu não imagino mais minha vida sem você e porque eu te amo com toda a minha alma.

Arizona também emocionada, sentindo a verdade nas palavras de Callie, se colocou de pé em frente a ela, colocou o anel e seu dedo e se beijaram.

Ela então ajudou Callie a tirar sua roupa e logo ela mesma já estava sem a sua, deitou-se e convidou Callie a juntar-se a ela. Callie, com cuidado por causa de seus machucados, mas cheia de desejo, paixão e amor, deitou-se ao lado de Arizona e começou a roçar seus lábos pelo pescoço da loira, orelhas, enquanto sussurrava palavras de amor. Arizona profundamente excitada, emitia gemidos leves, e dessa vez não era somente excitação física, a medida que Callie a beijava, acariciava e dizia “te amo” de mil maneiras diferentes, esse algo dentro dela, isso que ela estava convencida de que era sua própria alma também emitia vibrações dentro de sei corpo, era uma sensação maravilhosa, sentir sua alma e seu corpo vibrando ao mesmo tempo em resposta aos estímulos que esse ser maravilhoso e amado ao seu lado estava proporcionando.

Callie colocou sua perna entre as pernas de Arizona e novos gemidos se fizeram presente, novas vibrações de todas as partes de seu corpo e de seua alma escaparam de si mesma quando sentiu contra sua perna o centro de Callie úmido e palpitante, que com movimentos ritmados alcançava aos poucos novas cotas de prazer e excitação. Ao mesmo tempo, Callie buscou com seus dedos o clitóris de Arizona, que lançou um grito de excitação quando sentiu o primeiro contato e logo continuou a gemer sem controle, ofegante enquanto Callie o acariciava. Sua excitação e prazer seguiam aumentando quando escutava muito perto de seu ouvido os gemidos de prazer de Callie produzidos pelo roçar de seu próprio centro contra a perna dela, um roçar que a deixava cada vez mais próxima do orgasmo.

Mas nenhuma das duas queria que esse momento terminasse, por isso Callie pausava seus próprios movimentos, enquanto alternava suas carícias no clitóris de Arizona, movendo ritmadamente seus dedos dentro e fora de sua esposa. Contudo, chegado certo momento, Callie supôs que Arizona estava demasiado excitada, assim que se concentrou em seu clitóris enquanto seus próprios movimentos contra a perna de Arizona se faziam cada vez com mais e mais força, com movimentos e caricias perfeitamente coordenadas alcançou o que queria, ambas, ao mesmo tempo, a mesma hora alcançaram seu máximo de prazer, um orgasmo dulo, épico, simultâneo, ficando então a mostra mais uma vez o vínculo perfeito e harmônico que ambas compartilhavam.

Atingindo o ponto máximo, ambas estavam ofegantes, buscando o ar para retomar um ritmo respiratório mais próximo do normal, para poder então beijassem com todo o amor e ternura. Logo, Callie, ainda ofegante, afundou seu rosto no pescoço de Arizona, rendida, totalmente sem forças. Essa proximidade, essa rendição tão intima provocou em Arizona uma sensação de imensa felicidade e sossego, ao perceber que desta vez não era um sonho, esta vez a pessoa que amava mais que tudo no mundo realmente estava ali com ela. Bocejou e fechando os olhos aliviada, a abraçou com todas as suas forças, essa felicidade e segurança era exatamente o contrário do que havia sentido aquela vez quando despertou do sonho e percebeu estar numa cama vazia, cheia de medo..

Enquanto a mente de Arizona passeava por todas essas emoções cheias de felicidade, os pensamentos de Callie não eram muito diferentes, sentir-se ali no abraço de Arizona, rendida diante de sua presença, depois de tantos dias de medo, luta e incerteza sobre uma distância não desejada que a asfixiava a alma dentro daquele quarto onde a haviam colocado contra sua vontade , estar ali deitada ouvindo o coração de Arizona bater era como se tivesse chegado ao céu, depois de livrar-se de um inferno, novamente se sentia livre, livre para amar sua esposa quantas vezes quisesse, livre para imaginar novos sonhos com ela e torna-los reais, Callie Torres era livre novamente...

Em meio a esses pensamentos, pouco a pouco o sono tomou seu lugar e assim abraçadas, juntas outra vez ambas se disseram “Te amo” antes de cair em sono profundo.

Dormiram com um sorriso desenhado nos lábios, era a calma depois da tempestade. Agora para se verem não era necessário fechar os olhos e imaginar ou buscar em sonhos, a única coisa a fazer para se olharem nos olhos eram acordar. Agora que a tempestade havia passado e estavam juntas outra vez, sua realidade poderia superar novamente todas suas fantasias.

Essa história continuará...

Notas finais
Gostaram pessoas? Até o próximo capítulo!