Não Desista. Nunca Desista.
11 Capítulo 10 - Um Amor Assim
Notas iniciais
Capítulo X — Um amor assim
Aproximadamente às 08 da manha, Arizona acordou, foi um sono tranquilo no geral, com algumas exceções de agitação nas quais acreditou ter alguns pesadelos, entretanto não lembrava. Mas agora o importante não era o que sonhava ou deixava de sonhar, agora o importante estava ali sobre o seu ombro roncando muito suavemente. Arizona, mais feliz do que nunca, beijou sua esposa e a abraçou com força.
Callie sentiu o abraço e acordou, quando abriu os olhos e viu Arizona um olhar de alívio e felicidade refletiu em seu rosto junto com o mais glorioso sorriso: — Dios que alivio!
– O que? – perguntou Arizona, ainda que tivesse certeza da resposta.
– Poder acordar e ver a pessoa que eu mais amo na vida, me olhando. – Sorriu e logo buscou os lábios de Arizona, no ínicio apenas um leve roçar, um beijo envolto de ternura e carinho, o qual Arizona retribuiu da mesma forma. Uma sequência de beijos mais sensuais tomou o lugar da ternura e alternavam com os olhares de adoração e desejo entre elas, até que chegou o momento onde as palavras sobram e o que valem são as ações, os olhares e carinhos. Callie pousou sua mão sobre a cintura de Arizona e lentamente começou a caminho até seu sexo, iniciando uma sequência de carícias suaves sobre o clítoris palpitante. Arizona arqueou suas costas diante do esperado contato e em meio a gemidos buscou com sua mão o sexo de Callie, para retribuir todo o prazer que estava sentindo, alcançando o mesmo resultado nela. Em meio aos beijos quentes e olhares transbordantes de amor, enquanto gemiam e roçavam seus lábios com a respiração cortada, se depararam frente a frente com esse amor todo que as consome, esse que é mais poderoso que a paixão e a luxúria, o amor em seu estado puro. Ao final obtiveram suas recompensas, mas não só no físico e sim no espiritual, haviam feito amor, amor com todas as letras e com todo o seu amplo significado. Assim que junto aos últimos gemidos do êxtase alcançado, mais que evidente pela umidade que transbordava em seus sexos, também se umedeceram seus olhos, as lágrimas eram de felicidade, prova de que suas almas também foram recompensadas. Finalmente se abraçaram soluçando, ambas sabiam mesmo em silêncio que estavam celebrando, imensamente felizes por estarem novamente juntas, pela imensa graça de e terem uma a outra nesse novo amanhecer.
E assim, sem premeditação ou ensaios, olhando-se nos olhos falaram ao mesmo tempo na língua nativa de Callie: “Te amo” – A coincidência gerou um sorriso em seus rostos, Callie viajou por um momento enquanto observava o sorriso de Arizona, o sorriso mais bonito que ela já havia visto, então pôs se a distribuir selinhos pelo rosto de sua esposa fazendo-lhe cócegas até que aquele sorriso se transformou na mais bonita e alegre gargalhada.
Aproveitando o excelente estado de animo, Callie disse:
– Ari, eu sei que sou a cozinheira oficial, mas hoje eu ficaria encantada em comer aquele café da manhã continental que você prepara tão bem, tenho fome, muita fome – Disse em tom de brincadeira, sabendo que umas torradas com marmelada e manteiga e um pouco de café caem bem até para Cristina, que ainda crê que o único artefato útil na cozinha é o micro-ondas. Arizona captou o tom de brincadeira na voz de sua esposa e respondeu rindo:
– Se você não tivesse com esse curativo na cabeça e essa ferida na bunda, no lugar do seu “café da manhã continental” te daria um cascudo e uma bundada.
– Mas se eu não aproveitar justamente agora que estou meio abobalhada, jamais terei outra oportunidade melhor para provar seu prato exclusivo e você sabe bem porque ele é exclusivo não sabe?
– Sim, — Respondeu rindo – Porque é o único café da manha que eu sei fazer, não é?
Callie não aguentou e caiu na gargalhada novamente, e Arizona fazia uma cara de ofendida enquanto caminhava para o banheiro, passando pela cômoda pegou um bichinho de pelúcia de Sofia e o jogou em Callie.
Alguns minutos depois saiu se dirigindo já a porta do quarto, antes de sair fez uma careta para Callie mostrando-lhe a língua, que a lançou um daqueles olhares ternos cheios de carinho e disse “Eu te amo” jogando um beijo no ar. Não havia como resistir a isso, então Arizona sorriu e com a mão na bochecha como se houvesse sentido o beijo retribuiu “Eu também te amo, meu amor” – E saiu sorrindo rumo a cozinha, feliz, incrivelmente feliz, disposta a preparar seu exclusivo café da manhã continental.
Enquanto estava na cozinha seu celular tocou, era o sub comissário Cooper:
– Bom dia, oficial Cooper.
– Bom dia, Dra. Robbins, estou ligando para saber se posso passar em seu apartamento agora, preciso retirar os equipamentos rastreadores que instalamos e se for possível pegar uma declaração da Dra. Torres para concluir o caso. Aliás, como ela está?
– Está muito bem, obrigada. Sim, pode vir retirar os equipamentos se desejar, quanto a declaração me de um minuto para perguntar a ela se tudo bem fazer isso agora...
– Sim, claro.
Arizona entrou em seu quarto e quando não viu Callie, se deu conta de que ela estava no chuveiro, então abriu a porta e entrou para perguntar-lhe sobre a solicitação do oficial.
– Sim, sim, não há problema algum meu amor, quanto mais rápido isso acabar é melhor, o que me preocupa é que haja um julgamento e que eu tenha de ir a juízo. Bom, mas isso veremos, por favor, diga a ele que sim, pode vir que eu o receberei.
– Certo, não demore que seu café já está pronto.
Voltando a cozinha Arizona avisa ao oficial que Callie falará e combinam uma hora mais tarde para que ele passe no apartamento.
Callie saiu do chuveiro com uma camiseta branca e um moletom esportivo, encontrou Arizona na sala e foram tomar café. Uma hora depois como o combinado a campainha tocou, Arizona foi até a porta onde encontrou o Sub Comissário.
– Olá, Oficial Cooper, entre.
– Bom dia, Dra. Robbins, obrigado.
Arizona fez as apresentações e os três sentaram-se na sala, elas em um sofá e Cooper no outro. Quando o Oficial começou a entrevista, ela tomou a mão de Callie entre as suas e a beijou.
– Dra. Torres, primeiramente quero dizer que fico extremamente feliz que tenha saído dessa sã e salva.
– Ah, muito obrigada Oficial.
– Bom, quis passar por aqui para retirar os equipamentos e pegar sua declaração, é a única coisa que falta para encerrar o caso, não haverá julgamento, porque os três homens envolvidos no crime foram encontrados mortos.
– Mortos? – Perguntaram assustadas
– Sim, Robert Planton, o homem que estava apontando a pistola quando chegou o helicóptero, saiu correndo, fez disparos para cima e um dos nossos atiradores revidou e o matou de imediato. Havia um segundo homem envolvido, Peter Camel, quem saiu correndo em um carro, o helicóptero o perseguiu pelo ar e algumas patrulhas por terra, na sua tentativa de fuga, Camel perdeu o controle do veículo e se chocou em cheio contra uma árvore, o carro acabou explodindo logo depois. Assim que as minhas perguntas a Dra. Torres serão sobre o terceiro homem, Alberto Campos, a quem encontramos morto com um tiro na cabeça, preso em uma cadeira no sótão, o mesmo sótão onde a Dra. estava presa. Os exames de balística nos confirmaram que a arma usada para matá-lo era a mesma que Robert usou para atirar contra o nosso helicóptero. A primeira pergunta é, Dra. Torres, chegou a vê-lo alguma vez? Viu Alberto Campos? – E passou uma foto para que Callie pudesse identifica-lo.
– Sim, ele é ... Ele era uma espécie de “carcereiro”
– Certo, segunda pergunta, a senhora tem ideia de como este homem terminou morto, preso em uma cadeira no mesmo sótão onde a senhora mesma estava presa momentos antes?
– Não sei como ele morreu, quando consegui fugir ele estava realmente preso na cadeira, mas estava vivo e eu sei disso porque fui eu mesma quem o amarrei na cadeira para assim poder escapar sem que ele viesse atrás de mim.
Arizona estremeceu, desde o dia anterior nenhuma delas haviam tocado nesse assunto, então ela não sabia dos detalhes. Cooper continuou:
– Pode me dar detalhes de como isso aconteceu? Basicamente queremos saber como conseguiu fugir da casa. São apenas dados técnicos para podermos encerrar o caso sem margem para dúvidas.
Callie engoliu seco, apertou um pouco a mão de Arizona e sentindo-se mais confortável por tê-la ao seu lado começou sua narrativa;
– A segunda noite quando estava no cativeiro, injetei na minha nádega direita um dispositivo de rastreamento via satélite, quando me lembrei que o tinha em meus bolsos e guardei os outros dois que não usei junto com as seringas no bolso traseiro da calça. Claramente já havia me dado conta que estava em um sótão e duvidei que haveria sinal de celular ali, assim que na mesma noite comecei a elaborar um plano para fugir ou pelo menos para subir por alguns minutos com a esperança de que vocês detectassem o sinal do GPS...
Arizona tinha os olhos fixos, escutando com muitíssima atenção o relato de Callie.
– A terceira noite descobri que a única coisa que prendia meu tornozelo ao centro do quarto era uma corrente que estava fortemente fixada no piso com 16 parafusos grandes. Vasculhei todo o quarto e finalmente encontrei debaixo da cama uma barra de ferro que suspendia o colchão, estava parcialmente solto e assim o soltei para usá-lo como chave.
– Que engenhoso! – Ressaltou Cooper.
– Esses idiotas não contavam com a minha profissão, ganho a vida apertando e desapertando ossos. – Disse Callie com um sorriso de orgulho. – Bom, mas isso não foi fácil, os parafusos estavam muito apertados e a chave improvisada era um pouco fraca, levei três noites para soltar os 16 parafusos, trabalhava apenas a noite para evitar ser descoberta já que era durante o dia que o homem entrava no quarto para limpá-lo, lavar o banheiro ou para me alimentar, às vezes não entrava simplesmente passava a comida por uma abertura que estava instalada na porta. Enfim, no dia 15 de agosto estava pronta para fugir, só tinha que esperar que o homem entrasse no quarto para fazer a limpeza do mesmo... – Interrompeu brevemente seu relato e virou-se para Arizona – Por favor, não se irrite com o que vai ouvir agora. – Arizona se assustou um pouco, Cooper interveio e perguntou se Callie queria continuar declarando sem a presença de Robbins, mas Callie recusou, ela tinha o direito de saber e entender tudo.
– Esse homem me olhava com olhos de desejo desde o começo. Quando ia limpar o quarto tinha ordens expressas de me prender a cadeira, assim que esse dia enquanto ele me amarrava, fingi que ele me interessava, sexualmente falando, disse que queria transar com ele... – Arizona apertava a mão de Callie com força, o que mostrava o quão irritada estava apenas de imaginar a situação – Ele estava tão nervoso que me soltou rapidamente, eu parei e fingi que ia beijá-lo, quando ele fechou os olhos esperando o beijo que nunca chegou, eu o empurrei tão forte que ele caiu, bateu a cabeça e ficou desacordado por alguns minutos, aproveitei e o amarrei a cadeira e sai correndo pelas escadas para fugir o mais rápido que pude.
Arizona estava absolutamente impressionada depois de ouvir o relato de Callie e comprovou com orgulho que efetivamente sua esposa lutou desde o primeiro momento sem descanso para escapar dos sequestradores, resultado óbvio, somente alguém com o espírito de luta e valentia de Callie Torres poderia estar ali sentada ao seu lado contando a polícia como havia conseguido escapar ao invés de estar morta em um mangue. Arizona se estremeceu ao lembrar do mangue, e seus pensamentos foram confirmados por Cooper quem interveio para dizer a Callie:
– Muito obrigado Dra. Torres, é tudo o que queríamos saber, vou retirar os equipamentos para poder ir, mas antes de ir permita-me felicitá-la por sua valentia e uma boa dose de sorte, não vou negar que é a verdadeira razão pela qual a senhora continua viva, a diferença das outras três vítimas desafortunadas. Se por acaso um dia se cansar de apertar ossos, estou certo de que seria uma ótima policial – disse em tom de brincadeira.
Logo que Cooper foi embora levando os equipamentos, Arizona abraçou Callie:
– Policial é? Eu creio que o te salvaram foram três coisas: Sua valentia, sorte e ser essa latina tão sexy.
– Não, apenas uma coisa me salvou meu amor. – Arizona olhou curiosa – Você. Foi você quem me salvou, durante todo o tempo que eu estive presa, eu pensei em você, sentia sua falta e quando imaginava o quanto você estava sofrendo por minha causa o meu desejo era te ver sorrir, feliz em meus braços como agora, foi o que me motivou a não me render e seguir lutando até o final. – Uma lágrima se formou nos olhos de Callie.
Arizona se emocionou, as palavras sinceras de sua esposa a comoveram de tal forma que quando se deu conta estavam as duas com lágrimas escorrendo pelo rosto, então se aproximou e selou seus lábios com um beijo, enquanto Callie a envolvia em seus braços firmemente.
Era quase meio dia quando a campainha tocou novamente, Arizona observou pelo olho mágico e sorriu quando viu seus sogros e Sofía. Abriu a porta, saudou a todos e pegou Sofía em seus braços a enchendo de beijos pelo rosto.
Callie que estava deitada em seu quarto lendo um livro, levantou-se para ver quem tinha acabado de chegar e quando viu Sofía fez exatamente o mesmo que Arizona havia feito antes, tomou-a em seus braços e a cobriu de beijos, logo após cumprimentou também seus pais.
O Sr. Torres disse a Callie e Arizona que haviam passado por um restaurante próximo e haviam trazido comida para todos almoçarem juntos antes de irem para o aeroporto já que voltaram no mesmo dia para Miami. Encantadas com a ideia todos comeram e tiveram conversas muito agradáveis durante o almoço. Ao término da refeição, Carlos queria assegurar-se de que as três (Arizona, Callie e Sofía) tinham injetado seus novos chips GPS então pediu um momento a elas que iria a uma loja próxima fazer a retirada dos novos chips.
Quando Carlos saiu em busca dos chips, Lucia sentou-se no sofá, esperou que elas voltassem do quarto de Sofía, estavam colocando-a para dormir. Quando voltaram, rindo por causa de alguma brincadeira de Callie, Lucia fez sinal para que elas sentassem no sofá a frente pois tinha algo importante a dizer.
– Hija, quando você me contou que iria se casar com Arizona eu te disse muitas coisas, entre elas disse que sentia muita pena porque depois de criar você eu não poderia te ver no céu devido a essa escolha. Tudo isso que aconteceu me fez pensar muito e umas das coisas que eu mais pensei foi algo que vi aqui nesse apartamento enquanto você estava presa. Uma noite eu escutei Arizona chorando em seu quarto e o que eu vi me comoveu. Ela estava chorando com um crucifixo nas mãos, estava falando com Deus, suplicando, disse que se Ele sabia de tudo, então deveria saber o quanto ela te amava, pediu que Ele trouxesse você de volta e que se quisesse levar uma vida que levasse então a dela, mas que te trouxesse salva.
Callie com lágrimas nos olhos pela confissão de sua mãe, olhou para Arizona e não se surpreendeu ao ver que ela também estava chorando e sem se importar com a presença de sua mãe, segurou sua mão e a beijou no rosto.
– Eu me dei conta de imediato que as palavras dela eram verdadeiras, que estava oferecendo de coração a vida dela em troca da sua e isso me impressionou. É certo que na bíblia diz que Sodoma e Gomorra foi uma abominação e que os homens devem estar juntos com as mulheres, mas também é certo que na mesma bíblia diz que Jesus Cristo uma vez disse que não existe prova de amor maior do que estar disposto a dar a própria vida por alguém que você ama. E foi exatamente isso que ela fez quando estava suplicando, ofereceu sinceramente a vida dela em troca da sua.
Callie apertou ainda mais a mão de Arizona, as palavras de sua mãe chegavam cada vez mais fundo em sua alma, sentido nesse momento que seu amor por Arizona era infinito.
– Tudo isso me fez reorganizar em minha mente as minhas crenças, eu ainda não acho esse tipo de relação um modelo, mas depois do que vi e ouvi, sinto que não posso ser contra a relação de vocês, porque um amor como esse, um amor disposto a esse tipo de sacrifício, um amor assim não pode ser pecado.
Depois dessas palavras Callie não tinha apenas lágrimas nos olhos, mas estava já chorando rios. Então Lucia se levantou do sofá, tomou em uma mão a mão de Callie e na outra a mão de Arizona:
– Quero que saibam que agora tem a minha benção. – E com lágrimas nos olhos as abraçou.
– Obrigada madre, te amo!
– Eu também hija, também.
E Arizona para não ficar de fora emendou; — Eu também.
Todas então riram, e Callie decidiu abrir uma garrafa de vinho para comemorar.
Arizona surpresa se sentia extremamente feliz pelo o que acabara de acontecer, ela sabia o quanto isso foi doloroso para Callie, a posição que sua mãe havia tomado a respeito de seu casamento e a sua nova forma de viver e vendo assim o brilho nos olhos de sua esposa não podia sentir-se menos do que imensamente feliz. Finalmente, pensou ela, depois de todo o acontecido as coisas estavam caminhando para o lugar certo. O que ela não imaginava era que Callie tinha em sua mente grandes planos, novos sonhos, assim que, as coisas boas que iam sair dessa tragédia estavam apenas começando ...
Essa história com certeza continuará !
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