Notas iniciais
Gente, eu gosto de postar de manhã, mas hoje isso não foi possível.
Mas está aí um capítulo fresquinho para vocês! Espero que gostem!!^^

Alana não conseguia distinguir o que sentia. Estava em choque pela mensagem, atordoada por saber que a garota estava morta, considerando-se verdadeira a mensagem, eufórica por saber que ao menos uma pessoa tinha tocado no assunto.

Releu mais três vezes as duas palavras em negrito. Desaparecida e morta. Era como se, de alguma forma, já esperasse por aquilo. Uma luz acendeu em sua mente e enfim percebeu que tinha entrado em um caminho sem volta, teria que ir adiante com aquilo até o fim.

A outra parte do e-mail também a intrigava. “O que você acha de conversarmos um pouco?” quem era Elvira e por que, aparentemente, ela era a única que não tinha mostrado problema em discutir o assunto?

Resolveu mandar outro e-mail, dessa vez mais direto, e perguntou quem era Adriana. Enquanto esperava pela resposta, seus pais chegaram
e ela teve que descer para comer junto com eles.

Sua mãe fazia perguntas como: já fez amigos? E como são os meninos? Enquanto que seu pai perguntava: como é o ensino? O colégio é rígido? Alana respondia a tudo de maneira automática e resumida, ela só queria voltar para o seu quarto e ver se tinha alguma resposta da tal Elvira.

Percebeu, então, que seus pais passaram a olhá-la com preocupação, como sempre acontecia quando ela não falava muito. Por isso, para que não fosse bombardeada por perguntas desnecessárias, disse a primeira coisa que veio à sua mente.

–O Marcos faltou hoje.

–O filho dos Campbell? – perguntou sua mãe.

–Sim. Segundo uma amiga, ele não estava passando bem.

–Nossa, mas será que é sério? – seu pai parecia preocupado.

–Não sei...

–Você não foi até a casa dele, Alana? – sua mãe perguntou incrédula.

–Não, por que iria?

–Para ver como ele está, oras! – seu pai falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

–Não tenho tanta intimidade assim com ele! – Alana tentou se defender.

–Mas ainda assim, ele é um colega seu. Além disso, os Campbell foram muito simpáticos com nós. Quero que vá até a casa deles depois do jantar. – sua mãe usou o tom autoritário costumeiro.

–Mas, mãe...

–Alana!

Sempre que sua mãe chamava seu nome após uma ordem, significava que ela não podia ser contestada, nem Alana tinha coragem de fazê-lo. Suspirou, revirou os olhos e comeu o último pedaço de carne que havia no seu prato antes de ir para a casa da frente.

Ou pelo menos tentar. Alana ficou parada, segurando a maçaneta da porta da sua casa, durante um bom tempo. E o medo que sentia em sair de casa? Ainda que fosse apenas atravessar a rua, o fato de estar tudo escuro e deserto a assustava. E se a pessoa encapuzada resolvesse aparecer?

–O que está fazendo? – seu pai sentou no sofá e ficou olhando para ela.

–Tenho mesmo que ir? – usou seu tom choroso para ver se o fazia mudar de ideia.

–Vai logo, Alana. – respondeu de forma imparcial.

–Tá. – respondeu seca e mal-humorada, abrindo a porta.

–E não fale assim comigo, mocinha!

Como se não tivesse ouvido seu pai, fechou a porta e, imediatamente, saiu correndo, atravessou a rua e só parou quando estava na frente da casa dos Campbell. Tocou a campainha, mas ninguém abriu a porta. Afoita, olhou para os lados e para trás, certificando-se de que não tinha mais ninguém ali além dela. Tocou mais uma vez, morrendo de
vontade de voltar para a segurança d sua casa.

–Ah! Alana! – a senhora Campbell estava de pijama, já – Posso te ajudar? – Alana respirou fundo, aliviada.

–Oi, senhora Campbell... Eu vim saber como o Marcos está...

–Oh, bem melhor! Foi só uma indisposição, amanhã ele já vai para a escola.

–Que bom! – sorriu – Bom, agora que já sei que ele está bem, vou indo...

–Espera! Por que não vai falar com ele?

–Ah... Já está tarde, e amanhã ele vai para o colégio, mesmo...

–Quê isso! Faço questão! O quarto dele e o segundo a direita. – e deu espaço para ela passar.

–Tá...

Entrou na casa sem saber direito o que fazer. Enquanto subia os degraus para o segundo andar, perguntava-se o que falar com o Marcos. Tudo bem que eles se viam na escola e estavam juntos na maior parte do tempo, mas aquilo só acontecia por causa da Mila.

Chegou a frente a uma porta de madeira escura, bateu duas vezes e ouviu um “entra” como resposta.

Marcos estava deitado na cama com um livro na mão. Ele olhou para a porta e, quando a viu, tencionou o maxilar e pareceu ficar preocupado. Alana estranhou a reação dele, e estranhou mais ainda quando viu que ele vestia uma calça preta.

–Eu... Vim ver como você estava... – explicou, desviando o olhar para o rosto dele.

–Ah... Estou bem. – ele se sentou na cama.

–Que bom. – como Alana detestava situações como aquela, o silêncio era constrangedor demais e ela não sabia o que dizer.

–Senta. – Marcos apontou para uma cadeira. Alana sabia que aquele gesto era por pura educação, seus olhos diziam que a queriam fora dali o mais rápido possível. E ela não se ofendeu com aquilo, afinal, tudo o que ela mais queria era voltar para casa.

–Não, obrigada, tenho que voltar para casa. Só vim ver como você estava mesmo. – sorriu um pouco.

–Obrigado.

–Bom, tenho que ir, até amanhã.

–Até.

Quando estava saindo do quarto, Alana pensou em perguntar para o Marcos se, em algum momento, ele tinha ido à escola. Até virou-se de volta para ele e chegou a soltar um “você”, mas viu que ele ficou mais tenso e achou melhor ir embora de uma vez. Despediu-se de novo e voltou para casa.

Correu para casa, disse aos seus pais que Marcos estava bem e foi para o seu quarto. O ar faltou em seus pulmões quando viu que tinha um novo e-mail. Sem hesitar, abriu a mensagem.

“Vamos com calma... Não sei se posso confiar em você.”

Imediatamente, Alana respondeu:

“Digo o mesmo sobre você.”

Em menos de cinco minutos, outra mensagem chegou.

“Sei a resposta de muitas das suas perguntas e não tenho problema em dizer tudo o que quer saber. Vamos lá, você tem outra pessoa à quem recorrer?”

Alana detestou o tom arrogante, mas tinha que admitir que quem quer que fosse tinha razão, não havia à quem mais perguntar. Recebeu outro e-mail.

“Façamos assim, amanhã, dê um jeito de mencionar o nome dela na sala. Se fizer isso, prometo te ajudar. Ou é isso, ou é nada.”

Ficou na dúvida se fazia o que dizia o e-mail ou não. A pessoa que o escreveu era uma completa estranha, tirando o fato de que ela devia ser da sua sala. Além disso, Alana não sabia como os alunos reagiriam diante do nome. Ou será que só Mila ficava descontrolada?

Por outro lado, essa era sua chance de, enfim, começar a entender o que estava acontecendo ali. Pelo menos era isso o que ela esperava. Resolveu arriscar. Escreveu uma mensagem dizendo que concordava. Sincronizou seu e-mail com o celular e foi deitar.



Por conta de uma noite mal dormida devido à falta de sono, Alana acabou se atrasando. Colocou a primeira roupa que viu e, sem comer nada, saiu de casa.

Surpreendeu-se ao ver Marcos encostado no seu portão. Aproximou-se dele, sem entender o que ele fazia ali e os dois foram para o colégio em silêncio. As únicas palavras trocadas foram:

–Agradecimento pela sua visita de ontem.

Alana não podia deixar de gostar daquilo, ainda que o silêncio reinasse. Percebesse que não teve a sensação de estar sendo seguida e chegou ao colégio sem problemas.

Ambos foram direto para a sala de aula. Cumprimentaram Mila e cada um foi para o seu lugar. Enquanto arrumava seu material, Pedro e Gabriel se aproximaram. O primeiro se sentou na cadeira, ainda vazia, do aluno que sentava na frente de Alana, e o segundo continuou de pé.

–Alana! – Pedro falou com entusiasmo.

–Oi... – respondeu sem jeito.

–E ai você está bem?

–Ah, sim, obrigada. – e sorriu.

–Conseguiu chegar a tempo no seu compromisso?

–Sim! – mentiu.

–Ainda bem! Já pensou se, depois de quase ser atropelada, ainda chegasse atrasada?

–Classe! – Ana apareceu na frente da turma e todos ficaram quietos – A professora de álgebra faltou, então, a primeira aula é livre. – os alunos vibraram com aquela notícia. Ana fez um gesto para Pedro e Gabriel e saiu da sala.

–O que foi que fizemos dessa vez? – perguntou Pedro com ar cansado e os dois saíram.

Logo em seguida, Mila e Marcos apareceram ao seu lado. A menina assumiu a cadeira onde o moreno estivera sentado e Marcos pegou a dele para se sentar próximo às duas.

–Desde quando fala com o Pedro? – Mila falava como se aquilo fosse algo de outro mundo.

–Desde ontem, quando ele me salvou de ser atropelada. – Mila riu.

–Isso pode ser uma cidade do interior, mas temos carros e eles andam na rua! – Alana sorriu – O que vamos fazer? – perguntou, mudando de assunto.

–Nem ideia. – Marcos respondeu.

–Ah! Já sei! Podemos jogar Stop! – falou com animação. Alana não gostava muito daquele jogo, ter que ficar, preenchendo colunas e ainda com pressa para acabar primeiro não a agradava muito, mas concordou, por Mila. Pegaram folhas e canetas. As colunas eram: nome, sobrenome, C.E.P., objeto, animal, cor e comida. Mila pediu para uma menina escolheu a letra “A”.

Alana teve dúvida no começo, mas logo decidiu, aquela era uma ótima oportunidade. Escreveu apenas três palavras e esperou alguém dizer “Stop”. E como quem disse foi Mila, ela foi a primeira a dizer suas palavras, depois Marcos e, então, Alana. Encheu os pulmões de ar, tomando coragem, e depois soltou:

–Adriana, Golveia, morta.

A sala, que até então estava uma bagunça só, ficou em silêncio e todos olharam para ela. Alana fez questão de sustentar cada olhar ameaçador e atônito voltado para si, ainda que por dentro estivesse morrendo de medo.

Mila parecia a ponto de explodir e Marcos tencionou o maxilar como fizera na noite anterior. Olhou para cada aluno com ar provocativo, tinha que confessar que era interessante ver como reagiam. A tensão no lugar era quase palpável e a sensação era de que, se um lápis caísse no chão, a sala toda se descontrolaria.

–O que aconteceu? – Ana perguntou quando voltou, acompanhada por Gabriel e Pedro.

Os dois entraram e se sentaram, também estranhando a situação. Todos os alunos se voltaram para frente, Mila e Marcos voltaram para seu lugar e, aos poucos, o clima pesado foi passando.

Alana conferiu o celular e viu que tinha uma mensagem e um e-mail, e olhou na respectiva ordem.

“E que a caçada comece!”

“Parabéns! Você ganhou uma aliada.”

Notas finais
E então, o que acharam??