Não Conte Nossos Segredos
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Espero que gostem!!
Com raiva, Alana ficou encarando os papéis em branco por mais de cinco minutos. Pensando bem, era óbvio que aquilo aconteceria, estava fácil demais para ser verdade. Culpou-se mentalmente por ter deixado a maldita pasta sozinha. Leu a mensagem mais uma vez e se perguntou por que ninguém gostava de tocar no assunto Adriana.
Por curiosidade, levantou do chão e foi até a janela. A velha lhe encarava do outro lado, seu sorriso era sem humor e os olhos estavam caídos e quase sem brilhos. Ao ver que a menina se aproximava, apontou, com a cabeça, para a rua, e ao olhar, Alana a viu de novo, toda de preto e com o canivete na mão.
–Pobre criança... – a velha falou. Alana a fuzilou com o olhar, ela sabia de algo, por que, então, não contava? Fechou a janela com força, jogando-se na cama logo em seguida.
Aquilo já estava ficando ridículo. Era nova na cidade, estava sendo ameaçada por uma pessoa esquisita que usava máscara de palhaço e ainda tinha uma menina que, aparentemente, era assunto proibido. Se não se sentisse tão estranhamente ligada à tudo aquilo, como se soubesse que tinha muita coisa por trás de tanto silêncio e que, de alguma forma, ela tinha que descobrir algo, estaria quieta e não seguiria adiante com toda aquela história.
O problema era que essas sensações eram mais forte que seu lado racional e ela simplesmente não conseguia parar. Levantou rapidamente e entrou na internet, tendo como único pensamento a certeza de querer saber tudo o que estava acontecendo.
Digitou, na barra do Google, o nome da cidade e Adriana Golveia. Os resultados que vinham apenas diziam sobre como funcionava a
agricultura local, um festival tradicional que faziam em homenagem à colheita e os “pontos turísticos” da cidade.
Apagou o “Adriana” na barra de busca, esperando encontrar algum resultado sobre a família Golveia, mas foram os mesmos resultados da pesquisa anterior. Tirou o Golveia e recolocou o Adriana, e novamente, nada.
Alana já estava quase desistindo, quando, na última página, encontrou um blog que dizia a respeito de uma garota que adorava tirar fotos e as intitulava como Adriana Golveia. Crente de que não era o que ela buscava, resolveu sair do blog, até que viu, em letras minúsculas e em um canto escondido da página, o nome da cidade e o da menina.
Perguntou-se por que o blog não tinha aparecido na pesquisa que tinha feito exatamente com as mesmas palavras, mas logo ignorou aquilo. Clicou no link e uma página toda preta surgiu na tela do computador. Datas e mensagens com letras brancas ocupavam a página.
“DIA 11 DE MAIO
A escola foi uma droga, para variar.
Seria tão bom se as pessoas se preocupassem mais com a própria vida
E deixassem a dos outros em paz!
Ainda estou atrás daquele livro,
Espero encontra-lo em breve.”
“DIA 12 DE MAIO
Depois de muito pesquisar sobre o livro que eu tanto quero ler,
O encontrei num canto esquecido daquela livraria quase falida.
Ensopado ele estava e fiquei com raiva. Como o leria naquele estado?
Fui àquela outra livraria e o encontrei um pouco mais conservado.
Mais, porcaria, eu tive que pagar a mais pelo tão sonhado livro.
E logo acabei indo para casa, devorá-lo.
Eis que resolvo sair com minha melhor amiga.
Isabele esquece do nosso encontro.
Irritada com ela, resolvi voltar para casa
No caminho, indaguei-me como ela podia me deixar esperando daquele jeito
Mas logo ela desculpou-se comigo e acabou voltando tudo ao normal.
Afinal, ela é amada minha.”
“DIA 13 DE MAIO
O livro é ótimo!
Tem coisas nele que eu jamais pensei que leria
Prende minha atenção de tal forma,
Que sinto como se abandonasse esse mundo.
O que é bom, uma vez que lá na escola está bem complicado.
Mas para tudo há seu tempo.
Por isso não me preocupo.”
“DIA 14 DE MAIO
Melhor dia de todos, a chuva não para de cair lá fora
E o mais legal de tudo é que
Eu resisto o máximo que posso para não dormir.
Ela toda vez me abala assim, por quê?
Mais anestesia para mim.”
Alana simplesmente não entendeu absolutamente nada do que estava escrito. Pareciam poemas confusos sobre pequenos trechos da vida de alguém, eles não faziam sentido.
Mais abaixo, viu que tinha um lugar com o e-mail da pessoa
que escrevia tudo aquilo. A princípio, ela não achou que valia a pena mandar qualquer mensagem. Mas depois, o fato de ter sido a única página a mencionar aquele nome, fez com que Alana mudasse de ideia. Criou outro e-mail e enviou a seguinte mensagem:
“Qual a relação do seu blog com Adriana Golveia?
LittlePrincess”
Achou estúpido seu pseudônimo, mas Alana acreditava que pelo menos assim não fosse tão fácil deduzir que era ela.
Ficou checando seu e-mail a cada minuto, mesmo que em seu
íntimo ela achasse que a resposta demoraria a chegar. Mas se enganou, em dez minutos, uma mensagem chegou e Alana não podia acreditar no que estava lendo.
“DIA 12 DE MAIO
Depois de muito pesquisar sobre o livro que eu tanto quero ler,
O Encontrei num canto esquecido daquela livraria velha e quase falida.
EnSopado ele estava e fiquei com raiva. Como o leria naquele estado?
Fui Àquela outra livraria e o encontrei um pouco mais onservado.
Mais, Porcaria, eu tive que pagar a mais pelo tão sonhado livro.
E logo Acabei indo para casa, devorá-lo.
Eis que Resolvo sair com minha melhor amiga.
Isabele Esquece do nosso encontro.
Irritada Com ela, resolvi voltar para casa
No caminho, Indaguei-me como ela podia me deixar esperando daquele jeito
Mas logo ela Desculpou-se comigo e acabou voltando tudo ao normal.
Afinal, ela é Amada minha.
DIA 14 DE MAIO
Melhor dia de todos, a chuva não para de cair lá fora
E Omais legal de tudo é que
Eu Resisto o máximo que posso para não dormir.
Ela Toda vez me abala assim, por quê?
Mais Anestesia para mim.
O que você acha de conversarmos um pouco?
Elvira”
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