Notas iniciais
Gente, começam as revelações!
Espero que gostem!!

Andava pelas ruas desertas e escuras olhando para a tela do celular, tentando imaginar do que Elvira estava falando. Fora aquilo, ainda tinha a confusão em relação à pasta. Se não tinha sido Gabriel que tinha pegado, então, quem teria sido? E o que ele queria dizer com “a sombra dela”?

Perdida nesses pensamentos, Alana recebeu uma mensagem. Com receio, leu o texto. “Achou!”

No mesmo instante, Alana levantou o olhar, deparando-se com as conhecida máscaras e roupas negras. O canivete estava bem à mostra, conforme se mexia por conta dos passos, refletia a pouca luz que vinha do poste de iluminação.

Assustada, Alana parou e deu um passo para trás. Nem percebera que já tinha começado a respirar pela boca e que seu coração estava a ponto de explodir. Deu outro passo, enquanto a outra pessoa andava na sua direção.

O canivete começou a girar na mão dela e Alana quase pôde sentir o objeto cortando-lhe o corpo, era quase como se já conhecesse a dor que ele causava. Outro passo e, sem esperar mais, virou-se e começou a correr.

O lugar estava tão deserto e silencioso, que Alana era capaz de ouvir apenas sua respiração ofegante, seus passos e os da outra figura que a seguia. Procurou com os olhos algum ponto que parecesse familiar para ela voltar até a casa de Gabriel, mas não reconhecia aquele lugar. Não percebera o quanto havia andado.

Continuou correndo o máximo que podia, nem sabia que tinha tanto fôlego. Mas tropeçou em uma pedra grande que havia ali e acabou caindo no chão. Tentou se levantar, mas uma mão agarrou seu cabelo e a fez virar de frente para si.

Com o reflexo rápido, colocou o braço na frente do rosto assim que a lâmina do canivete se aproximou do seu rosto, o que resultou em um ferimento grande. A dor pareceu atingir até seus ossos, mas Alana a ignorou. Tentava tirar aquele corpo de cima de si.

Recebeu um tapa no rosto, o que um filete de sangue escorrer por seus lábios. Revidou o tapa e quase conseguiu tirar a máscara. A pessoa ficou atordoada e Alana, aproveitando o momento, deu uma joelhada no estômago da outra e a jogou para o lado.

Levantou-se o mais rápido que pôde e voltou a correr. Logo ouviu passos atrás de si e aumentou a velocidade, mas não aguentaria aquilo por muito mais tempo. Resolveu virar à esquerda e, assim que o fez, ouviu mais passos na sua direção.

Temeu que fosse outra pessoa querendo pega-la, mas quando viu a figura de Gabriel correndo na sua direção, sentiu suas pernas fraquejarem e algumas lágrimas escorrerem, um alívio tremendo tomou conta do seu corpo.

-Alana... – ele falou, confuso por vê-la naquele estado.

-Gabriel! – ela correu e se agarrou ao seu corpo, permitindo-se chorar copiosamente – Tem alguém atrás de mim! – falou com dificuldade, sentindo Gabriel envolver seu corpo em um abraço e a apertar contra si – Tem alguém! Me tira daqui, Gabriel! Me tira daqui!

-Calma... – falou, enquanto acariciava o cabelo e as costas dela, e distribuía beijinhos pelo seu rosto e seu pescoço – Se calma, Alana.

-Não! Ela está atrás de mim!

-Shhh... – ele segurou o rosto dela delicadamente entre suas mãos e beijou de leve seus olhos, limpando algumas lágrimas – Não tem ninguém atrás de você nesse momento, Alana. Estamos sozinhos aqui, acredita em mim...

-Mas... Estava... – ela enterrou seu rosto na curva do pescoço dele.

-Se acalma... – e continuou com os carinhos.

Alana fechou os olhos e se concentrou nos toques que recebia. Aos poucos seu coração foi voltando ao normal e sua respiração também. As lágrimas começaram a secar e a dor no rosto e no braço se fez presente. Ainda assim, tentou não dar muita importância, era confortável demais sentir o calor do corpo de Gabriel para querer acabar com aquele momento.

Virou o roto de lado e fechou os olhos, respirando fundo. Assim que voltou a abri-los, deparou-se com os orbes verdes lhe fitando de maneira séria. Afastou-se um pouco para que pudesse enxergar melhor o rosto de Gabriel.

-Melhor? – ela assentiu com a cabeça e ele esboçou um leve sorriso – Que bom. – suspirou e desceu suas mãos até os braços dela, e assim que encostou no ferimento, Alana fez um careta. Gabriel viu o sangue nela e em sua mão – É melhor eu te levar para a casa.

Alana sentiu os dedos dele tocarem sua mão de maneira firme, porém delicada e deixou que ele a levasse. A caminhada foi silenciosa, mas estranhamente agradável. Assim que chegaram, pararam em frente à casa. As luzes estavam apagadas, o que significava que seus pais ainda não tinham chego, e aquilo era desagradou Alana.

-Se importa? – ela olhou para o Gabriel sem entender – Se importar de eu ficar aqui com você até seus pais voltarem? – ela sabia que seu pai detestaria a ideia de ela estar sozinha em casa com um garoto, mas a proposta tinha sido tão tentadora, que respondeu:

-Não.

Alana pegou a chave de dentro do bolso da calça e abriu a porta. Gabriel entrou e ela pediu que ele ficasse a vontade. Sentiu-se um pouco envergonhada pela casa simples que tinha, mas ele pareceu nem notar.

-Deixa eu ver. – ele pediu assim que ela trancou a porta. Ela se aproximou e Gabriel examinou seu braço delicadamente – Nada demais. Faz assim, toma um banho e depois eu faço um curativo.

-Senta. – indicou o sofá enquanto deixava tudo o que carregava em cima dele.

Subiu até seu quarto e, sem perder mais tempo, foi para o banho. Ela estava confusa sobre muita coisa, mas tinha certeza da euforia e ansiedade que sentia por saber que Gabriel estava ali. Lavou-se rapidamente, colocou uma roupa mais confortável, pegou o eu precisaria para o curativo e foi para a sala.

Encontrou Gabriel sentado de forma relaxada no sofá. Quando percebeu sua presença, olhou-a de maneira intensa e se ajeitou para que ela pudesse se sentar.

-Você estava certo... – murmurou enquanto ele passava remédio em seu braço.

-Não era bem sobre isso que eu me referia... – ela o olhou, confusa.

-Como assim? – Gabriel levantou seu olhar.

-Coisas estranhas acontecem quando o nome Adriana é mencionado... – ele voltou sua atenção para o ferimento – Mas nunca imaginei que alguém, de fato, viria atrás de você... – fez uma pausa – Vai parar com esse assunto, agora?

Alana pensou. Queria parar, era horrível se sentir ameaçada vinte e quatro horas por dia, mas dizia que ela tinha que ir até o fim. Uma razão para isso ela desconhecia, mas a outra a atormentava tanto que as vezes parecia que sua cabeça explodiria.

-Não... – ele riu sem humor.

-Eu devia imaginar... – terminou de fazer o curativo, olhou-a fixamente e respirou fundo – Eu fui namorado da Adriana. – ao ouvir aquilo, Alana sentiu algo estranho no peito, por algum motivo, ela não tinha gostado nada de saber daquilo.

-Namorado...? – repetiu.

-É. Sabe, não foi por muito tempo... Mas chegamos a ter algo sério... – foi a vez dela desviar o olhar. Uma mão quente encostou em seu rosto e a fez voltar a encará-lo – Presta atenção, Alana. Eu acompanhei a mudança de comportamento dela. De uma hora para a outra, ela não comia nem dormia, viva assustada, não queria ficar sozinha... Sei que tinha alguém atrás dela, mas ela nunca me contou quem ou porquê... – pausa.

-E por que você está me contando isso? – perguntou baixo.

-Porque estou vendo isso acontecer com você... – ele encostou sua testa na dela, fazendo com que a respiração de ambos se misturasse – E eu não quero isso... – ele olhou fixamente os lábios dela e aproximou ainda mais o rosto e, quando suas bocas estavam quase se encostando, o celular de Alana começou a tocar.

Num pulo, ela se pôs de pé e começou a procurar pelo objeto, que tinha largado no sofá. Assim que o achou, deu uma rápida olhada para o Gabriel, sua expressão tinha se tornado irritada e entediada.

-Alô...

-Alana? É o Pedro.

-Oi, Pedro. – Gabriel revirou os olhos.

-Eu só liguei para saber se você está bem... Você saiu correndo de casa, e...

Sem dar tempo de Pedro terminar de falar, Gabriel puxou Alana para seu colo e tirou o celular de sua mão, e quando ela foi falar algo, tomou seus lábios. Alana demorou algum tempo para perceber o que estava acontecendo, mas quando sentiu a língua dele pedir passagem, tudo o que ela fez foi fechar os olhos e entreabrir os lábios.

O gosto da boca de Gabriel parecia ser hortelã, suas línguas se encontravam e pareciam dançar de uma forma sensual. Era como se tivesse sentido falta daqueles toques durante muito tempo. As mãos dele começaram a passear pelo seu corpo de maneira firme, apertando-a de vez em quando.

Alana se entregou por completo, permitiu que suas mãos explorassem o corpo dele também, passando a unha de leve em sua nuca, enquanto acariciava as costas dele por baixo da camiseta, sentindo Gabriel se arrepiar em alguns momentos.

Ela jogou a cabeça para trás e ele logo cuidou de seu pescoço, dando mordidas não tão leves, para depois sugar um pouco a pele. Alana sentia cada pelo de seu corpo se arrepiar diante do toque. Inclinou-se um pouco para frente e mordeu o ombro de Gabriel, que soltou um gemido baixo.

Ele levou uma mão até a barra d blusa que ela usava e, quando estava quase tirando-a, ouviram um barulho de carro. Alana se apressou em sair do colo dele e, assim que terminou de arrumar um pouco sua roupa, seus pais entraram em casa.

Ao notarem a presença de mais alguém na sala, voltaram sua atenção para Alana, querendo explicações. Ela torceu para que a voz saísse firme e começou:

-Esse é o Gabriel... Um amigo do colégio. – ele se levantou e cumprimentou os dois – Ele me acompanhou até aqui em casa e, no meio do caminho, eu caí... E ele se ofereceu para me ajudar a fazer um curativo...

-E onde foi o machucado? – seu pai perguntou, sério.

-Aqui. – Alana mostrou o braço e sua mãe veio correndo em sua direção.

-Minha nossa, Alana, como foi que você caiu?

-Tropecei em uma pedra...

-Bom... – Gabriel se aproximou de Alana – Agora que você não está mais sozinha, eu vou para casa...

-Não quer ficar para o jantar? – sua mãe perguntou.

-Não, obrigado. – ele sorriu – Minha família deve estar me esperando... Fica para a próxima...

-Está bem! Vou cobrar, ouviu?! – diante daquelas palavras, Alana queria bater sua cabeça na parede de tanta vergonha, mas se controlou.

-Estarei esperando. – ele se voltou para o pai dela – Tchau.

-Tchau. – seu pai continuava carrancudo.

-Vou com você até lá na frente. – Alana falou e os dois saíram de casa.

-Até amanhã. – Gabriel se aproximou e segurou sua cintura, selando seus lábios logo em seguida.

-Até. – sussurrou.

Ele começou a andar pela calçada e, quando Alana estava quase voltando para dentro de casa, recebeu outra mensagem.

“Da próxima vez eu te pego... Você não vale nada, assim como Adriana.”

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??