Não Conte Nossos Segredos
22 Capítulo 22
Assim que viu a mensagem, Alana entrou correndo em casa. Já estava prestes a subir a escada, quando a mão de seu pai segurou seu braço e a fez ficar na sala.
–Espera um momento, mocinha. – Alana conhecia aquele tom, era sermão na certa. Ela respirou fundo e sentou-se no sofá.
–Fala, pai.
–Que história é essa de trazer meninos aqui quando nós não estamos?
Alana abriu a boca para responder, mas eu pai não deixou. Ele começou a dizer quais eram as reais intenções de Gabriel, como se ela não soubesse daquilo, e explicou como era importante se prevenir. Tudo o que ela fazia era ficar ouvindo e concordando com tudo, sendo liberada apenas depois de prometer ao pai que se cuidaria.
Bufando, ela foi até seu quarto e, assim que entrou, viu Margarida parada na janela. Alana já estava irritada, mas achou que valia a pena ver se ela não tinha nada a ser dito. Aproximou-se e encostou-se à parede, de costas para a outra.
–O tempo está passando, Alana... Seja rápida.
–Se eu pedir para você explicar melhor...
–Não posso. – ouviu um suspiro – Apenas te dou um conselho... Pense. A resposta está mais perto do que imagina.
Assim que terminou de falar, Margarida fechou a janela. Alana continuou onde estava, refletindo sobre a fala da velha. Ela tentava encontrar uma lógica naquilo, mas estava tudo muito confuso, e ainda tinha a impressão de que realmente restava pouco tempo.
Decidiu apelar para Elvira, talvez ela pudesse ajudar. Pegou o celular e, deitada na cama, mandou a pergunta.
“Adriana traiu Gabriel?”
A resposta demorou um pouco mais para chegar, o que fez Alana ficar ansiosa.
“Finalmente descobriu!!”
Aquilo era um pouco óbvio, mas já era algo. Repassou a discussão que ouvira mais cedo em sua mente. Pedro parecia bastante aborrecido com Adriana, e Alana não conseguia imaginar o que ela poderia ter feito para deixa-lo daquele jeito, logo ele que, aparentemente, não tinha problema com nenhuma pessoa. Uma ideia vaga passou pela sua cabeça e, sem demorar, mandou outro e-mail.
“Adriana traiu Gabriel com o Pedro?”
“Acho que não. Tente de novo.”
Analisando melhor, Pedro não parecia do tipo que traía o próprio irmão, e se ele tivesse feito aquilo, Alana tina quase certeza de que a relação dele com Gabriel seria diferente. E tinha mais um detalhe que não se encaixava direito... Por que ele estaria discutindo com o pai sobre Adriana?
Aquilo ficou martelando na mente de Alana, até que, por fim, ela adormeceu.
–Não foi minha culpa! Não foi! – chorava tanto que mal conseguia falar. Seu corpo inteiro tremia e ela tinha a sensação de que não conseguia respirar direito.
–Eu sei, Alana... Todas nós sabemos.... – Roberta tentava acalmá-la.
–Então, por que parece que eu sou?! – gritou. Mãos gentis envolveram seu rosto e a fizeram olhar para a melhor amiga.
–Alana, não foi culpa sua, entendeu? Não foi...
Acordou com lágrimas nos olhos e um aperto no peito que chegava a ser sufocante. Virou-se de lado e, com o rosto enterrado no travesseiro, chorou. Aquele pesadelo nunca teria fim? Deixou que as lágrimas escorressem até que não houvesse mais nenhuma, para então levantar.
Lavou o rosto e, com um pouco de maquiagem, fez o possível para que não ficasse tão visível que não estava tão bem. Trocou de roupa e desceu para ir ao colégio. Sua intenção era não comer nada, estava sem fome, mas sua mãe a fez pegar pelo menos um pedaço de bolo.
–Me faz um favor, Alana? Quando voltar da escola, passa em alguma vendinha e compra fermento? Mais tarde eu quero fazer uma torta.
–Claro, mãe... – respondeu, engolindo a última porção de bolo que tinha na boa e saindo da cozinha.
Assim que abriu a porta de casa, viu Pedro e Gabriel sentados na calçada. Ela teve a sensação de já ter vivido aquela cena, mas não com os dois, com alguma outra pessoa. Aproximou-se deles e, quando Pedro a viu, abriu um sorriso.
–Bom dia! – falou animado.
–Oi... – voltou-se para Gabriel – Algum motivo em especial para isso? – ele sorriu um pouco e beijou sua boca.
–Nenhum.
–Só quisemos te acompanhar até a escola, hoje. – Pedro comentou enquanto andavam.
–Mas é o dobro da distância para vocês!
–Por isso, não acostuma. – Gabriel falou e piscou.
–A propósito, Alana, nem precisa se dar a trabalho de explicar porque desligou na minha cara ontem. – Pedro fez uma careta – Já sei que estava bem ocupada. – ele falou com um tom malicioso e Gabriel deu tapa em sua cabeça – Ai, merda! – Alana não conseguiu segurar o riso.
Assim que chegaram ao colégio, Mila e Marcos vieram cumprimentar eles. O sinal logo tocou e a professora entrou na sala.
O primeiro período demorou um pouco para passar, principalmente por ser aula de matemática. A professora deu uma atividade em dupla e Alana fez questão de sentar com Gabriel.
Ele tentava explicar para Alana como faziam os exercícios, mas tendo o corpo dele tão próximo do seu, tudo o que ela conseguia pensar era em como tinha sido bom o beijo dele e como queria mais daquilo.
–Está prestando atenção, Alana? – ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
–Claro! – apressou-se em responder. Gabriel riu de canto.
–O que acha de mais algumas sessões de estudo? – apesar do tom sério da pergunta, Alana pôde ver um brilho malicioso no fundo dos seus olhos.
–Eu adoraria.
–Ótimo, veja quando está bom para você. – ela assentiu e tentou voltar sua atenção para o livro.
Quando o sinal para o intervalo tocou, os alunos logo saíram da sala. Pedro avisou que estaria na quadra, jogando, e Mola disse que estaria na cantina. Alana avisou que precisava ir ao banheiro que depois se encontrava com eles.
Desde aquele episódio, ela detestava ir a banheiros públicos, principalmente os de escola, mas sua visita seria algo rápido, queria apenas verificar se sua aparência tinha melhorado. Assim que encostou na porta, sentiu seu coração descompassar e o nervosismo chegar, respirou fundo e a abriu.
O banheiro estava vazio e Alana soltou o ar com alívio. Foi até o espelho e ficou olhando sua aparência. Ela estava melhor, já não parecia que estava muito abatida e o vermelho em seus olhos havia passado. Ficou se encarando até que notou algumas formas diferentes em seu reflexo. Os cabelos mais ondulados e mais claros, as bochechas róseas, os olhos castanhos... Era como se a outra estivesse do outro lado do espelho. Se Alana não fosse tão cética, suspeitaria que aquele era o fantasma daquela que a atormentava o tempo todo.
–Carolina... – murmurou – Sua idiota... – e deu meia volta.
Ao sair, viu Gabriel encostado a uma parede com as mãos nos bolsos da calça. Voltou seu olhar para ela e esperou até que Alana se aproximasse.
–Devolvi. – falou e Alana não entendeu muito bem – A pasta.
–Como conseguiu fazer isso tão rápido? – espantou-se.
–Ana tem o péssimo hábito de deixar sua sala aberta enquanto sai para comer. – respondeu, dando de ombros. Ele esticou os braços e segurou Alana pela cintura, trazendo-a para mais peto de si.
–Melhor assim. – falou baixo, gostando da aproximação.
Gabriel abriu um pouco mais suas pernas e fez Alana se encaixar ali, grudando seu quadril com o dela. Enroscou seus dedos nos cabelos negros e compridos, afastando-os do pescoço, onde começo a dar leves mordidas, feliz por ver as marcas que havia deixado ali.
Alana fechou os olhos e se deixou levar. Segurou a calça de Gabriel e a puxou, fazendo seus corpos se chocarem. Procurou pelos lábios dele e logo foi atendida, e teve a permissão de explorar a boca dele.
Dessa vez o beijo foi mais calmo, porém mais excitante que o outro. Gabriel a apertava contra si, fazendo com que um pudesse sentir completamente o corpo do outro. Alana subiu um pouco as mãos e passou levemente as unhas pelo abdômen dele, sentindo os músculos trabalhados dele e os poucos pelos próximos à cueca.
Quando o ar fez falta, afastaram-se. Alana olhava fixamente aquelas duas piscinas verdes, tendo a impressão de que, se continuasse daquele jeito, acabaria por se afogar nelas.
–Gabriel... – sua voz saiu em um sussurro – Acha que a pessoa que me atacou ontem também perseguia a Adriana?
Alana sentiu o corpo dele ficar tenso e ele soltou um suspiro derrotado.
–Não sei...
O sinal bateu e os alunos começaram a ocupar os corredores aos poucos. Alana decidiu voltar para a sala e Gabriel concordou. Quando o professor de geografia entrou, pediu para que todos desmanchassem as duplas e aplicou um teste.
O resto das aulas passaram relativamente rápidos e, quando Alana percebeu, elas já tinham acabado.
–Vai fazer o que, Alana? – Mila perguntou.
–Tenho que comprar algo para a minha mãe, por quê?
–Nada, só curiosidade mesmo. – ela sorriu e Alana revirou os olhos.
–Não vou conseguir te acompanhar hoje... – Gabriel falou baixo – Meu pai está insistindo para sairmos com ele.
–Sem problemas. – sorriu fracamente.
–Vai ficar bem sozinha? – seu olhar demonstrava preocupação.
–Claro. Ainda está de dia, duvido que alguém tente algo! – falou com convicção quando nem ela mesma acreditava nas próprias palavras.
–Tudo bem... Se precisar de algo, é só me ligar. – ele deu um selinho nela e se foi, acompanhado de Pedro.
–Tchau, Alana!
–Tchau, Pedro.
Torcendo para que de fato ninguém aparecesse atrás dela, Alana andava pelas ruas, e na primeira vendinha que avistou, entrou. Pegou o fermento e, quando se aproximava do caixa, viu alguém que não esperava encontrar.
A empregada da casa de Gabriel, aquela que a tinha afastado da porta, estava na fila também. Ela se aproximou e, com delicadeza, segurou o braço da mulher, que a olhou assustada.
–Você...
–Tenho perguntas, e gostaria muito que você as respondesse.
–Não vai desistir mesmo, não é? – perguntou irritada e Alana assentiu – Faça.
–O que sabe sobre a relação de Adriana e Pedro.
–Adriana e Pedro? – ela riu sem humor – Esses dois se odiavam. Não podiam ficar sozinhos no mesmo cômodo que a briga começava. – Alana ficou refletindo sobre aquilo.
–Sabe do motivo? – a mulher pagou a conta.
–Traição... – de novo aquela palavra – Coitada da dona Rita – murmurou.
–Quem? – Alana perguntou enquanto pagava pelo fermento.
–A mãe dos meninos... – ela suspirou. Alana ia perguntar por que ela falara aquilo, mas foi impedida – Ouça bem, garota. Agora que sabe disso, toma muito cuidado quando estiver sozinha. – e antes que Alana pudesse falar qualquer coisa, a mulher saiu andando, deixando-a ali.
Seu celular vibrou e ela se preparou para o que estava prestes a ler.
“Suas perguntas sairão caras.”
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