Notas iniciais
Gente, mais uma vez, me desculpa pela demora, a internet de lá realmente não é boa! Mas eu trouxe um capítulo novinho para vocês! Ele tem algumas revelações, espero que gostem!!
E quanto aos comentários, prometo responder a todos!! Então, por favor, deixe de me presentear com eles!!
Beijos, fofas!!^^

Alana ficou alguns segundos encarando André, sem saber o que dizer. Não queria contar a verdade, mas também não conseguia pensar em nenhuma mentira. Abriu a boca, mas logo a fechou. Suspirou e sentou-se no sofá.

-Alana... – André insistiu. Olhou primeiro para e ele e depois voltou-se para o chão.

-Uma pessoa entrou em casa... – disse com a voz baixa. André arregalou os olhos e correu até ela, segurou seus ombros e olhou todo o seu corpo.

-O quê?! Quem? O que ela fez com você? – ela segurou o rosto dele com as mãos e acariciou sua face, tentando tranquiliza-lo.

-Eu estou bem... Consegui me defender...

-Quem fez isso com você, Alana? – perguntou entre os dentes. Alana apenas o encarou e ele acabou se irritando – Quem foi, Alana?!

-Eu não sei! – ela falou um pouco mais alto e se levantou, fazendo com que os toques fossem interrompidos – Eu não sei! Não tenho nem ideia se era homem ou mulher! Sequer vi o rosto!

-Como não?! – ele também elevou a voz.

-A pessoa estava de máscara!

-Isso é ridículo! Vou avisar a polícia. – ele se levantou e começou a andar na direção da porta.

-Não! – Alana correu e segurou o braço dele contra seu próprio corpo, agarrou-se à ele como se sua vida dependesse daquilo – Não faz isso. –sussurrou.

-Alana...

-Não... – ela o virou de frente para si e beijou sua boca.

-Assim não... – ele murmurou e ela fez novamente. André encostou-se à porta e segurou Alana pela cintura.

-Por favor... – beijou seu pescoço e notou André arfar. Ela não queria que ele fosse, temia que, se assim o fizesse, a pessoa também fosse atrás de André. Ele passou uma das mãos em sua nuca e, com a outra, levantou seu queixo, fazendo-a encarar aqueles orbes castanhos.

-Então, me conta direito o que está acontecendo... – pediu com a voz rouca. Alana se afastou e voltou a sentar no sofá.

-Desde que eu comecei a querer saber sobre Adriana, essa pessoa vem me ameaçando. Antes eram só mensagens por celular, mas agora... – André se sentou ao seu lado.

-Mais alguém sabe dessas ameaças?

-Não... – ele suspirou.

-Não acha que deveria contar para alguém? Como os seus pais? – Alana balançou negativamente a cabeça.

-Não quero que mais ninguém se envolva. – ela respirou fundo – Não era nem para eu estar te contando, temo que alguém se machuque.

-Alana, isso já aconteceu, e foi com você. – ele tocou o pescoço dela e Alana sentiu arrepios percorrerem todo o seu corpo – Por que quer saber dessa história? Adriana não está mais aqui, esqueça isso.

-Não dá, eu sinto que preciso saber. – “é uma chance de eu me redimir” pensou – É como se... Há tempos isso estivesse inacabado. – André apoiou o rosto nas mãos.

-Alguma chance de você desistir dessa história se eu te pedir? – ele a olhou com olhos suplicantes, mas Alana negou.

-Já estou muito envolvida e não vou voltar atrás. – de certa forma, André já esperava por aquilo. Ficou alguns instantes encarando-a e, por fim, disse:

-Se é assim, eu estou com você. Por favor, a partir de agora, me conta tudo o que descobrir e também quero saber se todas as ameaças que sofrer. Além disso, não pense duas vezes para me pedir ajuda. – Alana sorriu e assentiu.

-Pode deixar.

-Bom. – André se levantou – Já está tarde, é melhor dormirmos. Você fica no meu quarto e eu fico com o sofá.

-Imagina! Eu prefiro que seja o contrário.

-Nem pensar. Agora, vai. Boa noite. – e sorriu.

-Até amanhã.

Constrangida, Alana se deitou na cama de André. Ela era enorme e confortável, além de ter o cheiro dele. Lembrou-se do que tinha acontecido no banheiro e ficou toda arrepiada, perguntou-se se, caso eles tivessem continuado, teriam usado a cama. Em meio a esses pensamentos, acabou adormecendo.

Sentiu uma mão afagar carinhosamente seus cabelos e um aroma delicioso de café atingiu seu nariz. Lentamente abriu os olhos e viu André sentado na cama, acariciando-a. sorriu e despertou de vez.

-Bom dia. – falou com a voz rouca por conta do sono.

-Bom dia. O café está pronto. – ela assentiu e se levantou.

-Vou deixar você se trocar.

Assim que André saiu do quarto, Alana vestiu suas próprias roupas, que já haviam secado. Algumas partes do seu corpo doíam e tinham hematomas, o que a fez se lembrar do que acontecera no dia anterior. Foi até o banheiro, lavou o rosto e depois se juntou à André na cozinha.

Ele já estava pronto para o trabalho e terminava de arrumar a mesa para comerem. Alana pegou um pedaço de melancia e se sentou.

-Como se sente? – ele perguntou.

-Um pouco dolorida. – sorriu fracamente. Era estranho acordar na casa do seu professor, e mais estranho ainda os beijos e carícias que tinham trocado – Mas vou ficar bem. De novo, muito obrigada por ontem. – foi a vez de André sorrir.

-Sempre que precisar.

O resto da refeição foi silenciosa. Alana terminou rapidamente de comer e se levantou.

-Eu vou primeiro.

-Tudo bem. – André a olhou – E o seu material? – Alana se deu conta de que não tinha nada com ela.

-Os livros eu acompanho com alguém... Só preciso de um caderno e uma caneta.

André pegou uma mochila um pouco velha e colocou alguns materiais dentro, entregando-a para Alana em seguida. Ela pegou e, antes de sair, resolveu beijar a bochecha dele, como mais um agradecimento. Mas André não esperava por aquilo e acabou virando o rosto, recebendo o beijo na boca.

Alana ficou surpresa e rapidamente tentou se afastar, mas as mãos de André foram para a sua cintura e o beijo se aprofundou. Dessa vez ele foi calmo, o que não impediu Alana de se arrepiar.

-Te levo para casa depois da aula. – ele falou com a voz rouca.

-Tá. – deram mais um beijinho e Alana saiu do apartamento.

O caminho da casa dele para a escola era mais curto e movimentado do que normalmente Alana fazia, e isso fez com que ela não se sentisse tão desprotegida. Começou a pensar na possibilidade de fazer aquele trajeto, andaria um pouco mais, mas acreditava que valeria a pena.

Grande parte dos alunos já estavam na sala, foi para o seu lugar e ficou esperando Marcos. Tinha certeza de que ele tinha algum envolvimento com a morte de Adriana e algo dizia que era ele quem a perseguia. Mas para ter a confirmação, precisava vê-lo. Se realmente
fosse Marcos, ou ele faltaria devido ao machucado na cabeça, ou apareceria com alguns roxos no corpo.

E quando comprovou aquilo com os próprios olhos, Alana sentiu as pernas ficarem bambas. Havia um curativo do lado esquerdo de sua cabeça e o pescoço dele estava com um grande hematoma. Mila correu de encontro a ele, parecia bastante preocupada. Marcos lançou um olhar ameaçador para Alana e foi se sentar.

As aulas começaram, mas Alana não conseguia prestar atenção em nada. Olhava para Marcos e seu estômago chegava a revirar. Em sua mente, repassava as anotações no caderno dele, tentando encontrar algo que a fizesse entender um pouco por que ele tinha tanta raiva de Adriana.

E como um impacto, ela percebeu. Olhou para ele mais uma vez, não era tão difícil acreditar que aquilo podia ser verdade. Pegou o celular e enviou um e-mail para Elvira.

“Disse que Adriana foi cruelmente assassinada. Me fala como isso aconteceu.”

Em cinco minutos, veio a resposta.

“Ela foi jogada na frente de um dos trens que raramente passa na linha velha.”

Alana ficou chocada quando leu aquilo.

“Jogada?”

“É. Na verdade, a polícia deu o caso como suicídio, mas o maquinista do trem disse viu uma pessoa toda de preto empurrá-la para frente do trem.”

Alana sentiu como se tivesse levado um soco. A mesma pessoa que a perseguia era também a que tinha matado Adriana? Aquela ideia a fez tremer. Mas que motivos ela teria para fazer algo tão terrível?

“Por que a polícia julgou suicídio, quando havia uma testemunha dizendo que viu outra pessoa?”

“Simples. Era uma noite escura, o lugar estava deserta e só tinham três pessoas: a vítima, o maquinista e a suposta figura negra. Os policiais não tinham suspeitos, seria quase impossível achar o ‘culpado’”.

Alana não acreditou muito naquilo.

“Acredito que, se eles quisessem, teriam achado o culpado.”

“Você disse certíssimo, se eles quisessem.”

Estava começando a ficar confusa, a polícia não queria descobrir quem tinha feito aquilo?

“Não estou entendendo.”

“Nem tente, vai por mim. A parte que interessa é que há a possibilidade de que tinha sido algo planejado por outra pessoa. Adriana não tinha motivos para querer acabar com sua vida.”

Começou a escrever outro e-mail, mas o último sinal das
aulas tocou. Alana esperou que todos saíssem para ir atrás de André, mas ao chegar na sala dele, teve um surpresa que não a deixou muito contente.

Victória estava sentada na mesa dele, brincando com o lenço que usava no pescoço, tinha um olhar de superioridade e leve irritação, e fala algo que Alana não podia ouvir, já que a porta estava fechada. André parecia aflito, mexia as mãos como se estivesse nervoso e ficava olhando para o chão.

Alana sentiu ciúmes e teve vontade de entrar na sala e ficar ao lado de seu professor, mas não podia. Ainda que tivessem acontecido coisas no apartamento de André, fora dele os dois voltavam a ser professor e aluna, nada mais.

Resolveu ir para casa sozinha. Fez o caminho novo e, durante aquele trecho, não se preocupou em ficar alerta. Mas quando se viu na parte deserta do trajeto, começou a andar mais rápido e a todo o momento se certificava de que não tinha ninguém atrás ou ao seu lado.

Quando finalmente chegou na frente de casa, viu uma cena estranha na cozinha dos Campbell. Achando que estava vendo coisas, atravessou a rua e em uma posição estratégica, viu o que acontecia. Alana ficou chocada e teve que segurar um gritinho preso em sua
garganta.

Marcos segurava os braços da senhora Campbell e a beijava com urgência. A mulher não parecia querer sair dali, pelo contrário, não mostrava nenhuma resistência. Alana estava certa, Marcos sofria do Complexo de Édipo, por isso vivia anotando as coisas que sua mãe fazia. Ele era apaixonado pela senhora Campbell.

Com receio de ser vista, Alana deu dois passos para trás e, quando se virou para atravessar a rua, deu de cara com Mila. Ela parecia chocada, sua boca estava aberta e seus olhos estavam arregalados.

Antes que a outra gritasse, Alana a pegou pela mão e a arrastou para sua casa, correndo, sem perceber que Marcos as tinha visto. Assim que fechou a porta, recebeu uma mensagem pelo celular, e o sangue, que antes parecia quente por conta da correria, gelo na hora.

“O que acha de uma troca?”

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??