Não Conte Nossos Segredos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
-Primeira: chegamos aos 100 comentários!! Estou tão feliz!! Sei que vocês já deve estar enjoadas, mas... MUITO OBRIGADAAA!! É sério, gente, vocês me dão força e inspiração para escrever, se não fossem vocês, minhas amadas leitoras, eu não teria para quem postar! Obrigada por todos os comentários maravilhosos que a cada capítulo vocês deixam para mim!!! Amo vocês!! :D
-Segunda: amanhã eu vou viajar e vou passar a semama interia fora. Farei o possível para postar normalmente, mas se, por acaso, os capítulos atrasarem, por favor não fiquem bravas comigo!
Bom, é isso, aqui está um capítulo fresquinho para vocês, espero que gostem!!
Ao ler a mensagem, as pernas de Alana cederam ao peso de seu corpo e ela caiu sentada. Seu corpo todo tremia e sentia falta de ar. Um raio iluminou a casa e, logo após o estrondo, uma chuva forte começou a cair.
Alana não achava aquilo possível, como alguém daquela cidade tinha descoberto? Imagens confusas do fatídico dia passavam pela mente dela, torturando-a mais uma vez. Lágrimas de desespero escorriam pelo seu rosto e seu estômago embrulhava. Era como se pudesse sentir novamente tudo o que ocorrera. O cheiro de sangue, o falatório, o vento frio, os olhares impiedosos sobre si, a raiva de todas as pessoas...
Ouviu um barulho de portão abrindo e, de repente, todas aquelas sensações foram embora, dando lugar a apenas um sentimento: medo. Com as pernas bambas, levantou e foi até a janela. Perdeu completamente o fôlego quando viu, do outro lado do vidro e
próxima de si, a máscara desfigurada de palhaço.
Antes que Alana pudesse se afastar mais, o vidro foi quebrado diversas vezes com socos e os estilhaços voaram para todos os lados. Saiu correndo, mas antes que pudesse chegar na metade da sala, foi alcançada e jogada no chão.
Duas mãos firmes seguravam seu pescoço. Ela se debatia e, a cada movimento seu, a força exercida sobre seu corpo aumentava. Acertou-lhe um soco na garganta e a pessoa a soltou de imediato, tossindo um pouco.
Alana aproveitou para sair de perto dela e correu para a cozinha. Foi até o armário e pegou uma faca, mas assim que se virou, levou um chute na mão, fazendo o objeto cair no chão. Mais dois chutes na perna quase a fizeram cair, mas ela conseguiu se manter em pé e, segurando a perna da outra, a fez ir direto para o chão.
Sem dar a oportunidade de ela se levantar, jogou-se em cima do corpo. Tentou tirar o capuz e a máscara, mas sempre que tentava tocá-los, um golpe acertava sua mão. Em uma dessas tentativas, seu braço foi segurado com força e torcido para trás, fazendo-a gritar de dor e sair de cima da pessoa.
Imitando como Marcos tinha feito mais cedo, deu uma cotovelada na costela da outra e, assim que foi solta, levantou e correu. Abriu uma das janelas e a atravessou, Alana ficou encharcada quase que no mesmo instante que saiu da casa.
Começou a correr em direção ao jardim da frente e viu que estava sendo seguida. Pegou dois vasos de barro de sua mãe. Um jogou nos pés da pessoa, tentando fazê-la cair, o que não aconteceu, já o outro, mirou na cabeça e jogou. Quem quer que fosse não teve tempo de desviar do objeto e foi acertado em cheio, caindo no chão.
Aproveitando a chance, Alana correu ainda mais e logo chegou à frente de sua casa. Podia pedir ajuda para Margarida, mas as luzes estavam todas apagadas, o que, provavelmente, significava que ela estava fora de casa. Não queria nem pensar em pedir ajuda aos Campbell, principalmente depois da reação de Marcos.
Continuou correndo sem rumo, sempre olhando para trás, tendo a certeza de que não estava sendo seguida. E, por fim, acabou em uma pracinha cercada de lojinhas. O lugar não estava muito movimentado, algumas poucas pessoas passavam de guarda-chuva e outras esperavam dentro das vendinhas a tempestade passar.
Cansada, Alana se sentou em um banco, indiferente quanto à enorme quantidade de água que caía sobre si. Abraçou as pernas e encostou a cabeça nos joelhos, permitindo-se chorar.
-Alana? – calmamente levantou seu olhar para a pessoa à sua frente. André segurava um guarda-chuva preto em uma mão, a sacola da padaria na outra e a olhava com espanto e preocupação – O que está fazendo aqui?
Sem dizer nada, Alana se levantou e correu até ele, encostando o rosto em seu peito e chorando ainda mais. Sem entender direito o que estava acontecendo, ele passou um dos braços em sua cintura, impedindo-a de sentir de sentir frio por conta do vento que começara.
-Se acalma... – sussurrou e passou os dedos em suas costas. André apoiou o queixo no topo da cabeça dela e a esperou se tranquilizar um pouco. Alana se afastou um pouco e, com olhos marejados e vermelhos, encarou-o – O que aconteceu?
Chegou a separar os lábios para responder, mas o que diria? Que uma pessoa, usando máscara e que vivia a ameaçando, entrou em sua casa e tentou mata-la? Voltou a grudá-los e desviou o olhar.
-É melhor eu te levar para casa. – André falou, ignorando seu silêncio.
-Não! – apressou-se em dizer com a voz falha – Qualquer lugar, menos minha casa! – ele notou o desespero no olhar dela e franziu o cenho.
-Por quê?
-Porque sim, oras! – respondeu nervosa.
-Alana, está caindo o mundo e você está ensopada, tem que ir para casa. Até porque seus pais vão ficar preocupados.
-Eles estão viajando... – murmurou e André fez uma pausa.
-Bom, mesmo assim...
-Eu não vou voltar para lá, prefiro ficar aqui! – brigou.
-O quê? Isso é loucura! – ela cruzou os braços e virou o rosto.
-Não vou.
-Para de agir como uma criança, Alana! – aquilo a irritou.
-Criança ou não, eu não volto para minha casa! – André tomou fôlego para brigar com ela, mas desistiu. Passou a mão no rosto e suspirou.
-Tá. Então, tem algum lugar para ficar?
Alana repassou na mente alguns lugares. A casa dos Campbell estava fora de cogitação; não sabia se Margarida já tinha voltado, e, mesmo que sim, não sabia se era uma boa ideia passar a noite lá. Tinha a casa da Mila, mas a relação delas estava um pouco estranha, o que faria Alana se sentir desconfortável, sem contar que nem sabia onde ela morava. Por fim, disse:
-Não. – André revirou os olhos e pôs os dedos na têmpora direita.
-Garota complicada... – murmurou, fazendo Alana voltar sua atenção para ele – Presta atenção, você vai para a minha casa, então. Mas só para se secar e sob a condição de me contar o que está acontecendo. Depois, eu te levo para a sua casa.
A ideia de ir para a casa dele deixou Alana apreensiva e ansiosa também. Saber que passariam algum tempo juntos a deixava nervosa. A única parte que não tinha gostado era a de que ele a levaria para casa depois, mas isso ela tentaria mudar. Concordou com um aceno de cabeça e seguiu André até um prédio de seis andares que ficava do outro lado da rua.
Notou que ele estava tenso, provavelmente com medo de ser pego com uma aluna. Cidade do interior era terrível, se algo acontecia, no dia seguinte todos já estavam sabendo. Eles passaram rápido pela portaria e logo foram para o elevador.
-Eu conversei com o Gabriel. – Alana falou, quebrando o silêncio constrangedor.
-Sobre o quê?
-Ele ter nos encontrado... Disse que a vida era minha e o que eu fazia ou não era problema meu. – André sorriu.
-Bem o jeito dele.
O elevador parou no sexto andar e André foi até a porta de número sessenta e um. Tirou um molho de chaves do bolso e, assim que destrancou a porta, deu espaço para Alana entrar.
-Licença... – sussurrou.
O apartamento não era muito grande, havia uma pequena sala de estar, uma cozinha, onde ficava uma mesa quadrada, provavelmente usada por André nas refeições, um banheiro e dois quartos.
-Vem, vou te emprestar uma toalha e uma roupa para você tomar banho.
Foram até um dos quartos. A cama era de casal e Alana se perguntou se André morava com alguém, mas quando ele abriu o único armário e só viu roupas de homem, deduziu que não. Pegou uma calça de moletom azul escuro, uma camiseta da mesma cor e uma toalha branca.
-Sinta-se à vontade. – disse, apontando para o banheiro – Qualquer coisa, eu estarei nasala, é só chamar. E, ah, antes que eu me esqueça, meu sobrinho fez o favor de quebrar a porta, então... Ela não tranca.
Alana assentiu e fechou a porta. Ficou alguns minutos se olhando no espelho. Estava péssima, seus olhos estavam vermelhos e um pouco inchados, estava um pouco pálida e possuía marcas no pescoço, algo que, por sorte, André não tinha visto.
Tirou a roupa molhada e, para que não ficasse molhando o chão, colocou-as na pia. Abriu o chuveiro e se pôs embaixo da água quente. Fechou os olhos e se concentrou apenas em sentir o líquido quente escorrer pelo seu corpo. Suspirou, o cansaço a alcançou quando
finalmente relaxou. Era incrível como ela se sentia segura em um lugar que conhecera não fazia dez minutos, mas estar ali era reconfortante e até... Familiar.
Quando pegou o xampu, a energia acabou e a água se tornou fria. Assim que se virou para sair do box, viu a imagem dela. Com o susto,
gritou e esbarrou na pia, fazendo tudo o que estava ali ir para o chão. A porta se abriu do banheiro se abriu e braços a envolveram.
Alana, tremendo, agarrou-se nas roupas de André e fez força para que o rosto dela saísse de sua mente. A possibilidade de ser jogada de volta para aquele pesadelo deixava Alana angustiada. Apertou-se um mais um pouco contra o corpo quente, sentindo o abraço de André mais firme. E com a sensação das roupas dele roçando seu corpo, lembrou-se de que estava nua. Uma vergonha tomou conta dela só desejou ir para
algum outro lugar no qual André não estaria.
-Desculpa... – disse com a voz trêmula – Me assustei com o meu reflexo no espelho. – forçou uma risada.
-Hum... – sentiu o corpo dele tenso.
Sem saber direito o que fazer, mexeu-se um pouco. Sentiu a respiração quente dele e, quando o olhou de canto de olho, viu que ele a encarava de uma maneira diferente. Suas pupilas estavam dilatadas, tinha o maxilar tensionado e a respiração, notou, estava um pouco mais rápida.
André tentava disfarçar, mas Alana percebeu que ele olhava para o seu corpo e aquilo a fez sentir estranha, mas não de uma forma ruim. Encarou aqueles orbes castanhos que tanto gostava e, por impulso, aproximou-se e encostou seus lábios nos dele. Assim que abriu os olhos e percebeu o que tinha feito, afastou-se rapidamente, esquecendo-se de que daquela maneira, ele veria todo o seu corpo.
-Ai, meu... Desculpa... Eu não devia...
Antes que ela pudesse terminar de falar, seus lábios foram tomados em um beijo urgente e sôfrego. André explorava sua boca sem pudor algum, e quando suas mãos fizeram a cintura dela se chocar com o seu quadril, Alana acabou soltando um baixo gemido.
Ele a fez sentar em cima da pia e se posicionou entre as pernas dela, o que vez com que Alana pudesse sentir o membro dele roçar em seu sexo. Por falta de ar, sua boca foi abandonada e André voltou sua atenção para o pescoço dela. Ele mordia e beijava sua pele e, a cada toque, Alana sentia um arrepio percorrer seu corpo. Um de seus seios foi tomado pela mão quente dele, fazendo-a gemer, dessa vez, um pouco mais alto.
-André... – chamou-o com a voz fraca.
De repente, todos os toques pararam. André a encarou com olhos arregalados, como se finalmente se desse conta do que estava fazendo. Alana tinha a face corada e estava ofegante, não conseguia encará-lo diretamente.
-Meu Deus... – sussurrou com a voz rouca – Isso não... – ele se afastou e fechou os olhos – Me desculpa, Alana, isso não devia ter acontecido. – suspirou e socou a porta, deixando Alana um pouco assustada – Me desculpa. – e deu meia volta. Mas antes de sair do banheiro, olhou bem para um ponto fixo nela e franziu o cenho.
Sozinha, Alana levou algum tempo para fazer sua respiração voltar ao normal e fazer com que o calor que sentia fosse embora. Seus lábios estavam avermelhados e levemente inchados, e seu pescoço tinha ganhado marcas novas.
Sabia que aquilo era errado, mas estava se sentindo tão bem que não queria parar, e só de pensar no que podia ter acontecido, deixava-a quente novamente. Lavou o rosto com água fria e se vestiu.
Sem saber direito como se comportar na frente de André, foi a passos lentos até a sala. Ele estava sentado no sofá com os cotovelos apoiados nas pernas e segurando o rosto com as mãos. Alana se aproximou e, ao notar a presença, ele olhou sério para ela.
-A calça não serviu de jeito nenhum. – falou envergonhada e apontando para as pernas nuas, tentando quebrar a tensão que havia no lugar. André desceu o olhar para as pernas dela e depois voltou para seus olhos.
-Por que não me conta o que aconteceu, começando pelas marcas de dedos no seu pescoço?
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