Não Compre meu Amor
12 Revelações
Era quase nove da manhã quando Aiolia acordou. Antes mesmo de abrir os olhos, ele sorriu, lembrando-se que agora estava noivo. Que o mundo achasse que era uma decisão precipitada! Ele não se importava. Havia se apaixonado e queria que Mu fosse apenas seu. Não iria deixar mais ninguém abandoná-lo. Iria manter as pessoas importantes por perto, e Mu em poucos dias havia se tornado mais do que importante. Ele era vital. Se não fosse por ele, talvez continuasse mergulhado naquele quarto olhando para o teto, sentindo-se vazio, abandonado. Perder os pais fora um golpe duro, demais, e por isso precisava de Mu para estar ao seu lado como família. Não amigo, ou namorado. Família.
Esposo.
Foi com esse pensamento que moveu o braço, procurando o corpo do ariano, querendo desfrutar novamente do calor e segurança que o mais novo lhe passava; porém, ao encontrar a outra metade da cama vazia e fria, enfim abriu os olhos, sem entender por que Mu teria acordado e levantado tão cedo. Abriu os olhos, piscando pesadamente e olhou em direção ao banheiro, vendo a porta aberta e o lugar vazio.
As janelas entreabertas deixavam um vento tranquilo balançar as cortinas, e o dia estava acinzentado, opressivo. Estava abafado e talvez uma nova tempestade rasgasse os céus. Aiolia afastou o lençol e colcha e jogou os pés para fora da cama, já com uma sensação estranha em algum lugar profundo de seu inconsciente. As paredes do quarto lhe pareceram mais cinza do que nunca, e as copas das árvores desenhadas quase balançavam com o vento.
Colocou uma roupa qualquer e dirigiu-se para fora do quarto, mas um bilhete sobre a cômoda do seu lado da cama finalmente chamou sua atenção. Curioso, pegou o papel e abriu-o, deparando-se com uma caligrafia bonita em letras cursivas, porém a mensagem parecia ter sido escrita por uma mão trêmula e instável, pois em muitos momentos entortava e perdia a simetria.
Querido Aiolia,
Eu sei que talvez jamais me perdoe por isso, e não tenho nenhuma pretensão de pedir pelo seu perdão. Os últimos dias foram os melhores da minha vida, por favor, apenas não duvide disso. Ao menos nessa carta, eu não quero mentir, não mais. Eu me apaixonei por você... E irei guardar esse sentimento comigo para sempre. Mas minhas intenções desde o início eram erradas e falsas, e por que me apaixonei, não poderia seguir com essa loucura até o final, uma loucura que, para mim, foi doce enquanto durou. Peço desculpas por ser tão fraco, ou não ter coragem de dizer essas coisas cara a cara, como uma pessoa decente. Mas a verdade é que não sou decente. Sou um mentiroso, um oportunista ladrão que pensava em roubar um milhão da sua conta depois de casarmos, e depois fugir, como tantas vezes já fugi antes. Eu sinto muito. Sinto mesmo.
Eu te amo.
–Mu-
A mão de Aiolia fechou-se ao redor do bilhete, amassando, e o sol do papel pareceu machucar seus ouvidos. Seu coração batia tão rápido que chegava a doer, palpitar de encontro às costelas, enquanto sua mente se recusava a processar aquilo propriamente. Não podia ser verdade. Simplesmente não podia! Erguendo-se rápido, Aiolia voou até o quarto onde instalara Mu e Dite e, vê-lo vazio, tornou o que estava escrito naquela carta um pouco mais real, verdadeiro. Ver o cômodo arrumado, limpo e ausente de vida, fez o leonino cambalear para trás, arregalando os olhos.
Ainda atrás de uma última esperança, invadiu o quarto de Saga, acordando o homem com o barulho da porta sendo escancarada, e seus passos pelo quarto, procurando o irmão de Mu. Mas não havia ninguém ali também além de Saga, que o olhou de forma confusa e atordoada.
“O que foi, Aiolia? O que aconteceu? Sua cara está péssima!” Disse, preocupado. Aiolia não respondeu. Apenas entregou, com as mãos trêmulas, o bilhete amassado a Saga. O moreno pegou o papel com uma careta desconfiada, mirando Aiolia de canto antes de desamassar o bilhete e começar a lê-lo.
Sua reação foi deixar o papel cair na cama, mas seus olhos não o abandonaram. Continuou-o fitando com incredulidade, incapaz de crer que estava certo todo o tempo, e que havia deixado as desconfianças de lado por se envolver com aquele maldito loiro mentiroso e bom de cama. Deus, como sou estúpido! Pensou, achando-se bem filho de seu pai. Quando ergueu o olhar, viu Aiolia sentado na ponta de sua cama, tapando o rosto com as mãos e chorando.
E não tinha ideia do que fazer, pois algo parecia igualmente quebrado dentro de si.
XxX
“Ao menos ele foi decente em não ir com isso até o final.” Aiolos falou, com uma mão sobre o ombro do irmão, apertando-o de leve. Aos outros amigos, haviam dito que Aiolia tivera uma discussão com Mu durante a noite e por isso ele partira pela manhã. Era melhor isso do que olhares de pena por terem sido enganados.
“Como usar alguém dessa forma pode ser decente?” Saga exaltou-se, irritado, socando a primeira coisa que via – uma parece. Já não estavam mais na casa de campo. Aiolia havia dado algumas desculpas e saído de lá junto com Saga e o irmão. Alguns amigos ainda voltaram, mas disse-lhes que podiam ficar lá pelo tempo que quisessem. Isso já fazia algumas semanas e a essa altura todos estavam de volta. “Eles planejaram direitinho! Viram um ricaço carente pela morte dos pais e usaram isso para se aproximar!”
“Saga, por favor.” Aiolos pediu. A última coisa que Aiolia precisava ouvir era sobre a morte dos pais e de como alguém que ele passara a amar havia usado isso com frieza e sordidez. “Acalme-se. Sei que também foi afetado nessa história, mas o certo é esquecermos isso agora. Eles partiram, e nós aprendemos uma lição. Infelizmente dinheiro às vezes pode trazer mais malefícios do que benefícios.” Disse, acalmando-os. “Mas não vamos julgar os garotos sem conhecermos a história deles.”
“E o que há para conhecer? São dois ladrões oportunistas, o próprio Mu deixou isso claro no bilhete.” Saga ainda se ressentia ao pensar que Afrodite sequer lhe deixara um bilhete explicando a partida, como Mu havia feito. E ressentir-se por isso apenas o irritava ainda mais. “E ainda roubaram 50 mil do meu irmão! Kanon suspeitou da biscate da namorada dele e ainda terminou com ela.” Saga informou. A verdade é que Kanon chegou a ficar feliz por encontrar uma desculpa para terminar com sua, quem sabe, trigésima namorada.
“Então... É por isso que chamei vocês dois aqui hoje, Saga. Tudo já está acertado para que o Aiolia retome os negócios da família, e eu poderei ajuda-lo à distância e voltarei sempre que preciso. Amanhã estou voltando para casa, mas antes eu precisei verificar essa história mais a fundo. Você tinha falado que estava contatando um amigo antes, Saga, e me passou o nome e email. Eu consegui falar com ele e parece que ele chegou a mandar um email para você com informações que recolheu sobre dois irmãos foragidos que fecham com as descrições que ele tem.”
Aiolia pareceu voltar do mundo dos mortos naquele momento. Estava completamente destruído, e havia aceitado o conselho do irmão para ir a um psicólogo, discutir sobre a morte dos pais e os acontecimentos recentes... Seria bom para ganhar equilíbrio novamente e saber lidar com a nova vida de responsabilidades que fora colocada sobre suas costas. Jamais deixaria todo o esforço do pai em vida morrer, e por isso tinha certeza de que precisava continuar os negócios.
Quanto a Mu, depois da tristeza, veio a decepção, e então a raiva e o ressentimento. Mas era difícil ignorar completamente o assunto. Sempre que o nome do ariano aparecia numa conversa, ele sentia uma dor forte no peito e uma ânsia de chorar ou socar uma parede, como Saga havia feito. Mas internalizava tudo aquilo e só se permitia conversar sobre isso com o psicólogo.
“E o que há sobre esses irmãos?” Saga perguntou, rudemente.
Aiolos se sentou, organizando os pensamentos para poder explicar tudo.
“Há alguns pontos que não fecham, mas o que se sabe é que Afrodite é um dos muitos nomes usados por Christen Rose, um agente sueco de uma organização não governamental que trabalha... Com assassinatos. Não se sabe ao certo nome, nem origem dessa organização, alguns acreditam que ela é um mito, ou que já não existe mais. Não se sabe. Poderosos a contratam para eliminar rivais, e até mesmo a Interpol tenta localizar e acabar com essa organização. A questão é que a Frame, como chamam essa organização, treina garotos desde a tenra idade para esse... trabalho. Christen está na ficha da Interpol como um dos melhores... Até ter falhado na missão de matar uma família russa, incluindo dois bebês gêmeos e uma menina de sete anos. Ele quase foi pego, mas conseguiu escapar, não se sabe como. Mas há indícios que a própria Frame está atrás dele para apagá-lo e não revelar nada ao mundo depois de ele ter fugido da organização por motivos que desconheço, mas imagino que ele deve ter percebido o horror do que fazia.” Aiolos olhou para os dois, vendo-os de olhos arregalados e queixo caído. Bem, não era muito diferente do que ele havia ficado ao ouvir tudo aquilo.
“E... E qual o papel do Mu nessa história?” Aiolia quis saber. “E por que eles precisariam de um milhão?”
Saga continuou quieto, relembrando a maneira rápida com que Dite havia pegado uma faca e a apontado para sua garganta. Aquilo o deixara desconfiado, mas nunca pensaria em algo tão mirabolante.
“Então... Não sei qual o papel de Mu nisso, não há nenhum dado preciso sobre ele, mas desde o início ele parece estar ligado de alguma forma a Christen.” Tamborilou os dedos sobre a coxa. “Sobre o um milhão... Foi-me dito que eles se envolveram com um roubo que lhes custou uma dívida com a Máfia do nosso país. Eles estavam ameaçados de morte por Alexei Hyoga, um mafioso que se esconde por trás de negócios e empresas verdadeiras para controlar outros esquemas ilícitos. A polícia e o governo tentam há anos colocá-lo na cadeia, mas nada conseguem.”
“Hyoga? Esse não é o novo do namoradinho que Shun encontrou?” Saga perguntou, perplexo. Era informação demais para sua cabeça, não estava conseguindo processar tudo com calma, e o mesmo parecia acontecer com Aiolia.
“Se é, então é melhor avisar Ikki para manter Shun longe dele.” Aiolos falou, com um suspiro. “Isso foi tudo que descobri, mas seu contato disse que continuaria pesquisando, Saga. Com uma boa soma de dinheiro, eles sempre continuam pesquisando. Eu mandei ele entrar em contato com você se descobrisse mais alguma coisa, já que eu não vou estar sempre por aqui.”
A ‘reunião’ terminou de modo tenso e estranho. Ninguém sabia muito bem como lidar com aquelas informações... E Aiolia ainda se perguntava por que eles não haviam seguido com o plano até o final, se estavam em tanto risco de vida. Ele me tinha na mão. Pensou quando deitava na cama de casal de seu apartamento, sentindo-a fria e vazia demais.
Eu me apaixonei. Mu havia escrito na carta. Mas aquelas palavras não eram suficientes. Não vindas da folha de um papel. A ideia de que ele o enganara e se aproveitara de sua vulnerabilidade para se aproximar e fazer se apaixonar machucava demais, e por isso dizia a si mesmo que, quando estivesse mais forte e houvesse superado a morte dos pais, esse amor que dizia sentir se desvaneceria. Mu seria algo passageiro e sem importância em sua vida.
Era o que sua teimosia lhe dizia.
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Shun se sentia miseravelmente ridículo. Envergonhado, corado, desconfortável, mas especialmente ridículo. Porém se queria convencer Hyoga a leva-lo para a cama, precisava apelar. Ainda mais com o pedido que faria a ele depois, precisava tê-lo bastante dócil e alegre com o orgasmo. E Hyoga já o havia chamado de gatinho sexy antes. Coisa que sempre o deixava vermelho apenas com a lembrança da voz rouca dele chamando-o dessa maneira.
E por isso estava fantasiado de gatinho sexy. Ou melhor, gatinha, já que usava um vestido de couro preto bem grudado no corpo, curto até não poder mais, com a saia plissada que deixava boa parte de sua bunda à mostra. As mãos e os braços estavam cobertos por luvas finas de couro também preto que chegavam até a metade do braço, e nos pés usava botas de mesmo material, com salto, e que chegavam até quase as canelas. O nariz estava pintado de rosa, e havia bigodinhos pretos em seu rosto. Estava maquiado, mas nada muito exagerado. E não poderia esquecer das infames orelhinhas na tiara que usava. Era o suficiente para deixá-lo com impulsos suicidas, mas tinha uma meta, e precisava cumpri-la.
Ainda lembrava daquela estranha noite em que Mu também havia desabafado tudo para si, depois de fazer o mesmo com ele. E na manhã seguinte ele fugira, e Shun tivera muita vontade de contar a Aiolia sobre a vida complicada de Mu, mas o ariano o havia feito prometer que não contaria nada a ninguém. E estava cumprindo a promessa. Mas não havia prometido nada sobre tentar convencer Hyoga a perdoar a dívida dos garotos.
Quando a porta do enorme apartamento se abriu, Shun cuidou para ficar um pouco atrás dela. Hyoga entrou tranquilamente, sem perceber que certo gatinho havia invadido o lugar. De alguma forma Shun o havia convencido a dar-lhe uma chave do apartamento. Antes que Hyoga se virasse, Shun pulou e tapou os olhos dele por trás, precisando ficar na ponta dos pés para isso. Hyoga logo identificou a maciez daquelas mãos pequenas e, segurando-as, virando-se já sorrindo para o garoto que estava sempre invadindo sua vida.
Mas parou ao ver o que ele vestia. A primeira reação foi cair na gargalhada.
“Não ria!” Shun exclamou, corado e ultrajado. Usava unhas postiças na mão que seriam suas garras, e sentiu vontade de fincá-las no rosto bonito do loiro. “Paaaare.” Fez manha como um gatinho dengoso e um biquinho surgiu em seus lábios formosos quando cruzou os braços, abraçando-se como que para evitar que o loiro olhasse de novo para si.
Quando Hyoga conseguiu controlar o riso, manteve o sorriso charmoso e, fechando a porta, puxou um Shun emburrado para perto de si, envolvendo-o com os braços maiores. Shun soltou um ‘huuunf!’ chateado e virou o rosto quando tentou beijá-lo, mas Hyoga aproveitou para brincar com o ponto sensível no pescoço dele, embaixo da orelha, e Shun estremeceu inteiro, quase ronronando com as carícias de um dono.
“Só estou surpreso.” Hyoga falou num tom manso. “Não imaginei que meu gatinho sexy aparecia para brincar hoje. Está carente, meu gatinho?” Perguntou, mordiscando o pescoço do mais novo, divertindo-se enormemente com aquilo. Shun gemeu baixo e mordeu os lábios, sentindo-se derreter como sempre acontecia quando Hyoga estava perto.
Como era inútil! Havia colocado aquilo para parecer sexy, e nem ao menos conseguia seduzir Hyoga como queria. O loiro estava sempre com aquele sorriso devastador que, entretanto, parecia apenas dizer que ele era uma gracinha que não podia ser levada à sério.
“Não brinque comigo!” Shun o arranhou, arisco. “Você está sempre me enrolando!”
“O que quer dizer?” Hyoga se fez de desentendido, tentando soar normal. Mas a verdade é que ao dar uma boa olhada na roupa provocativa do menor já estava o deixando mais duro do que gostaria de admitir. Há dias vinha se controlando para não arrastar Shun para seu quarto e arrancar todas as roupas dele antes de jogá-lo na cama, e agora ele colocava essa roupa.
“Você apenas me beija, me provoca, e depois me afasta como se não fosse nada. Mas hoje eu quero mais do que isso!” Shun o empurrou, e continuou empurrando até que Hyoga caísse sentado no sofá. O loiro se impressionou com o quão realmente sensual Shun lhe pareceu ao caminhar até si e subir em seu colo, colocando um joelho de cada lado de seu corpo. E ele sentou justamente sobre sua nascente ereção, e se esfregou ali, ao agarrar seus cabelos loiros.
Hyoga estava surpreso demais para falar, mas nem precisou. Logo sentia os lábios doces do mais novo contra os seus, a língua pequena enfiando-se despudorada dentro de sua boca à procura da sua, e ainda movia o quadril lentamente, esfregando-se mais a si como um gatinho inquieto, o deixando louco. Hyoga esqueceu o autocontrole e seus princípios e agarrou os glúteos do mais novo, impondo o ritmo que queria que ele se movesse sobre seu colo. Shun gemeu entrecortado, quase quebrando o beijo, mas Hyoga se inclinou para frente e aprofundou o contato, a ponto de assustar Shun pela ferocidade com que o beijou, sem mais restrições.
As mãos do loiro massagearam as coxas expostas de Shun, que sentia arrepios e estalos de eletricidade pipocarem por seu corpo, deixando-o zonzo por experimentar pela primeira vez aquele tipo de relação, mais íntima, intensa. Soltou uma exclamação abafada pelo beijo quando Hyoga ergueu-se de súbito, levando-o junto com as mãos firmes em suas coxas.
“É bom que não se arrependa do que fez pelo caminho.” Hyoga avisou, já que não tinha intenções de voltar atrás. Shun estremeceu com o tom rouco que prometia muito mais do que os beijinhos que costumavam trocar, mas não mostrou hesitação ou dúvida. Abraçou-se com força a Hyoga e voltou a beijá-lo, querendo mostrar que ir até o final era desde o início sua intenção.
“Eu quero você... Desde aquela noite. Se alguém vai se arrepender aqui, esse alguém é você.” Shun acusou quando já estavam no quarto. Hyoga o deitou sobre a cama larga, kingsize, e apoiou as mãos nas laterais da cabeça do menor, mirando-o de cima com um olhar negro e sério de desejo que arrepiou Shun até a alma.
“Eu nunca me arrependo do que faço.” Hyoga disse, antes de se erguer para se livrar da camisa. Shun observou os contornos esguios, mas fortes do homem, de uma definição perfeita, sem exageros, capaz de causar água na boca. Mordeu os lábios, nervoso, porém não menos ansioso para o que estava por vir. Era um adolescente, e como todo adolescente estava com os hormônios à flor da pele, queimando e vibrando por dentro.
Com um sorriso no rosto, Hyoga começou a puxar o zíper de uma de suas botas, abrindo lentamente. De alguma forma muito estranha, ele conseguiu deixar o ato sexy, e ruborizado Shun desejou que ele fosse mais rápido.
“Você fica uma graça de salto alto. Acho que vou comprar alguns para você desfilar para mim pelo apartamento.” Hyoga disse, numa brincadeira que talvez não fosse tão brincadeira assim. Shun sentiu vontade de chutá-lo, mas sabia que era o culpado de sua própria miséria. Talvez na próxima Hyoga tivesse a ideia de vê-lo vestido de coelhinho sexy, ou coisas assim.
“Não sou nenhuma garota para ficar desfilando para você.” As narinas de Shun dilataram, tal qual um gatinho irritado, e Hyoga acabou rindo da semelhança. Livrou-o da outra bota e começou a beijar e mordiscá-lo dos pés até as coxas, e Shun ficou arfante e contorcendo-se no colchão mesmo com a carícia inicial. O loiro chegou à parte interna da coxa de Shun, mordendo e beijando-o ali enquanto a mão erguia a saia invocada e expunha a calcinha apertada que deixava evidente a ereção do mais novo.
“Uma calcinha?” Hyoga perguntou entre debochado e divertido, sorrindo de lado para Shun, que corou ainda mais do que antes e tentou colocar as mãos entre as pernas, para tapar o traje tão constrangedor. Não sabia onde estava com a cabeça quando resolvera colocar aquilo ali. Devia estar mesmo desesperado.
“Não fique encarando.” Shun disse, com a voz esganiçada pelo constrangimento. Hyoga riu baixo e afastou as mãos do mais novo.
“Por quê? Não colocou justamente para que eu olhasse?” Perguntou provocante, e tocou a ereção de Shun sob a calcinha, massageando-a com lentidão, deixando o polegar trabalhar contra a glande escondida do garoto. Shun se contorceu, arqueando os quadris e dobrando os joelhos, gemendo alto com o toque. Hyoga achou-o perfeito gemendo daquela maneira.
Então afastou a calcinha e começou a trilhar com a língua a extensão do membro de Shun, deliciando-se com os novos gemidos que escaparam da garganta do mais novo. Hyoga se perguntou o que ele faria quando gozasse, já que era tão sonoro com tão pouco. Ficou ansioso por esse momento, mas não apressou o que fazia, deliciando-se com as reações de Shun.
Shun queria fazer mais do que ficar ali jogado gemendo, mas estava tão entorpecido com aquilo, que mal conseguia pensar no que poderia fazer. Era um completo inexperiente, e Hyoga, mais velho, já devia ter feito aquilo mil vezes... A ideia o deixou com ciúmes, e Shun levou a mão aos cabelos do loiro, segurando-os possessivamente.
“Hei, hei, eu não vou a lugar nenhum.” Hyoga falou e arrancou de vez a calcinha do menor. Depois começou a buscar uma forma de livrar seu gatinho do vestidinho apertado. “Pode me contar agora de onde saiu essa ideia de se fantasiar?”
“Eu queria te agradar.” Shun fez bico e se ergueu para que Hyoga o despisse. “Queria que me desejasse.”
“Eu sempre te desejei. Mesmo se colocasse um moletom velho e calças largas, eu continuaria te desejando.” Hyoga sussurrou, jogando o vestido para longe também e olhando para seu gatinho nu, a exceção das luvas que cobriam os braços. Inclinou o rosto e capturou um dos mamilos rosados, arrancando um grito curto e assustado do mais novo, que nunca havia se tocado ou sido tocado ali para sentir prazer. Pensava que era coisa de garota, mas se viu remexendo e abraçando Hyoga enquanto ele lambia a aréola e mordia o mamilo.
“Ah, Hyoga...” Gemeu, buscando por instinto o falo endurecido do homem. Tocou-o sobre a calça, ouvindo-o gemer também e o som o arrepiou ainda mais, e senti-lo duro em sua mão, mesmo sob o tecido da calça que ele ainda usava, era estimulante. Agora tinha certeza de que o loiro o desejava ardentemente.
Hyoga voltou a se afastar, deixando um Shun desnorteado sobre o colchão. Retirou as calças, os sapatos, e pegou camisinha e lubrificante na gaveta do criado mudo. Depois voltou para a cama, vendo que o menor havia se encolhido um pouco por ter sido deixado tão exposto no centro da cama. Puxou-o pela perna, beijando-o no pescoço.
“Não precisa ter vergonha de mim. Eu já vi tudo.” Hyoga sussurrou e, distraindo Shun com a língua e beijos, passou lubrificante não mão e o trouxe para seu colo. Escorregou os dedos por entre os glúteos do menor e sentiu ele se arrepiar pelo contato gelado. “Já vai esquentar.” Avisou, e Shun escondeu o rosto na curva de seu pescoço, começando a gemer baixo com as carícias na região tão íntima. Colocou com calma os dedos dentro dele, buscando relaxá-lo, mesmo que sua vontade fosse penetrá-lo logo, ainda mais com as ereções roçando uma contra a outra entre seus abdomens.
“Toque-nos.” Hyoga pediu contra o ouvido de Shun, que timidamente obedeceu,retirando a luva e descendo a mão para envolver o falo de ambos. Os gemidos pareceram sincronizar. Hyoga murmurava algumas palavras no ouvido de Shun, fazendo-o corar ainda mais, mesmo que fossem apenas palavras de incentivo e elogios.
Até que Hyoga percebeu que o mais novo já estava mais relaxado e não parecia impor resistência a seus dedos. Deitou-o na cama, colocando uma almofada sob os quadris dele e então cobriu-o com o corpo. Beijou-o nos lábios, ao vê-lo tenso para o próximo ato.
“Quer continuar?” Perguntou, apenas por descargo de consciência. Shun franziu a testa, irritado, pensando que Hyoga quem estava dando para trás. Abraçou-o com mais força, estreitando-o entre seus braços magros.
“Claro que sim!” Afirmou, decidido. Hyoga sorriu e começou a penetrá-lo, com cuidado, observando o rosto de Shun durante o processo. Quando ele fazia alguma careta de dor, parava um pouco, esperando que se acostumasse. “Você não precisa ser tão cuidadoso...” Shun informou.
Hyoga o encarou, com aqueles bigodinhos de gato e o nariz pintado, e não pôde achá-lo nada além de adorável.
“Claro que preciso.” Disse, empurrando-se a primeira vez contra ele, fazendo Shun ofegar e afundar as unhas postiças em suas costas, coisa que doeu, afinal, não estava acostumado com parceiros de unhas compridas.
“Desculpe.” Shun falou, ao ouvir o resmungo de Hyoga e sentir um pouco de sangue em seus dedos. “Esqueci das minhas garras.”
Hyoga acabou rindo de leve e segurou firme a cintura do mais novo.
“Tudo bem, apenas controle-as daqui para frente.” Avisou, antes de começar a estocar. Primeiro lentamente, depois mais rápido até fazer Shun gritar. O menor não acreditava que estava realmente acontecendo, tudo queimava e as sensações pareciam além do que poderia suportar com seu corpo frágil, mas paradoxalmente ainda queria mais, que ele fosse mais rápido, mais fundo, que o beijasse apaixonadamente e os levasse ao ápice daquele momento.
XxX
“Então...” Shun começou num tom que Hyoga analisou como suspeito. Estavam abraçados na cama depois do sexo, moles e relaxados pelo orgasmo recente, a agora o dedo indicador de Shun contornava as linhas de seu peito e abdômen. “Eu estava pensando...”
“Hum...?” Hyoga incentivou.
“Se você não poderia perdoar a dívida de dois amigos meus.” Disse, ainda que mal tivesse trocado três palavras com Afrodite. Mas havia gostado muito de Mu e queria ajudá-lo.
“Você tem amigos que me devem?” Hyoga perguntou, impressionado, já que a maioria das pessoas que lhe deviam não tinha lá das melhores índoles.
“Sim... Eles se chamam Mu e Afrodite, e devem um milhão para você!” Shun disse, mordendo o lábio, olhando diretamente para os orbes gelados de Hyoga. Havia se acostumado com aqueles olhos frios, que no entanto o esquentavam como num passe de mágica apenas com um olhar mais demorado. Hyoga riu.
“Então quis me agradar vestido de gatinho para que eu fizesse o que você queria?” Perguntou, puxando Shun pelo queixo, deixando os lábios próximos. Viu-o corar e sorriu quase maldosamente. “Pois saiba que a dívida deles já foi perdoada. Eu encontrei o homem que me roubou e recuperei meu diamante. Não havia motivo para matá-los. Eu não gosto de crueldades gratuitas.”
Shun primeiro ficou feliz pelos amigos, mas depois seus lábios se entreabriram e ele percebeu o que acontecia de errado.
“Você está dizendo que eu me vesti de gatinha sexy, que coloquei uma calcinha por nada???” Perguntou, chocado, e então ficou vermelho de raiva pelas gargalhadas que Hyoga começou a soltar. Começou a tentar bater dele, mas o loiro o segurou e o derrubou na cama, subindo sobre seu corpo novamente.
“Parece que vou ter de amansar certo gatinho furioso.” Sussurrou, beijando-o ferozmente até que Shun derretesse em seus braços e ficasse mansinho, mansinho...
Notas finais
Nossa, revelações loucas sobre o Afrodite! É cada uma que sai da minha cabeça. Enfim... espero que tenham gostado! :D
Beeeeijos! ♥
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