Não Compre meu Amor

13 Reencontro - Parte I


Dois Anos Depois...

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Era um dos lugares mais bonitos que conhecia. Os campos eram repletos de tulipas. Centenas, milhares delas se estendendo por quilômetros em filas que formavam graúdos blocos entre os caminhos que permitiam os floristas e jardineiros chegarem até todos os cantos da plantação. Cada bloco era de uma cor diferente, de modo que o mundo parecia explodir em cores. À distância, Mu, cujo primeira nome era na realidade Pallas, viu o moinho girando pelo vento daquela manhã. Mesmo com um chapéu, levou uma mão à cabeça para proteger os olhos claros da forte claridade do dia, e seus cabelos esvoaçaram em rebeldia.

Gostava de flores, não tanto como Dite, mas gostava e trabalhar com elas sempre o acalmava. Trabalhava ali, nas plantações, e também na floricultura que o amigo abrira na cidade. Uma pequena floricultura chamada Vinha de Rosas, pequena, agradável e cheirosa. Dite estava sempre por lá, administrando e by InstantSavings\">trabalhando, mas Mu gostava do campo, portanto se dividia em dois, e sempre ganhava tulipas para revender na loja.

Já mais tarde, seguiu para a pequeno chalé perto do moinho que dividia com Dite. O mais velho dizia que precisavam se mudar para a cidade, mas então Mu afirmava que gostava dali e ficaria ali, e que Dite podia se mudar sem ele. Nesses momentos, Dite afirmava que era perigoso demais e deveriam continuar juntos. Mesmo que Hyoga os houvesse perdoado, o que era uma benção, ainda havia Hades, um homem que não gostava de deixar um serviço inacabado.

Houve um período em que Mu preferia que ele se mudasse, mas isso foi antes quando Máscara da Morte, cujo nome real era Giovanni, os encontrou. Mu quase chorou quando o viu do lado de fora do chalé, mas então ele ergueu a bandeira branca e disse que Hyoga não queria mais nada deles, mas que, por ordens do próprio (ou talvez Shun tivesse um dedo nisso), ele ficaria por perto para vigiá-los, cuidar da segurança deles.

E na verdade Giovanni mostrou ser uma companhia até mesmo estranhamente agradável agora que não os ameaçava mais de morte. No início, Dite só faltava pisar em cima do homem, mas não demorou para que os dois acabassem se relacionando numa cama... Aquilo durou alguns meses. Meses torturantes para Mu, que sempre saía para perambular pelos campos com suas tulipas quando os dois iam para o quarto.

Porém em algum momento a relação esfriou – e Mu desconfiava que fosse porque o coração de Dite ainda estivesse preso a outra pessoa, assim como o seu. Mas não houve brigas, nem discussões. Mu nem ao menos sabia se existira uma conversa, mas Dite e Giovanni simplesmente pararam de se trancar no quarto e se tornaram apenas amigos. Aliás, grandes amigos. E isso fazia Mu refletir sobre como o mundo dava voltas estranhas. Os três agora se viam com certa regularidade, Giovanni visitava a floricultura, às vezes os visitava no chalé, e algumas vezes Mu e Dite passavam pela sala onde ele passou a dar aulas de defesa pessoal.

“Por que não quis voltar?” Mu um dia havia perguntado para ele. Giovanni deu de ombros.

“No início, foi pelo Christen.” Ele disse. “Depois foi por ter gostado da vida aqui. Também estava cansado de receber ordens e dar surras em gente que nem conheço.” Explicou. Ele parecia diferente. Era como se houvesse amadurecido e se tornado menos rude e irritado, se transformando em alguém sério, estoico mas agradável. Talvez por ter saído do armário. Havia até mesmo começado um namoro com um rapaz da cidade. Era um loiro até um pouco parecido com Dite, um tal de Misty, mas Giovanni afirmava que o caso era que tinha uma queda por loiros não muito másculos – e é claro que Dite não gostou nem um pouco de ser chamado de ‘pouco másculo’.

Um pouco antes do almoço, Mu pegou o carrinho que conseguira comprar com as economias – os 50 mil que Dite roubara tinham ido quase todo para montar a floricultura –, e seguiu para a cidade, para almoçar com o amigo. Não conseguia parar de chamá-lo de Dite, era um apelido que pegara, mas ninguém entendia muito bem por que alguém chamado Axel (outro nome falso) fora apelidado de Dite. Nessas horas o loiro sorria enigmático e convencido e dizia: “É uma abreviação de Afrodite. Deveria ser meu verdadeiro nome, já que sou tão belo que poderia ser um Deus da beleza e do amor.” Jogava os cabelos, numa afetação forçada que sempre deixava as pessoas desconfortáveis, ou então as fazia rir. Dite se divertia com as reações e Mu sempre abafava um risinho.

Quando entrou na floricultura, encontrou Dite vendendo uma rosa para um cliente. Se aproximou ao final da compra.

“Quer ir almoçar?” Perguntou, apoiando-se ao balcão.

“Claro. Já estava me perguntando onde diabos você estava que não aparecia nunca.” Dite disse, saindo de trás do balcão. Sempre ficava preocupado com o menor dos atrasos, e Mu ficou até surpreso por ele não ter ligado umas vinte vezes perguntando onde estava. Dite nunca deixaria de cuidar de Mu.

“Me atrasei só quinze minutos, seu drama queen.” Empurrou-o com o ombro, enquanto saíam da floricultura após Dite fechá-la com a plaquinha ‘volto logo’. Havia um restaurantezinho muito fofo e com pratos deliciosos a não mais do que duas quadras dali. Era onde quase sempre almoçavam.

“Preocupado.” Dite corrigiu. “Cauteloso.” Complementou. “Não drama queen.” Fungou. “Ligo pro Gi e o convido para almoçar?”

“Liga. Eu estava até pensando nele hoje mais cedo.” Mu assentiu.

“Pensando o quê?”

“Só que o mundo dá voltas. Antes ele nos ameaçava de morte, e agora é nosso amigo mais próximo, que sabe de todos os nossos segredos.” Soltou uma risadinha.

“De fato.” Dite ponderou. “É bom ter um cara como ele por perto... Agora que ele está do nosso lado, ao menos. O Gi é tão teimoso que nunca abriria a boca para nos delatar a alguém.”

“Eu não sei por que vocês terminaram... Ficavam bem juntos.” Mu sondou, como quem não quer nada. Mas às vezes Dite guardava mais do que deveria para ele próprio, sempre carregando os problemas nas costas sem buscar ajuda de ninguém. Orgulhoso, era isso que ele era.

“Eu preciso de alguém com quem eu fique ótimo junto. Não apenas bem.” Dite empinou o nariz.

“Alguém como Saga, por exemplo?” Mu provocou. A sobrancelha direita de Dite ergueu-se graciosamente.

“Por que está tocando nesse nome depois de dois anos?” Perguntou. “Eu já mal me lembrava dele...” Dite se fez de indiferente, mas Mu o conhecia bem demais para não notar a quase imperceptível mudança em seu timbre, algo que sempre acontecia quando ficava desconfortável. “Só porque você continua apaixonado por aquela anta do Aiolia, não quer dizer que eu também continue-“

“Então você chegou a se apaixonar.” Mu falou o acusando. Dava para ver como Dite estava na defensiva, e ficou ainda mais depois disso.

“De que adianta falar sobre isso?” Perguntou irritado. “Está no passado! Nunca mais vamos vê-los e eles devem nos odiar agora, ou também nem lembrar mais de nós. Seguiram com a vida deles, assim como nós seguimos como a nossa.” Avançou mais rápido e entrou no restaurante antes que Mu, fugindo do assunto.

Mu suspirou. Talvez ele tivesse razão. Era melhor deixar o passado no passado.

Almoçaram mais silenciosos que o normal, mas aos poucos o clima ruim desvaneceu. Lembraram só na saída de Giovanni. Haviam esquecido dele, mas resolveram então passar por lá mais tarde e bater um papo com ele. Dite praticava defesa pessoal em alguns finais de tarde, para não esquecer tudo que havia aprendido. Mu até tentou, mas descobriu que não levava jeito.

Ao retornar à floricultura, Dite parou Mu na entrada, olhando para a porta.

“Alguém entrou.” Disse num sussurro, pois havia chaveado a porta. “Tem alguém aí dentro.”

Mu arregalou os olhos, ficando nervoso com a possibilidade de terem sido encontrados. Caminhou lentamente para trás e espiou atrás das cortinas das vidraças que se voltavam para a rua. Puxou o ar com força ao ver quem estava ali dentro.

“Dite...” Sussurrou. “É melhor você entrar.” Olhou para o amigo, que franziu o cenho. “Não há nenhum perigo.”

Então Dite lentamente levou a mão à maçaneta e empurrou a porta, entrando com desconfiança e com os reflexos atentos a qualquer coisa suspeita. Mas tudo paralisou ao ver Saga parado em frente ao balcão, esperando-o.

XxX

Saga não era o tipo de pessoa que se conformava com informações pela metade. Depois das revelações que Aiolos dera, ele continuou em contato com o conhecido que era um gênio em encontrar pessoas e chafurdar no passado delas. Mas demorou. Dite de alguma maneira conseguira apagar todos os seus passos, e sua atual localização permaneceu um mistério por um bom tempo.

Nesse meio tempo, pesquisou mais sobre a Frame também. A maioria das informações eram imprecisas, talvez falsas, e contraditórias, mas a existência da organização era inegável. Mas Saga não encontrara nenhuma informação sobre Mu, ou qualquer coisa nova sobre Dite. Se ao menos tivesse a localização deles...

A busca se tornara uma obsessão. Apenas Aiolia sabia sobre ela, mas nunca demonstrava interesse, apesar de não calar Saga quando este começava a falar a respeito do que havia descoberto, ou o que faltava descobrir e encaixar na história. Mas ele nunca falava sobre Mu, nunca dizia se sentia ou não falta dele, mas Saga sabia que ele não havia se envolvido com mais ninguém.

Aliás, o leonino havia mudado. Naqueles dois anos se transformou em um empresário excelente, continuando os negócios do pai com uma mente de gênio. Porém era esse o problema... Se afundara no trabalho, mal saía com os amigos. Era alguém muito mais sério, frio e amargo do que antes. Não tinha mais o jeito impulsivo e alegre de antes, era quase outra pessoa. Havia superado a morte dos pais, é verdade, mas não havia superado o coração quebrado. Ainda que ele jamais fosse admitir tal fato. E Saga não o forçava a falar sobre isso, pois então teria de falar sobre o que sentia também e não era algo que lhe agradasse.

Mas um belo dia a situação mudou para Saga. Recebeu um email do contato, que dizia:

“Eles estão na Holanda. São donos de uma floricultura chamada Vinha de Rosas, na cidade de Hillegom.”

Saga pegou o primeiro avião, depois um trem, e então um táxi. Chegou na floricultura no horário do almoço e havia um ‘volto logo’ ali. Tirando um cartão do bolso, conseguiu abrir a porta e entrar, para esperá-lo do lado de dentro.

E então ele apareceu, depois de uns dez minutos de espera. Os batimentos de Saga aceleraram ao ver o loiro, tão bonito como lembrava. Foi só quando o viu que entendeu por que realmente viera até ali, e ficara dois anos atrás dele. Não podia deixá-lo ir. Ficar longe dele tinha um gosto amargo e os dias eram mais cinzentos. Mas agora todas as cores das flores naquela floricultura pareceram ganhar vida ao seu redor, mesmo que seus olhos continuassem presos no rosto afilado e perfeito de Afrodite, os cabelos dourados caindo em cachos grossos por seus ombros.

“O que você... Como...?” Dite tentou articular, balbuciando, mas Saga não esperou que ele encontrasse as palavras. Atravessou o espaço entre eles e segurou o rosto do menor. Os olhares se conectaram, apenas pelo segundo que Saga demorou para inclinar o rosto e selar os lábios nos dele. Dite se assustou, tentou se libertar do contato, mas Saga o segurou firme e invadiu ousadamente a boca do pisciano com a língua saudosa.

Dite gemeu, entrecortado, quando Saga agarrou seus cabelos e puxou-o para tornar o beijo ainda mais feroz. Demorou para que se afastassem, e nesse tempo Mu saiu e foi para o café que havia ali perto, beber um suco e esperar os dois se acertarem. Estava tão surpreso quando Dite, mas esperaria maiores informações antes de sair tirando conclusões. Mas ainda assim... Aiolia não viera... Saga descobrira onde estavam e veio atrás de Afrodite, mas Aiolia não.

XxX

Dite empurrou o moreno quando já não conseguia mais respirar. Sua cabeça girava, gritava, doía; aquilo não fazia o mínimo sentido. Como ele o encontrara? E por que viera até ali?

“O que está fazendo?” Dite colocou a mão sobre os lábios. “Por que está aqui?”

“Eu sei sobre você.” Saga falou, ainda sentindo os lábios latejarem com o beijo, desejando mais. “Christen.” Complementou. Dite o encarou em choque, o coração disparando.

“Como...?”

“Eu tenho meus contatos.” Saga cruzou os braços sobre o peito, ficando sério. “E você roubou 50 mil do meu irmão.”

Dite abriu um sorrisinho sarcástico.

“Veio me cobrar?”

“Não vim por isso. Kanon mal sentiu falta do dinheiro.” Dispensou.

“Então eu deveria ter roubado mais. Ele tinha duzentos mil naquela conta.” Passou a mão pelos cabelos. “Por que me beijou?” Olhou-o cortante, atrás de uma explicação. “Eu te enganei. Fui para cama com você para que parasse de desconfiar de mim e do Mu. E depois fugi.” Sorriu maldoso. “Não me diga que continua apaixonado?” Caminhou até o balcão para ajeitar algumas rosas. Parar de olhar para o rosto másculo de Saga talvez o ajudasse a acalmar o reboliço e o caos generalizado em seu interior.

Saga não permitiu que se afastasse, e o puxou pelo braço contra si, obrigando-o a encará-lo.

“Sei que também se apaixonou. Posso ver no seu olhar.” Saga disse, num tom ainda mais afiado, que não deixava espaço para discussões. A voz dele reverberou nos ouvidos de Dite, que estremeceu. “Não minta mais para mim.”

“Eu-“

“Vocês fugiram sem concluir o plano de vocês. Isso significa alguma coisa. Fugiram mesmo quando suas vidas estavam em perigo. Nesses dois anos tive tempo para compreender seus motivos, e também tive tempo para te perdoar...” Saga explicou, sério.

Dite abriu e fechou os lábios, não querendo mostrar fragilidade, mas suas mãos estavam tremendo. Tentou desviar o olhar novamente, mas Saga agarrou seu queixo e o manteve cativo de seus olhos.

“Diga. Pare de mentir.” Saga exigiu, segurando-o pela cintura para mantê-lo mais próximo.

“Eu... Também me apaixonei.” Dite confessou enfim. Sempre havia sido alguém objetivo, por que mudar agora?

Saga acariciou seu rosto, suavemente, e o loiro fechou os olhos, aproveitando o carinho com um leve tremor. Não acreditava que estava tão vulnerável nos braços dele, mas... Estava tão cansado de se manter firme, fingir que tudo estava bem, ou que não sentira uma falta desgraçada dele e daquele olhar.

“Eu sabia.” Saga murmurou, sorrindo. “Sabia que não tinha gastado dois anos te procurando em vão.” E voltou a beijá-lo.

XxX

“Então é aqui que vocês moram.” Saga falou, se movendo pelo chalé. Era pequeno, agradável a arejado, com janelas que mostravam o moinho e o campo de tulipas. O cheiro do vento era perfumado, adocicado, e o próprio chalé era repleto de vasos com flores e plantinhas verdes.

“Sim, é aqui.” Dite se apoiou à mesa e cruzou os braços sobre o peito. Mu havia ficado na cidade, cuidando da floricultura. “Então vai me contar o que sabe sobre mim?”

“Sei que trabalhou para a Frame.” Saga relatou. “E sei que não cumpriu uma missão, e por isso estão atrás de você...”

“Então sabe...”

“Que você já assassinou algumas pessoas?” Saga se aproximou. “Sim, eu sei. É algo um pouco assustador... Mas-“

“Mas?” Dite incentivou.

“Isso está no passado. Não é quem você é agora.” Encararam-se profundamente, e Dite experimentou uma sensação de alívio no peito, algo quente em seu interior.

“Eu nunca quis aquilo, mas fui treinado desde novo, e a Frame não dá alternativas. Mas não é exatamente por isso que estão atrás de nós. É por causa do Pallas...”

“Pallas?”

“É o nome do Mu. Mas ele gosta de Mu, porque Pallas lembra aquela outra vida.” Dite contornou Saga e foi sentar-se no sofá, e o moreno o acompanhou, sentando ao seu lado. “Eu conheço a verdadeira história dele, porque... Eu fui amante de Hades... Ele é o chefe da Frame.”

Saga reprimiu seus ciúmes, e esperou que o loiro continuasse.

“Eu já tentei contar a ele a verdade, mas ele não quer me ouvir. Não quer ouvir que os pais dele foram na verdade assassinados por Hades... Hades o manteve sob seus cuidados, trancado na mansão. Eu fui um dos poucos amigos que ele teve. Hades o manteve porque... Mu é herdeiro de uma família nobre e rica da China. Ele tem uma herança gigantesca em seu nome.” Dite suspirou.

“Mas então por que...?”

“Porque não colocamos a mão nessa herança para salvar nossas peles?” Dite o interrompeu. “Não seja ingênuo. Hades deve estar esperando justamente por isso! Se tentarmos nos aproximar desse dinheiro, seremos pegos e ele matará a mim, por ser um traidor, e o Mu! Ele só manteve o Mu vivo para poder colocar a mão nesse dinheiro assim que ele completasse dezoito anos!”

“Deve haver um jeito de destruir essa organização.” Saga falou. Era algo que sentia bastante vontade de fazer.

“Talvez... Mas nem eu sei como. Frame sobrevive nas sombras e... A verdade é que se eu falasse alguma coisa contra a Frame, poderia ser morto ou ainda julgado. Afinal, eu matei pessoas, Saga! E depois disso roubei enquanto fugia. Por três anos roubei e fugi junto com Mu.” Dite esfregou o rosto com as mãos. “Por dois anos conseguimos ficar aqui na Holanda em segurança... Eu pensei que teria de partir de novo quando Giovanni nos encontrou, mas ele contou que apenas sabia porque o Mu andou se comunicando com o aquele menino, o Shun. E Shun enviou o Giovanni para cuidar de nós.” Riu da ironia daquilo. Saga franziu o cenho.

“Quem é Giovanni?”

“Não interessa.” Dite dispensou. Não precisava de ciúmes para cima de si no momento. “É um amigo agora.”

“Então você é um assassino, e Mu um herdeiro cativo da Frame...”

“Nós fugimos na noite em que eu deveria matar uma família russa. Combinamos tudo por meses, e aquele pareceu o momento ideal, porque eu jamais poderia matar aquelas crianças... Mu escapou da mansão de Hades por uma passagem antiga que eu descobri por acaso. Eu o esperei num lugar combinado e então fugimos... Já faz tanto tempo que às vezes me pergunto se a Frame ainda nos persegue. É estranho termos sobrevivido durante tanto tempo. Ou ele desistiu, ou minhas habilidades de me camuflar são muito boas, ou ele está esperando que tentemos colocar as mãos no dinheiro.” Dite ponderou, com um suspiro.

“Eu te encontrei, não é? Talvez não sejam tão boas assim.” Saga falou. “Você precisa me passar todas as informações que sabe dessa Frame. Eu tenho contatos. Um conhecido que é considerado o melhor detetive do mundo, ou um dos melhores. E um primo que trabalha na Interpol.”

“Ora veja, se você não é importante.” Dite sorriu de lado, debochado. “Bonito, rico, compreensivo e ainda bem informado. Terei tirado a sorte grande?”

Saga o puxou pelas pernas.

“Com certeza você tirou.” Disse. “Vamos destruir essa tal de Frame juntos.” Segurou-o pela nuca e o aproximou de seus lábios.

“Eu gosto dessa ideia.” Dite ronronou, subindo no colo de Saga e o beijando, ou tentando, pois Saga se inclinou para trás.

“Mesmo que isso destrua seu antigo amante?” Perguntou, sarcástico, mas um tanto ciumento.

Dite riu.

“Por Deus, principalmente por isso.” Agarrou os cabelos de Saga e dessa vez o beijou, sem deixar que ele escapasse. O beijo em pouco tempo tornou-se feroz, necessitado. Saga se ergueu e carregou Dite para o quarto, guiado pelo loiro.

Os dois caíram na cama e logo as roupas já estavam espalhadas pelo chão do quarto, e o cheiro de flores enchia todo o ambiente.

XxX

“Eu ainda não entendo por que fez tudo isso. Eu... Você sabe tudo sobre mim, sabe como te enganei, e ainda me procurou por todo esse tempo.” Dite sussurrou, com a voz embargada, sentindo o calor de Saga às suas costas, o braço musculoso e possessivo dele rodeando sua cintura, como que com medo que fugisse novamente.

“Nem eu entendo. Mas... o amor nos torna idiotas.” Mordeu-o no pescoço. Dite riu baixo, e virou-se para ele ainda dentro do abraço, encontrando os olhos intensos dele.

“Mas não ache que eu vou ficar todo namorandinho com você por causa disso.” Sorriu no canto dos lábios, rememorando algo que havia dito há dois anos atrás. Saga riu e deixou seus lábios rentes.

“Dessa vez você vai.” Sussurrou, com uma certeza que beirava a prepotência. “Sei que vai.”

“Você anda bastante convencido...” Dite ergueu a sobrancelha e empurrou Saga, subindo para cima do corpo dele, deixando os falos se tocarem e endurecerem juntos novamente. “Eu gosto disso.” Arranhou o tórax dele, enquanto Saga segurava sua cintura.

“Sei que gosta.” Sorriu.

“E Aiolia?” Dite perguntou.

“O que tem ele?” Saga estava mais concentrado em admirar o corpo nu do pisciano montando-o. Dite revirou os olhos.

“Ele... Não quer ver o Mu novamente?”

Saga suspirou.

“Ele não demonstrou interesse quando eu contei que havia descoberto onde vocês estavam. Ou fingiu não demonstrar. É difícil dizer o que se passa pela cabeça do Aiolia hoje em dia, ele ergueu muros altos ao redor dele, e não deixa ninguém ver através deles.” Massageou com os polegares os glúteos empinados de Dite, fazendo-o se mover um pouco sobre si.

“O Mu também mudou... Hoje dia a melhor definição para ele é melancólico. Nunca mais sorriu como antes.” Disse, ficando um pouco triste pelo amigo. Saga percebeu e se sentou, abraçando-o no processo.

“Mas não vamos pensar neles agora, por favor.” Saga pediu. “Eu ainda não matei a saudades.”

“Hmm... Precisamos resolver isso, então.” Murmurou, malicioso, e desceu a mão para manejar o falo do maior. Saga girou com Dite nos braços e ficou por cima dele. Arranjando rapidamente outra camisinha, Saga o penetrou com um único golpe, fazendo Dite gritar languidamente e agarrar seus cabelos pelas raízes.

Mu teria de sair para passear pelos campos mais vezes, como antes. Ou talvez bem mais do que antes.

Notas finais
Morta de sono aqui. Aew, um reencontro. Nhá, eu tinha pensado em escrever um capítulo inteiro só mostrando esses dois anos que passaram, mas achei que ficaria chato xD Enfim, teremos mais um cap. e o epílogo! Espero conseguir terminar rapidinho aqui! Obrigada aos amores que comentam! ♥
Beijoooos!